segunda-feira, 16 de março de 2009

Fundamentalismo e Pentecostalismo

Os fundamentalistas clássicos não gostam dos pentecostais. Diferentemente, os pentecostais não nutrem ódio pelos fundamentalistas. Os fundamentalistas jamais citam uma única frase de um escritor pentecostal. Os pentecostais se deleitam com a literatura fundamentalista. O fundamentalismo vê o pentecostal com os óculos do estereótipo. Os pentecostalismo vê o fundamentalista com bons olhos, como alunos olhando para um bom mestre.
Não escrevo isso para que os pentecostais mudem de posição, mas sim para que os fundamentalistas mudem! Maravilhoso é ver um Wayne Grudem, que sendo um respeitado teólogo calvinista, nutre respeito pelos pentecostais e em muito concorda conosco quando fala sobre os dons espirituais. Maravilhoso é ver um John Stott, anglicano que discorda de muitos pontos da doutrina carismática, mas mesmo assim olha com bons olhos para o Movimento do Espírito. Bom saber que uma das escolas teológicas mais famosas do mundo, Regent College, tem em seu quadro de professores um pastor assembleiano chamado Gordon Fee.
Poderia citar muitos outros exemplos positivos, de uma maior interação entre pentecostais e outros confissões protestantes, mas ainda hoje os fundamentalistas clássicos insistem em sua resistência. Não querem promover uma saudável discussão sobre pneumatologia.

9 comentários:

Anônimo disse...

Gutierres,
concordo com você. Os históricos (prefiro chamar assim os "fundamentalistas") tem um preconceito imenso contra carismáticos. Diferente é, de fato, Wayne Grudem, que nas páginas introdutória da sua "Teologia Sistemática" agradece a John Wimber. John Wimber, já falecido, foi pastor fundador do movimento Vineyard na California. Foi professor do Fuller Theological Seminary e autor do livro (polemico para os "tradicionais") "Power Evangelism". Wimber enfatizava curas divinas e ministério de libertação. Na sua Pneumatologia era histórico, na prática um pentecostal (tanto que ele e o C.P. Wagner foram protagonistas da "Terceira Onda", i.e. pastores com teologia histórico e prática pentecostal).
Como você bem observa, os pentecostais são bastante abertos para os históricos. E não são poucos que estão se tornando calvinistas (eu fui membro de uma igreja pentecostal, que hoje chama-se Igreja Reformada).
Muitos pentecostais calvinistas dizem-me que aprenderam a teologia da graça com os reformados e isto foi tão libertador, que decidiram aderir a esta corrente.
Acabam tambêm aceitando a pneumatologia reformada e adicionam elementos carismáticos.
Uma corrente reformada e carismática nos EUA é Sovereign Grace Ministries liderada por C.J. Mahaney. Posso recomendar!
O pessoal deste ministério vem de igrejas carismáticas ou são simpatizantes.
http://www.sovereigngraceministries.com/ Inclusive, no site deles voces podem ver o testemunho do pastor pentecostal de uma igreja na Alemanha que agora tambêm é reformado. Conheco este pastor. Depois que se reformou... a igreja cresceu mais ainda (como pode ser kkkk?)
Deus é soberano. Mas Deus continua sendo o Deus de milagres e de Poder.
Oh, glória!
Abraços,
Matias

Daniel disse...

Irmão Gutierrez, encare como exortação de alguém que não é superior a você em absolutamente nada. Seu blog podia passar sem esse post. Trata-se da maior coleção de mentiras que já li sobre o assunto e que não refletem a realidade da dicotomia "fundamentalismo x pentecostalismo".
Frases como "o pentecostalismo vê o fundamentalista com bons olhos, como alunos olhando para um bom mestre" é uma das coisas mais ultrajantes que li em meus poucos anos de convertido. E felizmente tenho boa parte da internet como prova a meu favor, basta pesquisar por fóruns de discussão ou comunidades no orkut sobre o assunto.

Enquanto fundamentalistas chamam pentescostais de anti-cristos, pentecostais ofendem fundamentalistas alegando que estes nunca verão as maravilhas de Deus. É o sujo falando do mal lavado.

E o post ainda prossegue, dizendo "não escrevo isso para que os pentecostais mudem de posição, mas sim para que os fundamentalistas mudem!" Ou seja, só os fundamentalistas precisam mudar, mas os pentecostais não... Aham...

Quanto à pneumatologia, a suposta "saudável discussão" me cheira à ecumenismo. Sem querer parecer fanático, mas em se tratando de uma doutrina fundamental do cristianismo, é IMPOSSÍVEL que ambas as partes estejam certas. Ou vocês estão ou nós estamos. Felizmente a salvação não depende da aplicação correta desta ou daquela doutrina...

Pr. Carlos Roberto disse...

Caro Gutierrez!
Graça e Paz!
Disseste bem, há excessões, mas a regra geral é bem do jeito que vc. expôs.
Lutemos por esse equilíbrio.
Parabéns!
De um pentecostal convicto, sem bronca dos fundamentalistas!
Pr. Csrlos Roberto

Paulo Silvano disse...

Caro Gutierres,

Sintoma dessa sua percepção, verifica-se na própria blogosfera. Enquanto os links de blogs e sites reformados, como o "O Tempora, o Mores" e o "Monergismo", frequentam a lista de favoritos da quase totalidade dos blogs pentecostais conservadores, enumera-se nos dedos de uma mão os blogs reformados que fazem referência a blogs pentecostais. Concluo que não existe relacão antagônica entre "Fundamentalismo e Pentecostalismo", excetuando-se o fato que aqueles, enquanto protestantes históricos, têm problemas com pneumatologia dos pentecostais. Em regra, pentecostais clássicos tambem são fundamentalistas. Prova isso, o apreço, crescente entre os pentecostais, pela alcunhada "teologia reformada" (com predestinação e tudo), o que não imputa demérito algum, trata-se apenas de uma constatação.

Um abraço,
Paulo Silvano

Cristiano Santana disse...

Sinceramente, não vejo um abismo tão grande entre pentecostais e fundamentalistas, isto pelo fato de que ambas as correntes tem a crença na inerrância bíblica, como principal fundamento. Pelo menos isso foi o que eu aprendi sobre o fundamentalismo histórico, no livro de Willian Hordern - Teologia Contemporânea.

Quero dizer também, que boa parte dos teólogos de outras denominações evangélicas, em destaque os da Igreja Presbiteriana do Brasil, chamam os pentecostais de fundamentalistas, colocando as duas tendências como "farinha do mesmo saco". Para comprovar isso basta você participar da comunidade da IPB no orkut (http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=6681503)

Eles dizem que, historicamente, a teologia se divide em três tendências: ortodoxos, liberais e neo-ortodoxos. Os ortodoxos, nesse caso, seriam os fundamentalistas.

Cristiano Santana disse...

Fique na paz, irmão Gutierrez

Cristiano Santana
http://cristisantana.blogpost.com

Victor Leonardo Barbosa disse...

Muito boa a observação do irmão Matias sobre Grudem, teólogo no qual estou lendo sua teologia sistemática e realmente ele é uma exceção entre os reformados, no sentido de citar obras pentecostais.

Como você sabe, me sinto desconfortável de chamar essa ala de fundamentalista, preferindo-a chamar de neo-evangelical.

Um forte abraço irmão e Paz do Senhor!

Edson disse...

Gutierres, parabéns pelo excelente blog. Quanto ao presente artigo, há uma certa verdade nisso, mas não devemos esquecer que o pentecostal que aproveita material reformado faz parte de uma minoria teologicamente esclarecida. A maioria entende que o reformado tradicional não tem com o que contribuir se nem o Espírito Santo ele possui... Já fui pentecostal e sei como é. Quanto ao preconceito tradicional, acho que diminuiu, pois vejo muitos cessacionistas lendo Grudem, mesmo sendo este continuísta moderado dos dons.
Novamente o parabenizo pelo blog, pelo seu equilíbrio doutrinário e tb por estar combatendo os males pós-modernos que entraram no penteostalismo.

Luccas Andrade disse...

Muito bom o post, apenas gostaria de corroborar o que já disse um irmão aqui, e , de certa forma, corrigir uma classificação. Fundamentalista não é sinônimo de reformado. Sou fundamentalista pentecostal. Poderia ser fundamentalista reformado. etc. A ala pentecostal e a reformada estão no mesmo prédio: a ortodoxia, tecnicamente chamada de fundamentalismo.