quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Não removam os marcos antigos?


No meio pentecostal existe uma turma que sempre tenta justificar as suas tradições humanas nas Sagradas Escrituras, mas a Bíblia insiste em correr para o lado oposto. Os defensores do legalismo institucionalizado constantemente citam Provérbios 22.28, onde lemos: “Não removas os marcos antigos que puseram teus pais” (ARA). Ora, será que esse texto nos ensina que as tradições de uma instituição nunca devem ser alteradas?

Uma boa exegese nos previne de violentar o texto bíblico com os nossos pensamentos imperfeitos. Nesse provérbio quando Salomão escreve “marcos antigos”, o autor se refere a “pequenas pedras semelhantes a pilares com elaboradas inscrições de palavras e desenhos” [1], ou seja, era um demarcador de terras que mostrava um limite onde não se poderia ultrapassar, pois assim o infrator estaria tomando posse de uma terra alheia. Na Nova Tradução Linguagem de Hoje (NTLH) o texto fica mais claro: “Não mude de lugar os marcos de divisa de terras que os seus antepassados colocaram”.

Esse texto nos ensina a prática da integridade, respeito e justiça. O versículo não está ensinando que todas as tradições dos antepassados devem ser mantidas intactas, apesar de sabermos o valor de nossa herança histórica. O teólogo Erwin Lutzer lembra: “Todos somos propensos a universalizar nossas próprias convicções pessoais; queremos tornar absoluto o que deveria ser relativo” [2]. Não podemos valorizar a forma em lugar da essência; não podemos transformar preceitos em princípios; não podemos tornar absoluto aquilo que é relativo; não podemos transformar tradições em doutrinas; não podemos despreza a interpretação bíblica em nome de justificativas injustificáveis. Quando fazemos isso, prejudicamos a nós mesmos e a comunidade cristã!

Referências Bibliográficas:

[1] PFEIFFER, Charles F.; VOS, Howard F.; REA, John. Dicionário Bíblico Wycliffe. 4 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008. p 1226

[2] LUTZER, Erwin. Quem é Você Para Julgar? 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005. p 222.

11 comentários:

Projeto Piura - blog disse...

Alô Gutierres,

Parece que você está andando em um terreno perigoso. Prepare-se para pedradas, pois a "remoção dos marcos antigos" não foi e nem é uma tarefa fácil. Contudo, sou coagido a concordar com você, mesmo que isso me conduza pela contra-mão de uma praxe histórica. É tempo de repensar a nossa fé!

Muitos estão preocupados com aquilo que os homens têm deixado de pregar (a cruz, o arrependimento e agraça por exemplo), mas também esses esquecem que acrescentar doutrinas à Escritura também é pecado. Não posso ficar aquem da doutrina bíblica, as tampouco devo ir além!

Abraço fraterno,

Leonardo G. Silva

Daniel Pereira disse...

Só um comentário, caro Gutierres.

A imagem é pesada demais, para o texto.

Burca não tem nenhuma ligação com usos e costumes na igrejas cristãs.

É isso.

Cleber disse...

EXCELENTE!!

Gutierres Siqueira disse...

Leonardo G. Silva, a paz!

Alguém já disse que quem prega muitos costumes é porque não tem mais o que pregar! Falta conteúdo e fica inventando regras!

Abraços!

Gutierres Siqueira disse...

Daniel Pereira, a paz!

Realmente a burca não tem ligação nenhuma com a cristandade. Mas é somente uma ilustração de como o legalismo é sufocante, insuportável e anti-humano! Mas certa vez ouvi um irmão pentecostal citando as muçulmanas como exemplos de santidade!!! Acredita?

Abraços!

Gutierres Siqueira disse...

Cleber, a paz!

Obrigado pela participação!

Abraços!

Daniel Pereira disse...

Ok, retifico!

Ainda ontem ouvi alguém que me é muito importante dizer,"antes eu era mais crente" somente pelo fato, de agora, estar menos fundamentalista.

Lamentável.

Gutierres Siqueira disse...

Daniel, a paz!

Infelizmente já ouvi isso inúmeras vezes... Em lugar de progredir, muitos preferem a nostalgia!

Eliseu Antonio Gomes disse...

Desde que me converti ouço Provérbios 22.28 descontextualizado. E isso me incomoda bastante.

Seu artigo é relevante. Andei publicando-o no orkut e aproveitei em meu blog (com os devidos créticos, claro).

Abraço, na paz de Cristo.
http://belverede.blogspot.com/

Valdeci do Carmo disse...

A burca nada tem a ver com o cristianismo. Mas tem tudo a ver no sentido figurado de nos atarem as vozes quando ao que discordamos. A instituição destroi o ministerio de muitos promissores obreiros, por tem a visao encoberta pela burca do legalismo, da tradição. Parabéns pelo post.

Alexandre Pitante Filho disse...

Paz de Cristo.
Parabéns pelo post, estou colocando no meu blog.


www.pitante.blogspot.com