domingo, 13 de dezembro de 2009

O arrebatamento do apóstolo Paulo e os arrebatamentos contemporâneos (Parte 01)

O apóstolo Paulo é conhecido por sua vasta erudição, sendo um homem que foi capaz de dialogar com reis, filósofos e sacerdotes. Além disso, Paulo era um homem piedoso, sendo uma pessoa que teve experiências marcantes na sua vida e ministério. No apóstolo dos gentios não havia separação entre cabeça e coração, fé e razão, Bíblia e oração, teologia e piedade. Ele era incapaz de criar tais dicotomias. Um das maiores experiências espirituais do teólogo Paulo foi um arrebatamento ao paraíso (Leia I Co 12. 1-10).


Antes de analisar exegeticamente esse texto, é necessário marcar alguns pontos. No contexto pentecostal há excessiva valorização das experiências em detrimento da análise e da reflexão. Exemplo disso é o grande tempo dispensado no culto para testemunhos ou histórias que envolvem sonhos, visões, profecias e livramentos divinos. A experiência é em si importante, mas não no patamar prioritário que muitos ministérios consideram.


Experiência


Falando do contexto político, o jornalista Reinaldo Azevedo escreveu que “a experiência ilustra o pensamento, provoca-o, informa-o, convoca-o a avançar. Mas não o substitui” [1]. Tal princípio também serve para a teologia. A experiência pessoal ilustra o pensamento teológico, provoca a reflexão doutrinária, informa as complexidades dos estudos sobre o divino, convoca a avançar, mas não substitui a própria Bíblia, que é a fonte de todo o conhecimento teológico.


Quando o famoso avivalista Jonathan Edwards pregava o famoso sermão “Pecadores na Mão de um Deus Irado” [2] muitas pessoas caiam, pois sentiam o próprio inferno sob suas pernas. Ora, que bela e tremenda experiência. Mas não passa disso: uma experiência temporária e específica daquele momento (redundância necessária). Não lemos que isso se repetiu em todos os sermões de Edwards. E nem que o avivalista americano ensinou tal experiência como padrão para pregadores.


O brasileiro, com sua raiz ibérica (Portugal), indígena e africana; sofre com o pensamento baseado no privilégio imediatista, na indolência e na crença mágica, que resolve todos os problemas em um toque [3]. Mesmo o menos religioso sempre sonha que ganhará na loteria. Nesse sentido, pregações que focam experiências mágicas e bem sucedidas fazem um tremendo sucesso debaixo da linha do Equador.


Teologia empirista


Constitui-se em uma verdadeira tragédia a “teologia empirista”. Empírico é o saber que resulta da experiência. Muitos pentecostais, neopentecostais e teólogos ditos liberais construíram sua teologia baseada na experiência. Os primeiros determinaram suas crenças pelo estado de graça que furtivamente irrompia na vida religiosa, enquanto os segundos determinaram suas crenças no curso cotidiano da vida. Daí nasceram justificativas para liturgias exóticas e teologias de minorias (teologia negra, teologia feminista, teologia verde, teologia do pobre) etc.


Teologia empirista é esoterismo e não cristianismo. Conhecimento empírico ainda serve para poetas e místicos, mas não para mestres da Palavra de Deus. O saber bíblico que deve julgar a experiência, e nunca o contrário. A fé cristã é racional, sem ser racionalista; é analítica, sem ser cética.


“Eu creio em milagres”


Arrogantemente alguns interpretam que lutar contra o empirismo na construção teológica é o mesmo que o desprezo da experiência na vida cristã. Não, não é. Experiência faz parte da vida. Uma oração especial, um alívio após intercessão, um milagre, um choro de alegria, um louvor que conduz ao choro... Tudo isso é experiência que não pode ser normatizada, mas quem passa por elas jamais esquece. E como é bom para o cristão esses momentos. Não se vive em um mundo deísta, pois Deus se relaciona pessoalmente com seus filhos.


Também, tal embate não deve levar a pensar que é uma forma de minimizar a soberania de Deus. Sim, Deus faz o que Ele bem quer, mas o Senhor não se contradiz. Sim, Deus pode fazer qualquer coisa, mas Ele não escolhe fazer tudo. Há uma coerência nas escolhas do Senhor. Se Ele mesmo determina algo em sua Palavra, jamais vai contrariar a mesma.


Esse artigo continua na segunda parte, onde teremos uma análise exegética do texto de II Co 12.1-10.


Notas e Referências Bibliográficas:


[1] AZEVEDO, Reinaldo. Máximas de Um País Mínimo. 1 ed. São Paulo: Editora Record, 2009. p 70.


[2] Leia o sermão na íntegra: http://www.luz.eti.br/jedwards_sinners_pt.html


[3] Baseado nesse caldeirão cultural é possível afirmar que o brasileiro já era um pós-moderno na pré-modernidade. Sendo assim, influenciados fortemente pelo catolicismo popular (messiânico, mágico, extremamente hierárquico e conservador nominalmente) os brasileiros não passaram pela fase da modernidade racionalista iluminista.

4 comentários:

estevao disse...

Gutierres,nao poste esse comentário mas o texto citado não 2Cor 12: 1-10 não? Vc colocou 1Cor...

Pr Alessandro Garcia disse...

(ASSUNTO EM ANEXO)
ACHEI ESTE COMENTÁRIO MUITO IMPORTANTE. O IRMÃO PODE COMENTAR?

BÍBLIA DAKE SERÁ RECOLHIDA

Foram encontradas diversas heresias nos comentários que chocam com as doutrinas bíblicas

Assim que tomou conhecimento dos erros doutrinários contidos na Bíblia de Estudo Dake, editada e distribuída pela CPAD – Casa Publicadora das Assembléias de Deus em parceria com a Editora Atos (SP), o presidente da Convenção Geral, pastor José Wellington Bezerra da Costa convocou os membros do Conselho de Doutrina e da Comissão Apologética para examinarem seus desvios doutrinários.
Foram encontradas diversas heresias nos comentários que chocam com as doutrinas bíblicas

O presidente do Conselho de Doutrina pastor Paulo Roberto Freire da Costa e pastor Esequias Soares da Silva, da Comissão de Apologética e demais membros componentes destes órgãos se reuniram na sede da CGADB, no dia 18 de novembro, juntamente com representantes da Casa e deliberaram sobre o assunto.

Dentre os erros que os comentários apresentam o pastor Esequias Soares, mostrou um exemplo numa das assertivas de Dake: “Um Deus com corpo físico, tangível, com corpo, alma e espírito limitada que não pode ocupar dois lugares ao mesmo tempo, como qualquer ser humano”.

Pastor Esequias, explica que este e outros desvios doutrinários encontrados nestes comentários “são resultantes de interpretações literais de linguagens figuradas nas inúmeras passagens bíblicas das manifestações antropomórficas e momentâneas que Deus fez de si mesmo e das declarações também antropomórficas registradas na Palavra de Deus” O pastor Paulo Freire explicou que não há como suprimir idéias do autor pois “trata-se de um pensamento que norteia todo o texto e não se tratando de casos isolados”

Eles decidiram orientar a editora a suspender imediatamente a venda da Bíblia de Estudo Dake e também que seja feita a recolha das que ainda não foram vendidas.

Fonte: http://www.adcamp.org.br/

Eduardo disse...

Que ar que se respira aqui!! Que ar!!!
Vocês acabam de ganhar um leitor assíduo!


Paz!

davi magno evangelista disse...

S