sexta-feira, 27 de julho de 2007

Pentecostalismo consiste em barulho?

Por Gutierres Fernandes Siqueira

“Pentecostal que não faz barulho está com defeito de fabricação”. Esse é um novo conceito difundido no meio pentecostal. O que caracteriza um crente pentecostal são sons inelegíveis e sem ordem? Há base bíblica para esse conceito? O crente que não é barulhento é um peixe fora da água em um culto pentecostal?

O verdadeiro pentecostalismo se baseia na Bíblia, nunca estrutura doutrinas e conceitos em cima de experiências pessoais, revelações, tradições, eventos sobrenaturais ou qualquer outro meio que não seja uma séria exegese dos textos bíblicos. Isso é característica do cristianismo histórico e do pentecostalismo histórico. Sendo assim, o que a Bíblia fala sobre essa questão?

Analisando o derramamento do Espírito Santo em Atos 2 verifica-se uma ordem e, também, os sons estavam legíveis ao público em geral. Disse o médico e historiador Lucas: “E correndo aquela voz, ajuntou-se uma multidão e estava confusa, porque cada um ouvia falar na sua própria língua”(AT 2.6) Lucas destaca que ouve entendimento do que os discípulos de Cristo falavam por parte do viajantes que estavam em Jerusalém: "Todos os temos ouvido em nossas própria línguas falar das grandezas de Deus”(v.11). Enquanto que o versículo 13 diz que alguns zombavam do acontecimento alegando que os discípulos estavam bêbados. Isso significa que houve um barulho inelegível?

O versículo 13 indica que alguns não entenderam o agir do Espírito Santo, mas isso não significa um barulho rock-roll, verificado em muitas reuniões pentecostais, que mais se assemelham ao Maracanã em dia de clássico do que uma genuíno culto cristão. Paulo alerta em 1 Co 14.23: "Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas estranhas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão, porventura que estais loucos?” Paulo demostra uma preocupação em todo o capítulo 14 para que haja uma ordem na línguas e profecias no culto, a fim de que todos sejam edificados.

O barulho é característica do culto pentecostal?

a) O culto pentecostal é racional (Rm 12.2);
O culto barulhento não dá lugar à reflexão e meditação.

b) O culto pentecostal tem ordem (1Co 14.40);
Essa ordem não é de um cemitério, como dizia Donald Gee, mas significa que o dons são exercidos com o propósito de edificar a igreja.

c) O principal propósito do culto pentecostal é glorificar a Deus e edificar a igreja (1Co 14.26);
Um lugar onde o barulho reina, não há lugar para a Palavra de Deus e nem para a edificação do próximo por meio de palavras inteligíveis.

d) Os dons espirituais, quando exercidos segundo as regras estabelecidas pela Palavra de Deus, não causam desordem ou bagunça (1Co 14.29-33);
Como lembra o teológico pentecostal, Antonio Gilberto: “O crente não é proibido de falar em línguas, nem o profeta de profetizar no culto, contanto que seja conforme a doutrina bíblica”.¹

e) o culto pentecostal é dinâmico, mas há lugar para uma liturgia (1Co 14.26);
O culto é feito por homens guiados pelo Espírito de Deus, porém o homem é que oferece o culto, seguindo assim uma ordem (liturgia).

Mediante o exposto, não há necessidade de enfatizar barulho como característica do pentecostal, pois o verdadeiro crente pentecostal manifesta em primeiro lugar o Fruto do Espírito (caráter) e também os dons carismáticos (poder).

Quando um pregador conclama uma assembléia para dar “glorias a Deus” deve fazê-lo por uma única motivação: glorificar o nome de Jesus, ou seja, tornar o culto cristocêntrico. Que “os glórias a Deus” não seja uma forma de “glórias ao pregador”, em um verdadeiro culto antropocêntrico. O pregador que enfatiza glorificação e faz exibicionismos no culto não deixa de tornar o homem o centro das atenções.

Referência bibliográfica:
1- GILBERTO, Antonio. Verdades Pentecostais. Rio de Janeiro: CPAD, 1. ed, 2006, pg 82.

domingo, 22 de julho de 2007

Como julgar uma profecia?

O julgamento de manifestações espirituais é uma ordenança bíblica. O apóstolo João escreveu: "Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo"(1Jo 4.1). O discernimento é uma necessidade para a igreja dos dias atuais, pois há um verdadeiro bombardeio de modismos doutrinários, heresias e misticismos antibíblicos. Em meio a essa confusão da espiritualidade pós-moderna, a "profecia", ou melhor, a profetada é um dos meios em que muitas heresias têm sido gerada. Mas como julgar uma profecia?
Em primeiro lugar, a profecia não deve entrar em choque com os princípios ensinados na Palavra de Deus, ou seja, profecia não deve formular doutrina ou um novo ensinamento. O cânon da Bíblia já está fechado há séculos e por esse motivo, qualquer nova revelação não pode acrescentar ou tirar algo da Bíblia(Ap 22.18-19). Reivindicar uma nova verdade por meio de uma profecia, é falácia de herege.
Em segundo lugar, a profecia não serve como guia pessoal, uma espécie de horóscopo. Quantos não consultam a profetiza antes de viajarem ou montarem um negócio? Quantos jovens não se casam por meio de profecias? Há até programas de rádio especializados em profecias on-line. É muito relevante a observação daquele que foi um grande teólogo pentecostal, Donald Stamps:
Note que, em nenhum incidente registrado no NT, o dom de profecia foi usado para dirigir pessoas em casos que pudessem ser resolvidos pelos princípios bíblicos. As decisões no tocante à moralidade, compra e venda, ao casamento , ao lar e à família devem ser tomadas mediante a aplicação e obediência aos princípios bíblicos da Palavra de Deus e não meramente à base de uma "profecia".¹
Em terceiro lugar, a profecia deve estar de acordo com os princípios estabelecidos em 1Co 14.3: "Mas o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação". O dom de profecia manifestará essa características. Edificar leva a idéia de uma construção abalizada, ou seja, a profecia trará crescimento e desenvolvimento para o receptor daquela mensagem, as "profecias" de morte chocam-se com esse princípio. Exortação no original significa encorajamento e consolo, isto é, "que encoraja e desperta, e desafia todos a avançarem em fidelidade e amor".² Consolação no original significa encorajamento, sendo assim, um sinônimo de palavra anterior, fortalecendo o ouvinte da profecia.
Em quarto lugar, a profecia precisa ser coerente. Quantas "profecias" contraditórias. Em um certo culto, o Deus Pai falava por meio de um vaso, enquanto isso o Deus Filho falava por meio de outro vaso, em um momento das "profecias", a Trindade começou a discutir! Quanta carnalidade!
Em quinto lugar, a profecia é julgada por meio do dom de discernimento de espíritos. Há várias manifestações de difícil avaliação e que somente com a ajuda do Espírito Santo é possível discerni-las. O teólogo pentecostal Gordon Chown escreveu: "Muitas vezes, o dom de discernimento de espíritos manifesta-se para alertar o crente quanto ao caráter maligno de certas obras e doutrinas, sem fazer-se acompanhar, necessariamente, de poderes especiais".³ A necessidade desse dom é imprescindível para esses "tempos trabalhosos".
Em sexto lugar, a profecia se cumpre. O profeta Jeremias proclamou: "O profeta que profetiza paz, somente quando se cumprir a palavra desse profeta é que será conhecido como aquele a quem o Senhor, na verdade, enviou"(Jr 28.9). Há "profecias" muito superficiais, que se aplicam a vários fenômenos sociais, ou seja, são muito óbvias. A profecia precisa ser clara e se for do Senhor se cumprirá.
Essas recomendações precisam ser aplicadas em meio a qualquer manifestação espiritual que supostamente seja uma profecia. Esse exame é bíblico e necessário, pois disse o apóstolo Paulo: "E falem dois ou três profetas, e os outros julguem"(1Co 14.26).


Referências bibliográficas:
1- STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p.1679.
2- HORTON, Stanley M. A doutrina do Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p. 244.
3- CHOWN, Gordon. Os dons do Espírito Santo. São Paulo: Editora Vida, 2002, p. 51.

sábado, 14 de julho de 2007

Unidade cristã e a Voz da verdade

Por Gutierres Siqueira

Que deus é esse? Essa expressão está contida em um dos maiores sucessos do grupo musical a Voz da Verdade. Analisando a teologia dessa banda, que também é uma denominação pseudocristã, pode-se perguntar: que deus é esse a qual essa banda prega? Certamente, não é o mesmo Deus do cristianismo, o Deus Uno subsistente em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

A Voz da Verdade é uma seita que prega o unicismo, uma doutrina que nega a Santíssima Trindade e só batiza no nome de Jesus, ou seja, um falsa fórmula, um falso batismo. No manual de batismo da Igreja Voz da Verdade, na questão 10, eles perguntam: “Qual o significado da palavra trindade?” E logo abaixo respondem: “teoria religiosa de intenção carnal e diabólica com o sentido de alimentar uma ilusão de satanás que teve a intenção de pluralizar a plenitude da divindade”.[1]

A Doutrina da Trindade é a base do cristianismo histórico, negar essa doutrina é negar a Palavra de Deus (cf. Mt 3.16,17; 28.19; Mc1.9-11; 2Co 13.14; Ef 4.4-6; 1Pe 1.2; Jd vv.20,21). Acreditar na Trindade, não é aceitar três deuses, mas sim, um só Deus em três pessoas. A Trindade é uma doutrina monoteísta, ou seja, acredita em um só Deus. A Trindade faz parte da história do cristianismo, que escreveu os seus credos baseado nessa doutrina central para a cristandade.

Como os evangélicos podem ser tão tolerantes diante de um grupo heterodoxo? Na última Marcha para Jesus (2007), o público aclamou a banda, enquanto o organizadores do evento pregavam a unidade da igreja. Recentemente, o pastor Carlos Moisés , líder do conjunto, participou do Congresso Gideões Missionários da Última Hora (GMUH).

Algumas perguntas precisam provocar no mínimo uma reflexão. Onde está o valor da doutrina? A unidade com uma seita (exclusivista) é melhor do que preservar uma teologia sã e vital para o pensamento cristão? Crer em um deus errado (unicista) não levará para uma “salvação” errada? Será que muitos não acatam seita cristã por haver manifestações em línguas estranhas?

A unidade deve está em torno das doutrinas essenciais, expostas pela Palavra de Deus. A mensagem central do apóstolo João, em sua segunda epístola, é que o amor deve andar com a verdade: “Conosco estarão a graça, a misericórdia e a paz, da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, o Filho do Pai, na verdade e no amor.”(2 Jo 3 Bíblia de Jerusalém)

Andar na verdade e manisfestar o amor levará o cristão a desfrutar da graça, misericórdia e uma vida de paz. A verdade (doutrina ortodoxa) e o amor (manifestado na unidade) devem agir com equilíbrio, pois como lembra Ciro Zibordi: “o amor sem a verdade é fraco e sem influência. Já a verdade sem amor é rígida demais, sem misericórdia”.[2] Em Ortordoxy and Heresy, Robert Bowman ensina algo muito importante: “O ensino que se opõe diretamente aos princípios básicos da fé cristã, de maneira que os verdadeiros cristãos têm de se separar daqueles que o defendem”.[3]

O princípio da separação de grupos heterodoxos,o amor que evangeliza sectários e o compromisso com a doutrina devem ser parte do Corpo de Cristo na terra. Pois, somente nas verdades essenciais é possível uma unidade bíblica.


Para reflexão:

“A verdade, no entanto, é que não pode haver unidade atropelando-se os pontos essenciais da fé cristã cuja defesa custou tão caro aos mártires. Existem doutrinas não-essenciais que, a nosso ver, não impedem a união entre cristãos, mas outras são fundamentais a uma crença genuinamente bíblica e dessas não podemos abrir mão”. (HANEGRAAFF, Hank. Cristianismo em crise. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1997 p. 345).

Referências Bibliográficas:

1- SOARES, Ezequias. Esclarecimento sobre a Igreja e o Conjunto Voz da Verdade. Revista Defesa da Fé. São Paulo: ICP.

2- ZIBORDI, Ciro Sanches. Evangelhos que Paulo jamais pregaria.2 ed. Rio de Janeiro: CPAD,, 2006. p.89.

3- BROWMAN, Robert. Ortodoxy and Herery, p.50. Citado por: LUTZER, Erwin W. Quem é você para julgar? 1ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005. p. 75.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Identidade assembleiana: apologética e ortodoxia

O primeiro presidente do Concílio Geral das Assembléias de Deus norte-americana, o rev. E.N. Bell, proferiu a seguinte resolução, que representa o pensamento pentecostal clássico:
Essas Assembléias opõem-se a toda Alta Crítica radical da Bíblia, a todo o modernismo, a toda a incredulidade na igreja e à filiação a ela de pessoas não-salvas, cheias de pecado e de mundanismo; e acreditam em todas as verdades bíblicas genuínas sustentadas por todas as igrejas verdadeiramente evangélicas”.
Essa deliberação exposta no início das Assembléias de Deus, demonstra o apego à ortodoxia doutrinária e repulsa pelas heresias do modernismo teológico, que era o maior perigo doutrinário no início do século XX. Esse aspecto apologético e ortodoxo do pentecostalismo clássico deve ser buscado como a identidade assembleiana.
O liberalismo teológico, com a sua nova moda chamada de teísmo aberto e o neopentecostalismo , com os vários modismos de ordem doutrinária(maldição hereditária, teologia de prosperidade etc), litúrgica(danças no espírito, cair no espírito etc) e ministeriais(renovação apostólica, neo-episcopado); são um desafio para as igrejas pentecostais históricas. Manter a identidade no meio dessa sopa eclesiástica é o primeiro passo, e a Assembléias de Deus precisam se colocar como arautos, denunciando heresias e protegendo o evangelicalismo da ruptura bíblica-teológica, pois Sola Sprictura.
Discutir pormenores em relação aos usos e costumes ou levantar objeções ao estudo teológico, é perca de tempo diante de uma sociedade pós-moderna. A igreja hodierna, precisa valorizar a pregação expositiva das verdades centrais do cristianismo e criar uma geração de apologistas, que combatam desde do naturalismo científico(evolucionismo) aos modismos bizarros (galinhas pentecostais).
Um pentecostal entregue aos modismos ou ao liberalismo teológico, deveria procurar
se adequar ao verdadeiro modelo pentecostal. Infelizmente, alguns pastores, que se auto-proclamam pentecostais, estão entregues a várias distorções bíblicas. Há líderes que são xerox de homens heterodoxos. Infelizmente, na pratilheira de muitos pastores pentecostais, não se vê livros de Myer Pearlman, Donald Stamps, Donald Gee, Stanley Horton etc; mas sobram manuscritos ou DVD`s heréticos de Benny Hinn, Kenneth Hagin, Clack Pinnock etc. A leitura devocional e exegética da Bíblia, para muitos, é uma prática que foi substituída por assistir DVD`s de “conferencistas internacionais”.
A igreja Assembléia de Deus precisa divulgar uma doutrina pentecostal ortodoxa e “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos”. Essa batalha não é apenas intelectual(teológica), mas uma batalha que é vencida com oração e apego as Escrituras.
A defesa de fé é parte essencial na identidade assembleiana, tanto com característica dessa identidade, como preservação da mesma.

Dê a sua opinião em relação a identidade assembleiana. Escreva um post!

domingo, 8 de julho de 2007