quinta-feira, 12 de julho de 2007

Identidade assembleiana: apologética e ortodoxia

O primeiro presidente do Concílio Geral das Assembléias de Deus norte-americana, o rev. E.N. Bell, proferiu a seguinte resolução, que representa o pensamento pentecostal clássico:
Essas Assembléias opõem-se a toda Alta Crítica radical da Bíblia, a todo o modernismo, a toda a incredulidade na igreja e à filiação a ela de pessoas não-salvas, cheias de pecado e de mundanismo; e acreditam em todas as verdades bíblicas genuínas sustentadas por todas as igrejas verdadeiramente evangélicas”.
Essa deliberação exposta no início das Assembléias de Deus, demonstra o apego à ortodoxia doutrinária e repulsa pelas heresias do modernismo teológico, que era o maior perigo doutrinário no início do século XX. Esse aspecto apologético e ortodoxo do pentecostalismo clássico deve ser buscado como a identidade assembleiana.
O liberalismo teológico, com a sua nova moda chamada de teísmo aberto e o neopentecostalismo , com os vários modismos de ordem doutrinária(maldição hereditária, teologia de prosperidade etc), litúrgica(danças no espírito, cair no espírito etc) e ministeriais(renovação apostólica, neo-episcopado); são um desafio para as igrejas pentecostais históricas. Manter a identidade no meio dessa sopa eclesiástica é o primeiro passo, e a Assembléias de Deus precisam se colocar como arautos, denunciando heresias e protegendo o evangelicalismo da ruptura bíblica-teológica, pois Sola Sprictura.
Discutir pormenores em relação aos usos e costumes ou levantar objeções ao estudo teológico, é perca de tempo diante de uma sociedade pós-moderna. A igreja hodierna, precisa valorizar a pregação expositiva das verdades centrais do cristianismo e criar uma geração de apologistas, que combatam desde do naturalismo científico(evolucionismo) aos modismos bizarros (galinhas pentecostais).
Um pentecostal entregue aos modismos ou ao liberalismo teológico, deveria procurar
se adequar ao verdadeiro modelo pentecostal. Infelizmente, alguns pastores, que se auto-proclamam pentecostais, estão entregues a várias distorções bíblicas. Há líderes que são xerox de homens heterodoxos. Infelizmente, na pratilheira de muitos pastores pentecostais, não se vê livros de Myer Pearlman, Donald Stamps, Donald Gee, Stanley Horton etc; mas sobram manuscritos ou DVD`s heréticos de Benny Hinn, Kenneth Hagin, Clack Pinnock etc. A leitura devocional e exegética da Bíblia, para muitos, é uma prática que foi substituída por assistir DVD`s de “conferencistas internacionais”.
A igreja Assembléia de Deus precisa divulgar uma doutrina pentecostal ortodoxa e “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos”. Essa batalha não é apenas intelectual(teológica), mas uma batalha que é vencida com oração e apego as Escrituras.
A defesa de fé é parte essencial na identidade assembleiana, tanto com característica dessa identidade, como preservação da mesma.

Dê a sua opinião em relação a identidade assembleiana. Escreva um post!

10 comentários:

Pasica20 disse...

Caro Gutierres,

Parabéns pelo post. Creio que você toca em questões essenciais, que de fato interessam, se quisemos levar adiante qualquer discussão que diga respeito à identidade pentecostal, no nosso caso a assembleiana.
Quando percebo a existência que jovens como você, do GQL e outros interessados em refletir sobre pentecostalismo, sem digressões e sem tentar blindar as disfunções que o assolam, sinto que podemos renovar as esperanças que anseiam pelo final feliz do ciclo do pentecostalismo, enquanto movimento.

Tenho reiterado que, excetuando alguns comportamentos anacrônico-legalistas e o ambiente dominado pela política dos pastores coronelistas que tratam a igreja como propriedade suas, o meio pentecostal tem Telogia equilibrada e coerente com os princípios da Palavra de Deus, defendida por bons polemistas, zelosos pela fé. Acontece que isso não basta, pois à medida que, como acontece com todo movimento, o pentecostalismo vai encerrando o seu ciclo, verificamos a tendência a (des)polarização. Uma parte minoritária e mais conservadora lentamente se alinhará ao protestantismo histórico, principalmente o de orientação calvinista, com o detrimento dos postulados arminianos, seguindo o exemplo do que já acontece nos EUA há muito tempo.
A outra parte, a maioria, incluindo pastores e líderes não resistirão a oferta da graça barata proposta pelo neo(pós)pentecostalismo, cuja sintomatologia há muito se percebe em espetáculos deprimentes, como os de Camboriú, eivados das idiossincrasias alheias a Teologia Pentecostal, promovidos pelos marco-felicianos do momento.

Penso que os sinceramente apaixonados pela história do pentecostalismo (me incluo e creio que você, que se identifica como arminiano convicto, também o é) precisam tratar de forma clara, elucidativa, sem pressa e, sobretudo, com o coração despartidarizado, as questões que se apresentam nesse momento, que requerem mais que meros rótulos.

Sugiro que comecemos pelas que você cita nesse seu post, tais como: Ortodoxia x Modernismo Teológico, Pentecostalismo clássico x neo(pós)pentecostalismo, Teismo aberto x Teismo fechado, Criacionismo x naturalismo científico entre outros.

Temos batido na tecla que enseja a necessidade de levantar uma geração de apologetas e polemistas para combater as, consideradas, heresias. Só que só combater não produz eficácia alguma, pelo contrário reforça as teses combatidas, o neopentecostalismo é um exemplo inquestionável, quanto mais combatido mais aumenta.
Você alerta de forma feliz, que precisamos valorizar a pregação expositiva (pergunte a 90% dos pastores assembleianos o que é isso e ele não saberá dizer) das verdades centrais do cristianismo. Permita-me completar que o que salvará a identidade pentecostal é a pregação das verdades centrais do Evangelho (sem alinhamentos teológico), com significativa transferência para prática do dia a dia.
Tentar revitalizar o pentecostalismo, sem entender que Deus é dinâmico; “Meu Pai trabalha até agora, e Eu também”, sem eliminar os vícios da caminhada, apenas fazendo apologética sem evidencias na práxis, será assistir o seu fim, homogeneizado em parte no protestantismo histórico e em parte engolido pelo paganismo do deus utilitário.

Um abraço,
Pr Paulo Silvano

jonas disse...

A paz do Senhor meu irmão!

Com certeza devemos buscar nossas raízes pentecostais, que em muitos lugares já deixaram de existir. O motivo imposto por estes que acham que devemos reciclar nossa maneira pentecostal de ver, ser e viver não é outro a não ser, a pós modernidade; alegam que devemos mudar com o tempo e não retroceder. Devemos combater veemente este ventos oriundos de outras denominações - nada contra as outras igrejas - mas, devemos lembrar sempre de como Deus criou esta instituição (Assembléia de Deus; no seu modo apólogético e ortodoxo de ser. Nós não precisamos inovar, mas sim renovar aquilo que Deus já nos revelou! Quanto a sua colocação no que tange aos usos e bons costumes:
´Discutir pormenores em relação aos usos e costumes ou levantar objeções ao estudo teológico, é perca de tempo diante de uma sociedade pós-moderna``
Fica aqui a minha discórdia, pois não creio que seja de menor valor discutir os nossos usos e bons costumes nos dias de hoje, pois na pós modernidade não existi os ´´pormenores``. Devemos manter em meio a este sistema corrompido a nossa apologética, ortodoxia e claro, os nossos usos e bons costumes! Temperado e de agrado a Palavra de Deus!

Obs: Escrevi com o e-mail de outro amigo meu.

fica aqui o meu email: vitorhugo@fcj.com.br
Deus abençoe!
Vitor Hugo
Joinville/SC

Teologia com Graça disse...

Kharis kai Eirene!
Prezado irmão Gutierres, o Teologia Pentecostal escolheu um ótimo tema para discutir. Recentemente postei no blog do Dr. Nicodemos relatando, em poucas palavras, um pouco da consideração pentecostal clássica a respeito da declaração do Papa.
Registro, porém, que descrever a identidade assembléiana é tarefa hercúlea, mas não impossível. Lembremos que além da influência do pentecostalismo americano, temos em nosso ethos, o DNA dos pioneiros suécos. Olhemos para os líderes que presidiram a nossa honrada CGADB e descobriremos outro detalhe: a presença marcante da liderança nordestina. A partir de uma visão sócio-teológica dessa realidade é que, de fato, poderemos identificar a "identidade assembléiana".
Sugiro, portanto, retrocedermos ainda um pouco mais, revisando o contexto da declaração da liderança americana, a fim de verificarmos que vários aspectos dessa declaração estão intrinsecamente relacionadas ao contexto do fundamentalismo versus liberalismo.
Não pretendo ser prolixo, mas o parabenizo pela iniciativa.

Pr. Esdras Costa Bentho.

Gutierres Siqueira, 18 anos disse...

Agradeço ao pr. Paulo Silvano, ao irmão Victor Hugo, e ao teólogo Esdras Bentho. A participação e opinião de cada um é muito importante para mim.

Pastor Geremias do Couto disse...

Caro Gutierres:

Parabens pela defesa da ortodoxia pentecostal. Vale a pena esse bom debate.

Pelos comentários ao seu post, percebe-se com clareza que essa é, de fato, no dizer de Esdras Bentho, uma tarefa hercúlea.

O pastor Paulo Silvano, por exemplo, fala em despartidarizar a discussão, mas pressupõe que o movimento pentecostal é, todo ele, de natureza arminiana, quando se sabe que, historicamente, sempre houve pentecostais vinculados ao calvinismo. Queiramos ou não, o partidarismo já aparece aí.

Ora, ambas as linhas doutrinárias - o arminianismo e o calvinismo - vêm da Reforma. Elas caracterizam o protestantismo conservador e histórico e, até então, não tinham nenhum vínculo com o pentecostalismo enquanto movimento, já que este é mais recente na história eclesiástica.

Outro dado a acrescentar é que, não obstante essa divergência de fundo, nenhum dos lados duvida em sã consciência da salvação de quem defenda o calvinismo ou o arminianismo. Como exemplo histórico dessa postura, já citei em outros comentários no meu blog (e em blogs de outros teólogos) John Wesley e Carlos Whitefield, o primeiro arminianista, o segundo calvinista. No entanto, eram companheiros inseparáveis na obra de evangelização.

Proponho, então, algums perguntas:

1) Como se definiriam as linhas mestras da ortodoxia pentecostal e de que forma elas seriam aplicadas na sua praxis? Seguiriam o modelo pentecostal "histórico" ou adotariam as expressões cultuais do neopentecostalismo (ou pós, para usar uma terminologia do pastor Paulo Silvano)?

Este dilema é crucial em virtude de alguns doutrinadores irem para um extremo em que, para resistir os ventos neopentecostais, acabam por abandonar também os pontos vitais que definem a natureza do pentecostalismo. Não mais pregam sobre cura divina, o batismo no Espírito Santo passa longe de suas mensagens e não se sentem à vontade para defender a contemporaneidade dos dons espirituais.

2)O movimento pentecostal precisa ser necessariamente arminiano, ou calvinista, posto que ambas as correntes vêm antes do pentecostalismo, que não é resultado de nenhuma delas?

Usando a linguagem da tese, antítese e da síntese, como sugestão para o debate, acredito piamente que o movimento pentecostal possa ser essa síntese que reúna em sua teologia, sem abrir mão de seus pontos vitais, tanto as verdades que há no arminianismo quanto as verdades do calvinismo. Com toda sinceridade, vejo bastante espaço para que pontos de ambas as correntes façam façam parte dessa teologia.

3) Aonde fica, na teologia pentecostal, a soberania de Deus, que nos ajuda a combater os modismos do neopentecostalismo, tais como "reivindicar, decretar, exigir, determinar etc., e como alinhar essa soberanis à responsabilidade humana?

A terceira pergunta é quase outra versão da anterior, mas aqui vamos direto a um ponto - a soberania de Deus - com o qual nós, pentecostais, temos dificuldades de lidar temerosos de que ele fortaleça a posição calvinista em detrimento da responsabilidade humana, o cerne do arminianismo.

No entanto, se de fato queremos pensar numa ortodoxia pentecostal e "assembleiana", precisamos ter coragem de enfrentar esses desafios, sem partidarismos, como mencionou o pastor Paulo Silvano, mas reconhecendo que são dois pontos essenciais a serem tratados em profundidade em busca dessa definição.

Quanto ao mais, Gutierres, mais uma vez parabéns. Temos um longo caminho pela frente. Por outro lado, me perdoe se me alonguei em meu comentário.

Um abraço

João disse...

A Paz do Senhor
Parabéns pelo artigo
Bom, pelo muito que já foi dito aqui eu tenho pouco a dizer.
Assembléia de Deus não é mais a mesma.

Que Deus possa avivar a sua obra

Em Cristo

João Ricardo
www.ieadsape.no.comunidades.net

Pastor Geremias do Couto disse...

Caro Gutierres:

Apenas uma correção no meu post: onde se lê Carlos Whitefield, leia-se: George Whitefield.

Obrigado.

Gutierres Siqueira, 18 anos disse...

Agradeço a participação do irmão João e do ilustre pastor geremias do Couto,continuem a acompanhar essa humilde blog!

Marcio Mattos guitarrista disse...

gostaria de perguntar a você uma coisa muitos pregam que avera um arrebatamento e depois tera outro e que jesus vira antes de o anticristo se manifestar em apocalipse esta escrito que o anticristo teria o poder de fazer guerra aos santos e os vencer como pois vencer os santos se jesus levou todos embora? o apostolo paulo disse que os mortos ressusitariam primeiro e depois os que estão vivos seriam transformados para juntos encontrar com o senhor nas nuvens como pode então ter dois arrebatamentos se você conseguir me explique essa doidera toda

COMUNHÃO ASSEMBLEIANA disse...

Amado irmão Gutierres,

Este ano lancei meu novo trabaho literário: Um Testamento Teológico Para a Assembleia de Deus. na verdade , trata-se de uma obra que analisa dentro de uma visão histórico-teológica a identidade de fé da Assembleia de Deus. Outrossim , também , procuro na referida obra , discutir temas relacionados as nossas doutrinas , tais como teologia, cristologia, pneumatologia , ética e escatologia , mas sempre a partir de uma abordagem pragmática do ethos assembleiano. é que ainda não temos um tratado teológico que possibilite uma discursão acadêmica sobre o nosso pensar teológico pentecostal assembleiano. Daí a razão de oferecer ao povo assembleiano o meu olhar acadêmico e espiritual sobre a nossa igreja . Considero a obra inédita e de sum importancia para o leitor pentecostal. Posso enviar-lhe um exemplar, enviando-me seu endereço.
Pr. Roberto dos Santos