quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Brasil: Novo ator econômico, mas tímido celeiro missionário

No dia 15 de novembro de 2008 o banco de investimentos Lehman Brothers anunciou concordata, gerando uma crise de confiança nos mercados financeiros e que contaminou toda a economia. Nesse dia iniciou a maior crise econômica desde 1929. Mas isso todo mundo já sabe e ouvem notícias todos os dias nos jornais anunciando demissões em massa, ações dos governos contra a crise e opiniões de especialistas sobre o assunto. Antes disso o Brasil comemorava números positivos de investimentos e avanços na economia, como obtenção do cobiçado "grau de investimento", aumento da classe média, queda na pobreza, recordes no superávit primário, aumento do consumo etc.

Agora estamos em plena crise econômica. Muitas notícias negativas chegam para a economia brasileira, porém outras mostram avanços nos países emergentes. Órgãos com FMI e Banco Mundial anunciam que o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) enfrentarão melhor a crise, com crescimento baixo, mas acima da média mundial. Esses quatro países são visto como novos atores globais e até como uma esperança para o fim da crise.

 Economia e Missiologia

 Alguém pode perguntar: Por que você fala sobre economia para escrever sobre missões transculturais? Missões evangélicas e economia estão intimamente ligadas. Enviar missionário é um investimento alto e de resultados demorados. Não é uma tarefa para pragmáticos, mas sim para aqueles que amam o próximo. Os países ricos e cristãos sempre enviaram muitos missionários, mas esse número vem caindo gradativamente principalmente na Europa pós-cristã.

Quando analisamos o crescimento econômico do Brasil, Rússia, Índia e China e ainda quando relacionamos esse fato com as igrejas nesses países, vemos um paralelo importante e interessante. Essas nações não são somente nos atores econômicos, mas também são lugares de amplo crescimento do protestantismo. Não quero com isso afirmar que o protestantismo traz riquezas para uma nação, pois cada sucesso econômico está relacionado com vários fatores, inclusive culturais e da ética religiosa. Mas fazendo o paralelo do crescimento econômico do BRIC e o crescimento do cristianismo protestante nessas nações, podemos encarar esse fato como uma ótima notícia. 

Brasil, um tímido celeiro missionário

 Os Estados Unidos da América continuam como o país que mais envia missionários para o mundo. Outros grandes celeiros missionários são países ricos com Inglaterra e Canadá, além da Coréia do Sul. Na Ásia existe uma agradável surpresa, pois a Índia está entre os países com o maior envio de missionários. O Brasil possui cerca de dois mil missionários transculturais. Algumas estatísticas indicam que o Brasil está em quinto lugar no número de missionários enviados para outros países, cotando com protestantes e católicos.

Os números de missionário no Brasil são baixos. Equivale 0,005% dos números de evangélicos no país (dois mil missionários num universo de 40 milhões de evangélicos). Isso significa um missionário a cada 20 mil evangélicos. Diante desses números, que já foram melhores (antes era um missionário a cada 10 mil evangélicos), Russell Philip Shedd perguntou em um de seus artigos: "Existe avivamento no Brasil?".

 Infelizmente o boom missionário da década de 80 no Brasil não passou de um modismo bem passageiro. O antes “celeiro mundial de missionários” hoje apresente números muito pequenos. Com dito acima, segundo a SEPAL, há em torno de dois mil missionários transculturais brasileiros, desses muitos estão nos EUA, a nação mais evangelizada do mundo.

China, um promissor celeiro, mas ainda campo desafiador

A China de Mao Tse Tung, com sua Revolução Cultural massacrou os cristãos daquele país. Atualmente a ditadura do comunismo chinês ainda persegue os cristãos e suas congregações, principalmente no interior do país, mas a situação tem melhorado gradativamente. Quando mais a China abre-se para o livre mercado e a globalização, mas o país tem recebido influências ocidentais. Nessa ordem é possível ver na China uma tendência de abertura, mas que será gradual e demorada. Em entrevista para a Folha de S. Paulo [1], o sinólogo francês Jean-Luc Domenach, disse: "Hoje, muitos dirigentes chineses têm consciência de que a passagem para a democracia é algo que, no longo prazo, não poderá ser evitado". Em declaração para a revista Christianity Today, o presbítero John Davis falou sobre uma nova fase com as igrejas clandestinas, que se escondem da perseguição do governo. Disse Davis: "Elas (as igrejas clandestinas) têm estado escondidas por tanto tempo que agora se sentem prontas para serem vistas, para serem sal e luz na sociedade" [2]. Hsu, ex-jornalista estatal CCTV disse uma verdadeira "pérola" para Christianity Today: "Antes de a liberdade chegar, é preciso ter uma fundação que possa garantir-lhe sustentabilidade. No Ocidente, esta fundação é o Cristianismo” [3]

É interessante observar que a elite intelectual chinesa está aderindo ao protestantismo. Nas universidades professores e alunos têm expressado a fé cristã. Cidades como Pequim já são mais flexíveis com a fé protestante e a igreja chinesa faz sucesso em todas as classes sociais [4]. Quando a igreja chinesa tiver mais espaço para livre culto e organização será possível ver milhares (ou milhões) de missionários advindos dessa nação.

Enquanto que no século XVI o Brasil recebia a missionários jesuítas e os primeiros protestantes calvinistas franceses, a China não via indícios da cristandade[5]. Hoje a situação é bem diferenciada. A China certamente evangelizará o mundo com americanos, brasileiros e com a florescente igreja da parte sul do continente africano.

Índia e Rússia

Países com territórios e populações continentais, além de amplo desenvolvimento econômico. A Índia é teoricamente democrática, mas os cristãos sofrem com a perseguição de hindus radicais, além de mulçumanos na fronteira com o Paquistão. As autoridades indianas também não ajudam, e muitas vezes criam leis contra o denominado “proselitismo” e ainda são indiferentes com os radicais hindus. Mas a igreja na Índia continua em amplo crescimento e como afirmado no início do texto, esse país é um dos que possuem mais missionários. A Rússia é outro país que vive numa democracia para “inglês ver”. As perseguições não são mais intensas como no governo comunista, mas muitas leis tentam impedir o avanço da evangelização.

Conclusão:

Quanto mais ascensão econômica acontecer no Brasil, mas a responsabilidade crescerá das igrejas brasileiras que reúnem milhões de evangélicos. Recursos matérias não faltarão, mas o mais importante são os recursos humanos, a gente brasileira avivada a apaixonada por almas. A igreja no Brasil precisa de um urgente avivamento, a começar de mim.


Notas e Referências Bibliográficas:

01. LACROIX, Aléxis. Cesura Fina. Folha de S. Paulo. São Paulo, domingo, 03 de agosto de 2008. Caderno Ilustrada.

02. MOLL, Rob. China: o grande salto para frente. Cristianismo Hoje, São Paulo 13 de agosto de 2008. Disponível em: <http://www.cristianismohoje.com.br/retrancas/China:+o+grande+salto+para+frente/34205/rss> Acesso em: 11 Fev. de 2009.

03. Idem.

04. BOBIN Frédéric. A religião, uma revolução silenciosa na China. Le Monde. Paris, 20 de Agosto de 2008. Disponível em: < http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2008/08/20/ult580u3266.jhtm> Acesso em: 11 Fev. de 2009.

05. JENKINS, Philip. A Próxima Cristandade. Rio de Janeiro: Record, 2004. p 47.

 

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