sexta-feira, 17 de abril de 2009

Partidarismo na Igreja

Primeira parte do subsídio para Lições Bíblicas (CPAD), intitulada: I Coríntios - Os problemas da Igreja e suas soluções -2º trimestre/2009*

Partidarismo é um problema constante no decorrer da história cristã. Infelizmente na contemporaneidade muitas congregações e denominações vivem em pé de guerra, na paixão cega por seus líderes ou sistemas religiosos. O Dicionário Houaiss define muito bem essa palavra como “fanatismo partidário”. Muitos idolatram líderes e defendem seus ídolos com violência e espírito sectário.
Partidarismo não combina com cristianismo, pois enquanto um está centrado no homem, o verdadeiro cristão está centrado em Cristo. A igreja de Corinto estava divida em quatro grupos, sendo uns por Paulo, outros por Apolo, outros por Cefas (Pedro) e ainda os de Cristo. Enquanto Paulo, Pedro e Apolo sabiam viver em união, e união com Cristo, os seus “seguidores” viviam entrincheirados. Em nenhum momento esses líderes incentivaram essas ações sectárias, mas os grupos acabaram se formando no decorrer dos anos e estavam prestes a causar um cisma.

I. Uma Igreja, Quatro Partidos (1 CO 1.10-12)

Os partidos na igreja de Corinto possivelmente não eram por causas doutrinárias. Entre Paulo e Apolo não existiam diferenças teológicas, muitos menos entre esses homens e Jesus Cristo. Divisões do ambiente religioso carnal surgem normalmente como busca doentia pelo poder. O grande número saturado de igrejas pentecostais no Brasil é um absurdo. Há a criação de uma nova denominação a cada dia, porém não por diferenças doutrinárias, mas sim por disputas de poder. Um sujeito briga com seu pastor por questões triviais e logo monta uma nova igreja.
Paulo exorta solenemente e implora pela unidade dos Coríntios (v. 1). Unidade não pode ser confundida com uniformidade. Sempre existirão diferentes entre cada membro do corpo de Cristo, mas os espíritos de facções não podem existir. A Igreja de Cristo é uma comunhão e não uma irmandade. Na comunhão existe uma unidade na diversidade. Na irmandade existe uma uniformidade de comportamentos, costumes e até de personalidades (sendo um tanto de maneira forçada).
Como dito acima, Paulo, Apolo, Pedro e muito menos Cristo foram criadores de partidos, mas sim os seus admiradores caíram no fanatismo de levantarem bandeiras e barreiras que não existiam. Tentar definir o que cada grupo pensava e defendia é uma tarefa exegética difícil. Não há dados suficientes para teorizar sobre os pensamentos de cada partido. Leon Moris lembra:

Considerável engenho tem-se expedido na tentativa de dar um esboço do ensino das várias facções, mas certamente isso é inexeqüível... A escolha do partido deve ter sido feita com base nos métodos de Paulo e Apolo. Provavelmente Apolo era mais esmerado e mais retórico do que Paulo (adp.) [1]

Gottfried Brakemeier escreveu também sobre esse ponto:

Os exegetas desde sempre tentaram identificar as linhas teológicas dos grupos. Viam no grupo de Pedro a concentração da ala judaico-cristã, no grupo de Apolo os representantes de um cristianismo filosófico helênico de cunho alexandrino, por exemplo. Também isso não passa de hipótese. Faltam-nos conhecimentos detalhados. Certo é que os grupos representam “propostas” excludentes de piedade, causa de feroz debate. [2]

Metaforicamente cada um desses grupos poderia representar tendências perigosas na cristandade, como libertinos (levam a mensagem da graça radicalmente), os legalistas (inspiram-se nas leis fanaticamente), os intelectuais sem piedade e alguns exclusivistas.
Leia na segunda parte desse artigo o que cada grupo representava metaforicamente.

* Leia a segunda parte acima.

Referências Bibliográficas:

[1] MORRIS, Leon. I Coríntios. Introdução e Comentário. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1981. p 32.

[2] BRAKEMEIER, Gottfried. A Primeira Carta do Apóstolo Paulo à Comunidade de Corinto- Um comentário exegético-teológico. São Leopoldo: Sinodal/EST, 2008. p 27.

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