domingo, 29 de junho de 2008

A problemática dos “usos e costumes” no contexto pentecostal (Parte 01)

- Estamos nos reunindo nessa noite para decidirmos se a irmã Maria [1] será disciplinada por corta os seus cabelos, pois ele cortou o véu que Deus deu as santas mulheres... Assim o pastor inicia um culto de “doutrina” em uma congregação assembleiana do interior. A grande questão daquela noite era um debate, entre o pastor e seus cooperadores, se aquela mulher deveria ser privada da comunhão por cortar as pontas do cabelo. A igreja com a liderança, concluiu, em um gesto de “misericórdia”, que a “pecadora” deveria ser perdoada. Enquanto isso, a irmã Maria estava em pé, na frente do púlpito e da congregação, acompanhando todo o desenrolar do seu futuro na comunhão da igreja, desaguando em lágrimas!
Essa história não é tão incomum e está longe de ser exceção. Em muitas igrejas pentecostais e algumas neopentecostais, principalmente interioranas e periféricas, os “usos e costumes” são levados a risca, como modelo de santidade e pudor que devem ser obedecidos por todos. Assuntos como cabelo, calça feminina, maquiagem, adornos, short masculino, pratica esportiva etc., são extremamente reprimidos em disciplinas e sermões de repreensão; havendo até músicas que condenam “trejeitos mundanos”.

01. Por que “usos e costumes” são ultra-valorizados no contexto pentecostal?

Os sociólogos e muitos filósofos da escola foulcaultiana, responderiam essa pergunta rapidamente, atribuindo esse valor aos usos e costumes como forma de controle social e demonstração do micro-poder por parte da liderança sobre os seus liderados. Essa reposta é incompleta e perigosamente superficial, pois há fatores mais importantes que levaram as comunidades evangélicas, especialmente os pentecostais, a desenvolverem uma doutrina ascética. O teólogo Ricardo Gondim, acertadamente comenta:

Não concordo com a tese de que muitos desses posicionamentos nasceram de uma conspiração das elites religiosas ávidas por se manterem em posição de autoridade. Creio que, na verdade, o legalismo origina-se de uma fraca compreensão do que significa o vocábulo "mundo" na Bíblia. [2]

Um dos fatores para a valorização de costumes rígidos está em movimentos que influenciaram o pentecostalismo. O Movimento Pentecostal é originário de correntes pietistas e puritanas, naturalmente ascéticas, por meio do metodismo e do movimento Holiness, dos quais muitos líderes pentecostais foram adeptos, entre eles William Joseph Seymour, que pertencia a igreja da Santidade. Todo o pietismo desses movimentos precursores do pentecostalismo tiveram influência direta sobre o modus vivendi dos pentecostais. Muito do ascetismo pentecostal pode ser comparado com outros grupos protestantes, que se apresentavam com sectários e contrários ao esfriamento espiritual das igrejas oficias e institucionalizadas.
Outro fator de grande influência no legalismo pentecostal é o sua interpretação com relação ao “mundanismo”. O entendimento de “mundo” [3] por parte dos pentecostais, sempre foi literal e relacionado aquilo que no mundo existe, principalmente na área do prazer, entretenimento e enfeites. [4] Esse entendimento molda a cosmovisão pentecostal taxando várias práticas, hábitos e costumes de “mundanos”. Normalmente o novo e inovador é visto com desconfiança, pois “inovações” cheiram “mundanismo”.
Os fatores sociológicos tiveram o seu papel no processo de legalismo e ascetismo dos costumes. O sociólogo evangélico Paul Freston[5], lembra que a Assembléia de Deus nasceu debaixo de um ethos sueco-nordestino. A cultura conservadora- paternalista nordestina, junto com missionários suecos que vinham de um contexto marginalizado produziram uma igreja vigilante, disciplinadora, que detinha controle interno sobre seus membros. Esse controle vinha por meio de exortações eloqüentes, além de “revelações” e forte pregação escatológica. A cultura nordestina sempre apresentou características masculinizadas ou machistas, sendo que no contexto da igreja, a maioria das imposições de costumes vem sobre as mulheres. Em 1946, o presbitério da igreja Assembléia de Deus em São Cristóvão, resolveu criar uma lista de costumes aceitos naquela igreja, sendo que das seis regras, todas eram imposições para mulheres. Samuel Nystrom repreendeu aquela medida legalista da igreja carioca, escrevendo no Mensageiro da Paz de 1947:

As ordenanças para manifestar humildade e severidade para com o corpo servem para satisfazer a carne, o erro, e elas, com facilidade, arranjam os que julgam mais santos do que outros, e isso resulta em inchação vã, e cria um espírito de fariseu, que é o maior impedimento para as bênção de Deus. [6]

Mais rígidas se apresentaram as Assembléias de Deus ligadas ao ministério de Madureira, no Rio de Janeiro, dirigida por Paulo Leivas Macalão. As igrejas ligadas a Macalão, tipicamente brasileiras, estavam desgostosas com “as aberturas liberais” das igrejas ligadas aos missionários suecos. Desprezando as exortações de Nystrom, sobre os exageros no legalismo, muitas igrejas implantaram regras mais duram do que era comum.

02. A retórica sobre usos e costumes.

Hoje, muitos pastores assembleianos estão comprometidos a preservar uma “identidade” nascente, onde os “valores” dos pioneiros possam ser preservados pelas igrejas atuais. Nesse assunto há muita retórica e pouca prática, pois nenhum dos pastores defensores da uma identidade “intacta” voltariam com os rígidos costumes de quarenta ou cinqüenta anos atrás. Basta ver suas congregações, onde houve muitas mudanças, inclusive a livre aceitação dos meios de comunicação, que deixou de ser tabu nas Assembléias de Deus.
Os discursos de importantes lideranças assembleianas continuam bem conservadoras, mas a prática de suas ovelhas tem sido gradativamente flexibilizadas em relação aos usos e costumes. No Mensageiro da Paz de fevereiro de 1991, o pastor José Wellington afirmou : “Não é costume dos crentes na Assembléia de Deus o uso de pinturas, brincos, etc. Não somos retrógrados, [apenas] desejamos [nos conservar] irrepreensíveis... Não danifique a Assembléia de Deus, ame-a ou deixe-a"; ainda para a Revista Veja do dia 02/07/1997, o pastor Wellington afirmou: “Não se ache na mulher a roupa do homem”, condenando o uso de calças para mulheres. Mas no dia a dia das congregações há visíveis mudanças, principalmente nas igrejas centrais e das metrópoles. O discurso parece que não tem surtido efeito sobre a nova geração de membros, onde congregações vivem constantemente conflitos em relação aos "costumes" que devem ser tolerados ou não.

OBS: Não perca a segunda parte e leia as notas escritas abaixo.
Leia mais:
http://teologiapentecostal.blogspot.com/2007/08/doutrina-usos-e-costumes.html



Notas e referências bibliográficas:

[1] O nome é fictício, mas a história é real e aconteceu em anos recentes, numa congregação assembleiana do interior maranhense.

[2] GONDIM, Ricardo. É Proibido, O Que a Bíblia Permite e a Igreja Proíbe. São Paulo: Mundo Cristão, p. 11.

[3] O entendimento sobre o que é mundo, sempre foi encarado de forma errônea. “Mundo” em I Jo 2.15-17 se refere a um “sistema” e não aos próprios objetos e vivência no Planeta Terra. Uma coisa é mundo com “sistema contra Deus e pecaminoso” e outra coisa é o mundo como “pessoas” e “planeta”. O “mundanismo” como sistema pode-se manifestar na medicina (eugenia), na moda (sensualidade), no esporte (violência por competição), nos relacionamentos (individualismo), nas finanças (avareza), no entretenimento (sensualidade e violência), no trabalho (competição a todo custo), na igreja (pragmatismo na pregação), na filosofia (relativismo) etc. Não significa que essas coisas em si sejam más, mas sim que é possível se tornarem mundanas em suas motivações e essência.

[4] Nos textos joaninos há três designações de mundo (do grego kosmos), conforme a explicação: “O ‘mundo’ tanto pode designar o universo ou a terra, como a gênero humano ou o conjunto dos homens que resistem a Deus e perseguem, com ódio, a Cristo e seus discípulos (Jo 7.7; 15.18-19; 17.14). Nesse último sentido, são João aproxima-se da oposição, comum no judaísmo, entre ‘este mundo’ (Jo 8.23), submetido ao pode de Satanás (Jo 12.31; 14.30; 16.11 e I Jo 5.19) e ao mal, e o ‘mundo vindouro’, que ele designa talvez com o nome de ‘vida eterna’ (Jo 12.25). No momento, os discípulos devem permanecer no mundo, embora não sejam do mundo (Jo 17.11-14)”. In A Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Edições Paulinas. 1984, p. 171.

[5] Freston afirma: “A mentalidade da AD carrega as marcas dessa dupla origem: da experiência sueca das primeiras décadas do século, de marginalização cultural; e da sociedade patriarcal e pré-industrial do Norte/Nordeste dos anos 30 a 60” In FRESTON, Paul. Nem Anjos nem Demônios. Petrópolis: Editora Vozes, 1994, p. 76-96.

[6] ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p. 879- 891.

domingo, 22 de junho de 2008

Por uma escatologia menos hollywoodiana Parte 02

Nessa segunda parte do artigo sobre as ênfases exageradas e deficiências na escatologia contemporânea, verificam-se mais alguns pontos que necessitam de explanação. Erros, no meio aos acertos, são comuns no estudo escatológico. Abaixo a descrição de mais alguns equívocos relacionados ao assunto.

01. A Escatologia precisa ser menos hollywoodiana.

Esse foi o título desse artigo. Influenciados pela ficção de Tim Lahaye, muitos estão obcecados com estrondosos eventos que acontecerão na Grande Tribulação. Suas preleções se resumem em falar detalhes desses tempos. Algumas analogias parecem extraídas das ficções mais exageradas de Hollywood, sendo pura criatividade sem base. Confundem muitos textos simbólicos das Escrituras, por uma literalidade sem tamanho, com uma hermenêutica defeituosa e tendenciosa.

02. A Escatologia não é exercício de futurologia.

Eis um erro comum aos amantes das últimas coisas. Pessoas curiosas com o futuro, descrevendo os seus detalhes, segundos hermenêuticas duvidosas. Meros curiosos, mas não contempladores de uma realidade que já se faz presente, isto é, o Cristo ressuscitado.
Escatólogos tão curiosos com o futuro, que recorrem a profecias e revelações sobre o tempo do fim. Os futuristas não se conformam as claras profecias descritas nas Escrituras, querem saber de cada detalhe, para esses Jesus tem uma resposta: “Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder.”(Atos 1.7)

03. A Escatologia deve ser exercida sem especulações baratas.

Especulação é o que não falta em muitas obras e pregações escatológicas. Hitler já foi o Anti-Cristo, o código de barra, o “www” e recentemente os chips foram candidatos a “marca da Besta”. Especulações sem base escriturísticas, que mais atrapalham e confundem, do que esclarece. Há até aqueles que receberam “revelações” que o Anti-Cristo já nasceu em algum país da Europa e que os satanistas estão protegendo essa criatura. Quantos detalhes! Hein?
Especulações não honram as Escrituras, pois querem ir além do que está escrito. A especulação é detalhista onde a Bíblia não se preocupa com detalhes.

04. A Escatologia é esperança.

Escatologia é um assunto relacionado as “últimas coisas”? Sim, não há como falar em escatologia sem citar “Tribunal de Cristo”, “Grande Tribulação”, “Armagedom”, “Milênio”, “Juízo Final” e “Novos Céus e Nova Terra”. Isso todos sabem. Além das últimas coisas, a escatologia deve ser encarada como a “bendita esperança” (Tt 2.13 ARA).

Esperança de tempos no refrigério da presença de Deus por toda eternidade. Esperança que fortalece o crente na sua aflição, no seu desespero, na sua angústia, no seu clamor. Esperança que lembra ao cristão, cidadão da terra, que a sua cidadania também pertence ao céu. Esperança que livra o cristão do niilismo pós-moderno e do materialismo secular. Escatologia e esperança e não pavor; alegria e não tristeza, livramento e não aprisionamento, glória e não ira... Glórias ao Cordeiro e Maranata!

05. Escatologia é vida presente, não somente futuro.

Preocupações, ocupações, prioridades, vida corrida e espiritualidade vazia. Eis um perigo de nosso tempo. Tempos, horas, minutos gastos nos próprios deleites... Mas e o cuidado na vigilância pela entrada do Noivo, onde está? O Reino de Deus já não é prioridade... A esperança na vinda de Cristo demanda vigilância. A escatologia marca a caminhada, presente, do cristão. A vigilância é essencial, mas com vigilância deve estar a expectativa, pois “desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (II Tm 4.8). Max Lucado escreveu:

Muitos de nós não temos problema em esperar, ou, eu deveria dizer que esperar é o problema? Estamos aguardando, mas não cheios de expectativa. Esquecemo-nos de perscrutar, investigando seu retorno. Temos tanta paciência que nos acomodamos. Estamos satisfeitos. Raramente atentamos para os sinais e mais raramente ainda vamos ao templo. Não permitimos que o Espírito Santo altere nossa agenda, mude nossos planos e nos conduza à adoração a fim de vermos Jesus.[1]

Se a escatologia se preocupar somente com o futuro, como ficará o presente da soteriologia, santidade, vigilância, comunhão etc.? O teólogo David Wells escreveu:

Por muito tempo, em teologias sistemáticas e tradicionais, a escatologia ocupou a parte final do trabalho, e preocupou-se com “as últimas coisas” ou “os últimos tempos”, com questões como retorno de Cristo, o milênio, o juízo, e a destruição do mal. No entanto, um dos maiores ganhos no estudo bíblico no último século foi perceber que a escatologia não é um acessório final ao corpo do conhecimento teológico, antes, é mais como um fio que é tecido ao longo de seus muitos temas. [2]

Portanto, a escatologia não deve estar desassociada das demais doutrinas cristãs. Não deve ser demasiadamente enfatizada na kerigma em detrimento dos demais assuntos da Bíblia. As demais doutrinas aplicáveis ao tempo presente devem andar de mãos dadas com as “últimas coisas”.

Escatologia não deve se transformar em monstros, mas vigilância e atenção. Escatologia não deve ser especulação, mas a certeza da volta de Cristo. Escatologia não deve ser motivo de medo, mas de esperança. Escatologia não é somente as “últimas coisas”, mas também como se vive no presente. Eis que escatologia é ver Cristo em breve!!!

Referências Bibliográficas:

01. LUCADO, Max. Quando Cristo Voltar. Rio de Janeiro: CPAD, 1999. p 34.
02. PIPER, John e TAYLOR, Justin (eds.) A Supremacia de Cristo em um Mundo Pós-Moderno. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. p 47.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Por uma escatologia menos hollywoodiana Parte 01

Ao discutir escatologia com muitos cristãos, principalmente os dispensacionalistas, tem-se a impressão que a temática é de algum filme de terror. A grande ênfase recai na Grande Tribulação e nos seus males aos crentes que vacilaram e não aguardaram a vinda de Cristo. Os detalhes são descritos com uma precisão impressionante, desde os chips que o Anticristo vai implantar até as nações que lutarão com e contra o governo da besta.
Certamente você, leitor, já assistiu inúmeras peças teatrais na sua congregação sobre a Grande Tribulação e os crentes mundanos (muitos segundos os conceitos daquela igreja e não segundo a Bíblia) que se dão mal. Sempre a sensação de horror impera no ambiente, com cenas fortes e emocionais.
Qual é o erro de uma escatologia que destaca a Grande Tribulação? Não é preciso alerta as pessoas sobre o perigo dessa época? Só se deve falar em coisas bonitas e agradáveis? Talvez algumas dessas perguntas já estão correndo não mente de leitores do primeiros parágrafos, mas tais indagações merecem respostas.
É errada a abordagem escatológica que só fala na Grande Tribulação, eis os motivos:

01. É preciso pregar “todo o conselho de Deus”.

Quando há ênfase demasiada em um assunto, sempre será prejudicial para a comunidade cristã. A proclamação do Evangelho deve ser completa e coerente com as Escrituras, dentro de um equilíbrio que as diversas doutrinas bíblicas exigem. Falar só do inferno sem falar do céu é um erro, assim como falar só do céu sem lembrar do inferno é outro erro equivalente. Falar só da pecaminosidade humana sem falar na Graça de Deus é gravíssimo, assim com a pregação da Graça barata que esqueceu do pecado. A divindade de Cristo não poder se esquecida, e assim a sua humanidade deve ser mantida.
O kerigma não pode ser segmentado, o exagero sempre leva por o extremismo. O equilíbrio é uma palavra de ordem no cristianismo. Os que tomam partido para as bordas sempre tem causado prejuízos irreparáveis para o Cristianismo. Pregue a Grande Tribulação, sobre a Ira de Deus, mas nunca se esqueça de enfatizar a Graça de Senhor.

02. Os exageros levam para a debilitação na consciência sobre salvação.

Quantos servem a Deus por medo? São milhares de cristãos, principalmente em ambientes legalistas que servem a Deus na base da vigilância, do medo. Confundem temor ao Senhor com pavor ao Déspota. São pessoas tão abitoladas, que pregam um arminianismo fatalista, onde a salvação sem perde em cinco segundos (ou até menos). Pregam uma salvação que de nada vale, pois é de difícil sustentabilidade; como fica a certeza da salvação nesse contexto? (I Jo 5.13).

03. Os exageros levam para o legalismo.

Há milhares de protestantes que esqueceram que a salvação é uma obra de Graça de Deus, algo que não se compra. São pessoas que atribuem salvação (ou a perda dela) atrelada a um estilo de roupa, liturgia, hinário, liderança, boas obras, assistencialismo, oração etc. Pessoas com a mentalidade doente diante da realidade terrível que pode assolar suas vidas na Grande Tribulação, normalmente correm para atitudes sectárias, ascéticas e legalistas; em lugar de correr para assistência do Espírito Santo na graça de Deus.

Não perca a segunda parte desse artigo.

domingo, 8 de junho de 2008

A Igreja Evangélica... Uma reflexão!

Uma reflexão, com frases desconexas, sobre algumas características marcantes nesse início de século!

- A igreja evangélica cresceu, mas também inchou de uma forma espantosa.
- O evangelicalismo faz barulho no Brasil, porém não tem transformado socialmente essa nação.
- O Brasil é o país que mais vende Bíblias no mundo e onde é possível ver vários pastores analfabetos na Palavra de Deus.
- O povo quer o poder de Deus e alguns o poder sobre o povo.
- Alguns confundem poder de Deus com manipulação humana.
- O dízimo se tornou o meio mais eficaz de rendimento, sendo um melhor negócio de que ações na bolsa ou conta poupança.
-A soberania de Deus é esmagada diante de crentes que andam determinando e profetizando suas vitórias para o próprio deleite.
- A oração do Pai Nosso foi substituída pelo oração do Pai Meu.
- O pastor professor foi substituído pelo pregador ator-animador de auditório.
- A Escola Dominical é taxada de coisa para tradicionalista retrógrado, o negócio agora é louvorsão profético.
- O reteté tem matado os verdadeiros dons espirituais.
- Pastores têm sido presos envolvidos em sonegação de impostos.
- A falta de ética é quase lugar comum.
- O ter é mais valoriza que o ser.
- Deus é visto como um papai-noel ou um mero empregado.
- A Bíblia é vista como uma caixinha de promessas.
- Os hinos só falam em vitória, vitória, vitória...
- Os pastores agora querem ser chamados de apóstolos e alguns já se intitulam de arcanjos.
- Muitos correm atrás de sinais, maravilhas e prodígios.
- Uns estão mais preocupados em determinar a cor de camisa ou o formado do paletó, do que atender o pobre e a viúva.

Complete com algumas frases e vamos denunciar esse desvio do Evangelho nas igrejas Evangélicas...

domingo, 1 de junho de 2008

Escatologia, ecologia e mordomia cristã

O aquecimento global é um dos grandes temas do século XXI, onde os índices e previsões dos principais cientistas não são favoráveis sobre o futuro do ecossistema no Planeta Azul. A mídia tem dado forte ênfase sobre o assunto e até mesmo Hollywood aproveita a temática para faturar em cima de super produções, como o filme Um dia depois de amanhã (Fox, 2004).
Independente se há, ou não, exageros sobre as previsões do aquecimento global, o tema não pode ser negligenciado. Nos últimos dois séculos o planeta tem sido violentamente agredido pela ação humana não sustentável, onde os processos de industrialização e modernização, além do êxodo rural que inchou cidades, vêm destruindo as principais reservas do planeta.
Mediante esse quadro, qual deve ser o posicionamento da igreja do Senhor sobre o assunto em questão? Os cristãos, de maneira geral, não estão muitos preocupados com as causas ecológicas, isso é um fato incontestável. Pouco e pequenos grupos cristãos tem entendido a importância do cuidado com a natureza, exemplo disso é o projeto EcoBíblia, desenvolvido pelo Instituto Gênesis 1.28 e a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB). O lançamento da Bíblia Ecológica, contou com a presença da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que é membro da Assembléia de Deus no Distrito Federal e com o apoio do pastor batista Ariovaldo Ramos [1].
Escritores de cosmovisão cristã, sendo um ramo da teologia que procura compreender os desafios sociais sob o viés bíblico, tem dado destaque em questões culturais, filosóficas, científicas, econômicas, sobre o entretenimento etc., mas pouco é o destaque sobre as questões ecológicas. Nesse sentido, a luta para construir uma cosmovisão capaz de mudar a sociedade em que os cristãos estão inseridos, passa por questões ambientais.

Por que há certa resistência ecológica pelos cristãos?

Alguns fatores contribuem para uma visão distanciada dos cristãos em causas ecológicas, sendo assim prejudicial para a cristandade sair de um debate que ela deveria tomar a frente:

a) Escatologia radical.

Umas das questões levantadas por muitos cristãos é a iminência da volta de Cristo. É claro que Cristo está às portas, mas a escatologia cristã não deve impedir o cristão de trabalhar em seu planeta. Usar a escatologia para justificar a apatia é anti-bíblico, pois se situa no mesmo erro dos crentes tessalonicenses que deixaram suas atividades por justificar sua letargia na doutrina da Vinda de Cristo. Paulo condena fortemente esse tipo de pensamento. Em um contexto doutrinário escatológico, Paulo exorta: “E procureis viver quietos, e tratar dos vossos próprios negócios, e trabalhando com vossas próprias mãos” (I Ts 4.11). Confira II Ts 3.11-15.
O uso indevido da escatologia tem levado muitos cristãos, inclusive, a deixarem de se sensibilizar diante de tragédias, como aconteceu recentemente no Mianmar e na China. Os bordões diante das notícias logo florescem como dizer que são os sinais se cumprindo. Essas tragédias são os sinais se cumprindo, mas além desse discurso a igreja Cristã precisa agir nesse momento para orar e ajudar as vítimas dessas catástrofes. Quantas igrejas reuniram seus membros por um minuto e oraram, para pedir que sobreviventes sejam encontrados e que as famílias chinesas, além do Mianmar, possam ser consoladas?

b) Negligência na mordomia cristã.

Cuidar da terra é mandamento bíblico (Gn 1.28; 2.15). Paulo lembra que, por causa do pecado, “toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora” (Rm 8.22). É dever do cristão cuidar da criação de Deus, pois a Imago Dei está na pessoa humana, que é responsabilizada pela responsabilidade de cuidar dos demais aspectos criativos de Deus.

c) Associar ecologista com espiritualismo ou algo sectário.

Há cristãos que generalizam; para ele todo desenho “é do diabo”, todo filme é obra “do demônio”, todo “ecologista é um idólatra da natureza membro de uma seita ligada à Nova Era”. Essas manias ultra-fundamentalista de alguns cristãos prejudicam bastante o entendimento bíblico da questão abordada. A apologética desses grupos cristãos sectaristas acaba por prejudicar a mensagem das Boas Novas que deveria levar adiante.
Os cristãos devem estar longe da idolatra reinante em alguns ambientalistas espirituosos, mas jamais poderão criar um clima maniqueísta sobre o assunto, sendo de um lado cristãos versus ecologistas.

d) Associar causas ecológicas com o “cristianismo” liberal.


Ninguém se engane com os discursos piedosos da maioria dos teólogos de linha liberal. Nos livros eles amam a dignidade humana, as pessoas excluídas, os necessitados, a natureza criada por Deus; mas ao final nada fazem na prática sobre suas falácias de piedade. O cristianismo liberal não é efetivamente ecológico, assim como a negligência dos conservadores fazem com que esses também não se envolvam com o assunto. Mesmo que os liberais fossem, realmente, ecológicos, isso não exima dos cristãos bíblicos de sua responsabilidade ambiental.

Conclusão

Os exageros existem; alguns proclamam a morte do mundo para amanhã; outros se dedicam as causas ambientais devotamente. Como lembra o teólogo Silas Daniel, hoje há “uma glamorização da idéia de ser verde” [2]. Mas além desses exageros há uma realidade urgente e uma obrigação bíblica do cuidado da Terra. Que nenhum cristão esqueça!

Nota e Referência Bibliográfica:

1- Mais detalhes sobre esse lançamento e projeto podem ser verificados nesse endereço: http://ecobiblia.blogspot.com/
2- DANIEL, Silas. A Sedução das Novas Teologias. 1 ed. Rio de Janeiro : CPAD, 2007. p. 271.