domingo, 2 de agosto de 2009

Pregando mudanças sociais

Já tive o privilégio de visitar várias igrejas evangélicas. Eu já visitei igrejas tradicionais, ultratradicionais, reformadas, pentecostais clássicas, neopentecostais e pseudopentecostais. Eu já visitei igrejas em pequenos povoados pobres do interior nordestino, igrejas em favelas, igrejas de classe média na metrópole paulista, igrejas em bairros ricos e catedrais. Creio que muitos de vocês já passaram pela mesma experiência. Mas observem comigo uma questão nessas várias faces da igreja evangélica: Entre elas existe uma diferença no discurso bem paradoxal. Quanto mais rica é a igreja, mas ela fala em justiça social. Quanto mais pobre é a igreja, mas ela chega perto da sociedade. Há um disparate entre o discurso e a prática.

Algumas das grandes igrejas paulistanas que são frequentadas pela classe média e média alta (chamada pelos órgãos de pesquisa como classe B) falam sempre em justiça social. Seus pastores, alguns de formação esquerdista, sempre enfatizam que a igreja precisa socorrer os necessitados. Nas pregações esses pastores “denunciam” o mal do capitalismo que provoca as desigualdades sociais, mas ao mesmo tempo os membros em sua maioria são funcionários de multinacionais, empresários e profissionais liberais. Essas igrejas fazem trabalhos sociais esporádicos, mas “sem muito jeito”, pois quando chegam aos pobres se portam como peregrinos nas favelas.

As igrejas periferias e interioranas não falam em justiça social. Sequer discutem ideologias e correntes econômicas. Agora essas comunidades praticam benefícios sociais para a sociedade, especialmente a periferia. Sim, nem todas as igrejas evangélicas pobres trazem benefícios sociais, mas a maioria produz um ou outro efeito benéfico. Os membros dessas igrejas são pouco escolarizados, trabalham em empregos informais e o mesmo pode ser dito da liderança local. Esses membros fazem “justiça social” com pequenas obras, sem levantar uma bandeira de ativismo ideológico ou político. Os frequentadores normalmente são conservadores, socialmente e teologicamente falando, mas votam normalmente em partidos de esquerda e líderes populistas. São pessoas que não votam pela agenda político-ideológica do partido, mas sim por puro imediatismo e pragmatismo.

Ou seja, a igreja evangélica brasileira reflete a sociedade brasileira. Enquanto os mais ricos e intelectualizados discutem ideologias e justiça social, os mais pobres promovem mudanças sociais mais significativas. Mas os mais pobres não fazem isso porque são “mais puros e bons” do que os mais ricos, mas sim como uma visão benéfica para si mesmo e para a comunidade da qual faz parte, pois naturalmente alguém vai querer preservar o ambiente em que está inserido. Mas isso não acontece somente no Brasil. Na Alemanha do século XIX os filósofos bradavam contra a burguesia, enquanto o proletariado trabalhava para comer o pão diário. Ou seja, o trabalho duro das fábricas não permitia que os trabalhadores ficassem a devagar sobre sistemas econômicos. Criar ideologias era um privilégio de poucos.

Empatia social

Os cristãos que pertencem à classe média podem continuar falando em justiça social. Agora, a prática é importante e essencial. No trabalho social é necessário envolvimento com as pessoas que receberam a ajuda. A empatia é a palavra chave para aqueles que ajudam os mais pobres. Jesus agiu com empatia. Ele se colocou em nosso lugar. Fazer obra social sem empatia acaba na antipatia obrigatória e politicamente correta, influenciada por ideologias esquerdistas, mas que não atingem o âmago da questão, que é a identificação com o amor de Deus aos necessitados.

Promovendo uma sociedade mais justa

Para os cristãos promovem justiça social não é necessário adotar aquela mentalidade do atraso, que demoniza a classe empresarial e o livre mercado. Aliás, a formação de comércios, indústrias e serviços são os melhores meios para tirar um homem da pobreza. Isso porque empregar é melhor do que assistencialismo esporádico, que resolve o problema de modo superficial e não atinge a raiz da miséria.

Adotar um discurso e prática contra a pobreza não faz a necessidade de renunciar a ortodoxia bíblica e se voltar contra o cristianismo histórico. Um dos maiores nomes na luta contra a escravatura estava o cristão inglês William Wilberforce. Esse político britânico em momento algum renunciou as bases do cristianismo para adotar um discurso de contestação da ordem estabelecida. É possível ser conservador, mas sem conformismo.

Ao pregar pelo resgate dos pobres e bradar contra a riqueza é preciso coerência. Isso porque essas pregações que demonizam o “capitalismo liberal” nas igrejas “progressistas” normalmente esquecem que os membros dessa comunidade se alimentam desse sistema, inclusive o líder que prega o sermão “social”. Falam contra algo que estão totalmente inseridos e que trabalham em prol do seu crescimento.

No trato da pregação mais social é necessário condenar doutrinas antibíblicas, como a “teologia da prosperidade”, mas não se pode cair no outro extremo, que é o franciscanismo. Ou seja, ninguém é mais objeto do amor de Deus por ser rico, como os tele-evangelistas heréticos ensinam; e ninguém é mais amado por Deus por causa de sua pobreza, com os teólogos libertários marxistas insistem em afirmar. Ou seja, Deus não ama pela classe social de alguém.

5 comentários:

Felipe Huvos Ribas disse...

Creio, Gutierres, que há muitas belas obras promovidas por igrejas evangélicas, algumas das quais nós nem ouvimos falar.

"E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria." (I Coríntios 13:3)

Sos Gospel disse...

Existem muitas coisas boas e muitas coisas ruins tanto na "igreja" rica como na pobre. Mas o importante é o amor como disse o Felipe no comentário anterior.

Matias Borba disse...

Gutierres, fale-me se recebeu meu e-mail, estou com um problema de configuiracao no meu e-mail, e nao sei se o voce recebeu.

Abracos!

Laguardia disse...

Concordo em gênero número e grau. Vemos muitos pastores e igrejas pregar a chamada "teologia da libertação", e como você disse nas igrejas de classe social mais abastadas, chegando ao exagero de dizer que Jesus era socialista.

Há também o chamado "evangelho da prosperidade" que, no meu ponto de vista, nega todos os princípios bíblicos e foi exatamente contra este tipo de coisa que Lutero se revoltou.

Acredito que a Igreja tem sim uma responsabilidade social, mas como diz o post, tem que ser traduzida em ação.

Muitas de nossas instituições de ensino evangélicas também perderam o seu objetivo inicial, o de prover educação para os mais necessitados e levar o evangelho a toda a criatura.

Gostei do seu blog e serei um seguidor.

Sou membro da igreja Metodista do bairro do Planalto em Belo Horizonte, uma comunidade pobre e que tem um programa social para crianças e idosos da comunidade.

Laguardia disse...

Oração Pela Pátria
Leia Mateus 4: 1-10 .... Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória dele e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto.
Jesus Cristo, o Messias, filho único de Deus foi tentado para que abrisse mão de sua missão de salvar o mundo da morte e do pecado em troca de poder, de domínio sobre a terra, em troca de um reino terreno onde teria as todas as riquezas materiais que o mundo podem oferecer.
Hoje também somos tentados desta mesma forma. Somos tentados a abrir mãos de nossos princípios éticos e cristãos em troca de alguma vantagem que nos enchem a vista. O maligno toca sempre no ponto fraco do ser humano, a ganância, a sede de poder.
Temos visto isto com muita clareza ultimamente em nosso país.
Quem já não ouviu falar da lei de Gerson - “O Brasileiro gosta de levar vantagem em tudo”?
Nossos governantes têm se aplicado, e bem, em fazer valer esta lei de Gerson. Todos os dias ao abrirmos os jornais e ouvirmos ou vermos os noticiários nos deparamos com alguém se utilizando indevidamente de recursos públicos em benefício próprio.
Já chegamos ao ponto de achar que tudo isto é natural. Afinal de contas todo o político é desonesto, ou apelamos para a máxima “rouba mas faz”.
Felizmente Cristo resistiu a esta mesma tentação e pagou por nossos pecados na Cruz.
Muitos dirão – Mas Ele é Deus, por isto tem forças para resistir.
Não nos esqueçamos do que Paulo disse em I Coríntios 11: 1 – Sede meus imitadores como eu sou de Cristo.
Resistamos, pois a estas tentações, e vamos exigir de nossos governantes um comportamento honesto, ético e moral. Eles foram colocados lá para servir ao povo e não para usarem de seus cargos em benefício próprio.
Vamos repudiar claramente em nossas palavras e ações as atitudes que são contrárias aos ensinamentos do Mestre. Vamos repudiar a noção que Lula quer repassar que os cidadão que têm “biografia” devem ser tratados de modo diferente dos demais. Afinal de contas nossa Constituição diz que todos somos iguais perante a lei.
Rogo a todos os irmãos que instituam em suas igrejas e em seus cultos domésticos, entre as semanas de 30 de agosto a 12 de setembro, uma jornada de orações pela Pátria Brasileira.
ma jornada de orações pelos nossos governantes, para que Deus lhes toque o coração e os transforme para que trabalhem não em prol de si mesmos, mas em prol do tão necessitado povo brasileiro que os elegeu para servir ao povo.
Este é o desafio que quero deixar com cada um dos irmãos.