sábado, 26 de maio de 2007

O que é unção?

Leia mais sobre unção:http://teologiapentecostal.blogspot.com/2008/02/nova-uno.html


Introdução

"E vós tendes a unção do Santo" (1Jo 2.20)
O que é unção? Essa foi uma pergunta feita a várias pessoas que saiam de um culto por um programa de tv evangélica. Em meio às respostas, houve as mais variadas definições; porém muitos, após bastante reflexão, diziam que não sabiam responder. Afinal, o que é unção?A unção é o próprio Espírito Santo que habita no regenerado. Dessa forma, todo verdadeiro cristão é ungido por Cristo, com o Espírito de Deus.

01. "E vós tendes a unção do Santo"

Há uma tendência de dividir a Igreja entre grupos especiais. É comum separar os espirituais dos não-espirituais, os santos dos não-santos e os ungidos dos não-ungidos. Essas linhas divisórias são, na maioria das vezes, frutos de idéias humanas sem nexo com a Bíblia. O corpo de Cristo difere do modus vivendi que reina na sociedade, a Igreja é santa. O viver em santidade não pode levar o cristão a se auto-classificar com "um ser especial", pois todos aqueles que experimentaram o novo nascimento, são santificados em Cristo (1Co 6.11) e o Espírito Santo passa a habitar nessa nova criatura (Rm 8.1 e 1Co 6.15-20). Sendo assim todo cristão nascido "da água e do Espírito" é um ungido de Deus (cf. 2Co 1.21-22). O fato do cristão ser ungido por Cristo com o Espírito Santo, denota uma separação para o serviço divino, assim como os objetos no Antigo Testamento eram separados na utilização litúrgica no templo. A unção está totalmente ligada ao processo de santificação e serviço. Como John L. Mackenzie escreveu: "É evidente que uma pessoa ou coisa era ungida com a intenção de torná-la sagrada." (1) A principal obra do Espírito Santo no crente é a santificação, e santidade está totalmente ligada ao serviço cristão; Jesus foi ungido par servir em seu ministério terreno (At 10.38). A rotulação de "ungido" em pessoas específicas dentro da igreja é biblicamente errado, pois a unção, como lembra o pastor Paulo Romeiro: "não é privilegio de um grupo"(2). Alguns pastores adeptos da confissão positiva e outras distorções doutrinárias costumam apelar para o Salmo 105.15, todas as vezes que são questionados. Sempre dizem: "não toqueis nos ungidos de Deus" e ainda contam testemunhos de pessoas que desafiaram a autoridade de "mestres da fé" e morreram. Tudo isso não passa de pressão psicológica. Esses tele-profetas confundem o conceito de unção do Novo Testamento com do Antigo Testamento, pois na Velha Aliança, somente reis e sacerdotes eram ungidos, mas hoje, todo salvo é um rei e sacerdote, uma habitação da Trindade (1Pe 2.9 e Ap 1.6). Portanto, não há categorias de crentes de primeira classe. Esses que auto se proclamam de "ungidos", normalmente se comportam como infalíveis e até divinos, quanta soberba!

02. "E sabeis tudo"

O apóstolo João, alertou sobre os perigos dos ensinos heréticos pelos "anticristos" que estão enganando nessa última hora. Cada crente necessita de discernimento para distinguir entre o falso e o verdadeiro. O Espírito Santo, é aquele que guia o crente "em toda a verdade"(Jo 16.13) e o ungido, por ser habitado pelo Espírito da verdade, tem capacidade de discernimento.O crente, cheio do Espírito, tem fome pela Palavra de Deus, que o instrui em toda a verdade, assim o Espírito Santo fará lembrar aquilo que o crente já aprendeu na leitura das escrituras. A unção proporciona sabedoria, que é produzida e alimentada pela meditação nas Sagradas Escrituras.Para que o cristão esteja salvo dos erros doutrinários, ele precisa da Revelação Bíblica e da capacitação do Espírito Santo, é a união entre a ortodoxia e a verdadeira espiritualidade. Essa necessidade é permanente, pois os falsos profetas estão cada vez mais sutis e numerosos.

03. "E a unção..fica em vós" (1Jo 2.27)

A unção é permanente. Essa verdade contradiz com o conceito de "nova unção" . O Espírito Santo está habitando no crente e mediante isso, o filho de Deus, não necessita de uma "nova unção". O pastor Antonio Gilberto lembra que "Deus restaura, sim, a nossa unção recebida Dele, mas isso não significa 'uma nova unção'"(3).É necessário muito cuidado com esse clichês gospel, tais como "unção da conquista", "unção de ousadia", "unção do profeta Elias", "unção dos quatro seres" etc. Por traz dessas expressões estão um falso conceito de unção, além da distorções doutrinárias. Unção, para muitos, é um poder mágico que capacita a pessoa a ser um mini-deus, é uma sede por espiritualidade desassociada de Deus(4).

04. "A unção vos ensina todas as coisas"

Por meio da Palavra, o Espírito Santo ensina as verdades de Deus. João alerta que os cristãos precisam tomar cuidado com os falsos ensinos, e devem rejeitar lições que provem de uma fonte diferente da que é dada pelo Espírito Santo, isto é, a Santa Palavra. Esse texto ensina que as verdades divinas são absolutas e infalíveis, ou seja, não é preciso ir além da revelação escrita na Bíblia.Esse texto não está ensinando que é proibido uma pessoa estudar e examinar a Palavra, pois o Espírito Santo ensina tudo. O que este texto passa é uma advertência contra os ensinamentos extra-bíblicos dos falsos profetas. Meditar na Palavra e examiná-la com humildade é o meio do Espírito Santo guiar o crente em toda a verdade.

Conclusão

A unção é "verdade e não mentira", portanto o Espírito de Deus está preocupado com a verdade e guia o seu povo para ela. A unção está ligada a ortodoxia doutrinária e não aos vários modismos pós-modernos, que invadem as igrejas nesses últimos dias.Buscar a cada dia ser cheio do Espírito é ser cada dia cheio da unção de Deus. deve-se buscar a unção, não para ter um poder místico, alheio ao ensinado na Bíblia. Sendo assim, deve-se buscar ser cheio da unção para não se desviar das verdades bíblicas.Senhor enche-nos da tua Unção, isto é, do teu Espírito!

Referências Bibliográficas:

1) Mackenzie, John L. Dicionário Bíblico, Paulus, SP, 1983.

2) Romeiro, Paulo. in Resposta Fiel(entrevista), CPAD, ano 5, n° 17, p 11.

3) Gilberto, Antonio. in Ensinador Cristão, CPAD, ano 8, n° 29, pg 20.

4) Recomendo que leiam os artigos sobre unção no blog do pastor Ciro Zibordi (www.cirozibordi.blogspot.com)

sábado, 19 de maio de 2007

Como identificar os falsos profetas?(Parte 1)



O profeta, no contexto neotestamentário, era aquele que "proclamava e interpretava, cheio do Espírito Santo, a palavra de Deus, por chamada divina"(1). A igreja tem os seus profetas trabalhando para o "aperfeiçoamento dos santos", que por meio da homilia, transmitem as verdades do evangelho. Nesses últimos dias há uma proliferação de falsos profetas, são lobos vestidos de ovelha, que alegam ser usados por Deus. Jesus, em
Mateus 7.15-20, mostra como um cristão pode identificar um falso profeta.

1) Tenha cautela

"Acautelai-vos", disse Jesus. Essa expressão significa precaução, cuidado a fim de se evitar um mal. No original grego, essa palavra significa: "fixar a mente em, prestar atenção, cuidar-se... guardar-se, acautelar-se"(2). É um imperativo, ou seja, Jesus nos adverte sobre a necessidade do cuidado.
A igreja hodierna está prestando atenção quanto ao conteúdo doutrinário da pregação? Os cristãos sabem distinguir misticismo herético de verdadadeira espiritualidade? Há preocupação com o discernimento por parte da liderança? Infelizmente, hoje, há um evangelicalismo imediatista, em que não há lugar para análise e reflexação, se "engole" qualquer coisa, qualquer alimento. É preciso exame teológico, ser como os bereanos, que aceitavam a palavra de boa vontade, mas colocava à prova aquilo que ouviam. (At 17.10 e 11). Os bereanos não julgavam precipitadamente, porém tomavam cuidado com a pregação dos profetas, por essa atitude, foram considerados os mais nobres.
Para identificar um falso profeta é necessário cautela, discernimento, apuração. Erwin W. Lutzer escreveu: "temos que distiguir o verdadeiro do que é meio-verdadeiro e reter julgamento pessoal"(3). Quando o crente toma o cuidado em relação a alguém que alega ser profeta, evita o erro de cair nas sutilezas das heresias e não julga ninguém de modo impróprio.
A credulidade cega é tão perigosa como a incredulidade, pois a palavra de nenhum profeta é infalível, todos estão sujeito a erros, pois são simples mortais. Há alguns crentes que exageram, até paracem que estão torcendo para achar erros no sermão do pregador oficial, por outro lado, há aqueles que nunca constestam, acham que tudo vem de Deus, até mesmo as mais bizarras das pregações ou práticas litúrgicas. Muitos pregadores colocam-se como os "ungidos de Deus", estão em um pedestal intocável, "nunca erram".
Em um programa de televisão, um jovem pastor chamava o seu líder de o "maior pregador do mundo", pelos adjetivos aplicados pelo jovem pastor, o seu líder era infalível. Esse modo de ver o líder é muito comum no neopentecostalismo, onde uma denominação confunde-se com o fundador, esse normalmente não tem conselheiros formais, somente ele é quem manda, sendo o único "teólogo", administrador e líder. Os adeptos dessas denominações são, em sua maioria, passivos e aceitam tudo o que seu "apóstolo", missiónario, bispo ou pastor diz. Na prática, acreditam na infalibilidade pastoral, assim como a dotrina católica aceita a infalibilidade papal. Essa passividade é típicamente sectária.
Discernimento, essa é a necessidade das congregações, é saber da diferença entre a verdade e a mentira, ou entre a verdade e a meia-verdade. Um comunidade cristã, e até mesmo crente individulamente, saberá pela análise, identificar os lobos devoradores.

Em breve, a segunda parte desse artigo.

Notas:

1) Stamps, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, pg 1814.
2)Rienecker, Fritz. Rogers, Cleon. Chave Linguística do Novo Testamento Grego, Edições Vida Nova, pg 16.
3) Lutzer, Erwin W. Quem é Você para julgar?, CPAD, pg 97.

domingo, 13 de maio de 2007

Em breve nesse blog!

Breve publicarei os seguintes artigos: "Ser pentecostal é ser barulhento?", "O que é unção?" e "Como identificar os falsos profetas?" Não perca!

terça-feira, 1 de maio de 2007

O amor, o regulador dos dons espirituais


"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine"( 1Co 13.1). Assim se expressou o apóstolo Paulo aos Coríntios quando falava a respeito dos dons espirituais; e nesse verso há um princípio muito importante no pentecostalismo: o amor é o regulador dos dons espirituais (pneumatikos).
O fruto do Espírito disciplina o uso dos dons, ele não nasce maduro no neo-converso, mas se desenvolve na vida do cristão. O fruto habilita o ser humano imperfeito a falar, agir e ser como Cristo. Por esse motivo é de vital importância naquele que busca a Cristo e o seu poder pentecostal. Enquanto isso, os dons espirituais nascem perfeitos, mas não estão relacionados ao caratér do crente , e si a capacitação espiritual para a edificação da igreja e proclamação do evangelho. Quando aos dons e ao fruto do Espírito é preciso equilíbrio. "Deus usou o apóstolo Paulo para, na primeira epístola aos coríntios, escrever os capítulos 12,13 e 14 a fim de acentuar a importância de equlíbrio, decência e ordem na igreja quanto ao exercício dos dons espirituais. Isto se dá(...) através do predomínio do amor segundo o Espírito."(1)
No livro Teologia Sistemática, há uma reflexação deste assunto que merece total atenção, diz o autor que: "O Fruto do Espírito é a maneira de se exercer os dons . Cada fruto vem acondicionado no amor, e qualquer dom, mesmo na sua mais plena manifestação, nada é sem o amor". Os dons sem o amor são vazios e subjetivos. Por esse motivo os cristãos devem se submeter ao controle do Espírito Santo par que o Fruto do Espírito possa amadurecer em nossas vidas. É preciso nos preocuparmos com um caráter semelhante ao de cristo para que possamos exercer os dons sem falsidade e com verdadeira espiritualidade.

01. O propósito dos dons e do amor
Disse Paulo: " O que profetiza edifica a igreja" (1Co 14.4b). O propósito principal dos dons é a edificação do corpo de Cristo, não é promoção pessoal, aquisição de poder político social ou o controle sobre a vida do próximo. Sem o amor, o portador dos dons correrá de modo contrário a edificação da igreja, a sua motivação sempre será a sua auto-promoção. O amor "não busca seus própios interesses" (1Co 13.5b), por esse motivo o crente amoroso usará seus dons para a edificação do seu irmão. Sem o amor os dons espirituais não "podem cumprir o propósito de Deus".(3) Por essa razão muitos estão se enganando, buscando o "poder " do alto para oprimir o próximo, isso não vem de Deus. "Qualquer atividade dentro da igreja só terá valor se estiver relacionada como o todo. O trabalho do corpo como um todo é o que importa!" (4). Portanto: "Faça-se tudo para a edificação".(1Co 14.26).

02. O uso dos dons e o amor
"Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetiza e não proibais falar línguas. Mas faça-se tudo decentemente e com ordem." (1Co 14.39-40)
Este versículo é muito conhecido , porém, pouco praticado. Hoje em dia há uma verdadeira apologia à desordem no culto, contrariando o que está escrito na Bíblia. O culto dirigido sem amor será cheio de aberrações, onde o centro das atenções é o homem. O ágape procura cultuar a Deus e não o pregador com seus exibicionismos, pois o amor, com disse Paulo: "não se porta com indecência"(1Co 13.5a). É preciso bons modos no culto, "porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz"; por isso, o amor não deixará a carnalidade, imaturidade e partidarismo tomar conta do culto a Deus.

03. Dons, humildade e o amor
Em 1Co 13.4, Paulo diz que o amor "não se ensoberbece"(RC) "não se incha de orgulho" (BJ). Porém, você pode está se perguntando o porque falar de dons espirituais citando muitos trechos de 1Co 13? Como lembra o teólogo pentecostal Donald Gee, citado por Antonio Gilberto: "O grande capítulo do amor se coloca entre os dois capítulo que tratam dos dons espirituais e é parte integrante do assunto."(5)
Portanto ompotador dos dons que não tem amor rapidamente se inchará de orgulho. Quando Paulo fala aos romanos sobre os dons no capítulo 12, ele apela para a humildade no versículo três. Pois sempre haverá uma tentação para um alto-conceito de si mesmo de sua importância.
A palavra dom vem da palavra grega charisma. A palavra graça em grego vem de charis. Portanto os dons são obras da graça de Deus, assim como a salvação, não merecemos os dons do Espírito, por esse motivo ele nos concede por sua maravilhosa graça. Os dons "dão testemunho da bondade de Deus, e não da virtude de que os recebem"(6). Assim sendo, não há motivos para se orgulhar e sim para se humilhar perante um Deus tão amoroso.
O amor, como a maior expressão do Fruto do Espírito, deve está associada como os dons que partem do Espírito Santo, pois a terceira pessoa da trindade derrama, no regenerado, o amor de Deus (Rm 5.5).

Notas:
01) Gilberto, Antônio. O Fruto do Espírito (CPAD, 2004, pg 138)
02) Horton, Stanley M. Teologia Sistemática, sob uma pespectiva pentecostal (CPAD, pg 493)
03) Stamps, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD,1995, pg 1759)
04) Lira, Eliezer. Lições Bíblicas: Salvação e Justificação 1° Trim. de 2006 (CPAD, pg 65)
05) Gee, Donald. Concerning Spiritual Silfts (Gospel Publishing House, pg 66) cit in O Fruto do Espírito(CPAD).
06) Horton, Stanley M. A Doutrina do Espírito Santo (CPAD, pg 225)