sábado, 23 de junho de 2007

As distorções escatológicas

Os pentecostais sempre pregaram a mensagem da Vinda de Cristo. O movimento pentecostal nasceu logo após o despertamanto escatológico do século XIX. A escatologia é o estudo sobre as últimas coisas, doutrina de grande importância na mensagem evangélica.
No meio das mensagens escatológicas, há dois extremos que os pentecostais devem evitar:

A) Escatofobia.¹
A escatofobia tem início em uma mensagem distorcida das doutrinas bíblicas. Em muitas pregações a enfâse está em cada detalhe dos sofrimentos da grande tribulação.
Esses pregadoram se esquecem de ensinar que a vinda de Jesus é "a bem-aventurada esperança" do crente.
É claro que se deve pregar sobre a grande tribulação, mas não com o intúito de converter alguém pelo medo. O medo não produz genuínas converções. Somente o convecimento do pecado, da justiça e do juízo; efetuado pelo Espírito Santo, é que leva o pecador se tornar uma nova criatura.
Jesus quer que o seu povo viva em paz (Jo 14.27) Disse Jesus: "não se turbe o vosso coração"(Jo 14.1a). A mensagem de Cristo é que Ele voltará para buscar um povo que habitará nas moradas celestiais. Os discípulos de Cristo não eram para viver pertubados, mas deveriam crer naquele que é fiel. A Vinda De Cristo é uma mensagem confortadora para todo aquele que nEle crer.
Quando Paulo descreve o arrebatamento da igreja, ele conclui: "portanto, consolai-vos uns aos outros com essas palavras"(1Ts 4.18). O verbo consolar é um imperativo, que pode ser traduzido por encorajar e confortar.² A pregação escatológica deve produzir conforto no coração do crente, pois é uma mensagem de esperança. O crente deve aguardar a Vinda de Cristo com vigilância e na plenitude do Espírito.

B) Escatomania
A escatomania se manifestou, na igreja de Tessalônica, de maneira muito forte. Os membros da igreja Tessalônica, por meio de falsos ensinos, acreditavam que a Vinda de Jesus já havia começado. Alguns se entregaram a ociosidade, pois a vinda de Cristo era iminente. Hoje, há aqueles que "vivem pela fé", não estudam ou trabalham, pois Cristo está prestes a vir. Paulo exorta que "se alguém não quiser trabalhar, não coma também". Alguns pregadores enfatizam a escatologia de maneira demasiada, ao ponto de esqueceram que precisam pregar todas as doutrinas bíblicas. Conta-se a história de um pastor que nunca reformou o templo, pois, segundo ele, breve o anticristo usaria o prédio para seu reinado maligno. Esse fato ocorreu a mais de 25 anos!
A bíblia deve ser pregada por completo, pois todas as doutrinas são importantes para o cristão que espera a Vinda do Senhor.
Maranata!

notas:

01) Escatofobia, (gr. Escathos- últimas coisas: Fobia- medo, pavor)

02) RIENECKER, Fritz; ROGERS, Cleor. Chave linguística do novo testamento grego. São Paulo: Vida Nova, 1995, p.144.

sábado, 16 de junho de 2007

Pentecostais. Movimento sem doutrina?

O Movimento Pentecostal é desde seu início, tratado como um movimento sem doutrina, sem fundamentação teológica e os pentecostais são tachados de antiintelectuais. Esses críticos fizeram e ainda fazem uma análise muito superficial sobre o pentecostalismo. São pessoas que não conhecem a história e a estrutura doutrinária dos pentecostais, assim generalizam, classificando o Pentecostalismo com algo sem fidelidade à Palavra de Deus.
O credo doutrinário das Assembléias de Deus, não foge em nada das declarações de fé que foram estruturadas na história da igreja. Os críticos do Pentecostalismo, normamente jovens seminaristas cessassionistas, desconhecem a estruturta teológica do Pentecostalismo Clássico. Em suas análises cometem erros injustos com os pentecostais. Os erros mais comuns são:

a) confudem pentecostalismo com neo-pentecostalismo;
b) usam frases heréticas de pastores famosos como se fosse doutrina pentecostal;
c) não procuram livros teológicos de pentecostais para analisarem;
d) costumam sempre generalizar.

É claro que sempre existirá pessoas que pregam doutrinas erradas no meio pentecostal, mas esse fato acontece até mesmo no meio reformado ou hístórico. Ou já se esqueceram que no começo do século XX, as heresias do liberalismo teológico ivadiram muito dessas igrejas? Deve-se analisar a doutrina do Pentecostalismo, e não o ensino de muitos que se autodenominam pentecostais. Como lembra o pr. Claudionor de Andrade:

"Infelizmente, somos confundidos, às vezes, com grupos se autodenominam pentecostais... Logo, não temos de ser equivocados como tais, assim como os outros evangélicos não devem ser identificados com as seitas que surgiram em seu meio e, hoje, são repugnados por todos os que seguem a sã doutrina."(1)

O pentecostalismo moderno nasceu dentro de uma escola bíblica, o Instituto Bíblico Betel, com Charles Fox Parham. Parham e seus quarentas alunos, começaram a estudar sobre o Batismo no Espírito Santo em 1900. A escola tinha com objetivo um estudo aprofundando na Palavra de Deus e muita oração. Em 1° de janeiro de 1901, Agnes Ozam foi batizada no Espírito Santo e começou a falar em línguas. Um dos alunos de Paham, foi William Joseph Seymour, homem que deu notoriedade ao pentecostalismo na rua Azuza no ano 1906. Seymour, também, abriu uma escola bíblica no Texas.
Os missionários suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg chegaram no Brasil em 1910. Eles trouxeram a mensagem pentecostal com bagagem teológica. Gunnar Vingren foi um aplicado seminarista em Chicago(EUA) e Daniel Berg estudou em um Instituto Bíblico nos EUA. Outros missíonários pentecostais que chegaram ao Brasil, eram homens de profundo conhecimento teológico e formam preletores das Escolas Bíblicas de Obreiro; como Lewis Pethrus, Samuel Nystrom, Lawrence Olson, Orlando Boyer, Bernard Johnson, J.P. Kolenda etc.(2)
A história mostra que os pentecostais sempre tiveram ligados ao ensino bíblico. As Escolas Bíblicas de Obreiro, a valorização da escola bíblica dominical e o começo(nos anos 60) da tradição de seminários teológicos no modelo norte-americano, é uma prova que o Movimento Pentecostal valoriza a teologia ortodoxa.
Hoje os pentecostais começam a ganhar respeito acadêmico, mas ainda há muito preconceito. Hank Hanegraff lembra que: "alguns dos pensadores de maior expressão e clareza hoje em dia são cristãos pentecostais".(3) Ele cita o exemplo de dois pentecostais respeitados no meio acadêmico, como Valter Martin, fundador do Instituto Cristão de Pesquisas no EUA e Gordom Fee, um dos maiores especialistas em exegese do mundo.
O teólogo assembleiano George O. Wodd, comenta que Willian Seymour chegou a ser criticado por examinar toda experiência pela Palavra de Deus. Seymour, então, respondeu em um editorial do períodico A fé apostólica (setembro de 1907): " Estamos medindo tudo pela Palavra, toda experiência deve ser medida pela Bíblia."(4).
Todos que pretendem avaliar o pentecostalismo, deve fazê-lo com imparcialidade e examinar a hístória e doutrina desse grupo que tantos benefícos trouxe ao protestatismo. Os pentecostais têm história e doutrina e ainda são grandes instrumentos na defesa da fé cristã.

Referências bibliográficas:

1) ANDRADE, Claudionor. As verdades centrais da fé cristã. Ensinador Cristão. Rio de Janeiro: CPAD. Ano 7, n. 28, p. 14.
2) Para maiores informações sobre a história do pentecostalismo leia:
OLIVEIRA, José de. Breve História do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, ed1.
3) HANEGRAFF, Hank. Cristianismo em Crise. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, 1 ed. p.52-53.
4) WOOD, George O. Este Rio Pentecostal: La corriente afluente original. Revista de enriquecimiento. Primavera de 2006. Disponível em: http://ag.org/enrichmentjournal_sp/200602/200602_128_PenteRiver.cfm

sábado, 9 de junho de 2007

Ser ou não ser? Eis a questão teológica!

01. O que é ser pentecostal?


- Ser pentecostal é aceitar a doutrina do Batismo no Espírito Santo, com a evidência física-inicial do falar em novas línguas.

- Ser pentecostal é aceitar a contemporaneidade dos dons espirituais.

- Ser pentecostal é aceitar a Bíblia como única regra de fé e prática.

- Ser pentecotal é conclamar, os ouvintes do evangelho, ao arrependimento.

- Ser pentecostal é pregar a iminência da volta de Cristo.

- Ser pentecostal é valorizar a grande Comissão de Jesus.

- Ser pentecostal é valorizar uma liturgia participativa, mas ordenada.

- Ser pentecostal é enfatizar o sacerdócio universal dos cristãos.

- Ser pentecostal é valorizar a Escola Dominical, como a maior agência de ensino da igreja.

- Ser pentecostal é primar por uma teologia ortodoxa.

- Ser pentecostal é cultivar o Fruto do Espírito.


02. O que não é ser pentecostal?

- Ser adepto de modismos teológicos, litúrgicos e ministeriais.

- Ser adepto do liberalismo teológico ou da neo-ortodoxia.

- Valorizar um "evangelho" triunfalista, antropocêntrico, empirista e legalista.

- Pregar um antiintelectualismo.

- Ser tradicionalista( Tradição é a fé viva de homens mortos, tradicionalismo é a fé morta de homens vivos).

- Fazer o culto-show.


03. Faça a escolha!

Sempre é preciso diferenciar o que realmente é ser pentecostal. Não se deve confundir pentecostalismo clássico com deuteropentecostalismo ou com o neopentecostalismo. Veja as diferenças entre o grupos protestantes presentes no Brasil:

- Históricos: Surgiram no Brasil no século XIX e começo do século XX. A ênfase é diversa, depende da denominação. Normamente são cessacionistas.

- Pentecostalismo Clássico: Surgiu em 1910 e 1911. A ênfase recai na doutrina da salvação e no Batismo no Espírito Santo, com o exercício dos dons espirituais.

- Deuteropentecostalismo: Surgiu nas décadas de 50 e 60. A ênfase recai na cura divina e na expulsão de demônios.

- Neopentecostalismo: Surgiu na década de 70. A ênfase recai na prosperidade financeira, cura divina e exorcismos.


Mediante a apresentação dessas definições, verifica-se que há grandes diferenças entre o modelo clássico com o atual estado do pentecostalismo (neopentecostalismo).