sexta-feira, 19 de junho de 2009

Ajuda aos Necessitados

Por Gutierres Fernandes Siqueira


Nesses tempos em que há abundância de pregadores envenenando suas congregações com o “evangelho da saúde e prosperidade”, transvertida sob a antibíblica “confissão positiva”, muitos cristãos estão desaprendendo o verdadeiro valor da oferta, que é a ajuda aos necessitados. Temos hoje uma igreja que não ensina o altruísmo, mas pelo contrário, incentiva os mais mesquinhos desejos egoístas.

O neopentecostalismo (ou pseudopentecostalismo) contemporâneo, que se move conforme o dinheiro, em muito distorceu a mensagem pentecostal. O pentecostalismo clássico baseava a oferta e doações na expansão da evangelização e ajuda aos necessitados. O pioneiro pregador da Rua Azusa, William J. Seymour certa vez escreveu:

Houve mestres que ordenaram às pessoas venderem o que tinham, e muitos tornaram-se fanáticos. Nós, todavia, deixamos o Espírito guiar os crentes e dizer-lhes o que ofertar. Quando alguém fica cheio do Espírito, a sua carteira se converte e Deus o torna mordomo. Se Deus lhe ordenar: Venda! Ele vende.

O teólogo Alessandro Rocha lembra que:

É preciso estabelecer uma diferenciação entre essa perspectiva da doação de dinheiro no pentecostalismo clássico e no neopentecostalismo. No primeiro caso, tratava-se de ofertas destinadas ao sustento da própria igreja e dos membros mais carentes; no segundo, essa prática se torna cada vez mais agressiva, e seu fim é o enriquecimento de alguns líderes e o fortalecimento de grandes corporações. [1]

Portanto, é uma verdadeira infelicidade ver pregadores ditos pentecostais aprendendo a arrecadar dinheiro com os “Edis Macedos” da vida. Estão vendendo a alma para um modelo antibíblico e desumano. É uma verdadeira distorção do pentecostalismo, do cristianismo e claro, das Sagradas Escrituras.

Dízimos e ofertas não são um meio de sustentação de grandes redes de televisão, que promovem novelas tão imundas como a concorrente global. É incrível e ridículo que alguns evangélicos achem que essas igrejas são modelos nos usos dos meios de comunicação social. Pelo contrário, hoje a evangelização nesse país é mais difícil graças ao “bom testemunho” dos bispos empresários.

Ajuda aos necessitados de Jerusalém

No último capítulo da primeira epístola de Paulo aos coríntios, ele, o apóstolo, exorta os cristãos para ajudarem seus irmãos necessitados. Os cristãos de Jerusalém viviam sob forte perseguição e então, impedidos de trabalho e cidadania, habitavam entre os miseráveis daquela cidade. A igreja-mãe sofredora precisava da urgente ajuda dos demais cristãos.

É bonito observar que Paulo pediu ajuda para os cristãos judeus a uma igreja composta em sua maioria por gentios. Barreiras étnicas caiam também com o princípio da generosidade na oferta. O Brasil, que se porta como uma nação emergente, fruto das mudanças positivas na macro-economia pelo Plano Real nesses últimos vintes anos, certamente promete um crescimento econômico mais sustentável nos próximos anos, levando essas terras tupiniquins ao quadro das nações mais desenvolvidas. Nessa condição, esse país receberá cada vez mais os imigrantes dos países vizinhos pobres e instáveis politicamente. Cabe a igreja evangélica atentar para as necessidades dos imigrantes, combatendo qualquer forma de xenofobia e sustentando aqueles que necessitam, além da apresentação do Evangelho.

Além disso, a condição deplorável de algumas regiões do país faz vergonha. Necessitados há ainda que vivem debaixo da miséria nas favelas das grandes cidades, no sertão nordestino, nas vilas da Amazônia, nas aldeias sem visibilidade da FUNAI. Entre eles, estão também milhares de cristãos, que sabem na pele a ilusão irrealista utópica do “evangelho da saúde e prosperidade”. Esse blogueiro já teve a oportunidade de visitar uma comunidade de agricultores no interior do Maranhão (o Estado com o pior Índice de Desenvolvimento Humano desse país), em que uma família de onze pessoas viviam com uma renda de R$ 95,00. Naquela época na havia nenhuma assistência de igrejas evangélicas naquele lugar, mas hoje, graças a Deus, existe uma congregação assembleiana que faz um trabalho social esporádico, principalmente com a distribuição de cestas básicas.

Não basta uma ação correta, é necessária uma motivação correta

Aparentar generosidade é fácil. Ofertar como forma de soberba é simples. Dizimar como barganha é descomplicado. Qual a real motivação no momento da oferta? Essa é uma pergunta crucial para o cristão, pois enquanto é possível ofertar o próprio corpo sem amor, é possível também ofertar sem amor a Deus e ao próximo. A pessoa que recebe a oferta é beneficiada, mas nunca o ofertante, que será sempre um mesquinho diante de Deus, Aquele que conhece todas as coisas.

Ofertar por obrigação é horrível. Ofertar para satisfação própria é uma distorção. Ofertar para ganhar pontos, honra e prestígio é asqueroso. O ofertante constrangido pela lei e obrigação não agradou a Deus. O ofertante que se gaba na sua auto-honra é um inútil diante do Senhor. Infelizmente são esses os tipos de relacionamento que se tem ensinado nas muitas igrejas evangélicas, que ofertam em forma de barganhar com Deus. Não ensinam um relacionamento de amigo e pai, mas sim de comerciante. Estão adorando ao deus comerciante, cuja forma de relacionamento está baseada na moeda, na troca. O Senhor livre a sua Igreja desse paganismo!

Referência Bibliográfica:

[1] ROCHA, Alessandro. Espírito Santo: Aspectos de uma Pneumatologia solidária à condição humana. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2008. p 150.

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