segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Carta ao meu amigo relativista


O termo pós-modernismo tem sido usado de maneira abusiva por escritores e aspirantes das letras, inclusive no meio evangélico. Quando há excessos na colocação de uma palavra, esse mesmo termo corre o risco de se torna um insuportável clichê. Mas em meio a tudo isso não é exagero falarmos em uma espiritualidade pós-moderna evangelical; e uma das características dessa nova roupagem religiosa é uma tremenda aversão pelos debates apologéticos em busca da verdade.

Carta ao meu amigo relativista.

Ora, ora! Esses “cristãos” pós-modernos rejeitam a idéia de verdade única, absoluta, instransponível e firme. Mas isso todo mundo já sabe! Para vocês, estamos diante de uma única certeza: a verdade é relativa!  Ora, ninguém está impedido de ser relativista, fluído em suas frágeis certezas, de defender o homossexualismo como expressão de amor ou até apoiar o aborto como direito da mulher. Mas porque insistem em se declarar como cristãos? Se você quiser se tudo isso, que seja feliz, pois estamos em uma sociedade democrática. Mas porque você, amigo relativista, insiste em querer destruir dois mil anos de história do cristianismo?

Ah, isso que eu estou escrevendo é feio! Preciso ser queimado na fogueira santa de Nietzsche, o profeta maior. Preciso ser taxado de “fundamentalista retrógrado”, logo eu, um pentecostal, objeto de ojeriza dos fundamentalistas originais. Precisam me delimitar como seguidor de uma teologia estadunidense... Ora, vamos deixar  essa paranóia latina de querer revisar a teologia do Império, assim como se o Império tivesse inventado as doutrinas essências da fé cristã. Será que precisamos aprender teologia com Fidel Castro para expressarmos nossa latinidade? Não me façam rir!

Caro amigo relativista e ainda “cristão”. Quem sabe você é mais iluminado do que C.S. Lewis, John Wesley, João Calvino, Martinho Lutero, Tomás de Aquino, Agostinho, Tertuliano, Atanásio, João e o apóstolo Paulo. Quem sabe você é mais humano do que todos eles juntos, pois você pensa teologicamente com a pós-modernidade. Você é bem humano, demasiado humano... Mas insiste em defender ditaduras que seguem suas ideologias. Cadê sua humanidade elementar colega? Não nos decepcione e nem decepcione um dos seus maiores ídolos: Dalai Lama, ou seria a lama do Dalai?

Caro amigo relativista, não minha inútil tentativa de convencer vossa senhoria, deixo que o reverendo John Stott o aconselhe:

Parece que nossa geração se distanciou bastante do seu zelo veemente pela verdade que Cristo e seus apóstolos mostraram. Mas se amássemos mais a glória de Deus e nos importássemos mais com o bem eterno das almas dos homens, não nos recusaríamos a iniciar a necessária controvérsia quando a verdade do evangelho estivesse em jogo. A ordem apostólica é clara. Devemos seguir “a verdade em amor”, não sendo nem falsos em nosso amor, nem desamorosos em nossa verdade, mas mantendo as duas coisas em equilíbrio.

Amigo relativista “ouça” com atenção a recomendação do velho Stott. Mas “ouça” mesmo! Tenha o mínimo de respeito para com esse idoso, lembre-se sempre que você é “politicamente correto”.  Amigo relativista, desejo que você saiba em quem tem crido e pelo menos disso não tenha dúvidas!

OBS: Essa é uma carta totalmente fictícia, pois não tenho amigos “cristãos” e relativistas ao mesmo tempo. O trecho do texto de John Stott está no livro: PIPER; John, TAYLOR, Justin e HELSETH, Paul K. Teísmo Aberto, uma Teologia Além dos Limites Bíblicos. São Paulo: Editora Vida, 2006. p 21-22.

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