sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Pentecostalismo consiste em barulho? Parte 2

Como equilibrar as emoções com um culto racional, decente e com ordem? Como mostrar alegria e reverência no ambiente do culto? Exercer os dons espirituais é sinal de desordem? Impor regras a adoração é extinguir o Espírito? As possíveis respostas serão analisadas nesse artigo.
O equilíbrio não é fácil de encontrar, mas é sempre necessário. Há muitos exageros com relação ao dons, os emocionalistas estragam a ordem do culto, causando confusão e desordem. Em contrapartida, muitos pensam que culto é um simpósio ou reunião de acadêmicos da ABL(Academia Brasileira de Letras), sem emoção e manifestações de alegria. Ir ao culto sem sentir emoções é algo sufocante e ir ao culto sem refletir racionalmente na Palavra é algo perigoso.
A igreja, de maneira geral, precisa ser consciente de como lidar com os dons espirituais. Nunca proibir e nem deixar exageros florescerem. Mas fica uma pergunta pragmática: Como esse equilíbrio funciona?
Observando o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 14, verifica-se que ele tinha grande comunhão com o Espírito Santo, falava em línguas mais do que todos os irmãos(v. 18) e o desejo do apóstolo Paulo é que todos falassem em línguas e que poderiam profetizar(v.5). Mas Paulo dizia: “Todavia eu quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida”(v. 19). A ênfase do apóstolo é no equilíbrio: “Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento”(v.15). Veja que Paulo fala em adoração com espírito( elemento imaterial do homem que se relaciona com Deus) e significa que as emoções de tem o seu lugar. E também ele fala na adoração com entendimento(usando a razão). O princípio do equilíbrio é bem claro nesse texto.
Jesus ensinou que a adoração é em espírito e em verdade(Jo 4.23). Adorar Deus em espírito significa o envolvimento de todo o ser, com toda vontade, entendimento e emoção. Mas essa adoração é baseada na verdade escriturística, não em experimentalismo herdado de modismos doutrinários.
É preciso saber se controlar, pois “os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas”(v.32). Ser usado pelo Espírito Santo não é ficar em estado de êxtase ou descontrolado, não é isso que o texto bíblico ensina. Não se trata de controlar o Soberano Espírito Santo, mas controlar o seu próprio espírito.
Um princípio importante no culto, é que os elementos dessa reunião cristã não podem se confundir no tempo e no espaço. Falar em línguas na momento da pregação da Palavra é errado, a hora correta é no momento da oração coletiva e privada, pois o que ora em línguas “edifica-se a si mesmo” e não ao coletivo.
Para evitar desordens é preciso exercer os dons com o fruto do Espírito. Alguém sem amor, certamente não se preocupar na edificação do próximo. Alguém sem domínio próprio, nunca vai conseguir controlar suas emoções.
Outro meio de evitar a desordem no culto é aprender o verdadeiro propósito dos dons espirituais(que é a edificação da igreja e manifestar a diversidade por meio da unidade do Espírito) e do batismo no Espírito Santo (que é o revestimento de poder para testemunhar de Cristo). Sem propósito, cada um caminhará para os seus desejos contrariando a Palavra de Deus.
Acima de tudo, o culto precisa ser cristocêntrico, pois enquanto pregadores enfatizarem “glórias a Deus” e “Aleluias” como sinal de operação de Deus por meio deles, como super-pregadores, o exagero sempre aparecerá.
Mediante o exposto acima(equilíbrio entre razão e emoção, fruto do Espírito, doutrina bíblica, propósito correto e culto cristocêntrico), pode-se concluir, que o ensinamento bíblico em relação a como exercer os dons espirituais é o segredo do equilíbrio. Quando surgir exageros deve-se jogar a água suja fora, mas nunca o bebê. O culto é lugar de reflexão, pois é racional (Rm 12.1); mas, também, é lugar de externar a alegria. A aplicação da doutrina é a solução para esse problema.


Leia a primeira parte desse artigo.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Doutrina, usos e costumes

Por Gutierres Siqueira

O tema “usos e costumes” é uma velha questão nos círculos pentecostais. A tradição faz parte de todas as instituições e sociedades. Assim, é correto afirmar que todas as igrejas têm os seus costumes, impostos ou espontâneos, mas igualmente estabelecidos. Por muito tempo se confundiu costumes com doutrina, mas há diferenças significativas entre esses dois conceitos.

O que é costume? O lexicógrafo Aurélio Buarque de Holanda definiu costume como “uso, hábito ou prática geralmente observada” [1]. O dicionarista Adriano da Gama Cury definiu, de maneira mais completa, a palavra costume como “uso, prática habitual; modo de proceder; característica, particularidade; prática jurídica ou religiosa não escrita, baseada no uso; moda; traje característico ou adequado...” [2]. Essas definições mostram que o costume é um hábito repetidamente adotado por um determinado grupo social. Os costumes fazem parte da identidade de uma instituição.

O que é doutrina? No Novo Testamento a palavra mais usada para doutrina é didache e significa ensino, instrução, tratado ou doutrina. Segundo o teólogo Claudionor Corrêa de Andrade, doutrina é a “exposição sistemática e lógica das verdades extraídas da Bíblia, visando o aperfeiçoamento espiritual do crente” [3]. Doutrina, portanto, é o resultado do um ensino teológico, adotado por uma denominação ou religião.

O pastor Antonio Gilberto apresentou em seu livro Manual da Escola Dominical [4], algumas diferenças entre usos e costumes, e neste artigo será apresentada outras diferenças, além da lista exposta pelo teólogo pentecostal.

a) A doutrina é de origem divina, o costume é de origem humana. A doutrina é divina pois está baseada na inspirada Palavra de Deus. Para uma ideia ser doutrina bíblica é preciso que ela esteja exposta por todo o texto sagrado. Nunca uma verdadeira doutrina é baseada em textos isolados.

O costume é imposto por convenções humanas de maneira espontânea ou obrigatória, sendo assim, o costume é humano. Há muitos que tentam achar textos bíblicos para justificar a perpetuação de sua tradição, mas normalmente praticam a eisegese [5], ou seja, dizem o que bem querem e tentam justificar na Bíblia. O teólogo Esdras Costa Bentho, escrevendo sobre a eisegese, disse:

O intérprete está cônscio de que a interpretação por ele asseverada não está condizente com o texto, ou então está inconsciente quanto aos objetivos do autor ou do propósito da obra. Entretanto, voluntária ou involuntariamente, manipula o texto a fim de que sua loquacidade possa ser aceita como princípio escriturístico. [6]

Tentar justificar na Bíblia as tradições é uma tarefa que tem levado a muitas distorções bíblicas. O melhor é reconhecer a humanidade do costume.

b) A doutrina é imutável, o costume muda. A doutrina é permanente, ela nunca muda. A doutrina da “justificação pela fé”, exposta principalmente nos primeiros capítulos de Romanos, nunca mudou e nem deve ser mudada. Doutrina (bíblica) mudada é heresia. Quando Lutero resgatou a doutrina da justificação pela fé, ele orientou a igreja a voltar na perspectiva bíblica sobre o assunto. São passados mais de dois mil anos e essa doutrina nunca mudou no verdadeiro cristianismo.

O costume não é imutável. No Brasil era comum os cidadãos andarem pelas ruas de chapéus, tanto homens como mulheres, passados os anos não há mais esse costume no país. Antigamente, os pais escolhiam com quem a sua filha casaria, mas também esse costume mudou. É necessário que o costume mude, pois ele está ligado à cultura local, e toda cultura é dinâmica. Mudar alguns costumes não significa passar do são para o diabólico, como muitos pregam. A mudança é inevitável e deve ser bem orientada, mas como enfatizado, é sempre necessária. É bem relevante o que o teólogo britânico John Stott escreveu no seu livro Cristianismo Equilibrado [7]:

Quando resistimos a mudanças- sejam elas na igreja ou na sociedade devemos perguntar-nos se são na realidade, as Escrituras que estamos defendendo (como é nosso costume insistir ardorosamente) ou, se ao contrário, é alguma tradição apreciada pelos anciãos eclesiásticos ou de nossa heranças cultural. Isto não quer dizer que todas as tradições, simplesmente por serem tradicionais, devam a qualquer custo ser lançadas fora. Iconoclasmo sem crítica é tão estúpido quanto conservantismo sem crítica, e é algumas vezes mais perigoso. O que estou enfatizando é que nenhuma tradição pode ser investida com uma espécie de imunidade diplomática à examinação. Nenhum privilégio especial pode ser-lhe reivindicado.

Algumas igrejas estão impondo mudança de costumes, isso é um erro, que sempre levará a exageros. Os costumes mudam naturalmente, mas devem seguir orientação para não levar a práticas antibíblicas. As igrejas sem orientação pastoral tem aderido a costumes extravagantes, como bailes funks em meio ao culto. Tudo deve ser feito com equilíbrio, nada de permissividade em excesso e nem de legalismo. A igreja, também, não pode impor "tabus comunais". [leia mais aqui].

c) A doutrina é universal, o costume é local.

A doutrina é universal no sentido que é para todos os povos em todas as culturas. Proclamar Jesus como Salvador faz sentido no Brasil em 2007, como para os indianos que foram evangelizados pelo apóstolo Tomé, o primeiro missionário daquela nação, ainda no primeiro século da Era Cristã.

O costume é local. Os homens na Escócia usam um tipo masculino de saia. No Siri Lanka é, também, costume para homens a vestimenta com saias. Enquanto a saia, na maior parte do Ocidente, é uma roupa exclusivamente feminina. No Brasil é comum comer peixe cozido ou frito, mas no Japão se come peixe-cru.

d) A doutrina santifica, o costume não santifica.

A doutrina bíblica santifica o crente mediante a Palavra de Deus. Jesus disse: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17). O ensino da Palavra de Deus, ou seja, das doutrinas bíblicas, é um dos meios que Deus usa para levar o crente a uma vida reta, assim como escreveu o salmista: “Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra”(Sl 119.9). John Henry Jowett disse: “Você não pode abandonar os grandes temas doutrinários e ainda assim produzir grandes santos”. O pastor A. W. Tozer escreveu: “O propósito que está por trás de toda doutrina é garantir a ação moral”. Por isso, é bom lembrar que a doutrina bíblica produz, naturalmente, bons costumes.

O costume não pode santificar. Quem acredita na santificação por meio dos costumes, normalmente, é um escravo do legalismo. O pastor Antonio Gilberto escreveu a respeito dos erros em relação a santificação e citou o engano de associar exterioridade com santidade: “Usos, práticas e costumes. Esses últimos, quando bons, devem ser o efeito da santificação, e não a causa dela”[8]. E bem relevante o que escreveu o pastor Ciro Zibordi no prefácio do livro Verdades Pentecostais:

Conservar não significa possuir uma falsa santidade, fazendo dos usos e costumes uma causa, e não um efeito. Como pode ser ao longo dessa obra , a observância da sã doutrina leva-nos a ter santidade interna e externa, o que implica vida santa a partir do espírito (1Ts 5.23) e manutenção dos bons costumes. Estes, pois, não devem gerar doutrinas, como vem acontecendo em algumas igrejas não legitimamente avivadas, para prejuízo de seus membros. [9]

O farisaísmo se caracterizava por associar sua obras com salvação. Há muitos que fazem dos costumes “doutrinas” e, assim, pensam que para serem salvos precisam fazer isso ou aquilo. Como dizia Lutero: “As boas obras não fazem o homem bom; mas o homem bom pratica as boas obras”. A inversão dessa ordem cria escravos do farisaísmo e não servos do Altíssimo.

e) A doutrina é um princípio, o costume é um preceito.

Há diferença entre princípio e preceito? Sim. O pastor José Gonçalves escreveu: “Os preceitos apontam para princípios e não o contrário. Um princípio é aquilo que está por trás do preceito ou norma”[10]. Por exemplo, usar uma roupa social em um tribunal é uma norma, um preceito. O princípio ou doutrina por trás dessa norma é que o tribunal é um lugar sério e não ambiente de entretenimento, onde se possa ir de jeans ou short.

f) A doutrina é verdade absoluta, o costume é uma verdade relativa.

A doutrina é sempre verdade absoluta, ou seja, é para todos, em todas as épocas e em todos os lugares. O costume é relativo, como lembra Geremias do Couto:

Ao insistirmos nos absolutos, não queremos afirmar que não haja também conceitos relativos. Essa diversidade se manifesta, por exemplo, nas comidas típicas de cada país, nos estilos da arquitetura, no estilo da vestimenta e até mesmo em relação à hora de dormir, que depende do fuso horário. Mas tais circunstâncias relativas acabam apontando para princípios biológicos absolutos; todos precisam alimentar-se, todos precisam dormir. [11]

O costume, por ser relativo, não deveria ser imposto como obrigação. Era comum missionários europeus tentarem impor os costumes do norte em países da Ásia e da América. Hoje, o conceito de “transculturação” está ajudando muito em relação a esse problema.

Há muitas outras diferenças entre doutrina e costumes, mas fica apontado que ambas não são a mesma coisa, porém estão ligadas. O bons costumes são aqueles que não escravizam o crente, colocando um jugo que Jesus tirou na cruz, mas sim, é resultado da boa doutrina.

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Infantilização do legalismo [Leia aqui]



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Notas e Referências Bibliográficas: 


1- HOLANDA, Aurélio Buarque de. Mini-Aurélio Século XXI Escolar. 3 ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2000. p. 190.

2- KURY, Adriano da Gama. Minidicionário Gama Kury da Língua Portuguesa. 1 ed. São Paulo: FTD, 2001. p.265.

3- ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. 12 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p. 128.

4- Publicado pela CPAD(Casa Publicadora das Assembléias de Deus).

5- Prática de forjar o texto a fim de que justifique o pensamento próprio. Não confunda com exegese.

6- BENTHO, Esdras Costa. Hermenêutica Fácil e Descomplicada. 3 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005. p. 69.

7- Publicado pela CPAD (Casa Publicadora das Assembléias de Deus).

8- GILBERTO, Antonio. Verdades Pentecostais. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 142.

9- ZIBORDI, Ciro Sanches. Idem, pp 3,4.

10- GONÇALVES, José. Voto de Nazireado, prática judaizante que despreza a doutrina da graça. Resposta Fiel, Rio de Janeiro, Ano 4, n. 12, p. 26, Jun-Jul-Ago/2004.

11- COUTO, Geremias do. E agora, como viveremos? Lições Bíblicas, Rio de Janeiro, p. 39, 4. trimestre de 2005.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Novo visual, uma mudança litúrgica?

Uma mudança no penteado, novas cores em um terno tradicional, lentes verdes em lugar de óculos...Vaidade? Não necessariamente, mas mudança litúrgica e pastoral. Alguns pregadores tem aderido a uma novo visual, que reacende em páginas da internet, o eterno debate sobre usos e costumes. Mas esse novo visual é somente questão de usos e costumes? A resposta é não. Essa transformação estética é a clara demonstração da mudança na liturgia: do culto cristocêntrico para o culto antropocêntrico.
O pregador com uma estética exagerada, certamente será o centro das atenções no culto. O papel de qualquer pregador é apresentar a Cristo, como o único digno de adoração. A palavra, o louvor a Cristo e a oração perdem espaço para a nova sensação do momento. Um terno vermelho chama mais atenção do que o papel da adoração no culto.
Os modismos como cair no espírito, angelomania, nova unção etc; fazem com que o pregador se torne uma sensação no culto, a atenção sempre será do super-pregador, capaz de mandar no céu, no inferno e na terra, com os super-poderes. O que parece é que esses propagadores do triunfalismo assistiam muito desenho animado!
O exorcismo em muitos púlpitos, a luta com os demônios, o diálogo com Satanás e a frases de efeito como “o diabo debaixo dos meus pés”; são demostrações para a glória do Senhor ou para a glória do pregador? Isso mostra o poder de Deus ou o “poder” do super-”apostolo”? Neste caso, quem é o centro do culto: Cristo, o homem ou o diabo?
O “louvor” tornou-se uma imitação de gestos, manias, coreografias de um entretenimento secular. O cantor é mais importante que o objeto do louvor. As letras mostram, também, a mudança do culto cristocêntrico para antropocêntrico. Os hinos de vitória, valorizam mais o homem do que a soberania divina; os hinos de fogo, valorizam mais poder de Deus do que o Deus de todo poder.
O “receba” é mais enfatizado do que o “entregue”. O ato de oferecer a vida em consagração é substituída pelo receba poder. O receber poder é bíblico e necessário, mas esse poder é para servir no Reino de Deus e não para aumento de “status espiritual”.
A palavra do Senhor tem sido substituída por mensagens de auto-ajuda, o estudo bíblico é trocado pelo louvorzão, a genuína vigília de oração é trocada pelo monte místico ou por uma balada gospel. O homem se tornou o centro na igreja, que está cada vez mais humanista.
O problema na extravagância no visual não é a questão chave, mas a mudança do centro do culto. Há igrejas em que o púlpito, ou melhor, o palco tem uma luz especial para ressaltar o iluminado. Em várias igrejas, é comum ver cartazes do tipo: “Pregador Fulano de Tal, conferencista internacional, pregador avivalista, onde pede e Deus concede” ou “Venha, traga coxos, mancos, surdos, aleijados, que o Ungido de Deus vai orar por você”. Os incautos e desavisados enchem as galerias dessas igrejas, ou melhor, hospitais ou salão de beleza, pois alguns vão receber dentes de ouro.
Diante desse quadro lamentável, o que fazer? A única solução para a Igreja é o ensino sistemático, ordenado e constante na igreja, alimentado por oração, em uma verdadeira espiritualidade. Há esperança! O resgate do culto cristocêntrico é o caminho para preservar a igreja dos enganos pós-modernos. Que o centro do culto não seja o poder, o miticismo, o novo visual, os modismos doutrinários, a “intelectualidade”, a eloquência, o ritmo da música, a auto ajuda, o triunfalismo etc, mas que seja Cristo e a teologia da cruz, “que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos”(1Co 1.23).

Escreva um post e aponte as soluções para o quadro lamentável em que a igreja brasileira vive!

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Missiologia Pentecostal

A Igreja tem várias tarefas, entre elas a evangelização e as missões. Mas o que é missões? Segundo o missiólogo presbiteriano Ronaldo Lidório, missões “é um movimento salvífico e kerygmático que parte do coração e da volição de Deus, revelado nas Escrituras, onde o Evangelho é prometido, no Messias, a todas as pessoas em todas as etnias espalhadas pelo mundo.”1 O teólogo assembleiano Claudionor de Andrade, define missões como a “transmissão consciente e planejada das Boas Novas de Cristo além das fronteiras nacionais e culturais.”2
A missão principal da Igreja é adorar a Deus, anunciar o evangelho a toda criatura e fazer discípulos por meio do ensino. A igreja evangélica só é evangélica se anunciar o evangelho.

Um pouco de história

O Brasil é o terceiro país protestante do mundo. Esse status deve-se ao trabalho de incansáveis missionários que atuaram no Brasil, desde dos primeiros calvinistas até ao grande trabalho dos pentecostais. Mas a obra missionária começou a atuar no Brasil, por meio de cristãos calvinistas, que chegaram ao país em 10 de novembro de 1555. Os primeiros pastores-missionários que chegaram ao Brasil formam os pastores franceses Pierre Richer e Guillaume Chartir e um seminarista chamado Jean de Lery, mandados pelo próprio João Calvino. O grupo de pastores chegaram no dia 10 de março de 1957, sendo assim, quase dois anos depois do primeiro grupo, que estavam sendo comandados pelos almirantes franceses Coligny e Villegaignon. O primeiro culto da América, realizado na chegada dos missionáriso, teve como leitura o Salmo 27.4 e a primeira Ceia do Senhor, celebrada na América, foi no domingo de 21 de março de 1557, pelo pastor Pierre Richer.
Esse primeiro grupo de missionários evangelizaram vários índios Tamoios, não por meio de um catecismo jesuíta, mas pela proclamação das boas novas. Chegaram a traduzir o Salmo 103 para a língua indígena, sendo a primeira tradução genuinamente brasileira. Devido as divergências com o almirante Villegaignon, ele traiu todos os pastores franceses instalados na colônia. Portugal, com ajuda de Villegaignon, expulsou os invasores franceses e matou vários protestantes que já estavam no Brasil, entre eles, o pastor Pierre, que foi estrangulado e lançado ao mar, na Baia de Guanabara. O sangue dos mártires foi derramado no Brasil (Terra de Vera Cruz), o primeiro país da América a receber missionários protestantes.
No século 19, os missionários europeus e norte-americanos começaram a desembarcar no Brasil católico e que considerava os protestantes de hereges. Dentro do Império Deus coloca como destaque, o casal inglês Robert e Sarah Kalley. Nesse tempo surge o primeiro missionário presbiteriano Ashbell Grenn Simonthon; os primeiros batistas como Thomas Jefferson Bowen, Richard Ratcliff e William Burk Bagby; os metodistas Justus E. Newman e John Ransom e outros protestantes de igrejas históricas e reformadas que chegaram no Sul e Sudeste do país.
Em 1906, explode na Califórnia um grande avivamento, o pentecostalismo da rua Azuza. O Movimento Pentecostal, logo enviou missionários por todo o mundo, sendo um despertamento missiológico muito forte. Dois jovens suecos chegam ao Brasil, influenciados pelo avivamento em Los Angeles, eram eles Daniel Berg e Gunnar Vingren. Esses jovens batistas desembarcaram em Belém do Pará, no norte do Brasil, fundando nessa cidade a Missão da Fé Apostólica, que depois passou a se chamar de Assembléia de Deus. Os pentecostais chegaram, também, por meio de um italiano chamado Luís Francescon, que fundou a Congregação Cristã do Brasil.

O pentecostalismo brasileiro e as missiologia autóctone

A Assembléia de Deus no Brasil, recebeu poucos missionários estrangeiros, comparado ao contingente que as igrejas históricas mandaram de seus países. O pentecostalismo clássico desenvolveu uma missiologia autóctone3, ou seja, os pentecostais desenvolveram uma evangelização dentro da cultura brasileira. A Assembléia de Deus produziu em poucos anos os obreiros nacionais, os missionários suecos ensinaram os crentes brasileiros a se envolver na evangelização e logo surgiu os primeiros pastores e missionários.
Segundo o erudito metodista, especialista em missiologia, o pr. Luís Wesley de Sousa, as igreja que menos enviaram missionários estrangeiros (pentecostais), foram as que mais cresceram, isso por causa da evangelização com cristãos nacionais:

Intriga-me observar, por exemplo, a desproporção entre o pentecostalismo e o protestantismo de tradição no que tange à presença numérica de missionários estrangeiros em seus quadros ao logo destes 94 anos de existência no Brasil. As igrejas históricas receberam muitos missionários, enquanto o pentecostalismo clássico teve um número ínfimo de missionários , proporcionalmente falando e se comparado com o tamanho do protestantismo de tradição. O fato inédito está em que os grupos que menos cresceram foram justamente os que receberam mais missionários. Em contrapartida, os que menos receberam missionários os que mais cresceram”.4

O batismo no Espírito Santo e a obra missionária

O fator do crescimento pentecostal no Brasil, foi a ênfase no revestimento de poder para comissionamento missionário. Essa enfase é bíblica: “ Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra”(At 1.8). O bastimo com o Espírito Santo, tem como propósito principal, revestir o crente de poder, para testemunhar de Cristo. A ênfase desse testemunho é Cristo, uma mensagem cristocêntrica. Aquele que foi um mestre em teologia, Donald Stamps, escreveu: “O batismo no Espírito Santo outorgará ao crente ousadia e poder celestial para realizar grandes obras em nome de Cristo e ter eficácia no seu testemunho e pregação”5.
Infelizmente, hoje há grandes congressos pentecostais, pregadores de renome, vídeos e dvd´s, incentivando uma vida de poder, mas sem destacar o papel do serviço cristão. Querem poder para vencer materialmente ou ter poder político, um destaque triunfalista e antibíblico do Batismo no Espírito Santo. George Wood, erudito pentecostal, escreveu: “O batismo no Espírito Santo, como se entendeu em Azuza, não era somente para benefício pessoal; seu propósito central era conceber poder. Esta é uma distinção vital, porque alguns tem buscado o Espírito por uma experiência mística, e não por um novo arrojo e competência para ser testemunha de Cristo”.6 Fugir do propósito principal do Batismo no Espírito Santo é perigoso e têm levado muitos a um espiritualidade rasa e herética. Vale transcrever a observação do professor John V. York, da Assembléia de Deus norte-americana:

O batismo no Espírito Santo não deve ser confundido com emocionalismo ou alguma outra reação humana à presença do Espírito Santo. Personalidades humanas são diferentes, e reações aprendidas variam. O que é essencial é a realidade da concessão de poder divino focalizado em testemunho e serviço. Existem aqueles que confundem o pentecostalismo com a exuberância na adoração ou com um comportamento emocional. Ao passo que não seria sábio diminuir o significado das emoções humanas ou da adoração vivaz, esses conceitos não são a essência do pentecostalismo. Seu princípio fundamental é a capacitação sobrenatural de crentes com poder para que possam, em palavras e em obras, adequadamente testemunhar de Cristo às nações do mundo.”7

A missiologia pentecostal valoriza o papel de cada crente na evangelização, pois todos devem buscar o revestimento de poder para testemunharem de Cristo. A evangelização assembleiana foi baseada em leigos e não em clérigos. A doutrina do sacerdócio universal, mostra a importância do Corpo de Cristo (Igreja), como uma comunidade unida que cada um mostra o seu serviço em cooperação. A doutrina pentecostal do Batismo no Espírito Santo e a doutrina evangélica do sacerdócio universal, faz de cada crente pentecostal um missionário. Como lembra Loren Triplett: “O pastor pentecostal que não leva a igreja a obedecer mundialmente à Grande Comissão é, em termos, uma contradição. O pastor pentecostal terá um coração missionário e reconhecerá que recebeu esse coração missionário, quando foi batizado com o Espírito Santo. Ser pentecostal é ser missionário.”8

A ajuda do Espírito Santo na obra missionária

No livro Verdades Pentecostais, o pastor Antonio Gilberto descreve a assistência do Espírito Santo na obra missionária.9 O Espírito Santo escolhe, envia capacita e direciona os evangelizadores. No livro de Atos dos Apóstolos, se observa o Espírito Santo agindo em meio a Igreja. A igreja que dá espaço para a atuação do Espírito Santo será um celeiro do evangelismo, com eficácia e na direção divina. “O evangelismo e a obra missionária são o fruto natural de uma vida e testemunho para Jesus Cristo de uma igreja cheia do Espírito.”10

A necessidade da evangelização

O Brasil é o maior país espírita do mundo; as seitas pseudocristãs crescem a todo o vapor; em torno de dois bilhões de pessoas no mundo, nunca ouviram falar de Jesus Cristo. Esse são apenas alguns dados que mostram a necessidade da evangelização na cultura local e as missões transculturais. Os apóstolos chegaram a evangelizar todo o mundo conhecido da época, apesar das perseguições e falta de recursos. A urgência é enorme, mas enquanto isso as igrejas ocidentais se envolvem em doutrinas materialistas, que buscam o reino da terra, e esquecem de proclamar o reino de Deus.
A prosperidade das igrejas ocidentais só levam os lideres a alimentarem a vaidade própria. O evangelicalismo atual está mais preocupado em construir catedrais, do que escolas de missão; gastam mais dinheiro com shows ,do que com o caixa de missões. Conta-se a história que Tomás de Aquino foi ao encontro de Sumo Pontífice; o Papa, então com uma sacola de dinheiro, disse a Tomás de Aquino: “não precisamos mais dizer que não temos prata e ouro” e Tomás respondeu: “ e nem podemos mais responder 'levanta-te e anda'.”
Alguns dados são assustadores, o missiólogo Ronaldo Lidório enumerou alguns deles:

Há ainda em nossos dias cerca de 8.000 PNAs (Povos Não Alcançados), 300 milhões de aborígenes que nada sabem de Jesus (e isto é quase o dobro da população de todo o Brasil), mais de 300 ilhas onde mais de 90% de seus habitantes nunca receberam sequer um testemunho do evangelho de Cristo e 4244 línguas sem sequer João 3:16 traduzido em seu idioma. No norte africano e mundo oriental há em média apenas 1 missionário para cada 7 milhões de habitantes, em diversos países mais de 200 grupos nômades permanecem ainda intocados pelo evangelho e apenas ao meu redor, entre os Konkombas, posso nomear pelo menos 40 aldeias com uma população total de 50.000 pessoas que nunca, sequer uma só vez, ouviram o nome Jesus. É necessário chamar.”11

As seitas, um desafio missionário

A igreja hodierna precisa investir em missiologia e em apologética. O império das seitas, sejam elas pseudocristãs ou orientais, é um grande desafio missionário, que só pode ser vencido por meio da apologética. O naturalismo e outras filosofias estranhas ao evangelho necessitam de respostas dos apologistas.
Para ser apologista é necessário ter um conhecimento bíblico, teológico e cultural, a igreja no evangelizadora não pode esquecer de estudar; como lembra Claudionor de Andrade: “Há obreiros que no ímpeto de evangelizar, não aplicam a aprender a doutrina bíblica. Acham que o ensino sistemático das Sagradas Escrituras é perca de tempo”.12 O teólogo Claudionor lembra ainda uma frase de Charles Spurgeon, o príncipe do pregadores: “Os homens, para serem verdadeiramente ganhos, precisam ser ganhos pela verdade.” Não adianta evangelizar, se o conteúdo dessa pregação for estranho as Sagradas Escrituras.

Conclusão

A igreja que cumpre a grande comissão, pode ser verdadeiramente chamada de evangélica e pentecostal. Caso contrário, ela torna-se indigna do nome. Robert Coleman escreveu: “Uma igreja que não sai para i mundo anunciando as verdades do reino não reconheceria o avivamento, mesmo que este viesse.”13

Notas:

1- Entrevista de Ronaldo Lidório para o Jornal Paixão pelas Almas

2- ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. 12. ed., Rio de Janeiro: CPAD , 2003, p. 215.

3- Autóctone. Adj2g.1. Que é oriundo da terra onde se encontra, sem resultar de imigração ou importação.(Dicionário Aurélio)

4- SOUSA, Luís Wesley de. Entrevista. In Resposta Fiel, Ano 4, n. 11, p. 12, CPAD, 2004.

5- STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p. 1631.

6-WOOD, George. Este Rio Pentecostal Azuza: La corriente afluente original. Revista del Enriquecimiento. Disponível no portal da Assembléia de Deus norte-americana (www.ag.org). Tradução livre.

7- YORK, John V. Missões na era do Espírito Santo. 1. ed., Rio de Janeiro:CPAD, 2002, p. 195.

8- Citado por BRITO, Robson. Projeto Missionário Pentecostal. Manual do Obreiro. Disponível no site: www.cpad.com.br/escoladominical.

9- GILBERTO, Antonio. Verdades Pentecostais. 1. ed., Rio de Janeiro:CPAD, 2006, p. 124.

10- WOOD, George. Uma Señal Diferente, Revista del Enriquecimiento. Disponível no portal da Assembléia de Deus norte-americana (www.ag.org). Tradução livre.

11- LIDÓRIO, Ronaldo. A Armadura de Deus e o Panoplian de Deus. Disponível no site www.monergismo.com

12- ANDRADE, Claudionor Corrêa de. As verdades centrais da fé cristã. In Ensinador Cristão, ANO 7, n. 28, p. 16, CPAD, 2006.

13- COLEMAN, Robert. Como avivar a sua igreja. 15. ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 88.

sábado, 11 de agosto de 2007

Uma crise sem fim?

Em vários painéis de igrejas por todo o país, é comum ver cartazes de pregadores ou “conferencistas internacionais”, em uma verdadeira propaganda do que aquele pregador “pode” fazer. São curas, batismos no Espírito, libertação, exorcismos, tudo isso atribuído ao pastor ou apóstolo. Os carros de som anunciam para a população levar ao culto, os paralíticos, coxos, cegos, endemoninhados, que o ungido vai invocar o poder de Deus e todos os problemas serão resolvidos. As pessoas vão ávidas para receber, receber e receber. O pregador pregar uma mensagem triunfalista, do tipo “é só vitória”. A enfase do culto está no homem(gr. Antropos), e em sua vitórias e em bênçãos recebidas. Há ainda vários testemunhos e o super-homem de Deus conclama a congregação a dar “glória a Deus”, pois aqueles que não dão glória, são geladeiras e não pentecostais. Esse é o retrato da atual situação de muitas igrejas nesse país.
O que leva uma igreja a acatar esse tipo de pregador e mensagem? Certamente, é a rotina de cultos em que a Palavra de Deus não é ensinada. Hoje, as mensagem sobre salvação, vinda de Cristo, santidade e pecado; foram substituídas por pregações de prosperidade, santidade extrema (legalismo), escatologia especulativa e triunfalismo. A pregação bíblica, deve voltar com urgência aos púlpitos desse país. Os sermões como “Pecadores na mão de um Deus irado” de Johnatas Edwards, é coisa de um passado bem remoto. Igreja sem ensino, consequentemente, seguirá evangelhos estranhos ao ensino da Bíblia Sagrada.
Mediante esse quadro, pode-se perguntar: O quando se investe em escola dominical? Há conferências de estudo bíblico? O dinheiro dos dízimos são empregados na construção de bibliotecas na igreja? Quantos pastores nunca leram a Bíblia por completo? Ainda existe culto de oração? As respostas, na situação atual, será das piores. Isso não é pessimismo, mas a realidade!
Ainda há esperança para o evangelicalismo brasileiro? A resposta é sim, pois no momento em que o Brasil passar por um verdadeiro avivamento, a Palavra de Deus será o centro da adoração, pois é o momento de ouvir a voz de Deus (vox Deo). O avivamento só começará com a oração daqueles que querem ver uma igreja transformada e ainda, com os pregadores inconformados com mensagens sem base bíblica; implantando em suas congregações, o modelo cristocêntrico e apologético em suas homilias. A real solução para o movimento evangélico é a militância na pregação expositiva e o papel apologético dos amantes da doutrina, é a prática da prédica e a oratória defensora das boas-novas. Apologia sem ação não levará ao efeito esperado para a igreja tupiniquim, e a ação ligada a apologética é a implantação de sermões bíblicos por onde esse cristão tiver oportunidade de pregar e a oração
pela abertura do evangelho cristocêntrico.
A apologia é uma obrigação dos cristãos comprometidos com a sã doutrina. Um famoso pregador da prosperidade disse em um de seus programas, que o evangelho não precisa de defesa (gr. Apologia), certamente, esse mestre da confissão positiva nunca leu a recomendação de Judas, “a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos”(Jd v.3) e 1Pe 3.15, que diz: “antes, santificai a Cristo, com Senhor, em vosso coração; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós”. Inácio, um dos pais da Igreja, escreveu a Policarpo, que foi
um discípulo próximo ao apóstolo João: “Aqueles que parecem dignos de fé, mas ensinam o erro, não te amedrontem. Permanece firme, como a bigorna sob os golpes do martelo”.¹ É
a firmeza daqueles que estão sobre a rocha, sustentados pelo Senhor, por meio de sua Palavra; que levará o evangelho avante.
O evangélico pentecostal ainda têm armas poderosas para essa batalha apologética. A escola dominical é um meio poderoso de ensino da Palavra. Outra arma é grupos de ensino bíblico, que certamente terão o apoio de um líder que tenha o mínimo de bom senso. A prática da apologia é difícil, mas necessária, como lembra o dr. Paulo Romeiro: “Em uma sociedade relativista com a nossa, não é tarefa fácil expor desvios doutrinários, principalmente quando surgem e se espalham no meio evangélico. Fácil não é, mas é necessário. O cristão não faz isso por prazer, mas porque essa obrigação lhe foi imposta”². O cristão deve ainda orar pela abertura da pregação cristocêntrica no meio evangélico, assim como o apóstolo Paulo exorta os colossenses: “Perseverai em oração, velando nela com ação de graças; orando também juntamente por nós, para que Deus nos abra a porta da palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual estou também preso; para que manifeste, como me convém falar”(Cl 4.2-4).
Mediante essa práticas, como a pregação bíblica, a apologética e a oração, é que o quadro atual pode começar a mudar em direção ao evangelho de Cristo.

Notas bibliográficas:

1- Carta de INÁCIO a POLICARPO no Cap. 3, v. 1. Padres Apostólicos. São Paulo: Paulus. (disponível no site:arminianismo.com)

2- ROMEIRO, Paulo. Super Crentes. 2. ed. rev., São Paulo: Mundo Cristão, 2007, p. 17.