segunda-feira, 16 de junho de 2008

Por uma escatologia menos hollywoodiana Parte 01

Ao discutir escatologia com muitos cristãos, principalmente os dispensacionalistas, tem-se a impressão que a temática é de algum filme de terror. A grande ênfase recai na Grande Tribulação e nos seus males aos crentes que vacilaram e não aguardaram a vinda de Cristo. Os detalhes são descritos com uma precisão impressionante, desde os chips que o Anticristo vai implantar até as nações que lutarão com e contra o governo da besta.
Certamente você, leitor, já assistiu inúmeras peças teatrais na sua congregação sobre a Grande Tribulação e os crentes mundanos (muitos segundos os conceitos daquela igreja e não segundo a Bíblia) que se dão mal. Sempre a sensação de horror impera no ambiente, com cenas fortes e emocionais.
Qual é o erro de uma escatologia que destaca a Grande Tribulação? Não é preciso alerta as pessoas sobre o perigo dessa época? Só se deve falar em coisas bonitas e agradáveis? Talvez algumas dessas perguntas já estão correndo não mente de leitores do primeiros parágrafos, mas tais indagações merecem respostas.
É errada a abordagem escatológica que só fala na Grande Tribulação, eis os motivos:

01. É preciso pregar “todo o conselho de Deus”.

Quando há ênfase demasiada em um assunto, sempre será prejudicial para a comunidade cristã. A proclamação do Evangelho deve ser completa e coerente com as Escrituras, dentro de um equilíbrio que as diversas doutrinas bíblicas exigem. Falar só do inferno sem falar do céu é um erro, assim como falar só do céu sem lembrar do inferno é outro erro equivalente. Falar só da pecaminosidade humana sem falar na Graça de Deus é gravíssimo, assim com a pregação da Graça barata que esqueceu do pecado. A divindade de Cristo não poder se esquecida, e assim a sua humanidade deve ser mantida.
O kerigma não pode ser segmentado, o exagero sempre leva por o extremismo. O equilíbrio é uma palavra de ordem no cristianismo. Os que tomam partido para as bordas sempre tem causado prejuízos irreparáveis para o Cristianismo. Pregue a Grande Tribulação, sobre a Ira de Deus, mas nunca se esqueça de enfatizar a Graça de Senhor.

02. Os exageros levam para a debilitação na consciência sobre salvação.

Quantos servem a Deus por medo? São milhares de cristãos, principalmente em ambientes legalistas que servem a Deus na base da vigilância, do medo. Confundem temor ao Senhor com pavor ao Déspota. São pessoas tão abitoladas, que pregam um arminianismo fatalista, onde a salvação sem perde em cinco segundos (ou até menos). Pregam uma salvação que de nada vale, pois é de difícil sustentabilidade; como fica a certeza da salvação nesse contexto? (I Jo 5.13).

03. Os exageros levam para o legalismo.

Há milhares de protestantes que esqueceram que a salvação é uma obra de Graça de Deus, algo que não se compra. São pessoas que atribuem salvação (ou a perda dela) atrelada a um estilo de roupa, liturgia, hinário, liderança, boas obras, assistencialismo, oração etc. Pessoas com a mentalidade doente diante da realidade terrível que pode assolar suas vidas na Grande Tribulação, normalmente correm para atitudes sectárias, ascéticas e legalistas; em lugar de correr para assistência do Espírito Santo na graça de Deus.

Não perca a segunda parte desse artigo.

29 comentários:

Talita Cristina M.Santos disse...

Hummmm gostei...
to ansiosa pra ler a segunda parte
continue assim

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Olá Talita, a paz.

Obrigado por mais uma participação.
Principalmente a segunda parte ficará claro a escolha desse título.

Anchieta Campos disse...

"São pessoas tão abitoladas, que pregam um arminianismo fatalista, onde a salvação sem perde em cinco segundos (ou até menos)". Esta frase em especial foi sensacional!

Parabéns pelas suas sempre coerentes e equilibradas postagens.

Abraços.

Anchieta Campos

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Irmão Anchieta, a paz do SENHOR.

Obrigado por seu comentário nesse blog.
Infelizmente no meio arminiano é comum ver fatalistas, pessoas que enxergam uma salvação tão barata, onde a apostasia acontece não como um processo, mas como sinônimo de tropeço. Diante desse quadro há muitos erros com o tratamento do pecado, até mesmo crentes que acreditam na “confissão auricular”, doutrina católica que prega a necessidade de confissão ao “sacerdote” para perdão do pecado.
A possibilidade de apostasia é possível (Hb 6), mas essa doutrina desse ser coerente com a segurança da salvação.

felipe disse...

Olá Gutierres,pela primeira vez tenho a honra de participar de seu blog.
O que mais me deixa intrigado na escatologia de muitos pentecostais,é que eles até vivem como quer,depois do arrebatamento é que se convertem.É tipo "se perder o primeiro ônibus,vou no segundo,rsrsrsrsrs"Já acho errado a idéia pré-tribulacionista,quanto mais a perca de salvação!
Parece que muitos servem a Deus não porque realmente o amam,mas prq tem medo de ir pro inferno!


Soli deo gloria!!!

Victor Leonardo Barbosa disse...

concordo com o irmão Anchieta Gutierres, a frase realmente foi muito boa, infelizmnete há extremos no meio cristão, aqueles que pregam um arminianismo fatalista(conheço esse tipo de gente, que afirma que só um pecado e o Espírito Santo já se afastou da pessoa) outros pregam de forma hipóscrita "Uma vez salvo, salvo para sempre", negando a amostra clara e possível de apostasia dentro da igreja.

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Felipe, a paz do Senhor,

Agradeço sua participação no blog, sempre é um prazer receber o comentário dos amados leitores.
Infelizmente muitos estão como você descreveu, “servindo” a Deus por medo do inferno ou da Grande Tribulação. Não encaram a Vinda de Cristo como a “bendita esperança”, mas como uma expectativa de horror. Um dia ouvi um irmão, conversando com um grupo de jovens, dizendo que estava no mundão se a Grande Tribulação não existisse. Que cristianismo é esse?

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Victor Leonardo, a paz do Senhor

Um dos maiores problemas na cristandade é lidar com o equilíbrio. Sempre estamos mais próximos dos extremos, do que no cetro da Palavra de Deus. O fatalismo ultra-arminiano, como o determinismo ultra-calvinista nos leva para beiradas desnecessárias.
Um abraço,

Juber Donizete Gonçalves disse...

Irmão Gutierres,

Muito boa a temática. Agora vendo sua frase: "Ao discutir escatologia com muitos cristãos, principalmente os dispensacionalistas, tem-se a impressão que a temática é de algum filme de terror". Sem querer por lenha na fogueira, mas apenas a título de esclarecimento com respeito a frase citada acima. Pergunto: Qual a sua posição sobre o dispensacionalismo?

Abraço,

Juber

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Pastor Juber Donizete, a paz do Senhor.

Obrigado por mais uma participação no Blog Teologia Pentecostal.
O irmão pergunta qual é a minha posição sobre o dispensacionalismo, vamos lá...
Segundo o Conciso Dicionário de Teologia Cristã, "dispensacionalismo é um sistema de interpretação bíblica e teológica que divide a ação de Deus na história em diferentes períodos que são por ele administrados em bases diferentes. Envolve uma interpretação literal da Escritura, uma distinção entre Israel e a Igreja e um a escatologia pré-milenista e pré-tribulacionista".
Essa definição acima já não responde a algumas das divisões que o Dispensacionalismo tem sofrido. Hoje há o conceito de “Dispensacionalismo Progressivo”, com revisão dos conceitos clássicos da divisão dispensacionalista entre Israel e a Igreja e a divisão há história em dispensações. Outra corrente é a do “ultra-dispensacionalismo”, visão literalista das Escrituras, onde quer achar respostas proféticas na Bíblia para todos os fenômenos que acontecem no mundo, uma espécie de “Cabala Gospel”.
Sou pré-tribulacionista e milenista, mas não necessariamente dispensacionalista, pois é preciso rever biblicamente essa dicotomia Israel X Igreja (creio que Israel ainda tem um papel escatológico). Dividir a história em dispensações é algo sem respaldo bíblico, sendo muita simplificação para tratar a revelação de Deus aos homens.
Quero lembrar que é possível ser milenista e até pré-tribulacionista, sem ser dispensacionalista. Esse conceitos são ligados, mas não inseparáveis. Alguns teólogos pentecostais, como Stanley M. Horton não são dispensacionalistas.

Daladier Lima disse...

Muito bom o assunto. Esperarei pela continuação. Abraços!

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Daladier, obrigado por mais uma participação.
Na segunda parte do artigo serão analisados outros erros relacionados à pregação escatológica presente em nosso meio, sendo que ficará mais clara a escolha desse título.

Paulo Silvano disse...

Caro Gutierres,

Mais uma vez parabéns. Creio que vc tocou um ponto interessantíssimo. O dispensacionalismo ajudou-nos a tentar entendeder o intrincado mapa escatológico da Bíblia, mas, como efeito colateral, legou-nos um Deus fracionado e que, contrariando o Seu caráter, parece um mutante.

Um abraço
Paulo Silvano

Juber Donizete Gonçalves disse...

Irmão Gutierres,

Obrigado pela atenção, em sua resposta e pesquisa. Concordo com você, em sua exposição. Os dispensacionlistas estão fazendo modificações na teoria até hoje. Como diz o ex-presidente Fernando Henrique: "Assim não dá". Sim é possível ser milenista, sem ser dispensacionalista. Russel Shedd é um exemplo disso. Ele é pré-milenista histórico.

Abraço,

Juber

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Pastor Paulo Silvano, obrigado pela participação.
Realmente, o dispensacionalismo ajudou em uma organização escatológica, mas exageradamente muitos dispensacionalistas têm apresentado diversas especulações, até mesmo apresentado um Deus carrasco, que quer mandar o primeiro que vacilar para os males da grande tribulação. A Ira de Deus será derramada nessa terra, mas é claro, que o plano de Deus é que muitos venham ao arrependimento e conhecimento da verdade. Deus não tem prazer na morte do ímpio, o Senhor não é um déspota...

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Juber Donizete,
A paz do Senhor,

Esse entendimento que ser pré-tribulacionista e pré-milenista não é ser necessariamente dispensacionalista é importante, tanto para os adeptos do dispensacionalismo como os seus críticos. Penso que devemos dialogar com as demais escolas escatológicas para reter o que é bom. A escatologia é um assunto em aberto, com alguns pontos fixos (arrebatamento, milênio, tribunal de Cristo etc). Dogmatizar em apenas uma escola de pensamento escatológico levará para ensinamentos muitas vezes anti-blíblicos.
Não estou dizendo que não devamos ter certezas e dogmas, mas que precisamos avaliar e reavaliar nossas crenças segundo a Palavra de Deus.

João Paulo Mendes disse...

Irmão Gutierres,

Bom tema para ser abordado, fico com a parte final dessa primeira parte no que diz respeito a se perder a salvação, na verdade não sabemos ao certo onde está verdade divina nesse caso, se no arminianismo ou no calvinismo, prefiro pensar, e acreditar, que todos que se apoiam nessa ou naquela doutrina irredutivelmente, é porque querem apenas uma base para fundamentarem suas idéias e difundirem sua terrorista ou libertina forma de encarar a vida e graça salvadora.
Aqueles que andam na verdade e são guiados pelo Espírito certamente não encontram problemas em nenhuma das duas "doutrinas".
Que continua abencoando-o.

Em Crsito,

Joao Paulo

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Realmente, concordo plenamente. Para quem possui a segurança de sua salvação não importa ser arminiano, calvinista ou adepto de uma terceira via. A certeza da salvação não é um mero exercício mental, mas uma segurança colocada no coração do crente pelo Espírito Santo...

Mauricio Abreu de Carvalho disse...

Olá Gutierrez
Calvinismo ou arminianismo? Esse Fla x Flu teológico não se resolve apenas pela interpretação de alguns textos isolados. O fato de existir posições que variam entre esses dois extremos mostra que a questão não é tão cartesiana como parece. A definição entre uma ou outra posição depende muito mais de fatores denominacionais, a influência de um teólogo em particular ou até a experiência pessoal de salvação.
O debate é importante, mas sempre devemos levar em conta que a presença do Espírito Santo constantemente em nossa vida deve ser a nossa baliza.
Parabéns pelo blog,já o incluí em minha lista.
Um abração

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Pastor Maurício,
Obrigado por sua participação no blog Teologia Pentecostal.
Sempre alerto as pessoas que ficam brigando em suas apologias pelo calvinismo ou arminianismo, que esse tipo de discussão, na maioria das vezes é infrutífera, pois em ambas as correntes podemos achar “coisas” perigosas e que pendem para longe das Escrituras. Concordo plenamente com o irmão quando você diz que essa questão “não é tão cartesiana quanto parece”.
Realmente, essa polarização mais atrapalha do que ajuda (em pessoas que agem de modo radical com a dinâmica da Salvação). Não que sejamos pós-modernos anti-dogmáticos, onde não se possui pensamentos fixos, mas precisamos refletir em todos os assuntos bíblicos exegeticamente. Gosto muito da importância que John Piper expressou em uma suas reflexões, sendo que as Escrituras devem estar acima de arminianismo ou calvinismo. Piper, teólogo reformado calvinista disse: “Pregue exegeticamente, explanando e aplicando o que está no texto. Se isto soar Arminianismo, que soe Arminianismo. Confie no texto e o povo confiará em você por ser fiel ao texto”. Que possamos aprender com o equilíbrio de Piper!

zwinglio rodrigues, pr. disse...

"Arminianismo VERSUS Calvinismo"

O controverso teólogo Charles Finney fazia o seguinte quando ia pregar:

Ao chegar em uma comunidade dada a uma ênfase exagerada na graça de Deus, ele destacava a responsabilidade humana.

Já quando pregava em uma comunidade onde a responsabilidade humana, juntamente com as obras, eram demasiadamente enfatizadas, ele exaltava a graça de Deus.

É assim q deveria ser. Mas...

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Realmente Pr. Zwinglio...
O equilíbrio é uma virtude que devemos buscar... Um dos grandes problemas nos debates radicais entre arminianos e calvinistas é a polarização de um sistema teológico construído na plataforma humana. Sendo calvinista ou arminiano, devemos valorizar uma exegese que honre as Escrituras...

PLENITUDE distro disse...

Cadê o chat????????????????



André Amaral

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

André, em breve retornará...

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

O propósito de um blog, em minha opinião, está em fomentar a discussão, o diálogo, a verve de cada posição conflitante. E o presente tema contribui, não como elemento acabado, mas como um processo em construção, com as discussões assaz. Tanto o pré-tribulacionismo quanto o dispensacionalismo são temas que merecem uma pesquisa cada vez mais científica e bíblica do que dogmática e preconceituosa, seja por aqueles que a defendem seja por aqueles que a questionam.

Um abraço
Esdras Bentho
www.teologiaegraca.blogspot.com

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Pastor Esdras, obrigado por sua participação nesse blog...
Concordo plenamente com o irmão, pois o dispensacionalismo merece um aprofundamento em sua análise. O preconceito em relação a algumas posições teológicas acaba por atrapalhar a discussão. Escatologia, como disse acima, é um assunto que deve está aberto, com posições firmes somente naquilo que a Bíblia é clara.

Pr. Carlos Roberto disse...

Caro Gutierrez
A paz do Senhor!
Parabéns pelo post.
Sempre reflito e aprendo visitando seu blog.
Continue!
Pr. Carlos

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Pastor Carlos Roberto, obrigado por suas palavras de incentivo...

paolamalaquias disse...

eu tbm quero ler a segunda parte mande e continuem