sexta-feira, 24 de julho de 2009

Jesus, o Redentor e Perdoador


Subsídio para as Lições Bíblicas (CPAD) I João- Os fundamentos da fé cristã e a perfeita comunhão com o Pai

Quando a pregação da graça de Deus é exposta em uma igreja, normalmente essa mensagem causa um incômodo. Ora, que história é essa que nada podemos fazer pela nossa salvação, já que Jesus fez tudo? Ora, que história é essa que Cristo perdoa os nossos pecados, independente de sua gravidade? Ora, que história é essa que a salvação é uma dádiva, e não fruto de esforço e boas obras? Essa é a mensagem de salvação, que não soa bem aos ouvidos daqueles que só pensam na base de causa e efeito.

Talvez, a maior confusão de quem ouve que Cristo perdoa pecados, é confundir isso como uma licença para mais pecado. Ora, não se trata disso. Cristo sempre faz um serviço completo. O SENHOR não somente perdoa pecados, o Senhor limpa as mãos do pecador e purifica o seu coração. Portanto, isso é a maravilha do Evangelho: a oportunidade de uma nova vida, que esta bem expressa nas palavras de Jesus à pecadora: “E, endireitando-se Jesus e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais” (Jo 8.10-11).

Infelizmente alguns poucos confundem a graça de Deus como licença para o pecado e misturam liberdade com libertinagem. Judas já tinha alertado sobre isso: “Porque certos homens se infiltraram entre vós sem que fossem notados; desde há muito tempo eles estavam destinados para o juízo. São homens ímpios, que mudam a graça de nosso Deus em libertinagem e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo”. (Jd v. 4 ASXXI) Paulo também falou sobre isso: “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante? De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?” (Rm 6.1-2)

Portanto, vemos que a Palavra de Deus é bem clara sobre o assunto: a graça de Deus é uma obra completa, que perdoa pecados e atinge a raiz do problema, mudando o caráter do pecador. O cristão pecará enquanto estiver preso nessa vida com a natureza decaída, mas um verdadeiro cristão nunca viverá no pecado. Por exemplo, ele pode até mentir, mas nunca será um mentiroso, vivendo a falar inverdades.

Lidando com o pecado de modo equilibrado

Como lembra o teólogo anglicano John Stott, há duas atitudes erradas ao lidar com o pecado: Sendo severo demais, sendo um complacente demasiado. Stott escreve:

É possível ser demasiado indulgente e demasiado severo para como o pecado. Indulgência demasiado grande seria quase encorajar o pecado no cristão salientando a provisão de Deus para o pecador. Uma severidade exagerada, por outro lado, seria, ou negar a possibilidade de um cristão pecar, ou recusar-lhe perdão e restauração, se ele cai. Ambas as posições extremas são contestadas por João. [1]

O erudito A. T. Robertson escreveu: “João não tem paciência com perfeccionistas profissionais (1. 8-10), e menos ainda com quem vive de forma complacente, como alguns gnósticos que praticavam toda sorte de excessos sema menor vergonha”[2].

Portanto, como sempre a Bíblia expressa como viver equilibradamente. Nunca devemos incentivar o pecado, mas também não é possível negar a realidade dessa miséria em nossas vidas. As Sagradas Escrituras demonstram a realidade do pecado, mesmo na vida daqueles que experimentaram o novo nascimento. Agora, ao mesmo tempo a Palavra apresenta a solução.

Cristo, o nosso advogado

A palavra grega parakletos está traduzida no português como advogado. Como substantivo, a palavra aparece somente nos escritos joaninos. Normalmente, parakletos traz a ideia de consolador, como se o substantivo estivesse no ativo. Não, o substantivo é apresentado no passivo, portanto sendo mais bem traduzido como “chamado para o lado” [3]. Mas então, Jesus é chamado por quem para nos ajudar? Certamente Deus pai chamou Cristo para nos defender, morrendo em nosso lugar. Além disso, nós mesmos podemos chamar a Cristo em nossa defesa mediante o arrependimento e contrição pelo pecado, isso por meio da oração. O que não podemos nunca é nos conformamos no pecado e dispensar a misericórdia de Deus.

Cristo, que advoga, não apresenta diante do juízo a nossa inocência pelos méritos que possuímos, pelo contrário; Ele nos apresenta como inocentes assumindo a nossa culpa. Jesus que é o Justo (v. 1). Glória a Deus pelo tamanho da Sua misericórdia! Cristo ainda trabalha por nós, como lembrou William Barclay: “Não devemos pensar sobre Ele como alguém que passou sua vida na Terra, morreu na cruz e então não tem mais nada a ver com a humanidade... Ele ainda carrega a nossa preocupação com a humanidade dentro de seu coração” [4]

Falando em juízo, muitos que alimentam a ideia de um Deus carrancudo e mal humorado, associam que o advogado Jesus tenta apaziguar a Ira de Deus. Nenhuma pessoa da Trindade está apaziguando a ira da outra pessoa. Esse pensamento é falso e antibíblico. A salvação é um trabalho conjunto das três pessoas da Trindade. O teólogo assembleiano Robert Berg escreveu sobre esse ponto:

Devemos rejeitar a ideia de que Jesus tenha que persuadir a um Deus nada simpático, que reluta em nos deixar impunes. O juiz que é Deus o Pai, que nos amou e enviou seu Filho (Jo 3.16; I Jo 4. 9,10), que tem gerado filhos (Jo 1.12, 13; I Jo 3.9; 5.4) e que é fiel para nos perdoar e purificar ( I Jo 1.9).[5]

Portanto, Jesus é ao mesmo tempo advogado e “a propiciação pelos nossos pecados” (v. 2). Isso significa que Ele voluntariamente e amorosamente morreu no seu e no meu lugar.

Referências Bibliográficas:

[1] STOTT, John R. W. I, II e III João: Introdução e Comentário. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1982. p 69.

[2] LOPES, Augustus Nicodemus. Interpretando o Novo Testamento: Primeira Carta de João. 1 ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2005. p 46.

[3] STOTT, idem. p 70.

[4] BARCLAY, William. The Letters of John and Jude. Filadélfia: Westminster Press, 1958. p 45. In BOICE, James Montgomery. As Epístolas de João. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 44.

[5] ARRINGTON, French L. e STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal. 4 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 1767.

Um comentário:

Felipe Huvos Ribas disse...

Gostei bastante desse texto Gutierres, está muito bem escrito.
Graças a Deus que você usa essa sabedoria para a glória de Deus.
Fica na paz do Senhor.