quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Entrevista com Geremias do Couto


Pastor Geremias do Couto é escritor, conferencista, autor do livro A Transparência da Vida Cristã (CPAD), comentarista da revista Lições Bíblicas para a Escola Dominical, presidente da Omega Mission Ministry, Inc, membro da Casa de Letras Emílio Conde, editor pela CPAD da Bíblia de Estudo Pentecostal, verbete do Dicionário do Movimento Pentecostal e Coordenador Nacional do projeto Minha Esperança - Brasil, da Associação Evangelística Billy Graham. Na área acadêmica tem formação em Comunicação Social; possui bacharel em teologia pelo IBAD e mestrado pelo Gordon-Conwell Theological Seminary.
Nessa entrevista, o pastor Geremias do Couto fala uma pouco sobre o projeto Minha Esperança Brasil e o lançamento do seu futuro livro sobre cosmovisão cristã.


01. Blog Teologia Pentecostal: Como se iniciou o projeto Minha Esperança no mundo?

Geremias do Couto: O projeto Minha Esperança é o resultado de uma reunião entre líderes evangélicos da America Latina e a Associação Evangelística Billy Graham, ocorrida em 2002, quando se discutiu qual seria a forma mais eficiente de se alcançar todo um país, de uma só vez, com a mensagem do Evangelho. Esse foi o ponto de partida para um projeto que já foi realizado em mais de 40 países no mundo, com mais de nove milhões de decisões por Cristo.

02. Qual a diferença ou ineditismo do projeto em relação a outras campanhas da Associação Evangelística Billy Graham?

O forte da Associação sempre foram as cruzadas evangelísticas. Elas cumpriram, ainda cumprem, um papel histórico na evangelização mundial. Mas seu alcance é bastante restrito, pois se realiza sempre no âmbito de uma cidade e depende do comparecimento das pessoas ao estádio, alcançando um número reduzido de pessoas.

Com o Minha Esperança é diferente. Em parceria com as igrejas evangélicas, elas são desafiadas a treinarem os seus membros para que sejam Mateus e abram os seus lares para os seus amigos, parentes e vizinhos, tal qual o discípulo de Cristo que, após converter-se, abriu o seu lar, convidou os amigos e estes puderem ouvir a mensagem do próprio Jesus.

Em nosso caso, serão milhares de mini-estádios espalhados pelo Brasil em que cerca de 10 milhões de pessoas assistirão as transmissões dos três programas de Minha Esperança, pela Rede Bandeirantes, às 21:00hs, horário de Brasilia, nos dias 6, 7 e 8 de novembro. Quantos Maracanãs seriam necessários para abrigar esse povo? Assim, o Minha Esperança, pelo seu alcance, é muito mais efetivo como instrumento de evangelização.

03. Como tem sido trabalhar com as mais diversas denominações?

Tem sido uma bênção. Encontramos as portas abertas e um interesse profundo pelo projeto. As lideranças, de modo geral, estão compreendendo que o Minha Esperança é uma ferramenta que ajudará, inclusive, a restaurar o papel da evangelização na igreja local, hoje muitas vezes colocado em plano secundário para dar lugar apenas às mensagens motivacionais. Temos cerca de 40 denominações envolvidas, com cerca de 90 mil igrejas comprometidas e mais de um milhão e 180 mil lares projetados em todo o país.

04. Nessa fase pré-programa, as expectativas têm sido atendidas?

Sem dúvida. Distribuímos cerca de um milhão e cem mil kits Mateus. Hoje já não dispomos de mais materiais, de maneira que as "igrejas da última hora" estão sendo orientadas a baixar o material do nosso website: http://www.minhaesperanca.com.br/. Teremos, com certeza, a maior colheita de almas da história do nosso país.

05. O senhor, juntamente como o pedagogo e teólogo César Moisés de Carvalho estão escrevendo uma densa obra sobre cosmovisão cristã, que contextualiza com a realidade brasileira. Quais são os temas que serão destaques no livro?

Estamos tratando de como expressar a nossa fé no mundo contemporâneo. Igreja, Ciência, Política, Educação, Artes, Cultura e outros temas estão sendo correlacionados e mostrados à luz da cosmovisão cristã, em linguagem acessível a todos, mas que atenda também ao público acadêmico em geral. É uma tarefa gigante, que está sendo construída passo a passo, com a ajuda de Deus. Esperemos concluí-la nos próximos meses para que venha à lume em 2009.

06. O senhor foi editor da famosa obra E agora, como viveremos? de Charles Colson e co-autoria de Nancy Pearcey. Os autores defendem a aplicação de uma cosmovisão cristã na sociedade secularizada em que temos vivido. O livro fez sucesso e hoje é adotado inclusive em cursos de mestrado. Seria a aplicabilidade da cosmovisão cristã na sociedade é dos maiores desafios da igreja brasileira?

Acredito que sim. Por várias razões, ao longo dos anos, construímos uma visão dicotômica da vida cristã. Nossa expectativa é o céu e não temos nenhum compromisso em influenciar o mundo no qual vivemos, pois, como disse alguém, tudo vai de mal a pior. Mas não é bem isso que encontramos na Bíblia. Ela nos aponta para uma fé que não se aliena, mas participa, influencia e vê a vida não de forma departamentalizada - vida cristã, vida secular - mas como um todo, onde cada ato nosso repercute no ambiente em nos expressamos. Ou seja, esse é o nosso grande desafio desta era.

07. "Um livro que não fica em pé não presta", já dizia um escritor prolixo. Quais são os maiores desafios de escrever uma volumosa obra, sem cair no academicismo incompreensível, nem na redundância desnecessária e ainda despertar o interesse do público ledor brasileiro?

Eu diria que este é um trabalho doloroso. É como um parto. O nosso desafio, entre outros, tem sido dosar a nossa linguagem para não caírmos no "academicismo imcompreensível", mas também não vulgarizarmos o texto e ele se torne conceitualmente fraco pela pobreza da linguagem. Precisamos das orações de todos e compreensão se, em algum ponto, não conseguirmos alcançar essa meta.

08. Quais são os pensadores cristãos que mais influenciam a construção de pensamento da obra?

Abraham Kuyper, Francis Shaefffer, Charles Colson, Nancy Pearcey, John Piper, C.S. Lewis, Norman Geisler, entre outros.

Leia também:

Entrevista com Silas Daniel, editor do Jornal Mensageiro da Paz. http://teologiapentecostal.blogspot.com/2008/01/entrevista-com-o-pastor-silas-daniel.html

Entrevista com Ciro Sanches Zibordi, autor do livro Erros Que os Pregadores Devem Evitar.
http://teologiapentecostal.blogspot.com/2008/07/entrevista-com-o-pastor-ciro-zibordi.html

Entrevista com Isael de Araújo, autor do Dicionário do Movimento Pentecostal.

http://teologiapentecostal.blogspot.com/2007/12/entrevista-com-o-pastor-isael-de-arajo.html

domingo, 19 de outubro de 2008

“A mão de Deus está pesando sobre ti”

Os terroristas no meio evangélico não usam burca ou trabalham com bombas, mas destroem os neófitos da fé com ameaças psicológicas. Usando como arma o santo nome do Senhor, esses detratores não reverenciam Deus, mas usam sua identificação em vão. Com um espírito de violência e vingança, alguns “cristãos” extravasam suas iras e raivas usando o Todo-Poderoso como uma marionete em suas mãos. Infelizmente a prática de “terrorismo psicológico” nas igrejas evangélicas é muito comum, sejam elas legalistas ou mercantilistas.

As “profetadas” destruidoras

É impressionante como meio pentecostal e carismático há pessoas destruídas em sua vida íntima por causa de falsos profetas, que profetizam casamentos, mudanças de emprego ou até mudaram planos de viagens. Em muitas congregações jovens casais estão a beira de um trágico divórcio por causa de uma casamento “arranjado” por “profetas”.
Donald Stamps escreveu:

As decisões no tocante à moralidade, compra e venda, ao casamento, ao lar e à família devem ser tomadas mediante a aplicação e obediência aos princípios da Palavra de Deus e não meramente à base de uma “profecia”. [1]

Os profetas de mentiras normalmente apresentam-se como intocáveis piedosos, mas negam a eficácia dessa mesma piedade. Não é muito difícil identificar esses falsificados, pois logo se percebe que são pessoas artificiais em sua biblicidade e ultra valorizam o sobrenatural.

Os fundamentalistas e o seu deus déspota

Quando houve o furacão Katrina, muitos evangelistas fundamentalistas não esperaram para sentenciar que a causa de tal tragédia era o vodu praticado naquela região. Enquanto os destroços eram cavados em busca de corpos no Tsunami, muitos pregadores faziam análise que o fenômeno aconteceu devido a alta idolatria praticada naquela parte da Ásia.
Tais pessoas estão baseadas exclusivamente numa visão de mundo vetero-testamentária, sem levar em conta as mudanças provocadas pela Nova Aliança. Essas mesmas pessoas defendem guerras desastradas baseadas na justificativa de guerra justa do Antigo Testamento.
O engraçado é ver pregadores brasileiros falando da ligação do Tsunami com a idolatria e esquecem que aqui no Brasil há o maior carnaval do mundo. Porque não estão profetizando a próxima catástrofe em terras tupiniquim?

Os “evangelistas” ameaçadores

Alguns “profetas” não costumam ser tolerantes com apologistas ou teólogos. O mega-star Benny Hinn, por exemplo, disse em uma pregação sobre os “caçadores de heresias” que: "se vocês me atacaram, suas crianças pagarão por isso" e ainda desejou: "algumas vezes eu desejaria que Deus me desse uma metralhadora do Espírito Santo para explodir a cabeça deles” [2].
Não é difícil ouvir de pregadores como Benny Hinn e seus fanáticos seguidores, xingando aqueles que demostram as heresias pregadas por ele. A fineza não existe na apológética desses pregadores sensacionalistas.

O “evangelho” do medo

Muitos novos cristãos vivem constantemente com medo de queimarem no inferno, pois a segurança da salvação não lhes é ensinada. Outros vivem sob o pânico da Grande Tribulação, pois a esperança da Vinda de Cristo não é comunicada. Alguns vivem debaixo do jugo do legalismo, pensando que estão prestando um serviço a Deus.

O “evangelho” da doença e miséria

Os profetas da confissão positiva incentivam que os seus seguidores se despojam todos os seus bens, mas eles mesmos não entregam nada. Iludidos por uma falsa prosperidade, muitos ficam na miséria após não “exercitarem” a fé. Crianças até morreram nos Estados Unidos por causa do falso ensino de cura proclamado por alguns tele-evangelistas, sendo famoso o caso do casal Parker que deixou de dar os medicamentos de seu filho e a criança morreu [3]
A gravidade dos falsos ensinamentos já provocou sofrimentos em muitas pessoas, assim também com uma geração de decepcionados com a igreja. O triunfalismo que proclama “só vitória” nos domingos a noite choca-se com os desafios da segunda-feira de manhã.

Conclusão

Paulo Romeiro lembra que “a igreja é o último lugar onde se espera deparar com frustrações” [4], mas infelizmente essas pregações de medo, falsas promessas, intimidação têm levados muitos para uma decepção com as igrejas evangélicas. Uma igreja que tem perdido gradativamente sua luz e credibilidade, pois em lugar de cair na graça do povo, tem levado desgraça para muitos.



Referências Bibliográficas:

1- STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995. p 1679.
2- Essas são palavras faladas em seu programa de TV: Benny Hinn, TBN "Heresy Hunters" em 23/10/92. Um das pessoas objeto de sua ameaça foi Hank Hanegraaff, presidente do Instituto Cristão de Pesquisas dos Estados Unidos.
3- O caso está relatado no livro de Larry Parker, We Le tour Son Die (Deixamos Nosso Filho Morrer).
4- ROMEIRO, Paulo. Decepcionados com a Graça. São Paulo: Mundo Cristão, 2005, p 13.

domingo, 12 de outubro de 2008

Paulo Roberto, o fenômeno neopentecostal e o futuro das Assembléias de Deus


No decorrer de sua história, o pentecostalismo apresentou crias personalistas, que com seus dotes carismáticos fizeram e fazem sucesso em todo o mundo. A versão pentecostal tupiniquim apresentou dezenas de novos nomes entre pregadores que se tornaram grandes conferencistas. Assim foi com Geziel Gomes, Hidekasu Takayma, Abílio Santana, Napoleão Falcão e mais recentemente com Marco Feliciano. A eloqüência, no sentido coloquial da palavra, e os sinais miraculosos são marcas desses pastores que espalham suas mensagens por meios de cd´s, DVD´s e internet.
Um novo nome no cenário assembleiano é de um controvertido pregador de milagres estranhos. O pastor Paulo Roberto promove sua “campanha dos milagres” no maior templo do país, pertencente às Assembléias de Deus de Cuiabá, cujo dirigente é o pastor Sebastião Rodrigues de Souza. Em seu site [1], testemunha vários casos de curas e eventos extraordinários, onde até mesmo já relatou que Deus falou com ele, em um momento de dificuldade, usando algumas galinhas que falavam em línguas com interpretação de um galo [2]! Paulo Roberto relata que foi curado de vários tumores malignos.
Paulo Roberto tem sido convidado para vários congressos e festas em igrejas pentecostais, onde relata testemunhos, canta, ora para que Deus coloque dinheiro em contas bancárias e dê dentes de ouro. De calvície até câncer são relatados como curas em suas reuniões de milagres. Paulo Roberto advêm de uma geração “milagreira” e pragmática, pois a avaliação de seu ministérios e suas verdades doutrinais advêm de sua facilidade com a manipulação do transcendental.

O milagreiro controvertido

Dentes de ouro? Dinheiro em conta bancária? Galinhas que falam em línguas? Bizarrices é o que não falta do ministério do pastor Paulo Roberto! Suas reuniões são sempre lotadas e marcadas por um emocionalismo histérico diante do “show pessoal” que esse pregador faz após o suposto milagre. Sempre alega que quem criticar suas práticas bizarras e anti-bíblicas são os fariseus, frios, incrédulos, ímpios e usa até palavras de baixa calão, como vagabundos etc. As advertências para os críticos vem de palavras ameaçadoras, que ele interpreta como autoridade advinda do céu. As suas pregações são marcadas por uma superficialidade gritante, onde os textos bíblicos são usados como meros incertos para seus sermões.

Conseqüências para a denominação

A tolerância para sujeitos como Paulo Roberto, que ocupa púlpitos, dirige reuniões em igrejas importantes e ainda é convidado especial de grandes congressos; mostra como a principal igreja evangélica do Brasil precisa urgentemente de uma revisão de suas prioridades. Muito se discute no seio da Assembléia de Deus sobre a conservação de uma identidade, que é confundida por muitos como conservação dos mesmos “usos e costumes”. Enquanto o debate controvertido e infrutífero da “identidade assembleiana” é levantado em convenções politizadas e divididas em partidos, nada é feito concretamente para impedir o avanço de pastores que pregam heresias e bizarrices.
Como uma denominação como as Assembléias de Deus, depois de tanto avanço quanto ao conhecimento bíblico e despertamento para uma maior maturidade, ainda mantém em seu quadro de obreiros, pastores que promovem suas superstições? Porque não há boicotes e repreensões públicas com uma convenção estadual que tolera e incentiva tais práticas? São questões difíceis de entender... Tal fato mostra como o discurso da “identidade assembleiana” é mero discurso retórico vazio e sem sentido, que só pega mesmo em tempo de pleito eleitoral.
A tolerância para com os modismos e heresias do pastor Paulo Roberto contraria fortemente as orientações da Convenção Geral, que sendo ele ministro filiado, deveria ao mesmo considerar. A CGADB (Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil) é contra uma série de práticas promovidas pelo pastor Paulo Roberto. Na oitava ELAD, que é um encontro de pastores assembleianos ligados a CGADB, na cidade de Porto-Seguro- BA, em outubro de 2002, foi reafirmado a posição contrária da Assembléia de Deus em relação aos modismos neopentecostais. No relatório da ELAD, está escrito:

Sob o esfuziante tema “Não extingais o Espírito” o 8° ELAD trouxe a tona os fenômenos promovidos pelos movimentos neo-pentecostais como: “cair no Espírito”, “sopro do Espírito”, “benção de Toronto”, “dançar no Espírito”, “dentes de ouro” e outras enxurradas de práticas inovadoras que andavam perturbando o seio da igreja. Nas palestras ministradas pelos pastores José Wellington Bezerra da Costa, Antonio Gilberto, Elienai Cabral e Elinaldo Renovato de Lima, os mais de 700 pastores e evangelistas inscritos no encontro, puderam constatar que a Bíblia não oferece nenhum respaldo para tais acontecimentos e reafirmaram que o autêntico mover do Espírito é aquele que traz avivamento espiritual, batismo no Espírito Santo e transformação na vida do homem.

Identidade falha, igreja fraca

Enquanto os maiores líderes da denominação continuarem perdendo o seu tempo discutindo pormenores em relação à liturgia (como pode ou não poder bater palmas?) ou em relação aos usos e costumes (como pode ou não usar adornos?), as Assembléias de Deus regredirão e produzirão outros pregadores bizarros. É preciso corrigir os erros do passado, como o legalismo e o anti-intelectualismo e manter as benesses dos pioneiros, como o zelo missionário e a busca intensa do poder de Deus para testemunhar o evangelho. Não se pode ter uma visão romantizada e saudosista, assim como não se deve desprezar o legado da tradição!

Qual o caminho que a Assembléia de Deus quer seguir?

Será que o futuro assembleiano continuará com o obscurantismo teológico e seu legalismo retrógrado? Ou será que os assembleianos do século XXI serão marcados por uma mística supersticiosa, onde a espiritualidade é medida pelo barulho e a reflexão teológica é nula?
Bom seria que as Assembléias de Deus no Brasil caminhassem para o aprofundamento doutrinário-teológico com busca de uma autentica espiritualidade pentecostal, sem amarras de modismos e anacronismos. Teologia e espiritualidade equilibradas por um pentecostalismo que dialoga com outras confissões protestantes, como os reformados, batistas, anglicanos e até, quem sabe um dia, com os fechados fundamentalistas.
A esperança é viva para uma Assembléia de Deus livre de superstições pseudo-pentecostais, com maior reflexão teológica, mas também que nunca deixe seu zelo evangelizador e a busca pelos dons do Espírito, que sempre serviram para a edificação constante da congregação. A sustentação do passado, com uma contextualização presente!

Conclusão:

Não se pode falar em uma denominação forte e sadia, com um ufanismo cego, quando se tem em seu quadro, com uma tolerância absurda, pessoas que promovem confusão no seio da igreja.

Notas e Referências Bibliográficas:

1- http://www.pastorpauloroberto.com/


2- No seu testemunho, o pastor Paulo Roberto descreve como foi sua experiência com as galinhas que falavam em línguas. Vejam só o relato:
Quando aquela mão branca me levou no galinheiro, de repente, não era mais uma mão, era um homem de branco, que me disse: - Paulo, você iria se suicidar por causa do silêncio de Deus?
- Sim, respondi somente no pensamento, mas ele entendeu.
- Paulo, os profetas te abandonaram e ainda dizem que o teu Deus te abandonou?
- Sim, respondi novamente só no pensamento, porque não tinha forças para abrir a boca.
- Paulo, hoje você vai saber que quando falta profetas para falar, O Senhor Deus usa quem Ele quer e da maneira que lhe aprás.
Naquele momento, um poder de Deus tão grande desceu sobre o galinheiro e todas as galinhas começaram a falar em línguas angelicais. De repente uma galinha do outro lado do puleiro, começou a falar com mais autoridade e todas as outras galinhas pularam do puleiro em reverência, enfiaram o bico na terra, cruzaram as asas e gemiam dizendo: Hummm, hummm, fala com o Teu filho Senhor. Naquele momento aquela galinha que falava com mais autoridade, veio rodeando um lado do puleiro e um galo a acompanhava do outro lado, quando chegaram onde eu estava, a galinha colocou a asa na minha testa, falava em línguas angelicais e o galo interpretava, e a interpretação de Deus no bico do galo foi esta: “MEU FILHO PAULO, NÃO PRATIQUES O SUICÍDIO, NESTE MOMENTO ESTOU TE CURANDO DE CÂNCER, TE LEVANTANDO UM PREGADOR DA MINHA PALAVRA. VOU CUIDAR DA SUA AGENDA, PORQUE O MUNDO CONHECERÁ O SEU NOME, TE USAREI COMO MÉDICO NO MEIO DO MEU POVO, POR ONDE TU PASSARES, CURAREI OS ENFERMOS . E naquele momento eu fui radicalmente, totalmente curado de câncer pelo poder de Deus
. Extraído do site pessoal: http://www.pastorpauloroberto.com/index.php?pg=mostra_paginabd.php&c=1#

3- O bispo anglicano Robinson Cavalcanti escreveu uma ótima análise sobre o cenário evangélico no Brasil. Leia em http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&artigo=2177&secMestre=2271&sec=2289&num_edicao=314

domingo, 5 de outubro de 2008

Adoração Extravagante? Uma Análise

Hillsong, um grupo musical das Assembléias de Deus na Austrália, estourou em sucesso nos primeiros anos da década de 1990, influenciando os grupos musicais das igrejas evangélicas em todo o mundo. Os louvores das igrejas pentecostais e carismáticas ganharam uma nova roupagem e influenciaram fortemente igrejas tradicionais. Hoje, as músicas do Hillsong United, versão mais jovem do grupo, são cantadas no mundo inteiro e inspira várias bandas locais. No Brasil, a Igreja Batista da Lagoinha e o seu Ministério de Louvor Diante do Trono divulgaram o "jeito hillsong" de cantar[1]. Vários rótulos foram dados ou auto-proclamados a esse novo movimento musical, inclusive de adoração extravagante, levitas, geração de adoradores, louvor profético etc. Há problemas sérios envolvendo esse novo momento da musicalidade protestante, assim como algumas vantagens trazidas pelos "ministérios de louvor".

I. Equívocos dos adoradores extravagantes

a) Concreto pelo abstrato

Nessa nova musicalidade há muita espiritualização daquilo que não é espiritual. O concreto é constantemente substituído pelo abstrato. Nesse pensamento são comuns declarações "proféticas" para conversão do país e proclamações triunfalistas sobre "um grande avivamento". Nesse ufanismo nada concretamente é feito, como maior exposição das Escrituras, orações acompanhadas de ação inteligente e dirigida por Deus, segundo os valores expostos na Palavra do Senhor.

b) Mistificação do louvor

É comum nesses "ministérios de louvor" uma ultra-valorização do emocional. Choros, gritos, pulos, cânticos espontâneos são indispensáveis nessas reuniões de louvor. Erro comum no meio pentecostal é considerar manifestação espiritual somente aquilo que é sensasorial e visível.
Nessa mistificação instrumentos musicais são "ungidos" e outros são considerados sagrados, tais como o shofar (instrumento musical feito de chifre de carneiro). Para muitos, o toque o shofar "libera unção". Outros deixam o som de seus aparelhos ligados para mudar o ambiente de suas casas. Tal espiritualidade se aproxima mais da religiosidade oriental do que das Escrituras Sagradas.
Muitas músicas parecem um mantra, onde a repetição é excessiva. Algumas músicas chegam a 20, 35 ou até 45 min repetindo a mesma letra. Essa atividade não é nada racional para um culto cristão.

c) Culto transformado em show

Bom seria se muitos "adoradores" se reconhecessem como artistas, pois enquanto negam tal definição, se comportam como tal. Philip Yancey acertou em cheio quando escreveu: "A igreja existe, não para oferecer entretenimento, encorajar vulnerabilidade, melhorar auto-estima ou facilitar amizades, mas para adorar a Deus. Se falharmos nisso... A igreja fracassa."[2].
Estrelismo tem tomado conta de mega-apresentações, onde o líder carismático é rodeado de fãs enlouquecidos. Muitos desses líderes tentam resistir ao estrelismo, mas não conseguem por estarem inseridos dentro de um movimento que é show por si só. Uma liturgia simples é substituída pela parnafenália de equipamentos e efeitos especiais que despertam os ânimos no momento das "ministrações".

d) Conceito equivocado de ministério

Nas Escrituras não há o conceito de "ministério de louvor", pois a musicalidade litúrgica é para toda a congregação, não somente para um grupo determinado. Não existe ministros de louvor, biblicamente falando, todavia essa é mais uma expressão da espiritualidade veterotestamentária presente nas igrejas cristãs.
Não, não está escrito que "Deus deu uns para apóstolos, profetas, pastores e ministros de louvor". Bem, que é mania da igreja evangélica brasileira inventar ministérios, como exemplo o de contribuir financeiramente para um programa na TV, sendo o "ministério dos colaboradores".

f) Cultos vetero-testamentário

A linguagem dos "ministério de louvor" são tipicamente do Antigo Testamento. Os "atos proféticos", "clamores de arrependimento pela nação", "atos simbólicos" e a mania de se colocarem como levitas é um mal constante nesse movimento. Normalmente, os líderes desses grupos são judaizantes, pois até kippah (cobertura para a cabeça) e talid (manto para orações) são possivéis ver em alguns cantores. Como lembra o professor Augustus Nicodemus: "Isso reintroduz o conceito que foi abolido na Reforma protestante de que o louvor e o acesso a Deus são prerrogativas de apenas um grupo e não de todo o povo de Deus"[4].

e) Ligação com modismos perniciosos

Boa parte dos "ministérios de louvor" estão totalmente ligados a movimentos heterodoxos como a teologia da prosperidade, confissão positiva, maldição hereditária, bênção de Toronto, gedozismo, batalha espiritual etc.

II. Acertos dos adoradores extravagantes

Nem só de equívocos os adoradores extravagantes estão cheios, alguns de seus acertos devem ser imitados por todos aqueles que gostam de louvar ao Senhor.

a) Letras de adoração

O movimento de adoração conseguiu produzir maravilhosas músicas, com letras bem feitas e com mensagens de adoração, mas com exceções [3]. No meio pentecostal eram comuns letras com exortações descabidas e até engraçadas, como uma música chamada "Teleleão", que exorta sobre os perigos da TV. Outros "louvores" estavam e ainda estão recheados de clichês de auto-ajuda, onde o triunfalismo reina nas letras. Os "hinos de fogo" são violentamente anti-bíblicos ou exagerados em sua análise da espiritualidade pentecostal.
Enquanto isso, os grupos de adoração conseguiram produzir letras muito boas, como "Aclame ao Senhor" e "Preciso de Ti". Essas letras realmente transmitem um louvor de adoração.

b) Despertamento para a importância do louvor

A música não era muito valorizada pelas igrejas protestantes, pois o conformismo técnico e uma produção musical de qualidade quase não existia. É consenso que os "ministérios de louvor" aumentarão a qualidade técnica, mas como visto no texto, não aumentou a qualidade de maneira geral.

Conclusão:

Uma análise desapaixonada, sem espiritualizações descabidas, precisa ser feita sobre qualquer movimento evangelical que se apresenta como um novo avivamento.

Notas e Referências Bibliográficas:

01. Esse texto é teológico-apologético, mas para uma análise sociológica do movimento de "adoração", veja: CUNHA, Magali do Nascimento. A Explosão Gospel. Rio de Janeiro: Mauad X e Instituto Mysterium, 2007. pp. 105-136. Para uma análise da musicalidade pentecostal no decorrer da história, ver: ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. pp 496-499.

02. YANCEY. Philip. Igreja: Por Que Me Importar. São Paulo: Vida Nova, 2001. p. 25.

03. NICODEMUS, Augustus. O Que Estão Fazendo Com a Igreja. São Paulo: Mundo Cristão, 2008. p. 160.

04. Algumas letras são altamente anti-bíblicas, como a música "Vitória na Cruz" do Diante do Trono.