sábado, 26 de setembro de 2009

Lição 13 - A Segurança em Cristo

Subsídio preparado pela Equipe de Eucação CPAD
1 João 5.13-21


O propósito de João de escrever essa epístola foi expresso de forma muito simples: para que saibais que tendes a vida eterna. O evangelho, então, foi escrito para que as pessoas pudessem ter vida e a epístola para que elas soubessem que possuem essa vida. As palavras-chave da epístola são assegurar, confiança, saber e crer, bem como vida, amor e fé.


No versículo 14, João escreve: E esta é a confiança que temos nele. Em três oportunidades, João falou da confiança (parresia): duas vezes em conexão com o Dia do Juízo (2.28; 4.17) e uma vez em conexão com oração (3.21). “Assim mais duas ideias chave da epístola podem ser encontradas nessa recapitulação: ousadia para com Deus e amor fraternal; porque é o amor aos irmãos que nos leva a orar por eles”.


Essa confiança ou “ousadia” que vem do conhecimento de possuir a vida eterna resulta em uma confiança em relação à oração pelos irmãos. Se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. Alguma coisa não se refere a todos os pedidos que fazemos, independentemente de quão apropriados possam ser; esse termo se refere, primeiramente, a qualquer coisa referente à salvação de um irmão (16). Temos aqui a oração intercessora e insistente. Encontramos duas limitações nesse texto: primeiro a oração deve ser segundo a sua vontade. Ela é uma “identificação ativa com a vontade divina, um elevar da nossa vontade ao nível do desejo de Deus, não uma tentativa de persuadir Deus para satisfazer os nossos desejos”. Mas nem sempre é possível conhecer exatamente qual é a vontade de Deus. Nas palavras de Paulo: “não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26). Contudo, em geral sabemos que é da vontade de Deus que todos gozem da vida eterna e tornem-se filhos de Deus.


Em segundo lugar, nossas orações são limitadas por aqueles por quem oramos – os irmãos. Os versículos 15-17 provavelmente se referem basicamente a alguém que pecou inadvertidamente (2.1-2) e por alguma razão persiste nesse pecado. Esse alguém continua sendo chamado de irmão e significa alguém que pertence à comunidade de crentes, mas que ao mesmo tempo, vive na iniquidade(v 17).


João faz uma distinção entre os tipos de pecados – alguns são para morte e outros não são. O pecado para a morte não é um pecado em particular, mas um pecar habitual. Devemos nos desfazer da ideia [...] de que “pecado para a morte” é um pecado que pode ser reconhecido por àqueles que estão próximos daquele que comete esse pecado [...] Ele sugere que alguns pecados podem ser reconhecidos como não sendo pecados “para a morte”: ele não diz nem sugere que todo ‘pecado para morte’ pode ser conhecido como tal.


Cometer o pecado [...] para morte é pecar voluntariamente e se “alguém persiste em pecar, isso acabará levando-o a um afastamento definitivo da vida divina. Há também um pecar que não é para morte. A diferença está na motivação da alma. Isso pode ser ilustrado por um homem em uma escada. Uma pessoa não pode determinar a sua verdadeira condição até que descubra se está indo para cima ou para baixo. Algumas pessoas em pecado estão lutando para sair enquanto que outras permitem afundar-se cada vez mais no pecado. Deus conhece a diferença, e somos assegurados de que Ele dará a vida àqueles que não pecarem para morte (16).


Não há aqui nenhuma sugestão ou implicação de um pecado ou um hábito de pecar que Deus não vá perdoar. João diz que um homem pode afastar-se de Deus e continuar se afastando até que não consiga mais ouvir a Deus; ele pode andar na escuridão até que esteja fora do alcance da luz.


Mas o tópico principal do apóstolo aqui é a oração, a oração intercessora, um corolário próximo do amor fraternal.

Orar assim é orar com fé, pedindo qualquer coisa, tudo pelos irmãos, mas deixando os resultados à vontade de Deus, que sabe o que está acontecendo. E para que não se pense que a incerteza por parte da pessoa que está orando pareça lançar dúvida sobre o fato do pecado ou pareça tratá-lo levianamente, ele diz que toda iniquidade é pecado (17). O pecado também “é iniquidade” (3.4). É melhor que não saibamos o que está acontecendo no coração de um irmão; acabaríamos sendo severos demais ou moles demais com ele. Não cabe a nós conhecer ou julgar. A nós cabe orar. Deus fará o restante.


A fórmula de João para a oração intercessora é ótima: 1) Ore pelos irmãos; 2)Orem em fé; 3)Ore sabendo que Deus ouve você; 4)Ore sabendo que Deus responderá de acordo com a vontade dEle.


Por meio dessa epístola, João continua falando a nós hoje, porque ele anuncia a Palavra viva de Deus. Seu êxito nessa tarefa depende de quão bem ouvimos e de quão bem, sob a orientação de Deus, tornamos a história atual. Amém!



Extraído:

TAYLOR. Ricahrd S. Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

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