quinta-feira, 25 de junho de 2009

Vamos trocar o disco?!

Sim, nas Assembleias de Deus precisamos trocar o disco. Há anos que essa denominação contaminou-se com uma tendência triunfalista em suas músicas. Existem várias exceções, com os hinos da Harpa Cristã e cantores esporádicos, mas o que reina mesmo são as músicas com temática de vitória. Eu particularmente tenho várias críticas ao pessoal dos “grupos e ministérios de adoração”, mas pelo menos as letras produzidas por esses cantores refletem uma adoração. Veja por exemplo uma letra da cantora Heloísa Rosa:

Como um vento

Tua presença leva-me aos teus pés
Como vento sopra sobre mim
Não entendo o que fazes aqui Senhor
Grande Pai, fiel amigo és tu Senhor

O teu amor Senhor vai além do céu
O teu perdão Senhor me alcançou
O teu amor Senhor vai além do céu
O teu perdão Senhor me alcançou

Cura-me, restaura-me, enche-me de Ti
Teu amor Senhor vai além do céu

Além de ser uma letra muito bonita e uma melodia suave, tal hino é adequada para o momento de adoração. Outros exemplos poderiam ser dados, tais como boas músicas do grupo Diante do Trono, Ministério Intimidade, Santa Geração etc. Sim, não me esqueço dos equívocos apresentados por muitos desses grupos, tais como um misticismo, atos proféticos e até tendências judaizantes, mas as letras e músicas, em sua maioria, estão bem melhor do que esse triunfalismo das “letras pentecostais”.

Dentro de um quadro mais equilibrado de cantores, que apresentam boas letras, cuja temática é a adoração, estão Adhemar de Campos, Asaph Borba, Daniel Souza, Gerson Ortega, João Alexandre, Massao Suguihara, Nelson Bomilcar, Stênio Marcius, Vencedores por Cristo. Pelo menos nesses citados você não verá “atos proféticos”.

Agora, o que não dá é essa tendência antropocêntrica da “música pentecostal”, cantada especialmente pelos grupos de Círculo de Oração das Assembleias de Deus e cantores especialistas em play back. Nesse momento, tenho em mãos uma pasta com “hinos” de um vocal assembleiano, as músicas selecionadas são realmente de deixar qualquer um triste. Veja os títulos de algumas: “profeta de Deus”, “Eu profetizo”, “mãos sagradas”, “orei pra ter resposta”, “terremoto santo”, “até o fim”, “braço de ferro”, “Deus está no controle”, “recompensa”, “se creres veras”, “o Senhor já me respondeu” e aí vai com quase 100% das letras voltadas para o mesmo tema: vitória.

Vejo que isso é um sério problema das Assembleias de Deus. Na última AGO (Assembleia Geral Ordinária) da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil), que aconteceu em Serra (ES), a maior parte dos cantores convidados só cantou essas letras pobres, como dito acima, que só falam em vitória e triunfo. Até mesmo os vocais locais. O problema não é enxergado, simplesmente ignorado sob frases como “o culto foi uma bênção, avivado etc”.

Portanto, quando vamos trocar o disco? Caro cantor e regente assembleiano, peço que vocês abracem a essa campanha, e tire todas essas músicas triunfalistas do seu grupo musical. Troque as músicas onde o homem é o centro, para aquelas em que Deus é o centro. Veja bem a letra que você está cantando. Cante Salmos, cante boas letras. Pense no que você está cantando!

Vai aí uma sugestão:

Louvemos ao Senhor
Louvemos ao Senhor
Adoremos do seu santo monte
Nosso amado Pai, Seu nome é Santo

Louvamos ao Senhor, pois Seu nome é Santo
Louvamos ao Senhor, pois Seu nome é Santo

Magnifiquemos ao Senhor
Ao Rei que é digno de louvor
Ele é Excelso, Supremo e mui digno de louvor
Excelso, Supremo e mui digno de louvor

Hosana, Hosana,
Hosana ao Nosso Rei

Cristo é a nossa vida
O motivo do louvor
Em nosso novo coração
Pois morreu a nossa morte, para vivermos a sua vida
Nos trouxe grande salvação


Louvamos ao Senhor por Adhemar de Campos

8 comentários:

Pr. Carlos Roberto disse...

Caro Gutierrez!
Graça e Paz!

Parabéns pelo post.

A onda é nacional na AD.
Precisamos trocar o disco, porém é necessário que as ações comecem pelo individual, digo, em cada grupo.

Há grupos hoje que nem mais usam play back, cantam em cima da voz do cantor mesmo.

Sem falar das letras triunfalista como vc. bem disse, musicalmente também é um desrespeito.

Um grande abraço!
Pr. Carlos Roberto

Paulo Mororó disse...

Caro irmão, a Paz do Senhor.

Tenho uma admiração e uma reflexão pertinente à postagem.
1. Admiração - Louvado seja Deus por este momento de "simancol" sobre fatos dentro da AD.
Sou assembleiano, mas fico impressionado com quantidade de artigos postados por blogueiros da AD, que criticam constantemente as outras denominações. Ainda existem muitas traves em nossos olhos que precisam ser tiradas. Seria no mínimo coerente, se tentássemos ou incentivássemos as retiradas destas, como se faz nesta sua oportuna postagem.Vejo tantas críticas aos "apóstolos", "bispos","bispas" e etc, porém, poucas ou quase nenhuma aos "papas assembleianos".

2. Reflexão - O termo "pé de valsa" foi e ainda é usado para definir um praticante dançarino deste rítmo, assim como, um assíduo frequentador de bailes e danças. É uma expressão cultural de uma época, de um constexto histórico, onde as valsas dominavam os salões,e daí todas as consequências das noitadas e baladas noturnas e mundanas.
Uma perguntunha:Como foi que um rítmo,outrora tão mundano,entrou se estabeleceu como "sacro" dentro dos hinários?
Neste caso me refiro ao rítmo (mísica)e não as letras.As letra em sua grande maioria são poesias maravilhosas.
Um abraço
PAULO MORORÓ

SosGospel disse...

BAH... E O PIOR É QUE DIZEM QUE FOI UMA REVELAÇÃO ALGUMAS DESSAS LETRAS. VAMOS CANTAR OS SALMOS!

L. H. Dessart disse...

Parece que você leu (não só) o meu pensamento!!!
Concordo em gênero, número e grau com sua observação...é hora de trazermos Deus de volta ao centro da adoração!!!

Deus o abençôe!!! Abraço!!!

A propósito, a Harpa Cristã é bem completa, com mensagens diversificadas, sempre trazendo a atenção a Deus...

Paulo Silvano disse...

Caro Gutierres,

Concordo com você; está difícil encontrar musica evangélica que faça jus ao gênero.
Dentre as raras manifestações lúcidas da música evangélica eu destaco o Adhemar de Campos. Ele é "o cara". Veja só essa letra dele:

Não existe nada melhor
Do que ser amigo de Deus
Caminhar seguro na luz
Desfrutar do seu amor
Ter a paz no coração
Viver sempre em comunhão
E assim perceber
A grandeza do poder
De Jesus meu bom pastor

http://www.youtube.com/watch?v=XNLtJaeGaPs

Um abraço,
Paulo Silvano

Yohan disse...

De fato é um problema sério, visto que a música pode ser uma ferramenta preciosa em termos de ensino teológico. Agora, existe uma razão para a "abundância" de letras de cunho triunfalista. A receptividade e aceitação que o povo demonstra frente a tais canções gera lucro para os artistas. E convenhamos, para o artista, seja ele cristão ou não (infelizmente), o que importa é o lucro.

De qualquer forma me coloco contra estas letras antropocêntricas e triunfalistas, prezando por letras bíblicas, profundas e com boa teologia. Afinal, muitas vezes nos esquecemos do que foi pregado no domingo, mas nos recordamos bem do que foi cantado.

Luciana disse...

Gutierres...ainda existem a idéia (não sei se procede), de que louvores de adoração combina mais com a mocidade...e os louvores que falam de luta, lagrimas e vitórias combinam mais com as irmãs. Eu, faço parte do grupo das irmãs, mas prefiro os louvores da mocidade. Vc acha que tem que separar isso (letras de hinos) para cada conjunto?
Obrigada!

Gutierres Siqueira disse...

Obrigado pela participação de todos!

Luciana, a paz!

Olha, esse tipo de divisão é inadequada. Todos devem cantar para adoração a Deus. Outra questao, o nosso louvor deve ser congregacional, ou seja, envolvendo cada membro da igreja. Se o louvor for individualizado ou focado em um grupo, esse passa a se tornar uma mera apresentação.
Infelizmente a tendência das irmãs de Círculo de Oração é cantar essas músicas de lutas e vitórias, mas todas deveriam focar em músicas cuja letra é focada em uma adoração a Deus.

Abraços!