quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Princípio Pentecostal: Não materializem o espiritual, não espiritualizem o material

O teólogo pentecostal peruano Bernardo Campos criou o conceito de "princípio pentecostal". Dentre os pontos colocados por Campos desse "princípio pentecostal", destaco o terceiro: "O princípio pentecostal quer opor ‘espírito' ali onde o ser humano só que pôr matéria... e corporeidade ali ode o ser humano quer espiritualizar-se" [1]. Esse valor precisa fazer parte do pentecostalismo brasileiro, pois infelizmente há uma excessiva materialidade do espiritual e uma espiritualização do material.

A materialidade do espiritual

Nas denominações evangélicas, especialmente as pentecostais, acontece há muito tempo uma materialidade dos ministérios eclesiásticos. O ministério pastoral deixou de ser um "dom ministerial" para servir como manobra política. Pessoas que são ordenadas por questões meramente convencionais, e não por chamado divino. Assim como na política brasileira, muitos se tornam pastores por causa do apadrinhamento eclesiástico ou nepotismo mascarado. Muitos vivem de "bajulações" para conseguir seu espaço na fila dos ordenados. Infelizmente essa é uma realidade cruel, porém não deveria ser ignorada.

No meio pentecostal também existe uma materialização dos dons espirituais. Igrejas pós-pentecostais já não valorizam o exercício dos dons do Espírito e nem incentivam os seus membros na busca do Batismo no Espírito Santo. Por outro lado, existe uma "espiritualidade pentecostal mecânica", como o famoso reteté. A suposta liberdade do espírito não passa de movimentos repetidos por serem frutos de um modismo passageiro e até midiático (já que esses movimentos espalham-se por meio da internet e DVD`s)

A espiritualização do material

Para muitos, doenças como epilepsia, depressão e síndrome do pânico são logo identificadas como um demônio. Outros costumam repreender "em nome de Jesus" toda batida forte de uma porta ou ainda um tropeço na escada. Existem aqueles que se enganam, pensando que habitam numa "redoma de vidro divina" e logo estão livres de todo infortúnio. Muitos oram para que Deus ajude no vestibular, mas não estudam. Outros estão em busca de um casamento por meios de profecias. Em todos esses casos há uma espiritualização do material.

Mediante a politicagem eclesiástica totalmente materializada, alguns ainda apelam para uma pseudo-espiritualidade, atribuindo suas vitórias a Deus ou suas derrotas a algum complô diabólico. Nesse ambiente “mundanizado” a tentativa de espiritualizar não passa de mera retórica vazia e sem sentido.

Conclusão:

Eventos da vida comum (e muito menos os erros ou equívocos) podem ser espiritualizados. A naturalização não pode ser aceita para tudo, com se tudo pudesse ser explicado sociologicamente. Esses extremos devemos evitar, aliás, como todos os extremos.

Referência Bibliográfica:

[1] CAMPOS, Bernardo. Da Reforma Protestante à Pentecostalidade da Igreja. São Leopoldo: Sinodal, 2002. p 88.

3 comentários:

Lucas Marin disse...

A Paz do Senhor!

Nem tudo é movido pela ação Divina com os anjos x demônios, pois acreditos que os homens também influênciam com suas ações!Nem tudo é Deus agindo e nem tudo é demônio agindo, mas
Existe a ação Divina,a ação anjos rebeldes, a ação dos anjos de Deus e a ação humana, e todas essas podem ser vistas do ponto de vista espiritual, mas nem todas podem ser vistas ou discernidas materialmente!

1 Coríntios 2:15 Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido.

É o que eu conjecturo!

Que Deus continue a te abençoar!
Em Cristo, Lucas Marim Santos.

Anônimo disse...

Concordo! Uma vida correta, dentro e fora dos assuntos da igreja, no contexto abordado, sempre precisará de uma boa dose de equilíbrio...

Anônimo disse...

Concordo! Uma vida correta sempre conta com uma boa dose de equilíbrio...