quarta-feira, 16 de julho de 2008

Fundamentalismo e o radicalismo dos cessacionistas (Parte 1)

O fundamentalismo protestante nasceu com bons e corretos propósitos, ou seja, defender a fé cristã do racionalismo incrédulo anti-bíblico, reinante nas correntes teológicas que advinham da Alemanha, como o liberalismo teológico. Nos Estados Unidos, no ano de 1909, em decorrência da Conferência Bíblica dos Protestantes Conservadores, foram lançados 12 volumes de livros distribuídos gratuitamente para pastores, alcançado a marca de 3 milhões de cópias, intitulados de Os Fundamentos[1]. O livro defendia cinco pontos, sendo a inerrância verbal das Sagradas Escrituras, a divindade de Jesus Cristo, o nascimento virginal, o sacrifício expiatório e o retorno corporal de Cristo. O livro possuía artigos de grandes eruditos protestantes da época, como J. G. Machen, John Murray, B. B. Warfield, R. A. Torrey, Campbell Morgan etc.
Nos primeiros anos, a luta contra o liberalismo teológico, junto com o nascimento de uma apologética mais atuante, levou o fundamentalismo ao desgaste por não conseguir derrubar a influência dos liberais e neo-ortodoxos. A partir da década de 40, o fundamentalismo começa a cair em descrédito, pois se mostrava anti-científica, anti-intelectual, sectarista, moralista, legalista e não se envolvia em causas sociais. Nesse período, o separatismo dos fundamentalistas era evidente, não se misturavam com quem pensasse diferente.
O fundamentalismo começou a lutar em meados da década de cinqüenta, contra os evangelicais, ou seja, aqueles que em matéria de doutrina continuavam fundamentalistas, mas sem o sectarismo do grupo. Nos anos oitenta, o fundamentalismo constrói uma nova agenda que perdura até hoje, contra a conspiração secular na América, lutando contra o casamento gay, o aborto, pesquisas com células-tronco embrionárias, evolucionismo, comunismo etc. O neo-fundamentalismo é forte nos Estados Unidos, tem poder político (ajudou a eleger George W. Bush) e tem como representantes Jerry Falwell, Dave Hunt, Tim LaHaye, Hal Lindsey, James Dobson, Pat Robertson[2] e reformados como John MacArthur Jr[3].

O desenvolvimento contemporâneo dos fundamentalistas no Brasil

O fundamentalismo contemporâneo no Brasil não está restrito a um grupo protestante ou a uma denominação, mas faz parte do pensamento de muitos cristãos tradicionais ou reformados e até de alguns pentecostais sem os elementos cessacionistas.
O fundamentalismo é excessivamente apegado a Israel, em um dispensacionalismo radical, além de lutar fortemente contra símbolos satânicos e contra a mídia conspiradora, tais como desenho da Disney. Outros fundamentalistas manifestam-se mais em questões de cessacionismo, como os neo-puritanos.
Para boa parte dos fundamentalistas ou neo-fundamentalistas, os pentecostais são perniciosos, hereges, perigosos, anti-bíblicos e não merecem nenhum tipo de admiração ou cooperação. Boa parte dos fundamentalistas (não todos, é claro), são radicalmente cessacionistas, não crêem na contemporaneidade dos dons espirituais, chamam as línguas estranhas de fenômenos psicológicos ou até demônios.

Os pentecostais e o fundamentalismo

O pentecostalismo nasceu fundamentalista, pois era conservador em sua essência. Naquele período não era, então, pejorativo ser fundamentalista, mas sim sinal de confiança na inerrância das Escrituras e nos fundamentos da fé cristã. Quando o fundamentalismo foi ficando terrivelmente fechado e sectarista, o pentecostalismo acabou afastado do grupo.
Os pentecostais consideravam-se fundamentalistas, mas esses não queriam o povo das "línguas do diabo" no meio do grupo. Em 1928, a Associação Mundial de Cristãos Fundamentalistas rejeitou igrejas pentecostais em seu concílio. Nesse período, as Assembléias de Deus dos EUA reagiram, dizendo: "Apesar de nós, pentecostais, sermos rejeitados, não guardamos ressentimentos daqueles que não percebem as coisas como nós" [4]. Na época, um pastor fundamentalista chamado Donald Grey Barnhouse, classificava os pentecostais em seu programa de rádio como "povo do diabo". Carl MacIntire, fundador do Concílio Americano de Igrejas Cristãs, opositora da ecumênica e liberal CMI (Concílio Mundial das Igrejas), chamava os pentecostais de apóstatas.

Continua...

Notas e Referências Bibliográficas:

[1] Publicado em português pela editora Hagnos em 2005.

[2] No Brasil os representantes fundamentalistas estão na Editora Chamada da Meia-Noite, no site Baptistlink.com, Sola Scriptura.org, Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil etc.

[3] Um representante fundamentalista no meio reformado brasileiro é Felipe Sabino, editor do famoso site calvinista "Monergismo.com". Em um de seus comentários ele observa: "Contudo, não podemos esquecer que, assim como podem existir salvos dentro da Igreja Católica Romana, podem existir salvos nas igrejas pentecostais também. Chamo isso de a ‘bênção da ignorância’, pois muitos não crêem nas implicações lógicas das suas crenças". Para ele, pentecostais se equiparam aos católicos em perdição doutrinária. Felipe Sabino em muitas de suas observações não mede palavras para chamar pentecostais, dispensacionalistas, tricotomistas e arminianos de hereges. Pessoas como Felipe Sabino são minoria dentro de lideranças reformadas no Brasil, exemplo disso são as opiniões mais equilibradas sobre os pentecostais formuladas por pessoas como o Rev. Augustus Nicodemus, Rev. Alderi Sousa Matos, Presb. Solano Portela etc.

[4] HORTON, Stanley M. O Avivamento Pentecostal. 4 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001. p 56.

40 comentários:

zwinglio rodrigues, pr. disse...

Gutierres, paz.

Eu vinha dizendo a vc e ao Ednaldo no CHAT insistentemente que atacar os NEOPENTECOSTAIS, como fazem os PENTECOSTAIS, é um trabalho duvidosos porque havia os FUNDAMENTALISTAS/REFORMADOS que atacavam os PENTECOSTAIS...

Ôooo CICLO VICIOSO do INFERNO!!!!

Ou seja:

Donos da verdade doutrinal não faltam no mundo protestante-evangélico. Os que se arrogam os verdadeiros "fidei depositum" são muitos...

São irmãos inchados em suas teologias, sua tradições anti-bíblicas, sem luz e discernimento do Espírito Santo...

Chega de RÓTULOS!!! PENTECOSTAIS, REFORMADOS, FUNDAMENTALISTAS, NEO PENTECOSTAIS... NEO isso, NEO aquilo...

O que conta é o CORPO DO SENHOR JESUS CRISTO, e os que deste são membros, ELE os CONHECE e pronto!!!

No céu estarão NEOS, PENTE, FUNDAM, REFORM... bem como no inferno se encontrará outros tantos.

Vejam aqui o que é HERESIA e quem são os verdadeiros HEREGES:

http://przwinglio.blogspot.com/2008/01/heresia.html

(-V-) disse...

Querido Gutierres,

“A ciência incha, mas o amor edifica. E, se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber. Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele.” [I Co 8:1b-3]

Numa escala de 99% a 100%, quanta diferença você acha que faria se o povo cristão vivesse os versículos supracitados? [:P]

No Amor e na Verdade que nos une,
Vini
(-V-)

Clóvis disse...

Gutierres,

Gostei, especialmente da frase "o pentecostalismo nasceu fundamentalista". Hoje, alguns tentam identificar os pentecostais com o pos-modernismo.

Sonho com uma igreja calvinista-pentecostal, ou vice-versa.

Paulo Adriano Rocha disse...

Eu acho essa coisa tão complicada! No céu não haverá rótulos e Jesus não vem buscar uma classe específica da Igreja, Ele vem buscar os que são fiéis. Mas não podemos deixar de pensar que isso se deve à nossa própria falibidade, somos humanos e agimos como tal. Mesmo sendo novas criaturas, nem sempre pensamos como Jesus pensaria. Acho que agora, vivendo os últimos dias como estamos, é urgente a necessidade de uma verdadeira comunhão para que o mundo possa ver Cristo em nós. Mas, claro, não podemos fugir de nossas convicções e fé na inerrante Palavra de Deus.
Paz ao editor e aos leitores.

Pastor Geremias do Couto disse...

Parabéns, Gutierres, pela abordagem!

O fundamentalismo, como hoje conhecemos, é altamente pernicioso para o Corpo de Cristo, porque acaba pondo as questões secundárias no mesmo nível dos fundamentos.

Ou seja, mistura alhos com bugalhos, onde pentecostais são heréticos, quem faz apelo é herético, quem acentua a responsabilidade humana, como os arminianos, é herético, que realça a soberania de Deus, se não na forma do hiper-calvinismo, é herético, quem agrega os evangélicos sob um mesmo objetivo é herético, pois soa ecumenismo...

Enfim, somos todos heréticos. Só eles possuem a verdade... Que pena essa falta de discernimento espiritual!

Abraços

Leonardo disse...

Muito interessante, seria legal escrever sobre o fundamentalismo dos continuistas.

Gostei muito desse post!

Isaias disse...

Maravilhoso seu blog, estou admirado!

Parabéns!

July disse...

Sabe, Gutierres... Eu até entendo o modo de pensar deles...
Quando soube da história do pentecostalismo brasileiro através de meu pastor, tive uma imagem onde somente nós (Assembléia de Deus) estávamos certos. Meu pastor chegou até a dizer que quando os missionários Daniel e Gunnar chegaram ao Brasil, só existiam igrejas naturais, ou seja, sem o Espírito Santo.
Na verdade, até hoje pra mim essa história está um pouco controversa e nem sei em qual versão acreditar. A Igreja Batista diz que os missionários vieram à casa de Eurico Nelson, um missionário batista no Amazonas. Identificando-se como batistas, ofereceram-se para ajudar no trabalho e pediram hospedagem. Como não tinham carta de recomendação, e nem podia ter pois eram excluídos, o missionário deixou-os usar o porão da igreja como casa.Logo depois Eurico Nelson precisou viajar para o sul. Essa viagem deu oportunidade para que os dois recém chegados pedissem ingresso na igreja, declarando-se membros de uma igreja nos Estados Unidos. Vingren declarou sua condição de pastor e a igreja recebeu-os. Bem, o irmão deve conhecer tudo...
Na verdade, estou cheia de dúvidas (não sobre minhas crenças) sobre a história do pentecostalismo: Qual a versão verdadeira???
A Paz do Senhor, Gutierres!!!
Quando der, dê uma passada no meu blog tb!!!

Anônimo disse...

a pa z irmão gutierres..tenho lido muitas obras e Dave hunt e sou assinante da revista chamada da meia noite..até agora não vi nada do que o irmão meencionou ..e olha que eu sou professor assembleiano ...parabens pelo blog ...muito bom seus comentarios

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Caro Zwinglio, a paz do Senhor!

Lembro da frase atribuída por uns a Agostinho e por outros a Rupert Meldenius e citado por Richard Baxter: “Em coisas essenciais, unidade; nas não-essenciais, liberdade; em todas as coisas, caridade”.

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Caro Vinícius, a paz do Senhor!

O amor não deve estar separado da verdade e a verdade não pode se divorciar do amor. A verdade não pode ser relativizada, mas o amor não deve ser abandonado. Quem realmente ama, conduzirá os seus a verdade, mas com muito cuidado e atenção. Os liberais exaltam o amor acima da verdade, enquanto os fundamentalistas exaltam a verdade acima do amor. Ambos, por caírem em extremos, estão redundantemente errados.

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Caro Clóvis, a paz do Senhor!

Realmente devemos tomar o devido cuidado que em nossa crítica ao fundamentalismo não mergulhemos nas garras desconstrutivistas, relativistas e revisionistas do pós-modernismo.
O subjetivismo, pragmatismo, imediatismo, hedonismo, empirismo etc., característico de nosso século são perigosas para nossas relações com o mundo. O antídoto para as mazelas do pós-modernismo, também, não pode ser inflexível fundamentalismo.
Quando ao seu desejo por um pentecostalismo-reformado, certamente será uma tendência para os próximos anos, como uma reação ao neopentecostalismo que está adentrando nas igrejas pentecostais históricas.

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Paulo Adriano, a paz do Senhor!

Eu sempre repito para os meus amigos: “Não estou disposto a defender costumes ou tradições de minha denominação, mas sim aquilo que ela prega como verdade bíblica”. Ora, se uma determinada tradição de nossa denominação é contraria as Escrituras, então que possamos ficar com as Escrituras e respeitando a todos.

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Pastor Geremias do Couto, a paz do Senhor.

Concordo plenamente com a sua opinião. O fundamentalismo protestante, como temos visto desde o início de década de 40, vem sendo muito pernicioso para o Reino de Deus. Os fundamentalistas não medem esforços para tachar os que pensam diferente como herege.
Ora, sem os exageros liberais do ecumenismo, não podemos ser exclusivistas, pensar que somos os donos da verdade. Porque não manter comunhão com aqueles que pregam na centralidade de Cristo, que buscam a objetividade da verdade e acreditam somente nas Escrituras como regra de fé?
Infelizmente não sabemos conviver com idéias contrárias e nossa defesa é sempre tachar o outro “do diabo”. Lamentável.

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Caro Leonardo, a paz do Senhor!

Como você lembrou, não só no meio dos cessacionistas há fundamentalistas, mas também entre os continuistas. Cito dois exemplos marcantes de fundamentalistas pentecostais, sendo eles Pat Robertson e Josué Yrion.
O pastor carismático e conseqüentemente continuista Pat Robertson, é exemplo de fundamentalista ativo. Robertson culpa os tornados na Flórida por causa das festas gay na Disney, afirmou que o furação Katrina só aconteceu por causa do vodu praticado em New Orleans e recentemente sugeriu que o governo americano mandasse agentes para matar o presidente venezuelano Hugo Chávez. Robertson é campeão de opiniões desastradas entre os pastores norte-americanos. É claro que somos contra a prática homossexual e as magias do vodu, mas é um grande engano atribuir “maldições sobre a terra” por causa desses grupos.
Josué Yrion construiu um ministério só em busca de mensagens subliminares de desenhos e programas infantis...
Poderia citar outros exemplos...

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Isaías, a paz do Senhor!

Obrigado pela visita e parabéns pelo conteúdo sadio de seus textos...

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

July, a paz do Senhor!

Sempre que um grupo sai de sua congregação ou denominação, isso é motivo para várias especulações e histórias sem fundamento, tendo eles razão ou não. Gunnar Vingren e Daniel Berg eram batistas na Suécia e quando chegaram nos Estados Unidos, ainda pertenciam a igrejas batistas. Vieram ao Brasil sem apoio de uma instituição missionária, mas receberam pequena quantidade de dinheiro de uma igreja Batista que Vingren havia pastoreado. Não vieram na condição de excluídos e rebeldes.
O historiador batista Antonio B. de Almeida não registra esse tipo de “esperteza” por parte dos missionários suecos, como de aproveitar viagem da liderança para introduzir outros conceitos doutrinários na Igreja Batista de Belém. Eles pregavam abertamente, o que causou então incômodo em parte da liderança local. Não se pode tachar Vingren ou Berg de rebelde, insubmissos, mas como pessoas que foram excluídas do rol de membros por uma convicção doutrinária contrária ao pensamento da igreja na época. Diferente de grande parte das divisões que ocorrem hoje, inclusive nas Assembléias de Deus, por questões de poder, os missionários foram excluídos por questões teológicas.
Parabéns pelo blog...

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Caro Anônimo, a paz do Senhor!

Nem todos os fundamentalistas são anti-pentecostais, pois há até pentecostais fundamentalistas (e não são poucos). Hoje, o enfoque da “Chamada da Meia-Noite” é escatologia dispensacionalista, sendo bem parecidos com os primeiros fundamentalistas .
O grupo “Chamada da Meia-Noite” se aproxima mais dos primeiros fundamentalistas (a quem merece nosso respeito e admiração pela defesa da verdade), do que dos fundamentalistas contemporâneos.

July disse...

Paz do Senhor!!!
Sabe onde posso encontrar uma boa biografia? Pois realmente muitas são as versões. Claro que muitas são criadas baseadas no preconceito e aversão, mas também existem muitas coisas que também podem ser verdadeiras por ex: Muitas pessoas não sabem que Martinho Lutero aceitava muitos dogmas da ICAR, sendo um deles a doutrina Mariana.
Deus abençoe!!!

Thais Barrinha disse...

Sou Pentecostal Clássica (genuína), e mesmo assim sou obrigada a dar o braço a torcer aos fundamentalistas. Felipe Sabino do Monergismo não está de todo errado no que diz... tive a oportunidade de poder dividir minha "revolta" com ele e chegamos a concluisão que nós, Pentecostais, somos criadores da pior "vertente gospel" (neopentecostalismo) que já surgiu (não se esquecendo que essa afeta até os irmãos católicos com sua imundice) e por falta de base/estrutura não conseguimos exterminá-la... tá... eu amo o Pentecostalismo... mas num tiro TOTALMENTE a razão dos fundamentalistas...
à propósito... gostei da frase do Clóvis: "Sonho com uma igreja calvinista-pentecostal, ou vice-versa."... seria perfeito e equilibradamente sóbrio.

ALTAIR GERMANO, disse...

Amigo Guttieres, parabéns pela abordagem.

Todos somos livres para criticar e passivos de recebermos críticas.

Devemos ter cuidado é para não transformamos críticas e divergências teólogicas em ofensas. É isto que alguns segmentos extremistas fazem.

Um abraço!

Victor Leonardo Barbosa disse...

importante artigo irmão Gutierres, importante frisar: " O pentecostalismo nasceu fundamentalista".

Parabéns por inicar a árdua tarefa de falart sobre um assunto tão polêmico.

Creio que em breve falarei sobre este assunto em um artigo um pouco parecido com o seu(mas não plágio, he he).
Assim que passar as férias, pois no mommento estou em períodos de grande descanso.

Abraços e Paz do Senhor!!!

Pastor Geremias do Couto disse...

Pessoalmente não vejo nenhum problema em se ter uma teologia calvino-pentecostal, como propôs o Clõvis, até porque já há igrejas que professam essa linha.

O problema é saber se o monergismo concorda com isso ou se os pentecostais ditos clássicos (oh, horror a rótulo!)também aprovam a idéia.

Abraços

Pr. Geremias do Couto

zwinglio rodrigues, pr. disse...

Gutierres, paz.

“Em coisas essenciais, unidade; nas não-essenciais, liberdade; em todas as coisas, caridade”.

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Você falar isso é um avanço, pois quando o conheci virtualmente, seu discurso era diferente...

Parabéns!

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Cleber disse...

Mano, achei excelente esse post. Bom mesmo!

PS.:Deus nos livre do calvinismo!!

Pr Cleber.
Pentecostal e Arminiano
http://confraria-pentecostal.blogspot.com

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

July, a paz do Senhor!

Temos muitas biografias boas, mas indico o “Dicionário do Movimento Pentecostal” (CPAD) do historiador Isael de Araújo, onde você pode ver uma síntese muita boa sobre a história assembleiana e pentecostal. Nessa obra ele apresenta a história contada por todos os lados...
Para quem quer saber mais sobre Lutero e as opiniões do reformador sobre assuntos polêmicos, recomendo a obra “Conversas com Lutero” (Ultimato) de Elben M. Lenz César.

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Thaís, a paz do Senhor!

O problema do fundamentalismo no meio reformado é sua aversão pelos pentecostais de maneira geral. São críticos que tomam a parte pelo todo, ou seja, não procuram separar os genuínos pentecostais das aberrações que temos visto nos últimos anos no meio evangélico.
Quando um autor, como John MacArthur Jr critica os evangélicos, especialmente os carismáticos, pelo pragmatismo, falta de apego as Escrituras, manifestações extravagantes etc., ele está coberto de razão... Mas dizer que as “línguas” faladas pelos pentecostais são distúrbios psicológico ou demoníaco, isso sim é uma aberração. Uma coisa é criticar os exageros sobre línguas nos cultos pentecostais e outra coisa é dizer que quem fala em línguas está endemoninhado.
Felipe Sabino e suas citações, não estão criticando necessariamente os exageros ou contestando uma doutrina pentecostal no campo das idéias, mas simplesmente estão chamando o Pentecostalismo de falso evangelho, seita, heresia etc. Esse fundamentalismo por parte de pessoas como o Felipe Sabino é lamentável. Já até enviei um e-mail para ele, mas ele nem se deu o trabalho de responder.
John Stott escreveu um livro “Batismo e Plenitude do Espírito Santo” (edições Vida Nova), sendo uma obra onde ele contesta a visão dos pentecostais sobre o Batismo no Espírito Santo. Em momento algum Stott chama os pentecostais de seita, heresia ou qualquer outra coisa; ele debate no campo das idéias de maneira educada e trata os pentecostais com muito cuidado, apesar de discordar nesse ponto. Stott até descreve no início do livro que não poderia digerir suas argumentações a todos os pentecostais, ou seja, ele não cometeu o erro de tomar a parte pelo todo. Verdadeiros críticos se comportam como Jonh Stott.
O neopentecostalismo realmente saiu do meio pentecostal, especialmente do deuteropentecostalismo, mas isso não faz dos pentecostais um grupo herege. È preciso lembra que o liberalismo teológico começou em igrejas tradicionais, seitas como “Testemunhas de Jeová”, “Mórmons”, “Reverendo Moon” saíram de igrejas históricas... Esse fato não faz dos nossos irmãos tradicionais uns hereges.
Equilíbrio das Escrituras acima de tudo!

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Pastor Altair Germano, a paz do Senhor!

Realmente, somos passíveis de críticas e admoestações, pois não somos os donos da Verdade. O fato é que quem nos quer criticar que seja fiel as textos bíblicos, não exponha o ódio do seu coração e debata no campo das idéias. Não estamos pedindo para que todos concordem com os pontos doutrinários do pentecostalismo, o que pedimos é o mínimo de respeito. O extremismo é sempre um mal. Recomendo a todos que leiam o livro do John Stott “Cristianismo Equilibrado” (CPAD), mas se você não pode comprar, paradoxalmente no site “Monergismo.com” há um trecho muito bom do livro.

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Victor, a paz do Senhor!

Estou na espera do seu artigo para cobrar os direitos autorais, rsrsrsrs. Depois de suas merecidas férias escreva sobre o assunto, pois o seu complemento será muito importante.
O “pentecostalismo nasceu fundamentalista”, pois o contexto da época exigia, ou seja, os primeiros pentecostais também eram corretamente contrários ao Liberalismo Teológico. Como o fundamentalismo era em seu início não temos problemas com isso, mas o fato é que como esse movimento passou a ser comportar...

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Pr. Geremias do Couto, a paz do Senhor!

Concordo com o irmão, também não vejo problema algum em igrejas Calvino- Pentecostais. Estamos falando do fundamentalismo no meio tradicional e reformado, mas também é comum em igrejas de teologia arminiana chamar calvinistas de hereges, isso é um erro gravíssimo. A dinâmica da Salvação é um aspecto secundário da fé cristã. Ainda bem que não estamos no tempo das cruzadas ou inquisição! Rsrs

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Pastor Zwinglio Rodrigues,

Acredito que fui mal interpretado!

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Pastor Cleber, a paz do Senhor!

Obrigado pelas palavras de incentivo.
Quando lemos a tradicional teologia sistemática “Conhecendo as Doutrinas da Bíblia” do pastor pentecostal inglês Myer Pearlman, vemos o cuidado em não se identificar com arminiano ou calvinista, e sim buscar os pontos positivos das duas correntes teológicas. Um autor que faz isso muito bem é Norman Geilser no livro “Eleitos, mas livres”, onde ele apresenta uma perspectiva equilibrada entre a eleição divina e o livre-arbítrio.
No início desse blog já discutimos se o Pentecostalismo é necessariamente arminiano. Concluímos que não, pois nessa questão o Pentecostalismo não seria afetado em suas bases principais sendo calvinista.

Juber Donizete Gonçalves disse...

Gutierres,

Eu também havia lido os artigos onde o Felipe Sabino fez aquelas declarações infelizes com respeito aos pentecostais. É triste ver as pessoas se apegarem mais as diferenças do que as semelhanças. Postei no meu blog, um artigo sobre as raízes da teologia da prosperidade, onde é dito sobre o erro de querer associar a gênese do movimento aos pentecostais. Oro para que possamos manter o vínculo da paz na unidade, e que possamos trabalhar em projetos conjuntos e que a oração sacerdotal de Jesus em João 17, se cumpra no nosso meio.

Parabéns pela postagem.

zwinglio rodrigues, pr. disse...

Gutierres, paz.

"A humildade é a base e o fundamento de todas as virtudes e sem ela não há nenhuma que o seja"

Miguel de Crevantes

Cleber disse...

Mano,
concordo que o Pentecostalismo não seria afetado em suas bases principais sendo calvinista.
Tanto é que temos uma igreja pentecostal calvinista: a Congregação Cristã no Brasil.

Mas compara a Congregação Cristã que é pentecostal-calvinista com a Assembléia que é pentecostal-arminiana. Não sou e nunca fui assembleiano, mas não teria muitas dificuldades para perceber quais das duas igrejas se saiu melhor na missão de formar discípulos (tanto numericamente qto qualitativamente!).

Poderíamos comparar o zelo missionário dos calvinistas e arminianos pra ver os resultados. Uma teologia pra ser boa tem que refletir na vida das pessoas que a seguem. Nesse caso os resultados do pentecostalismo-arminiano falam por si.

(E não me venham os calvinistas com aquela historinha de que demos origem ao neopentecostalismo, pois eles geraram o liberalismo: Friedrich Schleiermacher era calvinista!)

Mano, embora Myer Pearlman e Norman Geilser tenham tido esse cuidado, qq calvinista os chamaria de armianiano pelo que disseram. Basta avaliar os 5 pontos.
Negar isso é negar o que escreveram. Da mesma forma a Bíblia de Estudo Pentecostal não fala em lugar algum que é arminiana, mas defende o arminianismo o tempo todo, assim como os materiais oficiais da Assembléia de Deus. (Se bem que ando preocupado com a crescente abertura da CPAD à teologia reformada-calvinista)

Sei que muitos pentecostais vivem num "arminianismo extremado" achando que perdem a salvaçao a cada pecado.
Pra esses uma boa dose de Bíblia vai bem, não precisa de calvinismo.
Antes de ser pastor, eu cheguei a congregar numa igreja calvinista, e vi como falta zelo evangelístico.

Com essa onda neo-pentecostal percebo que muitos pentecostais mais intelectualizados estão se encantando com a aparente "intelectualidade calvinista".
Talvez o mérito do calvinismo seja a ênfase que dá ao próprio calvinismo.
Os arminianos não costumam ter a mesma preocupação em defender o arminianismo, e até evitam esse rótulo.
E é justamente por isso que acabam faltando bons referenciais na internet sobre arminianismo.

O curioso é que muitos arminianos só descobrem que são arminianos quando lêem um artigo calvinista.
E descobrem isso da pior forma, pois "a torcida do palmeiras não costuma falar bem do corinthians".

Os calvinistas repetem tanto seus ensinos que acabam convencendo alguns: uma mentira repetida muitas vezes parece que vira verdade.

É por cauda dessa falta de referenciais teológicos arminianos que alguns pentecostais têm se encantado com o calvinismo.
Pessoalmente acho uma pena.

Veja bem: considero os calvinistas como irmãos em Cristo (apesar de normalmente nos tratarem com desdém).
Jamais chamaria uma calvinista de herege, mas considero o calvinismo uma mazela doutrinária.

Cleber.
http://confraria-pentecostal.blogspot.com

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Pastor Juber Donizete Gonçalves, a paz do Senhor!

Realmente, o apego em pequenas diferenças mostra como o fundamentalismo é falido em seu propósito de defender a verdade. A unidade do Corpo de Cristo deve estar baseada na verdade das Sagradas Escrituras, mas naquelas verdades centrais, onde a Palavra de Deus é claríssima e não deixa margens para interpretações plurais.

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Zwinglio Rodrigues, a paz do Senhor!

Não é questão de falta de humildade, mas nunca foi meu propósito se comportar como um fundamentalista.

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Pastor Cléber, a paz do Senhor!
A revista Christian Today, em 2006, publicou uma matéria sobre o crescimento da teologia reformada nos Estados Unidos, junto com grupos identificados com o pós-modernismo, como os adeptos da Emerging Church. Creio que o aumento da teologia reformada continuará, pois o pentecostalismo ainda não conseguiu construir uma tradição acadêmica, apesar dos grandes avanços dos últimos anos. Enquanto não tivermos uma tradição sólida, constante e abrangente, teremos pentecostais identificando-se com fundamentalistas, liberais, reformados e evangelicais.

Pastor Geremias do Couto disse...

Caro Gutierres:

Permita-me voltar ao seu espaço para dar uma resposta a um comentário do pastor Cleber postado em meu blog, mas referente a um comentário que aqui fiz com respeito ao tema ora tratado.

Caro pastor Cleber:

1. Minha posição é estritamente pessoal, mas, de fato, não vejo qualquer incompatibilidade entre o calvinismo e a doutrina pentecostal, pensamento com o qual o irmão mesmo concordou em um comentário aqui postado, citando a Congregação Cristã do Brasil (tenho minhas dúvidas se ela é calvinista). Quando mencionei igrejas "calvino-pentecostais", referia-me a outras, tanto no Brasil como no exterior, principalmente no Chile.

2. Não vejo qualquer tendência na CPAD a favor (ou contra) o calvinismo. O que ela faz é trazer à lume a boa literatura produzida por diversos reformados, como também por arminianistas, mas com abordagem essencialmente bíblica, sem ranços extremados.

3. Desconheço qualquer iniciativa de se discutir o calvinismo no âmbito da Assembléia de Deus, mas creio que seria extremamente salutar usarmos os nossos plenários convencionais para aprofundarmos a nossa teologia em vez de ficarmos a mercê desta ou daquela corrente por falta de profundidade.

4. Se crer na soberania de Deus significa ser calvinista, o sou; se acreditar na responsabilidade humana significa ser arminianista, o sou. Paradoxo? Procuro seguir a máxima de Piper (um calvinista): se um texto bíblico soa arminiano, não forço-o a parecer calvinista; por outro lado, se soa calvinista, não forço-o a parecer arminianista.

É assim que lido com a Bíblia. Tento não ir ao extremo do arminianismo, com o teísmo aberto, que diminui a soberania de Deus, mas também não vou ao extremo do calvinismo, que torna Deus fatalista.

Creio que a Bíblia aponta para uma terceira via (se posso chamar assim, pois não sou chegado a rótulos), embora tanto um lado como o outro dos extremos possam achar isso uma "idiotice".

É assim que eu creio.

Agora, entre negar a soberania de Deus para fazer sobressair a responsabilidade humana como o motor da história, vou alinhar-me sempre com a crença de que Deus é o Senhor absoluto de todas as coisas. Repito, portanto: essa é a minha fé.

Se sou "evangelical"? Talvez esse "rótulo" se pareça bastante comigo.

Deus lhe abençoe, meu querido irmão.

PS. Ainda hoje, no Rio de Janeiro, tomei café com um amado pastor calvinista e almocei com dois amados pastores arminianistas. Os três extremamente convictos de sua fé em Cristo.

Cleber disse...

Oi pastor Geremias!
Obrigado pela resposta. Foi bom entender algumas coisas. Digo isso pq sei q vc é uma referência nacional em teologia.

Mano, não acho o calvinismo incompatível com o pentecostalismo, mas com a Bíblia.

Acho bom bebermos das fontes que correm no corpo de Cristo. Se é esse o propósito da CPAD acho louvável.

Eu mesmo gosto muito do John Pipper e do Augustus Nicodemus - embora sejam calvinistas não desmereço em nada a fé e o amor deles pelo Senhor.
Discordo do calvinismo, mas amo meus irmãos calvinistas.
Apenas acho o calvinismo equivocado.
Não quero parecer extremado, e sim firme na teologia pentecostal clássica.

Quando falo em calvinismo refiro-me aos 5 pontos.
Não precisamos ser calvinistas pra crer na soberania de Deus.

Ah! Eu não gosto de extremos tbm. O arminianismo é o meio termo entre 2 extremos.
O calvinismo é um extremo. O pelagianismo e o teísmo aberto estão no outro extremo.

Esses 2 últimos super-valorizam a responsabilidade humana em detrimento da soberania de Deus. O calvinismo faz o contrário.
Mas a maior gravidade que vejo no calvinismo é quando diz que Deus ama apenas os eleitos, que Jesus morreu apenas pelos eleitos e que Deus quer salvas apenas algumas pessoas (pois isso significa que Deus faz acepção de pessoas).

Amado, não forço a Bíblia a parecer arminiana.
Apenas acho que o Armínio soube captar bem o que ela diz.

Mais uma vez obrigado pelas palavras, e desculpe o incômodo.