quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Entrevista com Geremias do Couto


Pastor Geremias do Couto é escritor, conferencista, autor do livro A Transparência da Vida Cristã (CPAD), comentarista da revista Lições Bíblicas para a Escola Dominical, presidente da Omega Mission Ministry, Inc, membro da Casa de Letras Emílio Conde, editor pela CPAD da Bíblia de Estudo Pentecostal, verbete do Dicionário do Movimento Pentecostal e Coordenador Nacional do projeto Minha Esperança - Brasil, da Associação Evangelística Billy Graham. Na área acadêmica tem formação em Comunicação Social; possui bacharel em teologia pelo IBAD e mestrado pelo Gordon-Conwell Theological Seminary.
Nessa entrevista, o pastor Geremias do Couto fala uma pouco sobre o projeto Minha Esperança Brasil e o lançamento do seu futuro livro sobre cosmovisão cristã.


01. Blog Teologia Pentecostal: Como se iniciou o projeto Minha Esperança no mundo?

Geremias do Couto: O projeto Minha Esperança é o resultado de uma reunião entre líderes evangélicos da America Latina e a Associação Evangelística Billy Graham, ocorrida em 2002, quando se discutiu qual seria a forma mais eficiente de se alcançar todo um país, de uma só vez, com a mensagem do Evangelho. Esse foi o ponto de partida para um projeto que já foi realizado em mais de 40 países no mundo, com mais de nove milhões de decisões por Cristo.

02. Qual a diferença ou ineditismo do projeto em relação a outras campanhas da Associação Evangelística Billy Graham?

O forte da Associação sempre foram as cruzadas evangelísticas. Elas cumpriram, ainda cumprem, um papel histórico na evangelização mundial. Mas seu alcance é bastante restrito, pois se realiza sempre no âmbito de uma cidade e depende do comparecimento das pessoas ao estádio, alcançando um número reduzido de pessoas.

Com o Minha Esperança é diferente. Em parceria com as igrejas evangélicas, elas são desafiadas a treinarem os seus membros para que sejam Mateus e abram os seus lares para os seus amigos, parentes e vizinhos, tal qual o discípulo de Cristo que, após converter-se, abriu o seu lar, convidou os amigos e estes puderem ouvir a mensagem do próprio Jesus.

Em nosso caso, serão milhares de mini-estádios espalhados pelo Brasil em que cerca de 10 milhões de pessoas assistirão as transmissões dos três programas de Minha Esperança, pela Rede Bandeirantes, às 21:00hs, horário de Brasilia, nos dias 6, 7 e 8 de novembro. Quantos Maracanãs seriam necessários para abrigar esse povo? Assim, o Minha Esperança, pelo seu alcance, é muito mais efetivo como instrumento de evangelização.

03. Como tem sido trabalhar com as mais diversas denominações?

Tem sido uma bênção. Encontramos as portas abertas e um interesse profundo pelo projeto. As lideranças, de modo geral, estão compreendendo que o Minha Esperança é uma ferramenta que ajudará, inclusive, a restaurar o papel da evangelização na igreja local, hoje muitas vezes colocado em plano secundário para dar lugar apenas às mensagens motivacionais. Temos cerca de 40 denominações envolvidas, com cerca de 90 mil igrejas comprometidas e mais de um milhão e 180 mil lares projetados em todo o país.

04. Nessa fase pré-programa, as expectativas têm sido atendidas?

Sem dúvida. Distribuímos cerca de um milhão e cem mil kits Mateus. Hoje já não dispomos de mais materiais, de maneira que as "igrejas da última hora" estão sendo orientadas a baixar o material do nosso website: http://www.minhaesperanca.com.br/. Teremos, com certeza, a maior colheita de almas da história do nosso país.

05. O senhor, juntamente como o pedagogo e teólogo César Moisés de Carvalho estão escrevendo uma densa obra sobre cosmovisão cristã, que contextualiza com a realidade brasileira. Quais são os temas que serão destaques no livro?

Estamos tratando de como expressar a nossa fé no mundo contemporâneo. Igreja, Ciência, Política, Educação, Artes, Cultura e outros temas estão sendo correlacionados e mostrados à luz da cosmovisão cristã, em linguagem acessível a todos, mas que atenda também ao público acadêmico em geral. É uma tarefa gigante, que está sendo construída passo a passo, com a ajuda de Deus. Esperemos concluí-la nos próximos meses para que venha à lume em 2009.

06. O senhor foi editor da famosa obra E agora, como viveremos? de Charles Colson e co-autoria de Nancy Pearcey. Os autores defendem a aplicação de uma cosmovisão cristã na sociedade secularizada em que temos vivido. O livro fez sucesso e hoje é adotado inclusive em cursos de mestrado. Seria a aplicabilidade da cosmovisão cristã na sociedade é dos maiores desafios da igreja brasileira?

Acredito que sim. Por várias razões, ao longo dos anos, construímos uma visão dicotômica da vida cristã. Nossa expectativa é o céu e não temos nenhum compromisso em influenciar o mundo no qual vivemos, pois, como disse alguém, tudo vai de mal a pior. Mas não é bem isso que encontramos na Bíblia. Ela nos aponta para uma fé que não se aliena, mas participa, influencia e vê a vida não de forma departamentalizada - vida cristã, vida secular - mas como um todo, onde cada ato nosso repercute no ambiente em nos expressamos. Ou seja, esse é o nosso grande desafio desta era.

07. "Um livro que não fica em pé não presta", já dizia um escritor prolixo. Quais são os maiores desafios de escrever uma volumosa obra, sem cair no academicismo incompreensível, nem na redundância desnecessária e ainda despertar o interesse do público ledor brasileiro?

Eu diria que este é um trabalho doloroso. É como um parto. O nosso desafio, entre outros, tem sido dosar a nossa linguagem para não caírmos no "academicismo imcompreensível", mas também não vulgarizarmos o texto e ele se torne conceitualmente fraco pela pobreza da linguagem. Precisamos das orações de todos e compreensão se, em algum ponto, não conseguirmos alcançar essa meta.

08. Quais são os pensadores cristãos que mais influenciam a construção de pensamento da obra?

Abraham Kuyper, Francis Shaefffer, Charles Colson, Nancy Pearcey, John Piper, C.S. Lewis, Norman Geisler, entre outros.

Leia também:

Entrevista com Silas Daniel, editor do Jornal Mensageiro da Paz. http://teologiapentecostal.blogspot.com/2008/01/entrevista-com-o-pastor-silas-daniel.html

Entrevista com Ciro Sanches Zibordi, autor do livro Erros Que os Pregadores Devem Evitar.
http://teologiapentecostal.blogspot.com/2008/07/entrevista-com-o-pastor-ciro-zibordi.html

Entrevista com Isael de Araújo, autor do Dicionário do Movimento Pentecostal.

http://teologiapentecostal.blogspot.com/2007/12/entrevista-com-o-pastor-isael-de-arajo.html

13 comentários:

Anônimo disse...

Gostei da entrevista.
Fico impressionado como cada vez mais pensadores pentecostais mencionam Abraham Kuyper, Francis Shaefffer, Charles Colson, Nancy Percey, John Piper, C.S. Lewis, Norman Geisler como fonte de inspiração. Estaria havendo uma certa inclinação para a teologia reformada (ex. Piper, Kuyper, Schaeffer)no movimento pentecostal clássico?

Abraço,
Matias

Victor Leonardo Barbosa disse...

Tive a honra de conhecer o Pastor Geremias do Couto em Macapá, na 14° conferência de escola dominical.

Espero, pela graça de Deus adquirir estes próximo lançamento da CPAD

cincosolas disse...

Ótima a entrevista.

Sobre as referências a teólogos reformados, também tenho notado isso. E como pentecostal e calvinista, não posso deixar de me alegrar quando noto um número crescente de reformados experimentando os dons espirituais e um número cada vez maior de pentecostais interessado em obras reformadas.

Em Cristo,

Clóvis

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Matias, a paz!

Realmente há um significativo crescimento da “teologia reformada” no meio pentecostal. Eu particularmente sou muito influenciado por teólogos reformados, mas não sou um calvinista adepto da TULIP. Quanto ao eterno debate arminianismo x calvinismo, penso que posso aprender bastante com Armínio e Calvino e não preciso me fechar na redoma de uma corrente teológica que aborda um assunto tão complexo. Não é que caí na onda pós-moderna de fugir de correntes fixas, mas não vejo que o assunto se esgota no calvinismo ou arminianismo.
O crescimento da “teologia reformada”, nesses últimos anos, tem sido constante em igrejas batistas, pentecostais e anglicanas. A revista “Christianity Today (September 2006, Vol. 50, N. 9), relatou sobre o crescimento da “teologia reformada” entre jovens líderes evangélicos, tendo como contraponto o avanço da Igreja Emergente. Veja mais: http://www.christianitytoday.com/ct/2006/september/42.32.html

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Victor, a paz!

Realmente, o pastor Geremias é muito simpático. Certamente essa obra será de um marco na literatura pentecostal.

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Clóvis, a paz!

No último artigo para a revista ULTIMATO, dom Robinson Cavalcanti escreveu um interessante artigo onde destacava a diferença entre os pentecostais e os pseudo-pentecostais, pois segundo o reverendo anglicano é uma grande injustiça dos sociólogos da religião colocar todos sobre um mesmo prisma. No artigo Cavalcanti destaca que os pentecostais estão cada vez mais próximos da teologia reformada, assim como os reformados tem absorvido algumas doutrinas e práticas pentecostais, como maior flexibilização diante dos dons do Espírito. O articulista chama esse novo momento no evangelicalismo de “bloco histórico”, onde pentecostais e reformados estão mais próximos e cada um influenciando o outro.
Veja o artigo de Robinson Cavalcanti: http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&secMestre=2271&sec=2289&num_edicao=314

Anônimo disse...

Acho importante a abertura dos pentecostais para a teologia histórica. O Geremias do Couto parece entender isto. Por isto estou muito esperançoso em relação ao movimento pentecostal clássico, que tanto contribuiu para a evangelização do Brasil (e de outros países sulamericanos, africanos e asiáticos).
Levar o evangelho na dependência do Espírito Santo, na força da oração e na prática dos dons é a marca do pentecostalismo. A teologia reformada, em uma versão light (tambêm não sou calvinista de 5 pontos, mas de 3.5 pontos...) pode contribuir muito no discipulado e na compreensão de ser cristão nos desafios diários e o depender da graça de Deus.
Quem sabe, Geremias do Couto, e outros, como nosso jovem irmão Gutierres, possam ser usados para que tambêm na expressão pentecostal da fé cristã, não o homem ( o 'supercrente' ) esteja no centro, mas Deus e Sua graça, que opera na e apesar da fraqueza humana.
Em um época onde tantos se autodeclaram apóstolos, dominadores da fé do povo (invés de colaboradores), explorando a crendice, fazendo o povo acreditar em seus poderes miraculosos, invés de serem faróis que apontam para Jesus Cristo, o Verdadeiro Pastor e Salvador. E o único SENHOR da igreja. Este é o grande legado da teologia reformada.
Um abraço,
Matias

Eduardo Neves disse...

Graça e Paz

Parabéns pelo blog e que o Senhor Jesus continue-o abençoando. Convido-o a ler meu recente post “Ignorais que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?” de meu blog Entendes tu o que lês?/ http://eduneves.blogspot.com/

Um abraço!!!

Eduardo Neves.
“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens,” Tito 2:11

Talita Cristina M.Santos disse...

Muito bom...è disso que eu estou falando mobilização pra ganhar almas, isso é de extrema importancia para esta ultima hora...
le de vez enquando o blog tá...http://sejadiferentesigaacristo.blogspot.com/
Shalom Adonai

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene

Prezado Gutierres, meus parabéns por esta entrevista tão informativa. Pastor Geremias explicou com detalhes preciosos o projeto evangelístico Minha Esperança.
Além das adjetivos do entrevistado, que os blogueiros tiveram o privilégio de conhecer, soma-se o seu amor pela literatura de qualidade, o pensamento crítico e ao mesmo tempo piedoso, e a paixão pela conversão dos pecadores. Pastor Geremias é, em minha opinião, se não for o maior, o principal ou o melhor pensador das igrejas pentecostais brasileiras.

Deus conceda sucesso ao Pastor Geremias do Couto e ao blog Teologia Pentecostal.

Um abraço
Esdras Bentho

Pr. Carlos Roberto disse...

Prezado Gutierrez!
Parabéns pela publicação da entevista do Pr. Geremias do Couto!
Assim como outros comentaristas, também entendo ser o entrevistado, uma das maiores, senão a maior referência para registrar esse tão esperado equilíbrio entre o pentecostalismo clássico e a teologia reformada.
Não é por acaso que foi escolhido pela Associação Billy Graham, para ser o coordenador do Projeto Minha Esperança Brasil, projeto esse que navega de reformados a pentecostais e até neopentecostais.
Para tanto, era necessário alguém com firmeza, trãnsito livre e espírito de moderação suficientes para navegar em oceano de águas humanamente às vezes turbulentas.
Graças a Deus, como no caso de Daniel, achou-se no Pr. Geremias do Couto essas qualidades.
Parabéns a voce e ao Pr. Geremias.
Em tempo:
Estarei postando o link da entrevista no POINT RHEMA.
Um abraço!
Pr. Carlos Roberto

Pastor César Moisés disse...

Caro Gutierres

Alegrou-me ler a entrevista com o pastor Geremias do Couto.

Tenho profunda admiração pelo modo com que você trata os assuntos referentes ao pentecostalismo. Percebo também que o seu blog tem sido um instrumento de edificação em meio as trivialidades e questiúnculas que alguns teimam em colocar na blogosfera.

Em um meio tão carente de pensadores críticos, vemos que você tem lido bons textos e parece que também possui alguns referenciais, como é o caso do pastor Geremias do Couto, que, como disse o caro companheiro Esdras Bentho, é um dos maiores pensadores dos arraiais pentecostais.

Sua maturidade adquirida na leitura bíblica, bem como no estudo de textos reflexivos, acadêmicos e teológicos, faz com que acreditemos que, mesmo em meio as bizarrices existentes em nome do pentecostalismo, um grupo de pessoas tementes ao Senhor, genuinamente pentecostais e conscientes de seu papel neste mundo, está levantando.
Glória a Deus por isso!

Ore por nós (pastor Geremias do Couto e eu), para que o Senhor nos capacite na consecução deste grande projeto literário.

Um grande abraço

vanderleia disse...

O unico de A à Z, que funciona é o A à Z de Deus.