quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Em busca da felicidade bíblica

Comentário do Salmo 1¹

Parte Um
“Bem-aventurado o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores”.(v.1)

A felicidade é um estado de bênçãos derramadas pelo Senhor, é viver de modo abençoado. A felicidade é consequência de atitudes exercidas por um homem regenerado, que guiado pela Palavra de Deus e conduzido pelo Espírito Santo, segue os mandamentos estabelecidos por Deus. O salmista lembra que “bem-aventurado o homem que teme ao SENHOR, que em seus mandamentos tem grande prazer”.(Sl 112.1b) A obediência e a submissão ao senhorio de Cristo é o caminho para a verdadeira felicidade.
A felicidade é um estado, enquanto a alegria é uma aspecto do caráter cristão. Felicidade e alegria são ligadas, mas a bíblia não exorta o crente a ser feliz, pois isso depende de atitudes por ele tomada e consequentemente do agir de Deus, mas constantemente a Palavra do Senhor exorta os servos de Deus para se alegrarem, pois a alegria é um gomo do Fruto que o Espírito Santo comunica ao crente, é uma manifestação interna que se exterioriza e cresce à medida que o Espírito Santo tem mais espaço para agir. A diferença que a alegria parte do interior, enquanto a felicidade parte do exterior.
Para ser feliz é preciso seguir diretrizes estabelecidas pelo Senhor em seu Palavra, e o Salmo 1, aponta algumas atitudes a serem tomadas pelo cristão. Essas atitudes não são um compêndio de regras, similar aos livros de auto-ajuda (as dez maneiras para ser isso, as quinze atitudes daquilo etc), pois Deus não trabalha com trocas. Agir de maneira bíblica trará como consequência a felicidade, seguir os passos de Jesus, é ser seguir toda sorte de bênçãos; não se trata de troca ou barganha com Deus, mas trata-se de um resultado final da obediência. Deus é o Deus da graça, e obedecer ao Senhor só é possível com a Sua ajuda; por esse motivo o Espírito Santo habita no crente. A bem-aventurança do crente é um dom de Deus, ou seja, é obra de sua graça. O homem coopera, mediante a sua obediência, para desfrutar da felicidade; mas o agente principal é Deus.
As bênçãos derramadas para o cristão viver em um estado de felicidade, podem parecer estranhas , mas a maneira do Deus soberano agir é perfeita e certamente fará dos seus servos um povo feliz. Chorar pode demostrar infelicidade, mas para o cristão pode ser a manifestação da felicidade cristã. Deus permite perseguições, lutas, batalhas para assim manifestar o seu perdão, misericórdia e graça; esse é o estado de quem é feliz, isso é ser feliz. Paulo tinha um espinho na carne, mas aprendeu do Senhor que estava debaixo de sua graça, ele conclui: “De boa vontade, pois me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo”(2Co 12.9b).
O conceito de felicidade na Bíblia não o mesmo dos ímpios. Ser feliz, para os muitos, é ter muitos bens, casar, ter saúde perfeita e tudo isso é muito bom. Na Bíblia, ser feliz não é desfrutar de algumas coisas passageiras e imediatas, mas sim, é um estado permanente que independe das circunstâncias. O crente olha para o seu futuro, “aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo”(Tt 2.13) A igreja não pode ter uma visão imediatista da vida, mas esperar em Cristo e pensar “nas coisas que são de cima e não nas que são da terra”(Cl 3.2). O materialismo presente na sociedade, atingiu uma igreja mundana que prega uma felicidade baseada em bens materiais, sendo assim um outro evangelho.
Veja agora as atitudes expostas pelo salmista para o servo de Cristo ser uma pessoa bendita:

“Que não anda segundo o conselho dos ímpios”

O Salmo 1 contrasta o caminho dos justos(vv 1-3) e dos ímpios(vv 4-6). O caminho dos justos é diferenciado pela verdadeira felicidade e pelo progresso espiritual; Salomão expressou muito bem a diferença entre a jornada do justo e do ímpio: “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. O caminho dos ímpios é como a escuridão; nem conhecem aquilo em que tropeçam”(Pv 4.18-19); Jesus, também, contrasta o caminho largo do caminho apertado(Mt 7.13-14), pois um leva a morte espiritual e eterna e o outro para a vida espiritual e eterna(Jr 21.8). Há diferença entre o justo e o ímpio, pois “vereis outra vez a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus e o que não serve”(Ml 3.18).
Mediante essa diferença, o justo não deve pautar a sua vida pelos conselhos e conceitos dos ímpios. O conselho dos ímpios podem conduzir o cristãos a uma vida errante ou a pensamentos e conceitos antibíblicos. As opiniões dos ímpios, quando acatadas determinam a conduta do justo, ao ponto dele se deter no caminho dos pecadores e se sentar na roda dos escarnecedores, pois verifica-se no Salmo 1.1 uma progressão do pecado ou uma amostra da totalidade do pecado; tudo começando pelo ouvir e o seguir aquilo que os não-regenerados determinam. O modus vivendi do mundo, como um sistema, não deve ser regra para a prática do cristão.
O princípio de separação está exposta nesse texto. A separação é do pecado, o modo de viver do ímpio; não é a separação física dos homens pecadores. É claro que uma intimidade acentuada pode levar o cristão a se misturar com o pecado do pecador, isso começa quando o justo é inerte em conselhos e opiniões e passa a assimilar o conselho dos ímpios. Esse limite, muito delicado, deve servir de alerta diante de todo cristão.
Os padrões mundanos não devem ser os padrões dos servos de Cristo. A falta de integridade, a corrupção, a inveja, o orgulhos de seus bens são características presentes entre os ímpios, mas a característica do justo são os aspectos do caráter de Cristo. A Bíblia de Estudo Genebra de 1559², traz um precioso comentário sobre esse trecho do Salmo:

“Quando um homem começa a dar lugar ao conselho mau, ou à sua própria natureza pecaminosa, ele começa a perder a razão em seu pecado, e assim, a desprezar a Deus,
que é chamado de a roda dos escarnecedores”.

O pecado, quando acha uma porta e não é combatido, se aloja e traz consigo uma maior perversidade.
Sempre deve-se tomar cuidado com a contextualização no meio cristão, as mudanças de paradigmas devem ser sustentadas por uma sólida base bíblica. Se apresentar nessa sociedade é muito necessário, passar a mensagem cristã e evangelizar os povos e grupos delicados, mas nunca assimilar os seus conceitos. O portador da mensagem deve ser o cristão e não o ímpio. O cristianismo perde espaço quando cala-se diante do trombone do naturalismo científico, foge do seu papel quando é inerte diante das filosofias imorais. Enquanto a igreja de Cristo se cala, o mundo transmite suas perversas mensagens, tanto diante de questões relacionadas a moralidade, quanto as questões filosóficas. O pior é quando um cristão esquece o seu papel de apologista e assimila os conselhos dos ímpios.

“Nem se detém no caminho dos pecadores”

Seguir o conselho dos ímpios, demanda andar na prática dos pecadores. A forma de viver desse presente século é viver aparte de Cristo. Se deter no caminho dos pecadores significa viver de modo mundano. O mundanismo é um grande mal para a igreja hodierna, muitas das práticas pecaminosas do mundo entram no dia-a-dia do cristão. O mundanismo começa sempre por meio de uma filosofia errada, exemplo disso são aqueles que seguem o pragmatismo. Essa filosofia ensina que a verdade deve ser avaliada por sua funcionalidade, ou seja, se funciona então é verdade. Os pragmáticos na igreja serão engolidos pelo pecado do materialismo, pois seguidores dessa doutrina sempre valorizam mais a terra do que o céu, pois avaliam tudo pelo que vêem, sentem e ouvem; sendo, é claro, tudo prático. Verifica-se que o pragmatismo é uma filosofia mundana muito presente na Igreja.
A permanência no modo de vida dos pecadores levará o cristão a apagar a sua comunhão com Deus. O caminho para perdição é gradual, sendo que primeiro se assimila uma filosofia mundana ao ponto de imitar os ímpios. A comunhão com Deus depende de uma perseverança constante aos pés do Senhor, para que assim possa haver segurança na salvação de cada um.
O princípio da separação do pecado, demanda em não fazer associação com o ímpio para a prática do mal. Essa separação não significa o abandono de relações sociais saudáveis e necessárias para a evangelização. O ódio pelo pecado deve ser princípio na vida cristã e não o ódio pelo pecador. A Bíblia ensina a se separar literalmente daqueles que se dizem cristãos, mas andam de modo desordenado (cf. 1Co 5.9-11 e Mt 18.17, Rm 16.17, 2Ts 3.6, 2Jo 10). Fica ainda a recomendação do apóstolo Paulo: “Mas, se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe. Todavia, não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão”(2Ts 3.14-15).

“Nem se assenta na roda dos escarnecedores”

Os escarnecedores são aqueles que zombam de Deus e de sua Palavra. O cristão que comunga com os ímpios e participa de suas más obras, está se afastando da comunhão com Deus. A comunhão com ímpios deve ser regida pelo desejo de evangelizar e ganhar essa alma para Cristo. O texto mostra o perigo de intimidade com os zombadores. William McDonald escreveu que “o homem fiel pode ser amigo do ímpio, mas não um parceiro em seu modo de vida”³.

Notas bibliográficas:

1- Sermão-texto.

2- The 1559 Geneva Study Biblie. Trad. Felipe Sabino (Portal Monergismo.com)

3- MCDONALD, William. Believers Biblie Commentary. Trad. Felipe Sabino (Portal Monergismo.com)



7 comentários:

evelyn_vivi disse...

Texto ótimo!!! Edificante "elevado a n"!!! 100% com base na mensagem de Cristo!!!

Que Deus continue o abençoando MUITÍSSIMO, meu irmão. Tenho certeza de que vc é um escolhido dEle para mostrar o Caminho a muita gente.

Paz!

Vitor Hugo da SIlva disse...

O salmo de número 1, precisa ser mais vezes estudado por todos nós, não é mesmo?

A paz do Senhor e que Deus o Abençoe Gutierres!
Vitor Hugo

Paulo Silvano disse...

Caro Gutierres,

Vc mandou bem; "A felicidade é um estado, enquanto a alegria é uma aspecto do caráter cristão." Se felicidade é um estado de realização da alma, eu tambem creio que é, a experimentação do sucesso ou do insucesso não é capaz de alterar a minha felicidade, mesmo que "eu ande no vale da sombra da morte". Como disse Huberto Rohden: "O principal não é ter sucesso ou insucesso - o principal é a realização espiritual". Por isso, sejam bem- aventurados os que não se aconselham com os impios.

Um abraço
Paulo Silvano

Marcus A. Barbosa disse...

Caríssimo irmão Gutierres...

A Paz do Senhor!

Faz algum tempo que não fasso nenhum comentário por aqui, porém, praticamente todo os dias passo por aqui para ver como andam as coisas e acompanhar os post´s e os comentários.

Este assunto é realmente excelente! E como diz o Vitor Hugo Da Silva, precisa ser mais vezes estudados...

Quero informar a você e a todos os que por aqui passam, que acabamos de criar no dia 19 de Setembro, um outro blog - BLOG DA EBD ( blogdaebd.blogspot.com ), em parceria com outros irmãos.

Convido a todos a "darem uma passadinha" por lá, se possível deixar um comentário sobre o visual, iniciativa ou até críticas e etc, visando o melhoramento do blog. Se possível também, após terem analizado o blog e sua proposta, colocarem um link no(s) vosso(s) blog(s) para que outras pessoas possam também usufruir dos ensinos que alí serão postados.

Um abraço!

blogdaebd.blogspot.com

Eliseu Antonio Gomes disse...

Gutierres

Do Salmo nº1 sempre tive a minha atenção mais aguçada para e seguinte expressão: FRUTO NA ESTAÇÃO CERTA! Ou seja, alguns crentes não dão frutos, outros dão e outros atingem a excelência de frutificarem no tempo certo que Deus deseja.

Parabéns pelo seu post, creio que esteja na estação certa.

Abraço.

Daladier Lima disse...

A êxegese do Salmo 1 no hebraico sempre me cativou, e foi um dos poucos que eu decorei. Aliás, sou ruim para decorar qualquer coisa, especialmente referências bíblicas, apesar de gostar bastante de ler a Bíblia.
Parabenizo-o por sua análise, será de grande proveito a todos.
daladier.blogspot.com

Gutierres Siqueira, 18 anos disse...

Irmãos Evelyn, Vitor Hugo, Paulo Silvano, Marcus Barbosa, Eliseu Gomes e Daladier Lima.
Agradeço a participação de todos...