quinta-feira, 9 de abril de 2009

Três tendências na maior denominação evangélica do país

A Assembléia de Deus está próxima do seu centenário. Grande parte da evangelização no Brasil deve-se aos bravos lideres e membros assembleianos. Pessoas simples, porém determinadas no cumprimento da missão de Cristo. Uma igreja que entrará na história do Século XX.  Como toda denominação apresentou uma série de defeitos. Logo, não existem igrejas prefeitas, mas pelo menos algumas almejam a excelência. Infelizmente, a Assembléia de Deus contemporânea está bem distante da excelência. O pior é que mesmo diante de um quadro tão crítico, existem os ufanistas, que sempre enxergam somente beleza em meio a feiúra.

Agora, no século XXI, a Assembléia de Deus está divida em três grupos principais. Existe uma 01) Assembléia de Deus tradicionalista; uma 02) Assembléia de Deus neopentecostalizada; e uma 03) Assembléia de Deus clássica. Veja esse comparativo:

01.   Assembléia de Deus tradicionalista

Características

Ultraconservadora nos “usos e costumes”. Anti-intelectual, tendo aversão ao estudo teológico, sermões expositivos com esboços e claramente contra qualquer tipo de capacitação. Liderança centralizadora, episcopal papista e carismática. Sectarista em sua cosmovisão, que se aproxima muito do catolicismo romano medieval.

Representação

Está presente principalmente nas periferias das grandes cidades e nas cidades do interior. Muitos sonham com esse tipo de denominação, sendo caracterizada por uns como pureza e avivamento.

Pressupostos doutrinários

Escatologia, legalismo, cura divina e glossolalia. 

02.   Assembléia de Deus neopentecostalizada

Características

Um pouco mais aberta nas questões dos “usos e costumes”. Anti-intelectual, pois prefere o pragmatismo do púlpito, onde as mensagem não devem conter reflexão, mas sim praticidade de bênçãos e vitórias. Liderança carismática, centralizadora, papista e milagreira. Nenhum pudor em abraçar uma “mundanização” materialista e individualista. Apaixonada por modismos e novidades doutrinárias.  Cosmovisão parecida com qualquer religião do New Age (Nova Era), da auto-ajuda e do misticismo.

Representação

Esse é o tipo de Assembléia de Deus mais provável de ter no seu bairro. Está presente nas periferias, bairros de classe média e de norte ao sul do país. Representam uma maioria que cresce a cada dia, até por meio de ministérios co-denominacionais, como os eventos dos Gideões Missionário da Última Hora (GMHU) e outros congressos de “avivamento” espalhados pelo Brasil.

Pressupostos doutrinários

“Evangelho” da saúde e prosperidade, triunfalismo, batalha espiritual e “teologia” do domínio.

03. Assembléia de Deus clássica

Características

Consciente da diferença abismal entre doutrina e costumes, então ensinando princípios bíblicos que nortearam a vida do fiel, sem necessidade de criar listas e listas de tabus comunais. Preocupada com o estudo teológico e solidez doutrinária, não só na preparação de seminários e faculdades teológicas, mas também com pregações e louvores de conteúdo.  Aversão por modismos e novidades doutrinárias, com ampla visão apologética e crítica. Liderança-servidora, democrática e que luta pela volta da tradição congregacional perdida no decorrer da história assembleiana. Identificação com a Reforma Protestante e suas diversas tradições: luterana, calvinista, wesleyana, pietista etc.

Representação

A representação é mínima. Infelizmente! Esses líderes e membros encontram-se isolados em meio as duas babéis acima representadas. Felizmente o movimento é crescente e encontra substância pelo ótimo trabalho da Casa Publicadora e seus escritores.

Pressupostos doutrinários

Teologia da Reforma, continuísmo na questão dos dons espirituais, crença na segunda bênção e diálogo com as tradições protestantes mais históricas.

Conclusão

O caminho da perfeição é impossível nessa terra, mas a excelência deve ser desejada. O que não pode acontecer é o típico conformismo ufanista e cego. Que a Assembléia Deus alcance seus cem anos com maturidade e que continue no século XXI fazendo diferença nessa nação.

5 comentários:

Cristiano Santana disse...

Prezado Gutierrez

Essa discussão sobre as três tendências da AD tem muito a ver com a tensão entre a Igreja e a Cultura (valores que permeiam a sociedade pós-moderna)

Acho que vale a pena colocar, também aqui, a reprodução de um comentário que já coloquei em outro blog.

A AD precisa refletir, profundamente, sobre o seu papel na atual conjuntura, e para isso, precisa evitar os extremos, que já foram apontados por você. Uma ala tenta preservar "valores antigos", os quais, na verdade não são valores. A outra ala tenta ser vanguardista, mas acaba comprometendo o evangelho naquilo que é essencial. Em nome de uma acomodação cultural, acabam criando uma caricatura moderna do evangelho, voltado apenas para a satisfação das necessidades mais imediatas do homem moderno.

Estou lendo "Cristo e a Cultura", um excelente livro do conhecido teólogo Richard Niebuhr

Depois de definir o que é cultura, Niebuhr apresenta diferentes relações entre Cristo a Cultura

-Cristo Contra a Cultura
–O Cristo da Cultura
–Cristo Acima da Cultura
–Cristo e Cultura em Paradoxo
–Cristo, o Transformador da Cultura

Ele apresenta os pontos positivos e negativos de cada visão.

Cristo-contra-a-Cultura, por exemplo, é a visão dos cristãos radicais, para os quais esse mundo (cosmos) jaz totalmente no maligno. São contra tudo que está no mundo: política, música, filosofia, artes, religião, etc.

Cristo-da-cultura simboliza o liberalismo teológico que enxerga a Jesus como um grande mestre, o maior de todos os filósofos, aquele que representa o maior ideal de moralidade.

Temos de entender que a cultura é contingente, mutável e local, ao passo que os princípios da teologia são necessários, imutáveis e universais.

Os pastores presidentes da atualidade precisam buscar o discernimento para distinguirem o permanente do transitório.

Alguns "marcos antigos" devem ser mantidos; outros porém, devem ser arrancados, e colocados outros em seus lugares.


A paz do Senhor

Pb. Cristiano Santana

http://cristisantana.blogspot.com

Clébio Lima de Freitas disse...

Irmão Gutierres, A Paz do Senhor Jesus!

Muito boa essa sua classificação do que hoje são as Assembléias de Deus no Brasil. Certamente podemos observar todos estes tipos de igrejas no movimento pentecostal e quisera Deus que todas seguissem o pentecostalismo clássico, o mais saudável. Isso, na minha opinião, é o sinal de uma enorme carência de seminários teológicos sérios para os obreiros assembleianos que muitas vezes seguem tendências dos apelos da mídia gospel que não está de brincadeira e sempre foi voltada para uma "globalização" das igrejas fazendo com que muitos pentecostais percam sua identidade doutrinária.

Att,

Clébio Lima de Freitas
clebiolima.blogspot.com

Anônimo disse...

tú só fala isso pq tu tens lá no fundo um preconceito denominacional, que é totalmente contrário de tudo o que você posta por aí!
para de falar mal do que você não conhece!
Cria vergonha na cara e Prega sobre Jesus, e não religião, pq nem uma religião é perfeita, inclusive a TUA!
vê se pensa antes de falar!!!!!!!!!!!
não criticando e julgando ninguem, mas seus comentários são preconceituosos como de todos os demais denominacionistas.
E se usar esse comentário por aí, vê se usa todo! não corta!

anderson leriano disse...

O Mais interessante é que não existe Igreja perfeita, só aquela que será a A Igreja arrebatada, que na realidade será uma Igreja retirada de dentro das Igrejas, e com relação ao dialogo maior com as protestantes históricas não considero de todo saudável, nós fizemos uma escolha, uma escolha pelo evangelho pleno com os dons, manifestação do Espírito, e etc... enquanto essas denominações,nos consideram, não salvos, sectarios, infantis, não crêem na manifestação dos dons, falam que ensinamos uma salvação incompleta dentre outras coisas, na realidade nossa Igreja necessita de um avivamento, não movimento mas um compromisso com a Biblia E só a Bíblia.

anderson leriano disse...

O Mais interessante é que não existe Igreja perfeita, só aquela que será a A Igreja arrebatada, que na realidade será uma Igreja retirada de dentro das Igrejas, e com relação ao dialogo maior com as protestantes históricas não considero de todo saudável, nós fizemos uma escolha, uma escolha pelo evangelho pleno com os dons, manifestação do Espírito, e etc... enquanto essas denominações,nos consideram, não salvos, sectarios, infantis, não crêem na manifestação dos dons, falam que ensinamos uma salvação incompleta dentre outras coisas, na realidade nossa Igreja necessita de um avivamento, não movimento mas um compromisso com a Biblia E só a Bíblia.