sábado, 31 de janeiro de 2009

Dons e seu exercício

Muitos de nossos erros nas áreas onde estão envolvidos os dons espirituais surgem quando queremos que o extraordinário e o excepcional sejam transformados no freqüente e no habitual. Que todos que desenvolvem desejo excessivo pelas “mensagens” transmitidas por meio dos dons possam aprender com os enormes desastres das gerações passadas com nossos contemporâneos [...] As Sagradas Escrituras é que são lâmpada que ilumina nossos passos e a luz que clareia nosso caminho.
(GEE, Donald. Spiritual gifts in the work of ministry today, Springfield: Gospel Publishing House, 1963, p.51.)

Essas são palavras do pastor assembleiano Donald Gee (1891-1966), homem que desde início do Movimento Pentecostal soube expressar o equilíbrio e a pontualidade bíblica para o exercício dos dons espirituais. Os dons devem ser exercidos segundos as normatizas bíblicas, pois se não, em lugar da edificação haverá somente confusão.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Chega de superficialidade nos púlpitos pentecostais!


Sermões (?) como a profundidade de um pires! É isso que temos visto na maior parte das igrejas, especialmente carismáticas.  Não se trata de exigir sermões como grandes tratados teóricos debatidos no “Café Filosófico” da TV Cultura, mas deveríamos ver um maior aprofundamento das Escrituras nos púlpitos. Não caro leitor; não exigimos profundidade teológica ou filosófica, mas sim bíblica. Isso é o mínimo que se espera de um pregador evangélico!  A Bíblia está ausente na maioria esmagadora dos púlpitos pentecostais. Isso é um fato lamentável!

É muita gritaria, muito emocionalismo, muita manifestação corporal; mas ausência absoluta das Sagradas Escrituras. Existe muito personalismo de pregadores, muita bajulação entre pregadores convidados e os anfitriões, muita piada, muitos testemunhos; porém nada de Bíblia. São excessivas oportunidades de cânticos, teatralidade, coreografias e outras inúmeras atividades inventadas para o momento do culto, inclusive existem igrejas que lêem o relatório de dizimistas no momento que deveria se reservado a adoração. Todavia, as Sagradas Letras são relegadas ao papel coadjuvante.

Cansei de ver pregadores preguiçosos, que nunca preparam uma mensagem, mas nos púlpitos dizem que o Espírito Santo guia! São verdadeiros assessores do Altíssimo, pois Deus, segundo esses pregadores dizem, guia-os inclusive na escolha de gravatas ou versículos para a “poderosa” pregação! Esquecem esses homens que usar o nome de Deus em vão é pecado!

Superficialidade é uma palavra que não expressa muitas besteiras (desculpe pelo termo) que ouvimos a cada domingo. Não caro leitor, esses não são coitadinhos que não podem comprar um livro de hermenêutica, pelo contrário, estão cheios de dinheiro que ganham para espalhar bobagens em cada canto desse país. Não estudam, não aprofundam-se, não pesquisam, não oram pelo sermão... Não fazem nada disso por pura negligência! São profissionais do púlpito, mas desqualificados!

É bom que muitos pentecostais deixem sua arrogância carismática e aprendam com os nossos irmãos reformados. Vejo que os reformados têm muito que ensinar em termos homiléticos. Sendo mais claro possível e usando um exemplo extremo, peço que vejam a diferença de biblicidade entre um sermão do assembleiano Marco Feliciano e do batista John Piper; ou então compare a honra dada as Escrituras nos sermões do Paulo Roberto  (só a misericórdia!!!) com os sermões do pastor presbiteriano Hernandes Dias Lopes. Sei que usei exemplos hiper-mega-ultra-giga extremos, mas ilustram muito bem essas diferenças. Felizmente existem muitos pentecostais que em suas pregações honram as Escrituras e centralizam a pessoa de Jesus Cristo; mas lamento dizer que é uma minoria!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Não adianta condenar a “teologia da prosperidade” e pregar o “triunfalismo”


No início dos anos 90, um pastor bem apresentado, com pinta de radialista e de jornalista, ganhava as audiências da madrugada na Rede Record de Televisão. Ronaldo Didini, o apresentador do 25º Hora exerceu o pastorado nas duas mais famosas igrejas neopentecostais desse país, sendo primeiramente a Igreja Universal do Reino de Deus e depois na Igreja Internacional da Graça de Deus. Didini ainda passou pela Assembléia de Deus e chegou a fundar uma denominação chamada Igreja do Caminho. Esteve ao lado de Edir Macedo e R.R. Soares. Agora, Didini se destaca por sua nova aliança: Igreja Mundial do Poder de Deus, do “apóstolo” Valdomiro Santiago. Hoje ambos gerenciam 22 horas de programação em uma emissora do Grupo Bandeirantes.

Valdomiro Santiago era um bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e fundou a Igreja Mundial do Poder de Deus em 1998. Essa igreja tem atraído membros de outras denominações carismáticas e inclusive coloca-se como perseguida pelos “maiores”, sendo uma clara referência do “apostólo” Valdomiro ao bispo Edir Macedo. Quem mora em cidades como São Paulo, pode observar a olho nu o rápido crescimento dessa nascente denominação neopentecostal. Valdomiro centraliza os cultos em torno de “milagres” e “curas”, sendo forte a ênfase em testemunhos. Teoricamente não prega a “teologia da prosperidade”. Mas “teoricamente”? Por quê?

Discurso que decai nas práticas

Ronaldo Didini afirmou categoricamente, em entrevista para a Revista Cristianismo Hoje (janeiro 2008) que a “teologia da prosperidade é diabólica”. Em entrevista para a Revista Carta Capital (Ano XV, n. 511), Didini declarou que “levar o fiel a dar carro, casas, cheque pré-datados para a igreja é estelionato”. Valdomiro também verbera contra a “teologia da prosperidade” e diz que ninguém precisa pagar os milagres em sua igreja.

Apesar desse discurso inovador no seio neopentecostal, Didini e Santiago continuam embevecidos pelo triunfalismo, onde pregam para as classes mais pobres desse país uma vida livre de percalços, como doenças, crises familiares, desemprego etc. É claro que ninguém está impedido biblicamente de pregar milagres e maravilhas, mas não tornando tais coisas como o centro da pregação, além de usar meios nada convenientes como lenços, flores e até o próprio suor. Pura superstição herdade do catolicismo popular.

Leia as próprias palavras de Valdomiro Santiago e observe a apresentação do triunfalismo:

Eu, Valdemiro Santiago, constituído Apóstolo, tenho certeza absoluta de que, se você abrir sua porta e deixar o Senhor entrar, a sua vida será somente de vitórias, de alegrias, porque a palavra d’Ele não falha e nunca falhará. Em II Coríntios 9.6, está escrito que o que semeia pouco, pouco ceifará, e o que semeia com fartura, com fartura também ceifará. E é poressas palavras escritas e testificadas que eu convido-lhe a participar deste propósito de prosperidade, ajudando a patrocinar esta obra. Ao ser um escolhido para ajudar a manter a obra de Deus, o seu nome será escrito no nosso livro e levado para o Monte para orarmos em seu favor. Se você estiver desempregado ou em dificuldades financeiras, vamos orar ainda mais por você. Confie, creia e participe, porque a sua vida será como uma árvore adubada, regada, e cada vez mais frutífera. Ligue agora na Central de Atendimento e faça parte deste propósito, ajudando a patrocinar esta obra.[1]

Nunca é tarde para lembrar que o triunfalismo uma versão mais light da “teologia da prosperidade”, mas sendo tão anti-bíblica quanto! Não é só o “apóstolo” Valdomiro Santiago com o seu assessor que comete esse engano. Já vi vários pregadores pentecostais que “condenam” esse evangelho da saúde e prosperidade, mas a ênfase ministerial está nas bênçãos e conquistas. Pura incoerência! Portanto, não adianta condenar aquilo que pratica!

Nota:

[1] SANTIAGO, Valdemiro. O grande livramento. São Paulo. Igreja Mundial do Poder de Deus. 2006. p. 39.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Não removam os marcos antigos?


No meio pentecostal existe uma turma que sempre tenta justificar as suas tradições humanas nas Sagradas Escrituras, mas a Bíblia insiste em correr para o lado oposto. Os defensores do legalismo institucionalizado constantemente citam Provérbios 22.28, onde lemos: “Não removas os marcos antigos que puseram teus pais” (ARA). Ora, será que esse texto nos ensina que as tradições de uma instituição nunca devem ser alteradas?

Uma boa exegese nos previne de violentar o texto bíblico com os nossos pensamentos imperfeitos. Nesse provérbio quando Salomão escreve “marcos antigos”, o autor se refere a “pequenas pedras semelhantes a pilares com elaboradas inscrições de palavras e desenhos” [1], ou seja, era um demarcador de terras que mostrava um limite onde não se poderia ultrapassar, pois assim o infrator estaria tomando posse de uma terra alheia. Na Nova Tradução Linguagem de Hoje (NTLH) o texto fica mais claro: “Não mude de lugar os marcos de divisa de terras que os seus antepassados colocaram”.

Esse texto nos ensina a prática da integridade, respeito e justiça. O versículo não está ensinando que todas as tradições dos antepassados devem ser mantidas intactas, apesar de sabermos o valor de nossa herança histórica. O teólogo Erwin Lutzer lembra: “Todos somos propensos a universalizar nossas próprias convicções pessoais; queremos tornar absoluto o que deveria ser relativo” [2]. Não podemos valorizar a forma em lugar da essência; não podemos transformar preceitos em princípios; não podemos tornar absoluto aquilo que é relativo; não podemos transformar tradições em doutrinas; não podemos despreza a interpretação bíblica em nome de justificativas injustificáveis. Quando fazemos isso, prejudicamos a nós mesmos e a comunidade cristã!

Referências Bibliográficas:

[1] PFEIFFER, Charles F.; VOS, Howard F.; REA, John. Dicionário Bíblico Wycliffe. 4 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008. p 1226

[2] LUTZER, Erwin. Quem é Você Para Julgar? 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005. p 222.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Dicas Literárias 01: “Pentecostal de Coração e Mente”


Recomendação de hoje: Pentecostal de Coração e Mente, Rick Nañez, Editora Vida.

Como pentecostal sempre vejo manifestações anti-intelectuais. Infelizmente esse problema vem desde o início do pentecostalismo e ainda resiste ao tempo.  Nos últimos anos aconteceu uma explosão de cursos teológicos, mas infelizmente desprovidos do mínimo de qualidade, produzindo uma série de pseudo-intelectuais (sendo uma forma de anti-intelectualismo).

As faculdades de teologia eram consideradas “fábricas de pastores”. Outros alegavam que “a letra mata”. Alguns mais ousados afirmavam que o crente não deveria perder seu tempo estudando, pois o mais importante estava na evangelização diante da iminência da “Volta de Cristo”. O preconceito era geral, e ainda hoje valorizar adequadamente a teologia cria o estereótipo de um “crente frio”.

É importante destacar que mesmo no início do Movimento Pentecostal, pessoas como Myer Pearlman, Nels Nelson e Donald Gee se levantaram objetivamente contra esse sentimento anti-teológico. No Brasil, pessoas como Orlando Boyer, João de Oliveira, Eurico Bergsten, Lawrence Olson, Ruth Dorris Lemos, João Pereira de Andrade Silva, Gilberto Malafaia, Antonio Gilberto e João Kolenda Lemos eram (e ainda continuam) entusiastas do ensino teológico.

Diante desse quadro, o pastor pentecostal Rick M. Nañez escreveu um ótimo livro que combate a mentalidade anti-teologia presente nos círculos evangélicos. Nañez é mestre em Teologia Prática pelo Luther Rice Seminary (EUA) e doutor pelo Trinity Evangelical Seminary (EUA). Em 1987 foi ordenado ao pastorado pelas Assembléias de Deus dos Estados Unidos e atualmente trabalha como missionário no Equador.

A edição original do livro foi prefaciado pelo famoso teólogo Stanley M. Horton e no Brasil pelo pastor Paulo Romeiro. Vale a pena ler, principalmente os pentecostais que ainda se deparam com esse problema!


quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Musicalidade Pentecostal: Triunfalismo e Antropocentrismo

O modo de vida gospel, de inserção na modernidade, de busca de aproximação com expressões culturais populares e de relativização da tradição de santidade puritana, é alimentado pela interpretação teológica do “aqui e agora”, da capacidade de consumir como sinal de comunhão com Deus, do direito de reinar com Deus que elege seus adeptos como “príncipes”. Magali do Nascimento Cunha, jornalista metodista [1].

No contexto protestante a música é um assunto controvertido, sendo que várias problemáticas são levantadas, como ritmos, coreografias, instrumentos musicais etc. Por exemplo, algumas igrejas toleram o forró e demonizam o rock; outras adotam coreografias, mas diz que o crente não dança; há ainda igrejas que só usam instrumentos clássicos, enquanto entre alguns neo-puritanos nenhum instrumento é usado. Mas o texto em apreço não tem a pretensão em discutir esses assuntos, mas sim a qualidade das letras. Infelizmente as letras com expressões de adoração são cada vez mais raras, sendo substituídas por mensagens de auto-ajuda, triunfalismo [2] e antropocentrismo [3]. As igrejas pentecostais clássicas estão cheias dessas letras descartáveis.

Triunfalismo e Antropocentrismo

É preocupante a situação da musicalidade pentecostal nos últimos anos. O triunfalismo e o antropocentrismo têm reinado nas letras. São comuns expressões surradas, como: "Você é mais que vencedor", "Deus vai operar em sua vida", "Sua vida vai mudar", "Você vai conquistar suas vitórias", "Hoje você será abençoado" etc. Pegue os cadernos de hinos dos grupos musicais de sua igreja e você verificará inúmeras letras com enfoque no homem e no seu bem-estar.
O enfoque comercial da musicalidade pentecostal tem gerado inúmeras distorções, principalmente no foco das músicas. Ignorando o chavão, muitos músicos cantam o que a massa consumidora quer ouvir. Uma análise crítica das letras mostra que são raras as músicas que estão voltadas para letras de exaltação e adoração a Deus. Muitas letras que ainda citam Deus ou alguma passagem bíblica estão na verdade destacando aspectos de um Abençoador dos homens, sendo uma sutil forma de antropocentrismo.
A música cúltica não deve servir para satisfação do homem e os seus desejos egoístas, mas sim para honra e glória do Senhor. A satisfação já começa pelo meio rítmico, pois são sempre equivalentes a cultura local, o que não é necessariamente errado, mas ainda assim alimentam essa produção de satisfação.

Culto? Cadê?

Um culto antropocêntrico em suas músicas, pregações e orações é idolatria ou uma auto-idolatria. Ora, são músicas que não exaltam Deus, mas proclamam um super-crente; são pregações que esquecem da exposição bíblica e só falam em promessas; orações que não buscam a face do Altíssimo, mas simplesmente transformam-se em dividendos. Puro paganismo no meio evangélico brasileiro. O sentido do culto, que é cultuar a Deus, perdeu seu sentido!

Espiritualidade doentia

Nesse ritmo dominical as ovelhas têm sido cada vez mais privadas de uma boa alimentação, para dar lugar as piegas mensagens de auto-ajuda. A situação está insuportável, pois a cada dia essas mensagens têm ganhado mais espaço nos púlpitos. Crentes doentes por falta de devida alimentação têm enchido as igrejas em uma busca frenética por bênçãos e mais bênçãos. Todo o contexto do culto alimenta essas falsas esperanças, pois o Evangelho de Jesus Cristo nunca expressou triunfalismo, mas o contrário. O problema é falta de leitura bíblica!

Conclusão:

A maior lição dos hinários protestantes, como
Salmos e Hinos, Cantor Cristão e Harpa Cristã são justamente a elaboração doutrinária e teológica das letras. É perceptível o cuidado dos compositores e o entendimento que os mesmos tinham das Escrituras. Infelizmente hoje, por causa da mercantilização do cântico evangélico, qualquer um é cantor ou compositor gospel.


Notas:

[1] CUNHA, Magali do Nascimento. A Explosão Gospel. Rio de Janeiro: Mauad X e Instituto Mysterium, 2007. p 183.

[2] Segundo o
Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa, triunfalismo é "atitude excessivamente triunfante; sentimento exagerado de triunfo". No contexto religioso o triunfalismo se manifesta pelo excessivo enfoque em bênçãos e vitórias, reduzindo o Evangelho em um único aspecto.

[3] O
Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa define antropocentrismo como uma "forma de pensamento comum a certos sistemas filosóficos e crenças religiosas que atribui ao ser humano uma posição de centralidade em relação a todo o universo, seja como um eixo ou núcleo em torno do qual estão situadas espacialmente todas as coisas (cosmologia aristotélica e cristã medieval), seja como uma finalidade última, um télos que atrai para si todo o movimento da realidade (teleologia hegeliana)". No contexto religioso verifica-se uma centralidade do homem e seus desejos, tanto na pregação com em sua musicalidade.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O arrebatamento da Igreja

[Estudo preparado para ministração da Palavra de Deus em uma congregação da Assembléia de Deus-Ministério Santo Amaro, na zona sul de São Paulo-SP]

Quando pensamos na vinda de Cristo é inevitável refletir sobre o arrebatamento. A Bíblia descreve esse evento surpreendente, que acontecerá num futuro incerto e impossível de precisar sua data (cf. Mt 24.36). Somos conclamados a vigilância e santa expectativa para o grande dia, onde a comunidade cristã em forma de Noiva terá seu maravilhoso encontro com a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo [1]. O arrebatamento é uma doutrina para corações que necessitam de esperança.

O que é o arrebatamento?

A palavra arrebatamento, em sua raiz grega, significa retirar um objeto com força e rapidez inesperada [2]. O arrebatamento será uma retira da Igreja, de modo brusco, sobrenatural e sem prévias. A Igreja se unirá com Jesus Cristo para todo o sempre, mediante a ressurreição dos santos e o arrebatamento dos vivos.

Escrevendo sua primeira missiva aos Tessalonicenses (4.13-18), o apóstolo Paulo apresenta a seqüência do arrebatamento: 1) O Senhor descerá do céu; 2) Os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; e 3) Os vivos no Senhor serão arrebatados.  

Quando será o arrebatamento?

Ninguém sabe, só é possível saber que o evento é iminente, pois os sinais se identificam no decorrer da história. Agora se deve evitar ao máximo especulações, que sempre caem no terreno arenoso de heresias, fantasias e fanatismos. Quando Cristo adverte que o dia e hora não podem ser previstos, isso não significa que o ano ou século ou o milênio poderão! Ora, muitos empolgados com a escatologia falam besteiras como: “estamos na última geração”, “somos o último avivamento antes da vinda de Cristo”, “Cristo voltará logo, pois sempre algo acontece num período de dois mil anos” etc. Lembremos sempre das palavras de Jesus: “Não vos pertence saber os tempos ou épocas que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder” (Atos 1.7).

Os cristãos devem vigiar e orar, sempre preparados para a vinda de Cristo, mas nunca obcecados em querer especular sobre a proximidade do fim do mundo. Você então pergunta: Então porque os sinais? Ora, sinais não devem ser objetos de especulação, mas simplesmente advertências sobre a malignidade que os cristão enfrentarão no decorrer da história eclesiástica antes da vinda de Cristo. Como esperar o arrebatamento? Nunca pegar calculadoras ou “mapas escatológicos” para dizer que essa é a última geração, mas sim esperar a vinda de Cristo recebendo o poder do Espírito Santo e testemunhando até que Cristo volte (At 1.7-8).

É engraçado como nós evangélicos costumamos em mensagens evangelísticas usar abusivamente a frase: “Jesus está voltando”. Ora, essa consciência deve despertar a Igreja para desempenhar a cada dia o seu papel: A grande comissão! “O Jesus está voltando” deveria servir como incentivo para engajamento nessa missão e não virar clichê de evangelista, pois essa frase deve ser voltada principalmente para a comunidade cristã.

A vinda de Jesus não pode ser marcada! 

Várias foram as tentativas para marcarem a vinda de Cristo, ou seja, a data do arrebatamento. Muitos ignoraram a advertência de Cristo, que “daquele Dia e hora ninguém sabe” (Mt 24.36). Alguns exemplos podem ser citados:

a)      Guilherme Miller 

O fundador do Adventismo marcou a vinda de Cristo para os dias 21 de março de 1843 e 21 de março de 1844. 

b)      Charles Taze Russell

O fundador da seita “Testemunhas de Jeová” marcou eventos apocalípticos para os anos de 1909, 1914 e 1915. Seus seguidores ainda marcaram a volta de Cristo para 1984. 

c)      Bang-Ik Há 

O coreano fundador da seita “Missão Taberá”, marcou a vinda de Jesus para 1992.

d)     John Hinkle 

Um pastor de Los Angeles, que marcou a vinda de Cristo para o dia 9 de Julho de 1994.

e)      Valnice Milhomens 

A “apóstola” da Confissão Positiva marcou a vinda de Cristo para um sábado de 2007, ou shabbat, como os judaizantes preferem dizer. Sendo quarenta anos depois de 1967, o ápice do Movimento Carismático, segundo Milhomens. Hoje ela se defende dizendo que a o vídeo de sua pregação estava fora do contexto! (?).[3]

A vinda de Cristo em duas fases 

As duas fases da vinda de Cristo marcam o início e fim da Grande Tribulação. A primeira fase é o arrebatamento da Igreja, sendo que Jesus virá sobre até as nuvens (I Co 15.52; I Ts 4.16,17). A segunda fase da vinda de Cristo será sua descida sobre o Monte das Oliveiras, juntamente com a igreja, para livrar Israel das garras do anticristo. Nesse momento julgará as nações e implantará o Milênio (Zc 14.4; Mt 24.30; Ap 1.7; 19.11-21 e 20.1-6)[4].

Quem participará do arrebatamento? 

A Bíblia descreve alguns personagens desse evento, especialmente em dois textos que dão destaque ao arrebatamento, que é I Co 15.51-54 e I Ts 4.13-18. Esses personagens são: 

a)      Jesus Cristo

No arrebatamento é a pessoa de Cristo que aparece que um papel principal, pois como disse Paulo: “o mesmo Senhor... descerá do céu” (1 Ts 4.16). Simplesmente uma cena marcante, pois é certamente o cumprimento da promessa que o Senhor nunca nos deixará sós, mas que virá em breve nos buscar. (Mt 28.20; At 1.11)

b)      O arcanjo

Certamente Miguel participará desse evento, pois é o único arcanjo mencionado nas Sagradas Escrituras. Logo, arcanjo só existe um, pois a palavra grega archangelos significa “anjo principal”. Assim como o nascimento de Cristo foi anunciado por anjos, assim será também sua segunda vinda.

c)      Os mortos em Cristo

Os mortos em Cristo de todas as épocas ressuscitarão em corpos gloriosos, semelhantes ao de Cristo quando ressuscitou. Na glorificação dos santos os frágeis corpos mortais serão revestidos de imortalidade. Serão os primeiros a ressuscitarem, como Paulo lembra em I Ts 4.16. Os santos que hoje morrem mais cedo encontrarão com o Noivo.

d)     Os vivos em Cristo

“Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados” (I Ts 4.17). “Nem todos dormiremos (ou seja, morreremos), mas todos seremos transformados” (I Co 15.51).

Elementos atrelados ao arrebatamento

a)      Surpresa

Textos como Mt 24.36, 42-44; 25.13 e Tt 2.13 mostram que esse evento será uma surpresa. As exortações para com a vigilância não fariam sentido sem o elemento “surpresa”.

b)      Velocidade

No texto de I Co 15.52, Paulo usa a palavra grega átomos, que foi traduzida por Almeida como “num momento”. Na química antiga o átomo era considerado o último elemento da matéria, portanto indivisível, ou seja, impossível de ser cotado [5]. A palavra grega átomo mostra como a velocidade do arrebatamento é enorme. Outras expressões bíblicas como o “abrir e fechar dos olhos” (I Co 15.52) mostram a velocidade desse acontecimento.

c)      Invisibilidade

As expressões gregas para definir esse evento, como a própria palavra arrebatamento, dão a entender que teremos o elemento da invisibilidade.

Conclusão 

Acima da necessidade de conhecer detalhes sobre o arrebatamento, é importante ter a máxima de consciência que devemos esperar o Senhor com uma viva expectativa, e honrando ele nessa espera, cumprindo nossa missão que chamasse Grande Comissão. Que fiquemos com as palavras do apóstolo Paulo: “Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem sua vinda” (II Tm 4.9). 

Notas:

[1] Esse estudo está dentro de uma perspectiva pré-milenista, futurista e pré-tribulacionista, conforme a tradição da escatologia pentecostal, mas dialogando com as demais escolas escatológicas. No início do século XX, os pentecostais acreditavam que eram parte do cumprimento escatológico, pois representavam um “restauracionismo” das manifestações e carismas, presentes na primitiva igreja. Seria um sinal que a vinda de Cristo se aproximava, pois o Movimento Pentecostal representaria a última chuva (serôdia) do avivamento. O pré-milenismo, que prega um milênio literal com o advento de Cristo antes desse período de mil anos, foi e ainda é a visão predominante no meio pentecostal. Essa visão é compartilhada por muitos evangélicos, especialmente a ala fundamentalista (não calvinista) do protestantismo. Os pentecostais não seguem o historicismo pré-milenista, que prega o cumprimento profético no decorrer da história, mas são predominantemente futuristas. Uma das vertentes do futurismo pré-milenista é o dispensacionalismo desenvolvido por John Nelson Darby e popularizado pela Bíblia de Referência Scofield (1909). Quanto ao arrebatamento, a visão pré-milenista futurista ainda é divida em 1) pré-tribulacionismo, ou seja, a vinda de Cristo sem um sinal específico e antes da Grande Tribulação; 2) mesotribulacionismo, ou seja, a vinda de Cristo acontece no momento em que o Anticristo rompe sua aliança com Israel; e o 3) pós-tribulacionismo, ou seja, a vinda de Cristo acontece no final da Grande Tribulação, antes do derramamentos das setes taças da Ira de Deus, descrita no Apocalipse.

[2] No grego arrebatamento é harpazõ. Na Vulgata Latina (Vulg.) arrebatamento foi traduzido por raptus, do verbo raptare. Há duas palavras gregas que estão relacionadas com harpazõ (arrebatamento). A primeira palavra grega é parousia, que literalmente significa “presença”, “visita”, “chegada rápida” etc. No mundo greco-romano, paurosia designava a visita solene de um príncipe. A segunda palavra grega é epiphanéia, que literalmente significa “resplandecer”, “bilhar” ou “vir à luz”.

[3] Veja mais detalhes em ROMEIRO, Paulo. Evangélicos em Crise. 4 ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999. pp 173-192.

Sobre Valnice Milhomens, veja o vídeo: http://br.youtube.com/watch?v=MSupwJpqivI&feature=related

[4] Cabe repetir que esse estudo está dentro de uma leitura pré-milenista, futurista e pré-tribulacionista. Isso não significa que necessariamente o texto seja dispensacionalista, pois não faz divisões dispensacionalistas da história bíblica. Esse estudo reconhece que Israel tem um papel escatológico importante, mas não compartilha da visão de que cada guerra israelense seja cumprimento profético e que seja do interesse de Deus. Há muitos exageros entre aqueles que olham para Isael como o relógio de Deus.

[5] No século XX foi descoberto que o átomo não é indivisível e maciço, mas que é descontínuo, sendo formado por partículas menores e ainda por subpartículas, ainda menores. As principais partículas que formam o átomo são os prótons, os nêutrons e os elétrons.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Entrelinhas 07: Crianças do Hamas, uma reflexão!

Esse vídeo mostra a educação infantil promovida pelo grupo terrorista Hamas. Infelizmente os "policitamente corretos" não fazem passeatas para protestar contra essa cruel violência.
Oremos por todas as crianças massacradas por loucos terroristas!

OBS: Uma das cenas mostra claramente crianças sendo usadas como "escudos". Simplesmente terrível!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Série Eleições CGADB: Quem são os candidatos a presidência da CGADB?





Leia o texto completo, inclusive com o perfil completo do pastor Samuel Câmara, no Blog Geração que Lamba: http://gqlgeracaoquelamba.blogspot.com/2009/01/eleies-cgadb-perfil-de-dois-reis.html


Por Gutierres Siqueira e Victor Leonardo Barbosa

Os pastores José Wellington Bezerra da Costa e Samuel Câmara concorreram à presidência da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil (CGADB). Segundo as novas normas estatutárias da CGADB, o novo presidente dessa instituição terá um mandato de quatro anos, podendo se reeleger uma única vez.  A votação nos candidatos acontecerá na 39° Assembléia Geral Ordinária (AGO), de 20 a 24 de Abril, na cidade de Vitória- ES.

01.  Quem é José Wellington Bezerra da Costa?

Nascido na cidade de São Luís do Curu- CE, no dia 14 de outubro de 1934, o pastor José Wellington Bezerra da Costa entrará para a história da CGADB como o presidente que mais

 tempo passou na direção dessa instituição assembleiana [1]. Hoje, José Wellington ocupa vários cargos importantes, como a presidência das Igrejas Assembléia de Deus Ministério do Belém (São Paulo), presidente da Convenção Fraternal e Interestadual das Assembléias de Deus do Ministério do Belém no Estado de São Paulo (Confradesp) e atual presidente da CGADB. Formado em direito, é autor do livro Como Ter um Ministério Bem Sucedido, publicado pela Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD).  José Wellington ainda é membro Comitê Mundial das Assembléias de Deus (World Assemblies of God Fellowship).

Pontos fortes

Na gestão do pastor José Wellington a CGADB e a CPAD passaram por estruturações importantes. A CPAD passou de uma editora que publicava basicamente biografias, testemunhos e periódicos, para uma ótima qualidade técnica e teológica. Hoje é possível adquirir clássicos e obras de volume por meio dessa editora, que tem sido elogiada até por alguns setores das igrejas históricas. Houve por parte da CPAD uma preocupação pedagógica, onde a escola dominical foi valorizada e estimulada; hoje existem congressos e conferências que treinam milhares de professores por todo o Brasil. A CPAD conta com bons teólogos e pedagogos em seu quadro de funcionários.

Na gestão José Wellington a CGADB ganhou uma nova sede e a CPAD adquiriu equipamentos tecnológicos para montar um importante parque gráfico. É necessário destacar o crescimento de interesse pelo ensino teológico e valorização da cultura em geral. Implantou a campanha Década da Colheita, que certamente ajudou as igrejas na área da evangelização.

Pontos fracos

Não combateu o legalismo, mas muitas vezes intensificou uma mentalidade retrógrada na Assembléia de Deus. Em entrevista para a Revista Veja do dia 2 de Julho de 1997 [2] colocou-se contra o uso de calça para mulheres e o mesmo repete em vários púlpitos do país, mesmo sendo mais flexível a Assembléia de Deus no Belenzinho, onde ele é pastor oficial. Em 1991 em declaração para o Jornal Mensageiro da Paz, Wellington disse: "Não é costume dos crentes na Assembléia de Deus o uso de pinturas, brincos etc. Não somos retrógrados, [apenas] desejamos [nos conservar] irrepreensíveis... Não danifique a Assembléia de Deus, ame-a ou deixe-a” [3]. Nessa usou até os chavões dos governos militares!
José Wellington  é oficialmente contrário aos ditos modismos neopentecostais (benção de Toronto, gedozismo etc.), porém ratificou o ministério do controvertido Paulo Roberto, em uma entrevista cedida para esse pastor. Enquanto se esperava a exclusão de uma figura tão anti-bíblica, o mesmo acaba é apoiando o ministério de um homem que contradiz várias diretrizes doutrinárias. [4]. Em abril de 2008, Wellington visitou o congresso mais controvertido das Assembléias de Deus, ligado aos
 Gideões Missionários da Última Hora. Nesse evento encheu de elogios os organizadores. Em lugar de ratificar esses movimentos contraditórios, se espera do líder a condenação veemente dos mesmos. Faltou coerência nessas atitudes!


Notas:

[1] José Wellington já foi vice-presidente da CGADB no biênio 1981-1983. Foi eleito presidente pela primeira vez no ano de 1988 e ficou até 1989, quando o pastor Avelino Maicá da Silveira, da Assembléia de Deus de Santa Maria –RS presidiu a convenção. José Wellington voltou para a presidência em 1990, mas presidiu até 1993, quando o pastor Sebastião Rodrigues de Souza, da Assembléia de Deus de Cuiabá-MT, assumiu o posto até o ano de 1995. De 1995 até a presente data, José Wellington preside a CGADB.

[2] “A concorrência dos soldados renovados de Deus obrigou a antes ultratradicionalista Assembléia a mudar. O pastor Wellington diz que sua igreja ainda não tolera mulher vestida com calças compridas -- "Não se ache na mulher a roupa do homem", diz a Bíblia. Em compensação, ele não vê nada de mais em seus fiéis usarem métodos contraceptivos artificiais. "Seria hipocrisia ir contra isso, embora eu ache melhor o método natural", diz. Até 1989, os seguidores dessa igreja não podiam sequer olhar para a televisão. Hoje, a Assembléia tem duas geradoras de programação e 47 repetidoras.” Trecho da reportagem. BARROS, Andréa e CAPRIGLIONE, Laura. Soldados da Fé e da Prosperidade: As igrejas evangélicas crescem com a promessa do paraíso na terra.
Revista Veja. São Paulo. 02 de Julho de 1997.

[3]
Mensageiro da Paz, fevereiro de 1991

[4] Na gestão do pastor José Wellington, o pastor Ouriel de Jesus (agora apóstolo?) foi excluído da CGADB sob acusação de angeolatria. Talvez seja uma das mais corajosas atitudes dessa convenção. Também em sua gestão, uma resolução foi aprovada condenando modismos neopentecostais na 8° ELAD, com assinatura do pastor Wellington. Mas enquanto se toma medidas louváveis como essa, ao mesmo tempo o pastor Wellington dá apoio aos GMUH (catalisadores de toda sorte de modismos) e também ao Paulo Roberto, conforme pode ser visto nesses vídeos do
YouTube:
a)
http://www.youtube.com/watch?v=XV-TNg6uK1k
b) http://www.youtube.com/watch?v=tHx2KFTx0v8

Texto completo no Blog Geração que Lamba: http://gqlgeracaoquelamba.blogspot.com/2009/01/eleies-cgadb-perfil-de-dois-reis.html


Série Eleições CGADB: Identidade Assembleiana?!


Somos herdeiros de um passado que deve ser, muitas vezes, purificado; tantas vezes atualizado, mas sempre valorizado e reverenciado. Robinson Cavalcanti

Em abril desse ano acontecerá mais uma Assembléia Geral Ordinária (AGO) da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil (CGADB). Nessas reuniões será novamente discutida a chamada “identidade assembleiana”; mas o que vem a ser isso? O que é ser assembleiano? Sem a resposta para essa pergunta não é possível falar em “identidade assembleina” [1].
Boa parte das instituições lutam para manter a sua identidade. Há traços que não podem ser relativizados e nem fluídos, mas são fortes marcas da instituição. A instituição estabelece um conjunto de características que marcam sua história e direcionam o seu futuro. A instituição com identidade tende a permanecer e manter seus princípios [2].

Exemplo de Identidade

A Igreja Católica Romana é um exemplo de uma grande instituição com forte identidade. Apesar do catolicismo não ser uma instituição homogênea, você assistirá uma missa e trabalhos litúrgicos muitos parecidos, independente se o padre é tradicional, progressista ou carismático, ou seja, todos eles seriam rapidamente identificados como católicos; mesmo um sendo seguidor do conservador Joseph Ratzinger, o outro sendo admirador do quântico Leonardo Boff e ainda um último seguindo os passos do carismático e midiático padre Marcelo Rossi.

A Assembléia de Deus é essa ou aquela? Estou confuso!

E a Assembléia de Deus? Você talvez freqüente um culto assembleiano que mais parece às igrejas neopentecostais, onde triunfalismo e prosperidade reinam; enquanto você irá para outro culto assembleiano que apresenta semelhanças com um culto presbiteriano em sua forma formal, e ainda você vai deparar com assembleianos em um culto emergente, onde a liturgia é bem jovem e semelhante à onda “adoração”. Qual dessas apresenta e representa a Assembléia de Deus? É impossível responder. Para quem têm duvidas, experimente assistir um culto na Assembléia de Deus no Belenzinho e depois assista o outro culto assembleiano nos Gideões Missionários da Última Hora (GMHU) em Comburiu-SC. Você certamente ficará confuso!
Será que somente a liturgia sofre variações? De maneira nenhuma. Há diferenças enormes na matéria de “usos e costumes”. Enquanto você anda pela capital federal, poderá visitar uma Assembléia de Deus contemporânea, onde as mulheres não mais sofrem restrições sobre adornos e roupas, mas andando um pouco até o Estado de Mato Grosso, você ouvirá pastores da mesma denominação dizendo que quem usa “maquiagem” vai para o inferno! Enquanto a CGADB tem um programa oficial na RedeTV e a Assembléia de Deus em Belém no Pará dirigi uma emissora chamada RBN (Rede Boas Novas); há ainda líderes assembleianos que condenam esse aparelho como obra de diabo!
Enquanto o órgão oficial da denominação, o jornal Mensageiro da Paz, publica artigos condenando a bênção de Toronto, a mesma é divulgada por famosos e midiáticos pregadores assembleianos. A denominação tem ótimas escolas, como o IBAD, FAECAD e a EETAD, mas ainda é possível ver muitos líderes altamente contra os ensinos teológicos. O texto abaixo sobre o boicote da revista “liberal” voltada ao público adolescente é um exemplo claro de que identidade assembleiana é um “papo furado”. Ainda poderiam ser citados inúmeros exemplos de paradoxos e contradições no meio das Assembléias de Deus, mas os descritos acima já provam que a dita “identidade” não existe ou pelo menos está confusa e distorcida.

Identidade é igual à nostalgia?

Para muitos assembleianos o segredo para a identidade é manter os mesmos padrões dos pioneiros suecos e brasileiros. Será que isso é possível? É claro que não! O legado do passado precisa ser respeitado, mas só deve ser mantido aquilo que está sendo em consonância com os princípios bíblicos, mas se alguns métodos e resoluções dos pioneiros são equivocadas, logo terão que ser superadas. Há muitas lições que os pioneiros deixaram e não podem ser abandonadas, mas enquanto isso há outras questões que precisam ser atualizadas e revistas.
Os pioneiros desenvolveram congregações de evangelizadores e missionários, mas o mesmo não acontece nos dias de hoje. Esse tipo de ação deve ser incentivada e mantida! Enquanto isso há questões em que os primeiros assembleianos estavam totalmente equivocados, principalmente quando se fala em estudo teológico formal e alguns costumes.
Os assembleianos do Século XXI precisam aprender com os acertos e erros dos primeiros crentes das Assembléias de Deus no Brasil, mas não viver de uma falsa nostalgia como se tudo do passado fossem “as mil maravilhas”.

Conclusão:

Seria ingênuo pensar que somente os assembleianos estão com uma crise de identidade. Essa crise se estende a maioria dos evangélicos. Por sinal, o que é ser evangélico brasileiro? Essa será outra discussão. Parece que entre os assembleianos a crise está mais acentuada! É também muita ingenuidade pensar que a Assembléia de Deus tem uma identidade forte e bem traçada, conforme defendida por muitos líderes da denominação.

Notas:

[1] Leia outros artigos sobre o assunto. O pastor Altair Germano escreveu em seu blog o texto Por uma Identidade Assembleiana, leia em: http://altairgermano.blogspot.com/2007/07/por-uma-identidade-assembleiana.html
Ainda leia sobre o assunto em outro texto do Blog Teologia Pentecostal:
http://teologiapentecostal.blogspot.com/2007/07/identidade-assembleiana-apologtica-e.html

[2] O historiador Isael de Araújo define identidade pentecostal como “conjunto de caracteres próprios que definem a forma de pensar, agir, falar, comportar, trajar, hábitos e valores dos crentes e igrejas pentecostais”. ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p 357.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Sinais da Vinda de Cristo

Primeira parte de um sermão expositivo sobre Mateus 24.1-14. [1]

Cremos que o Senhor Jesus Cristo virá em breve buscar a sua Igreja, conforme nos prometeu nos últimos versículos das Sagradas Escrituras. O “Eis que breve venho” de Apocalipse 22.20 não é somente uma sentença meramente especulativa, mas um “até logo” de consolo e conforto para os nossos corações. O Senhor nos prometeu que nunca nos deixaria sós, mas Jesus nos falou: “eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”( Mateus 28.20)[1].

O Senhor nos apresentou alguns sinais da iminência de sua volta. Sinal pode ser entendido como um aviso para que cada um de nós fiquemos alertas e vigilantes, mas nunca paranóicos, pois esses marcas não aconteceram com o objetivo de nos amedrontar, pois Cristo nos fala “não vos assusteis”. Não são poucos os que deixam de desfrutar de uma paz que advêm do Espírito por medo da vinda de Cristo. Medo esse, muitas vezes produzidos por pregadores sensacionalistas, que em lugar de mostrarem a vida de Cristo como a “bendita esperança”, gostam de comparar o advento com algum cataclismo de filmes hollywoodianos.

 Os sinais não são dados como exercício de futurologia, onde cada um pode ficar brincando de previsões sobre o futuro que nos aguarda. Devemos sempre evitar a tentação de apontar para alguns eventos específicos como um sinal da vinda do Senhor, sem antes ver se não estamos misturados de uma mania futurológica.  Os sinais, também, não são fundamentos para a “preguiça escatológica”, onde muitos na expectativa da iminência deixam de agir como cidadãos desse planeta. Não, a vinda do Senhor não deve criar alienações.  

Paulo enfrentou pessoas na igreja da Tessalônica que não mais trabalhavam, pois alegavam que estavam esperando o advento de Cristo. Ora, quantos hoje não mais ligam para cuidar do nosso planeta, não fazem planejamentos e nem se despertam para a construção do futuro por causa de uma visão escatológica distorcida e anti-bíblica. Devemos conviver com o paradoxo de tentar construir o mundo melhor, mesmo não tendo boas expectativas sobre o futuro, pois não temos a tarefa de senhores do tempo, como “Jesus respondeu: — Não cabe a vocês saber a ocasião ou o dia que o Pai marcou com a sua própria autoridade” (Atos 1.7).

Vigiar e esperar

Os sinais da Vinda de Cristo nos liga a vigilância cristã, que não é efeito de uma vida legalista e auto-punitiva, mas sim a vivência na dependência do Espírito Santo, para que os efeitos da salvação possam operar na vida cristã. O cristão não vive na indiferença e nem na inconstância, mas viverá firmemente na Palavra de Deus. O “cristão” inconstante não está firmado na Rocha e nem tem raízes nas Sagradas Escrituras, portanto não está em vigilância!

Notas:

[1] Nesse blog publicarei alguns trechos desse sermão no decorrer desses dias.

[2] Sermão expondo Mateus 24.1-14 numa perspectiva pré-milenista futurista, mas em alguns pontos estaremos dialogando com as demais escolas interpretativas, mas sem exaustão e termos teológicos no corpo do texto, justamente por ser um sermão. As principais escolas interpretativas no contexto escatológico são o futurismo, preterismo, idealismo e historicismo. O Futurismo costuma interpretar as profecias no campo do futuro, ainda por acontecer. O Preterismo julga que as profecias bíblicas cumprem-se no contexto do Império Romano; grandes exegetas como F.F. Bruce interpretavam as profecias de Mateus 24 cumprindo-se em sua totalidade na queda de Jerusalém no ano 70 AD. O idealismo ensina que o objetivo das supostas profecias são ensinos de princípios e lições para os cristãos, onde enxergamos um quadro simbólico da luta entre o Reino de Deus contra as trevas, ou seja, a escatologia não tem efeitos sobre a história humana, seja passada ou futura. O Historicismo vê na história da igreja o cumprimento das profecias bíblicas, portanto a análise importante está na riqueza história da Igreja do Senhor. Seria de uma pobreza muito grande fechar o pensamento somente em uma dessas escolas. O dialogo entre elas será importante nas interpretações escatológicas, porém nesse sermão não será possível esse aprofundamento.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Israel versus Hamas

Durante anos Israel recebe diariamente ataques de foguetes caseiros, porém mortais, do grupo terrorista Hamas. Israel contra-ataca e inicia mais uma guerra no Médio Oriente. O Hamas não reconhece o direito de Israel existir e sonha com a expulsão ou extermínio dos judeus. Nesse impasse Israel precisa se defender.  Infelizmente as guerras são realidades feias e não desejadas, mas elas existem e não podemos negar a perdas que cada bomba ou foguetes caseiros causam.  A guerra é um círculo vicioso!

Não devem existir canonizações em guerras; pois em guerras não existem santos!  Quem está ganhando essa guerra? Ninguém, pois quem vive pela espada, pela espada morrerá! Quem está perdendo essa guerra? Todos os israelenses que morreram por causa de foguetes do Hamas, assim como todos os palestinos não-terroristas que morrem na reação de Israel! Deus está no lado de quem? Certamente o SENHOR é mui amplíssimo para ficar de algum lado. O SENHOR é Deus de paz, e não de confusão; já alertava o apóstolo Paulo.

Nunca me esquecerei da cena que vi na TV em pleno 11 de setembro! Uma senhora mulçumana pulava de alegria por causa dos atentados. Nunca me esquecerei da cena em vídeo de uma criança sem braços e pernas no Iraque, após ataque norte-americano.  Nessas duas cenas há algo em comum: os homens querem viver na função da espada!  Acredito que Israel tem o direito de defesa, como todos os demais países. Mas a guerra sempre será uma tragédia! Infelizmente é impossível que um Estado ou instituição pense como humano bem humano.

Não cairei na besteira de condenar Israel pelas suas reações a um grupo hostil e terrorista, que se infiltra no meio dos próprios palestinos. O Hamas são se preocupa com a segurança daqueles que eles chamam de povo, pois usam mulheres e crianças como escudo. O Hamas é composto de homens que respiram guerras e não sabem o que é humanização!  O Hamas quer o extermínio de Israel, a única democracia do covil de cobras chamado Oriente Médio. Muitos que condenam Israel esquecem sempre de mencionar o Hamas. Esse grupo terrorista fuzila inimigos, sejam eles até mulçumanos, como fizeram com Fatah.

Não cairei na besteira de procurar alguma profecia bíblica que dê apoio a Israel. De forma alguma celebrarei tal evento como um sinal que a vinda de Cristo se aproxima, pois os sinais não são para celebração. Israel não está na redoma de vidro da aprovação de Deus, pois os mesmos têm sua autonomia para as proezas e erros. Não vejo que se um carro bater em Jerusalém deva ser considerado um evento escatológico.

Enquanto uns batem na tecla que há crianças palestinas sendo mortas, é bom lembrar que do lado israelense há famílias enlutadas.  O SENHOR está sofrendo por todas essas famílias.

Há solução para o fim de todos os conflitos? Só se mudássemos a natureza humana! Portanto é uma tarefa impossível aos mortais!

sábado, 3 de janeiro de 2009

O boicote legalista


As notícias chegam que várias igrejas Assembléia de Deus estão boicotando as revistas de escola dominical para o público adolescente, lançadas pela CPAD (Casa Publicadora das Assembléias de Deus) [1]. Esse fato tem ocorrido principalmente no Estado de Pernambuco e também em Mato Grosso. Qual o motivo para o boicote? O suposto “liberalismo” da revista. [2]
A CPAD dispõe de várias revistas de EBD, para diversas faixas etárias. Entre elas existe uma intitulada “Adolescentes Vencedores” e é voltada para crentes de 13 e 14 anos. O tema desse trimestre é “O adolescente e o mundo”. A revista aborda temas sobre: sexualidade, amizades, televisão, internet, consumismo, culto ao corpo, esportes, exercícios físicos, drogas etc. Nada nessa revista foge do que é aceito comumente na ortodoxia protestante. Nenhuma doutrina cardeal da Bíblia foi ferida!
A revista “O adolescente e o mundo” é comentada pela experiente psicóloga e mestre em educação Elaine Viana de Almeida Cruz [2]. Além disso, é acompanhada por uma equipe de pedagogos e teólogos pertencentes à Assembléia de Deus. Essa revista faz parte de um curso de dois anos para formação gradual do adolescente.

Os perigos desse boicote

1. Mostra uma denominação dividida.

A revista foi publicada pela editora oficial da denominação, mas vários pastores aderiram ao boicote. Não há uma linguagem em comum nas Assembléias de Deus. Essa é só mais uma prova que a tão falada “identidade assembleiana” não passa de um discurso vazio e confuso! E será que em nome dessa “identidade” os erros do passado terão que ser repetido? Por que não imitar aquilo que os pioneiros fizeram de bom, como o evangelismo com assistência social?

2. O legalismo é tolerado nas Assembléias de Deus

Não foram questões teológicas ou doutrinárias que levaram muitos pastores para o boicote, mas simplesmente o legalismo sobre os usos e costumes e o tradicionalismo exacerbado. O legalismo, que é errado e contrário as Escrituras, tem sido totalmente tolerado nas Assembléias de Deus. Legalismo tem o mesmo grau de erro do que a libertinagem. Pra quem duvida é só ler Mateus 15 ou 23 e ver a lição de moral que Jesus dá nos fariseus legalistas!

3. Igrejas fracas na área do ensino

As mesmas igrejas que boicotam esse tipo de revista são as mesmas que aceitam em seus púlpitos pregações triunfalistas, de prosperidade, de modismos místicos, de auto-ajuda etc. Como está o ensino nessas igrejas? Será que o culto de doutrina não deveria ser chamado de “culto aos usos e costumes”?

4. Adolescentes desinformados.

A maior parte das igrejas do boicote vai substituir a lição de adolescentes (13 e 14 anos) pelas de adulto (18 anos acima), ou seja, tudo a ver! Lições que foram pedagogicamente e psicologicamente preparadas são jogadas fora e mal substituídas. Aliais, porque as demais lições também não foram boicotadas? Quanta incoerência!
Quem vai ensinar esses adolescestes sobre drogas e sexo? Ou será que é pecado falar esses temas com os jovens? Talvez aprendessem nas ruas e com os “ótimos” pedagogos de suas escolas seculares!
Incoerência é o que não falta. Já congreguei em uma igreja onde pregavam que usar adornos era pecado e levava para o inferno. Certo dia chegou um pastor de Brasília, inclusive com uma ótima e bíblica pregação, que convidou a esposa para cantar e a mesma estava com um colar. Oh, oh, que escândalo! Se era pecado, porque o dirigente do culto deixou a mesma cantar? Ora bolas! Incoerentes! Os mesmos que condenam um brinco se vangloriam de seus “prendedores de gravatas”. Já vi até igreja legalista rifando prendedor de gravata!!! Que coisa não?

Conclusão

Muitas oportunidades foram perdidas nas Assembléias de Deus por causa do legalismo. Uma rica revista é desprezada por sua “liberalidade”, mas enquanto isso as mesmas igrejas não boicotam os pregadores sensacionalistas, as músicas triunfalistas, os pastores politiqueiros, as brigas eclesiásticas etc. Jesus bem disse que coam o mosquito, mas deixam passar o camelo!


Notas:

[1] Leia mais sobre o boicote nos blogs do pastor Altair Germano e do irmão Ednaldo, além do fórum de discussão no Orkut:

a) http://altairgermano.blogspot.com/2008/12/o-adolescente-e-o-mundo-lio-bblica.html
b) http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=11288050&tid=2503842994456488218
c) http://divinitatisdoctor.blogspot.com/2008/12/no-proba-ensine.html

[2] Para você que não é assembleiano, saiba que o termo “liberalismo” aqui é aplicado em relação aos usos e costumes e não a teologia desenvolvida por Rudolf Bultmann ou Friedrich Schleiermacher. Boa parte dos assembleianos ou membros de outras denominações legalistas costumam usar o termo “liberalismo” referindo-se aos costumes. É bom lembrar que isso acontece entre conversas e nos púlpitos, mas não na literatura pentecostal.

[3] Elaine Viana de Almeida Cruz é psicóloga clínica e escolar, terapeuta de família e especializada em Psicomotricidade e Dificuldades de Aprendizagem. É Mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense - UFF, professora universitária, e possui vários trabalhos publicados e apresentados em congressos no Brasil e no exterior. É missionária e conferencista internacional. Como escritora tem vários livros publicados (pela MK Editora e CPAD) e recebeu o “Prêmio ABEC de Melhor Autora Nacional”. É casada com o pastor e Oficial Superior da Marinha do Brasil, Alvaro Cruz, e tem dois filhos, Thiago e Pamela. É filha do famoso teólogo Abraão de Almeida, que ficou conhecido por suas obras de escatologia dispensacionalista. Em setembro de 2008, Elaine Cruz conquistou a cadeira de imortal na Academia Evangélica de Letras.

PS: Assista ao vídeo onde discuto o "boicote das revistas". 

Obs: Não deixe de assistir o Canal do Blog Teologia Pentecostal no You Tube. Acesse: