sábado, 28 de fevereiro de 2009

Mais um aviso!

Caros amigos,

Ainda estou viajando, portanto só volto com novas postagens na quarta-feira (04/02/2009). Lembrando que continuarei com postagens diárias.

Quero agradecer pelas mensagens de apoio ao Blog Teologia Pentecostal nesses dois anos de existência, completados nesse mês de fevereiro.

Abraços a todos!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Aviso!

Em breve atualizações de novos textos!

No mês de fevereiro o Blog Teologia Pentecostal está comemorando dois anos. Obrigado!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Preferimos os porcos!

A Bíblia [1] nos conta a história de um jovem endemoninhado que vivia nas cavernas e cemitérios, vivendo com um animal feroz, onde nem mesmo as correntes podiam segurar. Esse jovem era o horror daquela pequena comunidade chamada Gadara. Os gadarenos eram criadores de porcos, que recebiam a devida atenção daquelas pessoas. Certo dia Jesus chega naquele vilarejo, a após uma rápida e ríspida conversa com a “legião de demônios”, liberta aquele rapaz, que fica “assentado, vestido e em perfeito juízo”.  Os que os moradores daquela cidade fazem? Comemoram a libertação daquele jovem rapaz? De maneira nenhuma, expulsam Jesus por tirar os demônios do jovem e por mandar para os porcos!

Essa cidade nunca ficou incomodada em sua totalidade com um jovem que vivia como um animal, mas logo se mobilizaram na expulsão de Jesus por causa dos prejuízos com os porcos. Aquele jovem sem personalidade e amparo de sua sociedade, se refugia com um louco em cavernas e cemitérios. Nesse ambiente os demônios a cada dia esmagam sua vida e suas esperanças. Quando Jesus desce do barco, o primeiro ser que aparece para recepcionar é um endemoninhado em estado deplorável, que era habitação de demônios em convulsão com a chegada de Jesus.

Em nossa natureza pervertida temos uma tendência horrível: Amamos as “coisas” e usamos as pessoas; valorizamos os bens e desprezamos o próximo; cheiramos um livro novo e passamos ao largo para não sentirmos o odor dos mendigos; não comemoramos a libertação do jovem gadareno, pois preferimos os nossos porcos. Assim somos nós, os ditos seres humanos. Cabe uma pergunta: Onde está a nossa humanidade?

Vivemos em uma sociedade que prefere a eutanásia, sob a alegação de aliviar o sofrimento do doente, mas tudo isso é para não admitir a falta de paciência em cuidar “daquele peso”.  Terri Schiavo foi uma vítima da eutanásia promovida por seu marido, Michael Schiavo, que entrou até na justiça pela morte da esposa, mesmos os pais de Schiavo lutando pela guarda da filha.

Os “humanistas” na sua pseudo-piedade defendem que os embriões são vidas descartáveis, pois podem ser usadas em experimentos de células-tronco embrionárias. Nessa mesma linha de argumento, os “anti-vida” defendem a legalização do aborto, um eufemismo para “matança de crianças inocentes e indefesas em massa”.

O mais engraçado são os “cristãos” liberais, tão preocupados com as vítimas da fome e da guerra, mas muitos são defensores do aborto. Paradoxo extremo ou hipocrisia? Muitos defensores da “teologia da libertação” apoiaram “revoluções comunistas”, como em Cuba. O regime de Fidel matou quase 100 mil cubanos naquela pequena ilha, segundo a Anistia Internacional, que em sua maioria cometeram o grave crime de “discordar do regime”. Che Guevara montou um campo de concentração onde fuzilou 400 cubanos. Frei Betto tem um lindo testemunho no enfrentamento do terrível regime militar brasileiro, mas ele mesmo assinou a constituição cubana ao lado de Fidel. Um “amor cristão” no mínimo seletivo! Existem acusações que na década 70, a organização ecumênica “Conselho Mundial de igrejas” (CMI) patrocinou guerrilhas nacionalistas no continente africano.  Os “humanistas” andam valorizando os porcos!

Conclusão:

Ou amamos as coisas, ideologias, causas estúpidas e utópicas, ou amamos as pessoas, segundo no s descreve o Evangelho de Jesus Cristo. Não podemos perder a alma, enquanto ganhamos o mundo inteiro. Quem busca a matéria, “perde a alma, perde a calma e se perde eternamente” (Antônio Cirilo).

Nota:

[1] Mc 5. 1-20

sábado, 21 de fevereiro de 2009

O analfabetismo bíblico e o avivamento!

Um dos maiores problemas da comunidade evangélica brasileira é a falta de leitura da Bíblia. As Escolas Bíblicas Dominicais, em várias congregações, estão às moscas! Os cultos de doutrina são vazios, no caso, ou de gente ou de conteúdo por parte dos pastores! As conferências, congressos e simpósios teológicos (doutrinários) atraem pouquíssimos evangélicos, enquanto as maiorias certamente estão em “cultos de avivamento” ou em algum “show gospel”. A situação a cada dia só piora.

Ainda tem gente com a coragem de dizer que estamos em um avivamento!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A falsa humildade dos agnósticos cristãos!

Em tempos que alguns cristãos já não acreditam na objetividade da verdade. Em tempos onde tudo está sob a ditadura da relatividade. Em tempos onde cristãos se comportam como agnósticos.  Em tempos que a moda é “revisar” a fé e a doutrina, colocando pressupostos dos antigos filósofos. Em tempos que para uns Sartre, Nietzsche e Dalai Lama são referências teológicas e de espiritualidade... Eis que leio as ótimas sacadas do filósofo inglês Gilbert Keith Chesterton (1874- 1936), que falando sobre uma falsa humildade, disse:

O que sofremos hoje é de humildade no lugar errado. A modéstia se afastou do setor da ambição e se estabeleceu na área das convicções, o que nunca deveria ter acontecido. Um homem devia mostrar-se duvidoso a respeito de si mesmo, mas não a respeito da verdade; isto foi invertido completamente. Hoje, aquilo no qual o homem confia é exatamente aquilo em que ele não deveria confiar - nele mesmo. Aquilo que ele duvida é exatamente o que ele não deveria duvidar - a razão divina... O cético moderno propõe ser tão humilde que duvida se pode aprender... Existe uma humildade característica de nossa época; acontece, porém, que ela é uma humildade mais venenosa do que as mais severas prostrações dos ascéticos... A velha humildade fazia que o homem duvidasse de seus esforços, e isto, por sua vez, o levaria a trabalhar com mais empenho. Mas a nova humildade torna o homem duvidoso a respeito de seus alvos; e isto o faz parar de trabalhar completamente... Esta mos a caminho de produzir uma raça de homens tão mentalmente modestos que serão incapazes de acreditar na tabuada de multiplicação. (G. K. Chesterton)

Hoje, infelizmente muitos já não sabem afirmar em quem tem crido, pois estão ludibriados por uma dúvida que não leva ninguém a lugar algum. Encaram a dúvida em si mesma, uma dúvida que não busca respostas ou nunca se conforma com nenhuma resposta. Uma dúvida de arrogantes, típica de pseudo-humildes!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Quando a glória da igreja sobe, a glória do céu desce?

No meio da verborragia de muitos pregadores pentecostais, envolvidos em gritos ensurdecedores, eles afirmam: “A Bíblia diz que quando a glória da igreja sobre, a glória do céu desce”!  O problema é que se você folhear as Escrituras de Gêneses ao Apocalipse, não encontrará apóio para essa afirmativa.

Praticamente em todos os cultos dominicais ouço com muito pesar essa frase, sempre envolvida em muito barulho. As “glórias a Deus” e “aleluias” não são proclamadas pela maioria de modo espontâneo, o que seria válido, mas mecanicamente. Parte das pessoas que estão nos cultos repetem como papagaio o que os pregadores mandam falar. Repetem porque querem e já se acostumaram com essa prática.

O que acho mais engraçado é a insistência dos pregadores carismáticos em querer que as pessoas gritem “glórias a Deus e aleluias”. Já ouvi um dizendo que se pudesse oferecia dinheiro para ver crente “calado” proclamando “glórias a Deus”. Por que essa insistência? Será que a “glória” é para Deus mesmo? Ou será que é para os próprios pregadores? Nessa hora fico bem desconfiado!

O pior que tudo isso fica mecânico, ao ponto que as pessoas ouvem um pregador alterando o timbre da voz e logo começam a gritar. Uns já são tão sistemáticos em seus gritos, que ao ouvirem um pregador de voz alta falando, mesmo se essa fala for sobre uma tragédia, logo dizem: “glórias a Deus”!

Os pregadores costumam ser intolerantes com os “crentes calados”. Sempre jogam piadinhas do tipo: “boca de geladeira”, “garganta de ferro”, “sorveterianos” e outras besteiras. Muitos ainda ameaçam dizendo para os “calados” que eles não receberão a vitória! Só faltam dizer que os “calados” não serão arrebatados, pois tinha uma música antiga que relacionava arrebatados com “povo barulhento”.

Agora, quero lembrar que não estou dizendo ser errado alguém proclamar espontaneamente, sem atrapalhar a ordem do culto, saindo da sinceridade do coração, um “glória a Deus” e um “Aleluia” com gosto e firmeza. Sim, Deus é digno de ser adorado! O que estou falando contra é sobre a prática da mecanização, e ainda associar gritos com a “benção de Deus”, ou seja, você é abençoado se e somente se, gritar e berrar com um descontrolado.

Há muitos que gritam “glórias a Deus” sem pensar no significado dessas palavras e ainda outros que falam “aleluias” e nem conhecem o sentido do termo hebraico. Ora, onde está o culto racional? Aonde que vamos parar sem reflexão? Somos papagaios para emitirmos sons sem saber o que realmente estamos comunicando?

Alguém pode dar um “glória Deus” por isso? 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Cuidado com a paranóia!

Os evangélicos têm uma mania de manipulação. Manipulação é uma “manobra pela qual se influencia um indivíduo, uma coletividade, contra a vontade destes (de modo geral, recorrendo a meios de pressão, tais como a mídia)”. Portanto essa expressão é recorrente nas igrejas, juntamente com outras expressões, tais como “mensagem subliminar”, “complô”, “eles estão contra nós” etc.

Existe uma verdadeira paranóia em torno do tema “manipulação”. Muitos líderes evangélicos usam e abusam dessa idéia nos púlpitos. O engraçado é ver que esse sentimento de medo da manipulação atinge cristãos das mais diversas correntes, desde conservadores até os emergentes (ou novo-liberais).

Agora, pare e pense: Será que uma pessoa pode ser coagida contra a sua própria vontade? Será que os telespectadores de um programa de TV são tábuas rasas onde absorvem tudo que a grande mídia decide em “reuniões secretas”? Será que um indivíduo pensante ficará preso as mentiras de um falso ensino só por causa da retórica de um grande orador?

Não, ninguém é um balde vazio que absorve qualquer coisa sem filtragem. Todos nós seres humanos somos livres, dotados da capacidade de decisão pela nossa própria vontade. É claro que poucos têm discernimento para escolher o caminho correto, mas todos fazem uma escolha ou permitem que outros façam essa escolha por ele.

Mesmo sabendo que fazemos escolhas baseados em nossa própria pré-disposição básica, é importante lembrar que essas escolhas são inconscientes.  Uma decisão então é tomada pela mensagem ouvida mais a soma da minha vontade. A vontade subjetiva do homem vai sendo construída sobre uma base de personalidade, educação, família, cultura, condições sócio-econômicas e igrejas (todos esses elementos formam nosso repertório).  

Um falso-pregador, um programa de TV que apresenta “valores” anticristãos, um orador político, uma mulher sedutora etc. Nenhum deles pode manipular um indivíduo no sentido pleno da palavra. As pessoas farão escolhas baseadas na mensagem que ouvem do falso-pregador ou do programa de TV, mas essas escolhas estão atreladas ao repertório pessoal. Portanto, todos fazem escolhas diante do que é oferecido, mas muitos decidem pelo equívoco e pelas escolhas ruins.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Entrevista com o sociólogo Gedeon Freire de Alencar


Gedeon Freire de Alencar é presbítero da Igreja Assembléia de Deus Betesda em São Paulo, mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista, diretor pedagógico do Instituto Cristão de Estudos Contemporâneos (ICEC). É membro da Associação Brasileira de História da Religião, Associação de Professores de Missões do Brasil e da Rede de Teólogos e Cientistas Sociais do Pentecostalismo na América Latina e Caribe.
Alencar escreveu o livro de cunho sociológico
 Protestantismo Tupiniquim: Hipóteses Sobre a (não) Contribuição Evangélica à Cultura Brasileira (Arte Editorial). No ano 2000, em seu mestrado na Universidade Metodista defendeu a dissertação: Todo poder aos pastores, todo trabalho ao povo, e todo louvor a Deus. Assembléia de Deus: origem, implantação e militância (1911-1946). Nessa dissertação faz uma interessante análise da história assembleiana a em sua primeira fase no Brasil.

Nessa divertida entrevista discutiremos um pouco sobre o pentecostalismo (ou pentecostalismos) no Brasil.

Blog Teologia Pentecostal: Qual a importância da Assembléia de Deus para o pentecostalismo do século XXI? Essa denominação ainda consegue influenciar as tendências pentecostais no Brasil?

Gedeon Alencar: A AD é o elemento principal do que eu chamado de " matriz pentecostal brasileira" (aliás, isto é base de meu projeto de doutorado que não consegui, por diversas razões, levar adiante).
As duas primeiras igrejas pentecostais são AD e CCB. A Congregação, nas primeiras quatro décadas fundamentais para sua formação, é uma igreja étnica- isso não é dito com mérito ou demérito. Além de ser ultra calvinista (talvez mais que o próprio Calvino): se tornou uma igreja fechada. Note: não estou afirmando que isto é bom ou ruim; estou fazendo uma constatação histórica. Hoje ela é bem parecida com o que era há anos atrás. Não mudou quase nada do seu modelo original. Isso implica que, por seu isolamento social, não teve influencia na formulação do pentecostalismo brasileiro, e muito menos, na produção cultural do país.
Já a AD desde cedo se "abrasileirou", apesar da liderança sueca. Desde os primeiros anos a liderança assembleiana foi tomada (e tomada mesmo...) por nordestinos. A convenção de 30, a primeira, é convocada por líderes nordestinos contra a vontade dos suecos. Não estou inventando nem interpretando, basta ler os registros no Jornal a Boa Semente publicados nos anos mais "quentes" de 28 a 30.
A AD posteriormente, brasileira, nordestina, pobre, simples, periférica, sem dinheiro e ligação com o exterior, que em vinte anos (não com muito dinheiro, TV e política na mão) alcança o Brasil - é uma igreja brasileira, feita por brasileiros, e para brasileiros!
Uma ultima coisa: todos os demais movimentos, denominações e instituições que se "pentecostalizaram" ou se "renovaram" têm, ou tiveram, alguma influencia do pentecostalismo assembleiano. O costume da saudação da "paz do Senhor", o hinário, o modelo patrimonialista, usos e costumes, a ênfase evangelística, a dinâmica e participação do povo, etc., todas estas questões estão presentes em todos os movimentos pentecostais, por mais independentes que sejam, e são originados da "matriz pentecostal assembleiana".  A AD é que nunca conseguiu capitalizar em cima disso.
02. Em sua dissertação sobre a Assembléia de Deus, o senhor destaca um papel forte da missionária Frida Vingren, esposa do co-fundador Gunnar Vingren, nas importantes decisões eclesiásticas da nascente denominação. Frida Vingren, como mulher, poderia ser classificada com um fenômeno inédito no cenário evangélico brasileiro?
Frida Vingren é, a meu ver, a maior heroína assembleiana e, ao mesmo tempo, a maior injustiçada da história assembleiana. Só se fala em Gunnar Vingren e Daniel Berg - típico de uma historiografia machista. Em 1917, ela sai sozinha e solteira da Suécia, passa nos EUA e vem ao Brasil para casar com Vingren. Aqui canta, ora, prega, escreve mais de 80% do jornal (Boa Semente), faz culto nos presídios, na Central do Brasil, escreve música e poesia, organiza a Harpa, escreve Atas, enfim, dirige a igreja! Seu marido desde o primeiro mês no Brasil é um home doente de malária, é ela quem carrega o piano! É exatamente por isso que ela tem muitos inimigos - desde os cabras machos nordestinos que não querem ser liderados por uma mulher ao seu contemporâneo Samuel Nystron que é contra a liderança feminina. No livro " História da Convenção", publicado pela CPAD, o jornalista Silas Daniel, resgata algumas cartas nada amistosas que Nystron e Gunnar trocaram.
Não é inédito porque a religião, não somente o pentecostalismo brasileiro, sempre teve grandes mulheres, mas como sempre marginalizadas. Ainda hoje é assim. Tem uma tese na PUC sobre as mulheres que pentecostais que o titulo diz tudo; "O silencio que deve ser ouvido". E um trabalho de missiologia da Laura de Aragão, no CEM, é outro primor: "Escolhidas por Deus, rejeitadas pelos homens"
03. Gunnar Vingren não viveu muito para ver o desenrolar de sua obra missionária. Na sua dissertação o senhor especula que a Assembléia de Deus talvez poderia ter tomado "outro rumo" com os Vingren por mais tempo na denominação. Qual seria esse "outro rumo"?

Amigo, eu sou sociólogo, não vidente...
Gunnar Vingren era formado em teologia pelo Seminário Teológico Sueco de Chicago, era a favor da mulher no ministério - sua mulher é a prova disso. Na década de 20, no RJ, consagra mulher ao diaconato. E em sua época, as mulheres participavam, não apenas ouvindo, mas falando e dando palpites nas reuniões da igreja. Em todas as fotos oficiais de convenção tem mulheres. Registra em seu diário que pregou na Congregação Cristã. E também nessa época tinha manifestações de "risos no Espírito" de forma que não podia continuar pregando - se isto tudo é erro ou acerto, isso não é problema meu. Mais uma vez um aviso: não estou inventando nem interpretando. Tudo está registrado em seu livro "Diário de um pioneiro" e no Jornal Boa Semente. Gunnar não era (como os demais suecos e toda a liderança assembleiana), contra o ensino teológico e formação em seminários teológicos; era a favor da mulher no ministério; era bem aberto as demais igrejas de sua época; e tinha um pentecostalismo bem "original".
Ficou poucos anos da liderança, ademais era um homem doente, como ele mesmo diz "a igreja estar bem liderada por minha mulher e os obreiros", quem liderava  efetivamente era Frida. Levou um golpe da liderança nordestina da época em 1930, foi embora, e  morreu logo em seguida. É laureado como herói atualmente, mas em vida foi voto vencido em todos seus projetos. A AD dirigida por Gunnar Vingren seria bem diferente da que se formou. Melhor ou pior? Não tenho a mínima idéia, mas diferente com certeza.
04. Por que a Assembléia de Deus adotou um discurso tão ultra-conservador nos usos e costumes? A origem marginalizada "sueca- nordestina" seria uma explicação satisfatória?
O "ethos sueco-nordestino" que Paul Freston desenvolve em sua tese, e eu repito na minha (o Freston foi meu orientador e depois participou da banca de minha defesa de mestrado), é uma das melhores explicações para isto, mas não é a única.  
Não precisa recorrer a décadas de história, basta ver o presente. Onde e quais as igrejas (sejam ADs ou quaisquer outras) são conservadoras em usos e costumes? Apenas - veja, apenas - nas regiões pobres e mais periféricas. Igrejas em processo de "aburguesamento", de classe média para cima não conseguem - ou não querem - ser conservadoras. Mesmo as ADs que falam tanto em "preservar a doutrina", mas se preserva a "doutrina" apenas para os pobres e das igrejas nas periferias. Igrejas sedes e de classe média não tem "doutrina" que as segure. Portanto, neste processo a AD não estar sozinha; isso acontece, e aconteceu, com todas as demais igrejas. Mesmo que alguns queiram ligar o fato de "uso e costumes" a ação do Espírito Santo, lamento, mas isso diz respeito as questões econômicas.
05. Estudiosos como Bernardo Campos, Paul Freston e Robinson Cavalcanti defendem a tese que existe uma "pentecostalização" das igrejas históricas e uma "historização" das igrejas pentecostais clássicas ou de primeira onda. Quais são as implicações desse fenômeno para o mundo protestante?
Sim, isto é visível. O pentecostalismo, no Brasil, vai fazer cem anos, portanto, tem história. "Historizou-se". O fenômeno religioso é dinâmico e, para mal ou bem, cíclico. Práticas religiosas que eram "pentecostais" anos passados ou décadas, se tradicionalizam. Ademais, se fala em pentecostalismo com fenômeno típico do século XX, mas muito disso já aconteceu em séculos passados nos Avivamentos, nos Movimentos de Santidade, na história de "santos" ou "hereges" medievais.
O mundo protestante vai sempre se "renovar" e/ou se "tradicionalizar"  a despeito de todos.
06. Como sociólogo, quais aspectos do pentecostalismo ainda faltam ser explorados pelos estudos sociais, especialmente pela Ciência da Religião?
Temos muitos trabalhos hoje sobre o fenômeno pentecostal na atualidade, mas ainda falta uma delimitação da “matriz pentecostal" (daí meu projeto de doutorado).  Agora o universo pentecostal hoje é tão amplo, plural, pitoresco e cheio de novidades que sempre haverá alguma coisa a ser explorada. Como brinco em sala de aula: O fenômeno religioso é tão original, que de tédio a gente não morre!
07. Como conhecedor do pentecostalismo latino, quais são as principais diferenças entres os pentecostais brasileiros e os demais carismáticos desse subcontinente?
 Vou indicar apenas duas singularidades do pentecostalismo brasileiro. Em um congresso de sociologia na Costa Rica, tomei um susto quando conheci um pastor assembleiano peruano, um dos mais importantes, que era também o principal líder ecumênico em seu país. Assembleiano ecumênico é escasso no Brasil, mas não América Latina.
A AD, na América Latina, foi fundada e financiada pela AD nos EUA (diferente da AD no Brasil de origem sueca), portanto, a AD latina de fala espanhola é congregacional, como é a AD americana. Qual a AD brasileira é, estritamente falando, congregacional? Eu, particularmente, não conheço nenhuma. 
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Leia mais entrevistas publicadas no Blog Teologia Pentecostal:

01. Entrevista com Robinson Cavalcanti, bispo da Diocese Anglicana de Recife.http://teologiapentecostal.blogspot.com/2008/11/pseudo-pentecostais-e-distoro-da.html
02. Entrevista com Isael de Araújo, autor do Dicionário do Movimento Pentecostal.
03. Entrevista com Silas Daniel, editor de jornalismo da Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD).
04. Entrevista com Ciro Sanches Zibordi, autor do Best- seller Erros Que os Pregadores Devem Evitar.
05. Entrevista com Geremias do Couto, coordenador do Projeto Minha Esperança Brasil.
06. Entrevista com Paulo Romeiro, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Debate entre Dinesh D'Souza e Christopher Hitchens

Nos últimos anos um grupo de famosos ateístas resolveram sair do armário e agora se dedicam à apologia de uma anti-crença, entre eles encontram-se Richard Dawkins, Daniel Dennett, Sam Harris e Christopher Hitchens. Denominado como Novo Ateísmo esse movimento tem como característica uma intolerância anti-religião, principalmente pelo cristianismo.Diante desse quadro, vemos cristãos que não tem medo de debates e dialogam com esses ateístas, mostrando o equívoco dessa ideologia, mesmo diante da negativa deles.

Convido todos para assistirem o debate travado entre o ateísta Christopher Hitchens e o cristão Dinesh D'Souza. Christopher Hitchens é um jornalista, escritor e crítico literário britânico. Dinesh D'Souza, ex-analista político interno da Casa Branca, atualmente é pesquisador do Hoover Institution, na Universidade de Stanford.

Primeira Parte (com legenda)



Segunda Parte (com legenda)

domingo, 15 de fevereiro de 2009

I Timóteo 2.9 e I Pedro 3.3 proíbem adornos para mulheres?

Uma boa exegese dos textos bíblicos deve ser um imperativo nos púlpitos evangélicos. Muitos textos das Sagradas Escrituras são violentados em sua mensagem para compartilhar a mensagem do desastrado intérprete. Nesse universo existem muitos que proíbem as mulheres de usarem adornos supostamente baseados na Bíblia, principalmente em textos como I Tm 2.9 e I Pe 3.3. Será que esses textos apóiam essa visão restritiva dos adornos para as mulheres?

Paulo nos ensina...

O texto de I Tm 2.9-10 diz: Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos, mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras.

Paulo está nos ensinando um princípio que serve para todos os cristãos, apesar do texto direcionar a recomendação para as mulheres cristãs. O texto deixa bem claro que não devemos nos vestir para impressionar outrem ou por mero exibicionismo. Quantas pessoas querem promover uma auto-afirmação por meio de suas caras vestes e dos seus adornos!

O teólogo Lawrence O. Richards nos lembra que:

A admoestação de Paulo não impede a mulher de se vestir de maneira elegante, mas tão somente de se utilizar do vestuário para chamar a atenção! A melhor maneira de uma pessoa, homem ou mulher, expressar a sua individualidade é através das boas obras que evidenciam um caráter piedoso. A sociedade da época, como a nossa, parece que pressionava as mulheres a que se vestissem como se fossem objetos sexuais. Assim também os seus valores e qualificações foram determinados pela habilidade de estimularem a sexualidade dos homens. Esse procedimento tem aviltado as mulheres tanto do passado como de hoje em dia. [1]

O Dr. Richards lembra um aspecto muito importante: a “coisificação” da mulher. A nossa sociedade a cada dia torna as mulheres como objetos sexuais e as mulheres cristãs não devem cair nesse mal do século. As roupas sensuais são uma afronta Deus e principalmente a dignidade humana. Tornar pessoas objetos fere a linda mensagem de que somos como humanos a “imagem e semelhança de Deus”.

No texto podemos destacar duas preciosas palavras: pudor e modéstia.

 Pudor é “sentimento de vergonha, timidez, mal-estar, causado por qualquer coisa capaz de ferir a decência, a modéstia, a inocência” (Dicionário Houaiss).  Todo cristão precisa observar esse princípio ao abrir o seu guarda-roupa ou na próxima compra do Shopping Center. Paulo não determina um tipo ou estilo de roupa, mas aplica um princípio: qualquer roupa que você usar, use com pudor; se é uma calça, seja com pudor; se é uma saia, seja com pudor; se é uma bermuda, seja com pudor; se é uma camiseta, seja com pudor; se é uma regata, seja com pudor etc. Não depende do estilo de roupa, que é algo cultural, mas sim na disposição desse vestuário individualmente, na aplicação do bom-senso pelo próprio crente, sem a determinação de terceiro ou de tabus comunais.

Modéstia é comedimento, desprendimento, moderação, despretensão etc. Uma clara virtude cristã. Será que seria uma atitude cristã uma mulher gastar 15 mil reais em uma bolsa, quando esse dinheiro poderia ser trabalhado na causa do “órfão e da viúva”? Será que esses pastores que disciplinam irmãs que pintam o cabelo, mas que usam gravata de grife italiana estão sendo modestos?  Existe modéstia na vida de quem vive ostentando riquezas por dízimos de ovelhas pobres? Veja como esse texto traz uma mensagem profunda que muitas vezes resume-se a condenações para com as mulheres. Sejamos modestos, nada de tranças mirabolantes, ouros e pérolas quando pisamos nas calçadas cheias de miséria. Nada de pastores sustentados pelas igrejas andando de Hilux quando suas ovelhas não podem nem comer ou quando os membros não têm um templo para adorar a Deus.

Nesse quadro é muito apropriada na descrição histórica citada por Deborah Menken Gill, quando diz: “A ostentação na vestimenta era freqüentemente considerada um sinal de promiscuidade no mundo antigo [especialmente entre os cristãos], tais gastos, tão grandes, eram considerados injustificados em razão da difícil situação dos pobres (Kroeger e Kroeger, 1992, 75)” [2]

Isaías condena as mulheres que viviam no luxo enquanto a povo vivia na mais violenta miséria, sem nenhuma ação efetiva dessas mulheres que valorizam mais os seus enfeites do que o humano (Is 3.16-24). Diante da necessidade de uma vida modesta, vemos uma boa reflexão de João Crisóstomo, ainda no séc. IV, quando disse:

É por isso que os gentios não acreditam no que dizemos. Eles querem que lhes demonstremos uma doutrina, não pelas nossas palavras, mas nossas obras. Mas quando nos vêem construir casas luxuosas, plantar jardins, construir saunas e comprar terrenos, não podem convencer-se de que estamos preparando nossa viagem para outra cidade.

A modéstia está em falta na vida da cristandade. Interessante ver alguns pastores que condenam tudo e em tudo vêem pecado, principalmente para as mulheres, porém moram em mansões e andam com seguranças, além de pregarem por detrás de uma redoma de vidro blindada. Quanta incoerência!

Modéstia também não é voto de pobreza e nem viver na miséria. Modéstia fala-nos de equilíbrio. Equilíbrio não é mini-saia ou burca mulçumana, esses casos são extremos que fogem ao bom-senso. Algumas mulheres perdem sua feminilidade por causa de regras meramente humanas.

Pedro nos ensina...

O texto de I Pe 3.3-4 diz: O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de jóias de ouro, na compostura de vestes mas o homem encoberto no coração, no incorruptível trajo de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus.

Um texto não pode ser tirado do seu contexto. Pedro está falando com as mulheres cristãs que são casadas com incrédulos. Pedro ensina que essas mulheres ganharão seus maridos para Cristo por meio de uma vida piedosa, e não por ostentação da beleza exterior (cf. I Pe 3.1-7). O que comunica o Evangelho é a piedade cristã, a beleza interior, que é infinitamente superior a nossa matéria. Pedro está ensinando que a beleza mais importante é a interior para a conversão do marido. Lembrando também o cuidado da mulher, como do homem (na beleza exterior) é muito importante dentro do casamento.

O Dr. Richards ainda lembra que: “Pedro não está lançando uma campanha contra o batom. O que ele nos quer lembrar é que o que conta é a beleza interior de uma pessoa”[3]. Uma pessoa de princípios não valorizar mais a sua beleza e estética do que de sua alma.

Conclusão

Nos dois textos aprendemos preciosas lições, como os princípios da modéstia, moderação, pudor, desprendimento e que a beleza interior é a mais importante. Essas lições não dizem que adornos ou calças femininas são pecados. Esses “ensinamentos” são parte de “doutrina de homens” que acabam indo além do que está escrito. “Doutrinas de homens” são formas de desonrar as Escrituras e quem verdadeiramente ama a Bíblia não se apega a esses legalismos.

Referências Bibliográficas:

[1] RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2005. p 834.

[2] ARRINGTON, French L; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. 4 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 1451.

[3] RICHARDS, Lawrence O. Idem. 

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Teologia da Prosperidade: Uma síntese!

O termo Teologia da Prosperidade foi criado para designar um ramo da cristandade que construiu sobre uma fraca base exegética e hermenêutica, conceitos distorcidos sobre o propósito da redenção efetuada por Cristo Jesus. Teologia da Prosperidade também é largamente conhecida como Confissão Positiva, Movimento da Fé, Ensino da Fé, Evangelho da Saúde e Prosperidade, Palavra da Fé e sociologicamente como Igrejas da Cura Divina, pós-pentecostalismo, pentecostalismo de terceira onda, iso-pentecostalismo.

Para aqueles que não são adeptos da Teologia da Prosperidade, mas ainda apresentam uma visão simpática sobre o movimento, recomendo que leiam a obra Cristianismo em Crise (CPAD) de Hank Hanegraaff. Hanegraaff é presidente do Instituto Cristão de Pesquisas dos EUA. Além dessa importante obra, recomendo outros livros como Heresias e Modismos (CPAD) de Esequias Soares; Super-Crentes, Evangélicos em Crise e Decepcionados com a Graça, todos da editora Mundo Cristão e de autoria do pastor Paulo Romeiro. Há ainda outras obras antigas e boas, como o Evangelho da Nova Era (Abba Press Editora) do Ricardo Gondim, O Evangelho da Prosperidade do batista Alan Pieratt (Edições Vida Nova) e Tempo de Refletir de Ariovaldo Ramos e Ricardo Bitun.

No Brasil, os principais pregadores da prosperidade são Valnice Milhomens, R.R. Soares, Edir Macedo, Robson Rodovalho, Cássio Colombo, Marco Feliciano, Jorge Linhares e outros. No mundo, o mais conhecido deles é o falecido Kenneth Hagin, além de Benny Hinn, Joyce Meyer, Oral Roberts, Kenneth Copeland, Glória Copeland, Moris Cerulo, Charles Capps, Paul (David) Yonggi Cho e outros.

É interessante ver que a maior parte dos estudiosos contrários a teologia da prosperidade são pentecostais. Vemos acima as indicações de livro do Romeiro, Gondim, Bitun, Soares e nos Estados Unidos temos Gordon Fee. Entre os maiores críticos temos não-pentecostais temos D. R. McConnell e Hank Hanegraaff, ambos simpáticos ao movimento pentecostal/carismático. Nesse assunto podemos ver como os pentecostais podem contribuir para a reflexão teológica no protestantismo, pois ainda temos uma tímida influência.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Ágora Pentecostal: Um espaço para debates

Sem argumentos, tomam-se as pedras; sem respostas, crucificam-se os questionadores; sem convicções próprias, calam-se os profetas. Ricardo Gondim [1]

Os blogs são ótimas ferramentas de inteiração. Recebemos mensagem de várias pessoas que compartilham ou criticam civilizadamente nossas idéias. Críticas sempre são bem-vindas, logo porque a promoção do debate é uma tarefa rica e saudável nas discussões de idéias. Mas como blogueiros cristãos enfrentamos uma realidade difícil de engolir: pessoas que se escondem no anonimato ou pseudônimos para xingar em lugar de argumentar.

Esse espaço está pronto para debates de teses e propostas. Quando escrevo sobre os pontos deficientes do movimento X ou da doutrina Y, espero receber respostas inteligentes dos defensores desses movimentos e doutrinas. Mas sempre vem um "anônimo" e usa as mesmas argumentações: "Você é invejoso, você é frio, você não tem caráter, você é isso ou aquilo". Esse tipo de comportamento não é nada cristão. É importante lembrar que esse problema acontece com vários blogs, não somente com esse.

Pessoas que ofendem e não argumentam são sujeitos de convicções frágeis e que em lugar de promoverem a construção de uma boa apologia, preferem ofensas pessoais. Quem não tem firmeza no que crer, fecha-se no seu exarcebardo fundamentalismo repressor ou logo corre atrás das novidades doutrinárias, sendo fluído em suas idéias.

Sim, esse espaço tem a proposta de ouvir idéias contrárias, promovendo o debate. Essa ágora [2] pentecostal não tem espaço para anônimos vazios de argumentos e pseudônimos ofensores.

Notas:

[1] GONDIM, Ricardo. Fim de Milênio: Os Perigos e Desafios da Pós-Modernidade na Igreja. São Paulo: Abra Press, 2002. p 78.

[2] Ágora era a "praça principal das antigas cidades gregas, local em que se instalava o mercado e que muitas vezes servia para a realização das assembléias do povo; formando um recinto decorado com pórticos, estátuas etc. Era também um centro religioso" (Dicionário Houaiss).

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Princípio Pentecostal: Não materializem o espiritual, não espiritualizem o material

O teólogo pentecostal peruano Bernardo Campos criou o conceito de "princípio pentecostal". Dentre os pontos colocados por Campos desse "princípio pentecostal", destaco o terceiro: "O princípio pentecostal quer opor ‘espírito' ali onde o ser humano só que pôr matéria... e corporeidade ali ode o ser humano quer espiritualizar-se" [1]. Esse valor precisa fazer parte do pentecostalismo brasileiro, pois infelizmente há uma excessiva materialidade do espiritual e uma espiritualização do material.

A materialidade do espiritual

Nas denominações evangélicas, especialmente as pentecostais, acontece há muito tempo uma materialidade dos ministérios eclesiásticos. O ministério pastoral deixou de ser um "dom ministerial" para servir como manobra política. Pessoas que são ordenadas por questões meramente convencionais, e não por chamado divino. Assim como na política brasileira, muitos se tornam pastores por causa do apadrinhamento eclesiástico ou nepotismo mascarado. Muitos vivem de "bajulações" para conseguir seu espaço na fila dos ordenados. Infelizmente essa é uma realidade cruel, porém não deveria ser ignorada.

No meio pentecostal também existe uma materialização dos dons espirituais. Igrejas pós-pentecostais já não valorizam o exercício dos dons do Espírito e nem incentivam os seus membros na busca do Batismo no Espírito Santo. Por outro lado, existe uma "espiritualidade pentecostal mecânica", como o famoso reteté. A suposta liberdade do espírito não passa de movimentos repetidos por serem frutos de um modismo passageiro e até midiático (já que esses movimentos espalham-se por meio da internet e DVD`s)

A espiritualização do material

Para muitos, doenças como epilepsia, depressão e síndrome do pânico são logo identificadas como um demônio. Outros costumam repreender "em nome de Jesus" toda batida forte de uma porta ou ainda um tropeço na escada. Existem aqueles que se enganam, pensando que habitam numa "redoma de vidro divina" e logo estão livres de todo infortúnio. Muitos oram para que Deus ajude no vestibular, mas não estudam. Outros estão em busca de um casamento por meios de profecias. Em todos esses casos há uma espiritualização do material.

Mediante a politicagem eclesiástica totalmente materializada, alguns ainda apelam para uma pseudo-espiritualidade, atribuindo suas vitórias a Deus ou suas derrotas a algum complô diabólico. Nesse ambiente “mundanizado” a tentativa de espiritualizar não passa de mera retórica vazia e sem sentido.

Conclusão:

Eventos da vida comum (e muito menos os erros ou equívocos) podem ser espiritualizados. A naturalização não pode ser aceita para tudo, com se tudo pudesse ser explicado sociologicamente. Esses extremos devemos evitar, aliás, como todos os extremos.

Referência Bibliográfica:

[1] CAMPOS, Bernardo. Da Reforma Protestante à Pentecostalidade da Igreja. São Leopoldo: Sinodal, 2002. p 88.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Brasil: Novo ator econômico, mas tímido celeiro missionário

No dia 15 de novembro de 2008 o banco de investimentos Lehman Brothers anunciou concordata, gerando uma crise de confiança nos mercados financeiros e que contaminou toda a economia. Nesse dia iniciou a maior crise econômica desde 1929. Mas isso todo mundo já sabe e ouvem notícias todos os dias nos jornais anunciando demissões em massa, ações dos governos contra a crise e opiniões de especialistas sobre o assunto. Antes disso o Brasil comemorava números positivos de investimentos e avanços na economia, como obtenção do cobiçado "grau de investimento", aumento da classe média, queda na pobreza, recordes no superávit primário, aumento do consumo etc.

Agora estamos em plena crise econômica. Muitas notícias negativas chegam para a economia brasileira, porém outras mostram avanços nos países emergentes. Órgãos com FMI e Banco Mundial anunciam que o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) enfrentarão melhor a crise, com crescimento baixo, mas acima da média mundial. Esses quatro países são visto como novos atores globais e até como uma esperança para o fim da crise.

 Economia e Missiologia

 Alguém pode perguntar: Por que você fala sobre economia para escrever sobre missões transculturais? Missões evangélicas e economia estão intimamente ligadas. Enviar missionário é um investimento alto e de resultados demorados. Não é uma tarefa para pragmáticos, mas sim para aqueles que amam o próximo. Os países ricos e cristãos sempre enviaram muitos missionários, mas esse número vem caindo gradativamente principalmente na Europa pós-cristã.

Quando analisamos o crescimento econômico do Brasil, Rússia, Índia e China e ainda quando relacionamos esse fato com as igrejas nesses países, vemos um paralelo importante e interessante. Essas nações não são somente nos atores econômicos, mas também são lugares de amplo crescimento do protestantismo. Não quero com isso afirmar que o protestantismo traz riquezas para uma nação, pois cada sucesso econômico está relacionado com vários fatores, inclusive culturais e da ética religiosa. Mas fazendo o paralelo do crescimento econômico do BRIC e o crescimento do cristianismo protestante nessas nações, podemos encarar esse fato como uma ótima notícia. 

Brasil, um tímido celeiro missionário

 Os Estados Unidos da América continuam como o país que mais envia missionários para o mundo. Outros grandes celeiros missionários são países ricos com Inglaterra e Canadá, além da Coréia do Sul. Na Ásia existe uma agradável surpresa, pois a Índia está entre os países com o maior envio de missionários. O Brasil possui cerca de dois mil missionários transculturais. Algumas estatísticas indicam que o Brasil está em quinto lugar no número de missionários enviados para outros países, cotando com protestantes e católicos.

Os números de missionário no Brasil são baixos. Equivale 0,005% dos números de evangélicos no país (dois mil missionários num universo de 40 milhões de evangélicos). Isso significa um missionário a cada 20 mil evangélicos. Diante desses números, que já foram melhores (antes era um missionário a cada 10 mil evangélicos), Russell Philip Shedd perguntou em um de seus artigos: "Existe avivamento no Brasil?".

 Infelizmente o boom missionário da década de 80 no Brasil não passou de um modismo bem passageiro. O antes “celeiro mundial de missionários” hoje apresente números muito pequenos. Com dito acima, segundo a SEPAL, há em torno de dois mil missionários transculturais brasileiros, desses muitos estão nos EUA, a nação mais evangelizada do mundo.

China, um promissor celeiro, mas ainda campo desafiador

A China de Mao Tse Tung, com sua Revolução Cultural massacrou os cristãos daquele país. Atualmente a ditadura do comunismo chinês ainda persegue os cristãos e suas congregações, principalmente no interior do país, mas a situação tem melhorado gradativamente. Quando mais a China abre-se para o livre mercado e a globalização, mas o país tem recebido influências ocidentais. Nessa ordem é possível ver na China uma tendência de abertura, mas que será gradual e demorada. Em entrevista para a Folha de S. Paulo [1], o sinólogo francês Jean-Luc Domenach, disse: "Hoje, muitos dirigentes chineses têm consciência de que a passagem para a democracia é algo que, no longo prazo, não poderá ser evitado". Em declaração para a revista Christianity Today, o presbítero John Davis falou sobre uma nova fase com as igrejas clandestinas, que se escondem da perseguição do governo. Disse Davis: "Elas (as igrejas clandestinas) têm estado escondidas por tanto tempo que agora se sentem prontas para serem vistas, para serem sal e luz na sociedade" [2]. Hsu, ex-jornalista estatal CCTV disse uma verdadeira "pérola" para Christianity Today: "Antes de a liberdade chegar, é preciso ter uma fundação que possa garantir-lhe sustentabilidade. No Ocidente, esta fundação é o Cristianismo” [3]

É interessante observar que a elite intelectual chinesa está aderindo ao protestantismo. Nas universidades professores e alunos têm expressado a fé cristã. Cidades como Pequim já são mais flexíveis com a fé protestante e a igreja chinesa faz sucesso em todas as classes sociais [4]. Quando a igreja chinesa tiver mais espaço para livre culto e organização será possível ver milhares (ou milhões) de missionários advindos dessa nação.

Enquanto que no século XVI o Brasil recebia a missionários jesuítas e os primeiros protestantes calvinistas franceses, a China não via indícios da cristandade[5]. Hoje a situação é bem diferenciada. A China certamente evangelizará o mundo com americanos, brasileiros e com a florescente igreja da parte sul do continente africano.

Índia e Rússia

Países com territórios e populações continentais, além de amplo desenvolvimento econômico. A Índia é teoricamente democrática, mas os cristãos sofrem com a perseguição de hindus radicais, além de mulçumanos na fronteira com o Paquistão. As autoridades indianas também não ajudam, e muitas vezes criam leis contra o denominado “proselitismo” e ainda são indiferentes com os radicais hindus. Mas a igreja na Índia continua em amplo crescimento e como afirmado no início do texto, esse país é um dos que possuem mais missionários. A Rússia é outro país que vive numa democracia para “inglês ver”. As perseguições não são mais intensas como no governo comunista, mas muitas leis tentam impedir o avanço da evangelização.

Conclusão:

Quanto mais ascensão econômica acontecer no Brasil, mas a responsabilidade crescerá das igrejas brasileiras que reúnem milhões de evangélicos. Recursos matérias não faltarão, mas o mais importante são os recursos humanos, a gente brasileira avivada a apaixonada por almas. A igreja no Brasil precisa de um urgente avivamento, a começar de mim.


Notas e Referências Bibliográficas:

01. LACROIX, Aléxis. Cesura Fina. Folha de S. Paulo. São Paulo, domingo, 03 de agosto de 2008. Caderno Ilustrada.

02. MOLL, Rob. China: o grande salto para frente. Cristianismo Hoje, São Paulo 13 de agosto de 2008. Disponível em: <http://www.cristianismohoje.com.br/retrancas/China:+o+grande+salto+para+frente/34205/rss> Acesso em: 11 Fev. de 2009.

03. Idem.

04. BOBIN Frédéric. A religião, uma revolução silenciosa na China. Le Monde. Paris, 20 de Agosto de 2008. Disponível em: < http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2008/08/20/ult580u3266.jhtm> Acesso em: 11 Fev. de 2009.

05. JENKINS, Philip. A Próxima Cristandade. Rio de Janeiro: Record, 2004. p 47.

 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

200 anos da gênese de Darwin: Fideísmo e Cientificismo

Nessa quinta-feira, 12 de fevereiro, o mundo biológico comemora os duzentos anos de Charles Darwin. Nesse dois séculos temos visto que muitos tentam ressuscitar a falaciosa luta entre ciência e cristianismo. Isso parte tanto de cientistas preconceituosos e fundamentalistas, como também de religiosos que ojerizam o conhecimento científico e acabam desprezando a máxima proclamada pelos pais da Igreja, que diziam ser “toda verdade é a verdade de Deus”.

Nesses 200 anos de Charles Darwin devemos aprender duas lições da história: Não podemos casar com o fideísmo e nem com o cientificismo.

Fideísmo é a “doutrina segundo a qual as verdades metafísicas, morais e religiosas são acessíveis apenas mediante a fé, e não mediante a razão” (Dicionário Michaelis). Fideísmo é o radicalismo da fé. Fundamentalista no sentido mulçumano do termo. Não quer ouvir nenhum contrário e logo manifesta sua violência aos desafetos. Os fideístas têm medo do debate, pois a sua fé é superficial como um prato raso. John Stott nos lembra que “crer é também pensar”. O escritor aos Hebreus nos fala de uma fé que está casada com a reflexão e o pensamento (Hb 11.3).

Cientificismo é a “doutrina que se funda nos conhecimentos científicos, relegando a um segundo plano as especulações transcendentais” (Dicionário Michaelis). Cientificismo apresenta-se como uma idolatria pela ciência. Os cientificistas acreditam que na ciência estão todas as respostas, inclusive sobre assuntos que transcendem nossa compreensão humana. Os cientificistas são utópicos, e em nome de um mundo melhor produziram milhões de mortes diante de sua ignorância anti-humana e assassina.

Nem fideístas e nem cientificistas. Dois extremos que devemos evitar antes de debatermos ciência e fé.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A imagem de Deus e a depravação humana, duas expressões do ser–humano


A imagem de Deus e a depravação humana, duas expressões do ser – humano é um esboço de sermão apresentado na Assembléia de Deus do Parque Cocaia I, São Paulo-SP.

E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou (Gn 1.27).
Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma! Pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado, como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram e justamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; como a língua tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; e não conhecem o caminho da paz, não há temor de Deus diante de seus olhos. (Rm 3. 9-18)
Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3.23)

Introdução

Nós os seres-humanos, temos a Imagem de Deus e ao mesmo tempo a depravação humana. O ser-humano é potencialmente mal, mas pode expressar a beleza da bondade. Em segundos, o homem pode reconhecer Jesus como o Cristo, o Filho de Deus; mas depois entregar sua própria boca para Satanás (cf. Mt 16.13-23).

1. O que representa a imagem de Deus?

A Imagem de Deus não representa que o homem possua semelhança física com Deus e nem que seja um semi-deus.

A Imagem de Deus significa que temos algumas características comunicáveis, como moralidade, afeto natural, cuidado pelos seus, justiça, conhecimento, ética etc.

1.1 O que fere a Imagem de Deus?

- Tratar o homem como uma “coisa” ou “objeto” (vide Comercias de Cerveja e a sexualidade pervertida).

- Relativizar os princípios éticos e morais (vide Aborto, eutanásia, eugenia etc.)

- Hedonismo (pornografia, imoralidade)

OBS: A união sexual entre o ser humano e o animal é pecado porque viola a imagem de Deus, por unir o que é expressão da imagem divina com o que não é. A homossexualidade, por violar a imagem de Deus ao unir duas expressões iguais dessa imagem, impedindo o reflexo da pluralidade e criatividade divina evidentes na procriação. A fornicação, por desonrar a imagem de Deus na outra pessoa. O incesto, por violar a imagem de Deus ao se unir duas expressões muito próximas dessa imagem. E o adultério, por violar a imagem de Deus que pertence a outrem (VOX SCRIPTURAE: Revista Teológica Latinoamericana. v. V, nº 1, março de 1995, pp. 45,46.)

- Banalização da vida (Guerras, assassinatos, ódio etc.).

2. A perversidade humana.

- Todos somos iguais perante Deus, ou seja, todos são perdidos.(v.9)

- Ninguém não nasce bom ou justo (Contrariando o Bom Selvagem de Jean Jacques Rousseau, que disse: 
A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável. ) (v. 10)

- O homem não pode se chegar a Deus com suas próprias forças (v. 11)

- O homem não pode se salvar, pois o mesmo não deseja pela sua natureza pecaminosa. (v. 12)

2. 1 Descrição da Maldade Humana (VV 13-18)

Exemplos: Nova Orleans, filme “Diamante de Sangue”, caso “Isabella”, edifício “Joelma” etc.

2.2 Como se livrar da perversidade humana?

- Na justificação do Senhor (Rm 3.24)

- Na graça de Deus (Ef. 2.8-9)

- Na mortificação da carne (Rm 8.13).

Conclusão:

Enxergar o ser - humano como dotado da Imagem e Semelhança de Deus é tratá-lo de modo diferente, com respeito e dignidade. Reconhecer o pecado e a natureza pecaminosa é o primeiro passo para aceitar o perdão e a regeneração de Deus.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

(Neo) Liberalismo Econômico e os Cristãos

Vejo muitos líderes cristãos criticando o regime econômico neoliberal. É claro que nenhum regime está livre de erros e eventuais críticas, mas a minha principal preocupação é que muitos desses estão simplesmente repetindo como papagaios aquilo que os esquerdistas políticos dizem e escrevem. Não, o neoliberalismo não é um regime descrito nas Escrituras, não é isso que eu estou dizendo, mas somente alertando que devemos estudar melhor até questões econômicas antes de sairmos emitindo opiniões.

Quais foram e ainda são as conseqüências da implantação do neoliberalismo no mundo? Vejamos:

01.   1. A única coisa sensata aplicada pela ditadura comunista chinesa foi o neoliberalismo, que só na China já tirou 400 milhões de pessoas da miséria nos últimos quinze anos.

02.  2.  De acordo com pesquisa do professor Arthur Brooks, da Universidade Syracuse, os grupo dos neoliberais são os que mais praticam e investem em obras sociais.

03.   3. Do início dos anos 90 para cá, a renda e a maior redução da pobreza pode ser vista nesse planeta, coincidindo com a implantação do neoliberalismo em vários países ocidentais e orientais.

04.   4. Os maiores exemplos de “milagres” econômicos nesses últimos anos foram vistos em economias de mercado, como Chile, China, Índia, Coréia de Sul, Vietnã e até no Brasil.

05.   5. O esquerdismo latino sofre da “síndrome da Adão”, ou seja, colocam sempre a culpa nos outros por sua incompetência. Eles dizem: - “Somos pobres e a culpa é dos EUA”; “Somos miseráveis, mas seríamos melhores de Reagan e Thatcher não tivessem existido” etc.

06.  6.  Joan Robinson já dizia: “Pior que viver num país explorado pelo capitalismo é viver num país não explorado pelo capitalismo”

07.   7. Os países economicamente neoliberais, se dantes ditaduras, tendem a abertura política e social.

Eis um assunto polêmico, mas não menos importante. Precisamos refletir melhor sobre tais fatos, principalmente nesse momento de crise econômica mundial.