sexta-feira, 3 de julho de 2009

A Primeira Carta de João

Subsídio para as Lições Bíblicas (CPAD): 1 João- Os fundamentos da fé cristã e a perfeita comunhão com o Pai (3° Trimestre de 2009)

Uma carta cujo foco é um entendimento correto sobre a pessoa de Jesus Cristo. Assim poderia ser o resumo da primeira epístola do apóstolo João. Assim como o Evangelho, o apóstolo João transmite em seus escritos um pouco sobre o amor de Cristo. Mas, João tinha um propósito muito claro em escrever sobre esse assunto, ele queria que seus filinhos tivessem a certeza da vida eterna, mediante um entendimento cristológico claro e sem as amarras e heresias dos gnósticos.

Quem escreveu essa epístola?

João. É óbvio! Não, essas questões não são tão óbvias assim. Primeiro, a epístola não está assinada. Nem no início, nem no final. Segundo, o pensamento e a linguagem diferem do Evangelho de João. Então, o que se leva a crer que essa epístola foi escrita pelo apóstolo João, aquele mesmo do Evangelho e do Apocalipse?

Várias são as razões para atribuir a João, a autoria dessa carta. Primeiro, a maior parte da tradição patrística atribuíam a João essa autoria. Os patrísticos como Policarpo de Esmirna (que morreu em 155 d. C), Papias de Hierápolis (Século II), Irineu de Lião (Século II), Clemente de Alexandria (Segundo II) e Tertuliano (Século II e III), todos esses mencionam João como autor dessa carta. Então, como os principais nomes da igreja primitiva atribuíam ao apóstolo amado esse autógrafo, isso já é um fator determinante.

Segundo, a linguagem diferenciada do quarto Evangelho é fruto de propósitos e circunstâncias diferentes da narrativa sobre Jesus. Nessa carta, que tem um cunho pastoral muito forte, João usa uma linguagem de intimidade e carinho. Isso por causa de uma circunstância particular, que era a necessidade de instruir determinada igreja que estava necessitada daquelas palavras. O propósito e circunstância muda o texto de qualquer um. Estejam certos que a forma como esse blogueiro escreve um trabalho acadêmico, será bem diferente um e-mail para um parente ou um scrap (do Orkut) para um amigo ou um post para o blog. O mesmo acontece com os escritos da antiguidade.

Qual a explicação para a ausência de nomes e destinatários? Não existe uma reposta. A hipótese mais provável é que “João escreve de onde residia, em Éfeso, a certo número de igrejas da província da Ásia, que estavam sob sua responsabilidade apostólica (cf. Ap 1.11).”[1] Dessa forma, pela ausência desses elementos epistolares, muitos até contestam o caráter de carta atribuída a esse escrito. Mas a estrutura interna mostra que havia um endereço muito específico para esse manuscrito, portanto era uma carta de estrutura rara.

Agora, a proximidade entre o quarto Evangelho e a epístola é quase gritante. Lendo os primeiros versículos da carta é impossível não lembrar os primeiros versículos do Evangelho. Ou seja, até mesmos para leituras superficiais dessa epístola é evidente a proximidade. Outros textos no decorrer do Evangelho e Epístola são próximos, como por exemplo, o mandamento para amar uns aos outros (I Jo 2.34; 3.22,24; 5.2,3 comp. Jo 14.15,21; 15.10). John Stott lembra:

Portanto, nós temos sugerido que as semelhanças de matéria e assunto, estilo e vocabulário no evangelho e na primeira epístola fornecem evidências muitos fortes em favor da identidade de autoria, não enfraquecidas substancialmente pelas peculiaridades de cada um, nem pelas diferenças de ênfase no trato de temas comuns. Estas se explicam pelo propósito subjacente a cada escrito e pelo lapso de tempo que por isso mesmo se pode admitir entre eles. [2]

Agora, mesmo sendo impossível provar com certeza absoluta (redundância proposital), pela falta da assinatura, isso não muda em nada o conteúdo de fé exposto na carta. Como escreveu Robert Berg: “De qualquer modo, a mesma autoria destes livros por João, o filho de Zebedeu, não é enfim crucial em termos de interpretação e certamente não o é em termos de inspiração e autoridade” [3].

Agora, seguindo a tradição milenar, os estudantes da Bíblia podem desfrutar de uma riqueza estimável escrita pelo apóstolo do amor. Verdades como “amor”, “justiça”, “segurança da salvação”, “anticristos”, “falsos milagres” são alguns dos temas tratados para o estudo de um trimestre.

Referências Bibliográficas:

[1] STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995. p 1954.

[2] STOTT, John R. W. I, II e III João: Introdução e comentário. São Paulo: Edições Vida Nova, 2007. p 22.

[3] ARRINGTON, French L. e STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal: Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 1749;

Um comentário:

Yohan disse...

Vale lembrar que Policarpo de Esmirna teve contato pessoal e direto com o apóstolo do amor. Isto talvez contribua para uma maior atribuição de credibilidade ao argumento dos teólogos dos primeiros séculos.