terça-feira, 10 de novembro de 2009

Muro de Berlim, a queda de um sistema perverso

Nessa segunda-feira, por falta de tempo, nada pude escrever sobre os 20 anos da queda do Muro de Berlim. Depois desse evento, consolidado pelo fim da URSS dois anos depois, o mundo ficou melhor. Infelizmente, ainda não alcançamos a consolidação da democracia liberal, idealizada pelo filósofo americano Francis Fukuyama, mas certamente hoje temos um planeta mais democrata e economicamente mais rico. Milhões de pessoas saíram de regimes totalitários, e assim puderam pela primeira vez desfrutar de liberdade. Liberdade, inclusive de religião. Muitos passaram a ouvir pela primeira vez os testemunhos da Palavra de Deus.


No dicionário totalitário, as palavras demagogia, populismo, nacionalismo extremado e “vontade popular” se combinam para minar a liberdade de escolha e pensamento. Nesses ambientes, é impossível exercer a fé cristã em paz completa, pois o verdadeiro cristianismo sempre exaltou somente um único Deus, e nunca colocou o Estado acima de todas as coisas. Os cristãos não adoravam Jesus e César ao mesmo tempo, e por isso foram duramente perseguidos. Assim, na antiga Alemanha Oriental, URSS e ainda hoje na Coréia do Norte, China, Cuba e Vietnã e nos países mulçumanos, os cristãos são perseguidos, em menor ou maior escala, pelas ditaduras que não veem com bons olhos uma religião que não exalta o Estado ou a teocracia local.


O filósofo e teólogo Francis Schaeffer lembrava que o cristianismo é incompatível com o totalitarismo, pois são choques de absolutos:


Nenhuma autoridade totalitária ou Estado totalitário pode tolerar os que têm um referencial teórico absoluto, de acordo com o qual avaliam aquele Estado e suas ações. Os cristãos tinham este absoluto, de acordo com o qual julgam não somente questões de moral pessoal, mas também o Estado. [1]


Infelizmente não é muito difícil achar cristãos, influenciados por ideologias atrasadas do Século 19, que ainda defendem essas ditaduras sanguinárias. Recentemente, o ex-padre Miguel d'Escoto chamou Fidel Castro de “o melhor discípulo de Jesus" (sic). Um grande admirador do sem noção Miguel d'Escoto, é o teólogo preferido da turminha progressista evangélica, Leonardo Boff.


Para essa turma de progressistas, incluindo aí, muitos nomes respeitados, a Alemanha Oriental era um avanço moral, pois não apresentava consumismo e todos viviam de modo igualitário. Assim, justificam a violência e o poder excessivo de um Estado brutal, burocrático e oficialmente anticristão. Talvez, o cristianismo seja a única religião do mundo onde os próprios adeptos alimentem os seus próprios inimigos. Democracia é o valor cristão, pois lembra muito bem o papel de cada membro do corpo (I Co 12).


Referência Bibliográfica:

[1] SCHAEFFER, Francis. Como Viveremos. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2003. p 17.

6 comentários:

Mario Sérgio disse...

Parabéns pela postagem e comentário sobre esse grande acontecimento, o qual tive a oportunidade de acompanhar pela televisão em 1989. É uma pena que agora a ditadura de mercado capitalista se impôs sobre as pessoas que pensaram, um dia estarem libertas de um regime totalitário. Infelizmente essa ditadura é mais sutil e ideológica que a outra.

Daladier Lima disse...

O duro é pensar que o Papa foi o fator de derrubada do muro, como defendem alguns. Parabéns pela pertinência do post.

Abraços!

Matias Heidmann disse...

Tendo em vista o comentário do Daladier, o papa Joao paulo II teve uma certa influencia na queda do regime comunista na Polônia quando apoiou o então sindicalista Lech Walessa. Na Alemanha Oriental houve uma revolução pacifica, que começou com o abrigo de alemães orientais na embaixada alemã ocidental na Hungria. Muitos pastores alemães orientais lideraram encontros e manifetações pacificas contra a ditadura de Honnecker e sua tropa corrupta. No final, o 1. ministro soviético Gorbatchov sinalizou que não mais apoiaria a ditadura alemã oriental e o tempo da mudança tinha chegado. Já sabia ele que o sistema estava falido, Assim Deus soberanamente usou ferramentas humanas diversas (ateus, católicos, evangélicos, pastores e papa, politicos) para que o muro da vergonha finalmente caísse, simbolizando assim, a união não apenas da Alemanha, mas de uma Europa dividida. Hoje países como Rep tcheca e Polonia fazem parte da CE.
A atual chanceler da Alemanha, Dra Angela Merkel, é alemã oriental e filha de pastor.
Abraços.
Matias

Anônimo disse...

Caro irmão, paz e bem!

Primeiramente, concordo que o cristianismo é incompatível com qualquer regime que tenha como pressuposto teórico obediência irrestrita. Como cristãos, nossa adoração deve ser voltada apenas a Deus.

Agora, me perdoe, mas o livre mercado, tão celebrado pelos irmãos liberais, também exige culto e adoração! Assim como as várias ditaduras autoritárias, tanto de esquerda como de direita, o liberalismo econômico também solicita louvor e adoração. O deus dinheiro, o deus do mercado idolatrado que não pode ser contestado levou boa parte do mundo a sua maior crise desde 1929.

Agora, me perdoe, não sei qual a base usada pelo irmão para afirmar que o liberalismo econômico levou o mundo a uma situação de maior igualdade sócio-econômica. Todos os dados da ONU desmentem esta informação. É notório que o abismo que separa ricos e pobres cresce a cada dia. Tanto o comunismo stalinista como o capitalismo liberal são duas pragas, faces da mesma moeda, pois, de forma diferenciada, pregam o amor ao dinheiro.

Agora, não sei como que o senhor Francis Fukuyama pode ser exemplo para um cristão! Um cidadão que afirma, melancolicamente, que chegamos ao fim da história, deve ser execrado por crentes! Afinal, como aceitar sua tosca teoria do fim da história, se nós, cristãos, somos, teologicamente, seres escatológicos!

Liberais são engraçados, pregam o estado mínimo, mas quando tudo desmorona, vão correndo, com o pires na mão, solicitando o auxilio do “demônio” estado! Ora bolas, poderiam ser coerentes com sua ideologia, deixando que o santo e inerrante mercado resolvesse tudo por si. Agora, imaginem como o mundo estaria após a crise do ano passado se tal receita fosse seguida !

Assim como o marxismo ortodoxo é uma ideologia falida, o liberalismo também o é. E, digo mais, é tão mal, carniceiro e despótico como o comunismo, pois mata, aprisiona e tolhe liberdades de outra forma.

Finalizando, é triste como os cristãos conservadores gostam de apreciar o mundo de forma dicotômica. Ou se é liberal, ou comunista ateu apreciador de crianças ao molho pardo! Nunca citam nada a respeito da verdadeira social-democracia, do anarquismo, do marxismo revisado da Escola de Frankfurt e etc..

O mundo se divide em dois blocos; o abençoado EUA e o demonizado leste-europeu. Não existem paises como Suécia, Noruega, Islândia, França e etc...

Finalizando, longe de querer defender o regime cubano, é bom que fique claro que, no presente momento, a ilha goza de completa liberdade religiosa. Desde 1997, cristãos são admitidos como membros do Partido Comunista. O crescimento da Igreja Evangélica é notório, sendo que lideres graduados do PC Cubano participam de atos oficiais promovidos pela igreja cubana. Neste ano, comemorando os 500 anos do reformador João Calvino, uma estátua do mesmo foi inaugurada em uma praça central de Havana. O prestigioso Seminário Evangélico de Matanzas, passa por seu melhor momento. Obtive parta destas informações em conversa particular com o reverendo Reinerio Arce Valentin, moderador da Igreja Presbiteriana Reformada de Cuba, que esteve, no último domingo, pregando em minha igreja.

Abraços
André Tadeu

Gutierres Siqueira disse...

André Tadeu, a paz!

Seu comentário enriqueceu o debate. Vamos aos pontos:

“ Agora, me perdoe, mas o livre mercado, tão celebrado pelos irmãos liberais, também exige culto e adoração! Assim como as várias ditaduras autoritárias, tanto de esquerda como de direita, o liberalismo econômico também solicita louvor e adoração. O deus dinheiro, o deus do mercado idolatrado que não pode ser contestado levou boa parte do mundo a sua maior crise desde 1929”.

- A avareza é realmente um pecado contra Deus e o próximo. Agora, é possível ser um liberal econômico sem necessariamente defender alguma forma de avareza. O livre mercado não é perfeito, mas é o melhor dos modelos. Parafraseando Winston Churchill, vejo que “o liberalismo é a pior forma de economia, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos".

“Agora, me perdoe, não sei qual a base usada pelo irmão para afirmar que o liberalismo econômico levou o mundo a uma situação de maior igualdade sócio-econômica. Todos os dados da ONU desmentem esta informação. É notório que o abismo que separa ricos e pobres cresce a cada dia. Tanto o comunismo stalinista como o capitalismo liberal são duas pragas, faces da mesma moeda, pois, de forma diferenciada, pregam o amor ao dinheiro.”

- O liberalismo busca igualdade? Não, isso não. Liberais acreditam na meritrocacia. O importante é abrir oportunidades pela educação e abertura de novos mercados. Veja a China (que é agora capitalista, mas não liberal) que tirou mais de 400 milhões de mais absoluta miséria e criou uma classe média poderosa. Daqui alguns anos, essa classe média(cada vez mais crescente) pressionará pela democracia. Hoje, há mais países democráticos e emergentes, do que nos anos 70, e o nosso Brasil é exemplo disso.

“Agora, não sei como que o senhor Francis Fukuyama pode ser exemplo para um cristão! Um cidadão que afirma, melancolicamente, que chegamos ao fim da história, deve ser execrado por crentes! Afinal, como aceitar sua tosca teoria do fim da história, se nós, cristãos, somos, teologicamente, seres escatológicos!”

- O “fim da história” de Francis Fukuyma era uma mera crença de que a democracia liberal ocidental cresceria de modo a espalhar para todo o mundo. Fukuyma sonhava com isso, e que bonito sonho não concretizado, infelizmente. Agora, vemos um capitalismo de mercado (vide EUA), um capitalismo social-democrata (vide Suécia) e um capitalismo de estado (vide China). O capitalismo de estado é o pior, apesar da riqueza, esse reprime as liberdades, pois os empresários fazem parte da classe política monopolizada.

Infelizmente, essa “capitalismo de estado chinês” tem sido exportado para outras nações, como o Brasil.

(Continou o assunto em breve)

Anônimo disse...

realizações do comunismo pelo mundo
1)estupro de 5.000.000 de mulheres pelos comunas(comunistas)
2)assassinato de 100.000.000 de pessoas pelos comunistas
só isso é o suficiente para mostrar que comunismo não presta