terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Minha Esperança Brasil: PARTICIPE!

Conclamamos a todos os leitores do Blog Teologia Pentecostal para fazer parte desse projeto. Vamos evangelizar o Brasil com a força dos lares Mateus, que farão o seu papel de proclamadores do evangelho.
Veja mais detalhes no Blog do pastor Geremias do Couto, coordenador nacional do Projeto Minha Esperança Brasil.
Blog Manhã com a Bíblia:
http://geremiasdocouto.blogspot.com/2008/02/minha-esperana-brasil-sua-igreja-vai.html
Site: www.minhaesperanca.com.br

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Nova Unção?

O meio evangélico é rico em clichês e palavras de efeito, mas muitas dessas palavras contradizem a correta interpretação de doutrinas e conceitos bíblicos. Muitos pentecostais usam com freqüência a palavra unção, sendo esse termo colocado em diversas situações: "O pregador é ungido, receba unção, você precisa de unção, o pastor visitante transmite unção etc." O conceito de "nova unção" tem suscitado dúvidas em muitas mentes, pois será que existem "novas unções"?
O I João 2.20 está escrito: "E vós tendes a unção do Santo e sabeis tudo". João em sua epístola universal, direcionando sua mensagem para a comunidade cristã, coloca que todos os regenerados são ungidos. Esse versículo quebra uma idéia muito comum de classes especiais, pois muitas vezes o pastor ou pregador são considerados pessoas acima dos demais por causa da "unção". Ora, todos os regenerados são ungidos, portanto, essa não é uma prerrogativa de um pregador ou pastor. Lembrado que ninguém é ungido pastor, mas são ordenadas para o ministério e ninguém recebe unção para liderar, sendo já possuidor do dom de pastorado. Ungidos eram reis, sacerdotes e profetas no Antigo Testamento, quando somente algumas pessoas experimentavam a plenitude do Espírito Santo, mas no Novo Testamente todos os regenerados são habitações do Espírito Santo, logo são ungidos. É preciso diferenciar os ungidos do AT para os do NT.
A unção, portanto, é o próprio Espírito Santo habitando no crente regenerado, isso fica claro no texto acima citado pela NTLH: "Porém sobre vocês Cristo tem derramado o Espírito Santo, e por isso todos vocês conhecem a verdade". Ser ungido não é ser batizado no Espírito Santo ou falar em línguas ou expressar manifestações exteriores, mas sim, é o crente como habitação do Espírito Santo (cf. II Co 1.21-22).
Mediante a correta compreensão do que é unção, fica bem claro que estruturar "novas unções" não é biblicamente sustentável. João no mesmo capítulo e no versículo 27, diz que "a unção que dele recebestes permanece em vós", portanto não há novas habitações do Espírito Santo, pois Ele permanece no cristão, ou seja, não são visitações periódicas, mas habitação. O teólogo pentecostal Anthony David Palma lembra da colocação do substantivo chrisma (unção), em I Jo 2.20,27, onde essa palavra traz a idéia de "algo que os crentes receberão no passado e que é possessão no presente" e Palma complementa: "Paulo e João relacionam essa unção à obra do Espírito em regeneração, embora alguns a relacionem com o batismo no Espírito. Nem Paulo em João falam de ‘unções’ adicionais" [1].
Um modismo denominado de "transferência de unção" tem invadido dos púlpitos desse país. Não há base bíblica alguma para tal façanha, mas os promotores desses modismos estão ligados a "bênção de Toronto", com sue famoso "cair no espírito". Alguns ousam citar II Rs 2.9 de forma distorcida, pois o texto trata de autoridade profética vetero-testamentária. No ato de transferência de unção, o pregador normalmente é considerado um ser de outro mundo, onde todos querem sua "unção", sendo verdadeiros atos de idolatria aos líderes carismáticos.
Nova unção e suas transferências são mais modismos que invadem diariamente os púlpitos desse país. Todos precisam ficar atentos para a Palavra e compreender o real sentido da unção, que é o Espírito Santo habitando no cristão. O contexto de I João 2 trata inclusive de discernimento, pois aqueles que são ungidos tomaram mais cuidado com o que ouve e vê (cf I Jo 2.18-27 e I Co 14. 37).


Referência Bibliográfica e Notas:

1- Leia mais sobre unção em um dos primeiros artigos do Blog Teologia Pentecostal:
http://teologiapentecostal.blogspot.com/2007/05/o-que-uno.html

2- PALMA, Anthony D. O Batismo no Espírito Santo e com Fogo. 4. ed. Rio de Janeiro: 2006, p. 120.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

1° Aniversário do Blog Teologia Pentecostal


Nesse mês de Fevereiro, o Blog Teologia Pentecostal está fazendo o seu primeiro aniversário. Eu, Gutierres Fernandes Siqueira, quero agradecer a todos os amados irmãos, que são leitores assíduos do Blog, além do apoio a essa causa.
Por meio da blogosfera, foi possível construir até amizades, onde a comunhão cristã se estendeu para a web.


Veja a relação de todos os posts desse blog e deixe um comentário sobre o texto que você mais gostou:



02- Amor, o regulador dos dons espirituais.






















22- O antiintelectualismo mata, mas o Espírito vivifica.
http://teologiapentecostal.blogspot.com/2007/10/o-antiintelectualismo-mata-mas-o.html














35- Espiritualidade Pentecostal: O que é ser espiritual? Parte 01
http://teologiapentecostal.blogspot.com/2008/01/espiritualidade-pentecostal-o-que-ser.html


36- Espiritualidade Pentecostal: O que é ser espiritual? Parte 02
http://teologiapentecostal.blogspot.com/2008/01/espiritualidade-pentecostal-o-que-ser_23.html




Obrigado a todos e que Deus nos abençoe!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

O “evangelho” da auto-ajuda

Ó, não ore para ter vida fácil! Ore para ser mais forte! Não ore por tarefas que se igualem às suas forças; ore por forças que se igualem às suas tarefas! Então, o cumprimento de seu trabalho não será um milagre, pois o milagre será você mesmo. Todos os dias você ficará maravilhado pela riqueza da vida que lhe sobreveio pela graça de Deus. Phillips Brooks [1]

Os seres-humanos sempre estão em busca de uma força impessoal, o qual chamam de energia, axé, elevação, ser-zen etc. São pessoas que estão na procura de alívio para as suas almas e buscam diversos meios para alcançar uma paz interior. São viagens a Índia ou a prática de ioga e meditação transcendental, que usadas no intuito de construir refresco para o espírito mostra ao homem o seu vazio existencial. Os best-sellers são livros de auto-ajuda que ensinam os passos diante de uma sociedade em pânico e que se vê diante do males modernos: depressão, solidão e desesperança. A sociedade da tecnologia não consegue se livrar dos males do desespero. O consumismo desenfreado mostra a falta de conteúdo na busca da felicidade e a falácia da vida perfeita desenhada em campanhas publicitárias. Esses fatos são explorados comercialmente por “guias iluminados”que, mediante passos corretos, ensinam a como ser feliz.

Infelizmente, a igreja moderna, embriagada pelo mundanismo, tem explorado um “evangelho da auto-ajuda”, onde o humanismo foi trocado pelo teocentrismo. São igrejas que ensinam o mesmo que autores esotéricos, agnósticos, budistas, não-religiosos, místicos, espiritualistas etc. São pastores que usam a mesma linguagem de Daila Lama ou tele-evangelistas que pregam um sermão baseado no best-seller “O Segredo”, em lugar de expor a Palavra.

O evangelho de Cristo traz ajuda ao homem, mas a Salvação por Cristo não é, simplesmente, um canal de bênçãos. O propósito máximo de Jesus, na cruz, foi restaurar a comunhão entre o homem e Deus. O homem foi criado para a glória de Deus, mas esse “evangelho” distorcido busca a glória para o homem, onde o bem-estar físico é mais valorizado que a construção de um caráter semelhante ao de Cristo. John Piper escreveu: “Não é para que nos tornemos importantes que Cristo existe. Antes, nós é que existimos para que ele seja importante, e para que nos alegremos com isso”[1].

Uma das doutrinas menos pregada, hoje em dia, é a da pecaminosidade humana. Os cristãos perderam a consciência de uma natureza pecaminosa e, hoje, buscam bênçãos por se acharem merecedores das dádivas divinas. O falso “evangelho” da alto-ajuda prega uma antropologia iluminista, ou seja, esquece do pecado original, sendo o homem bom, merecedor de bons presentes e colocando os imortais como a medida de todas as coisas, ou seja, humanismo no sentido negativo do termo. Ora, ninguém merece nada do Altíssimo, mas Ele, ainda assim, concede muitas e maravilhosíssimas bênçãos por sua misericórdia, pois “Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).

O “evangelho” da auto-ajuda despreza a soberania e a providência de Deus, pois a “auto” fala de uma ajuda própria, de uma força imanente; e não de uma ajuda do alto, de Deus. Max Lucado acertou em seu comentário:

A auto ajuda é uma boa idéia – mas uma mão limpa não pode ajudar a limpar uma suja. Logo, os princípios da auto-ajuda não são suficientes para o ser humano. Por isso, temos que buscar ajuda de outro lugar. Precisamos ter ajuda de Deus. É por isso que eu prefiro a Cristo-ajuda...[2]

O “evangelho” da auto-ajuda despreza o verdadeiro Evangelho da Cruz. Jesus disse: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8.34). Cruz não é sinal de prosperidade e bênçãos, mas sim de sofrimento, zombaria, vergonha, renúncia, rejeição. Por isso Paulo escreveu: “Nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos” (I Co 1.23). Ao contrário do que os púlpitos comprometidos com o mundo apregoam, Cristo chamou a humanidade para a Cruz, “porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 5.18). Como bem escreveu Erwin Lutzer:

No Novo Testamento, as promessas de bênçãos espirituais são dadas ao que permanecem fiéis ao Senhor, mas não há promessa de riqueza ou saúde. Na realidade, o que é prometido são pobreza, perseguição e provações, como o próprio Cristo experimentou.[04]

E John Piper complementa: “O objetivo da glória de Cristo não é nos tornar ricos ou saudáveis. Cristo é glorioso para que, na riqueza ou na pobreza, na saúde ou na doença, possamos nos alegrar nele”[5].

Infelizmente, a “filosofia” de vida humanista de Daila Lama, Rhonda Byrne, Michael J. Losier tem sido explorado por pregadores, ditos evangélicos, mas que se afastam constantemente do verdadeiro Evangelho. O fascínio por bênção no meio evangelical é assustador, e essa “bênçãos” são buscadas por técnicas baseadas no homem; esse é o aspecto mais negativo do “evangelho” que esquece da comunhão de amor abnegado por Deus e pelo próximo.

Cantando o seu poema, Moisés exclama: “O SENHOR é a minha força e a minha canção; ele é a minha salvação! Ele é o meu Deus e eu o louvarei, é o Deus de meu pai, e eu o exaltarei!”(Êx 15.2 NVI). Mediante as dificuldades da vida, cristãos devem ter consciência da força que está do nosso lado e não confiar em si próprios, pois “uns confiam em carros, e outros, em cavalos, mas nós faremos menção do nome do SENHOR, nosso Deus” (Sl 20. 7). Mas a maior necessidade do homem é ter Deus ao seu lado, pois como escreveu Asafe: "A quem tenho nos céus senão a ti? E na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti. O meu corpo e o meu coração poderão fraquejar, mas Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre". (Salmo 73. 25-26)


Referências Bibliográficas:

01- MODDY, D. L. Pensamentos para horas tranquilas. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1995. p. 12.

02- LUCADO, Max. Entrevista in Revista Cristianismo Hoje. N°01 Ano 01.

03- PIPER, John. Um Homem Chamado Jesus Cristo. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2005. p. 25.

04- LUTZER, Erwin. Quem é Você Para Julgar?. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005. p. 65.

05. PIPER, John. Idem.