domingo, 29 de março de 2009

Mundanismos pouco condenados!

“O mundanismo está entrando na igreja”. Quem nunca ouviu esse surrado e pedante clichê? Ora, mas tenho notícias ainda piores... O mundanismo não está entrando na igreja, ele já entrou há muito e muito tempo. Já está enraizado e criando sua morada na cristandade hodierna.  Muitos ainda não perceberam, pois qualificam mundanismo somente com questões exteriores, tais como “lugares que freqüentamos, com quem nos relacionamos e as atividades que apreciamos” [BAP]. Esquecem que o mundanismo sempre nasce no interior, sendo o fruto estragado da concupiscência carnal e visual, além da soberba (I Jo 2.15-17).

Enquanto muitos pastores ensinam que bateria, guitarra e contrabaixo são obras do capiroto para introduzir o mundanismo na igreja; outros ensinam que uma mulher não pode vestir calças compridas nem o rigoroso inverno das serras gaúchas. Há aqueles que alertam do mundanismo falando em maquiagens e internet, pois para eles é pecado acessar o Blog Teologia Pentecostal, pois o mesmo começa com um “WWW”, que logo é identificado com o “666”. Caro leitores, acreditem se quiser, mas ainda é possível ouvir esses discursos em muitas igrejas brasileiras.

Por que esses não são condenados?

Alguns mundanismos não são condenados. Vejamos alguns:

 Ora, aquele grupo de crentes glutões, que acabam com o sossego de qualquer cozinheira; não estão eles no mundanismo? Um grupo de pastores em uma festa da igreja que tomam Coca-Cola, enquanto a plebe toma “refrigereco”? Qual a causa dessa discriminação? O individualismo do “cada um por si e Deus por todos” não é a manifestação mais asquerosa do mundanidade em uma “comunidade”? E um lugar que as pessoas se gloriam pelos “dons espirituais” que têm? Ninguém vê o mundanismo que as igrejas apegadas aos “usos e costumes” causam pelo número de fofocas relacionadas a esse assunto? E as denominações que respiram politicagem eclesiástica? Ora, esses mundanismos não são condenados. Mas todos eles são frutos da concupiscência da carne, dos olhos e resultado de uma soberba da vida.

Mundo, mundinho, mundão!

Pois é, nenhum tipo de mundanismo pode ser tolerado por aqueles que aspiram ao viver piedoso e santo. Portanto, reflitamos bem sobre os vários mundos que engolimos, pois muitos desses mundos não são manifestações externas e “aquilo que o olho não vê, o coração não sente”. Vigia...

9 comentários:

Gilson disse...

O irmão esta se arriscando muito ao colocar todas essas verdades no blog. Não tem medo de ser “escomungado”? Pois é uma das armas usadas por esses tipos de lideres que o irmão mencionou. A outra se for obreiro ou do ministério é ficar na “geladeira” ou seja nunca mais fala na igreja, se for professor de EBD é “descomissionado”, resumindo quem pensa e fala assim torna-se um “perigo espiritual para essa gente” que so pensa no seu imperiozinho privado e pensam que são reizinhos e que sua vontade e forma de pensar é soberana. Sei disso por experiência própria, e a coisa é feia, meu irmão.
Vou logo adiantar, o irmão sera chamado de “sem amor” para baixo, de oprimido, sem graça, que vai contra tudo que se fala e faz na igreja, etc, etc. Vai ficar como o errado, o causador de intriga, o fofoqueiro. Mas não se sinta infeliz não, Jesus sofreu muito mais, e de forma mais hedionda. Imagine o próprio Filho de Deus, conhecedor de toda verdade absoluta, sendo chamado de mentiroso, endemoniado, caluniador e ainda por cima herege e blasfemador.
Fico pensando muitas vezes se Jesus estivesse fisicamente entre nos o que ele faria em meio a muitas ações de alguns lideres que se acham muito espirituais. Por exemplo, alguém com uma enfermidade terminal como o câncer, sera que Jesus promoveria uma “campanha de jejum” ou mais sete se a primeira não surtisse efeito.
O nosso evangeliquez e seus dirigentes nem pensam nessa possibilidade, para eles vale tudo, já que não acreditam mesmo que Jesus esta presente e fazem essas “campanhas” so para crente sem entendimento e conhecimento das escrituras e do poder de Deus.
Vai nessa força, meu irmão, fé em Jesus e Sua Palavra, não se deixe desanimar pelas picaretagens dos picaretas e nem pela falte de ética e caráter dos mesmos.

Pastor Mozart Paulino disse...

Gutierres,

A paz do Senhor meu querido.

Quanto tempo que não escrevo no seu blog. Que vergonha rsrsrs.

Brincadeira a parte vamos ao que interessa.

Para quem acompanha meu blog é sabido que não pastoreio mais igreja tradicional.

Hoje congrego em uma igreja AD do ministério do Belém próxima de minha casa.

Existem várias outras igrejas de outras denominações, porém, teologicamente, a mais condizente com o que creio foi a que encontrei.

Aqui está o "xis" da questão. Não procuro ministério e muito menos preciso provar nada para ninguém.

Mas é incrível como a debilidade ainda paira no nosso cristianismo mesmo após 2000 anos de experiência.

Tenho por hábito não pregar de blazer ou terno, e às vezes uso calça jeans, principalmente em dias de calor. Sofro de enxaqueca e transpiro muito, mesmo eu não pulando na pregação, razão que faz uma década que não uso esses acessórios.

Tenho consciência que depois de lerem o que acabo de escrever, alguns leitores e, talvez acusadores, me intitularão de rebelde ou "moderninho".
Estou pouco me "lixando" com isso.

Uma pergunta: Quando o apóstolo Paulo pregava nas sinagogas, templos e outros lugares, será que ele andava de malas e bagageiros para usar roupas que forem as mais adequadas para o ambiente? Se usava chapéu, devido excesso de calor, ele tirava no momento da oração pois seria inadequada e menos espiritual se assim não o fizesse? (Até porque na frente do juíz é falta de respeito estar de boné - diriam os mais espirituais).

A igreja que o Senhor habita é eu e você, ou a estrutura de tijolos onde congregamos?

Para quem está escandalizado comigo, sinto muito, pois tenho esse entendimento há muito tempo.

A ficha de membresia que recebi para me tornar membro pergunta qual a data do batismo com o Espírito Santo. Será que a pergunta ideal não seria quais são os frutos do Espírito que possuo, e quais que necessito de ajuda para melhorar?

Desculpe meus amados leitores, mas creio que após a leitura do artigo do irmão Gutierres, e com esse pequeno e singelo comentário, sem ser pedante (vaidoso ou prepotente) busquemos não ser hipócritas e mundanos.

As vezes consideramos pecado coisas na vida dos outros, e aquilo que está enraizado e escondido em nós fede mais, a ponto de Jesus dizer: "Sepulcros Caidados".

Que o Senhor tenha misericórida de nós.

Parabéns mais uma vez pelo texto Gutierres.

MSP

sandre disse...

Sou taxado de mundano pela maioria da membresia da minha concgregação.
por varios motivos.
Uso bermuda, toco varios instrumentos musicais e ouço musica classica e rock.
Quando um dos presbiteros de minha igreja foi em minha casa e me ouviu ouvindo mozart ele se assutou.
e eu lhe expliquei, que é uma falta de conhecimento achar que musica é somente o que esta na harpa.
e outras coisas mais.
Como eu exponho minhas idéias e sentimentos abertamente em minha igreja, muitos dos lideres, ja me queimaram em muitos eventos e outros mais.
Mas como minha questão é agradar a Cristo.
eu simplesmente ignoro a falta de sabedoria dos cristãos de linha pentecostal.
Triste mas uma verdadeira realidade.

Eu não ligo para criticas de pessoas que não conhecem um assunto mais profundamente, eu sinto até pena daqueles que somente sabem o que lhe é injerido de pulpito.
Isto sim é um costume mundado.

Abçs
Sandre

Anônimo disse...

Eu sempre fui simpatizante do pentecostalismo e muitas vezes cogitei ser membro de uma igreja desta linha teologica, porém os seguintes motivos foram decisivos para não assumir a identidade denominacional pentecostal:
1.legalismo
2.teologia fechada na questão do batismo com o Espírito Santo.
3.mundanismo: a questão que é abordada neste artigo. Enquanto que temos de uma lado o forte legalismo, de outro lado pecados são encobertos (e.g.adultério de uma pastor influente, fazer politica, "pagar" fiscal da prefeitura par obter autorização para construir um templo, usar a igreja para promover candidatos etc etc).
4.o cristianismo de duas classes: os crentes são julgados pela sua espiritualidade carismática. Se não falo em linguas ou profetizo, sou menos espiritual que aquele que pratica estes dons. Isto é mundanismo, pois é soberba e ignorância.
5.autoridade espiritual: a alma católica do pentecostalismo, i.e. a questão da "infalibilidade do pastor, bispo". Não existe esta autoridade "pastoral" na Biblia, mas o pentecostalismo brasileiro em seu sistema de governo de igreja arcaico e "neo-católico", permite que líderes tomem conta da igreja e sejam intocáveis.
6. desinteresse pela teologia. Quantas vezes líderes pentecostais expulsaram (literalmente!!!) o demonio da "tradição" da minha vida por levantar algumas questões teológicas.
----
Tenho esperança que um pentecostalismo bíblico possa nascer a partir do questionamento atual nas próprias fileiras.
Parabéns Gutierres por questionar!
Eu sei que tem muitos "ameaçando" com maldição, mas precisamos de gente corajosa.
Aliás Lutero começou a reforma anexando as suas 95 teses na porta da igreja de Wittenberg, questionando assim publicamente (para tudo mundo ver!)a prática de indulgências da igreja medieval. Se tivesse se submetido ao papa ("autoridade espiritual" da época), estaríamos até hoje sem a reforma.
Então que tal uns Luteros pentecostais denunciando o mundanismo, a politicagem, a teologia sem graça no seio da igreja evangélica.
Grande abraço,
Matias

Vanessa Dutra disse...

Paz do Senhor!

Muito interessante o texto sobre mundanismo.

Gostaria de convidá-lo a conhecer meu blog e ler as postagens sobre Legalismo X Liberalismo, que tratam desse assunto também.

Deus abençoe!

Gutierres Siqueira disse...

Gilson, Pr. Mozart Paulino, Sandre, Matias e Vanessa Dutra.

Infelizmente esses mundanismos continuam por aí, sem condenação, enquanto questões mínimas são demonizadas. É como Jesus disse: Condutores cegos! que coais um mosquito e engolis um camelo (Mt 23.24).

Sapão - André Luís Oliveira disse...

Gutierres,

bem legal o tema e o que posso acrescentar é o Big Brother. Para se ter idéia, já participei de célula que adiava o início para poder ver o Big Brother. E ainda fui criticado por ficar revoltado contra isso

Acho que teve alguns exemplos seus que foram meio exagerados (refrigereco, polêmica dos usos e costumes, etc) mas o que vale é o tema abordado

Quanto aos comentários do Anônimo, concordo com grande parte do que ele escreveu. O que discordo: mundanismo e legalismo, pois isso haverá em todas as igrejas, não somente nas pentecostais

E eu também nem sempre sou bem visto por querer questionar, ser bereano e priorizar a verdade. Não tem jeito, esse esteiótipo sempre será rejeitado

Muri disse...

Ai, ai... Essa da gula eu e meu noivo sempre falamos, o incentivo à comilança desordenada... "Crente tem que comer mesmo!"... Misericórdia! Gula, acepção de pessoas são pecados tais como os outros. Essa do refrigereco é todo dia, né? Deixa eu calar a boca, senão vão me excomungar tb...

A paz do Senhor!

Luccas Andrade disse...

Irmãos, o post é muito bom, não só pelo que nele está escrito, mas tbm pelos comentários que incitou. E percebi em vários desse comentários um desejo implicito de ferir a cristandade. Explico. Alguns aqui dizem que o importante é agradar a Cristo, e aí desrespeitam até mesmo posições teologicas (e não apenas costumes e etc.). Irmãos, esta não é a maneira que Deus nos ensinou em sua palavra. A Biblia nos disse para não alimentar um sentimento faccioso. Não diga que você é que é de Cristo. Até porque se você julga estar em pé, Paulo nos diz: cuide para que não caia. Esse sentimento de que entende melhor a Palavra de Deus do que os outros, principalmente os mais velhos na igreja e os líderes, isso também é errado. A Biblia nos diz para nos considerarmos mutuamente, não para rebaixarmos os irmãos. Eu sei o que os irmãos sentem com relação a todas as injustiças colocadas no post, mas o melhor é sermos profetas que amam, e não juizes que detestam. Alias, se nao amarmos essa igreja que tanto criticamos, perdemos totalmente o direito de criticá-la. Ela é a Noiva de Cristo. Temos que lutar para ajudá-la. Não para destruí-la.