terça-feira, 21 de julho de 2009

A síndrome do microfone no pentecostalismo autóctone


Em setembro de 2006, o historiador Chris Armstrong escreveu um artigo para a revista evangélica Christianity Today (Cristianismo Hoje) sob o título Embrace Your Inner Pentecostal (Abrace o pentecostal que há em você). Nesse texto Armstrong destaca:

O pastor da igreja da Rua Azuza William J. Seymour, representou um novo tipo de líder de igreja. Ele encorajava os adoradores a exercitarem seus dons durante os cultos, provendo o que o professor Cecil M. Robeck chamou de “um fórum para os diversos membros de sua congregação demonstrarem seus dons no contexto da comunidade de adoração, sem medo de recriminação”. Quando em meio à adoração alguém ia além dos limites aceitos de ordem, Seymour corrigia-o de uma maneira “graciosa e afável” [1].

Muitos estudiosos, sejam teólogos ou sociólogos, reconhecem que o pentecostalismo levou a sério o princípio do sacerdócio universal de todos os crentes, assim como afirmavam os reformadores. Dentro desse aspecto, o pentecostalismo (pelo menos o pioneiro) acabou com a inadequada divisão entre clérigos e leigos. Portanto, esse é um ganho para o cristianismo de maneira geral, vindo dos pentecostais.

Agora, tudo tem limites. O próprio texto de Chris Armstrong mostra que o pioneiro pentecostal William J. Seymour reconhecia excessos e os corrigia. Hoje, nas igrejas pentecostais brasileiras, todos pensam que são cantores ou pregadores. Há um verdadeiro incentivo para a síndrome de microfone. As pessoas se viciam em “oportunidades”. Alguns líderes dizem que precisam descobrir os “novos talentos” (sic).

A igreja, como um todo, envolvendo líderes e liderados, precisam reconhecer as pessoas verdadeiramente vocacionadas em suas comunidades. Portanto, que foi chamado para ensinar que ensine; quem tem capacidade para dirigir o louvor, que dirija; quem foi chamado para o diaconato, que sirva; quem foi chamado para pregar, que pregue, etc. O que não dá é ver igrejas desorganizadas, onde qualquer um faz qualquer coisa. Cada vocacionado em seu canto.

Referências Bibliográficas:

[1] ARMSTRONG, Chris. Embrace Your Inner Pentecostal- Holy Spirit religion is quietly infiltrating the church, revitalizing us all. Christianity Today. Set 2006. Publicado em português: Abrace o Pentecostal que há em você. Mensageiro da Paz. Tradução: DANIEL, Silas. Nov 2006, p 18.

3 comentários:

Ednaldo disse...

Paz Gutierres,

Ótimo texto, devia ser enviado para muitos pastores, e demais oficiais que dirigem congregações Brasil afora.

Ednaldo.

Sos Gospel disse...

Muito interessante a parte de corrigir os abusos. Muitos hoje, tem medo de corrigir, pois faltam "verdades", é um efeito da pós-modernidade. Temos que perder o medo de pesquisar e estudar a Bíblia e com isso ensinar o povo das igrejas!

efata disse...

Bem pertinente este artigo. O que me parece estar acontecendo é que não há líderes corajosos o suficiente para dizer "não" a alguém que quer a tal da "oportunidade", receosos de que a pessoa não volte mais pra igreja ou se desvie do Caminho por isso.

Muita gente "fazendo beicinho", crentes mimados, cheios de "não-me-toques".............eita tempos trabalhosos.