quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Cuidado com a paranóia!

Os evangélicos têm uma mania de manipulação. Manipulação é uma “manobra pela qual se influencia um indivíduo, uma coletividade, contra a vontade destes (de modo geral, recorrendo a meios de pressão, tais como a mídia)”. Portanto essa expressão é recorrente nas igrejas, juntamente com outras expressões, tais como “mensagem subliminar”, “complô”, “eles estão contra nós” etc.

Existe uma verdadeira paranóia em torno do tema “manipulação”. Muitos líderes evangélicos usam e abusam dessa idéia nos púlpitos. O engraçado é ver que esse sentimento de medo da manipulação atinge cristãos das mais diversas correntes, desde conservadores até os emergentes (ou novo-liberais).

Agora, pare e pense: Será que uma pessoa pode ser coagida contra a sua própria vontade? Será que os telespectadores de um programa de TV são tábuas rasas onde absorvem tudo que a grande mídia decide em “reuniões secretas”? Será que um indivíduo pensante ficará preso as mentiras de um falso ensino só por causa da retórica de um grande orador?

Não, ninguém é um balde vazio que absorve qualquer coisa sem filtragem. Todos nós seres humanos somos livres, dotados da capacidade de decisão pela nossa própria vontade. É claro que poucos têm discernimento para escolher o caminho correto, mas todos fazem uma escolha ou permitem que outros façam essa escolha por ele.

Mesmo sabendo que fazemos escolhas baseados em nossa própria pré-disposição básica, é importante lembrar que essas escolhas são inconscientes.  Uma decisão então é tomada pela mensagem ouvida mais a soma da minha vontade. A vontade subjetiva do homem vai sendo construída sobre uma base de personalidade, educação, família, cultura, condições sócio-econômicas e igrejas (todos esses elementos formam nosso repertório).  

Um falso-pregador, um programa de TV que apresenta “valores” anticristãos, um orador político, uma mulher sedutora etc. Nenhum deles pode manipular um indivíduo no sentido pleno da palavra. As pessoas farão escolhas baseadas na mensagem que ouvem do falso-pregador ou do programa de TV, mas essas escolhas estão atreladas ao repertório pessoal. Portanto, todos fazem escolhas diante do que é oferecido, mas muitos decidem pelo equívoco e pelas escolhas ruins.

Um comentário:

Jarson Brenner disse...

Seria ótimo se todos cristãos, não somente pentecostais, pensassem contra a maré ou pressão paranóica de seus líderes.