quinta-feira, 31 de julho de 2008

O Batismo no Espírito Santo

A diferença do pentecostalismo para outros grupos protestantes reside na doutrina do Batismo no Espírito Santo com evidência física inicial de falar noutras línguas. A sistematização e estudo sobre o assunto é objeto recente, mas seus desdobramentos correm pelos séculos da cristandade. O estudo superficial e preconceituoso sobre o assunto tem imperado em muitos arraiais, onde o pentecostalismo soa como movimento emocionalista para uns e heresia para outros. No decorrer desse artigo, algumas questões serão levantadas e respondidas à luz das Escrituras.

O que é Batismo no Espírito Santo?

A expressão substantiva "Batismo no Espírito Santo" é teológica e não bíblica, pois nas Escrituras só há menção da forma verbal. O assunto é descrito em boa parte do livro de Atos dos Apóstolos, mas também apresenta seus prólogos doutrinários nos Evangelhos. A expressão usada por Mateus para descrever as palavras de João Batista são baptismos pneuma hagion (βαπτισει εν πνευματι αγιω), traduzida verbalmente em português por "batizado no Espírito Santo" (Mt 3.11-12).
O Batismo no Espírito Santo pode ser definido, segundo o teólogo Antonio Gilberto, como "um revestimento e derramamento de poder do Alto, com a evidência física inicial de línguas estranhas, conforme o Espírito Santo concede, pela instrumentalidade do Senhor Jesus, para o ingresso do crente numa vida de mais profunda adoração e eficiente serviço para Deus" [1]. A expressão é ainda conhecida como "revestimento de poder", "ser cheio do Espírito", "segunda bênção" etc.
A expressão "Batismo no Espírito" é uma metáfora, significando que o crente é imerso no Espírito Santo ou recebe dEle um derramamento como aspersão. Sendo uma metáfora e não expressão usual para a doutrina do revestimento de poder, ela não é usada exaustivamente nas Sagradas Escrituras. Alguns conceitos determinados como fé, graça, lei, sábado, ofertas, resgate, regeneração etc., são expressos em todas as partes da Bíblia, mas a metáfora "Batismo no Espírito Santo" ficou registra aos evangelistas, para expressar uma "experiência" normativa na vida do cristão. A literalidade da expressão pode causar estranheza, mas como figura de linguagem há um desvio no significado das palavras a fim de reforçar a idéia da experiência. A palavra "batismo" deixa seu contexto de ordenança litúrgica sacramental, para subjetivamente designar a idéia de "revestimento de poder".

Várias expressões e um só significado; um só significado e várias expressões!

A terminologia "cheio do Espírito Santo" é a mesma coisa nos escritos de Lucas e Paulo? Parte dos exegetas respondem que não, pois em Lucas ser "cheio do Espírito Santo" está relacionado ao serviço e mordomia cristã, enquanto em Paulo ser "cheio do Espírito Santo" está implicitamente ligada em questões de caráter e santidade. Longe de ser uma contradição, há um verdadeiro complemento, pois como servir sem o caráter cristão? Como manifestar os traços de Cristo e ainda permanecer inerte diante do serviço para o Reino de Deus? O que deve ficar claro na mente dos leitores da Bíblia é que "Batismo no Espírito Santo" pode ser associado a "ser Cheio do Espírito" em Lucas, mas não nas epístolas paulinas. Certamente o contexto ministerial de ambos determinou a ênfase diferenciada.
Muitos contestam o fato do "Batismo no Espírito Santo" ser uma terminologia quase que exclusivamente lucana, contestando o fato das epístolas do apóstolo Paulo não incentivar a busca pelo revestimento de poder. Ora, o que determina a biblicidade de uma doutrina não é a exuberância de citações nas Escrituras, mas a clareza sobre o assunto onde o texto menciona os fatos. Se os números de citações determinassem a importância doutrinária, ofertas seriam mais interessantes do que regeneração ou as mobílias do Tabernáculo estariam em um patamar acima do "fruto do Espírito" ou quem sabe as genealogias deveriam substituir as pregações sobre a divindade de Cristo!? Tal idéia certamente seria classificada, e com razão, como um absurdo! A unidade das Escrituras também se manifestam no apoio silencioso das demais páginas sagradas.

Declaração explicitamente doutrinária ou indução com exercício de lógica?

Muitos cristãos acham que a Bíblia é um compêndio doutrinário ou um credo formulado em algum concílio. Ora, não é assim que Deus se revelou nas Sagradas Escrituras e nem a maioria de suas doutrinas foram dessa forma sistematizada. Diante desse quadro, como escreveu Eugene Peterson, as "pessoas tratam a Bíblia como uma coleção de oráculos sibilinos, versículos ou frases sem contexto ou conexão" [2]. Acostumados com uma leitura cartesiana da vida, onde a organização em versículos e capítulos são parte da leitura bíblica e as importantes "teologias sistemáticas" resumem o pensamento cristão; muitos esperam declarações explícitas de doutrinas e normas nas Sagradas Letras, mas o leitor atencioso do texto bíblico logo percebe que isso não existe.
Exigir uma declaração doutrinária sobre o Batismo no Espírito Santo é desnecessário e foge de normalidade escriturística. Assim com a doutrina da Trindade ou a doutrina da natureza hipostática de Cristo, o Batismo no Espírito Santo precisa ser estudado indutivamente, pois faltam declarações proposicionais; pois como observa o teólogo assembleiano Anthony D. Palma, a "indução, no entanto, é a legítima forma de lógica. Ela é a formação de uma conclusão geral a partir do estudo de incidentes particulares ou de declarações" [3].

PS: Acompanhe a segunda parte desse artigo.


Notas e Referências Bibliográficas:

1 GILBERTO, Antonio. Verdades Pentecostais. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 57.
2 PETERSON, Eugene. Maravilhosa Bíblia. 1 ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2008, p 117.
3 PALMA, Anthony David. O Batismo no Espírito Santo e com Fogo. 4 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 13.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Fundamentalismo e o radicalismo dos cessacionistas Parte 02

O pentecostalismo nasceu fundamentalista por ser um grupo protestante avesso aos princípios liberais, que estavam invadindo as denominações religiosas no Século 19 e 20. O fundamentalismo conseguiu influenciar fortemente as igrejas pentecostais em seu sistema escatológico, sendo o dispensacionalismo de C. I. Scofield um exemplo evidente. Scofield foi um dos escritores do livro Os Fundamentos [1] editado por R. A. Torrey, que foi a base escriturística do movimento. No período em que o pentecostalismo começou a se desenvolver era necessário uma identificação firme, sendo que ou se apresentava como liberal ou como fundamentalista, pois ainda não existia o conceito de igreja neo- evangelical [2].
E. N. Bell, o primeiro superintendente das Assembléias de Deus nos Estados Unidos expressou em meio ao Concílio Geral de Hot Springs, em 1914, como demonstração da unidade doutrinária dos primeiros pentecostais em torno da fé histórica:

Essas Assembléias opõem-se a toda Alta Crítica radical da Bíblia, a todo o modernismo, a toda a incredulidade na igreja e à filiação a ela de pessoas não-salvas, cheias de pecado e de mundanismo; e acreditam em todas as verdades bíblicas genuínas sustentadas por todas as igrejas verdadeiramente evangélicas [3]

Essa declaração de Bell mostra como os primeiros pentecostais estavam junto com os fundamentalistas na luta contra o liberalismo teológico. Mas o casamento pentecostalismo-fundamentalismo começou a ruir, quando a Comissão Executiva da Casa Publicadora das Assembléias de Deus nos EUA, proibiu a propaganda a Bíblia de Referências de Scofield na revista Pentecostal Evangel entre os anos de 1924 e 1926, mas a mesma comissão voltou atrás e permitiu a divulgação da obra de Scofield por achar que os comentários edificantes pesavam mais do que as notas anti-pentecostais. [4]

Evangelicais ou fundamentalistas?

O anti-pentecostalismo dos fundamentalistas, mostra que os pentecostais devem ser evangelicais. O neo-evangelicalismo (leia nota 02) expressa uma fé ortodoxa, onde a objetividade da verdade é buscada, a centralidade de Cristo é pregada e a diversidade do Corpo é honrada. O evangelical abomina o sincretismo e o sectarismo, dois extremos que normalmente andam de mãos dadas. Os fundamentalistas amam chamar os pentecostais (de maneira geral) como seita e hereges, mas cabe a sábia observação do teólogo metodista Justo González:

O que quer dizer é que um grupo, não importa o quanto ortodoxo seja, se equivoca quando considera que seu próprio âmbito da realidade, sua própria perspectiva limitada são toda a realidade ou a única perspectiva possível. Uma seita pode, então, ser perfeitamente ortodoxa. Certamente, pode ser mais ortodoxa que qualquer outro grupo. Mas, enquanto se considera como a única ortodoxia possível, torna-se sectária. [5]

É claro que um evangelical, tem em sua raiz, uma teologia baseada nos fundamentos da Palavra de Deus, mas não faz de todas as questões que defende como fundamentais. Um evangelical jamais negociará em uma doutrina como da Santíssima Trindade ou Inerrância das Escrituras, mas pode aceitar a diversidade em questões secundárias, como batismo por aspersão ou imersão; batismo infantil ou adulto; dicotomia ou tricotomia; milenismo ou amilenismo; calvinismo ou arminianismo etc. Um evangelical é fundamentalista nos pontos principais da fé cristã, mas jamais se comportará como sectário e dono da verdade em questões secundárias. Quando o fundamentalismo no meio tradicional e reformado deixar seus extremismos, ninguém que ama a Palavra terá medo de classificar-se como tal [6].

Cessacionismo

A suposta extinção dos dons espirituais, especialmente os miraculosos, são uma das bases para os fundamentalistas condenarem os pentecostais à fogueira. O cessacionismo não apresenta nenhuma base nas Escrituras; sendo uma teologia fraquíssima, onde os seus defensores nem para a história não podem apelar, pois várias são as evidências que mostram manifestações carismáticas no decorrer da história cristã [7]. Em outro artigo esse ponto será abordado com mais profundidade, mas fica a observação de A. W. Tozer:

Por toda uma geração, certos mestres evangélicos nos têm dito que os dons do Espírito cessaram por ocasião da morte dos apóstolos, ou quando se completou o Novo Testamento. Certamente esta doutrina não tem a seu favor sequer uma sílaba de autoridade bíblica. Os que defendem tal idéia devem assumir inteira responsabilidade por essa aberrativa manipulação da Palavra de Deus. [8]

Conclusão

Os fundamentalistas no meio tradicional tomam a parte pelo todo; são exclusivistas; não fazem distinção em questões secundárias para primárias; não discutem ou debatem teologicamente; mas preferem ofensas... Esse fundamentalismo só atrapalha o Reino de Deus, em todos os aspectos: união como vínculo da perfeição, apologética diante de grupos heterodoxos e relacionamento firmado na Verdade. Os fundamentalistas mais atrapalham a manifestação da Verdade, a pessoa de Jesus Cristo, do que contribui. Lamentável.

Notas e referências bibliográficas:

[1] Publicado pela editora Hagnos em 2005. Quando esse texto refere-se ao "Fundamentalismo", indica um termo sobre o movimento de reação ao liberalismo teológico no início do Século XX nos Estados Unidos. Não confunda esse "Fundamentalismo com o significado comum atribuído ao termo no início o Século XXI, onde fundamentalistas são aqueles extremistas religiosos, principalmente mulçumanos, que usam táticas de guerras para seus objetivos.

[2] O evangelicalismo nasceu antes dos liberais e fundamentalistas, ainda no século XVIII, dentro de igrejas reformadas que abraçaram o Grande Despertamento, sendo um dos principais representantes do velho evangelicalismo o pregador Jonathan Edwards. O neo-evangeliscalismo é um movimento dentro do protestantismo, iniciado na década de 1940, que apresenta aversão pelo liberalismo teológico e pelo fundamentalismo, tendo como representantes principais o evangelista Billy Graham e o teólogo John Stott. A característica principal do velho evangelicalismo era o reavivamento e o neo-evangelicalismo apresenta uma abertura dentro de questões secundárias e unidade na pessoa de Cristo e suficiência das Escrituras.

[3] HORTON, Stanley M. (Ed.) Teologia Sistemática: uma Perspectiva Pentecostal. 8 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003. p 21.

[4] Idem, p 23.

[5] GONZÁLEZ, Justo L. Mapas Para a História Futura da Igreja. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 99.

[6] Sobre um novo sentido para fundamentalista cristão no contexto secularista, leia o capítulo 14 do livro Sedução das Novas Teologias (CPAD) de Silas Daniel.

[7] Para evidências carismáticas na história, leia Dicionário do Movimento Pentecostal (CPAD) de Isael de Araújo, pp 231-243.

[8] TOZER, A. W. O Caminho do Poder Espiritual, cit. In GONÇALVES, José. As Ovelhas Também Gemem. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. p 92. O pastor presbiteriano Hernandes Dias Lopes comenta: "Há alguns estudiosos que defendem a cessação dos dons espirituais. Segundo esses estudiosos, os dons foram apenas para os tempos apostólicos. Contudo, não temos provas bíblicas, teológicas e históricas consistentes para provarmos essa posição (1 Coríntios 13:10)" in http://www.hernandesdiaslopes.com.br/?area=show&registro=296

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Fundamentalismo e o radicalismo dos cessacionistas (Parte 1)

O fundamentalismo protestante nasceu com bons e corretos propósitos, ou seja, defender a fé cristã do racionalismo incrédulo anti-bíblico, reinante nas correntes teológicas que advinham da Alemanha, como o liberalismo teológico. Nos Estados Unidos, no ano de 1909, em decorrência da Conferência Bíblica dos Protestantes Conservadores, foram lançados 12 volumes de livros distribuídos gratuitamente para pastores, alcançado a marca de 3 milhões de cópias, intitulados de Os Fundamentos[1]. O livro defendia cinco pontos, sendo a inerrância verbal das Sagradas Escrituras, a divindade de Jesus Cristo, o nascimento virginal, o sacrifício expiatório e o retorno corporal de Cristo. O livro possuía artigos de grandes eruditos protestantes da época, como J. G. Machen, John Murray, B. B. Warfield, R. A. Torrey, Campbell Morgan etc.
Nos primeiros anos, a luta contra o liberalismo teológico, junto com o nascimento de uma apologética mais atuante, levou o fundamentalismo ao desgaste por não conseguir derrubar a influência dos liberais e neo-ortodoxos. A partir da década de 40, o fundamentalismo começa a cair em descrédito, pois se mostrava anti-científica, anti-intelectual, sectarista, moralista, legalista e não se envolvia em causas sociais. Nesse período, o separatismo dos fundamentalistas era evidente, não se misturavam com quem pensasse diferente.
O fundamentalismo começou a lutar em meados da década de cinqüenta, contra os evangelicais, ou seja, aqueles que em matéria de doutrina continuavam fundamentalistas, mas sem o sectarismo do grupo. Nos anos oitenta, o fundamentalismo constrói uma nova agenda que perdura até hoje, contra a conspiração secular na América, lutando contra o casamento gay, o aborto, pesquisas com células-tronco embrionárias, evolucionismo, comunismo etc. O neo-fundamentalismo é forte nos Estados Unidos, tem poder político (ajudou a eleger George W. Bush) e tem como representantes Jerry Falwell, Dave Hunt, Tim LaHaye, Hal Lindsey, James Dobson, Pat Robertson[2] e reformados como John MacArthur Jr[3].

O desenvolvimento contemporâneo dos fundamentalistas no Brasil

O fundamentalismo contemporâneo no Brasil não está restrito a um grupo protestante ou a uma denominação, mas faz parte do pensamento de muitos cristãos tradicionais ou reformados e até de alguns pentecostais sem os elementos cessacionistas.
O fundamentalismo é excessivamente apegado a Israel, em um dispensacionalismo radical, além de lutar fortemente contra símbolos satânicos e contra a mídia conspiradora, tais como desenho da Disney. Outros fundamentalistas manifestam-se mais em questões de cessacionismo, como os neo-puritanos.
Para boa parte dos fundamentalistas ou neo-fundamentalistas, os pentecostais são perniciosos, hereges, perigosos, anti-bíblicos e não merecem nenhum tipo de admiração ou cooperação. Boa parte dos fundamentalistas (não todos, é claro), são radicalmente cessacionistas, não crêem na contemporaneidade dos dons espirituais, chamam as línguas estranhas de fenômenos psicológicos ou até demônios.

Os pentecostais e o fundamentalismo

O pentecostalismo nasceu fundamentalista, pois era conservador em sua essência. Naquele período não era, então, pejorativo ser fundamentalista, mas sim sinal de confiança na inerrância das Escrituras e nos fundamentos da fé cristã. Quando o fundamentalismo foi ficando terrivelmente fechado e sectarista, o pentecostalismo acabou afastado do grupo.
Os pentecostais consideravam-se fundamentalistas, mas esses não queriam o povo das "línguas do diabo" no meio do grupo. Em 1928, a Associação Mundial de Cristãos Fundamentalistas rejeitou igrejas pentecostais em seu concílio. Nesse período, as Assembléias de Deus dos EUA reagiram, dizendo: "Apesar de nós, pentecostais, sermos rejeitados, não guardamos ressentimentos daqueles que não percebem as coisas como nós" [4]. Na época, um pastor fundamentalista chamado Donald Grey Barnhouse, classificava os pentecostais em seu programa de rádio como "povo do diabo". Carl MacIntire, fundador do Concílio Americano de Igrejas Cristãs, opositora da ecumênica e liberal CMI (Concílio Mundial das Igrejas), chamava os pentecostais de apóstatas.

Continua...

Notas e Referências Bibliográficas:

[1] Publicado em português pela editora Hagnos em 2005.

[2] No Brasil os representantes fundamentalistas estão na Editora Chamada da Meia-Noite, no site Baptistlink.com, Sola Scriptura.org, Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil etc.

[3] Um representante fundamentalista no meio reformado brasileiro é Felipe Sabino, editor do famoso site calvinista "Monergismo.com". Em um de seus comentários ele observa: "Contudo, não podemos esquecer que, assim como podem existir salvos dentro da Igreja Católica Romana, podem existir salvos nas igrejas pentecostais também. Chamo isso de a ‘bênção da ignorância’, pois muitos não crêem nas implicações lógicas das suas crenças". Para ele, pentecostais se equiparam aos católicos em perdição doutrinária. Felipe Sabino em muitas de suas observações não mede palavras para chamar pentecostais, dispensacionalistas, tricotomistas e arminianos de hereges. Pessoas como Felipe Sabino são minoria dentro de lideranças reformadas no Brasil, exemplo disso são as opiniões mais equilibradas sobre os pentecostais formuladas por pessoas como o Rev. Augustus Nicodemus, Rev. Alderi Sousa Matos, Presb. Solano Portela etc.

[4] HORTON, Stanley M. O Avivamento Pentecostal. 4 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001. p 56.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

A problemática dos “usos e costumes” no contexto pentecostal (Parte 02)


Quem gosta muito de cinema,
Do futebol ainda mais,
O mundanismo Deus condena
E o príncipe do mundo é Satanás.

Mas, eu que já fui mundano,
Hoje mundano eu não sou,
Mas se você for mundano,
É inimigo do Senhor.

Cuidado irmão cuidado,
Cuidado com broche e anel,
Todo isso é vaidade.
Impede a sua entrada lá no céu
[1]

Os problemas com "usos e costumes" não se resumem em uma repreensão ou disciplina inadequada e desnecessária aos membros de igrejas legalistas. Há problemas sérios, de cunho exegético e hermenêutico, na interpretação da Bíblia para a defesa de certos "usos e costumes". Existem aqueles que baseiam os costumes em "visões", "revelações" e "profecias" etc.; sendo uma total distorção dos carismas, em seu propósito e orientação bíblica.
Além do legalismo, uma nova geração evangélica vem experimentando quebra de costumes saudáveis em luta ao que definem erroneamente como legalismo [2]. Uma geração hedonista, pronta para aos prazeres.

Interpretações equivocadas e bases doutrinárias falsas.

Muitos "usos e costumes" se baseiam em "visões" e "revelações". Líderes pentecostais que esqueceram o verdadeiro propósito dos dons espirituais, sendo o edificar, consolar e encorajar; mas nunca estabelecer "doutrinas", "regras" e "preceitos". Quando uma revelação estabelece regra, tal igreja não pode ser considerada protestante e muito menos bíblica, pois colocou outra "coisa" no mesmo patamar das Escrituras. Há até denominações que estabeleceram "doutrinas" em sonhos ou visões que o líder máximo teve. Tais igrejas correm a passos largos para o sectarismo.
David Miranda, fundador, líder e doutrinador de sua denominação, proíbe o uso de televisão pelos membros e obreiros da igreja, baseado em uma revelação que tal aparelho é a "imagem da Besta do Apocalipse".
Na Assembléia de Deus em Mato Grosso, o pastor Sebastião Rodrigues mantém a proibição aos aparelhos de TV, contrariando a abertura assembleiana da última década, baseado em uma "revelação" que supostamente Deus lhe deu há alguns anos. Rodrigues ainda escreveu tal experiência na Revista Obreiro de outubro de 1998:

O Senhor disse-me que o inimigo encontrou na televisão um meio muito fácil de fazer dos pastores afrontarem ao Senhor Jesus. Cada pastor, cada crente em geral que colocar no seu aposento um televisor, estará afrontando ao Senhor Jesus, que tem na televisão um conceito de aparelho maldito. Por isso, aconselhamos aos centres em geral que desistam do aparelho, e que os obreiros terminantemente não possuam, pois o pastor, o obreiro ou aqueles que ocupam qualquer cargo na igreja devem se exemplo. [3]

Esses dois exemplos mostram o equívoco de duas lideranças em relação ao propósito dos dons, que nunca foi de estabelecer "doutrinas", "regras" ou "costumes" (I Co 14. 1-5). Esse tipo de mentalidade é um campo fértil para abraçar heresias e modismos por meio de fenômenos místicos e transcendentais, vide as seitas clássicas como exemplo.
Uma tendência comum no estabelecimento de regras absurdas é a universalização dos gostos pessoais. Há pessoas que não gostam de determinada coisa ou objetivo, então passa a demonizar e criticar aqueles que gostam. Confundem gostos pessoais com a vontade de Deus. Ora, se alguém se sente bem somente de saiais e sem brincos e jóias, que não condene aquelas que gostam. O mesmo serve para as que sentem liberdade em tais assuntos, mas que não devem ferir a consciência dos mais fracos (cf. Rm 14.1-12).
Observando que é lamentável ver líderes se comportando com crentes fracos, presos em legalismos. As igrejas de líderes legalistas normalmente sofrem por falta de pão, de doutrina bíblica, da Palavra de Deus. São pastores que por faltam de assunto na Bíblia, expõem excessivamente suas opiniões nos "usos e costumes".

Os exageros opostos.

Enquanto há milhares de crentes presos em costumes legalistas e sufocantes, outros de livre consciência têm mudado seu modo de viver conforme as modas passageiras da sociedade. Há cristãos que não se preocupam em se vestir decentemente, com pudor e modéstia, mas preferem extravagâncias desnecessárias. É claro que não é preciso proibir calças para mulheres, como os legalistas fazem, mas não se pode aceitar que uma cristã vista uma roupa tão colada que exponha vergonhosamente o seu corpo.
Os mesmos princípios servem para os homens, que devem apresentar uma aparência moderada, pois quantos pastores legalistas de finos ternos italianos ficam a reprovar o legítimo gosto feminino por adornos e jóias. Não seria isso uma contradição?
Alguns cristãos têm caído em falácias doutrinárias, expostas por escritores e pregadores que enfatizam demasiadamente a "graça de Deus" em detrimento da responsabilidade humana. A pregação da "graça barata" vem adentrando no pensamento cristão contemporâneo e produzindo cristãos apáticos diante do pecado e dos confrontos aos males desse mundo. São os opostos aos legalistas, mas tão anti-bíblicos quanto!

Conclusão.

A Bíblia condena legalismo e libertinagem, pois a Sagrada Escritura trata as questões humanas de forma equilibrada. O mundanismo como sistema de Satanás deve ser rejeitado, mas nunca confundido com Planeta que Deus deu aos homens. As mulheres não podem receber um jugo do qual Cristo nunca impôs, pois o próprio Deus colocou na mulher o seu lado feminino com seus gostos naturais pela beleza e estética, mas é claro que sem exageros. As crianças cristãs devem praticar esportes sem culpa e não caírem no mal da obesidade e vida sedentária, assim como os adultos; mas é claro que sem culto ao corpo. A saúde, a beleza são importantes, mas junto com uma ativa comunhão com Deus. Espiritualidade não pode e nem deve ser inimiga do cuidado ao corpo. O corpo não pode ser vitima de uma visão dualista, gnóstica e maniqueísta, onde os sentidos corporais são demonizados em relação às almas e interior humano. Os homens devem inventar menos regras e basearem na essência dos princípios bíblicos.

Notas e referências bibliográficas:

[1] Esse corinho é totalmente legalista, especialmente a última frase. Mas é necessário definir corretamente o legalismo. O legalismo é o apego excessivo as regras e leis, onde a salvação é atrelada a obediência irrestrita de preceitos humanos, confessionais ou denominacionais. O antídoto do legalismo não é a ausência de leis, tal como é proposta sutilmente pelos conceitos neoliberais da Emerging Church. Os antinomistas apresentam uma aversão pelas regras e confundem princípios morais com legalismo. No contexto do liberalismo eclesiástico, não é raro encontrar quem defenda uniões homossexuais, masturbação, sexo antes do casamento, pornografia, drogas etc.

[2] Um conceito resumido e verdadeiro de legalismo: "O legalismo religioso concentra-se na obediência às leis ou aos códigos morais com base na suposição de que tal obediência é um meio de lograr o favor divino". In GRENZ, Stanley J. e SMITH, Jay T. Dicionário de Ética. São Paulo: Editora Vida, 2005. p 103. O teólogo Erwin W. Lutzer define legalismo como: "o uso errado de leis e regras. Se cumpro as regras pensando que isto em torna religioso, então, sim, sou legalista. As regras podem me afastar de certos pecados seletos; o que elas não podem fazer é me oferecer justiça. As regras não me levam a amar Deus ou me empenhar por santidade". In Quem é Você Para Julgar? Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p 223.

[3] Paradoxalmente o pastor controvertido Paulo Roberto, co-pastor de Rodrigues, possui programa de TV e vários DVD´s de pregação, com um conteúdo duvidoso e anti-bíblico.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Entrevista com o pastor Ciro Zibordi



Ciro Sanches Zibordi é pastor na Assembléia de Deus de Cordovil, no Rio de Janeiro-RJ, comentador das Lições Bíblicas para juvenis e adolescentes, professor de teologia, pregador e autor dos livros Adolescentes S.A., Perguntas Intrigantes que os Jovens Costumam Fazer, Erros que os Pregadores Devem Evitar, Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria e Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar, todos lançados pela Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD).

Blog Teologia Pentecostal: Como você descreve a igreja evangélica contemporânea?
Ciro Zibordi: A igreja evangélica é formada por diversas denominações, que seguem a vários sistemas ou visões diferentes. Certos movimentos, em razão de seus sistemas de culto e interpretação equivocada da Bíblia, sequer poderiam ser chamados de evangélicos. Mas, de maneira geral, apesar da enxurrada de heresias, modismos, práticas estranhas e manifestações exóticas que surgem a cada dia em nosso meio, estou bastante otimista. Afinal, o evangelho de Cristo é o poder de Deus para a salvação dos que crêem (Rm 1.16). E eu tenho certeza de que a pregação do verdadeiro evangelho, de maneira continuada, ainda que isso seja feito por poucos, resultará numa grande multidão de cristãos que andam segundo a Palavra e líderes compromissados com a verdade, além de uma geração vitoriosa formada por jovens que evangelizam, em vez de priorizarem as efemeridades.


02. Os livros Erros que os Pregadores Devem Evitar, Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria e Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar, descrevem vários modismos e heresias presentes no meio evangélico, tanto em pregações, como em músicas. Quais desses modismos têm afetado de maneira mais significativa o meio pentecostal?
A relação de heresias e modismos é extensa. Acho que é melhor os leitores do seu blog adquirirem os livros... (risos) a fim de conhecerem os tais desvios da Palavra de Deus. Bem, nas duas obras sobre os erros que os pregadores devem evitar, abordo as síndromes do papagaio e da maritaca. A primeira ocorre porque temos um grande número de "pregadores" que sequer têm chamada de Deus, tornando-se conferencistas internacionais da noite para o dia, depois de ouvirem à exaustão determinados CD's e DVD's de conferencistas famosos, passando a imitar até a maneira de eles se vestirem (estilo show-man ou popstar). A síndrome da maritaca diz respeito aos gritos estridentes e ensurdecedores, uma característica da aludida ave, da família do papagaio. Os desvios quanto à pregação são muitos, a ponto de as mensgens expositivas estarem desaparecendo de nossos púlpitos, dando lugar a pregações do tipo olhe-para-o-seu-irmão-e-diga-isso-e-aquilo. Isso quando os "pregadores" não mandam os crentes beliscarem o irmão ao lado ou apertarem a sua mão até que ele grite "aleluia"... Isso é lamentável.
No meu livro Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria, e também em MAIS Erros que os Pregadores Devem Evitar, eu discorro sobre as heresias e outros desvios de maneira mais abrangente, estimulando os crentes a julgarem tudo segundo a reta justiça (Jo 7.24), haja vista haver três origens, segundo a Bíblia, para pregações, profecias, manifestações, sinais, prodígios e maravilhas. Nem tudo provém do Senhor. Somente a Palavra de Deus não deve ser julgada ou testada, pois ela é pura, inerrante, incontestável. Mas não nos esqueçamos de que há duas outras fontes: humana e demoníaca (Cl 2.20-23; 1 Tm 4.1-3; 1 Jo 4.1-3; 2 Pe 2.1-3; Mt 7.15-23; 1 Ts 5.21).


03. De maneira geral, como está sendo a reação do público aos seus livros apologéticos?
Graças a Deus, os meus livros são bem aceitos, de maneira geral. Se bem que eu não escrevo para agradar o público. Gosto do que disse Monteiro Lobato (e até incluí isso em meu blog): "Há dois modos de escrever. Um, é escrever com a idéia de não desagradar ou chocar alguém. E o outro é dizer, sem nenhum receio ou medo, o que pensa, ainda que muitos não concordem e até fiquem irritados" (é mais ou menos isso). O meu caso é o segundo. Escrevo com respeito, não exponho pessoas, porém escrevo o que tenho recebido da parte do Senhor por meio de sua Santa Palavra. Já recebi algumas críticas mais fortes, inclusive um de meus livros foi rasgado diante de milhares de pessoas por um pregador que se sentiu atingido, embora eu nunca tenha feito referência a ele, diretamente, e sim a algumas práticas que os pregadores devem evitar. Louvo a Deus porque Erros que os Pregadores Devem Evitar (já está na 13a. edição), Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria e MAIS Erros que os Pregadores Devem Evitar são best-sellers da CPAD. O último, desde o seu lançamento, em dezembro/2007, permanece na lista dos mais vendidos de http://www.cpad.com.br/. E recebo outros animadores resultados constantemente. Glória a Jesus!


04. Nem só de livros apologéticos vivem as suas obras, mas também você publicou dois livros voltados ao público adolescente: Adolescentes S.A e Perguntas Intrigantes que os Jovens Costumam Fazer. Qual a recepção dos adolescentes a esse tipo de obra?
Sim, é verdade. Tenho grande apreço por esse público. Inclusive, quando escrevi as mencionadas obras, algumas pessoas que só pensam em vendagem de livros me desestimularam, dizendo que obras para jovens e adolescentes não vendem. Mas, graças a Deus, esses livros, que de fato não vendem tanto quanto os outros, têm sido uma bênção. Gosto muito dos públicos juvenil e adolescente. Terminei nesta semana um comentário para a faixa etária de 13 e 14 anos (revista Adolescentes Vencedores, da CPAD), pelo qual discorro sobre as 13 epístolas paulinas. Ministro em congressos de jovens e adolescentes, pela graça de Deus, e sou muito bem recebido por eles. Glória seja dada ao maravilhoso nome de Jesus! Os adolescentes precisam de muita orientação bíblica, segura, pois no mundo prevalecem filosofias terríveis, como narcisismo, materialismo, hedonismo, relativismo, evolucionismo, ateísmo, consumismo, imediatismo, etc.


05. A obra Teologia Sistemática Pentecostal, em breve será lançada pela CPAD. Nesse volumoso livro há um capítulo sobre escatologia escrito pelo irmão. Como foi a experiência de participar desse grande projeto, junto com ícones da teologia pentecostal brasileira, como o pastor Antonio Gilberto?
A experiência foi maravilhosa! Além de co-autor dessa monumental obra, sou editor-assistente dela. Tive a honra de trabalhar junto com o pastor e mestre Antonio Gilberto, que também é o autor de dois capítulos e editor geral da obra. Cada capítulo é praticamente um livro, haja vista a grande quantidade de caracteres da obra. Só o capítulo que escrevi, por exemplo, sobre escatologia, tem cerca de 180.000 caracteres, o que equivale a um livro de mais ou menos 140 páginas, no formato 14 cm x 21 cm. Mas quem está acostumado com os meus textos pode estranhar um pouco. Num tratato de teologia, a linguagem empregada é um pouco diferente, não havendo muito espaço para aplicações espirituais.


06. Seu blog na internet tem feito sucesso, com uma freqüência diária bem elevada. Constantemente seu blog recebe mensagem de pessoas, em sua maioria anônimas, que discordam de sua opinião de maneira violenta. Como reagir a esse tipo de mensagem?
Para ser franco com o irmão, o número de contradizentes não passa de 5% do total de comentários que recebo diariamente. Além disso, boa parte é respeitosa em suas críticas. Alguns irmãos também tiram conclusões precipitadas e acabam recebendo algumas respostas mais contundentes. E há também uma minoria, cerca de 0,5%, que considero "maldizentes de plantão". São uns dois ou três que xingam, ironizam de maneira ofensiva, usam palavras chulas, etc. Não costumo publicar tais comentários, a menos que eu possa dar-lhes uma resposta que seja interessante para todos ou boa parte dos internautas. Como lhe disse, não escrevo para agradar ou desagradar os leitores. Tenho esperança de que, mesmo os irmãos que não gostarem dos meus textos, refletirão acerca de pelo menos alguns pontos contidos nos textos.


07. Como escritor você já é referencial para muitos, mas quais escritores que exerceram maior influência no seu ministério?
Agradeço-lhe pelas palavras de incentivo. Ainda me considero um iniciante, e a cada livro sinto como se fosse o primeiro. Além dos escritores da Bíblia, a infalível Palavra de Deus, os que exercem maior influência sobre mim não são os grandes teólogos, filósofos, exegetas, embora os respeite e aprenda muito com eles. Sou muito mais influenciado por homens piedosos. E um nome que não posso deixar de citar é o já mencionado Antonio Gilberto da Silva, uma pessoa que, além de um grande erudito (uma das mentes mais brilhantes da atualidade, sem dúvida nenhuma), é um homem piedoso, que tem vida com Deus, um profeta do Altíssimo. Admiro também, como escritores e/ou teólogos (a lista é grande e não citarei todos os nomes): Eurico Bergstén, Henry Thiessen, Stanley Horton, Oswald Smith, David Wilkerson, Valdir Bícego, Severino Pedro da Silva, Walter Henrichsen, Abraão de Almeida, N. Lawrence Olson, Ralph Riggs, Billy Graham, Antony D. Palma, Charles Koller, João de Oliveira, Hank Hanegraaff, Paulo Romeiro, Augustus Strong, Myer Perlman, Charles Hodge, W.E. Vine, Orlando Boyer, Claudionor de Andrade, Esequias Soares, Russel Shedd, Thomas Trask, Norman Geisler, Wim Malgo, Enéas Tognini e muitos outros...



Leia também:
Entrevista com Silas Daniel, editor do Jornal Mensageiro da Paz. http://teologiapentecostal.blogspot.com/2008/01/entrevista-com-o-pastor-silas-daniel.html
Entrevista com Isael de Araújo, autor do Dicionário do Movimento Pentecostal.
http://teologiapentecostal.blogspot.com/2007/12/entrevista-com-o-pastor-isael-de-arajo.html

OBS: Em breve a segunda parte do artigo: A problemática dos "usos e costumes" no contexto pentecostal.