quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Lulismo, Marina Silva e o messianismo evangélico

A visibilidade mundial do grande país emergente sul-americano trouxe para o arraial político fenômenos desagradáveis, de fortes tendências na centralização de um líder. Nesse contexto, o lulismo tem crescido nos últimos anos. O lulismo nasceu com a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. Trata-se de um movimento político, denominado pelo sociólogo e ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, como o “autoritarismo popular”. De modo resumido, o lulismo pode ser definido como um “Estado esvaziado de sentido público, empresas estatais capturadas por uma máquina partidária e empresas semiprivadas geridas por alianças entre grandes empresários e fundos de pensão sob controle de sindicalistas”, como define o professor Demétrio Magnoli. Ou seja, é o germe do autoritarismo.


Sendo um líder forte, o presidente Lula se comporta como um ser especial, sendo um sujeito acima da crítica da mídia, das análises de órgãos fiscalizadores e apresentou a prepotência, por duas vezes, de se comparar a Jesus Cristo. Lula é, resumindo tudo, um ser messiânico. Os messias acreditam na missão especial de remir a nação pelos muitos anos de atraso, sendo eles mesmos o sinal do progresso. A ideia messiânica de Lula está bem expressa na frase “nunca antes na história deste país”.


Lula não é o primeiro presidente messiânico do Brasil, o salvador da pátria. Getúlio Vargas, Jânio Quadros e Fernando Collor também exerceram expressões de salvadores. A boa notícia é que a alternância de poder não deixa que esses governantes levem a sério uma ideia ridícula de messianismo. Agora, alguns solapando a democracia, procuram minar a liberdade pelo autoritarismo, como o caudilho venezuelano Hugo Chávez. Esse também se apresentou como um salvador.


Marina Silva messiânica?


A pré-candidata Marina Silva tem evitado a tudo custo um discurso messiânico. Dessa forma, é elogiável a atitude dela. Agora, muitos de seus defensores, em entrevistas e artigos, já cercam a senadora com elogios típicos de utópicos ingênuos. Portanto, certamente será bem ruim se Marina Silva não evitar uma campanha política cercada de sonhadores nas nuvens. Aliás, o messianismo já é tão forte, que seus admirados a chamam de Barack Obama brasileira.


Como os evangélicos brasileiros ainda tem uma alma católica, cercada de ídolos e grandes líderes, certamente o discurso de um presidente sob a bênção de Deus cercará a campanha eleitoral. Tanto o primeiro, como o segundo messianismo são horríveis. Leio na Bíblia que Deus deu uns para “apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores”, mas não presidente. Esse ministério “eclesiástico” não existe. Portanto, nenhum messianismo pode ser criado em torno de Marina Silva. E que a nobre senadora mantenha a postura.

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