terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

200 anos da gênese de Darwin: Fideísmo e Cientificismo

Nessa quinta-feira, 12 de fevereiro, o mundo biológico comemora os duzentos anos de Charles Darwin. Nesse dois séculos temos visto que muitos tentam ressuscitar a falaciosa luta entre ciência e cristianismo. Isso parte tanto de cientistas preconceituosos e fundamentalistas, como também de religiosos que ojerizam o conhecimento científico e acabam desprezando a máxima proclamada pelos pais da Igreja, que diziam ser “toda verdade é a verdade de Deus”.

Nesses 200 anos de Charles Darwin devemos aprender duas lições da história: Não podemos casar com o fideísmo e nem com o cientificismo.

Fideísmo é a “doutrina segundo a qual as verdades metafísicas, morais e religiosas são acessíveis apenas mediante a fé, e não mediante a razão” (Dicionário Michaelis). Fideísmo é o radicalismo da fé. Fundamentalista no sentido mulçumano do termo. Não quer ouvir nenhum contrário e logo manifesta sua violência aos desafetos. Os fideístas têm medo do debate, pois a sua fé é superficial como um prato raso. John Stott nos lembra que “crer é também pensar”. O escritor aos Hebreus nos fala de uma fé que está casada com a reflexão e o pensamento (Hb 11.3).

Cientificismo é a “doutrina que se funda nos conhecimentos científicos, relegando a um segundo plano as especulações transcendentais” (Dicionário Michaelis). Cientificismo apresenta-se como uma idolatria pela ciência. Os cientificistas acreditam que na ciência estão todas as respostas, inclusive sobre assuntos que transcendem nossa compreensão humana. Os cientificistas são utópicos, e em nome de um mundo melhor produziram milhões de mortes diante de sua ignorância anti-humana e assassina.

Nem fideístas e nem cientificistas. Dois extremos que devemos evitar antes de debatermos ciência e fé.

7 comentários:

Anônimo disse...

Caro irmão Gutierres, paz e bem.


Excelente post ! Parabéns ! Creio que, sem polemizar, o amigo entrou no ponto nevrálgico da questão, o interpretativo. Fundamentalistas são radicais e intolerantes. Isso, em ambos os lados.

A teoria biológica darwiniana é um dos pilares básicos da biologia moderna, sendo considerada responsável por vários avanços no que diz respeito à compreensão da origem e o bom funcionamento da vida. Cientificamente, é a melhor teoria já apresentada. Para parcela substancial da comunidade científica, inclusive, formada por vários cristãos praticantes, o “criacionismo” e designer inteligente são verdadeiras falácias que não resistem a pesquisas honestas e apuradas.

O problema está em uma certa tendência filosófica, de cunho radicalmente atéia, percebida na obra de evolucionistas como Daniel Dennett e Richard Dawkins. Deixando a verdadeira ciência de lado, esses senhores navegam em uma área puramente filosófica, transportando, de forma claramente tendenciosa e equivocada, pressupostos naturais e biológicos para o campo da filosofia e, principalmente, da teologia.

A partir desse momento, toda a credibilidade intelectual dos novos arautos do ateísmo se desfaz.

André Tadeu.

Marcos Vieira disse...

Gutierres, saúde e paz!

Antes de um breve comentário, só uma observação: "o mundo biológico comemora..." ficou um tanto estranho, vc não acha?
Bom, sobre o texto, o tema é muito oportuno. A mídia tem dado bastante espaço a questão, geralmente ridicularizando os que não concordam com as "teorias" de Darwin. Apesar do trabalho sério e respeitado de cientistas defensores do criacionismo, como por exemplo o Professor Adauto Lourenço, o mundo acadêmico e o sistema educacional, não abrem espaço para sequer mencionar outra proposta, além da evolucionista. Rara exceção é o Mackenzie, que realizará o II Simpósio sobre Darwinismo em abril. Grande oportunidade para solidificar de forma científica, nossa crença no criacionismo. Depois gostaria de fazer uma referência entre fé e razão. Por enquanto, grande abraço!

Pastor Geremias Couto disse...

Caro Gutierres:

Fé cristã não contradiz a razão e. como bem define Shaeffer, não se trata de um salto no escuro. Ela tem a sua lógica bem assentada em princípios racionais, que, embora não dê todas as respostas, dão sentido a todos os quês da existência do Universo e da criação humana.

A fé bíblica, portanto, consegue lidar bem com as questões que estão além do nosso conhecimento - não além da razão - e com os avanços da verdadeira ciência. que, por sua vez, não possui todo o conhecimento.

Abraços e parabéns pelo texto.

Gutierres Siqueira disse...

André Tadeu, a paz!

Alister McGrath, teólogo anglicano e biólogo molecular pela Universidade de Oxford argumenta que é um engano conectar evolucionismo com ateísmo. O neocon Dinesh D'Souza também segue a mesma linha quando critica esse casamento que Dawkins tenta forçar. O problema maior é quando cientistas usam o evolucionismo para defender conclusões que extrapolam os aspectos biológicos da seleção natural.

Recente pesquisa feita na Inglaterra mostra que são poucos os ingleses que acreditam na teoria evolucionista, sendo que os pesquisadores atribuem culpa ao fundamentalismo ateísta de Richard Dawkins. Paradoxalmente Dawkins está fortalecendo o Design Inteligente.

Para todos os leitores, vejam esse interessante debate entre Dinesh D'Souza e Christopher Hitchens, evolucionista que tenta casar ateísmo e ciência.

www.youtube.com/watch?v=0_TLzIR2ptM - 82k

Gutierres Siqueira disse...

Marcos Vieira, a paz!

Sobre a expressão "o mundo biológico" realmente soa estranho, melhor seria "o mundo dos biólogos".

Penso que debatemos pouco esse assunto. Dentro da cristandade há diversas correntes de pesquisadores sérios e que acreditam na Bíblia como Palavra de Deus. Vemos então o criacionismo da terra jovem, criacionismo da terra antiga, Design Inteligente, evolucionismo teísta. Poucos são capazes de conceituar corretamente cada uma dessas correntes, sendo assim leigos, impressa e até cientistas fazem uma confusão infernal para delimitar esses campos.

Dentre dessa necessidade de debates, louvo a iniciativa da Universidade Presbiteriana Mackenzie em promover esses estudos com todas as correntes.

Para todos os leitores, vejam esses vídeos do I Simpósio Internacional Darwinismo Hoje, promovido pelo Mackenzie em 2008.

http://www4.mackenzie.br/11549.html

Gutierres Siqueira disse...

Pr. Geremias do Couto, a paz!

Muito boa essa lembrança sobre a relação fé e razão. Agostinho disse: "Deus não espera que submetamos nossa fé a ele sem razão, mas os próprios limites da nossa razão tornam a fé uma necessidade". Como cristãos devemos aproveitar a riqueza do conhecimento científico e apresentar ao mundo a riquíssima mensagem abrangente do Evangelho.

Abraços e obrigado pela participação.

Gutierres Siqueira disse...

Amigos, quero aqui lembrar uma frase de Gilbert Keith Chesterton, que disse:

"É infrutífero falar da contraposição entre razão e a fé.
A razão é ela mesma uma questão de fé. É um ato de fé asseverar que nossos pensamentos tem alguma relação com a realidade"