sábado, 11 de agosto de 2007

Uma crise sem fim?

Em vários painéis de igrejas por todo o país, é comum ver cartazes de pregadores ou “conferencistas internacionais”, em uma verdadeira propaganda do que aquele pregador “pode” fazer. São curas, batismos no Espírito, libertação, exorcismos, tudo isso atribuído ao pastor ou apóstolo. Os carros de som anunciam para a população levar ao culto, os paralíticos, coxos, cegos, endemoninhados, que o ungido vai invocar o poder de Deus e todos os problemas serão resolvidos. As pessoas vão ávidas para receber, receber e receber. O pregador pregar uma mensagem triunfalista, do tipo “é só vitória”. A enfase do culto está no homem(gr. Antropos), e em sua vitórias e em bênçãos recebidas. Há ainda vários testemunhos e o super-homem de Deus conclama a congregação a dar “glória a Deus”, pois aqueles que não dão glória, são geladeiras e não pentecostais. Esse é o retrato da atual situação de muitas igrejas nesse país.
O que leva uma igreja a acatar esse tipo de pregador e mensagem? Certamente, é a rotina de cultos em que a Palavra de Deus não é ensinada. Hoje, as mensagem sobre salvação, vinda de Cristo, santidade e pecado; foram substituídas por pregações de prosperidade, santidade extrema (legalismo), escatologia especulativa e triunfalismo. A pregação bíblica, deve voltar com urgência aos púlpitos desse país. Os sermões como “Pecadores na mão de um Deus irado” de Johnatas Edwards, é coisa de um passado bem remoto. Igreja sem ensino, consequentemente, seguirá evangelhos estranhos ao ensino da Bíblia Sagrada.
Mediante esse quadro, pode-se perguntar: O quando se investe em escola dominical? Há conferências de estudo bíblico? O dinheiro dos dízimos são empregados na construção de bibliotecas na igreja? Quantos pastores nunca leram a Bíblia por completo? Ainda existe culto de oração? As respostas, na situação atual, será das piores. Isso não é pessimismo, mas a realidade!
Ainda há esperança para o evangelicalismo brasileiro? A resposta é sim, pois no momento em que o Brasil passar por um verdadeiro avivamento, a Palavra de Deus será o centro da adoração, pois é o momento de ouvir a voz de Deus (vox Deo). O avivamento só começará com a oração daqueles que querem ver uma igreja transformada e ainda, com os pregadores inconformados com mensagens sem base bíblica; implantando em suas congregações, o modelo cristocêntrico e apologético em suas homilias. A real solução para o movimento evangélico é a militância na pregação expositiva e o papel apologético dos amantes da doutrina, é a prática da prédica e a oratória defensora das boas-novas. Apologia sem ação não levará ao efeito esperado para a igreja tupiniquim, e a ação ligada a apologética é a implantação de sermões bíblicos por onde esse cristão tiver oportunidade de pregar e a oração
pela abertura do evangelho cristocêntrico.
A apologia é uma obrigação dos cristãos comprometidos com a sã doutrina. Um famoso pregador da prosperidade disse em um de seus programas, que o evangelho não precisa de defesa (gr. Apologia), certamente, esse mestre da confissão positiva nunca leu a recomendação de Judas, “a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos”(Jd v.3) e 1Pe 3.15, que diz: “antes, santificai a Cristo, com Senhor, em vosso coração; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós”. Inácio, um dos pais da Igreja, escreveu a Policarpo, que foi
um discípulo próximo ao apóstolo João: “Aqueles que parecem dignos de fé, mas ensinam o erro, não te amedrontem. Permanece firme, como a bigorna sob os golpes do martelo”.¹ É
a firmeza daqueles que estão sobre a rocha, sustentados pelo Senhor, por meio de sua Palavra; que levará o evangelho avante.
O evangélico pentecostal ainda têm armas poderosas para essa batalha apologética. A escola dominical é um meio poderoso de ensino da Palavra. Outra arma é grupos de ensino bíblico, que certamente terão o apoio de um líder que tenha o mínimo de bom senso. A prática da apologia é difícil, mas necessária, como lembra o dr. Paulo Romeiro: “Em uma sociedade relativista com a nossa, não é tarefa fácil expor desvios doutrinários, principalmente quando surgem e se espalham no meio evangélico. Fácil não é, mas é necessário. O cristão não faz isso por prazer, mas porque essa obrigação lhe foi imposta”². O cristão deve ainda orar pela abertura da pregação cristocêntrica no meio evangélico, assim como o apóstolo Paulo exorta os colossenses: “Perseverai em oração, velando nela com ação de graças; orando também juntamente por nós, para que Deus nos abra a porta da palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual estou também preso; para que manifeste, como me convém falar”(Cl 4.2-4).
Mediante essa práticas, como a pregação bíblica, a apologética e a oração, é que o quadro atual pode começar a mudar em direção ao evangelho de Cristo.

Notas bibliográficas:

1- Carta de INÁCIO a POLICARPO no Cap. 3, v. 1. Padres Apostólicos. São Paulo: Paulus. (disponível no site:arminianismo.com)

2- ROMEIRO, Paulo. Super Crentes. 2. ed. rev., São Paulo: Mundo Cristão, 2007, p. 17.

8 comentários:

Silas Daniel disse...

Caro Gutierres,
Excelente reflexão. À luz da Bíblia, qualquer pessoa ou igreja que se preocupa com avivamento deve se preocupar em cultivar uma vida de oração e, simultaneamente a isso, prezar pela ortodoxia bíblica. Os princípios bíblicos para um avivamento são muitos, mas, sinteticamente, podemos resumi-los nestes dois tópicos: (1) vida de oração e (2) obediência à Palavra de Deus. Então, qualquer movimento que despreze essas duas coisas simplesmente não é avivamento. Pode se chamar do que quiser, por assim dizer, menos de avivamento bíblico.
O principal problema hoje, no mundo evangélico, é que muitos infelizmente esquecem que, além da necessidade de orarmos e nos humilharmos diante de Deus, nos arrependendo dos nossos pecados e clamando pelo derramamento do Espírito Santo (2Cr 7.14), devemos observar também nossa saúde doutrinária. Não adianta clamarmos por um avivamento se desprezamos os princípios bíblicos. O Espírito Santo não pode honrar aquilo e/ou aqueles que desprezam a Palavra que Ele mesmo inspirou. O Espírito Santo não pode ser derramado sobre uma mentira, sobre a negação da Verdade. O Espírito Santo não pode honrar erros doutrinários não-secundários, erros que mexem com os fundamentos que Ele mesmo estabeleceu ao inspirar a produção das Sagradas Escrituras. Este é o problema fundamental da maioria esmagadora dos falsos "avivamentos" de nossos dias: o desprezo às doutrinas bíblicas fundamentais.

Victor Leonardo Barbosa disse...

Paz do Senhor Gutierres..
verdadeiramente os princípios que você mencionou estão em falta.Infelizmente os pentecostais estão vivendo o produto de uma subcultura que existe hoje, até mesmo os gritos de "glória a Deus!!!" estão sendo substituidos por "Toma demônio!!!". A coisa tah feia. Que Deus nos dê graça para continuar essa batalha.

Vitor Hugo da SIlva disse...

A paz do Senhor Irmão Gutierres!

Infelizmente no nosso meio evangélico predomina o mesmo problema que existe no catolicismo. ´´A POUCA LEITURA BÍBLICA``. Eu falo pouca, pois muitos ainda não dão uma maior ênfase para leitura bíblia, tanto devocional como exegética. Quando menciono ´´muitos`` estou me referindo a obreiros da casa do Senhor de toda classe hierárquica (Diácono, presbítero etc). Todo avivamento deve ser precedido pela busca e estudo da palavra do Senhor,é nela que encontramos as nossa diretrizes e é nela que encontramos um verdadeiro avivamento espiritual. Temos que sempre lembrar de Esdras 7. 10 ´´Porque Esdras tinha disposto o coração para buscar a Lei do SENHOR, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos``.

Deus abençoe!

Celeste disse...

Concordo plenamente contigo irmão Gutierres:

" Hoje, as mensagem sobre salvação, vinda de Cristo, santidade e pecado; foram substituídas por pregações de prosperidade, santidade extrema (legalismo), escatologia especulativa e triunfalismo. A pregação bíblica, deve voltar com urgência aos púlpitos desse país."

Realmente precisamos de AVIVAMENTO, mas tbm de um DESPERTAMENTO, o povo tá dormindo nos braços de Satanás, e não percebem, por isso abri essa comunidade.

"A real solução para o movimento evangélico é a militância na pregação expositiva e o papel apologético dos amantes da doutrina, é a prática da prédica e a oratória defensora das boas-novas. Apologia sem ação não levará ao efeito esperado para a igreja tupiniquim, e a ação ligada a apologética é a implantação de sermões bíblicos por onde esse cristão tiver oportunidade de pregar e a oração
pela abertura do evangelho cristocêntrico. A apologia é uma obrigação dos cristãos comprometidos com a sã doutrina."

Tbm concordo plenamente com o Pr. Paulo Romeiro para a solução das igs sairem dessa crise, e colocar um basta nesses modismos neopetencostais:

"A prática da apologia é difícil, mas necessária, como lembra o dr. Paulo Romeiro: “Em uma sociedade relativista com a nossa, não é tarefa fácil expor desvios doutrinários, principalmente quando surgem e se espalham no meio evangélico. Fácil não é, mas é necessário. O cristão não faz isso por prazer, mas porque essa obrigação lhe foi imposta”². O cristão deve ainda orar pela abertura da pregação cristocêntrica no meio evangélico, assim como o apóstolo Paulo exorta os colossenses: “Perseverai em oração, velando nela com ação de graças; orando também juntamente por nós, para que Deus nos abra a porta da palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual estou também preso; para que manifeste, como me convém falar”(Cl 4.2-4). Mediante essa práticas, como a pregação bíblica, a apologética e a oração, é que o quadro atual pode começar a mudar em direção ao evangelho de Cristo."

Pastor César Moisés disse...

Caro Gutierres Siqueira

Parabéns pelo excelente post!

Este é o ponto: apologética, pregação cristocêntrica e oração.

Quantas aberrações cometidas em nome do pentecostalismo clássico.

Fico feliz em saber que Deus está levantando jovens como você, os quais não caíram no "canto da sereia" e não imitam os pregadores - se é que que podemos chamá-los assim - sensacionalistas que vivem enganando as igrejas e dando shows por aí.

Um grande abraço, vai nesta tua força!

Gutierres Siqueira, 18 anos disse...

Aos irmãos Silas Daniel, um homem de visão cristã; Vitor Leonardo, jovem preocupado com a sã doutrina; Victor Hugo, militante da Palavra; Celeste, amante da apologia cristã e ao Cesár Moíses, educador e apologista.
O meu abraço!

Ciro Sanches Zibordi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ciro Sanches Zibordi disse...

Prezado reverendo Gutierres,

Ótima a sua abordagem. Mas que nós, ó amados internautas, não apenas a admiremos; antes, façamos a nossa parte, a fim de que estejamos prontos para um real avivamento.

Vai nesta sua força, jovem obreiro!

Ciro Sanches Zibordi