quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Entrelinhas 06: Um novo ano com "pé no chão"

A mensagem “Você Irá Sofrer” pregada por John Piper (assista logo abaixo) expressa uma realidade do Evangelho que tem sido negligenciada nos púlpitos desse país. No Brasil, especialmente no meio pentecostal e neopentecostal tem sobrado mensagens de auto-ajuda, triunfalistas, ufanistas e irresponsáveis, onde se cria pessoas egoístas em lugar de discípulos.
Ontem ouvi de um pastor: “Creia irmão, a crise financeira mundial não irá chegar a sua casa, você está protegido”. Ora, como pode pregar algo tão irresponsável?! Como ficam os irmãos que trabalham em montadoras e outras empresas fortemente atingidas pela crise mundial? Será que não serão despedidos se a situação agravar-se! Ora, os crentes estão em uma redoma de vidro? Os cristãos são uma classe especial de pessoas que estão fora dos sofrimentos presentes no mundo?
As mensagens triunfalistas estão a cada domingo em nossas igrejas. Só se fala em bênçãos, vitórias, conquistas. Os pregadores triunfalistas usam e abusam de textos do Antigo Testamento pré-exílio, onde o SENHOR prometera muitas prosperidades para o povo de Israel. Será que esses pregadores não sabem que há promessas específicas para indivíduos, outras promessas para Israel, ainda há as promessas para a Igrejas e outras promessas que se estendem a todos, como a salvação?!
A auto-ajuda barata e recheada de besteiras não está presente somente em livros de sucesso que estão nas estantes de livrarias, mas atingem em cheio o jovens pregadores e enchem os templos de uma massa ávida por ouvir aquilo que sua vontade deseja.
Os ufanistas se orgulham com exagero da igreja brasileira e declamam “profeticamente” que o “Brasil é do Senhor Jesus”. Uma igreja sem relevância na sociedade, onde pastor é sinônimo de aproveitador e vários líderes apresentam um mau testemunho. Quem tem bom senso e enxerga a realidade, jamais cairá no ufanismo.
Entre hoje e amanhã milhares de igrejas evangélicas estarão “profetizando” um 2009 melhor e farão campanhas de todo tipo para que a prosperidade possa bater na porta dos crentes nesse novo ano. Semelhantes aos supersticiosos de Copacabana, muitos evangélicos estarão criando expectativas falsas e ilusórias para esse novo tempo que se aproxima.
Que possamos aproveitas as vigílias em nossas igrejas não para criar falsas esperanças, mas sim para agradecer a Deus pela realidade em que temos vivido e pedirmos que no novo ano possamos aprofundar a nossa comunhão com Deus e os membros de nossa comunidade. Ano novo não é vida nova; ano novo a vida continua, mas podemos mudar a cada dia diante da presença do SENHOR!

PS: Agradeço a todos os amigos que freqüentaram o blog Teologia Pentecostal nesse ano de 2008. Pude conhecer alguns desses amigos pessoalmente, o que foi um grande prazer! Espero que em 2009 possamos continuar essa maravilhosa parceria.
Que a Graça de Deus esteja sobre todos nós
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Assista agora a mensagem “pé no chão” de John Piper:



Minha mensagem sobre o Ano Novo

domingo, 28 de dezembro de 2008

Formalismo, mero formalismo!

Um pastor piauiense prega de terno e gravata, em um calor nada menos do que de quarenta graus. Um culto com crianças cujo dirigente é um velho diácono da igreja, em lugar da jovem responsável pelo departamento infantil. Vários homens sentados na plataforma do templo, enquanto alguns visitantes estão procurando lugares para se acomodarem. Um culto de casamento onde o grupo musical canta religiosamente três hinos do hinário oficial. Ofertas que são tiradas até em cultos exclusivamente evangelísticos. Uma congregação que se recusa a fazer a Escola Dominical no colégio vizinho da igreja, pois não podem sair do templo! Eis alguns exemplos corriqueiros em igrejas tradicionalistas do sufocante formalismo.
Formalismo pode ser definido como a valorização excessiva de forma em detrimento da essência. As cerimônias, liturgias e formas de culto destacam valores para a vida, mas o formalista não enxerga os valores e sim as formas. No ambiente formalista, os preceitos são mais valorizados do que os princípios, as leis mais aclamadas do que o espírito da lei, o culto mais apreciado do que a razão do culto. Formalismo é o legalismo litúrgico, é o legalismo institucionalizado!

Pentecostais de fervor mecânico!

As igrejas pentecostais exaltam o seu lado espontâneo, mas muitas vezes até a sua “espontaneidade” é corriqueira e repetida, ou seja, muito pentecostais vivem no paradoxo da “espontaneidade mecanizada”. Igrejas cujo “poder” sempre cai em determinado momento do culto e onde “manifestações” espirituais estão atreladas a visitas de pregadores “avivalistas”. Igrejas cujos cultos “dirigidos pelo Espírito Santo” são tão previsíveis como uma bula litúrgica. Há até aquelas igrejas que marcam o dia da “cura divina”, pois em suas placas estão inseridos dizeres como “sexta-feira da libertação”, “quinta-feira da vitória”, ou ainda, “sábado da cura”!
Por mais contraditório que seja, o reteté é uma espécie de formalismo! Sim, formalismo puro! Os cultos do reteté são tão previsíveis, que você verá as mesmas manifestações bizarras em Manaus ou Porto Alegre. Nesses “cultos” você ouvirá os mesmo clichês, as mesmas formas de pregação, os mesmos temas e até a mesma indumentária dos pregadores. É um imitando o outro, pessoas que negam sua personalidade.
É comum na literatura pentecostal apostilas e livros com o título Como receber o Batismo no Espírito Santo[1]. Ora, como ousam usar uma linguagem totalmente de tecnólogos (como fazer) para uma atividade do Espírito. É certo que nas Escrituras se encontraram princípios para uma vida plena no Espírito, mas não em processos semelhantes a montar uma geladeira. Você não encontrará dicas do que fazer ou deixar de fazer!


“Aqui você não prega SEM gravata. Aqui você não prega COM gravata”

Não é que a comunidade cristã deve ser um lugar sem ordem, sem liturgias, sem planejamento; longe disso, a igreja necessita de uma ordem bem estabelecida. O que nunca deve acontecer é que regras de ordem para culto tornem-se absolutas, intransponíveis e sacralizadas. É preciso lembrar que muitas igrejas que primam por uma liberdade são também formalistas. Há casos de igrejas onde é proibido pregar sem gravata, assim também como igrejas onde é proibido pregar com gravata. Uma diz que é questão de costumes denominacional, a outra insiste em dizer que tem liberdade no Espírito, mas ambas são formalistas.

Conclusão

Formalismo é sufocante e desnecessário. Cria problemas em lugar de soluções. Fere as Sagradas Escrituras quando pensa que a honra. Massacra o humano em lugar de construir a Eclésia. Combater o formalismo não deve ser lugar para anarquias espiritualizadas, mas sim jogar fora um legalismo enrustido.

Notas:

[1] No Brasil há uma obra do teólogo Donald Gee cujo título é Como Receber o Batismo no Espírito Santo, distribuída pela Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD). É bom observar que o título da obra original em inglês, lançada em 1932, era Pentecost. As primeiras edições do livro no Brasil, em 1987, eram intituladas Pentecoste, sendo uma tradução literal do inglês, mas por algum motivo a editora mudou o título inadequadamente no ano 2000. Outro título famoso no Brasil é o livro Como Receber o Batismo no Espírito Santo de Gordon Lindsay, lançado pela Graça Editorial.

domingo, 21 de dezembro de 2008

A mania de perseguição dos evangélicos e a sua crise ética

Um dito “apóstolo” com uma “bispa” entram com milhares de dólares não declarados nos EUA e são presos. De quem é a culpa? Da Rede Globo, é claro! Uma igreja é acusada de esquentar dinheiro em paraísos fiscais. De quem é a culpa? Da Folha de São Paulo, é lógico! Deputados evangélicos são acusados de esquemas na máfia das sanguessugas. De quem é a culpa? Adivinha... Vai ganhar um doce quem disse “a grande impressa”. A síndrome de Adão ataca muitos “evangélicos” quando os mesmos são acusados de graves crimes. Logo, são prontos para atacar outros e se livrarem da culpa, ou pelo menos dizem que estão sendo perseguidos. Será pela causa da justiça?
Boa parte dos evangélicos apresentam essas duas síndromes, sendo a paranóia de perseguição e síndrome de Adão (buscando uma Eva como bode expiatório), que sempre acusa os outros pelos seus “pecadinhos”. O engraçado é que a suposta “perseguição” aos evangélicos estão atrelados aos escândalos, especialmente na área financeira. Por que ninguém foi preso por fazer evangelismo pessoal? Não seria um claro sinal de perseguição?
O que a sociedade brasileira cobra, inclusive a impressa, é que a comunidade evangélica não viva com hipocrisias, onde dizem proclamar a Palavra de Deus e ao mesmo tempo estão metidos em roubos e outros “jeitinhos” tipicamente brasileiros. Enquanto a igreja evangélica falar uma coisa e viver outra sempre será destaque negativo na grande e terrível imprensa.

Imprensa e Igrejas

Não é que a mídia seja santa. Nada disso! Os veículos de impressa costumam sempre destacar o lado negativo em detrimento das bonitas obras promovidas por outros cristãos. A Rede Globo, por exemplo, coloca todos os evangélicos em um único saco junto como o Sr. Edir Macedo e o mesmo se aproveita da situação para se alinhar com os evangélicos como um perseguido, por uma questão meramente de preconceito religioso. Será? Edir Macedo se alinha aos evangélicos quando convêm, como 1992 quando foi preso sob acusação de charlatanismo e curandeirismo. A Globo certamente não apresenta simpatia pelos evangélicos, pois seu principal concorrente é um suposto bispo evangélico. O pastor Vinícius Guimarães, em entrevista para a Revista Eclésia sintetiza muito bem essa luta:

A primeira (estratégia) parte da Globo, que tenta ridicularizar os evangélicos para desmoralizar Edir Macedo. O alvo aí não são os crentes, mas ele. A outra é da Record, que tenta orientar a opinião pública dos protestantes brasileiros usando argumentos nada confiáveis para disseminar uma inquisição e uma caça às bruxas contra a Globo.[1]

Perdeu tempo aqueles inúmeros pastores, entre eles alguns assembleianos como Silas Malafaia e Jabes de Alencar, que ficaram defendendo o Sr. Edir Macedo, não percebendo que a briga dele com a Globo é uma mera questão comercial. Edir Macedo e a sua IURD não têm preocupação com a comunidade evangélica, exemplo disso é a Record, que nunca apresenta programas de outras igrejas.

Perseguição do além

Quando a Globo não persegue, os evangélicos costumam acusar o diabo. Nessa paranóia é necessário “amarrar” o coisa-ruim, untar portas com “óleo ungido”, quebrar as maldições hereditárias, além descarregar toda a macumbaria. Esses “cristãos” esquecem que o “maligno não lhe toca” (I Jo 5.18). O diabo e os seus demônios são realmente perigosos, mas somente a comunhão com Deus mantém o cristão longe de seus ardis, e não surradas frases de efeito.

Crise Ética

O autor desse texto viu uma cena que deveria arrepiar qualquer cristão com bom senso. Quando o mesmo estava fazendo compras na Rua Conde de Sarzedas, famosa via do centro de São Paulo que reúne inúmeras lojas de artigos evangélicos (Bíblias, CDs, DVDs, livros, revistas, roupas e outros), viu vários vendedores ambulantes (e crentes) correndo da polícia por estarem vendendo produtos piratas, principalmente CDs e DVDs de músicas e pregações. Isso só é uma ponta de uma crise ética que assola a comunidade evangélica.
Pastores que fazem terrorismo psicológico para que o seu rebanho dê gordas ofertas; falsos milagres e testemunhos; compra de votos por parte de “representantes da igreja”; pirataria gospel; mercantilização da fé; nepotismo nas lideranças eclesiásticas e outros crimes (diante dos homens e de Deus) têm sido descaradamente praticados em muitos ambientes religiosos. Faz-se urgente que Jesus entre novamente no templo, expulsando os seus vendilhões.
Como muita propriedade o pastor Ricardo Gondim escreveu:

Acontece que a igreja evangélica vem tropeçando em várias questões éticas; repetindo entre o clero os mesmos erros dos líderes políticos; amando o dinheiro, igualzinho ao mundo. A pergunta inconveniente, mas necessária, é: para que o mundo precisaria persegui-la? Os evangélicos são inimigos de si mesmos. Réus e vítimas de suas próprias doenças não provocam a indignação de ninguém; pelo contrário, são, muitas vezes, dignos de pena. [2]

Uma igreja que não consegue ser sal e luz perde a sua razão de existir, pois a mesma não consegue transmitir as boas-novas de Cristo Jesus. Uma igreja que consegue ser campeã em escândalos e notícias jocosas, precisa urgentemente rever os seus conceitos. A crise ética e moral é uma dura realidade no meio evangélico, inclusive nos ambientes ultra-mega-conservadores, pois o legalismo não isenta ninguém de tropeço ético, pelo contrário, intensifica!
O teólogo Paulo Romeiro lembra que “quando alguém não leva a Bíblia a sério teologicamente, a ética cristã fica comprometida” [3]. Enquanto os púlpitos continuarem sendo ocupados por animadores de auditório, palhaços sem talento, gritarias sem fim e descompromissado com o ensino substancial da Palavra de Deus, a crise ética se alastrará.

Pequenas igrejas, grande negócios

Alguns observadores começam a perceber uma saturação de denominações e pequenas igrejas no Brasil. Funcionando como “supermercados da fé”, onde faixas apresentam os clichês motivadores, como “Pare de Sofrer”, “Aqui é o Lugar da Benção”, “Entre e Conquiste sua Vitória” etc.; essas igrejolas começam a tornar cada vez mais difícil o trabalho de evangelismo por parte dos evangélicos, pois a identidade protestante fica cada vez mais distante e a Bíblia menos proclamada. A confusão já está instalada na mente do brasileiro.
É claro que existem inúmeras igrejas sérias, seja entre antigas denominações, assim como as mais recentes, mas no decorrer do tempo ouve uma explosão numérica sem acompanhamento de qualidade na essência.

Conclusão:

Temas como caráter cristão e fruto do Espírito deveriam ser destacados em uma igreja que valoriza os carismas. As exortações paulinas precisam ser lidas com mais freqüências nos púlpitos do que as promessas de prosperidade pré-exílicas feitas a Israel. Os cristãos precisam voltar a ser exemplos de integridade. O Evangelho deve ser vivido...

Referências Bibliográficas:

[1] STEFANO, Marcos. O Evangelho Segundo Duas Caras. Revista Eclésia, São Paulo, Ano 11. Ed 123. p 24-31.

[2] GONDIM, Ricardo. Sem Perder a Alma. 1 ed. Rio de Janeiro: MK Editora, 2008. pp 64,65.

[3] ROMEIRO, Paulo. Evangélicos em Crise. 4 ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999. p 18.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Cura divina [segunda parte]: Doenças e demônios!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Nos “cultos” de cura normalmente um evangelista chama os doentes e inicia sua oração: “Demônio da leucemia, saia agooooooora!”. Enquanto isso outros expulsam os “demônios” da gripe, da AIDS, do reumatismo, da hipertensão etc. Nessas reuniões há um conceito estranho: Doença é igual a demônio e esse demônio está presente no corpo do oprimido, mesmo sendo um cristão autêntico. Portanto, doenças precisam ser expulsas veementemente e inteiramente rejeitadas.


Quantas orações são feitas expulsando as doenças como se fosse um exorcismo? Os adeptos da “batalha espiritual” costumam declarar: “gripe, sai desse corpo”; “dor de cabeça, sai agora” etc. Por que não oram assim: “Senhor Deus, cure essa pessoa dessa terrível doença”?


Muitos cristãos têm uma imaginação e criatividade fantástica. Alguns como C. S. Lewis e J. R. R. Tolkien usaram esse dom para criar enredos maravilhosos, mas enquanto isso outros usam sua imaginação fértil para "teologar" com especulações. De onde alguns tele-evangelistas tiraram essa ideia de que doença é um demônio específico com nome e certidão de nascimento? Esse fascínio por demônios encontra base escriturística?

01. O que são doenças?

Segundo o Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa a doença é uma: “alteração do organismo como um todo ou de qualquer de suas partes, marcada por rápida evolução dos sintomas que têm caráter mais ou menos violento, terminando (ger. em período curto) na recuperação ou morte”. As causas das doenças são as mais diversas, pois um câncer, por exemplo, pode nascer em fumantes compulsivos ou em uma pessoa exposta a radiação derivada de uma torre elétrica. Algumas doenças são hereditárias e outras são resultados da avançada idade (Exemplo: mal de Alzheimer).


O avanço da medicina já ajudou na cura ou erradicação de inúmeras doenças que antes matavam centenas de milhares. A cada dia nasce outras doenças novas ou renascem aqueles que haviam desaparecido. Portanto, a ciência tem desafios novos todos os dias. Há, inclusive, doenças que nascem e se espalham a partir da busca de uma cura ou antídoto como a famosa “gripe do frango”.

02. O que são demônios?

Segundo o Dicionário Bíblico Wycliffe os demônios: “são indubitavelmente reais, seres individuais tendo personalidade e conhecimento sobre Deus e os homens” [1]. Esses seres perversos procuram prejudicar e deturpar o estado natural das coisas. Os demônios podem possuir um indivíduo, maltratando e prejudicando o oprimido ou possesso, além de induzi-lo na iniquidade.


Como pessoas dotadas de inteligência, os demônios não são doenças, mas podem provocá-las; os demônios não são pecados, mas podem "tentar". Portanto, incorre a um equívoco aqueles que dizem: “Zé Pilintra é o demônio do alcoolismo” ou a “Pomba-Gíria é o demônio da imoralidade sexual”.

03. Os demônios podem causar doenças?

Sim, os demônios podem causar doenças físicas (Mt 9.32,33; 12.22; 17.14-18; Mc 9.17-27; Lc 13.11,16). Há muitas pessoas oprimidas por Satanás e os seus demônios que sofrem com doenças conhecidas ou não da ciência moderna. Essas pessoas oprimidas podem ser possessas ou não possessas. Esses oprimidos necessitam de libertação. Os textos acima citados não mostram convertidos na situação de possessos por demônios e doentes ao mesmo tempo e, também, os versículos não nomeiam os demônios opressores como determinados especialistas em enfermidades.


Lembrando que os demônios não são a causa de todas as doenças, pois a velhice, a má alimentação, a hereditariedade e outros fatores naturais levam para enfermidades. Quando se tem o discernimento que uma doença tem sido provocada diretamente por um espírito maligno, então há lógica na oração para expulsar os demônios.

04. Crentes endemoninhados?




As Escrituras declaram que “todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, Aquele que nasceu de Deus o guarda, e o Maligno não lhe toca” (I Jo 5.18 ARA). O crente autêntico está guardado (Rm 8.38,39), pertence ao Reino dos Céus e está alistado para a luta contra as trevas (Ef. 6.12). Portanto, crentes não terão doenças que são frutos de possessão maligna.

O neopentecostal Kenneth E. Hagin acreditava que os demônios não podem possuir o espírito do autêntico cristão, mas somente o seu corpo e alma [2]. Em um desastrado tratado exegético, Hagin cria uma tricotomia não coligada. Hagin consegui desenvolver em sua imaginação uma espécie de "semipossessão".

Conclusão

Doentes por causa de uma possessão existem muitos, mas não entre cristãos autênticos. Mas nem todas as doenças têm na operação maligna a sua causa primária. . É necessário discernir quando alguém está simplesmente enfermo ou oprimido. E, sempre lembrando que Deus cura e liberta!

Notas e Referências Bibliográficas:

[1] PFEIFFER, Charles F.; VOS, Howard F.; REA, John. Dicionário Bíblico Wycliffe. 4 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008. p 534. O pastor Waldomiro Francisco declara que o “termo ‘demônio’ é aplicado na Bíblia Sagrada, tanto no Antigo como no Novo Testamento, qualificando as ações e os fenômenos psíquicos ou espirituais das manifestações diretas ou indiretas dos anjos caídos, pois os mesmos não são conhecidos por nomes pessoais; qualificam as suas funções e serviços”. In FRANCISCO, Waldomiro. A Doutrina dos Anjos e Demônios. 2 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005. p 71.

[2] Esse conceito é defendido no livro O Nome de Jesus (Graça Editorial), p. 95.

[3] “Hagin vê possibilidade de um demônio possuir a o corpo de um cristão. Nessa concepção, o corpo é inferior ao espírito, semelhante o pensamento platônico. Muitos dos conceitos expostos são semelhantes aos apresentados pelos gnósticos, seita muito combatida pelos apóstolos Paulo e João e os Pais da Igreja. O gnosticismo se relaciona com o neoplatonismo e tem várias características em comum, entre elas essa visão tricotômica distorcida”. In SIQUEIRA, Gutierres. A dicotomia sagrado/profano. Leia o texto completo: http://teologiapentecostal.blogspot.com/2007/09/dicotomia-sagradoprofano.html

domingo, 7 de dezembro de 2008

Cura Divina [parte 1]

Por Gutierres Fernandes Siqueira

A cura divina é um tema recorrente no meio pentecostal. Os cristãos, de maneira geral, acreditam que o Senhor pode curar os doentes. É comum reuniões onde pastores proclamam com triunfalismo contra as doenças e os seus males. Há reuniões de cura, pastores que dizem ter um ministério voltado para cura divina, campanhas e vários livros sobre esse tema. Cura divina também é um assunto controverso. Há muitos equívocos que serão tratados neste artigo.

F. F. Bosworth e sua influente teoria

Fred Francis Bosworth (1877-1958) foi um pioneiro pentecostal nos EUA. Contrariando a doutrina da “evidência inicial” se desligou das Assembleias de Deus em 1918. Nesse período se filiou a Christian and Missionary Alliance e desenvolveu um ativo ministério de cura. Teologicamente foi grandemente influenciado por E. W. Kenyon, a semelhança de Kenneth Hagin. Bosworth, no início dos anos 50 se uniu com o controvertido William Branham [1].

F. F. Bosworth escreveu o livro Cristo, Aquele que cura, publicado no Brasil pela Graça Editorial. Esse livro influenciou uma geração de pregadores carismáticos como Kenneth Hagin e Tommy Lee Osborn. O missionário T. L. Osborn, baseado no livro de Bosworth, escreveu sua famosa obra Curai Enfermos e Expulsai Demônios.


Bosworth defendia a tese que toda doença são “opressões demoníacas”. Seus seguidores, como o próprio heresiarca William Branham [2] sempre oravam da seguinte maneira: “Sai dele/sai agora/ demônio da doença tal, sai agora!”. Esse tipo de pensamento e oração é ainda possível de ser vista em muitas igrejas pentecostais e carismáticas. Colaborando com esse pensamento os adeptos da Confissão Positiva têm ensinado isso em suas
igrejas, além de livretos e CDs de mensagens [3].


Equívocos de Bosworth


É claro que os demônios podem oprimir pessoas por meio de doenças, sejam cristãs ou não (Jó 2.7; Lc 13.16; At 10.38 e II Co 12.7). Afirmar categoricamente que toda doença é fruto de opressão demoníaca cheira a mais absurda conclusão doutrinária. Há doenças cuja causa são a velhice, epidemias mundiais, maus cuidados com o corpo e a mente.

Outros equívocos relacionados podem ser vistos nos promotores da Confissão Positiva que afirmam:

A) A doença é fruto do pecado!

Ora, o pecado pode realmente causar enfermidades. A embriaguez, por exemplo, pode acarretar diversas doenças. São as conseqüências do pecado (II Cr 26.19-20; Jo 5.14). Deus sempre perdoa o pecado, mas nem sempre tira suas conseqüências. Pela sua graça Ele perdoa e pode apagar as consequências do pecado. O pecado pessoal é uma fonte para doenças, mas nem toda doença é fruto do pecado pessoal. Todas as doenças vêm da maldição do pecado original, mas é preciso separá-lo do pecado pessoal.

B) Os doentes são pessoas com falta de fé!

Esse é um dos maiores absurdos proclamados pelos triunfalistas. Ora, uma pessoa que se mantém fiel ao Senhor e ainda assim tem em si uma doença crônica é um exemplo de grande fé. A fé não é atributo somente de vitoriosos, mas muitas vezes daqueles que sofrem com paciência. Leia todo o capítulo 11 de Hebreus e você verá vitoriosos e perdedores na galeria dos heróis da fé. Muitos cristãos são doentes e depressivos por causa dessas e doutras mentiras proclamas em púlpitos irresponsáveis.

C) As doenças são demônios que precisam ser expulsos!


Como dito acima, um crente pode ser oprimido por uma doença, cuja causa é um demônio, mas ele nunca ficará possuído. Câncer, gripe, pneumonia, lepra, AIDS, catapora e outros não são demônios. Ora, são doenças e ponto final. Portanto, é ridícula essa oração em que as pessoas pedem “sai demônio da gripe, sai demônio da depressão”!. Com esse tipo de oração ficNegritoa implícito duas coisas: ou você acredita em uma heresia de "crente endemoninhados" ou você não sabe a diferença entre uma doença e um ser pessoal (no caso, o demônio!).


Notas e Referências Bibliográficas

1. Para mais informações sobre a vida e ministério de F. F. Bosworth leia em: ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p 135-136.

2. Sobre a vida e heresias de William Branham, leia no artigo do apologista Natanael Rinaldi: http://www.icp.com.br/36materia1.asp

3. No Brasil o maior divulgador das idéias de F. F. Bosworth é o missionário R. R. Soares.

domingo, 30 de novembro de 2008

Desafios ao Protestantismo

Encerrando a série de pequenas entrevistas sobre a Reforma Protestante, vamos ler a opinião do pastor Silas Daniel. Nessa série o Blog Teologia Pentecostal entrevistou o pastor presbiteriano Hernandes Dias Lopes, o bispo anglicano Robinson Cavalcanti, o pastor assembleiano Ciro Zibordi, além do apologista Paulo Romeiro. Esses líderes protestantes que tem contribuído muito para a reflexão teológica no Brasil. Agradeço a todos!

Segue o último texto da série "Reforma Protestante".

Silas Daniel é pastor assembleiano no Rio de Janeiro, conferencista, jornalista e editor do jornal Mensageiro da Paz e da revista Manual do Obreiro. Com formação em Comunicação Social e Teologia, e cursando o último ano de Direito, ele é autor dos livros Como vencer a frustração espiritual, História da Convenção Geral das Assembléias de Deus, Reflexões sobre a alma e o tempo e Habacuque – a vitória da fé em meio ao caos e A Sedução das Novas Teologias, todos lançados pela Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD).

BTP: Quais são os maiores desafios do protestantismo nesse início de século?

Silas Daniel: De forma geral, entendo que o protestantismo enfrenta quatro grandes desafios neste início de novo século. O primeiro é o de influenciar a sociedade sendo uma reserva e referência de valores em uma época em que estes estão sendo fluidificados.
Para entender melhor esse primeiro desafio, é preciso recapitular a importância da Reforma Protestante para a formação do Ocidente.
Com o objetivo de realçar essa importância do protestantismo na reflexão sobre a sociedade ocidental hodierna, o historiador Carter Lindberg, professor de Teologia da Universidade de Boston, afirma em sua obra As Reformas na Europa: "Estar conscientes das contribuições da Reforma para o desenvolvimento de nosso mundo [ocidental] nos ajuda a entender como chegamos onde estamos e proporciona um horizonte crítico para avaliar os resultados". Ou seja, a Reforma e seus princípios, enfatiza Lindberg, são importantes para refletir o Ocidente. Aliás, ele e o alemão Karlheinz Blaschke, entre outros historiadores, ressaltam inclusive que é errado pensarmos que a Reforma só foi possível por causa da "onda" chamada modernidade. Segundo eles, o inverso é que é verdade: a modernidade só foi possível porque a Reforma lhe abriu as portas. A Reforma não deve a ela seu surgimento; ela é que deve à Reforma a possibilidade de ter acontecido.
Segundo frisam esses historiadores, a maioria dos livros de História de hoje sugere que a Reforma só foi possível devido à conjuntura política e filosófica da modernidade que estava começando a se formar naquela época, porque os historiadores ocidentais modernos, a partir de sua perspectiva hodierna, associam naturalmente grandes acontecimentos da História a fatores políticos e econômicos. E eu acrescentaria ainda que, desde o advento do materialismo histórico e da dialética marxista, muitos não entendem que qualquer fator além de economia e política possa motivar grandes mudanças. Esquecem, por exemplo, como destacam Lindberg e Blaschke, que na época da Reforma as pessoas davam muito mais valor à religião do que a fatores políticos e econômicos. Os cidadãos comuns e nobres daquela época chegavam a aceitar naturalmente a morte com base em compromissos religiosos. O problema é que as pessoas tendem a ler o século 16 com as lentes do século 21.
Ressalta Blaschke que "Lutero não pretendia modernizar a sociedade, nem dar início ao período moderno, nem sequer desencadear uma revolução social", entretanto, "embora seja verdade que o período moderno já estava a caminho quando ele [Lutero] estava envolvido em sua luta religiosa para encontrar um Deus misericordioso, foi a descoberta religiosa de Lutero de que a justiça diante de Deus é recebida, e não conquistada, que removeu os obstáculos que até então haviam impedido a irrupção completa do mundo moderno".
Isto é, o Ocidente deve muito do que é hoje, mas muito mesmo, à Reforma. Contudo, apesar disso, vemos o liberalismo social secularizante travar uma guerra cultural todos os dias, com apoio da maioria esmagadora da mídia secular, para tentar "varrer" do Ocidente todos aqueles princípios sobre os quais a sociedade ocidental foi erigida. É verdade que essa é uma luta que envolve todos os ramos do cristianismo, mas sobretudo o protestantismo, cujo surgimento influenciou tremendamente a formação do Ocidente como hoje o conhecemos.
Em segundo lugar, o protestantismo enfrenta também o desafio de não ceder à tentação do "emsimesmamento", olvidando sua missão evangelística. Refiro-me ao fato de que, em muitos lugares, infelizmente, o protestantismo tem se tornado mais um segmento voltado para si mesmo do que voltado para o mundo.
Em terceiro lugar, a necessidade premente de voltar-se às Sagradas Escrituras. Há vários casos em nossos dias que demonstram essa necessidade. Por exemplo, há muitos pregadores evangélicos, tanto no Brasil como lá fora, que infelizmente têm substituído a pregação e o ensino bíblicos integrais por meras mensagens de auto-ajuda. Não se preocupam mais em pregar "todo o conselho de Deus", mas apenas aqueles aspectos do Evangelho que se encaixam à proposta motivacional da atraente e popular filosofia de auto-ajuda.
Pregadores têm se preocupado mais em se portarem como gurus motivacionais do que em levar seus ouvintes a crescerem espiritualmente em todas as áreas de suas vidas. Nesse contexto, não se prega mais, por exemplo, sobre cruz, renúncia, céu, inferno, pecado e santificação, mas apenas sobre superação de problemas materiais do cotidiano.
Outro caso em que vemos essa necessidade de retorno à Bíblia está na substituição que alguns fazem da mensagem inteiramente bíblica pela mensagem saturada de mero conteúdo filosófico. Às vezes, ao ouvir certas mensagens, constatamos serem mais uma reprodução sintética do conteúdo de livros de filosofia e de aforismos colhidos aqui e ali do que uma transmissão dedicada do conteúdo bíblico. Muitos se preocupam mais em inserir sua biblioteca em seus sermões do que em pregar a Bíblia em seus sermões. Não estou dizendo que nossa bagagem de leituras não deva enriquecer nossos sermões, mas que nossos sermões devem ser mais bíblicos do que "bibliotecocêntricos".
Finalmente, um terceiro caso de distanciamento das Escrituras em nossos dias é o do zelo sem entendimento, que, indubitavelmente, está causando muito estrago. Aliás, esse talvez seja o mais freqüente de todos os casos, especialmente no que concerne ao evangelicalismo brasileiro, extremamente suscetível a modismos.
Sou pentecostal e enfatizo a necessidade de sermos, como disse o apóstolo Paulo, "fervorosos no Espírito servindo ao Senhor", porém não devemos confundir isso com algo que a Bíblia reprova imensamente, que é tomar o fervor como um fim em si mesmo. Fervor sem o diapasão da Palavra de Deus causa estragos terríveis na vida espiritual das pessoas e de uma igreja como um todo.
Há muitos cristãos sinceros e fervorosos que, infelizmente, baseiam sua vida espiritual tão somente ou principalmente em experiências, e não na Palavra de Deus. São mais empíricos do que bíblicos em sua fé, e o resultado disso são bizarrias de toda sorte e, o que é bastante freqüente, frustração espiritual. São muitos os cristãos sinceros e genuínos em seu fervor que se encontram hoje neurotizados, frustrados espiritualmente, confusos, imersos em crise espiritual e com sua vida cristã em frangalhos. Isso me motivou a escrever, há dois anos, um livro sobre o assunto: Como vencer a frustração espiritual. Essa obra surgiu depois de inúmeros casos de crentes frustrados espiritualmente que encontrei em minhas viagens pelo Brasil para pregar a Palavra de Deus em igrejas de diversas denominações. Ainda hoje, recebo dezenas de emails de pessoas que me pedem orientação para saírem de alguma crise espiritual que estão vivenciando e, ao analisar o s casos, o diagnóstico tem sido invariavelmente o mesmo: as crises são geradas por conceitos equivocados sobre quem é Deus, o que é a vida cristã, o que é a vida espiritual, o que é o relacionamento com Deus e até mesmo sobre a natureza humana. Em suma: está faltando orientação bíblica.
E finalmente, o quarto desafio é um despertamento à ortopraxia. Se há protestantes que tropeçam porque lhes falta ortodoxia, há aqueles cujo problema é exatamente ausência de ortopraxia. São aqueles que perderam "o primeiro amor" em meio à sua trajetória e se cauterizaram ao ponto de, hoje, estarem "mornos", "frios" ou até mesmo "mortos" espiritualmente. Esse arrefecimento e morte às vezes se devem ao desenvolvimento de alguma espiritualidade tipo zelo sem entendimento, ou a alguma forma errada com que a pessoa lidou com eventual queda espiritual, ou à relativização paulatina dos princípios bíblicos na vida da pessoa, ou a uma perda progressiva de foco devido à influencia do secularismo sobre ela, ou à falta de cultivo da vida espiritual viabilizando a ressurreição do "velho homem", ou ainda ao trauma de um esgotamento físico e espiritual por ativismo religioso, dentre outros motivos. Tudo isso pode gerar a perda da harmonia entre o comportamento da pessoa e a Palavra de Deus. Tudo isso pode fazer com que um bom cristão, de repente, sofra uma ruptura em sua espiritualidade e se torne, aos poucos, um perfeito hipócrita.
E é importante ressaltar que os males que isso provoca não se vêem apenas na degeneração da vida dessas próprias pessoas ou no mau testemunho que dão à sociedade, mas também no efeito que causam na vida de cristãos que, sem maturidade, os tomam como referência de espiritualidade. Diante da queda desses referenciais, diante dos casos escandalosos de hipocrisia, esses cristãos deságuam em profunda desilusão e crise espiritual. E quando não se desviam, tornam-se presas fáceis ao neoliberalismo teológico ou a outras alternativas mais populares que se apresentam como salvadoras e se caracterizam, em casos mais extremos, pela demonização e diabolização da igreja organizada. Isso acontece hoje como aconteceu no passado, conquanto em formatos diferentes. Por exemplo, foi assim com o monaquismo e com o misticismo medieval, que se apresentaram - cada um a seu tempo e com suas respectivas peculiaridades - como alternativas à corrupção da igreja cristã medieva l. Esses movimentos eram mais uma fuga da igreja organizada e uma aposta em sua inexorável auto-desintegração do que uma tentativa de reformá-la. Lembremos que seus seguidores criam que, com a degeneração da igreja organizada como um todo, eles sobreviveriam como "igreja pura".
Talvez não seja à toa que haja atualmente uma procura, por parte de alguns evangélicos frustrados com o cristianismo organizado, pela literatura devocional católica dos místicos medievais. Essa literatura surgiu exatamente em meio a uma frustração com o cristianismo organizado daquela época; foi essa conjuntura que levou seus autores a enveredarem na busca por uma nova espiritualidade.
De qualquer forma, no final, como sabemos, esses movimentos se dissolveram na História, enquanto o movimento reformador vingou. Porém, hoje, devido ao retrocesso em vários setores do protestantismo em relação aos princípios fundamentais da Reforma, constata-se que precisamos de uma espécie de "nova Reforma". Basicamente, diria que precisamos retornar às Sagradas Escrituras, e refiro-me aqui tanto a um retorno em termos doutrinários como em termos de prática da vida cristã. Precisamos pregar e viver a Palavra. Precisamos ensiná-la e encarná-la.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Entrelinhas 05: Mark Driscoll

Você já ouviu falar do pastor Mark Driscoll? Talvez não! Mas esse jovem pastor tem desenvolvido um bonito ministério onde os princípios bíblicos e os valores da Reforma Protestante são valorizados. Driscoll já pertenceu a “Igreja Emergente” e hoje desperta a mesma simpatia dos jovens sem jogar no lixo a “ortodoxia” em nome de uma “interpretação superior do Evangelho”.
Driscoll não tem o estereotípico de pastor, mas suas palavras são pastorais. Driscoll é um exemplo de como a teologia protestante conservadora pode se compreensível nessa sociedade pós-moderna, sem os exageros dos fundamentalistas e sem mesclar com as falácias dos liberais.
Vale a pena conhecer...


Mark Driscoll falando sobre a cultura pós-moderna e função missional da igreja.





Obs: Para ativar a legenda, clique no botão no lado direito do player com a opção "ativar legendas".


Um dos sermões de Mark Driscoll






Fonte: Blog do Vinícius Pimentel







PS: Recomendo a obra A Supremacia de Cristo em um Mundo Pós-Moderno (CPAD), editado por John Piper & Justin Taylor. Nesse livro há um capítulo interessante sobre evangelização escrito por Mark Driscoll.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Os pseudopentecostais e a distorção da Reforma


Continuando a série de entrevistas sobre a Reforma Protestante hoje veremos a opinião do bispo anglicano Robinson Cavalcanti.

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Edward Robinson de Barros Cavalcanti é teólogo, cientista político e bispo da Igreja Anglicana do Cone Sul da América, dirigindo a diocese de Recife. Mais conhecido como Dom Robinson Cavalcanti, o bispo de Olinda escreveu mais de dez obras, sendo que o último livro Reforçando as Trincheiras (Editora Vida) trata sobre o problema da homossexualidade na Igreja Anglicana e a relata a luta travada por ele contra a intolerância dos liberais.

Nesta entrevista Cavalcanti tratará sobre pentecostalismo, sendo um assunto que ele tem escrito constantemente em sua coluna na revista Ultimato.

Blog Teologia Pentecostal- Qual a sua avaliação sobre o evangelicalismo no Brasil? Quais os pontos positivos e negativos que o senhor apontaria como mais significativos?

Robinson Cavalcanti- As Igrejas Históricas; Congregacional, Presbiteriana, Metodista, Batista e Anglicana chegaram ao Brasil na segunda metade do século XIX todas de linha teológica evangélica, e assim, em sua grande maioria tem se mantido. O Movimento Pentecostal e o Movimento de Renovação Espiritual também preservaram essa posição. Minorias liberais e o pseudo-pentecostalismo é que são vozes destoantes. A ênfase na autoridade da Palavra de Deus e na necessidade de conversão são os pontos mais positivos, a ausência de obras sociais e a débil presença política transformadora são pontos negativos. O anti-intelectualismo e o legalismo são aspectos preocupantes, que necessitam ser superados.

02. Em artigo para a revista Ultimato o senhor escreveu que uma associação maior entre tradicionais (ou reformados) e pentecostais clássicos ascende para a formação de um “bloco histórico”. Em que aspectos os pentecostais clássicos podem contribuir teologicamente para os reformados-tradicionais?

Um “Bloco Histórico” de diálogo e cooperação entre as igrejas históricas e as igrejas pentecostais clássicas fortaleceriam a presença evangélica no Brasil, nos diferenciariam das propostas falsas e promoveriam um enriquecimento mútuo. Nós temos uma longa história e uma teologia madura; vocês têm uma mobilização e um entusiasmo pela missão. Esses aspectos não são excludentes, mas complementares. Preconceitos e visões distorcidas mútuas do passado devem ser superadas, para o bem de todos, da Igreja e do País.

03. Autores anglicanos com C.S. Lewis, John Stott, J.I. Packer e mais recentemente Alister McGrath fazem sucesso entre seminaristas pentecostais. Na Comunhão Anglicana pelo mundo há uma relação teológica e comunal mais estreita com os pentecostais?

A Grande maioria dos líderes de peso na Comunhão Anglicana crêem na contemporaneidade dos dons espirituais, temos um Movimento Anglicano de Renovação (Carismática), e a Conferência de Lambeth (que reúne os bispos do mundo inteiro) já aprovou uma Resolução nos exortando a uma aproximação positiva com o mundo pentecostal. Em nossa Diocese do Recife quase todo mundo é “musarella e calabresa”, ou seja, meio histórico e meio renovado...

04. Quando a palavra “evangélico” é pronunciada logo boa parte das pessoas associam tal expressão às chamadas igrejas neopentecostais. Por que os protestantes históricos perderam representatividade diante do crescimento "neo" pentecostal?

Os pseudo-pentecostais investiram pesado na mídia, adquiriram imensa visibilidade, chamaram para si uma identidade evangélica que não têm. Os demais grupos foram mais tímidos, e isso foi um prejuízo para todos – históricos e pentecostais. No bom sentido, temos que ser mais agressivos, mais presentes, retomando a bandeira que nos pertence.

05. O senhor tem defendido que boa parte das igrejas neopentecostais deveriam receber a nomenclatura de pseudopentecostais. Por que essas novas igrejas não podem ser encaixadas no evangelicalismo?

O Protestantismo se pauta por uma ênfase na autoridade e no ensino da Bíblia e da salvação somente pela Graça mediante a fé em nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. O Evangelicalismo tem o seu eixo central na experiência de conversão, de novo nascimento. Valorizamos os ensinos da Reforma. Temos preocupação com a ética e com a sã doutrina. Essas não são marcas do pseudo-pentecostalismo, que, como seitas para-protestantes, se constituem em outro fenômeno religioso.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Entrevista para o Blog do Ciro

Amigos leitores,

Tive o privilégio de ser entrevistado pelo pastor Ciro Sanches Zibordi, no quadro Pastor Ciro Entrevista. Leia essa agradável entrevista no Blog do Ciro.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Entrelinhas 04: Reforma da reforma!




Continuando as rápidas entrevistas com alguns pastores sobre a Reforma Protestante, hoje é o dia de lermos a opinião do pastor Ciro Sanches Zibordi.
Ciro Sanches Zibordi é pastor na Assembléia de Deus de Cordovil, no Rio de Janeiro-RJ, comentador das Lições Bíblicas para juvenis e adolescentes, professor de teologia, pregador e autor dos livros Adolescentes S.A., Perguntas Intrigantes que os Jovens Costumam Fazer, Erros que os Pregadores Devem Evitar, Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria, Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar e editor-assistente da obra Teologia Sistemática Pentecostal, todos lançados pela Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD).

Blog Teologia Pentecostal: O protestantismo brasileiro precisa de uma nova reforma? Em quais aspectos?


Ciro Zibordi: A Reforma Protestante ocorreu dentro da Igreja Católica Romana, fazendo com que uma Igreja mais compromissada com a Bíblia surgisse, a Igreja Protestante. Aquele grande movimento só ocorreu porque os reformadores, principalmente Lutero, descobriram que as verdades bíblicas não estavam prevalecendo, e sim a tradição papal. Algumas reformas hoje, no seio da Igreja Evangélica, são necessárias e têm a mesma motivação da grande, única e histórica Reforma Protestante: o retorno às Escrituras.
Eu tenho insistido em dizer que tudo o que tem acontecido de negativo em nosso meio se deve ao fato de a Palavra de Deus ter deixado de ser, para muitos, a regra de fé, de prática e de viver, a fonte principal de autoridade. Repito tanto isso, que até parece um chavão. Mas não é. E posso dar exemplos de como estamos nos distanciando da Palavra de Deus, pouco a pouco. Precisamos de uma reforma litúrgica, pois os nossos cultos estão longe de ser biblicocêntricos. Os cânticos que deviam ser apenas uma parte do culto tomam 90% dele ou mais. E um agravante é a péssima qualidade desses cânticos.
Deus habita entre os louvores (Sl 22.3), mas muitos estão pensando que Ele habita entre os cantores. Certos cultos são verdadeiros shows de calouros. Domingo passado eu preguei em uma igreja em que o culto começou antes das 19h, houve um festival de cantoria (solos, duplas sertanejas, conjuntos), e eu comecei a pregar às 21h, sendo avisado de que o culto terminava às 21h30! Onde está o amor à Palavra de Deus por parte das lideranças? Antigamente, a Palavra tinha a primazia. Precisamos ou não de uma reforma? O que está escrito em 1 Coríntios 14.26?
Como eu falei da qualidade dos "louvores", é inegável que precisamos também de uma reforma nessa área. Por quê? Porque os cânticos entoados nas igrejas são, na verdade, canções gravadas com interesses comerciais das gravadoras, cantores, grupos, lojas, etc. Não há mais compromisso com as verdades bíblicas. É como ocorre no meio secular. A música erudita não atrai a atenção de muita gente, enquanto axé, funk, rap, pagode e gêneros afins são os preferidos da maioria, trazendo grande lucro ao mercado fonográfico. Não podemos seguir a essa "onda" comercial porque somos o povo de Deus. E não temos como referencial o lucro ou a quantidade de pessoas que apreciam determinados estilos, e sim o louvor a Deus, cristocêntrico.
Na área da pregação também precisamos de uma reforma... Hoje se prega os milagres, que são efeitos do evangelho, e não o evangelho propriamente dito (Mc 16.15-20). E também a maioria desses "milagres" são contestáveis, se a Bíblia de fato for considerada a nossa regra de fé, de prática e de vida. Como estão os nossos congressos? As igrejas convidam os pregadores (pregadores?) que conseguem atrair o maior número de pessoas; se bem que eu não sou contra quem é amado pela maioria. Em alguns lugares eu também sou recebido de maneira muito efusiva pelo povo. Mas o problema é o critério usado para escolher os pregadores. Muitos não convidam o pregador compromissado com a Palavra, e sim o que tem carisma, cativa o público, ainda que propague heresias e maus costumes. Precisamos ou não de reforma?
Os nossos cultos não têm sido oferecidos a Deus, em regra geral. São preparados para satisfazer os anseios das pessoas. Essas reuniões que chamam de culto a Deus são antropocêntricas, e não cristocêntricas. Precisamos de uma reforma, pois o nosso foco deve mudar e a nossa motivação de ir às igrejas, como servos de Deus, não pode ser o recebimento de bênçãos ou a participação de um momento de entretenimento. Jesus deixou de ser o centro. Hoje, as igrejas são mais importantes. Veja os slogans: "Uma igreja modelo, um modelo de igreja", "Igreja tal, onde o milagre acontece", etc. Carros não exibem mais em seus pára-brisas versículos bíblicos ou alusões a Jesus. O importante é mencionar o nome da denominação. Nos programas de televisão, o testemunho é mais ou menos assim: "Depois que eu cheguei à igreja tal, a minha vida mudou".
Para resumir, precisamos não de uma, mas de várias reformas, nos mais diversos âmbitos, principalmente o litúrgico. E, para que isso aconteça, é preciso que Deus levante no meio evangélico reformadores com a ousadia de Lutero.

sábado, 8 de novembro de 2008

Entrelinhas 03: Os pentecostais e a Reforma Protestante


Ainda falando sobre a Reforma Protestante, segue abaixo a resposta do pastor Paulo Romeiro sobre a importância dos pentecostais para esse seguimento do cristianismo. O pastor Paulo Romeiro é mestre em teologia pelo Gordon-Conwell Theological Seminary, em Boston nos EUA e doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo. Atualmente o pastor integra o corpo docente da tradicional Universidade Presbiteriana Mackenzie. Romeiro é de tradição pentecostal e dirigente de uma igreja na zona sul de São Paulo, cuja teologia é assembleiana.

Blog Teologia Pentecostal: Qual o papel do pentecostalismo na construção de um protestantismo mais autêntico aos seus propósitos originais?

Paulo Romeiro: Creio que o pentecostalismo, mais do que as igrejas protestantes históricas, tem um poder muito grande de mobilizar as massas. Com isso, o pentecostalismo tem a oportunidade de colocar muita gente em contato com a Bíblia Sagrada, a principal ferramenta de trabalho do protestantismo. Muitos crentes do pentecostalismo estão descobrindo a teologia e estão buscando educação teológica em instituições de linha reformada. Um dos exemplos é a EST, a Faculdade de Teologia da Universidade Mackenzie, que recebe cada vez mais, alunos de segmentos pentecostais. Isso explica também a preocupação de vários pentecostais interessados na produção de obras confiáveis e na pesquisa acadêmica. É bom lembrar que a CPAD tem publicado, nos últimos anos, excelentes obras por excelentes autores, respeitados também pelos irmãos de linha reformada. Creio que com isso, o pentecostalismo passa a contribuir para o fortalecimento do protestantismo no Brasil.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Projeto Minha Esperança


Chegou o grande dia!
Hoje, sexta e sábado na BAND, às 21h.
Ligue sua TV e convide seus amigos para ouvirem uma mensagem de esperança na pessoa de Cristo.

sábado, 1 de novembro de 2008

Reforma Protestante!?

Nessa sexta-feira foi o aniversário da Reforma Protestante! Temos o que comemorar? A resposta é um sonoro sim e um estrondoso não! Uma dúbia resposta na mista de sentimentos diante dessa comemoração de 491 anos. Por que comemorar diante de protestantes que não mais protestam?
O protestantismo está sufocado no meio de três equívocos monstruosos! O neopentecostalismo está mais próximo do catolicismo popular e medieval, onde até indulgências são relembradas. Os neoliberais abraçam tendências filosóficas contemporâneas em nome do modo cult e politicamente correto. Os fundamentalistas são insuportáveis em sua leitura abitolada da Bíblia, onde as questões secundárias estão no patamar em que não deveriam.
A superstição mística de uns cheira o mais impuro paganismo O ecumenismo abraçado por muitos é espantoso, pois está baseado em “verdades plurais”. Outros se preocupam com a luta legítima contra o aborto, mas são a favor da guerra! A barganha é instrumento que usam para extrair bênçãos do Altíssimo. O papo furado de “amor” sem verdade é usado por outros para abraçarem qualquer besteira pós-moderna. O discurso do terror é manipulado por alguns líderes para os seus próprios interesses.
E os evangélicos com a política? No Brasil os pentecostais e neopentecostais confundiram a buscar do poder de Deus pela busca do poder na terra. Na América Latina e a sua “complexidade de colonizado” faz com que muitos cristãos “progressistas” defendam ditadores com Fidel Castro e Hugo Chávez. Nos Estados Unidos muitos acham que o governo precisa lutar contra aborto e “casamento” gay, mas nada cobram sobre a ineficiência dos políticos conversadores em assuntos igualmente importantes, como a quebra de um nacionalismo burro.
A frieza tem arrasado muitas igrejas na Europa, sendo que algumas já foram vendidas e transformadas em museus ou mesquitas mulçumanas! O entusiasmo da pentecostalidade latina casada com o pragmatismo norte-americano levou protestantes para um entretenimento vazio de conteúdo. Algumas Emergent Church pintam quadros no momento litúrgico!
O protestantismo contém uma liberdade denominacional, pois nenhuma instituição evangélica pode se declarar detentora da verdade absoluta ou a “única Igreja do Nosso Senhor Jesus Cristo”. Não estamos debaixo do papismo! Paul Tillich chamava esse fato de “princípio protestante”, onde segundo o teólogo prussiano o “princípio protestante”:

Contém o protesto divino e humano contra qualquer reivindicação absoluta feita por realidades relativas, incluindo mesmo qualquer igreja protestante. O princípio protestante é o juiz de qualquer realidade religiosa... Guarda-nos contra as tentativas do finito e do condicional de usurpar o lugar do incondicional no pensamento e na ação [1].

Infelizmente o “princípio protestante” deu vazão para tantos grupos que se denominam evangélicos que fica muito difícil definir um protestante. O denominacionalismo evita o papismo, mas como contra-indicação pode fragmentar muito a essência reformada. A solução não é acabar com o denominacionalismo, mas pelo menos unir aqueles que partilham verdadeiramente a Reforma.
Diante dessa confusão provocada pelas milhares de denominações que se dizem protestantes, mas que estão longe da Reforma, fica difícil um testemunho sem a mácula da corrupção. Muitos de nós, quando dizemos que somos evangélicos, logo nos associam aos Macedos e Hernandes da vida, sendo difícil e constrangedora essa dissociação. A partir do momento que os evangélicos perderam sua identidade com a Reforma, mas a urgência de um reavivamento!

Herndandes Dias Lopes[2] resonde o que é ser um protestante nos dias de hoje e sempre:

Ser protestante hoje é subscrever as doutrinas da graça, é crer na inerrância, infalibilidade e suficiência das Escrituras. É crer que o propósito da nossa vida é glorificar a Deus e desfrutar dele para sempre. É confessar que a salvação é pela fé independente das obras. É crer que aqueles que crêem devem demonstrar sua fé pelas obras. É crer que Deus nos fala pela sua Palavra e não à parte dela. É crer que o sentido da vida não é a busca de prosperidade e milagres, mas a busca do conhecimento que desemboca numa vida piedosa.

Referências Bibliográficas:

01. TILLICH, Paul. A Era Protestante. São Paulo/S. Bernardo do Campo, Ciências da Religião, 1992, p. 183. Op. Cit. KLEIN, Carlos Jeremias. Correlatio 10. Universidade Metodista de São Paulo.

02. Resultado de uma pergunta feita ao Reverendo Hernandes Dias Lopes exclusivamente para esse post.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Entrevista com Geremias do Couto


Pastor Geremias do Couto é escritor, conferencista, autor do livro A Transparência da Vida Cristã (CPAD), comentarista da revista Lições Bíblicas para a Escola Dominical, presidente da Omega Mission Ministry, Inc, membro da Casa de Letras Emílio Conde, editor pela CPAD da Bíblia de Estudo Pentecostal, verbete do Dicionário do Movimento Pentecostal e Coordenador Nacional do projeto Minha Esperança - Brasil, da Associação Evangelística Billy Graham. Na área acadêmica tem formação em Comunicação Social; possui bacharel em teologia pelo IBAD e mestrado pelo Gordon-Conwell Theological Seminary.
Nessa entrevista, o pastor Geremias do Couto fala uma pouco sobre o projeto Minha Esperança Brasil e o lançamento do seu futuro livro sobre cosmovisão cristã.


01. Blog Teologia Pentecostal: Como se iniciou o projeto Minha Esperança no mundo?

Geremias do Couto: O projeto Minha Esperança é o resultado de uma reunião entre líderes evangélicos da America Latina e a Associação Evangelística Billy Graham, ocorrida em 2002, quando se discutiu qual seria a forma mais eficiente de se alcançar todo um país, de uma só vez, com a mensagem do Evangelho. Esse foi o ponto de partida para um projeto que já foi realizado em mais de 40 países no mundo, com mais de nove milhões de decisões por Cristo.

02. Qual a diferença ou ineditismo do projeto em relação a outras campanhas da Associação Evangelística Billy Graham?

O forte da Associação sempre foram as cruzadas evangelísticas. Elas cumpriram, ainda cumprem, um papel histórico na evangelização mundial. Mas seu alcance é bastante restrito, pois se realiza sempre no âmbito de uma cidade e depende do comparecimento das pessoas ao estádio, alcançando um número reduzido de pessoas.

Com o Minha Esperança é diferente. Em parceria com as igrejas evangélicas, elas são desafiadas a treinarem os seus membros para que sejam Mateus e abram os seus lares para os seus amigos, parentes e vizinhos, tal qual o discípulo de Cristo que, após converter-se, abriu o seu lar, convidou os amigos e estes puderem ouvir a mensagem do próprio Jesus.

Em nosso caso, serão milhares de mini-estádios espalhados pelo Brasil em que cerca de 10 milhões de pessoas assistirão as transmissões dos três programas de Minha Esperança, pela Rede Bandeirantes, às 21:00hs, horário de Brasilia, nos dias 6, 7 e 8 de novembro. Quantos Maracanãs seriam necessários para abrigar esse povo? Assim, o Minha Esperança, pelo seu alcance, é muito mais efetivo como instrumento de evangelização.

03. Como tem sido trabalhar com as mais diversas denominações?

Tem sido uma bênção. Encontramos as portas abertas e um interesse profundo pelo projeto. As lideranças, de modo geral, estão compreendendo que o Minha Esperança é uma ferramenta que ajudará, inclusive, a restaurar o papel da evangelização na igreja local, hoje muitas vezes colocado em plano secundário para dar lugar apenas às mensagens motivacionais. Temos cerca de 40 denominações envolvidas, com cerca de 90 mil igrejas comprometidas e mais de um milhão e 180 mil lares projetados em todo o país.

04. Nessa fase pré-programa, as expectativas têm sido atendidas?

Sem dúvida. Distribuímos cerca de um milhão e cem mil kits Mateus. Hoje já não dispomos de mais materiais, de maneira que as "igrejas da última hora" estão sendo orientadas a baixar o material do nosso website: http://www.minhaesperanca.com.br/. Teremos, com certeza, a maior colheita de almas da história do nosso país.

05. O senhor, juntamente como o pedagogo e teólogo César Moisés de Carvalho estão escrevendo uma densa obra sobre cosmovisão cristã, que contextualiza com a realidade brasileira. Quais são os temas que serão destaques no livro?

Estamos tratando de como expressar a nossa fé no mundo contemporâneo. Igreja, Ciência, Política, Educação, Artes, Cultura e outros temas estão sendo correlacionados e mostrados à luz da cosmovisão cristã, em linguagem acessível a todos, mas que atenda também ao público acadêmico em geral. É uma tarefa gigante, que está sendo construída passo a passo, com a ajuda de Deus. Esperemos concluí-la nos próximos meses para que venha à lume em 2009.

06. O senhor foi editor da famosa obra E agora, como viveremos? de Charles Colson e co-autoria de Nancy Pearcey. Os autores defendem a aplicação de uma cosmovisão cristã na sociedade secularizada em que temos vivido. O livro fez sucesso e hoje é adotado inclusive em cursos de mestrado. Seria a aplicabilidade da cosmovisão cristã na sociedade é dos maiores desafios da igreja brasileira?

Acredito que sim. Por várias razões, ao longo dos anos, construímos uma visão dicotômica da vida cristã. Nossa expectativa é o céu e não temos nenhum compromisso em influenciar o mundo no qual vivemos, pois, como disse alguém, tudo vai de mal a pior. Mas não é bem isso que encontramos na Bíblia. Ela nos aponta para uma fé que não se aliena, mas participa, influencia e vê a vida não de forma departamentalizada - vida cristã, vida secular - mas como um todo, onde cada ato nosso repercute no ambiente em nos expressamos. Ou seja, esse é o nosso grande desafio desta era.

07. "Um livro que não fica em pé não presta", já dizia um escritor prolixo. Quais são os maiores desafios de escrever uma volumosa obra, sem cair no academicismo incompreensível, nem na redundância desnecessária e ainda despertar o interesse do público ledor brasileiro?

Eu diria que este é um trabalho doloroso. É como um parto. O nosso desafio, entre outros, tem sido dosar a nossa linguagem para não caírmos no "academicismo imcompreensível", mas também não vulgarizarmos o texto e ele se torne conceitualmente fraco pela pobreza da linguagem. Precisamos das orações de todos e compreensão se, em algum ponto, não conseguirmos alcançar essa meta.

08. Quais são os pensadores cristãos que mais influenciam a construção de pensamento da obra?

Abraham Kuyper, Francis Shaefffer, Charles Colson, Nancy Pearcey, John Piper, C.S. Lewis, Norman Geisler, entre outros.

Leia também:

Entrevista com Silas Daniel, editor do Jornal Mensageiro da Paz. http://teologiapentecostal.blogspot.com/2008/01/entrevista-com-o-pastor-silas-daniel.html

Entrevista com Ciro Sanches Zibordi, autor do livro Erros Que os Pregadores Devem Evitar.
http://teologiapentecostal.blogspot.com/2008/07/entrevista-com-o-pastor-ciro-zibordi.html

Entrevista com Isael de Araújo, autor do Dicionário do Movimento Pentecostal.

http://teologiapentecostal.blogspot.com/2007/12/entrevista-com-o-pastor-isael-de-arajo.html

domingo, 19 de outubro de 2008

“A mão de Deus está pesando sobre ti”

Os terroristas no meio evangélico não usam burca ou trabalham com bombas, mas destroem os neófitos da fé com ameaças psicológicas. Usando como arma o santo nome do Senhor, esses detratores não reverenciam Deus, mas usam sua identificação em vão. Com um espírito de violência e vingança, alguns “cristãos” extravasam suas iras e raivas usando o Todo-Poderoso como uma marionete em suas mãos. Infelizmente a prática de “terrorismo psicológico” nas igrejas evangélicas é muito comum, sejam elas legalistas ou mercantilistas.

As “profetadas” destruidoras

É impressionante como meio pentecostal e carismático há pessoas destruídas em sua vida íntima por causa de falsos profetas, que profetizam casamentos, mudanças de emprego ou até mudaram planos de viagens. Em muitas congregações jovens casais estão a beira de um trágico divórcio por causa de uma casamento “arranjado” por “profetas”.
Donald Stamps escreveu:

As decisões no tocante à moralidade, compra e venda, ao casamento, ao lar e à família devem ser tomadas mediante a aplicação e obediência aos princípios da Palavra de Deus e não meramente à base de uma “profecia”. [1]

Os profetas de mentiras normalmente apresentam-se como intocáveis piedosos, mas negam a eficácia dessa mesma piedade. Não é muito difícil identificar esses falsificados, pois logo se percebe que são pessoas artificiais em sua biblicidade e ultra valorizam o sobrenatural.

Os fundamentalistas e o seu deus déspota

Quando houve o furacão Katrina, muitos evangelistas fundamentalistas não esperaram para sentenciar que a causa de tal tragédia era o vodu praticado naquela região. Enquanto os destroços eram cavados em busca de corpos no Tsunami, muitos pregadores faziam análise que o fenômeno aconteceu devido a alta idolatria praticada naquela parte da Ásia.
Tais pessoas estão baseadas exclusivamente numa visão de mundo vetero-testamentária, sem levar em conta as mudanças provocadas pela Nova Aliança. Essas mesmas pessoas defendem guerras desastradas baseadas na justificativa de guerra justa do Antigo Testamento.
O engraçado é ver pregadores brasileiros falando da ligação do Tsunami com a idolatria e esquecem que aqui no Brasil há o maior carnaval do mundo. Porque não estão profetizando a próxima catástrofe em terras tupiniquim?

Os “evangelistas” ameaçadores

Alguns “profetas” não costumam ser tolerantes com apologistas ou teólogos. O mega-star Benny Hinn, por exemplo, disse em uma pregação sobre os “caçadores de heresias” que: "se vocês me atacaram, suas crianças pagarão por isso" e ainda desejou: "algumas vezes eu desejaria que Deus me desse uma metralhadora do Espírito Santo para explodir a cabeça deles” [2].
Não é difícil ouvir de pregadores como Benny Hinn e seus fanáticos seguidores, xingando aqueles que demostram as heresias pregadas por ele. A fineza não existe na apológética desses pregadores sensacionalistas.

O “evangelho” do medo

Muitos novos cristãos vivem constantemente com medo de queimarem no inferno, pois a segurança da salvação não lhes é ensinada. Outros vivem sob o pânico da Grande Tribulação, pois a esperança da Vinda de Cristo não é comunicada. Alguns vivem debaixo do jugo do legalismo, pensando que estão prestando um serviço a Deus.

O “evangelho” da doença e miséria

Os profetas da confissão positiva incentivam que os seus seguidores se despojam todos os seus bens, mas eles mesmos não entregam nada. Iludidos por uma falsa prosperidade, muitos ficam na miséria após não “exercitarem” a fé. Crianças até morreram nos Estados Unidos por causa do falso ensino de cura proclamado por alguns tele-evangelistas, sendo famoso o caso do casal Parker que deixou de dar os medicamentos de seu filho e a criança morreu [3]
A gravidade dos falsos ensinamentos já provocou sofrimentos em muitas pessoas, assim também com uma geração de decepcionados com a igreja. O triunfalismo que proclama “só vitória” nos domingos a noite choca-se com os desafios da segunda-feira de manhã.

Conclusão

Paulo Romeiro lembra que “a igreja é o último lugar onde se espera deparar com frustrações” [4], mas infelizmente essas pregações de medo, falsas promessas, intimidação têm levados muitos para uma decepção com as igrejas evangélicas. Uma igreja que tem perdido gradativamente sua luz e credibilidade, pois em lugar de cair na graça do povo, tem levado desgraça para muitos.



Referências Bibliográficas:

1- STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995. p 1679.
2- Essas são palavras faladas em seu programa de TV: Benny Hinn, TBN "Heresy Hunters" em 23/10/92. Um das pessoas objeto de sua ameaça foi Hank Hanegraaff, presidente do Instituto Cristão de Pesquisas dos Estados Unidos.
3- O caso está relatado no livro de Larry Parker, We Le tour Son Die (Deixamos Nosso Filho Morrer).
4- ROMEIRO, Paulo. Decepcionados com a Graça. São Paulo: Mundo Cristão, 2005, p 13.

domingo, 12 de outubro de 2008

Paulo Roberto, o fenômeno neopentecostal e o futuro das Assembléias de Deus


No decorrer de sua história, o pentecostalismo apresentou crias personalistas, que com seus dotes carismáticos fizeram e fazem sucesso em todo o mundo. A versão pentecostal tupiniquim apresentou dezenas de novos nomes entre pregadores que se tornaram grandes conferencistas. Assim foi com Geziel Gomes, Hidekasu Takayma, Abílio Santana, Napoleão Falcão e mais recentemente com Marco Feliciano. A eloqüência, no sentido coloquial da palavra, e os sinais miraculosos são marcas desses pastores que espalham suas mensagens por meios de cd´s, DVD´s e internet.
Um novo nome no cenário assembleiano é de um controvertido pregador de milagres estranhos. O pastor Paulo Roberto promove sua “campanha dos milagres” no maior templo do país, pertencente às Assembléias de Deus de Cuiabá, cujo dirigente é o pastor Sebastião Rodrigues de Souza. Em seu site [1], testemunha vários casos de curas e eventos extraordinários, onde até mesmo já relatou que Deus falou com ele, em um momento de dificuldade, usando algumas galinhas que falavam em línguas com interpretação de um galo [2]! Paulo Roberto relata que foi curado de vários tumores malignos.
Paulo Roberto tem sido convidado para vários congressos e festas em igrejas pentecostais, onde relata testemunhos, canta, ora para que Deus coloque dinheiro em contas bancárias e dê dentes de ouro. De calvície até câncer são relatados como curas em suas reuniões de milagres. Paulo Roberto advêm de uma geração “milagreira” e pragmática, pois a avaliação de seu ministérios e suas verdades doutrinais advêm de sua facilidade com a manipulação do transcendental.

O milagreiro controvertido

Dentes de ouro? Dinheiro em conta bancária? Galinhas que falam em línguas? Bizarrices é o que não falta do ministério do pastor Paulo Roberto! Suas reuniões são sempre lotadas e marcadas por um emocionalismo histérico diante do “show pessoal” que esse pregador faz após o suposto milagre. Sempre alega que quem criticar suas práticas bizarras e anti-bíblicas são os fariseus, frios, incrédulos, ímpios e usa até palavras de baixa calão, como vagabundos etc. As advertências para os críticos vem de palavras ameaçadoras, que ele interpreta como autoridade advinda do céu. As suas pregações são marcadas por uma superficialidade gritante, onde os textos bíblicos são usados como meros incertos para seus sermões.

Conseqüências para a denominação

A tolerância para sujeitos como Paulo Roberto, que ocupa púlpitos, dirige reuniões em igrejas importantes e ainda é convidado especial de grandes congressos; mostra como a principal igreja evangélica do Brasil precisa urgentemente de uma revisão de suas prioridades. Muito se discute no seio da Assembléia de Deus sobre a conservação de uma identidade, que é confundida por muitos como conservação dos mesmos “usos e costumes”. Enquanto o debate controvertido e infrutífero da “identidade assembleiana” é levantado em convenções politizadas e divididas em partidos, nada é feito concretamente para impedir o avanço de pastores que pregam heresias e bizarrices.
Como uma denominação como as Assembléias de Deus, depois de tanto avanço quanto ao conhecimento bíblico e despertamento para uma maior maturidade, ainda mantém em seu quadro de obreiros, pastores que promovem suas superstições? Porque não há boicotes e repreensões públicas com uma convenção estadual que tolera e incentiva tais práticas? São questões difíceis de entender... Tal fato mostra como o discurso da “identidade assembleiana” é mero discurso retórico vazio e sem sentido, que só pega mesmo em tempo de pleito eleitoral.
A tolerância para com os modismos e heresias do pastor Paulo Roberto contraria fortemente as orientações da Convenção Geral, que sendo ele ministro filiado, deveria ao mesmo considerar. A CGADB (Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil) é contra uma série de práticas promovidas pelo pastor Paulo Roberto. Na oitava ELAD, que é um encontro de pastores assembleianos ligados a CGADB, na cidade de Porto-Seguro- BA, em outubro de 2002, foi reafirmado a posição contrária da Assembléia de Deus em relação aos modismos neopentecostais. No relatório da ELAD, está escrito:

Sob o esfuziante tema “Não extingais o Espírito” o 8° ELAD trouxe a tona os fenômenos promovidos pelos movimentos neo-pentecostais como: “cair no Espírito”, “sopro do Espírito”, “benção de Toronto”, “dançar no Espírito”, “dentes de ouro” e outras enxurradas de práticas inovadoras que andavam perturbando o seio da igreja. Nas palestras ministradas pelos pastores José Wellington Bezerra da Costa, Antonio Gilberto, Elienai Cabral e Elinaldo Renovato de Lima, os mais de 700 pastores e evangelistas inscritos no encontro, puderam constatar que a Bíblia não oferece nenhum respaldo para tais acontecimentos e reafirmaram que o autêntico mover do Espírito é aquele que traz avivamento espiritual, batismo no Espírito Santo e transformação na vida do homem.

Identidade falha, igreja fraca

Enquanto os maiores líderes da denominação continuarem perdendo o seu tempo discutindo pormenores em relação à liturgia (como pode ou não poder bater palmas?) ou em relação aos usos e costumes (como pode ou não usar adornos?), as Assembléias de Deus regredirão e produzirão outros pregadores bizarros. É preciso corrigir os erros do passado, como o legalismo e o anti-intelectualismo e manter as benesses dos pioneiros, como o zelo missionário e a busca intensa do poder de Deus para testemunhar o evangelho. Não se pode ter uma visão romantizada e saudosista, assim como não se deve desprezar o legado da tradição!

Qual o caminho que a Assembléia de Deus quer seguir?

Será que o futuro assembleiano continuará com o obscurantismo teológico e seu legalismo retrógrado? Ou será que os assembleianos do século XXI serão marcados por uma mística supersticiosa, onde a espiritualidade é medida pelo barulho e a reflexão teológica é nula?
Bom seria que as Assembléias de Deus no Brasil caminhassem para o aprofundamento doutrinário-teológico com busca de uma autentica espiritualidade pentecostal, sem amarras de modismos e anacronismos. Teologia e espiritualidade equilibradas por um pentecostalismo que dialoga com outras confissões protestantes, como os reformados, batistas, anglicanos e até, quem sabe um dia, com os fechados fundamentalistas.
A esperança é viva para uma Assembléia de Deus livre de superstições pseudo-pentecostais, com maior reflexão teológica, mas também que nunca deixe seu zelo evangelizador e a busca pelos dons do Espírito, que sempre serviram para a edificação constante da congregação. A sustentação do passado, com uma contextualização presente!

Conclusão:

Não se pode falar em uma denominação forte e sadia, com um ufanismo cego, quando se tem em seu quadro, com uma tolerância absurda, pessoas que promovem confusão no seio da igreja.

Notas e Referências Bibliográficas:

1- http://www.pastorpauloroberto.com/


2- No seu testemunho, o pastor Paulo Roberto descreve como foi sua experiência com as galinhas que falavam em línguas. Vejam só o relato:
Quando aquela mão branca me levou no galinheiro, de repente, não era mais uma mão, era um homem de branco, que me disse: - Paulo, você iria se suicidar por causa do silêncio de Deus?
- Sim, respondi somente no pensamento, mas ele entendeu.
- Paulo, os profetas te abandonaram e ainda dizem que o teu Deus te abandonou?
- Sim, respondi novamente só no pensamento, porque não tinha forças para abrir a boca.
- Paulo, hoje você vai saber que quando falta profetas para falar, O Senhor Deus usa quem Ele quer e da maneira que lhe aprás.
Naquele momento, um poder de Deus tão grande desceu sobre o galinheiro e todas as galinhas começaram a falar em línguas angelicais. De repente uma galinha do outro lado do puleiro, começou a falar com mais autoridade e todas as outras galinhas pularam do puleiro em reverência, enfiaram o bico na terra, cruzaram as asas e gemiam dizendo: Hummm, hummm, fala com o Teu filho Senhor. Naquele momento aquela galinha que falava com mais autoridade, veio rodeando um lado do puleiro e um galo a acompanhava do outro lado, quando chegaram onde eu estava, a galinha colocou a asa na minha testa, falava em línguas angelicais e o galo interpretava, e a interpretação de Deus no bico do galo foi esta: “MEU FILHO PAULO, NÃO PRATIQUES O SUICÍDIO, NESTE MOMENTO ESTOU TE CURANDO DE CÂNCER, TE LEVANTANDO UM PREGADOR DA MINHA PALAVRA. VOU CUIDAR DA SUA AGENDA, PORQUE O MUNDO CONHECERÁ O SEU NOME, TE USAREI COMO MÉDICO NO MEIO DO MEU POVO, POR ONDE TU PASSARES, CURAREI OS ENFERMOS . E naquele momento eu fui radicalmente, totalmente curado de câncer pelo poder de Deus
. Extraído do site pessoal: http://www.pastorpauloroberto.com/index.php?pg=mostra_paginabd.php&c=1#

3- O bispo anglicano Robinson Cavalcanti escreveu uma ótima análise sobre o cenário evangélico no Brasil. Leia em http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&artigo=2177&secMestre=2271&sec=2289&num_edicao=314

domingo, 5 de outubro de 2008

Adoração Extravagante? Uma Análise

Hillsong, um grupo musical das Assembléias de Deus na Austrália, estourou em sucesso nos primeiros anos da década de 1990, influenciando os grupos musicais das igrejas evangélicas em todo o mundo. Os louvores das igrejas pentecostais e carismáticas ganharam uma nova roupagem e influenciaram fortemente igrejas tradicionais. Hoje, as músicas do Hillsong United, versão mais jovem do grupo, são cantadas no mundo inteiro e inspira várias bandas locais. No Brasil, a Igreja Batista da Lagoinha e o seu Ministério de Louvor Diante do Trono divulgaram o "jeito hillsong" de cantar[1]. Vários rótulos foram dados ou auto-proclamados a esse novo movimento musical, inclusive de adoração extravagante, levitas, geração de adoradores, louvor profético etc. Há problemas sérios envolvendo esse novo momento da musicalidade protestante, assim como algumas vantagens trazidas pelos "ministérios de louvor".

I. Equívocos dos adoradores extravagantes

a) Concreto pelo abstrato

Nessa nova musicalidade há muita espiritualização daquilo que não é espiritual. O concreto é constantemente substituído pelo abstrato. Nesse pensamento são comuns declarações "proféticas" para conversão do país e proclamações triunfalistas sobre "um grande avivamento". Nesse ufanismo nada concretamente é feito, como maior exposição das Escrituras, orações acompanhadas de ação inteligente e dirigida por Deus, segundo os valores expostos na Palavra do Senhor.

b) Mistificação do louvor

É comum nesses "ministérios de louvor" uma ultra-valorização do emocional. Choros, gritos, pulos, cânticos espontâneos são indispensáveis nessas reuniões de louvor. Erro comum no meio pentecostal é considerar manifestação espiritual somente aquilo que é sensasorial e visível.
Nessa mistificação instrumentos musicais são "ungidos" e outros são considerados sagrados, tais como o shofar (instrumento musical feito de chifre de carneiro). Para muitos, o toque o shofar "libera unção". Outros deixam o som de seus aparelhos ligados para mudar o ambiente de suas casas. Tal espiritualidade se aproxima mais da religiosidade oriental do que das Escrituras Sagradas.
Muitas músicas parecem um mantra, onde a repetição é excessiva. Algumas músicas chegam a 20, 35 ou até 45 min repetindo a mesma letra. Essa atividade não é nada racional para um culto cristão.

c) Culto transformado em show

Bom seria se muitos "adoradores" se reconhecessem como artistas, pois enquanto negam tal definição, se comportam como tal. Philip Yancey acertou em cheio quando escreveu: "A igreja existe, não para oferecer entretenimento, encorajar vulnerabilidade, melhorar auto-estima ou facilitar amizades, mas para adorar a Deus. Se falharmos nisso... A igreja fracassa."[2].
Estrelismo tem tomado conta de mega-apresentações, onde o líder carismático é rodeado de fãs enlouquecidos. Muitos desses líderes tentam resistir ao estrelismo, mas não conseguem por estarem inseridos dentro de um movimento que é show por si só. Uma liturgia simples é substituída pela parnafenália de equipamentos e efeitos especiais que despertam os ânimos no momento das "ministrações".

d) Conceito equivocado de ministério

Nas Escrituras não há o conceito de "ministério de louvor", pois a musicalidade litúrgica é para toda a congregação, não somente para um grupo determinado. Não existe ministros de louvor, biblicamente falando, todavia essa é mais uma expressão da espiritualidade veterotestamentária presente nas igrejas cristãs.
Não, não está escrito que "Deus deu uns para apóstolos, profetas, pastores e ministros de louvor". Bem, que é mania da igreja evangélica brasileira inventar ministérios, como exemplo o de contribuir financeiramente para um programa na TV, sendo o "ministério dos colaboradores".

f) Cultos vetero-testamentário

A linguagem dos "ministério de louvor" são tipicamente do Antigo Testamento. Os "atos proféticos", "clamores de arrependimento pela nação", "atos simbólicos" e a mania de se colocarem como levitas é um mal constante nesse movimento. Normalmente, os líderes desses grupos são judaizantes, pois até kippah (cobertura para a cabeça) e talid (manto para orações) são possivéis ver em alguns cantores. Como lembra o professor Augustus Nicodemus: "Isso reintroduz o conceito que foi abolido na Reforma protestante de que o louvor e o acesso a Deus são prerrogativas de apenas um grupo e não de todo o povo de Deus"[4].

e) Ligação com modismos perniciosos

Boa parte dos "ministérios de louvor" estão totalmente ligados a movimentos heterodoxos como a teologia da prosperidade, confissão positiva, maldição hereditária, bênção de Toronto, gedozismo, batalha espiritual etc.

II. Acertos dos adoradores extravagantes

Nem só de equívocos os adoradores extravagantes estão cheios, alguns de seus acertos devem ser imitados por todos aqueles que gostam de louvar ao Senhor.

a) Letras de adoração

O movimento de adoração conseguiu produzir maravilhosas músicas, com letras bem feitas e com mensagens de adoração, mas com exceções [3]. No meio pentecostal eram comuns letras com exortações descabidas e até engraçadas, como uma música chamada "Teleleão", que exorta sobre os perigos da TV. Outros "louvores" estavam e ainda estão recheados de clichês de auto-ajuda, onde o triunfalismo reina nas letras. Os "hinos de fogo" são violentamente anti-bíblicos ou exagerados em sua análise da espiritualidade pentecostal.
Enquanto isso, os grupos de adoração conseguiram produzir letras muito boas, como "Aclame ao Senhor" e "Preciso de Ti". Essas letras realmente transmitem um louvor de adoração.

b) Despertamento para a importância do louvor

A música não era muito valorizada pelas igrejas protestantes, pois o conformismo técnico e uma produção musical de qualidade quase não existia. É consenso que os "ministérios de louvor" aumentarão a qualidade técnica, mas como visto no texto, não aumentou a qualidade de maneira geral.

Conclusão:

Uma análise desapaixonada, sem espiritualizações descabidas, precisa ser feita sobre qualquer movimento evangelical que se apresenta como um novo avivamento.

Notas e Referências Bibliográficas:

01. Esse texto é teológico-apologético, mas para uma análise sociológica do movimento de "adoração", veja: CUNHA, Magali do Nascimento. A Explosão Gospel. Rio de Janeiro: Mauad X e Instituto Mysterium, 2007. pp. 105-136. Para uma análise da musicalidade pentecostal no decorrer da história, ver: ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. pp 496-499.

02. YANCEY. Philip. Igreja: Por Que Me Importar. São Paulo: Vida Nova, 2001. p. 25.

03. NICODEMUS, Augustus. O Que Estão Fazendo Com a Igreja. São Paulo: Mundo Cristão, 2008. p. 160.

04. Algumas letras são altamente anti-bíblicas, como a música "Vitória na Cruz" do Diante do Trono.

domingo, 28 de setembro de 2008

Dicionário Evangeliquês!

Caros irmãos, se você, assim como eu, já teve dificuldades de entender os termos usados por muitos evangélicos, eis que seus problemas acabaram! Segue um mini-dicionário de evangeliquês, um novo idioma usado pelos cristãos do Século XXI.

Bíblia- Uma caixinha de promessas.
Mas essas Escrituras insistem em querem normatizar e orientar a vida cristã em todos os aspectos.

Conversão- Sair do catolicismo e assinar o nome em uma denominação evangélica.
A Bíblia mostra que conversão sem regeneração, justificação e santificação é falsa (II Co 5.17)

Deus- Um papai-noel que dá presentes aos bons filhinhos da fé. Esse serve ao homem em lugar de ser servido.
Não mais pagão...

Diabo- É aquele ser que vive entrando em brechas deixadas pelos crentes, mas esses mesmos crentes resolvem o problema amarrando o coisa-ruim!
A vitória sobre Satanás e seus demônios vem por meio de comunhão com Deus e não palavras chaves e clichês.

Dízimo- É um depósito em conta poupança do Banco Celestial, pois todos que dizimam não mais terão problemas nas finanças. É uma moeda de barganha com o Altíssimo.
Na Bíblia dízimo é uma função para mordomos generosos e não cristãos gananciosos.

Espiritual- É aquele cara que vive meio por fora desse mundo.
Enquanto isso, a espiritualidade bíblica é evidenciada em pleno mundo e nas dificuldades da vida (Mt 5.13-16).

- Um “abracadabra” gospel. Poder próprio e de fácil manipulação.
Mas, a Bíblia teima em dizer que a fé “é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem” (Hb 11.1).

Fogo- Antigo termo para “reteté”.

Glória e Aleluia- Expressões em alta voz, em ambiente de culto, que servem para atrair a presença de Deus.
Dizem que por aí, sem base nas Escrituras, que quando a “glória da terra sobe, a glória do céu desce”.

Gospel- Carimbo para contextualizações entranhas.

Louvor de adoração- Um mantra em que as palavras se repetem, repetem, repetem, repetem...
Bem, louvor e adoração é um estilo de vida que vai muito além de um tipo musical meloso e repetitivo.

Mistério- Bem, mistério é tão misterioso que fica difícil de definir. Os cristãos do mistério usam essa expressão sempre que estão diante de algo misterioso. [?]
A Bíblia relata que o mistério já foi revelado: Cristo encarnado! (Cl 1. 24-29)

Mundo- É tudo aquilo que a denominação não concorda em termos de usos, costumes e tradições.
Mas na Bíblia, mundo é um sistema de pecados e operações satânicas que envolvem vários aspectos da vida humana. (I Jo 2.15)

Política- Um meio de aumentar o poder da denominação. Dizem os politiqueiros que querem influenciar a sociedade em questões morais, mas muitos já se envolveram na imoralidade da corrupção.

Unção- Um poder sobrenatural que faz as pessoas terem sensações e arrepios. Somente alguns espirituais conseguem um grande estágio em unção, podendo inclusive serem imunes de contestações.
Biblicamente falando, ungido é o cristão nascido de novo e habitado pelo Espírito Santo e não uma casta especial. (I Jo 2.20, 27)

Varão- Homem do poder, aquele que em suas orações os demônios saem correndo como desesperados. O varão tem domínios transcendentais. É uma coisa impressionante!
O grande problema é que a espiritualidade de muitos “varões” fica somente no espetáculo e não reflete em caráter.

Nos comentários, ajudem a complementar com outros importantíssimos termos para essa coleção.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Entrelinhas 02: “Reteté” e outras observações

Mediante os interessantes comentários gerados pelo último post, se fazem necessários mais algumas observações sobre o assunto discutido.

O liturgismo e a espontaneidade do Espírito

O capítulo 14 da primeira carta de Paulo aos Coríntios foi escrita como instruções para o exercício correto e coerente com seu propósito, que é edificar a Igreja. Paulo, inspirado por Deus, faz apologia da ordem, decência, edificação e critica o misticismo sem orientação.
O Espírito Santo jamais, em hipótese alguma, motivará os cristãos a contradizerem sua própria Palavra! É claro que o Espírito Santo não precisa e nem vai rezar a bula litúrgica produzida por homens, mas jamais quebrará os princípios estabelecidos nas Escrituras. Criticar o "reteté" não é limitar o poder de Deus e muito menos colocá-lo numa "caixinha litúrgica". Criticar esses fenômenos é dever daqueles que querem seguir os princípios estabelecidos para o exercício carismático neotestamentário.
É dever pastoral orientar o rebanho quanto à carismania. Carismania produz muito barulho e bagunça, mas nenhuma edificação. Carismania produz muito estrelismo e extremismo, mas não contrição. Parece paradoxal, mas as igrejas do "reteté" são pobres de manifestações dos dons e sobram fenômenos estranhos, ou seja, os adeptos do "reteté" desprezam os verdadeiros dons como os mais ferrenhos cessacionistas-fundamentalistas.

Análise sociológica do "reteté"

Seria o "reteté" um grito por espaço em um pentecostalismo cada vez mais elitista? A resposta só pode ser não. Nunca houve no pentecostalismo uma separação entre leigos e clero, principalmente no Brasil. O pentecostalismo, em todas as suas vertentes continua pobre, popular e pouco alfabetizado.
Ainda vai demorar o elitismo ou o academicismo ser um problema no meio pentecostal.
A cultura sincrética e mística do Brasil, mais o pragmatismo do pós-modernismo, têm afetado fortemente a espiritualidade pentecostal. Um espiritualismo fora da realidade, onde o transcendentalismo é exacerbado e o mundo é encarado dentro de uma visão maniqueísta. Os adeptos do "reteté" são possuidores de poder, mas encaram esse "poder" sobre os outros, com "profetadas" casamenteiras ou "profecias" que funcionam como horóscopo para viagens.

Conclusão

O movimento do "reteté" é uma afronta contra as Escrituras, que claramente promove uma espécie de "culto" anárquico. "Reteté" é sinônimo desprezo pela pregação expositiva, louvor reflexivo, exercícios correto dos dons e doutrinação da Igreja.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Reteté, mais um modismo pentecostal


Muitos de nossos erros nas áreas onde estão envolvidos os dons espirituais surgem quando queremos que o extraordinário e o excepcional sejam transformados no freqüente e no habitual. Que todos que desenvolvem desejo excessivo pelas “mensagens” transmitidas por meio dos dons possam aprender com os enormes desastres das gerações passadas com nossos contemporâneos [...] As Sagradas Escrituras é que são lâmpada que ilumina nossos passos e a luz que clareia nosso caminho.

Donald Gee, pastor assembleiano em 1963.[1]


Reteté ou repleplé são manifestações cúlticas extravagantes atribuídas ao Espírito Santo. No “culto” reteté a um imperativo de desordem e indecência, onde a racionalidade é desprezada e o caos é celebrado. O “cair”, “runir”, “dançar”, “pulos elétricos” são comuns em reuniões super-ultra-mega agitadas e “fervorosas”. Em reuniões pentecostais, o reteté se tornou uma moda constante e tolerável.

Características do culto “reteté”

Segundo o pastor pentecostal Ciro Sanches Zibordi, esse tipo de “culto” caracteriza-se pelos “hinos” que “são apresentados com ritmos como axé, com batuques que lembram reuniões do candomblé, e muito forró. Pura carnalidade! Pessoas rodopiam, caem, riem, berram etc.” [1] O historiador pentecostal Isael de Araújo o assim descreve:

Nos cultos “reteté”, pessoas marcham, pulam, contorcem, caem, riem, berram, ficam rodopiando pra lá e pra cá num verdadeiro reboliço. Geralmente, essa desordenada movimentação se dá enquanto hinos são cantados em ritmos como forró ou axé, com batuques e pandeiros que lembram reuniões do candomblé. Para os crentes do “reteté” só os seus cultos são verdadeiramente pentecostais e têm o mover de Deus. Mas esses cultos ultrapassam os limites da meninice e muitas vezes são pura expressão de carnalidade e falta de temor a Deus. Seus dirigentes são obreiros neófitos que não estimulam o povo a ler mais a Bíblia e ser mais equilibrados. [3]

No culto “reteté” a extravagância, os exageros, a irracionalidade, a falta de exposição das Escrituras com uma doxologia que leva a reflexão são características marcantes. Os freqüentadores desses cultos são cristãos, normalmente neófitos ou imaturos, que não crescem de maneira sólida. Um grande problema é ver vários pastores envolvidos em tais modismos!

Qual o problema do reteté?

São vários os problemas com essa modalidade de culto e seria necessário rasgar I Co 14 das Sagradas Escrituras, para aceitar o reteté.

a) A passagem ensina ordem e decência (v.40), além de mostrar que os dons têm propósitos para edificação da Igreja (v.26). “Faça-se tudo para edificação”.
b) Deus não é de confusão (I Co 14.33). O reteté encarna o caos!
c) O “reteté” infantiliza, contrariando o bom-senso exortado pelas Escrituras (I Co 14. 20)
d) O culto é racional (Rm 12.1), enquanto o “reteté” inspira os mais primitivos instintos emocionais, desprezando por completo o intelecto.


O culto cristão é formalista e monótono?

Não, pois experiências esporádicas e não normativas são possíveis no culto cristão, seja ele pentecostal ou tradicional. Experiências são aceitáveis, desde que não se torne moda e provoque desordem no culto. Experiências não podem servir para outros, pois são pessoais, relativas, únicas e exclusivas. Os dons espirituais devem ser exercidos nos cultos, mas segundo os parâmetros da doutrina bíblica exposta nas epístolas.

Exposição bíblica?

Em nenhum culto de “reteté” é possível ver uma boa exposição das Sagradas Escrituras. Os pregadores do “reteté” usam a Bíblia com amuleto ou para extrair versículos sem contexto para apoiar as trágicas pregações. A Bíblia nada vale nos cultos do reteté. Nessas reuniões, às vezes acontece que nem a leitura bíblica é feita!

Conclusão:

Culto pentecostal é composto de hinos, exposição das Escrituras, exercício na coletividade dos dons espirituais (I Co 14.26). A liturgia pentecostal não deve ser o extremo oposto da equilibrada liturgia tradicional, pois o que diferencia é o exercício dos dons, com toda moderação e seguindo as diretrizes da Bíblia.


Referências Bibliográficas:

01. GEE, Donald. Spiritual gifts in the work of ministry today. Springfield: Gospel Publishing House, 1963, p.51 Cit in GRUDEM Wayne. O Dom de Profecia. São Paulo: Editora Vida, 2004. p 414.

02. ZIBORDI, Ciro Sanches. Mais Erros Que os Pregadores Devem Evitar. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. p 46.

03. ARAÚJO, Isael de. As principais tentações do pentecostalismo hodierno. Mensageiro da Paz, Rio de Janeiro, Julho de 2008. Artigo. p 27.