quinta-feira, 30 de abril de 2009

10 atitudes para tornar-se um cult da espiritualidade pós-moderna

Instruções irônicas para os aspirantes. Veja:

01. Ame os escritores estadunidenses heterodoxos, mesmo sendo um antiamericano de carteirinha e contrário a dita “teologia enlatada”. Você será incoerente, mas como seu amado filósofo Nietzsche, não se importará com coerência.

02. Devore acriticamente essa literatura, especialmente Brian McLaren e a sua “Ortodoxia Generosa”. Livro obrigatório para um novo cult pós-moderno.

03. Critique duramente os fundamentalistas norte-americanos, inclusive aquilo que eles têm como virtudes. Ora, um autêntico cult não pode ver nenhuma qualidade nesse grupo.

04. Pense sempre “fora da cerca”, mesmo que você caia na lama.

05. Vista camisas com estampas de Che Guevara, pois isso é chique. Critique esse tal de neoliberalismo, mesmo não entendendo nada de economia. Lembre-se sempre disso quando lanchares no McDonald´s, que precisa lutar contra os impérios em nome dos pobres. Seja verde, seja defensor das minorias e até do casamento gay. Demagogia em primeiro lugar!

06. Critique aqueles que gostam de uma “teologia velha”, mas devore a espiritualidade medieval nas pessoas de Francisco de Assis e Teresa de Ávila. Mas uma vez a incoerência, mas não se preocupe.

07. Considere o filósofo prussiano Friedrich Wilhelm Nietzsche um cristão. Isso mesmo. Para os cults pós-modernos Nietzsche era um cristão, mesmo afirmando que o cristianismo era “mais nocivo que qualquer vício”. Diga sempre que a “teologia ortodoxa” foi contaminada pela filosofia grega e pela modernidade iluminista, mas nunca admita que você sofre influências da filosofia contemporânea.

08. Despreze aqueles “caras” chatos como Calvino, Wesley e Spurgeon. Eles incrivelmente acreditavam no mito bíblico.

09. Ame de todo o seu coração autores como Rubens Alves, Frei Betto, Leonardo Boff etc.; e odeie de todo o seu coração autores como R. C. Sproul e Francis Schaeffer.

10. Esqueça, a Bíblia foi manipulada, assim como você aprendeu naquele livro fantástico do Dan Brown, “O Código da Vinci”. Um clássico da história cristã. Portanto, esse livro servirá para você como uma narrativa meramente mitológica. Ok? Não fique contaminado por aquele papo dos terríves ortodoxos.

8 comentários:

Anônimo disse...

Epa.. parece critica a um certo pastor que atua em Sao Paulo, bastante conhecido e metido a intelectual.
Concordo com você, Gutierres!
O guru destes pastores, o tal de Brian McLaren sabe fazer $$$ com sua teologia pós-moderna. E tambêm seus adeptos não são "franciscanos",mas capitalistas da filosofia pósmoderna!
E o pior: gostam de malhar teologos "fundamentalistas" e acham que descobriram uma espiritualidade mais humana, mas são péssimos pastores, desviando o povo de Deus das verdades centrais do evangelho. Vivem em condomínios de luxo, viajam pelo mundo inteiro,
mas dizem que admiram São Francisco, Madre Teresa e Teresa de Avila... que hipocrisia! Eu acho que nunca leram as instruções de Sao Francisco para seus irmãos menores (sim, Francisco de Assis era um ditador!)... E ainda citam Tomás a Kempis, mas medindo os à luz da obra prima deste, a "Imitação de Cristo" estão todos condenados ao eterno inferno.
Não adianta citar Biblia a estes pseudoprofetas metidos a intelectuais, pois relativizam o conteúdo da Palavra de Deus.
E se você discute com um deles (já fiz isto) vão tentar te convencer que voce é um pobre fundamentalista e ignoraten. Não percebem eles que são escravos de seus pensamentos vãos. E não visam a glória de Deus, mas a sua própria. Como Nietzsche morrerão em sua loucura!
Abraço,
Matias

Daladier Lima disse...

Essa doeu! Muito boa, muito boa. Faz duzentos anos que eu condeno esta tendência de fazer teologia, lendo os modernihos americanos. Mas... fazer o quê?

Anônimo disse...

Caro Gutierres, paz e bem.

Quando você fala em " inerrância " bíblica em Calvino, o que defende?

Claro, o reformador francês defendia a Bíblia como palavra de Deus escrita. No entanto, não era partidário da doutrina fundamentalista, tão em voga nos meios evangélicos brasileiros, da inspiração verbal, isto é, de que cada palavra contida nas escrituras seja infálivel.

Assim como Lutero, Calvino apregoava que a bíblia é palavra de Deus pelo fato dela levar o ser humano a Cristo. Não há literalismo bíblico e, muito menos, apego ao texto escrito em Calvino.

Em um comentário ao livro de Hebreus, Calvino escreveu;

" Os apóstolos não eram escrupulosos demais na citação de palavras, ressalvando que não faziam mau uso das Escrituras, segundo suas conveniências. Nós devemos sempre olhar para o propósito com que as citações eram feitas...mas , no que diz respeito às palavras, como em outras coisas que não são relevantes ao propósito estabelecido, ELES SE PERMITIAM ALGUMA INDULGÊNCIA".

Após esta afirmação do próprio Calvino, fica claro que o francês não defende o tradicional conceito de inerrância, ou inspiração verbal, defendido por conservadores e fundamentalistas.

Tal idéia é fruto da chamada ortodoxia protestante do século 17.

Abraços

André Tadeu de Oliveira

Matias disse...

Calvino e Lutero até questionaram a autoridade de livros bíblicos (e.g. Tiago, 2a Pedro e Hebreus).
MAS, eles aceitavam o restante como palavra inspirada de Deus nos moldes de 2a Tim 3,16.
Os neoortodoxos (origem Karl Barth) ao contrátio dos liberais não descartam que a Biblia é a Palavra de Deus, mas o conceito é relativo e subjetivo. Neste caso a neoortodoxia se enquadra na teologia da 'emerging church', pósmoderna.
Abraços,
Matias

Gutierres Siqueira disse...

André, a paz!

Obrigado pelo "feedback".

Na frase:

"Despreze aqueles “caras” chatos, como Calvino, Wesley e Spurgeon. Eles incrivelmente acreditavam no mito da inerrância bíblica".

Realmente escolhi mal os nomes de Calvino e Wesley, pois o primeiro contestou a inspiração de algumas cartas neotestamentárias. Porém, certamente como lembrou o Matias, o mesmo considerava a Bíblia como Palavra de Deus.

Inerrância bíblica é um conceito mais recente,do movimento fundamentalista, porém a idéia já era um embrião no pensamento dos reformadores.

Abraços!

Edson Camargo disse...

HEHEHE!
Excelente este post!
Andei escrevendo um nessa linha, "Cosmovisão Cristã, ou subserviência intelectual tosca", que o Julio Severo acabou publicando no blog dele também. Se quiser passar no meu blog para dar uma olhada, fica o convite, cara.

Abração, e que o Senhor te fortaleça.

Anônimo disse...

o verdadeiro cidadão dos céus é:aquele que não difama com a sualingua,nem faz mal ao seu próximo,nem aceitanenhuma afronta contra seu próximo;
03. Critique duramente os fundamentalistas norte-americanos, inclusive aquilo que eles têm como virtudes. Ora, um autêntico cult não pode ver nenhuma qualidade nesse grupo.é dessa forma irmão gutierres que vc vai chegar nos céus? vigia irmão vc e os que concordam com tigo,vc é gui de cego?

velho marujo disse...

Caro Gutierres,

Uma coisa é certa. Hoje, está muito claro para mim o que Cristo quis dizer quando exclamou: "Não pensem que vim trazer paz, vim trazer espada". Ou seja, estamos em guerra e guerra contra nós mesmos!”
Muitos tentam definir Cristo, mas por mais frustrante que seja essa sina, uma coisa é de comum senso, Cristo é amor.
O problema não está em entender a Cristo, mas em compreender o amor. Mas, como amar? Tal palavra está morta e ultrapassada, e dentro deste contexto enquadro o meu pensamento a este postado por você. Além, de ser cult, o moderno cristianismo tem como base a banalização do amor e a auto-estima exagerada. Mais se prega sobre como receber a dupla honra de Deus, do que em como aprender a honrar a outros...
Lamentável, mas acho que aquele velho cristianismo baseado no amor ao próximo e no partir do pão está sepultado na maioria dos ditos Cristãos, morreu junto com a propagação do evangelismo pós-moderno das massas.