segunda-feira, 6 de julho de 2009

Deve uma denominação apoiar candidatos políticos?

As maiores igrejas evangélicas do país vão apoiar candidatos próprios para as eleições de 2010, principalmente denominações pentecostais e neopentecostais, à semelhança das demais campanhas eleitorais. Nesses apoios sempre o discurso é o mesmo: “Precisamos combater leis perversas e antibíblicas”. É caro leitor, não encare esse blogueiro como apolítico, pois a política é um assunto muito importante e essencial para a civilidade. Agora, algumas perguntas não podem calar:

Por que muitos dos “representantes” das igrejas são parentes de primeiro grau dos grandes “caciques” denominacionais?

Engraçado. A vocação política muitas vezes atinge somente os parentes dos líderes denominacionais, ou pessoas de extrema intimidade familiar. Estranho isso. Não que os parentes de pastores líderes não possam se candidatar, mas precisam que eles sejam os representantes oficiais de uma determinada igreja?

As denominações medem as consequências de uma aliança política?

Algumas cidades pequenas do interior nordestino e nortista encaram a política e grupos políticos com a mesma paixão futebolística. Muitas vezes beira ao fanatismo. Gerações familiares votam, muitas vezes, no mesmo grupo político. Maridos brigam com suas esposas e esposas com seus maridos, se o mesmo votar no grupo que o outro ou a outra odeia. Dificilmente existirá nessas cidades pessoas neutras, que votam conforme as propostas apresentadas. Esse problema é fruto do coronelismo político controlado pelas oligarquias familiares que dominam o cenário político dessas pequenas cidades, perpetuando a miséria e a corrupção.

Então, imagine nesse quadro de fanatismo uma igreja apoiando candidato A ou B. Pelo menos metade da cidade odiará aquela igreja pelo apoio dispensado para determinado candidato. Isso é horrível. Um quadro comum em muitas cidades pequenas, sendo fruto de alianças insensatas de pastores sem entendimento. Fora quando os próprios pastores não vendem os votos de suas ovelhas, sendo algo certamente diabólico!

Aliás, qual o motivo para uma denominação nomear representantes?

Quase todas as denominações nascerem com um ideal de propagar o Evangelho. Então, qual o motivo de envolvimento político-partidário? A missão primordial da existência dessas igrejas não seria a evangelização e discipulado? Onde a política entra na Grande Comissão? Estão abraçando uma visão de construção da cosmovisão cristã ou na verdade estão abraçando a “teologia” do domínio?

Alguns perguntam: Como podem surgir candidatos evangélicos sem o apoio das denominações? Simples! Todo aspirante político deve crescer sem padrinhos, sejam eles religiosos ou empresariais. Devem buscar um envolvimento nos partidos para o seu próprio crescimento, por propostas inteligentes e eficientes. Se receber patrocínios sem garantias em troca, tudo bem, mas o que não pode é fazer negociatas.

Alguém responde: “Deixa de ser ingênuo blogueiro... Ninguém ganha eleições sem apadrinhamento”. Realmente é difícil que isso ocorra, mas não é impossível. Aliás, o padrão de política dos evangélicos será a falcatrua dos ímpios? “Não ameis o mundo... não vos conformeis com esse mundo”... Assim não diz as Santas Escrituras? Se não ganhar é melhor do que se sujar!
Alguém poderia responder essas perguntas?

PS: A questão do exemplo de moralidade!

Os “representantes evangélicos” estão defendendo a moral nas instituições políticas?

Será que enquanto lutam legitimamente contra o aborto, alguns “irmãos” estão envolvidos em atos secretos do Senado ou nos “esquemas” da Câmara? Por que a Bancada Evangélica não assina um manifesto pelo afastamento do presidente do Senado José Sarney (PMDB- AP)? Por que a Bancada Evangélica como um todo não efetuou uma oposição aos escândalos nos casos Renan Calheiros (PMDB-AL) e Antônio Carlos Magalhães (antigo PFL-BA)? São eles também lenientes com a podridão? Os nobres deputados e senadores estão presos as imoralidades dos partidos que fazem parte? Por que a Bancada Evangélica não luta contra os atos secretos do Senado e no aumento de salário dos nobres deputados, defendida pelo baixo clero? Por que a Bancada Evangélica não se mobiliza para mostra à opinião pública que é um paladino da moralidade?


Os caros deputados evangélicos devem se preocupar com as leis a favor do aborto ou leis absurdas com a PL 122/2006, mas também deveriam ser exemplos da tentativa de moralização da Câmara e do Senado.

É necessário que essa Bancada Evangélica seja sal da terra dos três poderes, pois se não for, só prestará para ser “jogada fora” nas eleições de 2010.

7 comentários:

Mayalu Moreira Felix disse...

Prezado Gutierres,

Muito boa, sua reflexão, parabéns. É isso mesmo, por que a bancada evangélica não é verdadeiramente comprometida com os valores do Reino de Deus? Há muitas respostas, desde as culturais às espirituais. O que me parece mais óbvio, das conclusões que me vêm à mente, é que se a bancada evangélica fosse honesta, digna, verdadeira e honrada, a CGADB não estaria com o está, pois lá também se faz política, ainda que não partidária.

Um abraço,

Maya

:(

Matadore disse...

Amigão

Creio que ninguem tem uma maxima sobre o assunto, porem vou dar o meu pítaco.....

- Eu realmente não creio que um cristão autentico não quer nem chegar perto de politica, penso eu que obedecendo o salmo 1 pois e inviavel uma pessoa aguentar tanta sujeira e tanto dinheiro e não se sujar, para mim e literalmente amarrar o cachorro com linguiça.
- O partidarismo está dentro da igreja, caro irmão olhe para dentro das nossas igrejas e me diga se alguem e eleito a algum cargo sem apoio do Pastor. Dai vem a pergunta???? Qual o motivo de eleição.
- A bancada evangelica vem sendo a cada dia conhecida pela corrupção... Ai eu te pergunto um crente pode até cometer um ato ilicito mas continua no erro????
- Falei falei mas agora respondendo a pergunta central do tema, não uma denominação não deve apoiar ninguem pois não cabe a ela tal empreitada, pois o objetivo da igreja e outro que nos sabemos muito bem. Agora sobre as disculpas de não aprovar leis ante biblicas todos nos sabemos que isso e a menor das preocupações de qualquer politico....

Ruan - ruanvisuaw@hotmail.com

Mario disse...

Êta assunto polêmico, aqui na cidade dos príncipes, o candidato a vereador do cacique maior não ganhou a eleição. Creio que fruto de conversas sérias sobre o assunto, pelos membros, nos bastidores eclesiásticos...

José Eduardo da Silva disse...

Não concorde com apoios publicos, não que seja afavor das coisas debaixo dos panos, falo do apoio denominacional ou institucional onde a igreja sirva de plataforma.o termo grego, "polis" fala do cidadão seja qual for, sem vertentes institucionais, mas individuais. Outro detalhe é que nenhum lider crsitão tem o direito de levantar apoio institucional porque a igreja é o conjunto, logo não seria de foro ético dos principios adquiridos a luz das escrituras determinar partido ou político "A" ou "B" a ser apoiado. Agora eu penso que a obrigação politica dos candidatos, cristãos ou não cristãos seja o bem comum, tanto na observações dos valores espirituais quanto morais e éticos.

Um forte abraço,

José Eduardo da Silva
http://portadoreino.blogspot.com

Daladier Lima disse...

Infelizmente, suas palavras não serão ouvidas. Funciona mais ou menos assim, o candidato oferece alguns cargos, dinheiro, terreno. As lideranças balançam e aderem. Sem programa, sem exigência de longo prazo, sem ética, sem nada, somente fisiologismo. Mas, como não podemos calar...

Leandro Araujo disse...

Prezado irmão Gutierres, e demais leitores,

como ex-assessor político e diretor de campanha posso assegurar que a política é horrívelmente corrupta, manipuladora e ao mesmo tempo manipulada. Como coordenador de campanha vi diversos "pastores" colocando suas pequenas denominações "à disposição" do político por um determinado valor.
Ou seja, a política é podre e muitos líderes são tão ou mais corruptos do que os políticos.
Depois desta experiência sou completamente contra um político subir à um púlpito, ou uma igreja apoiar algum candidato. Simples assim.
Graça e Paz!

Cleber disse...

Gostei muito da parte em azul.
Concordo 100%.
Vou replicar no meu blog com as devidas fontes.

Cleber.
http://confraria-pentecostal.blogspot.com/