terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Dicas Literárias 01: “Pentecostal de Coração e Mente”


Recomendação de hoje: Pentecostal de Coração e Mente, Rick Nañez, Editora Vida.

Como pentecostal sempre vejo manifestações anti-intelectuais. Infelizmente esse problema vem desde o início do pentecostalismo e ainda resiste ao tempo.  Nos últimos anos aconteceu uma explosão de cursos teológicos, mas infelizmente desprovidos do mínimo de qualidade, produzindo uma série de pseudo-intelectuais (sendo uma forma de anti-intelectualismo).

As faculdades de teologia eram consideradas “fábricas de pastores”. Outros alegavam que “a letra mata”. Alguns mais ousados afirmavam que o crente não deveria perder seu tempo estudando, pois o mais importante estava na evangelização diante da iminência da “Volta de Cristo”. O preconceito era geral, e ainda hoje valorizar adequadamente a teologia cria o estereótipo de um “crente frio”.

É importante destacar que mesmo no início do Movimento Pentecostal, pessoas como Myer Pearlman, Nels Nelson e Donald Gee se levantaram objetivamente contra esse sentimento anti-teológico. No Brasil, pessoas como Orlando Boyer, João de Oliveira, Eurico Bergsten, Lawrence Olson, Ruth Dorris Lemos, João Pereira de Andrade Silva, Gilberto Malafaia, Antonio Gilberto e João Kolenda Lemos eram (e ainda continuam) entusiastas do ensino teológico.

Diante desse quadro, o pastor pentecostal Rick M. Nañez escreveu um ótimo livro que combate a mentalidade anti-teologia presente nos círculos evangélicos. Nañez é mestre em Teologia Prática pelo Luther Rice Seminary (EUA) e doutor pelo Trinity Evangelical Seminary (EUA). Em 1987 foi ordenado ao pastorado pelas Assembléias de Deus dos Estados Unidos e atualmente trabalha como missionário no Equador.

A edição original do livro foi prefaciado pelo famoso teólogo Stanley M. Horton e no Brasil pelo pastor Paulo Romeiro. Vale a pena ler, principalmente os pentecostais que ainda se deparam com esse problema!


6 comentários:

Daladier Lima disse...

Prezado Gutierres, seu post me lembrou um fato que aconteceu quando estudava no Seminário. Faziam alegações de que a igreja discriminava os teólogos chamando-os de frios e ausentes, quando eu perguntei: Qual de vocês foi no último ao menos uma vez num culto de oração? Silêncio geral. Continuei: Qual de vocês participa ativamente da evangelização pessoal? Não houve resposta.
É aí onde se confirma o temor inicial. No mais estudar é bom e faz bem à igreja, mas a teoria tem que estar aliada à prática.

Daniel Grubba disse...

Ola irmão,
Eu endosso a recomendação deste livro, como indispensável para todo pentecostal. Em virtude do equilíbrio apresentado por Rick Nanez, entre acadêmia e prática cristã, a leitura se torna muito agradável.
Para mim, o ponto forte do livro é a exposição histórica referente ao "anti-intelectualismo" dentro do movimento pentecostal. Onde começou? Quais foram os expoentes? Porque a teologica passou a ser demonizada?

Obrigado pela indicação e por incentivar nossos irmãos a desenvolver a fé em Cristo de coração e mente.

Daniel

Lucimauro Marques Ferreira. disse...

Gutierres.
Muito boa a recomendação líterária,infelizmente ainda temos vivido muito preconceito em relação ao estudo Teológico,mas quando me vem à memória este preconceito,me alegro pelo fato de nossas Assembléias estarem reconhecendo essa realidade na vida do obreiro, é preciso ser feita muita coisa para se quebrar esse tabu totalmente do nosso meio,mas chegaremos lá,cada qual fazendo sua parte é lógico.
Por outro lado ainda vemos essa difuculdade em aceitar o estudo teológico por parte de outros seguimentos Pentecostais e até Neopentecostais.
O obreiro precisa está preparado (1Tm 4.13) sempre ouve necessidade disso,não há como negar a Realidade do Estudo Teológico.
A paz do Senhor.

Gutierres Siqueira disse...

Daladier, a paz!

Penso que se essa pergunta fosse estendida a uma congregação, o silêncio seria o mesmo! Vemos que a decaída na espiritualidade e no serviço cristão é um problema generalizado, atingindo anti-intelectuais ou eruditos. Mas acredito que os eruditos deveriam dar o exemplo!
A história nos mostra grandes eruditos que eram exemplos incontestáveis de comunhão com Deus, tais como Martinho Lutero, Charles Spurgeon, Jonathas Edwards,John Wesley etc. Infelizmente há casos lamentáveis de teológos que nunca conheceram a Deus, como William Barclay, que no fim da vida confessou que nunca passara por um processo de regeneração e ainda negou as verdades cristãs que um dia tinha defendido!

Gutierres Siqueira disse...

Daniel Grubba, a paz!

Agradeço pela visita!
O que me deixa mas feliz na obra de Nañez é ver uma crescente consciência crítica entre os pentecostais. Isso nos melhorará, disso tenho certeza, pois é um princípio bíblico: "Examine-se a si mesmo!"

Abraços!

Gutierres Siqueira disse...

Lucimauro, a paz!

O grande teólogo pentecostal Antonio Gilberto certa feita afirmou:

"Infelizmente, os pentecostais não tem uma tradição acadêmica. Estou dizendo isso com respeito. Sou pentecostal. Os nossos irmãos episcopais, metodistas, presbiterianos e batistas têm uma certa tradição acadêmica. Só fomos nos preocupar com isso há pouco tempo. Por isso, às vezes enfatizamos apenas a emoção e esquecemos a outra área."

Como você disse, precisamos fazer a nossa parte e quebrar essa tabu centenário, que sempre nos atrapalhou!