quarta-feira, 23 de julho de 2008

Fundamentalismo e o radicalismo dos cessacionistas Parte 02

O pentecostalismo nasceu fundamentalista por ser um grupo protestante avesso aos princípios liberais, que estavam invadindo as denominações religiosas no Século 19 e 20. O fundamentalismo conseguiu influenciar fortemente as igrejas pentecostais em seu sistema escatológico, sendo o dispensacionalismo de C. I. Scofield um exemplo evidente. Scofield foi um dos escritores do livro Os Fundamentos [1] editado por R. A. Torrey, que foi a base escriturística do movimento. No período em que o pentecostalismo começou a se desenvolver era necessário uma identificação firme, sendo que ou se apresentava como liberal ou como fundamentalista, pois ainda não existia o conceito de igreja neo- evangelical [2].
E. N. Bell, o primeiro superintendente das Assembléias de Deus nos Estados Unidos expressou em meio ao Concílio Geral de Hot Springs, em 1914, como demonstração da unidade doutrinária dos primeiros pentecostais em torno da fé histórica:

Essas Assembléias opõem-se a toda Alta Crítica radical da Bíblia, a todo o modernismo, a toda a incredulidade na igreja e à filiação a ela de pessoas não-salvas, cheias de pecado e de mundanismo; e acreditam em todas as verdades bíblicas genuínas sustentadas por todas as igrejas verdadeiramente evangélicas [3]

Essa declaração de Bell mostra como os primeiros pentecostais estavam junto com os fundamentalistas na luta contra o liberalismo teológico. Mas o casamento pentecostalismo-fundamentalismo começou a ruir, quando a Comissão Executiva da Casa Publicadora das Assembléias de Deus nos EUA, proibiu a propaganda a Bíblia de Referências de Scofield na revista Pentecostal Evangel entre os anos de 1924 e 1926, mas a mesma comissão voltou atrás e permitiu a divulgação da obra de Scofield por achar que os comentários edificantes pesavam mais do que as notas anti-pentecostais. [4]

Evangelicais ou fundamentalistas?

O anti-pentecostalismo dos fundamentalistas, mostra que os pentecostais devem ser evangelicais. O neo-evangelicalismo (leia nota 02) expressa uma fé ortodoxa, onde a objetividade da verdade é buscada, a centralidade de Cristo é pregada e a diversidade do Corpo é honrada. O evangelical abomina o sincretismo e o sectarismo, dois extremos que normalmente andam de mãos dadas. Os fundamentalistas amam chamar os pentecostais (de maneira geral) como seita e hereges, mas cabe a sábia observação do teólogo metodista Justo González:

O que quer dizer é que um grupo, não importa o quanto ortodoxo seja, se equivoca quando considera que seu próprio âmbito da realidade, sua própria perspectiva limitada são toda a realidade ou a única perspectiva possível. Uma seita pode, então, ser perfeitamente ortodoxa. Certamente, pode ser mais ortodoxa que qualquer outro grupo. Mas, enquanto se considera como a única ortodoxia possível, torna-se sectária. [5]

É claro que um evangelical, tem em sua raiz, uma teologia baseada nos fundamentos da Palavra de Deus, mas não faz de todas as questões que defende como fundamentais. Um evangelical jamais negociará em uma doutrina como da Santíssima Trindade ou Inerrância das Escrituras, mas pode aceitar a diversidade em questões secundárias, como batismo por aspersão ou imersão; batismo infantil ou adulto; dicotomia ou tricotomia; milenismo ou amilenismo; calvinismo ou arminianismo etc. Um evangelical é fundamentalista nos pontos principais da fé cristã, mas jamais se comportará como sectário e dono da verdade em questões secundárias. Quando o fundamentalismo no meio tradicional e reformado deixar seus extremismos, ninguém que ama a Palavra terá medo de classificar-se como tal [6].

Cessacionismo

A suposta extinção dos dons espirituais, especialmente os miraculosos, são uma das bases para os fundamentalistas condenarem os pentecostais à fogueira. O cessacionismo não apresenta nenhuma base nas Escrituras; sendo uma teologia fraquíssima, onde os seus defensores nem para a história não podem apelar, pois várias são as evidências que mostram manifestações carismáticas no decorrer da história cristã [7]. Em outro artigo esse ponto será abordado com mais profundidade, mas fica a observação de A. W. Tozer:

Por toda uma geração, certos mestres evangélicos nos têm dito que os dons do Espírito cessaram por ocasião da morte dos apóstolos, ou quando se completou o Novo Testamento. Certamente esta doutrina não tem a seu favor sequer uma sílaba de autoridade bíblica. Os que defendem tal idéia devem assumir inteira responsabilidade por essa aberrativa manipulação da Palavra de Deus. [8]

Conclusão

Os fundamentalistas no meio tradicional tomam a parte pelo todo; são exclusivistas; não fazem distinção em questões secundárias para primárias; não discutem ou debatem teologicamente; mas preferem ofensas... Esse fundamentalismo só atrapalha o Reino de Deus, em todos os aspectos: união como vínculo da perfeição, apologética diante de grupos heterodoxos e relacionamento firmado na Verdade. Os fundamentalistas mais atrapalham a manifestação da Verdade, a pessoa de Jesus Cristo, do que contribui. Lamentável.

Notas e referências bibliográficas:

[1] Publicado pela editora Hagnos em 2005. Quando esse texto refere-se ao "Fundamentalismo", indica um termo sobre o movimento de reação ao liberalismo teológico no início do Século XX nos Estados Unidos. Não confunda esse "Fundamentalismo com o significado comum atribuído ao termo no início o Século XXI, onde fundamentalistas são aqueles extremistas religiosos, principalmente mulçumanos, que usam táticas de guerras para seus objetivos.

[2] O evangelicalismo nasceu antes dos liberais e fundamentalistas, ainda no século XVIII, dentro de igrejas reformadas que abraçaram o Grande Despertamento, sendo um dos principais representantes do velho evangelicalismo o pregador Jonathan Edwards. O neo-evangeliscalismo é um movimento dentro do protestantismo, iniciado na década de 1940, que apresenta aversão pelo liberalismo teológico e pelo fundamentalismo, tendo como representantes principais o evangelista Billy Graham e o teólogo John Stott. A característica principal do velho evangelicalismo era o reavivamento e o neo-evangelicalismo apresenta uma abertura dentro de questões secundárias e unidade na pessoa de Cristo e suficiência das Escrituras.

[3] HORTON, Stanley M. (Ed.) Teologia Sistemática: uma Perspectiva Pentecostal. 8 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003. p 21.

[4] Idem, p 23.

[5] GONZÁLEZ, Justo L. Mapas Para a História Futura da Igreja. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 99.

[6] Sobre um novo sentido para fundamentalista cristão no contexto secularista, leia o capítulo 14 do livro Sedução das Novas Teologias (CPAD) de Silas Daniel.

[7] Para evidências carismáticas na história, leia Dicionário do Movimento Pentecostal (CPAD) de Isael de Araújo, pp 231-243.

[8] TOZER, A. W. O Caminho do Poder Espiritual, cit. In GONÇALVES, José. As Ovelhas Também Gemem. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. p 92. O pastor presbiteriano Hernandes Dias Lopes comenta: "Há alguns estudiosos que defendem a cessação dos dons espirituais. Segundo esses estudiosos, os dons foram apenas para os tempos apostólicos. Contudo, não temos provas bíblicas, teológicas e históricas consistentes para provarmos essa posição (1 Coríntios 13:10)" in http://www.hernandesdiaslopes.com.br/?area=show&registro=296

14 comentários:

Junior disse...

Excelente post!

Esses dados históricos têm sido de grande valia para edificação do povo de Deus.
Aguardamos ansiosamente a parte 03, ou o próximo post.
Quando puder, nos dê a honra de sua visita em nosso humilde Blog.

Fraternalmente
Junior

Jefferson disse...

Parabéns pela matéria!
E saiba que esse Blog cumpre muito bem o papel ao defender a teologia pentecostal.
Mais do que rotúlos(que as vezes infelizmente são inevitáveis, principalmente quando se trata de teologia vs teologia) eu vejo esse blog trazendo a essência do que é correto com muita responsabilidade.
Até mesmo os proprios cessacionistas não possuem argumentos que provam a "cessação" definitivamente, já li vários argumentos mas nenhum definitivo ou coerente com as escrituras. Aceitar a cessação é rejeitar praticamente toda a bíblia como livro sagrado e instrutivo, e reconhece-lo apenas como referência histórica. E o que é lamentável é que os cessacionistas não cansam de falar que os pentecostais são linguas do diabo, que são hereges, que vão para o inferno e etc.

A minha visão é de que a doutrina da salvação é bem clara e que essa é de importância real. Qualquer um que aceitar Jesus como único senhor e salvador, se arrepender dos pecados, tomar a cruz e seguir a Cristo(até o fim) será salvo.
A sã doutrina(doutrina perfeita) é algo que apenas Jesus o supremo interprete da palavra poderia nos dizer com toda a autoridade. Falar acerca de coisas secundárias como se fosse o dono da verdade e senhor da interptetação é algo totalmente errado...e infelizmente alguns cessacionistas têem feito isso com muito vigor.

Ainda bem que nosso Deus é bom, o mais certo a se fazer é sempre confiar nele pois ele sempre prevalece! Quando eu busco meu Deus de todo coração é que eu vejo as maravilhas acontecerem e minhas orações serem respondidas.

Daladier Lima disse...

Um dos grandes problemas que eu enxergo neste tema é que muitos líderes (alguns citados no site monergismo pelo Pr Altair) tomam as manifestações pentecostais como diabólicas mesmo!
Um dia desses um pastor amigo foi visitar uma das mais tradicionais igrejas batistas do Recife/PE, a Igreja da Capunga, onde fica o Colégio Americano Batista, e ficou estupefato com o baixo nível dos argumentos do pastor que ali pregava. Ele não só condenava o pentecostalismo, como creditava o movimento na conta de Satanás.
A sorte destas pessoas é, salvo as execeções, nosso desprezo pela Palavra de Deus, bem como a fragmentação em inúmeros grupos. Se não fosse isso, nós estaríamos bem à frente deles. Cabe registrar, inclusive, que para crescer não há problema com nosso radicalismo com usos e costumes. No meu bairro há 24 AD, contra 2 Batistas Tradicionais, 2 Adventistas, 2 Brasil Para Cristo, 1 Batista Missionária. De maneira que somadas com a Igreja Católica não chegaria à metade. Infelizmente, vez ou outra despreza-se este patamar em nome de bobagens.

james disse...

Interessante como os pentecostais defendem sua doutrina, criticando as de outrem...

Chamando a atenção que este ‘movimento’ criado até então há um século, baseando-se no ocorrido em o Dia de Pentecostes, afirma que todo crente deva buscar o ‘batismo com o Espírito Santo’, e que este batismo, tem por sinal o ‘falar em línguas estranhas’...

Mas, examinando as Sagradas Escrituras, não é o que deparamos com o relato de Atos 2 nem tão pouco com 1Coríntios 12, pois tais relatos não tratam de ‘batismo’ e sim de “... foram cheios do Espírito Santo” (vs. 4) e “... procurai com zelo os melhores dons...” (vs. 31), respectivamente, além do que, no referido livro de Atos, ainda no capítulo 2, deparamos com o relato de que, os discípulos não falavam ‘línguas estranhas’, mas, “todos os temos ouvido em nossas próprias línguas” (vs. 11), e bem mais, podemos meditar nas palavras do então apóstolo Pedro que afirmou “... diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne”... (vs. 17).

Aliado aos relatos acima, deparamos com o mártir Estevão, agora no livro de Atos, capítulo 7, que em nenhum momento foi afirmado ser ‘batizado com o Espírito Santo’, mas, como nos testemunha a Palavra Divina, ”Mas ele, estando cheio do Espírito Santo... viu a glória de Deus e Jesus, que estava à direita de Deus.” (Atos 7.55).

Conjuntamente à doutrina pentecostal, afirma Gutierres (um pentecostal?), “pois o pentecostalismo ainda não conseguiu construir uma tradição acadêmica”, assim, quando Paulo inspirado pelo Espírito Santo afirma “Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu.” (2Tessalonicenses 3.6), invariavelmente fica o questionamento, que base bíblica tem a ‘tradição pentecostal’, sendo criada há um século???

Finalmente, nos dá a certeza da verdade a Palavra de Deus, que nos exorta a “enchei-vos do Espírito”, e, não buscando um ‘batismo’ como por tradição, admoestando o Senhor Jesus, quando repreende aos ‘acadêmicos’ e doutores da lei, “E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus.” (Mateus 15.6).

Louvai ao Senhor.

James.
www.jesusmaioramor.blogspot.com

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Junior, a paz do Senhor!

Agradeço por sua visita nesse espaço. Fiz algumas visitas ao seu blog e quero dar parabéns pelo espaço. Incentivo que continuemos nessa missão de blogueiros, colocando textos com conteúdo para edificação de nossos irmãos.
Um abraço!

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Jefferson, a paz do Senhor!

É isso mesmo, precisamos enfatizar os pontos essenciais da fé cristã! As brigas em pontos secundários trouxeram e continuam trazendo prejuízos para o Reino de Deus. É claro que precisamos ter firmeza doutrinária, não sendo fluídos e inconstantes em nossa crença. Não façamos de nossas tradições teológicas (como arminianismo, tricotomia, congregacionalismo, milenismo, diferencialismo etc.) como a “reta doutrina”. Esses são pontos que podem ser discutidos...
Vamos evitar dois extremos:

a) O Fundamentalismo- que torna todas as questões como absolutas e irrevogáveis, avessos a qualquer tipo de mudança. Pessoas que consideram hereges todos aqueles que pensam diferente deles.
b) O descontrutivismo e revisionismo teológico- Nessas correntes nada é perfeito, não existe objetividade, a “verdade” é relativa etc. Esses desprezam a Bíblia, não apresentam nenhum fundamento e abraça qualquer corrente que apareça...

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Daladier, a paz do Senhor!

-O diabo é o outro. Com essa expressão um famoso filósofo resumia o espírito fundamentalista presente no meio protestante. Quando se despreza algo sem argumentos consistentes, se parte logo para ofensas e palavras de baixo-calão. Chamar os pentecostais de endemoninhados ou a glossolalia de línguas demoníacas mostra a fraqueza argumentativa de muitos cessacionistas...

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

James, a paz do Senhor!

O assunto sobre evidência do Batismo no Espírito Santo não faz parte desse post, mas eu já escrevi sobre o assunto e recomendo a leitura... (http://teologiapentecostal.blogspot.com/2007/12/falar-em-lnguas-evidncia-fsica-inicial.html).
O restante do seu comentário sobre “tradição” não ficou claro para mim, mas também parece que você não entendeu o que eu quis dizer para “tradição acadêmica”.
Vejo que você apresenta forte objeção pelo academicismo, pois em alguns posts você até chegou a citar II Co 3.6, como a “letra mata”. Ora, se você acha que esse versículo proíbe a reflexão teológico-acadêmica, vejo que você precisa urgentemente de estudo bíblico para entender que um texto tem seu contexto, e o contexto desse versículo mostra que Paulo está se referindo a Lei de Moisés e não ao estudo acadêmico... A Lei de Moisés (letra) mata, no sentido de apresentar somente o pecado ao homem, e não o livramento desse pecado. A lei apontava, mas não direcionava à purificação da alma...

james disse...

Este post frisa “No período em que o pentecostalismo começou...”, então se falo sobre o ‘batismo com o Espírito Santo’, estou falando de ‘pentecostalismo’ e sobre sua ‘tradição acadêmica’, então, não estou fora do assunto, aliás, como afirmei “os pentecostais defendem sua doutrina, criticando as de outrem”...

E, quando falo sobre a “letra mata”, faço um comparativo de que as pessoas usam a Palavra de Deus em sua forma escrita e não espiritual, bem como faz esta tradição pentecostal, querem se apegar a letra, não ao espiritual, qual seja, criaram um particular através da letra para terem exclusiva posição diante de Deus, com suas pregações do ‘batismo com o Espírito Santo’, causando divisão dentro das igrejas e principalmente frustrações em vários membros que não conseguem chegar a este ‘batismo’, o que nunca chegarão...

Ah!... COM CERTEZA NÃO SOU CONTRÁRIO AO ACADEMICISMO, MAS, COM CERTEZA SOU CONTRÁRIO A INTENÇÃO DA EXCLUSIVIDADE IMPOSTA POR UM GRUPO INTELECTUAL ‘ACADÊMICO’ QUE SE ACHAM OS DONOS DA VERDADE...

E, obrigado por se preocupar em indicar estudo bíblico, mas tenho a certeza em Cristo Jesus que não será através da teologia pentecostal e sua tradição acadêmica que chegarei ao conhecimento da Verdade...

Anchieta Campos disse...

Creio, ou melhor, tenho a certeza que a Bíblia não sustenta dois posicionamentos distintos em alguns assuntos tidos como secundários, e.g., predestinação incondicional X livre-arbítrio; cessacionismo X contemporaneidade dos dons, e outros temas mais específicos (e 'secundários') ainda.

Mas creio também que a Bíblia nos ensina que existem ensinos cardeais da doutrina cristã, enquanto que existem outros que podem coexistir pacificamente com discordâncias, sem necessariamente resultar em uma divisão ou separação.

Minhas convicções teológicas estão fundamentas na Bíblia. Ela me leva a crer na atualidade dos dons, por isso que creio assim. Mas ela também me leva a crer que os protestantes históricos são irmãos em fé, pelo fato de se manterem ortodoxos nos fundamentos e não serem movidos por modismos teológicos.

Aproveito e deixo os links de dois artigos de minha autoria sobre o tema em pauta.

http://anchietacampos.blogspot.com/2008/01/os-dons-espirituais-esto-disponveis-nos.html

e

http://anchietacampos.blogspot.com/2008/01/os-dons-espirituais-esto-disponveis-nos_03.html

Abraços fraternos caro irmão Gutieres. Mais uma vez parabéns pelo seu blog, que é um espaço sério em defesa das Sagradas Escrituras.

Anchieta Campos

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

James, a paz do Senhor!

Não consigo compreender a dicotomia que você criou entre Palavra de Deus escrita e Palavra de Deus espiritual. Veja essa espiritualização cria uma subjetividade sobre textos claros, onde a interpretação depende de uma suposta “revelação” da parte de Deus. Interpretação subjetiva e individualizada é o que você acaba por criar na expressão paulina “a letra mata”.
Um abraço,

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Anchieta, a paz do Senhor!

É isso aí, pois no decorrer no nosso debate, tenho afirmado a importância de valorizarmos com “unhas e dentes” as doutrinas cardeais, aquelas expressas nos concílios da cristandade e expressas nos credos da patrística. Em questões secundárias, deve imperar o amor, respeito e debate no campo das idéias.

Daniel disse...

Não gostei, embora note um esforço por parte do autor em fazer algo relevante. O problema que notei foi um tom meio "vamos meter o pau nos fundamentalistas" e nisso concordo com o James, pois para defender o seu, você atacou o do outro.

Há fundamentalistas e fundamentalistas. Sou fundamentalista, congrego em uma igreja Batista Regular, mas não acho que Disney seja do diabo, nem que o Pentecostalismo seja heresia. Em três anos de igreja batista nunca vi nenhuma pregação ou conversa social disposta a inferiorizar os pentecostais ou a viajar na maionese achando, por exemplo, que o 11 de setembro foi um castigo de Deus ou obra satânica, etc.

Porém, há irmãos que pensam desta forma e eles são livres para pensar deste jeito, da mesma forma que sou livre para discordar deles. Na minha igreja existe espaço para questionamento e liberdade de opinião acerca dos pontos supra levantados.

Achei que o post desperdiçou uma grande chance de fomentar o debate levantando os prós e os contras do fundamentalismo. Eu só vi contras e isso é lamentável, é tendencioso, é pernicioso.

Mas valeu o esforço. E prossigamos em frente rumo ao alvo que é a semelhança em Cristo Jesus.

Paulo Brasil - Através das Escrituras disse...

Muito equilibrada a tese.

Não entendo a questão Soberania (Calvino) e Livre-arbítrio (Armínio) não ser um questão fundamental. Envolve diretamente a pessoa de Deus e o pecado humano.

Quanto às ofensas feitas, não são expressões de santidade, portanto, devem ser desconsideradas.

abs

Que Deus seja louvado.