domingo, 28 de setembro de 2008

Dicionário Evangeliquês!

Caros irmãos, se você, assim como eu, já teve dificuldades de entender os termos usados por muitos evangélicos, eis que seus problemas acabaram! Segue um mini-dicionário de evangeliquês, um novo idioma usado pelos cristãos do Século XXI.

Bíblia- Uma caixinha de promessas.
Mas essas Escrituras insistem em querem normatizar e orientar a vida cristã em todos os aspectos.

Conversão- Sair do catolicismo e assinar o nome em uma denominação evangélica.
A Bíblia mostra que conversão sem regeneração, justificação e santificação é falsa (II Co 5.17)

Deus- Um papai-noel que dá presentes aos bons filhinhos da fé. Esse serve ao homem em lugar de ser servido.
Não mais pagão...

Diabo- É aquele ser que vive entrando em brechas deixadas pelos crentes, mas esses mesmos crentes resolvem o problema amarrando o coisa-ruim!
A vitória sobre Satanás e seus demônios vem por meio de comunhão com Deus e não palavras chaves e clichês.

Dízimo- É um depósito em conta poupança do Banco Celestial, pois todos que dizimam não mais terão problemas nas finanças. É uma moeda de barganha com o Altíssimo.
Na Bíblia dízimo é uma função para mordomos generosos e não cristãos gananciosos.

Espiritual- É aquele cara que vive meio por fora desse mundo.
Enquanto isso, a espiritualidade bíblica é evidenciada em pleno mundo e nas dificuldades da vida (Mt 5.13-16).

- Um “abracadabra” gospel. Poder próprio e de fácil manipulação.
Mas, a Bíblia teima em dizer que a fé “é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem” (Hb 11.1).

Fogo- Antigo termo para “reteté”.

Glória e Aleluia- Expressões em alta voz, em ambiente de culto, que servem para atrair a presença de Deus.
Dizem que por aí, sem base nas Escrituras, que quando a “glória da terra sobe, a glória do céu desce”.

Gospel- Carimbo para contextualizações entranhas.

Louvor de adoração- Um mantra em que as palavras se repetem, repetem, repetem, repetem...
Bem, louvor e adoração é um estilo de vida que vai muito além de um tipo musical meloso e repetitivo.

Mistério- Bem, mistério é tão misterioso que fica difícil de definir. Os cristãos do mistério usam essa expressão sempre que estão diante de algo misterioso. [?]
A Bíblia relata que o mistério já foi revelado: Cristo encarnado! (Cl 1. 24-29)

Mundo- É tudo aquilo que a denominação não concorda em termos de usos, costumes e tradições.
Mas na Bíblia, mundo é um sistema de pecados e operações satânicas que envolvem vários aspectos da vida humana. (I Jo 2.15)

Política- Um meio de aumentar o poder da denominação. Dizem os politiqueiros que querem influenciar a sociedade em questões morais, mas muitos já se envolveram na imoralidade da corrupção.

Unção- Um poder sobrenatural que faz as pessoas terem sensações e arrepios. Somente alguns espirituais conseguem um grande estágio em unção, podendo inclusive serem imunes de contestações.
Biblicamente falando, ungido é o cristão nascido de novo e habitado pelo Espírito Santo e não uma casta especial. (I Jo 2.20, 27)

Varão- Homem do poder, aquele que em suas orações os demônios saem correndo como desesperados. O varão tem domínios transcendentais. É uma coisa impressionante!
O grande problema é que a espiritualidade de muitos “varões” fica somente no espetáculo e não reflete em caráter.

Nos comentários, ajudem a complementar com outros importantíssimos termos para essa coleção.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Entrelinhas 02: “Reteté” e outras observações

Mediante os interessantes comentários gerados pelo último post, se fazem necessários mais algumas observações sobre o assunto discutido.

O liturgismo e a espontaneidade do Espírito

O capítulo 14 da primeira carta de Paulo aos Coríntios foi escrita como instruções para o exercício correto e coerente com seu propósito, que é edificar a Igreja. Paulo, inspirado por Deus, faz apologia da ordem, decência, edificação e critica o misticismo sem orientação.
O Espírito Santo jamais, em hipótese alguma, motivará os cristãos a contradizerem sua própria Palavra! É claro que o Espírito Santo não precisa e nem vai rezar a bula litúrgica produzida por homens, mas jamais quebrará os princípios estabelecidos nas Escrituras. Criticar o "reteté" não é limitar o poder de Deus e muito menos colocá-lo numa "caixinha litúrgica". Criticar esses fenômenos é dever daqueles que querem seguir os princípios estabelecidos para o exercício carismático neotestamentário.
É dever pastoral orientar o rebanho quanto à carismania. Carismania produz muito barulho e bagunça, mas nenhuma edificação. Carismania produz muito estrelismo e extremismo, mas não contrição. Parece paradoxal, mas as igrejas do "reteté" são pobres de manifestações dos dons e sobram fenômenos estranhos, ou seja, os adeptos do "reteté" desprezam os verdadeiros dons como os mais ferrenhos cessacionistas-fundamentalistas.

Análise sociológica do "reteté"

Seria o "reteté" um grito por espaço em um pentecostalismo cada vez mais elitista? A resposta só pode ser não. Nunca houve no pentecostalismo uma separação entre leigos e clero, principalmente no Brasil. O pentecostalismo, em todas as suas vertentes continua pobre, popular e pouco alfabetizado.
Ainda vai demorar o elitismo ou o academicismo ser um problema no meio pentecostal.
A cultura sincrética e mística do Brasil, mais o pragmatismo do pós-modernismo, têm afetado fortemente a espiritualidade pentecostal. Um espiritualismo fora da realidade, onde o transcendentalismo é exacerbado e o mundo é encarado dentro de uma visão maniqueísta. Os adeptos do "reteté" são possuidores de poder, mas encaram esse "poder" sobre os outros, com "profetadas" casamenteiras ou "profecias" que funcionam como horóscopo para viagens.

Conclusão

O movimento do "reteté" é uma afronta contra as Escrituras, que claramente promove uma espécie de "culto" anárquico. "Reteté" é sinônimo desprezo pela pregação expositiva, louvor reflexivo, exercícios correto dos dons e doutrinação da Igreja.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Reteté, mais um modismo pentecostal


Muitos de nossos erros nas áreas onde estão envolvidos os dons espirituais surgem quando queremos que o extraordinário e o excepcional sejam transformados no freqüente e no habitual. Que todos que desenvolvem desejo excessivo pelas “mensagens” transmitidas por meio dos dons possam aprender com os enormes desastres das gerações passadas com nossos contemporâneos [...] As Sagradas Escrituras é que são lâmpada que ilumina nossos passos e a luz que clareia nosso caminho.

Donald Gee, pastor assembleiano em 1963.[1]


Reteté ou repleplé são manifestações cúlticas extravagantes atribuídas ao Espírito Santo. No “culto” reteté a um imperativo de desordem e indecência, onde a racionalidade é desprezada e o caos é celebrado. O “cair”, “runir”, “dançar”, “pulos elétricos” são comuns em reuniões super-ultra-mega agitadas e “fervorosas”. Em reuniões pentecostais, o reteté se tornou uma moda constante e tolerável.

Características do culto “reteté”

Segundo o pastor pentecostal Ciro Sanches Zibordi, esse tipo de “culto” caracteriza-se pelos “hinos” que “são apresentados com ritmos como axé, com batuques que lembram reuniões do candomblé, e muito forró. Pura carnalidade! Pessoas rodopiam, caem, riem, berram etc.” [1] O historiador pentecostal Isael de Araújo o assim descreve:

Nos cultos “reteté”, pessoas marcham, pulam, contorcem, caem, riem, berram, ficam rodopiando pra lá e pra cá num verdadeiro reboliço. Geralmente, essa desordenada movimentação se dá enquanto hinos são cantados em ritmos como forró ou axé, com batuques e pandeiros que lembram reuniões do candomblé. Para os crentes do “reteté” só os seus cultos são verdadeiramente pentecostais e têm o mover de Deus. Mas esses cultos ultrapassam os limites da meninice e muitas vezes são pura expressão de carnalidade e falta de temor a Deus. Seus dirigentes são obreiros neófitos que não estimulam o povo a ler mais a Bíblia e ser mais equilibrados. [3]

No culto “reteté” a extravagância, os exageros, a irracionalidade, a falta de exposição das Escrituras com uma doxologia que leva a reflexão são características marcantes. Os freqüentadores desses cultos são cristãos, normalmente neófitos ou imaturos, que não crescem de maneira sólida. Um grande problema é ver vários pastores envolvidos em tais modismos!

Qual o problema do reteté?

São vários os problemas com essa modalidade de culto e seria necessário rasgar I Co 14 das Sagradas Escrituras, para aceitar o reteté.

a) A passagem ensina ordem e decência (v.40), além de mostrar que os dons têm propósitos para edificação da Igreja (v.26). “Faça-se tudo para edificação”.
b) Deus não é de confusão (I Co 14.33). O reteté encarna o caos!
c) O “reteté” infantiliza, contrariando o bom-senso exortado pelas Escrituras (I Co 14. 20)
d) O culto é racional (Rm 12.1), enquanto o “reteté” inspira os mais primitivos instintos emocionais, desprezando por completo o intelecto.


O culto cristão é formalista e monótono?

Não, pois experiências esporádicas e não normativas são possíveis no culto cristão, seja ele pentecostal ou tradicional. Experiências são aceitáveis, desde que não se torne moda e provoque desordem no culto. Experiências não podem servir para outros, pois são pessoais, relativas, únicas e exclusivas. Os dons espirituais devem ser exercidos nos cultos, mas segundo os parâmetros da doutrina bíblica exposta nas epístolas.

Exposição bíblica?

Em nenhum culto de “reteté” é possível ver uma boa exposição das Sagradas Escrituras. Os pregadores do “reteté” usam a Bíblia com amuleto ou para extrair versículos sem contexto para apoiar as trágicas pregações. A Bíblia nada vale nos cultos do reteté. Nessas reuniões, às vezes acontece que nem a leitura bíblica é feita!

Conclusão:

Culto pentecostal é composto de hinos, exposição das Escrituras, exercício na coletividade dos dons espirituais (I Co 14.26). A liturgia pentecostal não deve ser o extremo oposto da equilibrada liturgia tradicional, pois o que diferencia é o exercício dos dons, com toda moderação e seguindo as diretrizes da Bíblia.


Referências Bibliográficas:

01. GEE, Donald. Spiritual gifts in the work of ministry today. Springfield: Gospel Publishing House, 1963, p.51 Cit in GRUDEM Wayne. O Dom de Profecia. São Paulo: Editora Vida, 2004. p 414.

02. ZIBORDI, Ciro Sanches. Mais Erros Que os Pregadores Devem Evitar. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. p 46.

03. ARAÚJO, Isael de. As principais tentações do pentecostalismo hodierno. Mensageiro da Paz, Rio de Janeiro, Julho de 2008. Artigo. p 27.

domingo, 14 de setembro de 2008

Hedonismo e ascetismo, dois extremos que o cristão deve evitar

Crente não bebe, não dança, não fuma, não vai ao cinema, não vai a praia, não assiste TV, não ouve músicas seculares etc. Assim foi criado um estereótipo do cristão protestante, especialmente os pentecostais, que ainda permanece na sociedade. O ascetismo, marca registrada da “espiritualidade” medieval, atingiu em cheios os cristãos pietistas. Enquanto isso a sociedade hedonista busca, a cada dia, satisfação nos prazeres fúteis e passageiros desse mundo.
O que é hedonismo? O que é ascetismo? E por que a igreja deve evitar essas “filosofias”? Segundo C. Stephen Evans, o hedonismo é uma “teoria ética que identifica o bem com a felicidade e entende a felicidade como a presença do prazer e a ausência da dor” [1]. Stanley J. Grenz e Jay T. Smith definem hedonismo como “uma teoria de valor amplamente defendida que declara que o prazer é o valor intrínseco mais alto” [2]. O ascético acredita que a prática de “exercícios espirituais” irá recompensá-lo com a salvação, pois a ascese leva o homem para realização plena da virtude e mortificação da carne.
O hedonista adora o prazer, o ascético o despreza com veemência. O hedonista cultua o corpo, enquanto o ascético o vê com desconfiança. Um é anti-bíblico e o outro também. A cristandade sempre se aproximou do ascetismo, mas hoje é possível ver “cristãos” hedonistas, principalmente os contaminados pela pregação de prosperidade e saúde plena. Os “cristãos” ascetas ainda continuam, principalmente em igrejas pentecostais, contaminados pelos seus equívocos.

Hedonismo e os “prazeres” do evangelicalismo

Os adeptos da “teologia” da prosperidade são hedonistas, pois os mesmos acham que a felicidade está no prazer da glória terrena. Os pastores que pregam tal aberração exaltam em testemunhos estridentes aqueles que conquistaram um modelo de vida luxuoso. As evidências da vida “cristã” se constituem, dentro desse contexto hedonista, com carros, mansões, iates, sucesso empresarial etc.
O Movimento Carismático acentua demasiadamente o “sentir-se bem” no ambiente de culto. Com isso, os cultos carismáticos são recheados de clichês com músicas do tipo mantra. A dita “adoração extravagante” atende a demanda do misticismo vazio de conteúdos objetivos. Nesses “momentos de adoração”, a eventual êxtase serve como o ópio contrário a racionalidade cúltica proposta pelo apóstolo Paulo em Rm 12.01.
Alguns, influenciados por uma onda de espiritualidade pós-moderna, sem vinculo moral, já não condenam o segundo casamento, nem a união de homossexuais, o aborto, o sexo descompromissado etc. É possível ver em alguns libertinos essas atitudes, principalmente aqueles afetados pela teologia neoliberal.

Ascetismo e seus males

Como dito no início, o protestantismo criou vários estereótipos em versões de tabu quanto aos prazeres dessa terra. Comportando-se somente como peregrinos, os cristãos rejeitaram a cultura e o papel de influência sobre ela. Nessa cosmovisão, criam forte aversão ao cinema, rádio, televisão, erudição, esportes, lazeres, entretenimento, teatros, artes, danças, esculturas etc. Fruto de uma dicotomia grega, e não de convicção bíblica, o legalismo protestante desprezou a dosagem equilibrada do prazer.

A falsa santidade e o ascetismo

Prejuízos enormes já foram causados pela confusão existente nas cabeças legalistas, entre ascetismo e santidade. Santidade vem de Deus, ascetismo vem do homem; santidade está casada com a graça, ascetismo está casado com o legalismo; santidade liga a Deus, ascetismo afasta o homem de Deus. Santidade tem uma total dependência da obra regeneradora e purificadora do Espírito Santo, enquanto o ascetismo depende do esforço humano.
Quantos pentecostais pregam e vivem como se os “usos e costumes” os levassem para o céu!
Sobre o assunto, sabiamente escreve o teólogo Augustus Nicodemus:

Ser santo não é guardar uma série de regras e normas concernentes ao vestuário e tamanho do cabelo. Não é ser contra piercing, tatuagem, filmes da Disney, a Bíblia na Linguagem de Hoje. Não é só ouvir música evangélica, nunca ir à praia ou ao campo de futebol e nunca tomar um copo de vinho ou uma cerveja. Não é viver jejuando e orando, isolado dos outros, andar de paletó e gravata. Para muitos pentecostais no Brasil, santidade está ligada a esse tipo de coisas. Duvido que estas coisas funcionem. Elas não mortificam a inveja, a cobiça, a ganância, os pensamentos impuros, a raiva, a incredulidade, o temor dos homens, a preguiça, a mentira. Nenhuma dessas abstinências e regras conseguem, de fato, crucificar o velho homem com seus feitos. Elas têm aparência de piedade, mas não tem poder algum contra a carne. Foi o que Paulo tentou explicar aos colossenses, muito tempo atrás: “Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade” (Colossenses 2.23). [3]

O grande pregador A.W. Tozer certa feita afirmou: “quando mais um homem e tem no coração, menos precisará de fora; a excessiva necessidade de apoio externo é prova de falência do homem interior” [4]. Pelo conceito de Tozer, é visto que a excessiva necessidade de afirmação de uma “santidade” exterior, mostra certa deficiência no interior. Quantos expressavam os mais clássicos trejeitos de pentecostais tradicionais, mas era uma pessoa difícil de lidar? Ora, a santificação como de dentro para fora (I Ts 5.23), ou seja, “espírito, alma e corpo” e não o contrário! É muito fácil mudar o guarda-roupa, ou deixar de ir ao cinema; mas trabalhar a inveja, a malícia, a ambição, a sensualidade etc., somente com a Graça de Deus!

Compreensão correta de santidade não leva ninguém ao antinomismo

Nesse artigo não há sugestões para aversão a leis, regras, costumes ou tradições e nem incentivo para vida dissoluta, em que violenta a Graça de Deus. A Bíblia estabelece princípios irrevogáveis, em que muitos preceitos encontram suas bases. Lembrando que regras, tradições e preceitos mudam, mas os princípios (essência) não devem mudar.
A compreensão correta da santidade, nunca levará os homens para comportamentos pecaminosos. Quem peca baseado na “graça de Deus” está redondamente enganado! Os que usam a Graça para o pecado, entram no conceito de Judas, de "homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de nosso Deus, e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo. (Jd. v.4),

A falência dos tabus comunais

Algumas denominações, como a Assembléia de Deus, da qual esse blogueiro faz parte, criou uma série de regras “oficiais” concernentes aos “usos e costumes”. Ora, se tais igrejas ensinassem sistematicamente os princípios irrevogáveis da Palavra de Deus, como o pudor, a modéstia, a moderação, a preservação do corpo etc.; não necessitariam de criar regras comunais específicas em questões de costumes e seus usos. A criação de “tabus comunais” mostra falência de ensino dos princípios absolutos e a busca do caminho mais fácil chamado “proibição”!
O teólogo Geremias do Couto sabiamente escreveu:

A experiência religiosa mostra que não adianta explicitar um sem-número de regras, pensando que elas consigam mudar a pessoa por dentro. O máximo que promovem é uma reforma exterior, que, do ponto de vista do ensino de Cristo, cheia a hipocrisia. [5]

Por isso, que a igreja bem doutrinada, ou seja, bem ensinada nos princípios bíblicos, gerará necessariamente bons costumes, que nunca serão impostos ou encarados de maneira legalista. Preceitos bons nascem de boa pregação, mas pregação doente gera somente crentes doentes e sem a compressão da Graça de Deus! Ainda o grande teólogo puritano J.I. Packer escreveu:

Esse ascetismo reacionário ainda sobrevive em alguns círculos na forma de tabus comunais sobre álcool, tabaco, teatro, dança, jogos, roupas elegantes, cosméticos e itens similares. Talvez tenha havido, e haja, boas razões para tais abstinências, em se tratando de decisão pessoa, mas tabus comunais tendem a entorpecer a consciência, em vez de avivá-la... O mundanismo foi definido em termos de quebras de tabus, e identificações de conseqüências mais amplas com os pecados da sociedade passaram despercebidas... O pietismo separa o mundo em vez de estudá-lo e procurar mudá-lo; é hostil ao prazer, em vez de agradecido por ele, temeroso de que o mundo adentre nossos corações montado nas costas do prazer. [6]

Conclusão

O desequilibrado hedonista destrói sua vida com seu modus vivendi louco e irresponsável, enquanto o asceta não aproveita a beleza que Deus deixou nessa terra. Ambos estão errados, ambos se autodestroem, pois é comum ver hedonistas viciados em bebidas e drogas, enquanto muitos ascetas estão obesos pela vida sedentária. O cristão gosta do equilíbrio!

Referências Bibliográficas e notas:

01. EVANS, C. Stephen. Dicionário de Apologética e Filosofia da Religião. São Paulo: Editora Vida, 2004. p. 64.
02. GRENZ, Stanley J. & SMITH, Jay T. Dicionário de Ética. São Paulo: Editora Vida, 2005. p. 82.
03. NICODEMUS, Augustus. O que estão fazendo com a Igreja. São Paulo: Mundo Cristão, 2008. p. 152.
04. TOZER, Aiden Wilson. O melhor de A.W. Tozer. São Paulo: Mundo Cristão, 1997. p. 110.
05. COUTO, Geremias do. A Transparência da Vida Cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 2001. p. 25.
06. PACKER, James Ian. Os Planos de Deus para Você. Rio de Janeiro: CPAD, 2005. p. 67.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Entrelinhas 01: Se Deus é por nós, quem será contra nós?

A expressão paulina está sendo usada abundantemente nas propagandas eleitorais pelos candidatos evangélicos. O uso desse versículo expressa um equívoco: muitos evangélicos consideram seu cargo político como um dom ministerial, como se a economia do Reino de Deus exigisse o cargo político para sua expansão. O exercício de funções na política, advocacia, medicina, faxina, jornalismo, letras, matemática, biologia etc., todas são vocações que parte de Deus, como bem dizia os reformadores, mas isso não significa que tais funções são essenciais para o Reino de Céus. Tais funções não fazem do homem um súdito do Rei!
Sempre que os políticos consideravam-se representantes de Deus nos poderes constituídos, os prejuízos são enormes. O imperador romano Constantino é um exemplo, pois esse casou mais prejuízos do que vantagens para a cristandade! Política é vocação e não representação da vontade de Deus na Terra!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

A falha comunicacional dos conservadores

Na última semana, o nome de Sarah Palin tomou conta dos noticiários sobre as eleições norte-americana. A governadora do Alaska foi escolhida estrategicamente por John McCain para ser sua vice-presidente e, caso ganhe a eleição, tornar a primeira mulher a ocupar o segundo cargo da República estadudinense. Entre as várias polêmicas envolvendo o seu nome, produzidas pelos democratas, uma virou destaque. Em uma pregação para jovens da Assembléia de Deus em Wasilla, Alaska; Palin discorreu que a guerra do Iraque é “uma missão de Deus”. [1] Essa frase repercutiu em toda a mídia e destacou mais uma vez o messianismo norte-americano por parte dos evangélicos daquela nação. Mas seria essa uma frase isolada ou mais uma infeliz declaração dos conservadores norte-americanos? Não haveria um problema comunicacional?
Sarah Palin não foi a primeira e nem a última pessoa, aliada ao conservadorismo norte-americano, com frases infelizes, mal colocadas e claramente anti-bíblicas. Segundo a mídia norte-americana, o pastor de Palin, Ed Kalnins, declarou em 2004 que quem não votasse em George W. Bush iria para o inferno. O famoso pregador fundamentalista-carismático Pat Robertson declarou ,em agosto de 2005, que os Estados Unidos deveriam assassinar o presidente venezuelano Hugo Chávez; Robertson afirmou em seu programa de rede nacional: “Não precisamos de outra guerra de US$ 200 bilhões para nos livrarmos de um ditador de mão forte. É muito mais fácil que alguns agentes disfarçados cuidem desse trabalho e se livrem disso". Robertson já afirmou que os furacões na Flórida são culpa da maldição trazida pela Disney. No 11 de setembro, o Rev. Jerry Falwell afirmou que o ataque era um castigo aos Estados Unidos por causa dos abortistas e homossexuais [2]. Muitas outras declarações poderiam ser citadas, desde importantes escritores até pastores de renome.

O que há de errado com os conservadores norte-americanos?

Essas declarações já mostram que os conservadores norte-americanos, em sua maioria, não sabem discernir o cristianismo bíblico do seu patriotismo exacerbado [3]. Confundir o cristianismo com aspectos culturais dos Estados Unidos ou Europa, é um dos maiores problemas no discurso conservador. Nesse erro, justificam todas as guerras dos Estados Unidos ou Israel como obras de expansão do Reino de Deus, sendo uma verdadeira “Cruzada” moderna ou pós-moderna. Esquecem que o evangelho de Cristo não é pela espada, pois “todos os que lançarem mão da espada à espada morrerão”( Mt 26.52), como disse o Senhor Jesus Cristo. A criação de uma teologia da guerra, ou a jihad cristã, é o tremendo engano daqueles que usam as Escrituras para justificar os mesquinhos interesses da nação “cristã”. Os conservadores deveriam ser os primeiros a condenarem as atrocidades das guerras, não pensando que isso os fariam um liberal.
Um dos principais pensadores cristãos e conservador de carteirinha, Os Guinness, declarou em entrevista para a Revista Cristianismo Hoje, que ser conservador não significa engolir tudo o que é praticado pelos republicanos:

Essa atitude da direita cristã, sua subserviência ao republicanismo, criou uma resistência contra a religião de uma maneira geral, e especificamente, em relação ao Evangelho. Agora, sob a presidência de George W. Bush, essa resistência chegou ao seu mais alto grau. As pessoas dizem assim: “Se Bush é religioso, eu não quero ser religioso”. E o fato é que aqueles que apoiaram Bush e ajudaram a elegê-lo – os evangélicos – agora estão pagando por esse erro. Eu argumentaria que o cristão deveria estar engajado politicamente, mas nunca abraçado e unido a um partido ou ideologia. O maior de todos os políticos evangélicos foi William Wilberforce, um conservador que, apesar disso, votou contra seu próprio partido quando concluiu que ele estava errado. Ele nunca foi um homem do partido; e antes de mais nada, era um homem de princípios, que agia de acordo com sua consciência cristã. Nos Estados Unidos, os cristãos têm que se libertar das algemas do Partido Republicano. Agora, seria igualmente horrível ir para o outro lado e fazer a mesma coisa em relação aos democratas. [4]


Os Guinness acerta em cheio quando lamenta esse identificação de direta cristã com idéias republicanas e outros que chegam aos extremos de se aliarem com os democratas, por estarem decepcionados com a antiga relação do republicanismo.

Exageros de alguns decepcionados

Muitos cristãos, cansados dos equívocos da direita cristã republicana, abraçam os erros liberais dos democratas. São pessoas que levantaram a bandeira do “politicamente correto”, onde os ideais “progressistas” são pregados em detrimento dos valores morais. São aqueles que pregam humanismo e sua dignidade, mas aprovam o aborto como forma de eugenia, etc.
Para protestar contra a Guerra do Iraque e outras mazelas produzidas pela era Bush, não é preciso se aliar com o outro lado do abismo, onde a guerra é condenada, mas a eutanásia é bem vista.

Conclusão

O erro principal dos conservadores é serem confundidos, por eles mesmos, com um partido político. O ideal cristão deve estar acima das ideologias partidárias e confortar qualquer erro que venha prejudicar a verdade do Evangelho.



Notas e referências bibliográficas:


1- Assisti a pregação de Sarah Palin nesse link: http://www.youtube.com/watch?v=L4LjsfWbZLA
2- Declarações com o nome de Deus não são exclusividade dos conservadores (republicanos) nos Estados Unidos. Como o furacão Gustav prejudicou a Convenção Republica, alguns democratas afirmaram em forma de piada, que esse fato demonstrava que Deus está do lado do Partido Democrata. Até o próprio documentarista de esquerda Michael Moore ratificou tal declaração e depois voltou atrás.
3- O teólogo Justo L. González descreve muito bem esse processo que ele define como “sectarismo socioeconômico” nas igrejas protestantes dos Estados Unidos. Veja: Mapas Para a História Futura da Igreja. Rio de Janeiro:CPAD, 2006, 107-109.
4- http://www.cristianismohoje.com.br/artigo.php?artigoid=33570