quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Entrevista com o pastor Silas Daniel




Silas Daniel é pastor assembleiano no Rio de Janeiro, conferencista, jornalista e editor do jornal Mensageiro da Paz (CPAD). Com formação em Comunicação Social e Teologia, e cursando o último ano de Direito, ele é autor dos livros "Como vencer a frustração espiritual", "História da Convenção Geral das Assembléias de Deus", "Reflexões sobre a alma e o tempo" e "Habacuque – a vitória da fé em meio ao caos", todos lançados pela Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD). Nesta entrevista, o pastor Silas Daniel comenta sua nova obra: "A Sedução das Novas Teologias: o que está por trás de modismos como Igreja Emergente, Teologia Narrativa, Teísmo Aberto, Teologia Quântica, Ortodoxia Generosa e Evangelho da Auto-Ajuda" (CPAD).



Blog Teologia Pentecostal: Quais são as características principais destas novas teologias: Igreja Emergente, Ortodoxia Generosa, Teísmo Aberto, Teologia Quântica e Teologia Narrativa?
Silas Daniel: Uma característica principal é, sem dúvida, a submissão da reflexão teológica às chamadas "demandas" pós-modernas. A Igreja Emergente, por exemplo, surgiu justamente como uma tentativa de apresentar uma proposta mais coerente da fé cristã às demandas pós-modernas. Ela é, supostamente, a resposta cristã que mais se adequaria à conjuntura de nossos dias.
Outra característica marcante dessas novas teologias é a sua fonte primária: o velho liberalismo teológico alemão. Por exemplo: tomemos por base a própria proposta da Igreja Emergente. Qual a sua gênese?
Apesar de o pastor norte-americano Dan Kimball ser o primeiro nome lembrado quando o assunto é Igreja Emergente devido ao seu famoso livro The Emerging Church, de 2003, o nome Igreja Emergente é uma criação dos pastores Brian Mclaren e Doug Pagitt, como o próprio Mclaren conta em sua obra Uma Ortodoxia Generosa. E nesta mesma obra, Mclaren assevera que seu mentor é o teólogo Stanley Grenz. Ele informa-nos já na introdução de seu livro que foi Grenz quem, por exemplo, lhe apresentou pela primeira vez o conceito de "ortodoxia generosa" e enfatiza que Grenz é seu "respeitado amigo e mentor à distância". Não é à toa que Mclaren quase sempre evoca Grenz em seus escritos. E quem é Grenz? É professor de Teologia e Ética do Carey Regent College em Vancouver, e discípulo aplicado dos teólogos liberais alemães Hans Wilhelm Frei (que depois se autodenominou pós-liberal) e Wolfhart Pannenberg, que ao lado de Jürgen Moltman detém a paternidade da chamada Teologia da Esperança. Simplesmente, teologia liberal pura. Grenz, inclusive, escreveu uma obra em homenagem a seu mentor: Reason for Hope: The Sistematic Theology of Wolfhart Pannenberg, lançada em 1990.
Ora, quem leu Revisioning evangelical theology – a fresh agenda for the 21st Century (1993), de Stanley Grenz, vai encontrar ali, com quase dez anos de antecipação, o esboço de todas as propostas da Igreja Emergente. Nele, Grenz afirma, por exemplo, que "a era pós-moderna convida-nos à articulação fresca, a uma visão renovada da teologia que conduzirá o evangelho a novos conceitos". Mais que novos conceitos são esses? Sete novos conceitos, segundo Grenz: (1) uma revisão do que seja a identidade evangélica, (2) uma nova espiritualidade, (3) uma nova forma de fazer teologia, (4) o uso de novas fontes para reflexão teológica, (5) uma revisão da doutrina da autoridade da Bíblia, (6) uma revisão de quais devem ser os pilares integrativos da teologia e, finalmente, como conseqüência dos seis primeiros novos conceitos, (7) um novo conceito do que é ou deve ser igreja.
Se você ler hoje, 15 anos depois, as 200 páginas deste livro de Grenz, vai entender de onde surgiu a inspiração para Mclaren e Pagitt darem forma ao que depois batizaram de Igreja Emergente. E ao ler Mclaren depois de ter lido Grenz, perceberá que aquilo que Grenz diz academicamente, Mclaren diz popularmente. O talento de Mclaren está justamente em apresentar o liberalismo teológico de uma forma mais palatável e sensível. Por exemplo: Uma Ortodoxia Generosa, de Mclaren, é, de certa forma, a versão popular e mais bem-sucedida de Renewing the center, de Grenz. O próprio Mclaren confessa em seu livro que a inspiração veio deste livro de Grenz. Ou seja, se Mclaren é o "guru", por assim dizer, dos emergentes, Grenz é o "guru" de Mclaren.


Essas novas teologias se aproximam, então, mais do liberalismo teológico do que da neo-ortodoxia de Karl Barth?
Com certeza. Veja outro exemplo: o Teísmo Aberto. Seus proponentes famosos são os teólogos Clark Pinnock e John Sanders, muito citados por Grenz. Ora, Sanders e Pinnock são teólogos liberais e discípulos dos teólogos alemães Moltman e Pannenberg, pais da Teologia da Esperança. O próprio Pinnock já admitiu isso em entrevista. Além disso, o Teísmo Aberto é claramente a "versão 2001" da chamada Teologia do Processo, de Alfred Whitehead e Charles Hatshorne. Pouca gente sabe, mas tanto Pinnock quanto Sanders são universalistas, como assumem em suas respectivas obras A Wideness in God’s Mercy e No Other Name, ambas lançadas em 1992. E a posição deles nessas obras é adotada por Brian Mclaren em Uma Ortodoxia Generosa, quando Mclaren fala sobre como deve ser o diálogo inter-religioso, ou seja, o diálogo entre o cristianismo e as demais religiões do mundo.


Alguns defensores e críticos da Teologia Relacional diferenciam esse pensamento teológico do Teísmo Aberto. Existem diferenças significativas entre o Teísmo Aberto e a Teologia Relacional?São uma e a mesma coisa. Aliás, o próprio Pinnock chama o Teísmo Aberto de Teologia Relacional, embora seja fato que o termo Teologia Relacional é mais um uso brasileiro. O mais importante, porém, é que os pressupostos centrais são os mesmos, então não há como diferenciar. São nomes diferentes para se referir, na prática, à mesma coisa. Os pressupostos centrais do que denominamos Teologia do Processo, Teísmo Aberto, Teologia Relacional ou Teísmo Limitado, que é a versão judaica do Teísmo Aberto, são os mesmos.


Segundo alguns estudiosos, os seminaristas pentecostais estariam mais vulneráveis a esse tipo de modismo modernista, isso por falta de uma tradição acadêmica no pentecostalismo. O pentecostalismo hodierno está mais vulnerável a essas novas teologias? A publicação desse livro por uma editora tradicionalmente pentecostal confirma essa opinião?
Na verdade, esse modismo é pós-modernista, apesar de ser a ressurreição de velhos conceitos da teologia liberal, como é o caso da Teologia do Processo. O que acontece é que a influência das chamadas "demandas" pós-modernas proporcionaram o ambiente necessário para que o velho liberalismo teológico ressurgisse, mas numa versão mais popular, mais adequada ao espírito dos novos tempos. Agora, sobre ter se difundido entre alguns pentecostais, isso se deve mais ao fato de que a Teologia do Processo é mais atraente para arminianos do que para calvinistas, e não meramente porque falta uma tradição acadêmica ao pentecostalismo. O Teísmo Aberto usa como ponto de partida a argumentação arminiana e a maioria esmagadora dos pentecostais é arminiana. Logo, alguns pentecostais desavisados são mais tendentes a aderir ao Teísmo Aberto, posto que podem confundi-lo com o arminianismo.
A tradição acadêmica do pentecostalismo é recente porque o pentecostalismo, como movimento, é recente. Se isso pode ter tido alguma influência? Pode. Mas, na verdade, não é exatamente por causa disso. Temos percebido vítimas do Teísmo Aberto tanto em arraiais pentecostais como em arraiais não-pentecostais, e aqui me refiro a denominações igualmente arminianas e com uma tradição acadêmica mais antiga do que a dos pentecostais. Não é tanto uma questão de tradição acadêmica, mas de público para o qual o discurso é mais atraente. É mais fácil o Teísmo Aberto enredar um arminiano desavisado do que um calvinista desavisado, posto que o calvinista, por definição, já mostra-se indisposto em relação ao arminianismo. O Teísmo Aberto não tem feito só vítimas em arraiais pentecostais, mas em arraiais arminianos de forma geral.
Outro ponto importante de ser frisado é que a Assembléia de Deus, a maior representante do pentecostalismo clássico no Brasil, tem se mostrado contrária ao Teísmo Aberto desde o seu advento no Brasil. Nos últimos quatro anos, vários artigos contra o Teísmo Aberto e outros modismos do neoliberalismo teológico têm sido escritos em publicações oficiais da denominação, como as revistas Manual do Obreiro, de reflexão teológica; Resposta Fiel, de apologética cristã; e o jornal Mensageiro da Paz. A Sedução das Novas Teologias é só mais uma resposta a tudo isso.


A Teologia da Libertação, a Teologia da Esperança e outros pensamentos teológicos de estudiosos latino-americanos têm sido resgatados por alguns teólogos protestantes. Qual a ligação entre a teologia latino-americana e o liberalismo alemão?
A Teologia da Libertação nada mais é do que a versão católica romana da Teologia da Esperança, que nasceu entre teólogos protestantes alemães. E claro que, para quem já é adepto da Teologia da Libertação, a abertura para outros conceitos teológicos liberais, além da Teologia da Libertação, é infinitamente maior.


Esses novos movimentos acusam a apologética de gnosticismo cristão (ortodoxolatria) e a verdade é colocada no âmbito do relacionamento místico. Mediante essas afirmações, qual é a influencia da filosofia pós-moderna nessas novas teologias?A pós-modernidade propõe a relativização, a fluidificação, a não-existência de verdades absolutas. Quando os adeptos desses modismos neoliberais teológicos acusam aqueles que prezam pela ortodoxia bíblica de "ortodoxólatras", estão simplesmente reproduzindo o espírito de nosso tempo. Para eles, ser ortodoxo é sinônimo de ser arrogante e, por sua vez, ser politicamente correto é sinônimo de ser espiritual, sensível, amoroso, bom, etc. Como já escrevi há alguns dias, reverencie a dúvida, fuja de dizer "isso é evidentemente certo e aquilo é claramente errado", e você será visto como equilibrado, prudente, sensível, humilde, generoso, bom, amável. Quanto mais você se prostrar no altar da incerteza e, sobre ele, com lábios trêmulos, derramar reverentemente suas lágrimas quentes e depositar seus beijos apaixonados, mais atraente você parecerá. Se você sempre disser "Não podemos ter certeza", "Toda análise é apenas um ponto de vista" e "Não podemos julgar de forma alguma"; ou seja, se você tiver posicionamentos cinzentos, se ficar sempre em cima do muro, então mais "espiritual" parecerá. "Murismo" e "metamorfismo teológico" são sinônimos de coerência agora.


O jornal Mensageiro da Paz trouxe, no decorrer desses últimos anos, várias reportagens sobre os perigos do relativismo pós-moderno e o liberalismo no Ocidente. Como esses temas têm sido recepcionados pelos leitores desse periódico tradicional?
Têm sido extremamente bem recepcionados. Inclusive, muitos leitores nos agradecem porque encontram no Mensageiro da Paz o que chamam de "oásis" diante de tantas publicações seculares que relativizam a fé e os valores. Isso porque o MP submete os principais temas e notícias que a mídia secular divulga a uma análise franca e direta dentro da cosmovisão cristã, bíblica.


Quais são suas expectativas em relação a essa nova obra?
Creio que este livro será uma bênção para a vida de seus leitores assim como foi para mim ao escrevê-lo.

22 comentários:

Pedro Negret disse...

Paz do Senhor Gutierres!
Silas Daniel é um pastor preparado! Graças a Deus que temos homens assim no meio pentecostal, que valorizam o profundo estudo das Escrituras e do contexto teológico.
Parabéns pela iniciativa!
E aproveitando a deixa, o que você acha sobre um jargão comum evangélico: "nova unção"
Será mesmo que podemos adquirir ou trocar unções além daquela descrita em 1Jo 2.20?
Para aqueles que acham que são mais "ungidos" que outros!
Grande abraço!

A Paz!

Teologia Simples disse...

Gutierres,
entrevista bem feita. Você sabe perguntar...

Mas quanto ao conteudo... Dizer que algo é ruim e modismo acusando de ter nascido na teologia liberal é especulação e uma forma muito tendenciosa de interpretar a história e o pensamento cristão.

Essa palavra mosdismo é muita usada entre vocês da Igreja Assembléia de Deus. É estranho, vocês não estão na moda? Será?

A afirmação desse pr.Silas Daniel é absurda! dizer que a teologia da libertação é a versão católica da teologia da esperança, simplesmente é ridiculo! Como pode, uma teologia que nasceu em solo PROTESTANTE, altamente influcienciada pela NEO-ORTODOXIA(protestante) ser uma versão católica da teologia da esperança(PROTESTANTE)? Como esse homem tem coragem de dizer que a teologia da libertação(LATINO-AMERICANA) é católica e romana?????
De fato, falou besteira...

Mas nenhum absurdo é maior do que o uso da palavra MODISMO para descrever tais movimentos.

Sem contar do erro cometido na entrevista que ignorou os teólogos latinos, pois, esses são os maiores responsáveis pela produção teológica do final do século vinte. Isso mostra claramente como vocês ainda enchergam a Europa e os Estados Unidos da América como o único terreno fértil para a teologia. Vocês esqueceram de René Padilla, Samuel Escobar, Pedro Arana, Boff, Valdir Steunargel e toda a FTL(Fraternidade Teológica Latino-Americana). Falar do Brian é mais fácil, não acha? Seus livros ainda não são tão conhecidos aqui no brasil... Só existe dois livros do Brian em português. Igreja Emergente tem uma outra forma no brasil.

Abraço.

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Pedro Negret
Da mesma forma, fico muito feliz de ver no meio pentecostal, homens preparados intelectualmente para defender a fé cristã de vãs filosofias.
Em relação ao assunto sobre “nova unção”, esse é mais um desses clichês sem base bíblica. A unção mencionado em I Jo 2.20 é o próprio Espírito Santo, que habita na vida de todo regenerado. Portanto, todos os cristãos são ungidos, e essa unção se renova, mas não precisamos de novas “unções”. Leia o meio artigo sobre unção, que foi um dos primeiros posts desse blog:
http://teologiapentecostal.blogspot.com/2007/05/o-que-uno.html

André Amaral,
Caro André, vejo que as suas acusações sobre “especulação” por parte do entrevistado não procede. Essas críticas deveriam ser feitas após a leitura do livro de Silas Daniel, para ver todas as fontes por ele pesquisadas e os argumentos do autor. Antes de criticar é preciso ler pelo menos o livro e nas críticas ser mais respeitoso.
Não somos contra os teólogos latinos, pois no dia em que eu me formar em teologia, serei um teólogo latino, ou não? Não podemos seguimentar a teologia e a moldar pelos gostos das “minorias”. Teologia Feminista, Negra, da Libertação, da Esperança são diferentes, mas os pressupostos liberais são os mesmos.
A base da teologia é a Bíblia, mas para um neo-ortodoxo a Bíblia não é a Palavra de Deus, somente a contém, portanto fica impossível um entendimento.

Zwinglio, Pr. disse...

Gutierres, parabéns por esta entrevista!


1° O renascimento vigoroso da teologia liberal é um dos desafios q a IGREJA pós-moderna terá q enfrentar com têmpera e solidez doutrinária. A Europa vive um tempo pós-cristão, entre outras razões, por causa do liberalismo teológico.

2° Eu li o livro de Brian Maclaren -A MENSAGEM SECRETA DE CRISTO-, há questões históricas q são criticadas no livro q merecem crédito.O mesmo pode-se dizer sobre algumas denúncias à respeito da práxis cristã autal. Todavia, as suas intenções, no final das contas, é RELATIVIZAR questões doutrinais-ortodoxas q ñ podem e nem devem ceder às demandas da pós-modernidade, como almeja a IE e seus proponetes. Também ñ se pode aceitar a idéia de q tudo está errado e de q o q foi produzido historicamente pela IGREJA-HISTÓRICA, por exemplo, para nada prestou.

No livro UMA ORTODOXIA GENEROSA, Brian se define desta forma:

"Por que eu sou um cristão missional, evangélico, pós protestante, liberal/conservador, místico/poético, bíblico, carismático/contemplativo, fundamentalista/calvinista, anabatista/anglicano, metodista, católico, verde, incarnacional, depressivo-mas-esperançoso, emergente e não-acabado".

???

3° No demais, minha mãe já diz:

"tem q saber comer a carne do peixe sem as espinhas".

Se vc for comer uma TRAÍRA cozida, vc verá q isso é por demais necessário e muito trabalhoso.

Abraços a todos!!

André Amaral disse...

Gutierres,
me desdulpe se não fui respeitoso.
Mas minhas acusações procedem segundo o que li na entrevista.

"Não podemos seguimentar a teologia e a moldar pelos gostos das “minorias”. Teologia Feminista, Negra, da Libertação, da Esperança são diferentes, mas os pressupostos liberais são os mesmos."

Esse tipo de afirmação que não procede por qualquer meio que seja. Você diz que não podemos seguimentar a teologia, mas TEOLOGIA PENTECOSTAL não é um seguimento das minorias? Outra coisa, você confunde Neo-Ortodoxia com Liberalismo. Quem diz que a bíblia apenas contem a palavra de Deus é o liberal. O Neo-Ortodoxo diz que ela torna-se a palavra de Deus.

Mas insisto na palavra modismo. O que está na moda? Igrjea Emergente? Não existe estatisticas para descrever a existencia desse grupo no brasil. Como um grupo que ainda não é conhecido pode ser tratado como modismo? Moda não é o que a maioria usa?

Abraços e me desculpe por qualquer indelicadesa nas palavras.

Silas Daniel disse...

Caro Gutierres,

Permita-me também responder ao André, já que o que ele escreveu é algo que obviamente me toca e também porque poucas vezes vi tanta desonestidade intelectual em tão poucas linhas.

1) “Mas quanto ao conteúdo... Dizer que algo é ruim e modismo acusando de ter nascido na teologia liberal é especulação e uma forma muito tendenciosa de interpretar a história e o pensamento cristão”.

Não estou acusando de ter nascido na teologia liberal; estou mostrando que nasceu na teologia liberal. Não estou especulando, estou afirmando com provas. Estou dizendo que é ruim porque é ruim mesmo. Estou dizendo que é modismo, porque é um modismo mesmo: uma versão recauchutada e popular do liberalismo teológico que está sendo disseminada por aí para enganar incautos. E isso é algo óbvio demais! Basta ler as obras desse movimento com o mínimo de senso crítico e de conhecimento das teologias liberais para que constatemos um a um os pressupostos do liberalismo teológico nelas.

Muito engraçado esta: Se mostro que fulano defende exatamente as mesmas coisas que beltrano defende, e o próprio fulano até assume isso em seus escritos, citando beltrano como base e inspiração para seus posicionamentos, trata-se de “uma forma muito tendenciosa de interpretar a história e o pensamento cristão?”

2) “Essa palavra modismo é muita usada entre vocês da Igreja Assembléia de Deus. É estranho, vocês não estão na moda? Será?”

O seu problema é com o uso do termo “modismo”? É então questão de gosto? Que termo prefere então? E em que o uso do termo “modismo” não se encaixa com essas “novas” teologias? (Já vou falar mais disso no ponto 4) Outra coisa: que eu saiba, de igrejas organizadas, quem está mais na moda são as igrejas neopentecostais. Ou não?

3) “A afirmação desse pr. Silas Daniel é absurda! dizer que a teologia da libertação é a versão católica da teologia da esperança, simplesmente é ridículo! Como pode, uma teologia que nasceu em solo PROTESTANTE, altamente influcienciada pela NEO-ORTODOXIA (protestante) ser uma versão católica da teologia da esperança (PROTESTANTE)? Como esse homem tem coragem de dizer que a teologia da libertação (LATINO-AMERICANA) é católica e romana????? De fato, falou besteira...”

Ai, ai, ai, ai, ai! Que absurdo digo eu! Como é chato ter que explicar algo básico que imagina-se que quem nos lê ou ouve já deve saber... Mas, vamos lá.

Todo mundo sabe (ou pelo menos deve saber) que a chamada Teologia da Libertação é essencialmente uma escola de teologia católica romana porque foi desenvolvida preponderantemente por teólogos católicos e sistematizada por teólogos católicos. As discussões do Conselho Episcopal Latino Americano (Celam) que resultaram na Teologia da Libertação antecedem a Rubem Alves, Richard Shaull e José Míguez Bonino. Nem Alves, nem Shaull e nem Bonino fundou a Teologia da Libertação.

Bonino começou a escrever sobre a Teologia da Libertação quando esta já era uma realidade. Já o nome de Shaull aparece ligado à Teologia da Libertação apenas porque foi ele quem divulgou no Brasil e na América Latina o chamado Evangelho Social (uma teologia liberal que, ao lado da Teologia da Esperança, influenciou a criação da Teologia da Libertação) e porque, quando a Teologia da Libertação finalmente nasceu, ele a apoiou. Já o mérito que Rubem Alves tem nessa história (Mérito? Estamos falando de Teologia da Libertação, uma aberração teológica!) é o de ter sido o primeiro a ter publicado na América Latina um livro sobre a suposta necessidade de uma “teologia libertadora” ou “teologia da esperança humana”, e por ter apoiado o movimento liberacionista quando ele teve início, mas ele também não é o fundador da Teologia da Libertação. Ele faz parte do proto-liberacionismo na América Latina, assim como Richard Shaull, como divulgador do Evangelho Social por aqui; e uniu-se ao liberacionismo logo quando ele emergiu.

Quem desenvolveu e sistematizou a Teologia da Libertação, inclusive batizando-a definitivamente com este nome, foi o teólogo católico Gustavo Gutiérrez Merino, que é, justamente por causa disso, considerado “o fundador da Teologia da Libertação”. Antes de Gutiérrez, o que hoje chamamos de Teologia da Libertação tinha vários outros nomes além de TL, tais como Teologia Revolucionária, Teologia da Revolução e Teologia da Esperança (evocando a influência da Teologia da Esperança de Pannemberg e Moltman sobre ela). O nome Teologia da Libertação só foi cristalizado e sua ideologia só foi sistematizada a partir de Gutiérrez, com o lançamento de sua obra “Teologia da Libertação”.

Outra coisa: se você fizer uma análise mais apurada das raízes da Teologia da Libertação, verá ainda que o proto-liberacionismo começou a surgir mesmo antes do Celam, ainda nos anos 30, com o Movimento dos Trabalhadores Católicos lá na Europa. Há também, bem antes do Celam, a ligação ideológica, assumida pelos liberacionistas, com a organização católica de trabalhadores cristãos jovens franceses. E mais: anos antes de Rubem Alves lançar seu livro hoje denominado “Da Esperança”, o teólogo católico francês Paul Gauthier já havia lançado sua obra “O Pobre, Jesus e a Igreja”, da qual Gutiérrez assume que bebeu bastante.
É por isso que a Teologia da Libertação é imensa e naturalmente associada a teólogos católicos; é por isso que afirma-se que ela é essencialmente católica romana, porque ela foi gerada preponderantemente entre os teólogos católicos, foi batizada definitivamente de Teologia da Libertação pelos teólogos católicos e foi sistematizada pelos teólogos católicos.

Agora, quais foram as teologias de fora que influenciaram na formação do que hoje conhecemos como Teologia da Libertação? Especialmente o Evangelho Social e a Teologia da Esperança (com destaque para os escritos de Moltman), duas correntes teológicas liberais nascidas no meio protestante. O Evangelho Social e a Teologia da Esperança não são neo-ortodoxia, são liberalismo teológico puro! Além disso, você fala de neo-ortodoxia como se a neo-ortodoxia fosse sadia. Não é e nunca foi! Por exemplo: a Bíblia não contém a Palavra de Deus nem torna-se a Palavra de Deus; a Bíblia É a Palavra de Deus.

A única diferença da neo-ortodoxia para o radical liberalismo teológico é que a neo-ortodoxia ainda tem algo a se aproveitar, já o liberalismo teológico tem quase nada aproveitável em termos de teologia sadia. A neo-ortodoxia é apenas um liberalismo mais light.

E perorando: essa análise minha de que a Teologia da Libertação pode ser definida sinteticamente como uma versão da Teologia da Esperança não é inédita. Vários teólogos afirmam isso, como o teólogo e historiador Tony Lane.

4) “Mas nenhum absurdo é maior do que o uso da palavra MODISMO para descrever tais movimentos”.

O neoliberalismo teológico, em sua “versão 2001” recauchutada, mais popular e atraente, não é um dos modismos de nossos dias??? Caro André, creio que sua confusão parece ser mesmo, conforme sua segunda intervenção neste espaço de comentários do “Teologia Pentecostal” expressa, em torno da questão da popularidade da Igreja Emergente. Para você, a IE só seria “modismo” se fosse o mais popular de todos os movimentos ou tendências. Ora, para algo ser considerado modismo não precisa ser necessariamente o mais popular de todos os movimentos ou tendências. Basta ser um movimento ou tendência identificável, influenciando um grupo significativo de pessoas. O fato de Igreja Emergente e Ortodoxia Generosa não serem modismos mais populares que os modismos neopentecostais não faz com que deixem de ser identificados como modismos. E o fato de existirem já justifica sua análise. Ou só vamos analisar aqueles equívocos que estão mais em evidência do que os outros? Além disso, alguns fatos nos últimos anos aqui no Brasil mostram que os pressupostos da IE já estão influenciando muitos cristãos.

5) “Sem contar do erro cometido na entrevista que ignorou os teólogos latinos, pois esses são os maiores responsáveis pela produção teológica do final do século vinte. Isso mostra claramente como vocês ainda enchergam a Europa e os Estados Unidos da América como o único terreno fértil para a teologia. Vocês esqueceram de René Padilla, Samuel Escobar, Pedro Arana, Boff, Valdir Steunargel e toda a FTL (Fraternidade Teológica Latino-Americana). Falar do Brian é mais fácil, não acha? Seus livros ainda não são tão conhecidos aqui no brasil... Só existe dois livros do Brian em português. Igreja Emergente tem uma outra forma no Brasil”.

Antes de tudo, posso até concordar com você que nem todos os que se intitulam “emergentes” no Brasil ou defendem aqui uma Igreja Emergente são exatamente como os emergentes nos EUA e Europa, até porque muitos deles nem sabem direito o que é a IE e seus pressupostos. Foram engodados pelos escritos dos emergentes, mas não sabem nem direito o que significa o que abraçaram. Porém, fato é que entenderam e aderiram a muitos de seus pressupostos, praticando-os. E o livro vem, inclusive, para esclarecer a essas pessoas o perigo do que aderiram.

E em segundo lugar, não enCHergo mesmo a Europa. Eu enXergo a Europa e os Estados Unidos, e a América Latina também. Só que, diferentemente de você, não gosto do tipo de teologia que fazem René Padilla, Samuel Escobar, Pedro Arana, Boff e Valdir. Há muito liberalismo travestido de evangelicalismo sadio em Padilla e Escobar, por exemplo. Boff?!?! Sem comentários...

E finalmente, para concluir mesmo: cuidado com essa sua “teologia simples”, que você define em seu blog (de forma um tanto confusa) como sendo “a sucinta arte de destruir, com palavras e atitudes, idéias, tradições humanas, que sem razão alguma destroi vidas e inibe o poder transformador do evangelho de Jesus o Cristo. Por uma igreja simples, sincera, humilde, unida, pobre... Pela destruição dos templos, feitos por mãos humanas, para que não sobre pedra sobre pedra, pense! Use sua cabeça, teologise. É simples!”

E você ainda se apresenta como “anarco-cristão”?!?

Ah, tá... Acho que entendi...

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

A paz do Senhor a todos.

Pr. Zwinglio
Concordo plenamente o que foi exposto pelo irmão. O neo-liberalismo teólogico vem trasvertido de piedade, mas contraria as principais bases do cristianismo.

Pr. Silas Daniel,
Fique a vontade para expressar a sua ponderações em relação aos comentários

André Amaral disse...

Silas Daniel,

Antes de tudo,

Queria dizer que as provocações que eu escrevi foram destinadas ao caro amigo GUTIERRES e não é a primeira vez que alguém está advogando a causa dele... Mas é com todo prazer que vou TENTAR responder a sua provocação. Além do mais eu direcionei algumas coisas a você. Mais uma coisa, você esteve em BH no ano passado pregando em um congresso de jovens na Assembléia de Deus central do pr.Anselmo? Parece até que sua esposa é cantora...Lembro que o sermão foi sobre Jabez... Tenho impressão que já te vi pregando...

Nossa, acho que estou ficando popular, talvez, um dia quem sabe, no futuro bem distante quando eu me tornar um escritor, você não escreve sobre a tal teologia simples... Que é uma coisa que eu posso me orgulhar e dizer que é meu, ao contrário de você, que só repete as mesmas coisas que toda vez que entro em um debate sou obrigado a "escutar".

1º) "Estou dizendo que é ruim porque é ruim mesmo. Estou dizendo que é modismo, porque é um modismo mesmo: uma versão recauchutada e popular do liberalismo teológico que está sendo disseminada por aí para enganar incautos."
Você dizer que algo é ruim por ser ruim não significa que de fato seja ruim. Eu, particularmente, não penso que é tão ruim, tanto uma como outra possuem algo de valioso. Quero ver você MOSTRAR que é enganação e que é ruim da mesma forma que você MOSTROU que ela nasceu na teologia liberal. A teologia da libertação é prejudicial a quem? Aos assistidos pelas pastorais?
Digo que é uma forma tendenciosa porque você parte do pressuposto que a teologia liberal é ruim, heresia e etc. No seu livro você fala quem é fulano e quem é beltrano? Porque não foi isso que li em sua entrevista.

2º) "Outra coisa: que eu saiba, de igrejas organizadas, quem está mais na moda são as igrejas neopentecostais. Ou não?".
R: Claro que não. A Assembléia de Deus é a maior igreja-instituição desse país. As igrejas neopentecostais têm uma relação mais próxima com as igrejas pentecostais do que com as igrejas emergentes (já presenciei casos em que nomes de igrejas emergentes foram lidos no culto para que os irmãos fiquem em alerta para os perigos que elas apresentam). O grupo da moda nacional é a Assembléia, são os pentecostais, as neopentecostais estão em segundo plano e as emergentes estão no sub-mundo, nós gostamos de usar o termo underground.

3) "É por isso que a Teologia da Libertação é imensa e naturalmente associada a teólogos católicos; é por isso que afirma-se que ela é essencialmente católica romana, porque ela foi gerada preponderantemente entre os teólogos católicos, foi batizada definitivamente de Teologia da Libertação pelos teólogos católicos e foi sistematizada pelos teólogos católicos".
Não afirma-se nada, somente se afirma... Católica Romana é uma coisa que a teologia da libertação não pode ser considerada nunca! 3.a) Por mais que você deseja mostrar que ela começou a nascer na Europa(não sei porque tudo tem que ser importado)ela é latina. Todos sabem que é latina. Isso até foi declarado na pergunta do Gutierres. 3.b)Roma é a ala mais conservadora do "cristianismo". Para ser de Roma você teria que dizer que tem uma fonte conservadora e não liberal 3.c) A Igreja Católica Romana não gosta da teologia da libertação. Esse é o caso de Boff. 3.d) A maioria dos teólogos da libertação não gostam de Roma. 3.e) Nenhum teólogo em Roma projetou a T.L. 3.f)Teólogos da libertação tem uma forte influencia da teologia protestante. Cito de novo o renomado Boff, que além de uma admiração imensa por Lutero, também cita Bonhoeffer e Moltman (que não tem nada de liberal). Bonino e Rubem Alves são dois que beberam da fonte da neo-ortodoxia de Karl Barth. Bonino, inclusive, insiste em dizer que é somente evangélico. 3.g) A T.L pode ser de qualquer lugar desse mundo, menos de Roma.

4º) "Basta ser um movimento ou tendência identificável, influenciando um grupo significativo de pessoas. O fato de Igreja Emergente e Ortodoxia Generosa não serem modismos mais populares que os modismos neopentecostais não faz com que deixem de ser identificados como modismos“.
O que você chama de modismo eu chamo simplesmente de tendência. Modismo (pra quem não é da assembléia) significa outra coisa.

5º) "Ou só vamos analisar aqueles equívocos que estão mais em evidência do que os outros?".
Os equívocos em evidência estão em todos os movimentos (pentecostais, reformados, neopentecostais, Igreja Emergente, neo-ortodoxia, liberalismo, teologia da libertação...). O problema é que vocês querem arrancar o cisco dos olhos do outro e não percebe a trave que está no seu.

6º) "Além disso, alguns fatos nos últimos anos aqui no Brasil mostram que os pressupostos da IE já estão influenciando muitos cristãos".
Concordo plenamente. Nisso eu estou de acordo com você. Mas qual o problema com essa nova tendência?

7º) "Foram engodados pelos escritos dos emergentes, mas não sabem nem direito o que significa o que abraçaram. Porém, fato é que entenderam e aderiram a muitos de seus pressupostos, praticando-os. E o livro vem, inclusive, para esclarecer a essas pessoas o perigo do que aderiram”.
Desculpe, mas de fato você não conhece a igreja emergente do Brasil. Igreja Emergente foi o termo que vocês observadores que estão de fora aplicaram. Eu como membro de uma dessas igrejas sei bem o que é uma. E isso você só vai aprender quando participar de uma, pois, estas não têm registros históricos publicados. Creio que é mais fácil aplicar tal termo (igreja emergente) para então construir criticas. Esse termo facilita o trabalho de qualquer autor. Seria interessante, inclusive, se gente como você, começasse a escrever sobre as tais igrejas emergentes brasileiras.

8º) "Há muito liberalismo travestido de evangelicalismo sadio em Padilla e Escobar, por exemplo."
Nossa, você consegue enXergar liberalismo em tudo. Por que não admite que esses homens possuem uma teologia própria? Que pensaram? Creio que não seja Padilla e Escobar os liberais, mas você o ultra-mega-super-conservador. Padilla e Escobar estão mais para conservadores embutidos do que liberais, mas na verdade não são nem um nem outro. E quem conhece sabe. Você pelo visto não gosta do Brian, mas insiste em criticá-lo. Penso que o que você deixa de falar é mais notável do que o que fala. Você esqueceu do Caio Fábio também. Esse, sem sombra de duvidas, pode entrar para a sua lista de modismos com o Caminho da Graça, pois, Escobar, Ariovaldo, Gondim, Kivitz e etc ainda pertencem a uma denominação, mas o Caio não. O Caio está com o Caminho da Graça, que, talvez, pode ser identificado como uma igreja emergente em pleno avanço no solo brasileiro, mas realmente me impressiona o silêncio de todos sobre isso. É medo?

9º) "E finalmente, para concluir mesmo: cuidado com essa sua “teologia simples”, que você define em seu blog (de forma um tanto confusa)".
Obrigado pelo aviso, mas não tem cuidados a serem tomados com algo que criei. Teologia Simples é minha. Tenho que tomar cuidado é com os outros. Em minha casa sei onde piso e onde está os talhares. Pode ser confuso ainda, mas é meu!

10º) "você ainda se apresenta como “anarco-cristão”?!?

Ah, tá... Acho que entendi...".
Entendeu o que? Você também esqueceu de citar o "modismo" cristãos anarquistas. O que pra você significa isso? Será que você entende mesmo? Duvido muito...Vai dizer que isso também nasceu na Europa com forte influência do liberalismo? Pois, para você julgar uma tendência como boa ou ruim você simplesmente mostra que nasceu no liberalismo. O que não significa nada!

Bom, espero ter respondido as provocações levantadas pelo irmão Silas. Acima de tudo quero declarar que não quero inimigo. Quero amigos, apesar das diferenças na forma pensar. Isso faz parte do debate, e através de pessoas como vocês, que perdem uma parte de seu precioso tempo respondendo minhas provocações, que estou aprendendo bastante... Isso é muito proveitoso para mim!

Receba meu sincero abraço em Cristo.

André Amaral.

Silas Daniel disse...

Caro André,

Você claramente direcionou algumas coisas a mim naquele seu comentário ao Gutierres (e você mesmo admite essa sua intenção neste seu último comentário) e ainda diz que eu estou “advogando a causa do Gutierres”??? Garoto, se fosse o Gutierres a escrever-me uma besteira evidente como “o sol ao meio-dia em dia de verão”, eu replicaria na hora, fosse quem fosse! Você disse absurdos em relação a afirmações minhas e ficou impressionado com minha réplica?

Outra coisa: Não entendi essa de evocar que me viu pregando no templo-central da Assembléia de Deus em Belo Horizonte, presidida pelo pastor Anselmo Silvestre, e terminar tal declaração com reticências?!?!? Já preguei lá duas vezes, e não só lá: em dezenas de igrejas no Estado de Minas Gerais, na capital e no interior, assim como, pela graça de Deus, tenho pregado em todo este nosso país, tanto em Assembléias de Deus como em outras denominações. E esse fato não me faz em NADA melhor do que ninguém. Não sou idiota de pensar isso. Sei que é tudo pela graça divina. Quero é servir à Igreja do Senhor da melhor forma que posso. Escrevendo, pregando, intercedendo, socorrendo, aconselhando, ajudando, etc, conforme Deus permitir. É pela graça que nos movemos e existimos; é por ela que pregamos! Agora, o que você está querendo sugerir com essa referência à AD mineira? Está querendo dizer que é errado pregar na Assembléia de Deus em Belo Horizonte?

E você acha que bom é tudo que é diferente, inédito, transgressor e revolucionário? Você se orgulha de ter uma teologia própria, que você criou (sic)? Ou seja, pra você, legal é cada um ter a sua teologia, conceitos inovadores em sua visão de Deus, da vida, da fé, e não ficar “repetindo as coisas velhas”? Cada um com a sua? Você com a tal “teologia simples” e outros com as suas demais versões? Isso é sadio? Não estou dizendo que você não tem o direito de inventar a sua teologia, mas estou perguntando: Isso é sadio?

André, meu prazer é outro. É e sempre foi viver e seguir o bom e velho Evangelho. Não sou uma “metamorfose ambulante” teológica, não reciclo Evangelho, não fico inventando, não adapto o Evangelho a mim, mas procuro sempre transformar o meu entendimento conforme o Evangelho (Rm 12.2,3). Minha consciência está apegada às Escrituras. Tantas vezes que você ou qualquer um ler meus escritos, vai encontrar “as velhas coisas” lá. Pode ter certeza. Não fico mudando conforme a estação.

Aproveitando: não mencionei sua “teologia simples” por achá-la popular, é óbvio (e ainda bem que não é popular), mas porque queria que você se desnudasse para sabermos (ou pelo menos para que eu soubesse) quais são as suas reais convicções. E que bom que se desnudou! Você já nos informou que pertence a uma igreja emergente no Brasil e nos disse quais são as suas referências teológicas que o ajudaram a criar a sua própria teologia. É bom saber. E ainda nos brindou com algumas preciosidades de lógica de sua parte, como, por exemplo, (1) a afirmação de que teologia liberal não é ruim nem heresia; (2) que o Rubem Alves é neo-ortodoxia; (3) que Igreja Emergente foi o termo que “os observadores que estão de fora aplicaram”, quando Brian Mclaren conta em seu livro “Uma Ortodoxia Generosa” como ele e Doug Pagitt criaram o nome Igreja Emergente; (4) que a Teologia da Libertação é boa teologia por causa das pastorais (assim como o espiritismo deve ser boa teologia por causa de suas muitas e belas obras sociais); (5) que a Assembléia de Deus é a igreja da moda no Brasil e as neopentecostais estão em segundo plano em nosso país; (6) que Moltman não é liberal; (7) que não há nada de estranho em se dizer “anarco-cristã”, pois é algo absolutamente sadio; (8) que todas as obras que definem a Teologia da Libertação como uma “escola de teologia católica romana” estão erradas porque, para ser “católica romana” teria que ter sido elaborada por teólogos residentes em Roma (como se referir a alguém como “católico romano” implicasse que é um teólogo que reside em Roma ou é de nacionalidade italiana, e não um católico romano, por exemplo, da América Latina); (9) que o fato de a Teologia da Libertação ser reprovada pelo Vaticano desfaz o fato de que a TL é uma escola de teologia surgida no catolicismo romano; (10) que muitos dos que trabalham nas pastorais seguem a TL, mas a TL não é uma escola de teologia católica romana; (11) que ao mencionar raízes européias da ideologia da TL, ao mencionar o proto-liberacionismo já na Europa, que são fatos mencionados por historiadores, eu estaria desfazendo o fato de que a TL nasceu, de fato, na América Latina, mesmo tendo referido-me à obra de Gutiérrez como marco inicial da TL (como se não houvesse diferença entre proto-liberacionismo e liberacionismo de fato; raízes e início de fato); (12) que devemos ignorar as raízes da TL fora da América Latina, mas não desprezar a influência dos escritos do alemão Moltman na formação da TL pelos teólogos católicos romanos da América Latina; etc, etc, etc (afinal, este parágrafo já está enooooorme).

Outra coisa: Por que você, no seu primeiro tópico, não citou minha frase inteira? Fica parecendo que você ou é mesmo desonesto intelectualmente ou, na melhor das hipóteses, muito distraído. Você citou só esta parte do que escrevi: “Estou dizendo que é ruim porque é ruim mesmo. Estou dizendo que é modismo, porque é um modismo mesmo: uma versão recauchutada e popular do liberalismo teológico que está sendo disseminada por aí para enganar incautos”.

Aí, em seguida, me diz: “Você dizer que algo é ruim por ser ruim não significa que de fato seja ruim. Eu, particularmente, não penso que é tão ruim, tanto uma como outra possuem algo de valioso. Quero ver você MOSTRAR que é enganação e que é ruim da mesma forma que você MOSTROU que ela nasceu na teologia liberal. A teologia da libertação é prejudicial a quem? Aos assistidos pelas pastorais?”

Por que você não citou o início das minhas palavras? Quer que eu as lembre? Ei-las: “Não estou acusando de ter nascido na teologia liberal; estou mostrando que nasceu na teologia liberal. NÃO ESTOU ESPECULANDO, ESTOU AFIRMANDO COM PROVAS” (coloquei agora em letras garrafais para que você não se distraia mais). Você não colocou isso, aí ficou fácil para você dizer: “Você dizer que algo é ruim por ser ruim não significa que de fato seja ruim”.

Caro André, eu não digo que é ruim simplesmente porque eu acho que é ruim. Eu MOSTRO que é ruim. Eu PROVO que é ruim. Escrevi um livro de 304 páginas para MOSTRAR e PROVAR aos incautos que é ruim. Ou será que estou falando em grego, chinês ou polonês?

Pergunto: Você leu o meu livro? Se não leu, como é que diz então: “Quero ver você MOSTRAR que é enganação e que é ruim da mesma forma que você MOSTROU que ela nasceu na teologia liberal”.

Você leu meu livro? Se tivesse lido, não diria uma tolice dessas, porque saberia que nele eu trabalho, ponto a ponto, todas as nuances de cada equívoco dos pressupostos do atual neoliberalismo teológico, à luz da Bíblia e da razão.

Você diz que o que eu falo é “tendencioso” porque eu “parto do pressuposto de que a teologia liberal é ruim, heresia”. E ela não é? Nem isso você sabe? Você quer então que minhas respostas às perguntas do Gutierres sejam um artigo quilométrico para explicar a você o que milhares de teólogos no mundo já provaram nas últimas décadas: que a teologia liberal é ruim e heresia? Repito: Como é chato ter que explicar o óbvio para gente que imagina-se que já saiba o básico ao qual estamos nos referindo... Sugiro a você que leia mais livros além dos que você já tem lido. Em vez de ler só a turma liberal, leia bastante livros teológicos do “outro lado” também. Aí, talvez, se você tiver disposição para entender o que lerá, irá perceber o que eu, depois de ler livros de gente dos dois lados há anos, cada vez mais percebo: como saltam aos meus olhos o fato de que o liberalismo teológico está distante da Bíblia!

Você me disse: “No seu livro você fala quem é fulano e quem é beltrano? Porque não foi isso que li em sua entrevista”. Desculpe, André, mas você parece alguém que, mesmo não sendo daltônico e todos à sua volta vendo que a parede é azul, fica insistindo: “Pra mim, ela é vermelha. Vocês podem dizer que a parede é azul, mas, pra mim, é vermelha. Sinceramente, ela é vermelha”. Desculpe, mas tenho que repetir: Será que estou conversando com alguém que tem dificuldade com a língua portuguesa? Será que estou falando grego, chinês ou polonês? Ou será russo? Nem preciso enfatizar que o livro diz quem é quem entre os principais proponentes desse neoliberalismo teológico. Ou você acha que vou citar em meu livro teólogos cujos posicionamentos discordo sem dizer quem eles são, o que pensam e porque estão errados? O que você acha que fiquei fazendo para preencher 304 páginas? Agora, se você tem alguma inabilidade de ver o óbvio, como se vê em sua análise sobre minhas respostas na entrevista, o que posso fazer? Será que não digo minimamente na entrevista, conforme o espaço permite, quem é, por exemplo, Stanley Grenz, Hans Wilhelm Frei, Wolfhart Pannenberg, Jürgen Moltman, Clark Pinnock e John Sanders, para que possa situar minimamente o leitor no assunto? Ou você é do tipo que quer que, no meio da entrevista, a pessoa escreva uma extensa biografia deles a cada nome mencionado? Quer saber mais quem são eles e o que pensam? Quer saber qual o problema com essa nova tendência (já que você nem acha a teologia liberal ruim e heresia)? Simples: Leia o livro!

Você me diz: “Os equívocos em evidência estão em todos os movimentos (pentecostais, reformados, neopentecostais, Igreja Emergente, neo-ortodoxia, liberalismo, teologia da libertação...). O problema é que vocês querem arrancar o cisco dos olhos do outro e não percebe a trave que está no seu”. Quem disse que nós, pentecostais, não fazemos auto-críticas? Eu não sou adepto da “denominacionalatria”. Falo isso, inclusive, no meu livro. Não enxergo gente de Deus só na Assembléia de Deus. Vejo homens e mulheres de Deus em várias denominações também. Vejo equívocos na AD e nas outras denominações, mas percebo também, tanto nela como nas outras denominações, gente que preza pela ortodoxia bíblica, pelas doutrinas bíblicas fundamentais, o que já não vejo na Teologia da Libertação e nos liberais. E todo mundo sabe que sou extremamente crítico do neopentecostalismo.

Você me diz que devo escrever sobre as igrejas emergentes brasileiras. Quem sabe? Porém, enquanto isso não acontece, o que já escrevi em artigos, como o da revista “Manual do Obreiro” (CPAD) do final do ano passado e no livro “A Sedução das Novas Teologias”, lançado em janeiro, já é bastante proveitoso, posto que as igrejas emergentes brasileiras seguem clara e assumidamente muitos dos pressupostos da IE dos EUA e Europa.

Você me diz: “Nossa [Seria ‘Nossa Senhora’?], você consegue enXergar liberalismo em tudo. Por que não admite que esses homens possuem uma teologia própria? Que pensaram? Creio que não seja Padilla e Escobar os liberais, mas você o ultra-mega-super-conservador. Padilla e Escobar estão mais para conservadores embutidos do que liberais, mas na verdade não são nem um nem outro. E quem conhece sabe. Você pelo visto não gosta do Brian, mas insiste em criticá-lo. Penso que o que você deixa de falar é mais notável do que o que fala”.

Sou teologicamente conservador, sim. Graças a Deus! E isso não é nenhuma novidade. Quem me lê há anos sabe disso. Padilla e Escobar começaram bem ao reverberarem a idéia de “missão integral”, que é bíblica, mas hoje estão mais próximos do pessoal da TL do que no início. Só não enxerga isso quem não quer. Ou você não sabe que há hoje, por exemplo, muitos liberais travestidos de evangelicalistas? Você nem consegue ver equívocos nos textos de Brian Mclaren! E ainda diz: “Penso que o que você deixa de falar é mais notável do que o que fala”. Como se eu escondesse o que penso! Quem me conhece sabe a minha franqueza. Quem lê meus livros e visita meu blog sabe disso. Agora, você quer me dizer que eu escondo as coisas porque não disse tudo em uma entrevista?????? Que absurdo! André, você medita mesmo no que escreve ou vai só digitando à medida que as frases pululam na cabeça? Você quer que eu fale além do que o espaço da entrevista me permite??? Você quer que eu transcreva todo um livro de 304 páginas em uma entrevista?!?! Quer saber? Leia o livro!

Outra coisa: no meu livro, eu não cito nomes de seguidores da IE no Brasil, apesar de enfatizar nele que já podemos ver muita gente adotando os pressupostos da IE e também combater contundentemente em cada capítulo os pressupostos por eles adotados nos últimos anos. Simplesmente porque o meu foco é atacar idéias erradas e não pessoas. Agora, claro que, inevitável e necessariamente, cito os nomes dos principais proponentes da IE no mundo, quem são e o que pensam, por causa da necessidade óbvia de explicar as origens da IE. Para uma obra que se propõe séria, isso é extremamente necessário. Se não, não é uma obra séria.

Finalmente, quero lembrá-lo que você tem todo o direito de gostar da teologia liberal, dizer que acha extraordinária a teologia liberal, achar maravilhoso ser “anarco-cristão” e muitas coisas mais. Porém, só não me venha com desonestidade intelectual, porque isso eu não admito. Não me venha com essa de dizer que eu disse o que eu não disse, que eu não disse o que disse e que eu cometi um erro de informação quando eu não cometi (como, por exemplo, no caso da Teologia da Libertação). Se eu realmente der alguma informação errada e alguém chamar a minha atenção para isso, agradecerei à pessoa e imediatamente procederei a retificação, como já fiz na minha vida. Mas, desonestidade intelectual não.

É isso.

No mais, fique com Deus!

André Amaral disse...

Silas Daniel,

não estou em casa no memento, mas quando chegar promete dá uma resposta mais digna.

Você fez afirmações falsas e interpretou muito mal minhas palavras. O que escrevi foi só uma resposta ao que você escreveu.

Por Favor, não entenda mal, só perguntei porque eu estava lá, e como faz um bom tempo, não tinha certeza se era você mesmo. As reticências não significa nada disso que você pensou. Das minhas perguntas, essa foi a mais inocente. Só perguntei pra saber e ter certeza de que era você mesmo. Viu que eu lembro até o tema? Então, não leve isso a mal. Não tem problema nenhum isso.

"...dizer que acha extraordinária a teologia liberal..."
Eu simplesmente não disse isso. Eu acho algumas coisas interessantes, da mesma forma que acho algumas coisas interessantes em todas as outras. Todas tem algo de bom.

"1) a afirmação de que teologia liberal não é ruim nem heresia; (2) que o Rubem Alves é neo-ortodoxia;"
Eu não disse isso também... e o post está logi acima, por favor, lei novamente! Rubem não é neo-ortodoxo, mas você sabe que ele bebeu da fonte.

"(3) que Igreja Emergente foi o termo que “os observadores que estão de fora aplicaram”, quando Brian Mclaren conta em seu livro “Uma Ortodoxia Generosa” como ele e Doug Pagitt criaram o nome Igreja Emergente;"
Talvez eu me expressei mal, mas eu estava sobre as igrejas emergente no Brasil. Esse termo é muito novo para descrever as comunidades alternativas aqui no brasil. As Igrejas Emergente que tem influencia direta do Brian, no meu ver, são igrejas tipo a do Gondim.

(4) que a Teologia da Libertação é boa teologia por causa das pastorais (assim como o espiritismo deve ser boa teologia por causa de suas muitas e belas obras sociais);"
Eu disse que ela é boa por causa das pastorais?
"Eu PROVO que é ruim."
Viva a diversidade de opiniões. enquanto você prova isso, milhares provam o contrário. Todos são tendenciosos.

Pergunto: Você leu o meu livro?
Como é chato responder o óbvio. Claro que não li! Você não percebeu isso em meus comentários?

Silas, você ainda não entendeu o que penso. O que penso se resume a teologia simples e anaquismo-cristão. Coisa, que pelo visto, você não sabe o que é. Sou biblicista, creio no credo, mas só desejo uma igreja mais simples, assim como era em atos.

Abraço.

Pedro Negret disse...

Obrigado pela resposta Gutierres!
Muito bom o artigo sobre unção!
Parabéns, que Deus continue abençoando esse blog como um canal de busca do conhecimento!

Abração!

Victor Leonardo Barbosa disse...

pelo que vi a coisa tá pegando fogo aqui. Muito bem, o ponto principal dos teólogos liberais é a questão da "revitalização teológica". Os liberais com cara de piedade e adornados com muito mais poesia do que teologia propriamente dita, não vêem que a doutrina cristã é simples e clara(clao que há alguns pontos om excessões como já disse anteriormente, tudo isso é querer inventar e não estar satisfeito com a suficiência de Cristo. Será que vamos ter que mudar tudo(inclusive os atributos imutáveis de Deus, que estão acima do tempo e de tudo aquilo que consideramos como novo?) para poder sermos felizes e "entendemos melhor a Deus?" Não creio. Devemos é nos alegrar na suficiência de Deus reelada na spáginas das Escrituras. E não partir para o liberalismo teológico, que coloca o Deus da Bíblia em xeque com colocações que Ele mesmo mostra não serem vedadeiras. É necessário para de ver a teologia como um processo em constante mudança. senão a veremos não mais como teologa, mas como areia movediça onde não podeemos mais no firmar.

Ednaldo disse...

A Paz do Senhor a Todos.

Mais um livro para por na minha estante.

Em Cristo,

Ednaldo.

Silas Daniel disse...

Caro André,

Espero que tenha aproveitado bem o feriado. Graças a Deus, os últimos cinco dias foram para mim maravilhosos na presença de Deus! Estive fora do Rio de Janeiro, ministrando em eventos que consumiram todo o meu tempo e, por isso, estive “desplugado” da blogosfera. Cheguei ontem e, só hoje, pude ver os comentários por aqui no blog do Gutierres.

Bem, aproveitando que você prometeu nos dar “uma resposta mais digna” quando voltasse, gostaria de ajudá-lo na elaboração da mesma. Nesse propósito, favor responder a algumas perguntas que se seguem e são decorrentes desta sua última intervenção neste espaço.

1) Você diz que fiz “afirmações falsas”. Que afirmações minhas são “falsas” e por que elas são “falsas”?

2) Você diz que interpretei erradamente algumas de suas afirmações. Quais delas, uma vez que você disse que ainda me dará "uma resposta mais digna"? (Aproveitando: No caso da referência que fiz à forma como você descreveu o fato de ter-me visto pregando na AD em Belo Horizonte, não asseverei nada sobre suas palavras, apenas questionei a forma como se referiu a esse fato, que foi bastante estranha para mim. Externei meu estranhamento pela forma como você se referiu a ele e perguntei o que você queria dizer ao se referir a essa experiência daquela forma. Uma coisa é afirmar que você com certeza queria dizer determinada coisa ali, o que não fiz; outra coisa é perguntar o que você queria dizer ao se expressar daquela forma, o que fiz com todas as letras. Pedi explicações. Obrigado por tê-las dado).

3) “...dizer que acha extraordinária a teologia liberal...”. Diante dessas palavras, você diz indignado: “Eu simplesmente não disse isso”. Mas eu não disse que você disse isso! O que afirmei claramente é que você pode até dizer que acha extraordinária a teologia liberal se quiser, pois este é um direito seu, só não pode vir com desonestidade intelectual como tem feito. Releia o texto, garoto. Talvez, assim, finalmente enXergue.

E falando de desonestidade, eis exemplos frescos em seu último comentário, quando você cita as minhas seguintes palavras: “1) a afirmação de que teologia liberal não é ruim nem heresia; (2) que o Rubem Alves é neo-ortodoxia”. Diante delas, você afirma indignado: “Eu não disse isso também... e o post está logi acima, por favor, lei novamente! Rubem não é neo-ortodoxo, mas você sabe que ele bebeu da fonte”. Ora, VOCÊ mesmo AFIRMOU que eu supostamente erro ao condenar a teologia liberal, porque eu estaria apenas partindo “DO PRESSUPOSTO DE QUE A TEOLOGIA LIBERAL É RUIM, HERESIA” (veja se não é exatamente isso que você me diz no final do seu “brilhante” tópico 1 de sua mensagem do dia 31 de janeiro), o que contestei afirmando que não pressuponho que a teologia liberal é ruim e heresia, mas mostro mesmo que ela é ruim e heresia. Ora, se, para você, alguém afirmar que a teologia liberal é ruim e heresia é algo errado, é ser tendencioso, pois tratar-se-ia apenas de uma pressuposição, logo devo concluir que você acha a teologia liberal boa (Não é este o significado de não-ruim?) e sadia e correta (Não seria este o significado de não-heresia?). Ou não? Estou interpretando “erradamente” ou será que você vai me dizer agora que, mais uma vez, se “expressou mal”?

Ora, inclusive o uso que fiz do termo “extraordinária”, para falar do seu direito de gostar da teologia que quiser, foi claramente para dizer que você poderia até ir além disso que você já demonstrara (achar a teologia liberal não-ruim e não-heresia), dizendo até que ela é extraordinária se você quisesse, posto que isto é, repito, um direito seu; você só não poderia (e não pode) vir com desonestidade intelectual pra cima de mim!

Porém, agora você me diz: “Eu acho algumas coisas interessantes [na teologia liberal], da mesma forma que acho algumas coisas interessantes em todas as outras [teologias]. Todas tem algo de bom”. Quer dizer que, agora, afirmar que a teologia liberal é ruim e heresia não é mais uma mera pressuposição. Apenas a teologia liberal não seria tão ruim e não seria tão errada assim como afirmo. Agora, para você, ela só teria “algumas coisas interessantes”, haveria algumas coisas “boas” nela, porque “todas [as teologias] tem algo de bom”. Favor, então, listar as coisas boas que existem na teologia liberal e por que você as considera boas.

Que coisas são boas na teologia liberal e por que você as julga boas?

E sobre o Rubem Alves, garoto, VOCÊ MESMO fez referência a essa história de que ele bebeu da neo-ortodoxia justamente para tentar se contrapor ao fato de eu ter mencionado o nome do Rubem Alves entre os teólogos liberais liberacionistas; inclusive, na mesma ocasião, você tentou dizer que o Bonino não é liberal porque ele se declararia evangélico (como se alguém dizer que é evangélico desfizesse tudo aquilo que a pessoa escreveu e ensinou até então e diante da qual, até onde consta, não voltou atrás uma vírgula). E você ainda me diz (em um dos momentos mais divertidos de seu último comentário): “Rubem não é neo-ortodoxo, mas você sabe que ele bebeu da fonte”!!!! O quê? “...mas você sabe que ele bebeu da fonte”!!! Eu sei que ele bebeu da fonte?!?!? Essa é boa! Desconheço isso, garoto. Imagino que, como teólogo que era, ele deve ter lido, sim, as obras dos neo-ortodoxos (mas, aí, é só a minha imaginação, é pressuposição), mas o que é fato sabido de todos é que sua teologia não é neo-ortodoxia, mas liberalismo, o que comprova que bebeu do liberalismo teológico.

4) Você diz que se “expressou mal” quando disse que o termo Igreja Emergente é uma invenção dos “observadores que estão de fora”, quando na verdade é uma invenção de Brian Mclaren e Doug Pagitt, como Mclaren conta em sua obra “Uma Ortodoxia Generosa”. Se “expressou mal”??? Ora, desde o começo estou falando da Igreja Emergente conforme conceituada por Mclaren (conforme falo na entrevista ao Gutierres), e você se sentiu incomodado com o que falei da Igreja Emergente (afirmei que é baseada no liberalismo teológico, é ruim e heresia) e, durante seu texto de insatisfação, confessou que faz parte de uma Igreja Emergente. Agora quer me dizer que se “expressou mal”?

5) Você criticou-me por ter mencionado que você afirmou “...que a Teologia da Libertação é boa teologia por causa das pastorais”. Você me diz: “Eu disse que ela é boa por causa das pastorais?” E não foi exatamente isso que você me disse? E como é que devemos, então, interpretar suas palavras: “A teologia da libertação é prejudicial a quem? Aos assistidos pelas pastorais?” (que se encontra no seu “brilhante” tópico 1 de seu comentário do dia 31 de janeiro). Por acaso aqui você não está querendo me dizer que a Teologia da Libertação não é prejudicial e não está citando as pastorais como exemplo? Ou será que você vai me dizer mais uma vez que se “expressou mal”?

6) Você afirmou: “Viva a diversidade de opiniões. enquanto você prova isso, milhares provam o contrário. Todos são tendenciosos”.

Que lindo! Quer dizer que se alguém diz que prova que algo é errado e outro diz que prova que a mesma coisa é certa, não podemos comparar as tais provas para sabermos qual delas realmente prova alguma coisa? Quer dizer que não existe verdade absoluta? “TODOS são tendenciosos”? André, você crê que existe verdade absoluta?

Pergunto: Se alguém te mostrar na Bíblia e pela lógica que algo em que você acredita está errado, você vai dizer que essa prova não vale? Se vale, então não é errado afirmar que “TODOS são tendenciosos”? E se realmente “TODOS são tendenciosos”, então não existe verdade absoluta? Então a sua própria “teologia simples” e seu “anarco-cristianismo” não seriam também tendenciosos, já que “TODOS são tendenciosos”? Ou será que você, mais uma vez, se “expressou mal”?

7) Sobre a pergunta “Você leu o meu livro?”, desculpe, mas tenho que repetir a minha pergunta incômoda: Você tem alguma inabilidade de entender a língua portuguesa ou você é mesmo desonesto intelectualmente? Em vez de citar isoladamente a minha pergunta “Você leu o meu livro?”, porque você não a cita dentro do seu contexto original? Releia o que escrevi, garoto, talvez assim você finalmente enXergue realmente o óbvio: “Pergunto: Você leu o meu livro? Se não leu, como é que diz então: ‘Quero ver você MOSTRAR que é enganação e que é ruim da mesma forma que você MOSTROU que ela nasceu na teologia liberal’. Você leu meu livro? Se tivesse lido, não diria uma tolice dessas, porque saberia que nele eu trabalho, ponto a ponto, todas as nuances de cada equívoco dos pressupostos do atual neoliberalismo teológico, à luz da Bíblia e da razão”. Indago: Será que eu estou sugerindo aqui que tenho alguma dúvida quanto a você ter lido o meu livro ou estou afirmando retórica e claramente que se você tivesse lido o meu livro não teria dito as tolices que disse? Volto a perguntar: Você tem alguma inabilidade de entender a língua portuguesa ou você é mesmo desonesto intelectualmente?

8) Por fim, se você se impressionou com minha estranheza em relação à sua definição do que seja “teologia simples” e à sua afirmação de que é “anarco-cristão”, e diz que eu nunca entenderei realmente o que seja essa teologia que você criou (e que objetiva retornar ao que a Igreja era em Atos), então, por favor, ajude-me a entendê-lo melhor, a mudar essa má impressão: Em que os princípios anarquistas têm a ver com o cristianismo bíblico? Qual a relação entre o anarquismo e o cristianismo bíblico? Qual a relação entre o anarquismo e a Igreja Primitiva em Atos dos Apóstolos? Mostre na Bíblia que os apóstolos foram “anarquistas cristãos”. Mostre-nos na Bíblia em que a Igreja Primitiva de Atos dos Apóstolos se parece com o “anarquismo cristão”.

Estou ansioso por sua “resposta mais digna”.

P.S.: Ah, sim! Como você disse, “o que eu escrevi foi só uma resposta ao que você escreveu”.

André Amaral disse...

Silas,

seu último comentário foi vergonhoso!

Não sei porque você insiste tanto para eu explicar como o anarquismo pode ter haver com o cristianismo. Este não é o assunto em debate! E depois eu sou o desonesto, intelectualmente falando...

Mas irmão, quero lembrar que tenho um nome, e quem sabe ler e não tem problemas com o português é capaz de enXergar que meu nome é André! Garoto não é meu nome...

1º)"E sobre o Rubem Alves, garoto, VOCÊ MESMO fez referência a essa história de que ele bebeu da neo-ortodoxia justamente para tentar se contrapor ao fato de eu ter mencionado o nome do Rubem Alves entre os teólogos liberais liberacionistas; inclusive, na mesma ocasião, você tentou dizer que o Bonino não é liberal porque ele se declararia evangélico (como se alguém dizer que é evangélico desfizesse tudo aquilo que a pessoa escreveu e ensinou até então e diante da qual, até onde consta, não voltou atrás uma vírgula)."

Sobre o Rubem achei desnecessario comentar que ele teve fases, pensei que você sabia. No principio, quando ele ainda era protestante, ele teve uma forte influciência da neo-ortodoxia em seus escritos. Basta você ler algum artigo dele escrito na época.
É surpreendente você dizer que Bonino não é liberal, pois ele mesmo afirmou ser somente evangélico quando foi acusado de ser Barthiano.

Bom, gostaria de fazer uma ponderação que está ligadaa ao assunto em debate.

1º) O termo teologia do 3º Mundo descreve melhor a teologia da libertação em suas varias formas. Pois ela nasceu no contexto 3º Mundista. Isso explica melhor o que você quis dizer sobre ela ter nascido na Europa (apesar de não ter nascido lá). É que pode ter sido na Europa, mas foi por pessoas do nivel do 3º Mundo.

2º)"...a sua própria “teologia simples” e seu “anarco-cristianismo” não seriam também tendenciosos, já que “TODOS são tendenciosos”? Ou será que você, mais uma vez, se “expressou mal”?"

Sim. São tendenciosos. Não. não me expressei mal. Você que não foi capaz de entender.

A resposta mais digna vai ter que ficar para um outro debate em que esctiver em voga os assuntos que você tanto insiste em me perguntar.

Abraço.

Paulo Silvano disse...

Caro Gutierres,
Que a paz do Senhor seja contigo. Parabéns pela postagem. Parece-me que o André "jogou a toalha". Se o fez agiu com a grandeza daqueles que, quando entendem que é chegado o momento de encerrar um debate que não leva a lugar nenhum, o fazem.
Entendo isso como verdade depois de ler a recomendação do pastor Ricardo Gondim, em
http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=65&sg=0&form_search=&pg=1&id=1689

Mesmo não assumindo integralmente os conselhos do pastor Gondim, cheguei a conclusão que as recomendações tratam de um alerta valioso àqueles que atentam para o Conselho superior ao do Gondim:
"não se ocupem com fábulas e genealogias sem fim, que antes promovem discussões do que o serviço de Deus, na fé" (1 Timóteo 1:4); "Evita discussões insensatas, genealogias, e contendas, e debates sobre a lei" (Tito 3:9).
Não ignoro que devamos respeitar a disposição dos irmãos em questão de polarizarem o debate, apenas creio que a consecução desse feito deva ser feita em outros espaços (talvez nos blogs dos interessados). Digo isso porque percebe-se, diante de polarizações como essa, a sintomática "fuga" de comentários de outros irmãos.

Um abraço
pr Paulo Silvano

Silas Daniel disse...

Caro André,

Chamar um garoto de garoto não é demérito. É uma constatação. Sua idade me permite chamá-lo de garoto. O Gutierres, por exemplo, é um garoto também. Agora, minha insistência em chamá-lo de garoto, o que o incomoda naturalmente (garotos não gostam de ser chamados de garotos), é para lembrá-lo que sua atitude é própria da sua idade. Seus posicionamentos reacionários não diferem em nada do espírito de muitos garotos de sua idade. Simplesmente, sua posição só me leva a lembrá-lo que é um garoto. Já o Gutierres (só para citar um exemplo), que é um garoto como você, surpreende-me constantemente justamente porque ele, para a idade que tem, demonstra, em seus posicionamentos sobre alguns assuntos, uma maturidade que o faz sobressair ente os garotos de sua idade. E não sou apenas eu que constato isso. Muitos colegas também. Gutierres não me faz lembrar que ele é um garoto, por mais que ele o seja. Porém, suas palavras, André, fazem-me lembrar o tempo todo que estou conversando com um garoto.

Agora, você prometeu dar-me "uma resposta mais digna" e, pelo jeito, acaba de abdicar de fazê-lo. Não faça isso, garoto (ops, André)! Promessa é dívida! Não esquive-se agora!

Você tenta justificar sua esquiva dizendo-me que o fato de eu ter perguntado sobre o "anarquismo cristão" demonstra dispersão minha em relação ao assunto. Como se eu só tivesse perguntado isso! E como se o fato de eu ter perguntado sobre o assunto não tivesse lastro em algo que você disse. Primeiro, a pergunta é claramente fruto de você ter me dito que eu nunca iria compreender o seu "anarquismo cristão" e se recusado a definir o que é "anarquismo cristão" (somente limitando-se a dizer que é uma volta ao que a Igreja era em Atos – Pergunto: Como assim?). Como compreender, se você não explica? E em segundo lugar, a pergunta sobre o "anarquismo cristão" foi só minha última pergunta. Onde está a resposta às outras perguntas? E onde está minha prometida "resposta mais digna"?

Quer que eu lembre as outras perguntas que fiz? Deixe-me lembrá-lo de algumas: A primeira foi: "Que afirmações minhas são 'falsas' e por que você as julga 'falsas'?
A segunda: "Você diz que interpretei erradamente algumas de suas afirmações. Quais delas, uma vez que você disse que ainda me dará 'uma resposta mais digna'?" Outra: "Que coisas são boas na teologia liberal e por que você as julga boas? Favor listar as coisas boas que existem na teologia liberal e por que você as considera boas".

Está se lembrando agora ou quer que eu copie toda a minha última postagem e a cole aqui?

E o pior de tudo isso é que você diz que o que escrevi foi "vergonhoso!" O que é que é "vergonhoso" no que escrevi? O quê? Diga que afirmações são "falsas" e por que você as julga "falsas". Diga o que interpretei erradamente.

Sobre Ruem Alves, você diz: "...achei desnecessario comentar que ele teve fases, pensei que você sabia; no princípio, quando ele ainda era protestante, ele teve uma forte influciência [quis dizer “influência”, imagino] da neo-ortodoxia em seus escritos. Basta você ler algum artigo dele escrito na época". Que artigo? Pelo jeito, você já deve ter lido textos dele antes do livro "Da Esperança" (1968)? Se você tem essas raridades, mostre-as. Cite um artigo neo-ortodoxo dele dessa época, André, para que eu possa conhecê-lo. Mostre-me seus textos neo-ortodoxos. Ou cite-me pelo menos a fonte para que eu possa verificar.

E o que dizer desta afirmação: "É surpreendente você dizer que Bonino não é liberal"...

NÃO É LIBERAL!?!? Eu disse justamente que ele é liberal! Como é que você, além de tudo que eu já tinha dito sobre o Bonino, lê isto - “...na mesma ocasião, você tentou dizer que o Bonino não é liberal porque ele se declararia evangélico...” - e afirma aquilo? Depois você se indigna quando pergunto se é hábito seu se expressar mal. Depois acha estranho quando digo que você costuma dizer que eu disse o que não disse e que eu não disse o que disse. E mais: "...pois ele mesmo afirmou ser somente evangélico quando foi acusado de ser Barthiano". Bonino é assumidamente liberacionista! Ele se inclui entre eles e seu nome está listado entre os liberacionistas pelos próprios liberacionistas. E quando Bonino foi acusado de ser barthiniano? Onde você leu isso? Cite a fonte.

Há pouco tempo, um amigo meu me disse: "Silas, não sei como você tem paciência de conversar na blogosfera com gente com inabilidade para entender os assuntos tratados; gente que diz cada tolice e você ainda fica discutindo a tolice absurdamente evidente que eles insistem em afirmar; gente que se faz de entendedor do assunto, mas nem sabe direito o que é que está sendo tratado. Pseudo-entendedores, que existem aos montes na Internet. É pura perda de tempo conversar com gente desse tipo. Simplesmente, ignore esse pessoal!"

Pois é, às vezes penso seriamente sobre o que esse meu amigo disse. Principalmente quando leio coisas do tipo: "O termo teologia do 3º Mundo descreve melhor a teologia da libertação em suas varias formas. Pois ela nasceu no contexto 3º Mundista. Isso explica melhor o que você quis dizer sobre ela ter nascido na Europa (apesar de não ter nascido lá). É que pode ter sido na Europa, mas foi por pessoas do nivel do 3º Mundo". O quê? Não acredito que li isso! Esfrego meus olhos e releio: "Isso explica melhor o que você quis dizer sobre ela ter nascido na Europa (apesar de não ter nascido lá). É que pode ter sido na Europa, mas foi por pessoas do nivel do 3º Mundo".

O que dizer diante de tal afirmação? E o que dizer das outras tantas afirmações suas de igual qualidade gravadas por você aqui, neste espaço de comentários? O que dizer?

São afirmações e raciocínios tão "brilhantes" que o melhor a fazer diante deles é... emudecer! Há afirmações que seu conteúdo é tão tolo, tão absurdo, que mais absurdo ainda é tentar comentá-lo. Elas são um testemunho gravado, para todos que passam por este blog e o lêem, da tolice de quem assinou essas palavras.

Vai cumprir a promessa de “uma resposta mais digna” ou devo ignorá-lo definitivamente já?

Silas Daniel disse...

Caro pastor Silvano,

Só hoje percebi que o irmão havia postado um comentário também. Entendo sua colocação, mas quero apenas lembrá-lo que Gutierres, o dono deste blog, autorizou minha intervenção aqui (em comentário no dia 31 de janeiro) depois que fui citado e atacado desonestamente, com afirmações absurdas, por um de seus leitores, que se ressentiu com minhas afirmações na entrevista referentes a alguns posicionamentos com os quais ele simpatiza e sobre os quais discorro em meu livro. Portanto, não foi nenhuma intervenção descabida nem desautorizada. Agora, o que hoje concordo, depois de alguns conselhos de amigos, é que minha insistência com o André seja perda de tempo. Não porque discussões sejam, em si, perda de tempo; mas porque algumas discussões são (ou se tornam), sim, perda de tempo. E por razões já explicitadas.

Abraço!

André Amaral disse...

Silas,

É só porque prometi que estou lhe respondendo.

Isso porque concordo com seu amigo.

Você pode me chamar do que quiser, mas ao contrário de você, costumo chamar as pessoas pelo nome e não pela idade que ela tem. Mas te pergunto por mera curiosidade, pra que me lembrar que sou um garoto? Eu sei bem quem Sou e, portanto, não preciso de pessoas tentando me lembrar. Se sua intenção era ajudar (será?) dispenso, isso é tão ridículo quanto suas afirmações do tipo teologia liberal = teologia da libertação.

1º) Oras, se não estamos debatendo anarquismo-cristão, por que você tanto pergunta o que é? Por sinal, creio que você deveria entender melhor do assunto do que eu, pois você não é um garoto, e eu sou, será que um GAROTO, que segundo você não entende dos assuntos, pode te explicar algo tão subversivo como a anarquia-cristã?
Você escreveu um livro para criticar “novas teologias” e não sabe o que anarquismo-cristão, isso mostra que você está um pouco desinformado sobre as novas tendências que você insisti em chamar de modismo. Um termo que por sinal você emprega de forma incorreta... Pelo o que percebi você não saiu do Abc em seu livro e vem me dizer que sou desinformado... Como disse o poeta João Alexandre “... são variações do mesmo tema... Meras repetições...”.

2º) “Que afirmações minhas são 'falsas' e por que você as julga 'falsas'?”.
As afirmações que você fez sobre a minha pessoa. Leia de novo o meu post de número 4. Parece que você não entendeu o que quis dizer mais uma vez...

3º)"Que coisas são boas na teologia liberal e por que você as julga boas?”.
Não sei pra que você tanto insiste nisso. Assunto irrelevante no meu ver. A teologia liberal propõe questões além do nascimento-morte-ressurreição: O Kerigma... Mas isso fica para uma outra oportunidade.

4º) “o pior de tudo isso é que você diz que o que escrevi foi "vergonhoso!" O que é que é "vergonhoso" no que escrevi? O quê?”
Tudo! Principalmente as partes que você ficou tentando me atacar pessoalmente...

5º) “Que artigo? Pelo jeito, você já deve ter lido textos dele [Rubem Alves] antes do livro "Da Esperança" (1968)?”.
Sim, já li. Publicado em 1963 com o titulo de “Milagre”. Baseado em Emil Brunner e outros. Parece que você está desinformado, não acha?

6º) E o que dizer desta afirmação: "É surpreendente você dizer que Bonino não é liberal"...
Podemos dizer que estava com muito sono quando escrevi isso. Nem prestei atenção nessa falha tão horrível. Mas você apesar de saber o que quis dizer aproveitou a brecha. Foi um erro, a palavra NÃO, não deveria está ali por questões lógicas que qualquer um que possui habilidade com leitura é capaz de entender, repito, errei.

7º) “E quando Bonino foi acusado de ser barthiano? Onde você leu isso? Cite a fonte.”

Leia o Livro “Rostos do Protestantismo Latino-Americano” e também Samuel Escobar “Missiologia Evangélica: Olhando para o futuro na virada do Século”.

Observe essa citação que faço do livro de Bonino citado acima:

“Já fui catalogado diversamente como conservador, revolucionário, barthiano, liberal, catolizante, moderado, liberacionista. É provável que tudo isso esteja certo. Não sou eu quem tem que se pronunciar a respeito. Porém, se tento definir-me em meu foro íntimo, o que “sai de dentro de mim” é que sou evangélico. BONINO, J. M. Página 5. Editora: Sinodal e EST. 2003.

O livro foi publicado em 1997 em inglês, conforme citação de Samuel Escobar.

Agora por favor, cite sua fonte...

8º) Qual o problema com o termo teologia do 3º mundo? Sinceramente não consegui entender porque você se espantou. Eu que estou espantando em você ter se espantado! Indico que leia “Missão Transformadora. Mudança de Paradigmas na Teologia da Missão” de David Bosch. Vai ler um livro escrito em 1991 por um sul-africano que tratou de refutar suas afirmações (na verdade especulações) sobre a teologia da libertação. Se você já leu o livro, posso concluir que você não entendeu nada. Se não leu, é leitura altamente recomendada.

9º)“...gente que se faz de entendedor do assunto, mas nem sabe direito o que é que está sendo tratado.”

Prefiro que pense que sou analfabeto, um simples garoto do interior, morador de morro e sem formação acadêmica.

10º) Vai cumprir a promessa de “uma resposta mais digna” ou devo ignorá-lo definitivamente já?
Não precisa me ignorar definitivamente...

“Há afirmações que seu conteúdo é tão tolo, tão absurdo, que mais absurdo ainda é tentar comentá-lo”.

Idem...

Em Cristo,

André Amaral Duarte.

Silas Daniel disse...

Caro André,

Só você para fazer com que, depois de um dia de trabalho, eu gaste alguns minutos preciosos da minha vida numa discussão sem sentido e, antes de assistir minhas últimas aulas de hoje na faculdade (a “maratona” hoje vai, como nos outros dias da semana, até às 23h), gaste o intervalo para concluir esse texto que comecei a digitar antes das primeiras aulas. Não se faça de vítima nessa hora! Você agiu como um garoto e por isso chamei você de garoto (Preciso explicar isso de novo?). Comporte-se diferentemente e terá outro tratamento.

E você ainda age como se eu fosse o algoz e você a vítima! Você começou me atacando e, depois de tudo isso, além de se indignar com minha provocação, ainda acha que eu tenho que aceitar seus ataques normalmente? Quer dizer que você pode me atacar à vontade e eu devo aceitar sempre todos os seus ataques? É assim que funciona? Fui eu que comecei essa discussão? Fui eu que comecei atacando você?

Você diz que dispensa minha “ajuda”, porque eu disse provocativamente que queria “...ajudá-lo a lembrar...”. Quem disse que estou “ajudando” você aqui? É óbvio o uso irônico do termo! Você, por exemplo, está querendo me “ajudar”? Aliás, eis a razão principal porque essa discussão não tem sentido algum! Essa conversa não é uma interação enriquecedora, não começou como uma discussão sadia, mas é um infinito ataque-defesa-ataque-defesa-ataque-defesa, etc, etc, etc. Você me atacou, defendi-me dos seus ataques; você reagiu tentando justificar e sustentar seus ataques (e não se desculpando) e eu, em seqüência, respondi à sua insistência. E ficamos nesse círculo sem fim. Que debate “frutífero”!

Meus colegas já me alertavam de início, mas, como bobo, fui “dando corda” a esse debate sem sentido... Diziam-me: “Ignore, Silas! Ignore!” E eu: “Mas vou deixar uma tolice dessas ser dita contra mim?” E eles: “Não vale a pena”. Vale?

Você acha que o que o liberalismo teológico tem de bom são as questões levantadas em relação ao kerigma, quando o que os liberais entendem do kerigma choca-se com o que as Escrituras afirmam sobre o kerigma. Você diz que Teologia da Libertação não tem nada a ver com teologia liberal. Você não acha Emil Brunner um teólogo liberal (pelo que depreende-se de sua afirmação sobre o tal artigo de Rubem Alves), só porque o nome dele é eventualmente associado à neo-ortodoxia, quando, sabe-se, Brunner discordava de muitas posições de Barth, e não no sentido de ser mais ortodoxo que ele nesses pontos, mas de ser mais liberal que Barth nos tais pontos. Os especialistas o classificam como um teólogo cuja teologia fez rápida “transição” da neo-ortodoxia (liberalismo numa versão mais light) para o liberalismo. Sua neo-ortodoxia cedeu em alguns pontos mais do que Barth. Inclusive, já que você falou de “milagres”, Brunner não cria nos milagres da Bíblia como reais, sobrenaturais, mas como aparentes milagres que poderiam ser explicados racionalmente. Também não cria na existência de demônios. Ele afirmou isso, inclusive, nas primeiras páginas do volume II de sua obra “Dogmatics” (como estou fora de casa, tive que recorrer agora à internet para ser mais preciso na citação da fonte; ele afirma isso exatamente na página 135 do volume II de “Dogmatics”, publicado pela Lutterworth Press , de Londres, em 1952). Inclusive, quando Brunner começou a ensinar isso, quando abriu mão da doutrina dos milagres, Barth o combateu!

Você me chamou, em um dos seus primeiros comentários, de super conservador porque afirmo que a neo-ortodoxia é liberalismo. Quem gosta dessas supostas gradações no conservadorismo (meio conservador, mais ou menos conservador, pouco conservador, muito conservador, hiper conservador) é liberal. Esse negócio de coisa cinzenta (“é, mas não é”) é coisa de liberal. Ou você conserva todas as doutrinas bíblicas fundamentais mesmo ou você não é um conservador de fato. Ou você é ortodoxo ou você não é. Por exemplo: Para você, a neo-ortodoxia seria o quê? Uma ortodoxia “diferente”? Uma “ressurreição” da ortodoxia? Neo-ortodoxia é a tentativa de criar um híbrido entre a ortodoxia e o liberalismo (a tal dialética...). É, portanto, como já disse, liberalismo numa versão light para determinados paladares. É pra quem gosta de posicionamentos cinzentos. Pra quem não abre mão de relativizar alguns absolutos.

Outra coisa: Você chama de “afirmação falsa” aquilo que, em vez de asseverar, eu estava questionando (o significado da forma como você se expressou quando disse ter me visto pregar em BH). E como se não bastasse isso, esquece (será?) que você falou que fiz “afirmações falsas” (plural) e, quando disse isso, prometeu-me uma “resposta mais digna”. Ou seja, segundo sua afirmação no seu comentário 4, eu havia escrito várias falsidades que você iria mostrar.

Sobre Bonino (Antes de tudo, obrigado por ter citado a fonte!), não me lembro de ter lido até hoje nenhum crítico dele acusá-lo de ser barthiano. Mas de liberacionista, liberal, etc, já e várias vezes. A fonte? Como não estou em casa, posso citar, por hora, pelo menos o que está à mão: http://pt.wikipedia.org/wiki/Teologia_da_liberta%C3%A7%C3%A3o (ver lista de teólogos da TL – entre eles, logo depois de Boff, Bonino); pode ler também um artigo do batista Ray Hundley sobre os perigos da Teologia da Libertação, onde cita Bonino como liberacionista (http://www.baptistpillar.com/bd0136.htm); e se você quiser ler um dos tantos artigos liberacionistas e ecumênicos de Bonino, o endereço é http://homepage.accesscable.net/~dpoirier/sfo83txt.htm (está em inglês). Ah, sim! Há um livro em inglês com o título bem sugestivo, que é o seguinte: “A critique of liberationist exegesis of the Gospel of Luke as reflected in the writings of Jose Miguez Bonino, Leonardo Boff, and Gustavo Gutierrez”. O livro é de 1992 e de autoria do professor Sergio Antonio Estrada, PHD em Teologia e professor do Southwestern Baptist Theological Seminary, nos EUA. Ah, tem também o livro “A critical analysis of liberation theology in the works of Jose Miguez Bonino and Ronald J. Sider”. Sugestivo o título, não é? É de 1986 e de autoria do também PHD em Teologia, o professor norte-americano Roy Bissell Cooper. Interessante como ainda não encontrei nenhum livro com o título “Uma análise crítica do barthianismo (ou da neo-ortodoxia) nos escritos de Jose Miguez Bonino e de fulano, beltrano e cicrano”. Estranho...

Mas, voltemos à tal acusação de ser “barthiano”. Se Bonino diz que alguém já o acusou de ser barthiano, mesmo que desconheçamos quem (pois o que é sabido de todos é que há escrito sobre ele quilos e mais quilos de páginas que mostram e criticam seu liberacionismo, e não seu suposto barthianismo), não tem problema: fiquemos com a palavra de Bonino. Afinal, é ele quem diz, ok? Presume-se, então, que alguém deve ter acusado ele alguma vez disso. Agora, o mais interessante de tudo é esta afirmação dele: “É provável que tudo isso esteja certo. Não sou eu quem tem que se pronunciar a respeito. Porém, se tento definir-me em meu foro íntimo, o que ‘sai de dentro de mim’ é que sou evangélico”. É como já havia dito antes: o fato de alguém dizer que é evangélico e ensinar exatamente doutrinas que vão de encontro (e não ao encontro) do que ele diz não prova que ele seja evangélico. Uma coisa é dizer que é e escrever, ensinar e defender o que diz crer, e outra bem diferente é dizer que é e escrever, ensinar e defender doutrinas que divergem totalmente de sua afirmação. Ou você acha que são sem sentido e à toa as acusações contra ele? Seria uma conspiração contra Bonino? Não, pelo contrário. Ele mesmo diz: “É provável que TUDO isso esteja certo”.

Inclusive, por exemplo, como já disse, muitos ditos evangelicalistas são, na verdade, liberacionistas travestidos de evangelicalistas. Citei, alguns, deles em comentário mais antigo aqui. Você deve lembrar. Um deles é justamente autor de um dos livros que você cita. Lembra-se?

Você diz: “Qual o problema com o termo teologia do 3º mundo? Sinceramente não consegui entender porque você se espantou. Eu que estou espantando em você ter se espantado!” Não, você não entendeu. Ou pelo menos finge que não entendeu (a esta altura, sabe-se lá qual das duas alternativas é a correta: não entendeu ou finge que não entendeu. Isso me evoca a velha pergunta incômoda, mas prefiro omiti-la aqui, para que não se sinta mais uma vez ofendido). É que, na sua frase, você diz que eu disse que a teologia da libertação nasceu na Europa, quando não disse isso. Você disse-me: “Isso explica melhor o que você quis dizer sobre ela ter nascido na Europa (apesar de não ter nascido lá)”. Ora, eu falei mais de uma vez que a TL nasceu entre católicos na América Latina, mas que as raízes da TL, o que se chama de proto-liberacionismo, estão ligadas aos escritos do alemão Moltman, do francês Paul Gauthier e no Movimento dos Trabalhadores Católicos lá na Europa (dos anos 30) e na organização católica de trabalhadores cristãos jovens franceses, como alguns historiadores frisam. Inclusive, nos comentários anteriores onde falei disso tudo, fiz questão de frisar a distinção entre proto-liberacionismo e liberacionismo de fato, sistematizado por Gutiérrez. Se lembra que, no dia 1 de fevereiro, citei como ponto 11 de suas muitas afirmações auto-contraditórias essa, que você repete? Deixe-me refrescar sua memória: “...(11) que ao mencionar raízes européias da ideologia da TL, ao mencionar o proto-liberacionismo já na Europa, que são fatos mencionados por historiadores, eu estaria desfazendo o fato de que a TL nasceu, de fato, na América Latina, mesmo tendo referido-me à obra de Gutiérrez como marco inicial da TL (como se não houvesse diferença entre proto-liberacionismo e liberacionismo de fato; raízes e início de fato)”.

São repetições de contradições como essa que mostram gritantemente que essa discussão com você é totalmente sem sentido. Você repete o erro, corrijo e você repete de novo, e assim ficamos em círculos.

A única novidade mesmo nessa sua afirmação foi você, além de ter dito aquilo, ter acrescentado que “pode ter sido na Europa, mas foi por pessoas do nivel do 3º Mundo”. Foi mais propriamente diante de tal afirmação que resolvi emudecer. Preciso dizer por quê?

Sobre as palavras “...gente que se faz de entendedor do assunto, mas nem sabe direito o que é que está sendo tratado”, ditas por um colega meu a mim sobre a situação, você, em seu espírito de vítima, já diz: “Prefiro que pense que sou analfabeto, um simples garoto do interior, morador de morro e sem formação acadêmica”. André, alguém pode ser o melhor engenheiro mecânico do mundo, com cursos avançadíssimos feitos no exterior, e não entender nada de teologia. Com isso, posso dizer que ele é um analfabeto? Não! Apenas que ele não entende do assunto. Agora, há muitos irmãos que não sabem escrever bem, alguns são garotos do interior e moradores de morro, não têm formação acadêmica, mas conhecem a ortodoxia bíblica e prezam por ela. Não é uma questão de ter formação acadêmica ou de saber escrever bem. É de conhecer mesmo o assunto tratado ou não. Outro dia, uma pessoa me disse: “Se houvesse mais crentes com curso superior nas igrejas, haveria menos cristãos aderindo a heresias”. Engano! O que há de crentes médicos, advogados, professores de Literatura, etc, que aderem a heresias por aí não está no gibi. Inclusive heresias neopentecostais. Não é uma questão de ter curso superior ou de escrever bem, mas de entender mesmo o assunto tratado. E minha implicância com seu texto é que você vive se expressando mal (já se desculpou duas vezes por isso) e também dizendo que eu disse o que eu não disse e que disse o que não disse. Aí, quando, além disso (perceba: não “por isso”, mas “além disso”), o texto não vem bom, vem cheio de erros e truncado, a tal pergunta incômoda fica implorando no minha mente para ser feita. Você sabe de qual estou falando. Aquela da inabilidade...

Na sua idade, André, muitas vezes nos impressionamos com muitas coisas que lemos, achamos o máximo discursos subversivos e, tempos depois, quando lemos um pouco mais e ponderamos mais, descobrimos que muitas das coisas que achávamos o “máximo” quando líamos, não tinham apoio sólido na Bíblia, no verdadeiro Evangelho como apresentado nas Sagradas Escrituras. Quando tinha 15, 16 anos, impressionava-me com textos do pessoal da Teologia da Libertação e de outros teólogos liberais (Sim, porque a Teologia da Libertação é uma teologia liberal!), mas logo percebi os erros que residiam nos textos deles. Você ainda não tem essa percepção hoje, infelizmente. Mas oro para que perceba mais à frente.

A Bíblia diz que, certa vez, quando Eliseu estava em Dotã, o rapaz que o servia, levantando-se de manhã bem cedo, viu o exército inimigo que cercara a pequena cidade à noite e, desesperado, foi contar o que viu a Eliseu. Depois de ouvi-lo, Eliseu até tentou convencer o rapaz que não havia motivo para preocupação, porque Deus estava com eles. Mas como convencer aquele moço desse fato? Tentar convencê-lo naquela hora seria em vão. O que fez Eliseu? Em vez de tentar inutilmente convencê-lo, ele orou para que Deus abrisse os olhos do moço para que visse o que o profeta estava vendo. Então, Deus abriu os olhos dele e Eliseu não precisou explicar nada. Isso está lá em 2Reis 6, se não me falha a memória. Pois é, há situações que discutir não vale a pena. O recomendável é apenas orar: “Senhor, abre os olhos do moço para que veja o que o Senhor já me mostrou!”

Essa vai ser a minha atitude agora. Em vez de ignorar, como alguns amigos me sugeriram, vou orar por você, André. Em vez de ficar “batendo boca” inutilmente com você para mostrar os erros de suas condescendências diante de teologias espúrias, irei orar por você. Tenho certeza que você é um jovem que, como eu e tantas outras pessoas, ama a Jesus. Apenas tem se impressionado com alguns discursos teológicos subversivos por aí. Desejo o melhor para você e uma percepção mais abrangente das verdades divinas, uma percepção que ilumine melhor o seu entendimento do Evangelho. Nem tudo é relativo.

Abraço!

Teologia Simples disse...

Silas,

do mesmo modo que você recebeu recomendações de seus amigos eu também recebi dos meus. Se você acha que preciso de oração porque estou sendo "seduzido" por novas teologias, por favor, não perca seu tempo orando por isso. Como já te disse, viva a diversidade de opiniões. Se você pensa que é o correto, tudo bem, tem mais mil que pensa ao contrário. Se você escreveu um livro para provar isso, tudo bem, mas tem muitos outros que estão em um nível de conhecimento mil vezes superior ao nosso que prova ao contrário.

Vocês conservadores(e não pense que sou liberal ou qualquer outra coisa)sempre com a razão em tudo e sobre todos...

Então ser subversivo é coisa de garoto... Tente explicar para os tantos teólogos que não são garotos (como eu).
O que você diz é totalmente contraditorio, Silas. Esse papo de bíblicamente correto quando se faz parte de uma denominação que está empregnada de práticas de práticas anti-bíblicas não cola comigo. Não vai achando que acredito em teologia liberal, libertação, neo-ortodoxia, pentecostal ou o que for, como a verdade teológica. Só entrei nesse debate porque pensei como você e no final cheguei a mesma conclusão que você. Perdi meu tempo com você, perdi noites para te responder...

"Inclusive, já que você falou de “milagres”, Brunner não cria nos milagres da Bíblia como reais, sobrenaturais, mas como aparentes milagres que poderiam ser explicados racionalmente".

Você por acaso leu o artigo de Rubem Alves? Se leu, deve ter esquecido...

Parece que você divide a teologia somente entre liberais e ortodoxos. Citei um monte de teólogos que estão entre os círculos envagélicais-radicais... o observador logo percebe que de missiologia você não sabe é nada e insiste em dar palpite.

Cansei desse papo furado. Continue orando por mim, mas por outros motivos.

Enfim, foi um prazer "se fazer de entendendido".

Abraço.

Ricardo Vitorino do Nascimento disse...

Olá pessoal,

Não vou me apresentar me "rotulando" como sou isso ou sou aquilo, porque não sou refrigerante ou cerveja pra ser rotulado, vou me limitar a comentar sem tomar partido.

Me refiro à polêmica gerada em torno da questão cristianismo x anarquismo citado como modismo...

Bem se é ou não um modismo o anarquismo cristão ou cristianismo libertário, não é a minha questão, o que pretendo é apenas demonstrar o que um leigo como eu sabe que em minha opinião pessoas com formação teológica teriam a obrigação de ter conhecimento.

Como o fato de:

Soren Kierkegaard (1813-1855) já se posicionar contra o estado e a igreja (instituição),como em "Ataque à Cristandade" e "Escola doCristianismo" e ser reconhecido como um dos pais do anarquismo cristão, embora o mesmo jamais tenha se auto-intitulado anarquista ou coisa que o valha, estando mais próximo do que Schaeffer chama de co-beligerantes.

Leon Tolstoi (1828-1910) dispensa comentários, basta citar o título de seu livro "Anarquismo e Cristianismo", manteve diálogo com reconhecidos anarquistas como Proudhon e Kropotkin, tambem nunca se auto-definiu como anarquista, porem é um dos maiores influenciadores desta linha de pensamento, tendo influenciado Ghandi e Martin Luther King entre outros.

Jacques Ellul (1912 – 1994) Teólogo, Filósofo e Sociólogo, tambem autor de um livro institualdo "Anarquia e Cristianismo", foi militante anarquista antes de sua conversão ao cristianismo reformado francês.

Historicamente os ideias do pretenso anarquismo cristão são encontrados nos seguintes movimentos:

Anabatistas
Mennonitas
Amish
Quakers
Huteritas
Taboritas
Morávios
alguns dissidentes ingleses
Doukhbors
Movimento de Trabalhadores Católicos


Principais pensadores que influenciarama o anarquismo cristão:

Soren Kierkegaard
Henry David Thoreau
Leon Tolstói
Nikolai Berdayev
Ammon Hennacy
Jacques Ellul
Dorothy Day
Watchman Nee
Mário Ferreira dos Santos

Como havia comentado, não tenho a pretensão de defender o anarquismo ou anarquismo cristão, só acredito que todo debate honesto deve estar embasado em conhecimento do que se trata.
Sinceramente eu fico pasmo com o fato de um leigo como eu conhecer estes fatos e teólogos, filósofos, etc não conhecerem.

Sei que o debate já havia se encerrado, talvez exatamente por falta de conhecimento, no entanto achei necessario esclarecer estes pontos.

Grato
Ricardo Vitorino do Nascimento