terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Leonardo Boff, Frei Betto e o apoio assassino

Os teólogos Leonardo Boff e Frei Betto são admirados em muitos circuitos evangélicos. Muitos recebem os ensinos desses teólogos como a melhor versão da teologia cristã. Outros, nacionalistas de carteirinha, abraçam as ideias de Boff e Betto pelo simples fato de serem brasileiros. Ainda há aqueles que estão empenhados na “contestação” e revisão constante de suas verdades, portanto, admiram esses nomes como forma de subversão.


Ideias implicam em ações. Nesse sentido, Boff e Betto lutam em favor de suas convicções. Ambos defendem a visão marxista de mundo, e os governos que aplicam políticas de esquerda ou extrema esquerda. Convictos como são, esses teólogos não ficam somente no campo da retórica ou literatura, mas militam em favor desses ideais. Não raro, aparecem pela mídia desfilando cada ponto da agenda política que adotam.


No jornal O Globo, edição de 24 de novembro, página 2, na seção Panorama Político: “O frei Leonardo Boff escreve sobre o caso Battisti: ‘Sinto orgulho, como brasileiro, por uma pessoa da qualidade do ministro Tarso Genro. Sua argumentação é irrefutável e sempre respeitosa’”[1]. Nesse caso, Boff está elogiando o ministro da justiça, Tarso Genro, que defende a anistia para Cesare Battisti. Battisti é um terrorista italiano que integrou os Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). O terrorista é acusado de assassinatos e assaltos, praticados na década de 1970, quando a Itália já era um Estado Democrático de Direito.


Boff não é o único a defender assassinos que coadunem com a sua ideologia. Frei Betto já declarou em um periódico cubano que Che Guevara era uma espécie de santo: “No Evangelho, Jesus diz que ninguém tem mais amor do que aquele capaz de morrer pelo próximo. Nesse sentido, Che foi um santo”. Não é nem preciso afirmar que Che era um dos assassinos mais cruéis do regime ditatorial cubano [2]. Aliás, ambos admiram Fidel Castro e seu regime, que matou quase 100 mil cubanos, segundo consta nos dados da ONG Anistia Internacional. Betto, por exemplo, ajudou a escrever a constituição de Cuba.


Apoiar assassinos não condiz com o cristianismo


Um fato curioso é que os apoiadores de terroristas sanguinários são os mesmos que vivem falando de “justiça social”, “amor”, “encontro com o divino” etc. Como lembra o filósofo Luiz Felipe Pondé, esses “progressistas” amam a humanidade, mas detestam o indivíduo [3]. Usando uma linguagem suave, escondem tendências totalitárias. Frei Betto, por exemplo, afirma que a blogueira cubana Yoni Sanchéz é uma “agente do imperialismo” que tenta derrubar o governo do povo. Sanchéz está sendo sistematicamente perseguida pelo regime por suas “ações antirrevolucionárias”. Essas ações constituem em escrever um blog apontando os problemas de Cuba.


Os evangélicos admiradores desses teólogos logo argumentarão: “Os cristãos fundamentalistas norte-americanos apoiaram a Guerra do Iraque”. Ou seja, nessa moral tentam justificar o erro pessoal apontando o erro alheio. Diferente de Cuba, os Estados Unidos desfrutam de uma democracia, que internamente faz uma constante revisão de suas ações. Os americanos acharam que o governo Bush foi mal, então elegeram Obama. Se Obama não agir bem na visão dos seus eleitores, certamente não ganhará a reeleição. Isso acontece em um país que respeita as instituições democráticas e a própria democracia.


Conselho


Caro estudante de teologia. Não busque parecer cult ou politicamente correto. Use o seminário para estudar as Sagradas Escrituras, e não para alimentar ideologias com o Evangelho. Não queira parecer inteligente só porque sabe citar Boff ou Betto, pois isso não é necessariamente um sinal de inteligência!


É claro que para os progressistas fundamentalistas, o simples ato de contestar os ícones são sinais de “imperialismo, conservadorismo, direitismo, reacionarismo, fidelização do capitalismo e alinhamento com o capeta”. Tal pensamento acontece em mentes estreitas e definhadas por ideias mortas do século retrasado.


Referências Bibliográficas:


[1] DANIEL, Silas. Leonardo Boff continua admirando terroristas. Rio de Janeiro: Verba volant scripta manent, 2008. Disponível em: < http://silasdaniel.blogspot.com/2009/12/1-mentiras-escondidas-de-voce-2.html> Acesso em: 21 dez. 2009.

[2] Leia reportagem da revista Veja, Edição 2028 de 3 de outubro de 2007. http://veja.abril.com.br/031007/p_082.shtml

[3] PONDÉ, Luiz Felipe. Pequeno Ensaio sobre a Devastação. Dicta & Contradicta. São Paulo, n. 4, p 92- 97. Dez. 2009.

11 comentários:

Carlos Xavier disse...

Meu Caro, se vc usar o mesmo critério deste post para falar de Calvino e tantos personagens bíblicos que "mataram em nome de Deus", o que dirá?
Não concordo com a frase do Boff em relação ao Che(a quem admiro), mas tbém, sua crítica é reacionária.
Ponha um pouco da Graça de Deus na sua crítica e tire a venda de seus olhos quando olhar para o nosso segmento evangélico, cada dia mais empresarial.
Fique na paz!
Pr. Carlos
www.falapc.com

Gutierres Siqueira disse...

Caro pastor Carlos,

Nesse post eu não estou proibindo ninguém de estudar os escritos de Leonardo Boff, Frei Betto ou outros expoentes da Teologia da Libertação. Aliás, quem sou eu para proibir alguma coisa? O que não pode acontecer é o recebimento acrítico dos postulados defendidos por eles. Sendo esse o meu conselho. Na verdade, Betto e Boff são ideólogos na função de teólogos. Leio Boff, aproveito alguma coisa, mas não sou cego. Ontem mesmo assisti um vídeo de uma conferência com o Leonardo Boff, ouvi alguma coisa útil, mas ouvi muita besteira, principalmente no aspecto político e econômico. Ora, são eles reprodutores de vários chiclês, expressando um terceiro-mundismo que justifica o populismo demagogo que atrasa o desenvolvimento econômico (que puxa o social). Veja o exemplo da Venezuela, a demagogia do protoditador Hugo Chávez justica as mazelas pelas quais o povo tem passado. Não é à toa que esses teólogos apoiam Chávez, Morales e os irmãos Castro.

Ah, também, se você passear mais pelo blog, logo verá que aqui há vários post denunciando o mercantilismo evangélico. Aqui eu não apoio as mazelas da Confissão Posivita e o triunfalismo que invadiu as igrejas pentecostais. Assim também, não tento justicar os grandes erros de Calvino, na sua gestão de Genebra (exemplo claro das mazelas provocadas pela associação entre Igreja e Estado). A grande revolta anticalvinista de alguns teólogos não é sincera, pois não fazem uma crítica daqueles que eles adimiram.


Abraços!

Gutierres Siqueira disse...

Só uma correção em relação ao comentário anterior.

Lembrando pelo meu amigo Matias Heidmann, não foi correto chamar João Calvino de “gestor de Genebra”, pois o reformador francês fez parte de um conselho da cidade, não sendo um gestor (representante do executivo) como conhecemos em nossos dias.

Conforme escreve Sérgio Paulo Ribeiro Lyra, Genebra era uma cidade gerida pelos concílios:

“Genebra era também conhecida como a ‘cidade dos concílios’. Os membros desses concílios eram eleitos pelo povo e tinham a finalidade de exercer tanto o poder executivo quanto o legislativo e judiciário. Os concílios eram em número de quatro: o concílio de 4 síndicos sendo este o que exercia a função executiva; o concílio menor que incorporava os 4 síndicos e mais 21 outros membros; o Concílio dos 200, composto por 200 cidadão eleitos; e o concilio geral, também conhecido como ‘Bourgeoisie’, composto por todos homens nascidos de Genebra e chamados de ‘Citoyen ‘”

Mesmo assim, Calvino exerceu grande influência na cidade, na sua tentativa de legislar moral. Estudiosos divergem se Calvino apoiava ou não o casamento entre Igreja e Estado. Idependente do pensamento do reformador, ele na prática misturou as duas coisas. Como lembra André Biéler , autor do livro “Pensamento Econômico Social de Calvino” também compartilha dessa ideia ao enfatizar que para Calvino "O Estado não é, pois, um mal necessário, mas um instrumento da providência divina".

zwinglio rodrigues disse...

Pr. Carlos Xavier, paz!

Os lembretes de Gutierres nesse "post" são merecedores de atenção... assim como os seus...
.
Abraços!

André Amaral disse...

Texto tipico de direitista :)

Gutierres Siqueira disse...

Grande André Amaral,

Nesses debates é muito comum a adjetivação. Diz-se: “O autor do texto é um direitista”. E pronto. Não há argumentação, mas sim um reducionismo incrível. Os esquerdistas, em lugar de argumentarem honestamente cada ponto apresentando em muitos textos escritos por aí, preferem reduzir os autores em adjetivos que soam pejorativos no Brasil, como “conservador” ou “direitista”. É simplesmente falta de honestidade intelectual. Não estou dizendo que foi o seu caso, pois parece mais uma brincadeira, mas vemos isso diariamente.

Abraços e feliz Natal.

Lucivaldo de Paula disse...

muito bom comentário meu querido Pr.Gutierres,lhe admiro muito Deus abençoe a sua familia e que no ano de 2010 o seus objetivos sejam realizados. Apaz do Senhor!

Anônimo disse...

Parabéns Gutt. Vc é 10!

Anônimo disse...

A HISTORIA DA HUMANIDADE É REPLETA DE LIDERES (DIREITISTA OU ESQUERDISTA) QUE MORRERAM NÃO PELA HUMANIDADE, MAS EM DEFESA DA BUSCA PELO PODER DÉSPOTA E GANANCIOSO.
FIDEL, CHE, PINOCHETTI, ALIENDI, FRANCO, BUSCH.... QUAL A DIFERENÇA?
TODOS CORRUPTÍVEIS, VISAVAM APENAS O PODER HUMANO, E SÓ. UNS MORRERAM OU LOGRAM EXITO.
NÃO PODEMOS MESSIANIZAR ESSAS CARICATURAS DE MÁRTIRES.
MALDITO É O HOMEM QUE CONFIA NO HOMEM, DIZ A BIBLIA.
QUANTO AO TEXTO, VEJO UMA ANOTAÇÃO EQUILIBRADA E EQUIDISTANTE DO TEMA.
OTIMA REFERENCIA.

Anônimo disse...

Parabéns pelo artigo. Sou católico e fiquei feliz com a lucidez do irmão evangélico. Boffs, Betos...são apóstatas, hereges, ex comungados, gente que nada tem a acrescentar ao cristianismo. Por onde passam só trazem confusão. Acrescento que muito da simpatia de evangélicos por estes homens se deve ao fato da oposição que estes fazem ao catolicismo. Quem não pensa acaba escolhendo os amigos errados. Estes evangélicos deveriam perguntar-se o que estes homens fizeram de tão grave para deixarem os quadros da igreja.

Anônimo disse...

Concordo. Como católico também atesto que esta gente não contribui em nada com a causa do evangelho. Evangélico que admira este pessoal não pode ter parte no reino. Eles são anti igreja.