terça-feira, 20 de outubro de 2009

Honestidade exegética e os cessacionistas

Leia em itálico um trecho do texto de Vincent Cheung, teólogo reformado, que comenta sobre cessacionismo e a falta de honestidade exegética e hermenêutica:

Recentemente, ouvi um sermão sobre a abordagem bíblica ao crescimento da igreja por John MacArthur. Ele insistiu que os métodos de crescimento de igreja que são baseados em teorias de negócio e marketing são perversos e destrutivos. Antes, ele propôs que os cristãos deveriam retornar a Atos dos Apóstolos, visto que ali o método modelado pelos primeiros discípulos é apresentado. Ele não se referia a algum modelo do Novo Testamento num sentido geral, mas foi inflexível que devemos seguir o Livro de Atos.

Então, no curso do sermão, ele ofereceu cinco princípios que tinha derivado: A igreja primitiva tinha 1) Uma mensagem transcendente, 2) Uma congregação regenerada, 3) Uma perseverança resoluta, 4) Uma pureza evidente, e 5) Uma liderança qualificada. Contudo, qualquer expositor honesto deveria ter adicionado, 6) Um ministério de falar em línguas, curar coxos, ressuscitar mortos, expelir demônios, destruir mentirosos, romper prisões, sacudir casas, amaldiçoar feiticeiros, ter visões, predizer o futuro e realizar milagres. Todas essas coisas são registradas no Livro de Atos, não são?

Sem dúvida, eu não esperava que MacArthur se embaraçasse com a verdade. Sabendo que ele é um cessacionista extremo, esperava uma menção desse item antes de rejeitá-lo, mas nada foi dito. Ele nem mesmo o mencionou. Mas eu pensei que deveríamos retornar ao padrão no Livro de Atos. Qual Livro de Atos ele estava lendo? Esse é o campeão da pregação expositiva que tantos cristãos adoram? Mas eu pensei que a pregação expositiva compeliria o pregador a abordar tópicos com os quais ele não se sente confortável, e apresentar o que ele poderia achar difícil de aceitar. O que aconteceu com isso? [1]

[1] “Cessacionismo e o Falar em Línguas”. Suplemento ao Comentário sobre 1 & 2 Tessalonicenses. Tradução: Felipe Sabino.

2 comentários:

pascásio disse...

Prezado colega,
A propósito do que você postou na terça-feira, 20/10/09, gostaria de comentar o seguinte. Mesmo sendo um crente pentecostal, que acredita na hodiernidade dos dons espirituais, também estou certo de que essas querelas em torno dos carismata, às vezes, podem não ser muito justas, uma vez que elas são dominadas pelas pressuposições dos envolvidos. Excluindo do seu sistema as considerações sobre os dons espirituais, MacArthur revela sua precompreensão deísta da ação de Deus na igreja, mas também o pentecostal é controlado por uma pressuposição pneumocêntrica que chega muito perto de uma glossolalatria. Às vezes se diz (creio que equivocadamente) que o wesen da fé calvinista é a idéia da predestinação. Nenhum crítico, porém, vai contestar a idéia de que, para a fé pentecostal, a glossolalia desempenha um papel central e determinante no seu sistema de teologia e adoração.Não penso que essa posição seja indiscutível. Paulo e Jesus falam de uma teologia do terceiro artigo, mas exaltam o fruto do Espírito ao invés dos dons. Na pregação de Jesus, o exercício de certos poderes espirituais não garante a entrada no reino de Deus. Parece que o fator decisivo é o fruto do Espírito (Gl 5.22,23). O exercício do dom pode não estar relacionado com uma transformação moral (e.g. Lc 10.20). Creio não podemos medir a espiritualidade, competência ou autenticidade da fé de uma pessoa, a partir do seu posicionamento com relação à crença ou descrença nos dons espirituais. Não podemos fazer de nossa precompreensão pentecostal dos dons espirituais uma "cama de procrusto" no qual tudo o mais deva ser mensurado. Não acha?
Pascásio

Tradicionalista disse...

Touché... E me entristece que o Gutierrez insista em posts que critiquem os cessacionistas...