sábado, 18 de abril de 2009

Partidarismo na Igreja (Segunda Parte)

Segunda parte do subsídio para Lições Bíblicas (CPAD), intitulada: I Coríntios - Os problemas da Igreja e suas soluções -2º trimestre/2009

Os grupos formados em Corinto não estavam divididos em doutrinas, mas sim nos cultos a personalidade. O fanatismo e a idolatria ainda são presentes nos dias atuais, onde muitos seguem líderes e os valorizam excessivamente. Alguns tomam a palavra de seus pastores como Sagradas Escrituras. O autor desse texto da ouviu de uma irmã a seguinte pérola: “O pastor não erra nunca” (sic)! Ou seja, para essa mulher evangélica o pastor detinha o equivalente papal da infalibilidade. Outros dizem besteiras do tipo: “Se você desobedecer a seu pastor, mesmo ele estando errado perante a Bíblia, você está em pecado”. Ora, então as palavras dos pastores humanos estão acima das Escrituras Sagradas? Ninguém deve desobedecer as palavras de um pastor que estão em consonância com a Bíblia! Fora disso, seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso!

O primeiro capítulo da carta de Paulo aos Coríntios mostra uma igreja dividida em partidos. Como dito no primeiro artigo, não é possível precisar quais as características de cada grupo, mas metaforicamente podem ser entendidos da seguinte forma:

1.       O partido de Paulo: “Eu sou de Paulo” (v.12).

É correto afirma que havia grupos que apoiavam Paulo e outros desaprovavam o apóstolo. Os admiradores do fundador da igreja, talvez se identificassem por também trabalharem como pioneiros na evangelização da cidade de Corinto.

Os apoiadores eram também e possivelmente o grupo da “Graça Absoluta”. Para muitos a liberdade cristã é confundida com libertinagem. Ser liberal é uma coisa, ser libertino é outra. O libertino enfatiza tanto a Graça de Deus que se esquece das responsabilidades quanto à mortificação da carne. O cristão não deve estar sob jugos e regras humanas, mas também não pode desprezar seu compromisso com uma moralidade sadia e santa. Nem oito nem oitenta.

2.       Partido de Apolo: “Eu sou de Apolo” (v.12).

Apolo era um grande pregador e esmerado erudito (At 18.24-28). O grupo que admirava ele possivelmente estava atingido pelo “Intelectualismo Preconceituoso”. Pessoas que desprezavam os demais membros da igreja por não terem alcançado o patamar de estudos que possuíam.

Nunca é tarde para destacar que a igreja não pode desprezar os estudos e a intelectualidade. Deve tomar cuidado com os exageros, mas não pode jogar fora esse aspecto tão importante para a liderança cristã. O pentecostalismo não tem idéia dos prejuízos causados pela postura antiintelectual adotada por muitos dos seus líderes.

3.       Partido de Cefas: “Eu sou de Cefas” (v.12).

Cefas era o nome aramaico de Pedro. Pedro talvez nunca tenha visitado essa cidade, mas existia ali um grupo fiel a ele. Fazendo conjecturas, o grupo que seguia a Pedro era formado por pessoas apegadas a regras e mais regras, o grupo do “Legalismo Intolerante”. Talvez os crentes judeus quisessem implantar as velhas regras religiosas do Judaísmo, causando conflitos no seio da igreja.

Ainda hoje os legalistas, apegados excessivamente em tradições, usos e costumes, costumam se colocar numa posição arrogante que apelidam como santidade, porém não passa de uma pseudo-piedade. Os legalistas condenam tudo e todos, mas muitas vezes a santidade desses não passa de uma máscara mal feita.

4.       Partido de Cristo: “Eu sou de Cristo” (v.12).

O pior dos grupos. Eram os adeptos do “Separatismo Intransigente”. De cristãos não tinham nada, mas achavam-se melhores do que outros. Como diz aquele ditado paulista: “Pensavam que eram a última bolacha do pacote”. Eram contagiados pelo orgulho espiritual, que pode ser definida como a “mundanidade da espiritualidade doentia”.

Hoje existem aqueles que são “mais santos que todo mundo”. Pessoas que falam pessoalmente com Deus todos os dias. Nesse bate-papo com o Altíssimo, cara a cara, Deus sempre revela algo novo e surpreendente, que o santíssimo homem não revela a ninguém, mas guarda pra si e assim cumpre sua missão. Esses sujeitos são tão especiais para Deus, que não precisam de Bíblia, teologia, escola dominical, mestres, pois Deus se comunica com eles direta e objetivamente.

II. A Igreja e a Diversidade de Seus Ministérios (I Co 3.1-10)

Há diversidade de ministérios. Um faz missões, outro discipula, outro ensina, outro serve com volumosas ofertas, ainda existem aqueles que estão na diaconia. O corpo de Cristo é a maravilha da diversidade, mas que precisa viver na unidade.

Conclusão

Todo o cuidado é pouco para que o cristão não siga mais líderes carismáticos do que o próprio Jesus. É necessária a unidade, que nunca significará uniformidade de idéias, mas sim respeito mútuo e zelo conjunto pela piedade cristã e pelas Sagradas Escrituras.

Leia a primeira parte logo abaixo.

3 comentários:

Paulo Roberto disse...

Espero que você se disponha nas mãos do Senhor da seara e Ele lhe ilumine para nos trazer dos profundos mistérios de Deus.

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene
Prezado Gutierres, o partidarismo é contrário a unidade do Corpo de Cristo. Não podemos negar que todos nós temos preferência por esse ou aquele pastor, pregador, mestre, etc, porém o problema está em fazermos altares em torno dessas personalidades e defendê-las como se defende um partido político ou um time de futebol, a ponto de ruir a unidade cristã. Infelizmente é isso mesmo que ainda hoje observamos, não é verdade.
Esperamos que essa lição traga despertamente a todos nós.
Um abraço
Esdras Bentho

Moyses Godoi disse...

Muitos Bons comentários e edificantes, que Deus te abençoes cada vez mais p/ q mais e mais pessoas olhem para a palavra antes do homem q a prega...
Shalom...