quinta-feira, 12 de março de 2009

Violência familiar e a Igreja Cristã

O ideal cristão é de uma família harmoniosa. Pais, mães e filhos com direitos e deveres. Cabe ao pai ser a coluna de sua família, o símbolo de sustentação, autoridade e segurança; sendo também um devoto amoroso de sua esposa e filhos, tratando cada um com muito carinho, respeito e dignidade. Cabe a mãe, amor e respeito ao seu esposo, cuidados com os filhos e ajuda na sustentação das necessidades básicas. Cabe aos filhos reconhecimento de autoridade, respeito e amor transmitido até a velhice.

É assustador com o “ideal cristão” está longe de famílias não-cristãs e também das ditas cristãs. Homens e mulheres que não trabalham em conjunto pelo crescimento da família, mas constantemente estão prontos para demonstrarem seus egoísmos e brigarem pela sua mesquinhez. Uma família cristã não deveria ter um pai autoritário, déspota, inflexível e ignorante; pois essas características estão longe de um “amor sacrificial”.  Uma família cristã não deveria ter uma mãe omissa, arrogante ou simplesmente cega. Uma família cristã não deveria ter filhos que são “rebeldes sem causa”, onde o prazer está na contestação sem propósitos e na desobediência destrutiva.

Violência familiar nos lares evangélicos

Os evangélicos fecham os olhos para essa realidade de violência familiar cruel e imoral que acontece em muitos lares ditos cristãos. Em novembro de 2007, a Faculdade Evangélica de Estudos Teológicos (FEET) [1] alertou em uma conferência que era grande os números de mulheres e crianças violentadas em seus lares, tanto por esposos e até por líderes eclesiásticos.  Diante da tragédia da menina em Recife, em que o padrasto abusava de duas crianças e uma delas ficou grávida, um pastor disse que isso não aconteceria numa família evangélica. Então surge a indagação: Será que não? Os olhos não devem ser fechados para uma realidade nas claras.

“Somos evangélicos, mas ele me espanca”

Essa foi uma declaração dada pela evangélica “Tereza” para a Revista Eclésia [2]. Nesses relatores verificam-se mulheres violentadas por maridos que são cooperadores, diáconos e até pastores de suas respectivas congregações. Mulheres que são obrigadas a praticarem sexo segundo a vontade exclusiva do marido, que são espancadas e muitas que vêem violência contra os próprios filhos.

Em São Paulo (SP) existe a Casa de Isabel, um centro de apoio para mulheres vitimas de violência familiar. Dr. Sônia Regina Maurelli, dirigente da Casa afirmou algo assustador: “Posso dizer que mais de 90% das mulheres que procuram a Casa de Isabel são evangélicas. Na grande maioria, membros de Igrejas Pentecostais” [3]. Ou seja, um caso muito sério para que a igreja evangélica brasileira faça vista grossa e tente “tampar o sol com a peneira”. Para completar, muitos agressores dizem que estavam sob influencia maligna ou possessos, querendo assim transferir a responsabilidade de seus atos conscientes e premeditados.

O papel da Igreja

Uma igreja que ignora o problema, não tem condições de ajudar na identificação de mulheres e crianças que estão sendo violentadas dentro de suas próprias casas. Professores de EBD devem ficar atentos no comportamento de suas crianças e adolescentes, homens e ou líderes que forem pegos cometendo esse tipo de ato devem ser imediatamente denunciados para a polícia. As mulheres não podem fingir que não vêem o que os seus maridos (monstros) fazem com suas respectivas filhas, devem denunciar, pois a maior tragédia já aconteceu e elas não podem deixar que outra tragédia desça sobre a casa. Agora, fato é que a igreja evangélica brasileira não sabe lidar com essas situações.

Notas:

[1] http://www.alcnoticias.org/articulo.asp?artCode=7103&lanCode=3

[2]STEFANO, Marcos.Somos Evangélicos, Mas Ele Me Espanca. Revista Eclésia. ANO 11 (2006). Edição 117. P. 50-53

[3] Idem.

8 comentários:

Lucimauro Marques Ferreira. disse...

A paz do Senhor.
É verdade Gutierres,infelizmente essas atitudes tem entrado em muitos lares que se dizem Cristãos,e depois como vc sabe,colocam a culpa toda no Diabo.

Daladier Lima disse...

Novamente você foi ao ponto. Existe a violência moral, física, emocional e sexual nos lares evangélicos. Noramlmente, se colocam panos quentes por cima, e fica tudo como está. Deus é que não se omite e julgará todas agressões.

Anônimo disse...

Você menciona o seguinte comentário da responsável da Casa Isabel:
“Posso dizer que mais de 90% das mulheres que procuram a Casa de Isabel são evangélicas. Na grande maioria, membros de Igrejas Pentecostais”
Precisamos de cautela com estatísticas, pois este comentário pode levar a conclusão que pentecostalismo é a causa de agressão, ou que a religiosidade pentecostal é causadora de distúrbios.
Não estou duvidando dos dados, mas precisamos saber quem é a instituição, onde atua e qual o perfil dos "clientes".
Ouvi uma vez de uma estagiária de uma clinica psiquiatrica, que a maioria dos internados eram mulheres e pentecostais, mas provalvelemnte a clinica tinha este publico alvo (evangelicos). Como a maioria dos evangélicos no Brasil e nas grandes periferias, sem estrutura, são pentecostais,eles estarão em maior evidência do que o evangélico n[ao pentecostal. Digo isto para evitar falsas conclusões.
Quanto ao tema abordado, concordo com o autor, pois é um problema cronico, porém encoberto.
Apontamos o dedo para os casos de pedofilia na igreja católica, e fechamos os olhos para a violência familiar, pedofilia, pronografia,homosexualismo no seio evangélico. E este mal está se alastrando (e ainda falamos de avivamento e prosperidade....)
Lembremos que um certo "apóstolo" paulistano está cumprindo pena por pedofilia e outros estão sendo acusados pelo mesmo crime.
Precisamos confessar que a nossa religiosidade evangélica está falida e precisamos acabar com este show e voltar para a Biblia
Sola Gratia et Sola Scriptura
E Cristo JEsus como centro de tudo!
A paz,
Matias

Paty Magela disse...

Oi, Gutierres.
Todos sabemos que esses não são casos que acontecem exclusivamente em igrejas "evangélicas" ou no "mundo", pois assim como você sabe, sou católica e isso também acontece com pessoas que fazem parte do catolicismo. Confesso que é extremamente difícil de admitir, não porque acontece em minha "religião", mas sim porque tais atos são inaceitáveis aos nossos olhos humanos, ainda mais quando essas atitudes tentam ser justificadas com a idéia de um espirito demoníaco. Pior do que agir contra os valores que Deus nos ensina, é não assumir os próprios "deslizes".
Enfim, é triste notar que as pessoas pensam que suas "máscaras" sempre se sustentaram perante a Deus.
Fique com Deus!!

Gutierres Siqueira disse...

Lucimauro, a paz!

Esse escapismo, atribuindo toda culpa ao demônio, mostra como as pessoas não encaram os seus problemas e pecados e enganam-se a si mesmos.

Gutierres Siqueira disse...

Daladier, a paz!

Deus não joga panos quentes e isso veremos no juízo!

Gutierres Siqueira disse...

Matias, a paz!

O número é real. Só esqueci de dizer que essa casa atende exclusivamente evangélicas, mas não recusa uma mulher não-evangélica que peça ajuda. Por isso na “Casa de Isabel” o número se torna tão alto. Mas já é um espanto saber que a nossa comunidade evangélica necessita de uma “Casa de Isabel” para cuidar de irmãs maltratadas. Parafraseando Colson: “E agora, como viveremos?”

Gutierres Siqueira disse...

Paty Magela, a paz!

Minha amiga do primeiro semestre! Essa turminha boa, rsrsrs!

Encobrir um erro é aceitar o erro e isso não deveria acontecer entre cristãos.

Bjs!