quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Seja cristão na urna!

Leia a reportagem da revista ÉPOCA dessa semana. Preste atenção em como nomes "evangélicos" estão respondendo processos na justiça por irregularidades (no bom português: crime). Não adianta um político dito evangélico levantar a bandeira de uma igreja, se ele não vive o Evangelho. Ora, são aproveitadores e pessoas dignas de repúdio daqueles que ainda pensam na importância da ética e moral na vida política, eclesiástica e na vida como um todo. Portanto, não vote em 2010 segundo uma imposição de um líder religioso (isso é corrupção), vote segundo critérios de valores humanos e cristãos. Não seja imediatista, pense no futuro do seu país, do seu Estado e da sua cidade. Seja ético no seu voto! Não vote em quem se diz cristão, sem ser... Seja cristão na urna!


Segue a reportagem em azul.
O partido de Edir Macedo busca a salvação



O presidente do PRB, Vitor Paulo (à esq.), com o senador Marcelo Crivella, o presidente Lula e o vice-presidente José Alencar. Para voltar a crescer, o PRB espera lançar o ex-governador Joaquim Roriz (no detalhe) candidato em Brasília

Na quarta-feira passada, o ex-senador Joaquim Roriz recebeu um convite para ingressar no Partido Republicano Brasileiro ( PRB) e concorrer em 2010 ao governo do Distrito Federal. Depois de renunciar ao mandato de senador ao ser flagrado numa estranhíssima partilha de dinheiro, Roriz perdeu o controle do PMDB brasiliense. O partido se alinhou ao governador José Roberto Arruda (DEM) e ameaça não conceder legenda para Roriz ser candidato na eleição de 2010. O convite a Roriz foi feito pelo presidente do PRB, Vitor Paulo dos Santos, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, com o aval do vice-presidente da República, José Alencar. Roriz espera o desfecho da disputa no PMDB para dar uma resposta ao PRB nesta semana.

Roriz é a nova aposta do PRB, um partido criado em 2003 com outro nome – Partido Municipalista Renovador – para servir como o braço político do bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal. Para fundar o partido, os pastores coletaram mais de 400 mil assinaturas nos templos da igreja em todo o país. Em seu livro Plano de poder – Deus, os cristãos e a política, Edir Macedo afirma que “Deus tem um grande projeto de nação elaborado por ele mesmo e que é nossa responsabilidade apresentá-lo e colocá-lo em prática”. Apesar de os fiéis da Universal serem uma minoria no universo dos evangélicos, Edir Macedo dita regras de como todos devem votar. “Quando se trata dos votos dos evangélicos, estamos diante de dois interesses: o interesse dos próprios cristãos em ter representantes genuínos e o interesse de Deus de que Seu projeto de nação se conclua.”

A cúpula da Igreja Universal resolveu criar um partido em 2003 depois do bom desempenho de seus pastores nas eleições de 2002. Eles elegeram uma bancada de 21 deputados federais e um senador: Marcelo Crivella, do Rio de Janeiro. Mas os problemas logo surgiram. O envolvimento de parlamentares ligados à Igreja Universal em dois escândalos – a venda de apoio ao governo no caso do mensalão e o desvio de verbas destinadas à compra de ambulâncias no caso conhecido como escândalo das sanguessugas – dizimou a bancada na eleição de 2006. Nenhum dos pastores da Universal conseguiu se reeleger. Mesmo tendo o vice-presidente José Alencar como filiado, o PRB só elegeu um deputado federal, o bispo Léo Vivas (RJ). Outros três candidatos da Universal foram eleitos por partidos diferentes. O ânimo da cúpula da Universal com o PRB esfriou.

Também contribuiu para esse fracasso eleitoral um escândalo exclusivo da Igreja Universal. Em julho de 2005, a Polícia Federal apreendeu sete malas em um jatinho fretado pela igreja contendo R$ 10,2 milhões em dinheiro vivo. As malas com o dinheiro estavam com João Batista Ramos da Silva, então deputado federal, pastor e presidente da Igreja Universal e ex-diretor-presidente da TV Record. Enquanto o inquérito tramitou em Brasília, o destino político do dinheiro foi uma das linhas de investigação da PF. Em sua defesa, a Universal afirma que os milhões seriam “doações de fiéis”. Quatro anos depois, o dinheiro continua apreendido, depositado em um cofre da Caixa Econômica Federal em São Paulo, em conta da Justiça. Seis pedidos de restituição feitos pela Universal foram negados em todas as instâncias judiciais.

O bispo Vitor Paulo dos Santos, o presidente do PRB, foi deputado distrital em Brasília e dirigiu a filial da TV Record na cidade. Procurado por ÉPOCA, ele disse, por intermédio de sua assessoria, que só responderia a perguntas formuladas por escrito. Indagado sobre a relação do PRB com a Igreja Universal, ele afirmou que “o partido é laico, portanto não tem nenhuma identificação religiosa”. Não respondeu a perguntas sobre a participação de seu partido no governo Lula nem se era pastor da igreja. Ele negou que seja o sucessor do ex-deputado Carlos Rodrigues (coordenador político da Universal, que renunciou ao mandato em meio ao escândalo do mensalão).

As relações entre o PRB e a Igreja Universal são próximas. Nas eleições de 2006, a Editora Gráfica Universal Ltda., que pertence à igreja de Edir Macedo, produziu material de propaganda para a campanha do senador Marcelo Crivella a governador do Rio de Janeiro e de candidatos a deputado federal pelo PRB fluminense. Na prestação de contas de Crivella, registrada no Tribunal Superior Eleitoral, aparecem pagamentos de R$ 158 mil da campanha do senador à Gráfica Universal.

Dados fornecidos pelo PRB dão a dimensão do partido. Hoje, são filiados ao partido o vice-presidente José Alencar, dois senadores, três deputados federais, sete deputados estaduais, 55 prefeitos e 778 vereadores. Apesar de só ter conseguido eleger um parlamentar em 2006, o PRB, na atual legislatura, chegou a ter quatro deputados federais. Nenhum dos que aderiram, porém, tem ligações diretas com a Universal.

Um deles foi o deputado Walter Brito Neto (PB), cassado pelo Supremo Tribunal Federal por infidelidade partidária por ter trocado o DEM pelo PRB. O líder do partido na Câmara é o deputado Cléber Verde (MA), ligado à igreja Assembleia de Deus. Cléber Verde responde a ação penal no Supremo Tribunal Federal, acusado pelo Ministério Público de inserir dados falsos no sistema do INSS para concessão de aposentadorias, quando exerceu cargos de chefia no instituto. Também aderiu ao partido o deputado Marcos Antônio (PE), cantor evangélico ligado à Igreja Metodista. No Senado, além do bispo da Universal Marcelo Crivella, o PRB ganhou mais uma cadeira com a posse do suplente Roberto Cavalcante (PB), um empresário que é dono da afiliada da TV Record na Paraíba e responde a várias ações na Justiça.


O PRB é um partido que se sustenta hoje politicamente apenas no prestígio do vice-presidente José Alencar. Chegou a ter um ministério com o filósofo Mangabeira Unger no comando da Secretaria de Ações de Longo Prazo. Convertido novamente em professor da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, Mangabeira examina a hipótese de trocar de partido mais uma vez. A confiança na capacidade eleitoral do PRB é praticamente nenhuma, inclusive entre os bispos da Igreja Universal que fazem carreira política. Na Câmara, há nove deputados ligados à igreja – oito estão filiados a outros partidos. Entre eles estão os bispos Eduardo Lopes (PSB-RJ) e Antônio Bulhões (PMDB-SP), envolvidos na denúncia do Ministério Público contra o bispo Edir Macedo e outros dirigentes da Universal, por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, acatada pela Justiça de São Paulo. A falta de perspectiva eleitoral justifica o esforço do PRB de correr atrás de Joaquim Roriz, um campeão de escândalos, mas com um eleitorado fiel na periferia de Brasília.

Um comentário:

Mario Sérgio disse...

Não adianta querer expulsar demônios que estão sobre a nação brasileira, ou atribuir todas as mazelas do nosso país aos espíritos malignos. Enquanto se fizer política da pior qualidade e nessa lógica ajudar a eleger certos elementos, não adianta atribuir ao capeta aquilo que se ajuda a construir. Antigamente se criticava a Igreja Católica por essas práticas. E agora? O que me dizem meus ungidos.