sábado, 19 de dezembro de 2009

O nojento apoio do governo brasileiro aos países totalitários

Leia reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, na edição desse sábado. Comento no final.

Brasil se abstém de votar contra Irã e Coreia

Adriana Carranca

A Assembleia-Geral das Nações Unidas aprovou ontem duas resoluções contra a violação de direitos humanos no Irã e na Coreia do Norte. Em ambas, o Brasil se absteve, sob o argumento de dar prioridade ao diálogo e cooperação à pressão sobre os países. Com projeção cada vez maior no exterior e prestes a assumir, em 2010, uma vaga rotativa no Conselho de Segurança da ONU, o Brasil está na mira dos países democráticos e entidades internacionais.

Eles exigem uma posição mais firme do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra a tortura, prisões arbitrárias, execuções extrajudiciais e a falta de liberdade e Justiça da qual Irã e Coreia do Norte são acusados. "As abstenções são inaceitáveis. Mostram a tendência cada vez mais clara de que o Brasil não quer se posicionar sobre a violação dos direitos humanos em países específicos", diz a coordenadora de relações internacionais da organização Conectas Direitos Humanos, Lucia Nader.

No discurso, o Brasil reconhece as violações, mas prefere levar o debate para o Conselho de Direitos Humanos (CDH). "Temos privilegiado a revisão periódica dos países no CDH", disse ao Estado um a fonte do Itamaraty em Brasília. Esse ano, porém, o Brasil também se absteve de votar em uma resolução do CDH sobre violações na Coreia do Norte.

As acusações contra o Irã referem-se, principalmente, ao período após as eleições presidenciais, em junho, em que o presidente Mahmoud Ahmadinejad conseguiu um segundo mandato. Partidários do reformista Mir-Hossein Mousavi foram às ruas protestar contra possíveis fraudes. O governo respondeu com prisões sem julgamento, perseguição aos meios de comunicação e detenção de funcionários de embaixadas, segundo o texto da resolução a ONU.

O documento cita a condenação de menores de 18 anos à pena de morte e a perseguição de ativistas, jornalistas e advogados como violações permanentes no Irã e refere-se à minoria Baha"i, que teve sete líderes presos entre março e maio de 2008. "Aceitamos a soberania dos países, mas os direitos humanos não podem ser relativizados", diz Flávio Rassekh, representante da fé Baha"i em São Paulo.

A votação de uma terceira resolução, contra Mianmar (ex-Birmânia), prevista para ontem foi adiada. A tendência é a de que o Brasil se abstenha de novo, mantendo seu voto na comissão da ONU onde as resoluções foram aprovadas antes de levadas à Assembleia-Geral. A polêmica política de abstenção do Brasil deu-se em votações anteriores sobre violações de direitos humanos na Bielo-Rússia, Chechênia, China, Congo, Sri Lanka e Sudão.

Comentário:

Fico com nojo da política externa brasileira. Lembro para vocês que em todos esses países milhares de cristãos têm sido mortos. O Brasil, nas figuras diplomáticas do governo, apoia por meio do silêncio essas nações que massacram o próprio povo. Caros cristãos, que vocês possam levar em conta esses fatos nas eleições no próximo ano!

2 comentários:

Mario Sérgio disse...

É uma contradição mesmo! Enquanto o governo federal se diz defensor dos mais pobres e dos direitos humanos (principalmente das minorias), por outro lado tem atitudes diplomáticas como essas. Temos que cobrar coerência!

Matias Heidmann disse...

No Irã (citando um caso atual), o brasil vê grandes oportunidades de negócios (derivativos de petroleo e alimentos). Principalmente quando o mundo ocidental fecha-se para esta nação, o Brasil, oportunamente, quer aproveitar a "chance" de mercado. Está de fato alimentando um país totalitário, injusto e perigoso. E antisemita! E o Brasil ainda terá que enfrentar a fúria do mundo ocidental quando o Irã tornar-se uma ameaça real devido a loucura dos seus dirigentes (não do seu povo, que é altamente instruido...)
O Brasil mostra que não está ainda maduro para assuntos exteriores (vd. atitude em Honduras), mas será que só o Brasil é "nojento".
Por exemplo, todos os países continuam fazendo grandes negócios com a China... esta boquinha ninguem quer perder, apesar que é um país que tem uma industria com mão de obra escrava, persegue brutalmente cristãos, é totalitário e tambêm é uma ameaça mundial... espere apenas o grande milagre economico passar. O "nojento" apoio não é apenas marca do nosso governo... todos países são culpados de nojento apoio: a questão é apenas de ordem economica. O Brasil tem mais para oferecer a certos países (comida, por exemplo) do que as nações europeias ou os EUA. Mas o exemplo CHINA mostra claramente que apoio não tem nada a ver com ideologia ou ética, mas apenas com o fator dinheiro e oportunidades de negócios.
Então devemos cobrar coerencia de todos os governantes. Que governantes não são coerentes foi demonstrado em Copenhague na semana passada. Continuemos destruindo o nosso planeta para hoje ganhar dinheiro para investir em um mundo futuro que não mais existirá para os nossos netos...