quinta-feira, 30 de abril de 2009

10 atitudes para tornar-se um cult da espiritualidade pós-moderna

Instruções irônicas para os aspirantes. Veja:

01. Ame os escritores estadunidenses heterodoxos, mesmo sendo um antiamericano de carteirinha e contrário a dita “teologia enlatada”. Você será incoerente, mas como seu amado filósofo Nietzsche, não se importará com coerência.

02. Devore acriticamente essa literatura, especialmente Brian McLaren e a sua “Ortodoxia Generosa”. Livro obrigatório para um novo cult pós-moderno.

03. Critique duramente os fundamentalistas norte-americanos, inclusive aquilo que eles têm como virtudes. Ora, um autêntico cult não pode ver nenhuma qualidade nesse grupo.

04. Pense sempre “fora da cerca”, mesmo que você caia na lama.

05. Vista camisas com estampas de Che Guevara, pois isso é chique. Critique esse tal de neoliberalismo, mesmo não entendendo nada de economia. Lembre-se sempre disso quando lanchares no McDonald´s, que precisa lutar contra os impérios em nome dos pobres. Seja verde, seja defensor das minorias e até do casamento gay. Demagogia em primeiro lugar!

06. Critique aqueles que gostam de uma “teologia velha”, mas devore a espiritualidade medieval nas pessoas de Francisco de Assis e Teresa de Ávila. Mas uma vez a incoerência, mas não se preocupe.

07. Considere o filósofo prussiano Friedrich Wilhelm Nietzsche um cristão. Isso mesmo. Para os cults pós-modernos Nietzsche era um cristão, mesmo afirmando que o cristianismo era “mais nocivo que qualquer vício”. Diga sempre que a “teologia ortodoxa” foi contaminada pela filosofia grega e pela modernidade iluminista, mas nunca admita que você sofre influências da filosofia contemporânea.

08. Despreze aqueles “caras” chatos como Calvino, Wesley e Spurgeon. Eles incrivelmente acreditavam no mito bíblico.

09. Ame de todo o seu coração autores como Rubens Alves, Frei Betto, Leonardo Boff etc.; e odeie de todo o seu coração autores como R. C. Sproul e Francis Schaeffer.

10. Esqueça, a Bíblia foi manipulada, assim como você aprendeu naquele livro fantástico do Dan Brown, “O Código da Vinci”. Um clássico da história cristã. Portanto, esse livro servirá para você como uma narrativa meramente mitológica. Ok? Não fique contaminado por aquele papo dos terríves ortodoxos.

terça-feira, 28 de abril de 2009

As profecias são para os cultos!

Nos últimos anos o sagrado tem dado lugar ao sacrilégio. Não há pudor, respeito e temor pelo que é santo. Diante desse contexto, no próprio meio pentecostal a banalização dos dons espirituais espanta qualquer humano com bom senso. Os abusos acontecem principalmente com “línguas”, curas e profecias.

Lendo atentamente os capítulos 12, 13 e 14 da primeira epístola de Paulo aos Coríntios, fica bem claro que a profecia, como um dom espiritual, é para a edificação congregacional. Portanto, espanta com os “profetas” são abundantes em programas de rádio e televisão, assim como nos montes dos gravetos de fogo!

Por que ouvir profecias nesses lugares? Ora, a profecia não é da vontade humana e não deveria ser buscada como os místicos que correm atrás de videntes. Os pentecostais estão se assemelhando aos atordoados espiritualistas que amam adivinhar o futuro? Isso é perigosa e mostra uma tremenda imaturidade espiritual.

Profecia é para o ambiente congregacional, para edificação, encorajamento e consolação daqueles que juntos reúnem-se para cultuar a Deus. Os “profetas” de rádio e montes, ou aqueles que fazem até turnê de profecias pelas casas dos irmãos, são amigos da confusão e da falsidade. Profecias são para os cultos!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Grandes Catedrais!

As grandes catedrais evangélicas do mundo foram destaques em matéria da Revista Veja (Edição 2037). A Igreja de Lakewood, cujo líder é o pastor-star Joel Osteen e David Yonggi Cho foram citados na matéria, além dos templos brasileiros de Edir Macedo e David Miranda.
O jornalista Rafael Corrêa, fez uma ótima observação sobre esses luxuosos templos:

Como aponta a historiadora americana Jeanne Halgren Kilde no livro When Church Became Theatre (Quando a Igreja se Transformou em Teatro, inédito no Brasil), com o passar dos anos as igrejas evangélicas começaram a privilegiar o formato de anfiteatro em detrimento da arquitetura das igrejas tradicionais. Primeiro, porque a organização em auditório permite que os fiéis vejam melhor o pastor, a estrela do show. Segundo, porque se amplifica a atmosfera de comoção e envolvimento dos fiéis quando entoam hinos religiosos.

Gastam-se milhões em luxuosos templos, enquanto as missões transculturais estão abandonadas. Como bem disse o teólogo Ariovaldo Ramos, a maioria dessas catedrais “são monumentos ao ego de seus líderes”. Esses luxuosos templos expressam que a religiosidade evangélica está cada vez mais voltada ao entretenimento.

Cabe uma pergunta, se nesse país, ainda sem tradição missionária sólida, a igreja pode se dar ao luxo de gastar milhões em prédios espelhados. Uma reflexão a todos aqueles com mania de grandeza. Nos Estados Unidos, esse tipo de mega-templo tornou-se moda, conforme essa reportagem da Agência AFP:

sábado, 25 de abril de 2009

Despenseiros dos Mistérios de Deus (Segunda Parte)

Subsídio para Lições Bíblicas (CPAD). Nesse trimestre o assunto é: I Coríntios- Os problemas da Igreja e suas Soluções. (Segunda Parte)

03. Ministros dos Mistérios de Deus

A palavra mistério aparece freqüentemente no Novo Testamento. No contexto da epístola paulina aos coríntios essa palavra pode ser entendida como o evangelho, que já é uma parte desse mistério desvendado. Portanto, os mistérios de Deus já foram obscuros no passado, mas agora já não são. Essas verdades não estavam compreendidas na história do Antigo Testamento, mas Cristo tudo relevou sobre as doutrinas maravilhosas da redenção e do glorioso futuro da igreja. Agora, o evangelho é somente uma parte de mistério que será totalmente desvendando na eternidade. Então, “ministros dos mistérios” podem claramente ser entendidos como os “proclamadores das boas-novas de salvação”, e não pessoas especiais dotadas de verdades inaccessíveis aos mortais.

04. A Avaliação dos Ministros de Cristo (I Co 4.3-5)

4.1 O juízo dos outros (v.3)

Paulo estava sendo julgado injustamente por muitos membros da igreja em Corinto. O juízo alheio precisa ser acatado com moderação, não rejeitando completamente por humildade e avaliando bem e criticamente o que se tem dito. Paulo era ciente das críticas, mas via que as mesmas não tinham nenhuma base sólida. O apóstolo também compreendia que os falsos julgamentos terrenos não são sustentáveis diante do Juízo de Cristo.

4.2 O juízo próprio

Paulo era crítico de si mesmo. Sabia que os seres humanos tendem a defensiva e posam como coitadinhos em qualquer situação. Portanto, o apóstolo não era refém de seu auto-conceito positivo.

4.3 O juízo de Deus

O mais importante dos juízos é o de Deus. Os juízos do Senhor estão em sua Palavra e assim todos os ministros deveriam ser avaliados. O parâmetro maior para considerar um ministério legítimo está nas Sagradas Escrituras.

05. O Juízo do Tribunal de Cristo

Todos os salvos passarão pelo Tribunal de Cristo. Esse tribunal não tratará sobre salvação, mas sim sobre as obras feitas ou não feitas de cada salvo.  Trata-se de recompensas aos trabalhadores da vinha do Senhor. Portanto, toda motivação e métodos nas obras efetuadas por cristãos serão avaliados pelo Senhor, justo juiz.

Conclusão

Cada obreiro tem uma missão muito específica, que é proclamar o Evangelho de Cristo. Essa pregação deve estar associada como um caráter santo e serviçal, cultivando sempre o desprendimento pela obra com humildade e responsabilidade.

OBS: Leia a primeira parte logo abaixo!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Despenseiros dos Mistérios de Deus

Subsídios para as Lições Bíblicas (CPAD), cujo trimestre estuda: 1 Coríntios- Os problemas da igreja e suas soluções (Parte 1)

Deus é soberano. O Senhor não depende de nada e nem de ninguém. O Pai é auto-existente, o Supremo Ser. Agora, em sua soberania, Ele decidiu usar homens e mulheres na cooperação da transmissão do Evangelho. Por que Deus usa homens na construção do seu reino? Só a Deus cabe uma resposta, mas o certo é que mesmo podendo, Deus não trabalha sozinho.

Os ministros escolhidos por Deus são privilegiados, que precisam reconhecer as responsabilidades e as missões para cumprir. Um pastor, um diácono, um presbítero, um evangelista, um professor de Escola Dominical, sendo vocacionado, deve ser orientado pelas Escrituras Sagradas na sua função.

No texto de I Coríntios 4.1-21, Paulo mostra como é possível identificar o verdadeiro ministro de Cristo. No versículo primeiro, o apóstolo dos gentios se coloca como hyperetes, que significa “servidor, ajudante, assistente” [1], sendo traduzido na ARC como “ministro”. A palavra ministro na época de Paulo remonta ao ajudante do navio escravagista, que era um escravo sentenciado a morte, e “com o tempo passou a significar qualquer pessoa em uma posição subordinada, um assistente pessoal ou ajudante de um superior” [2]. Portanto, pastores e os ministros da Casa de Deus nunca devem ser déspotas, tiranos ou encararem a igreja como sua propriedade. Acima de tudo, o líder cristão é um servo, literalmente, escravo pela causa de Cristo. Tristemente muitos pastores no Brasil esqueceram que antes de tudo são servidores, e agem como executivos cercados de subordinados e regalias. Os pastores devem ser honrados, mas não paparicados!

Paulo também utiliza o termo grego oikonomos, traduzida na ARC como “despenseiros”. Esse termo significava alguém que estava sujeito ao seu senhor, mas ao mesmo tempo era um superintendente [3]. Portanto, como mordomo, o obreiro não é dono da casa, mas cabe a ele o zelo da mesma.

01. Os Verdadeiros Ministros de Cristo

1.1 São chamados pela vontade de Deus

Triste ver que muitos dirigentes de igrejas não foram chamados por Deus para a obra. Pessoas que são ordenados por amizades como pastores influentes ou porque não filhos do mesmo. O nepotismo e tráfico de influência colocaram muitos no púlpito, mas que não tem condições de lá ficar. Um homem só pode assumir o ministério pastoral se a convicção da vocação for certa.

1.2 Têm senso de responsabilidade ministerial

Responsável perante Deus e parente os homens, assim precisa ser o ministro do Evangelho. O ministro cristão deve ser ciente do seu papel e suas obrigações, reconhecendo erros e buscando os acertos. Alguém que encara o ministério como brincadeira ou busca cargos por vaidade pessoal, está fadado ao fracasso.

1.3 São piedosos e íntegros

O ministro deve ser exemplo em tudo. Infelizmente no Brasil, alguns grandes líderes evangélicos comentem graves crimes e colocam a culpa na imprensa. Hoje, a liderança evangélica nesse país não desfruta de credibilidade, graças às fraudes de alguns mercenários.

1.4 São comprometidos com a Palavra de Deus (2 Tm2.15; 4.2)

Hoje a maior crise dos púlpitos é justamente a falta de alimento. As pregações resumem-se a gritos, falta de reflexão, testemunhos, palavras motivacionais e até desabafos. Os pentecostais infelizmente não cultivam o hábito da pregação expositiva, que toma o máximo de cuidado com o texto bíblico antes da pregação. De modo irresponsável, muitos colocam sobre o Espírito Santo a responsabilidade pela boa pregação, sendo que ele mesmos, impedidos pela preguiça, não preparam nada antes do culto. Uma “espiritualidade” que tira o compromisso das pessoas, simplesmente é falsa.

02. A Missão dos Ministros de Cristo

Os ministros evangélicos só podem crescer e florescer no ministério se cultivarem valores eternos, entre eles estão:

2.1 Serviço

Como dito acima, o ministro do evangelho não é uma posição de autoridade absoluta e déspota, mas sim de alguém disposto a servir. O líder cristão antes de ordenar, ele cumpre suas tarefas e exercita a piedade cristã em todos os aspectos da vida. Servir, do latim, servitìum, significa “condição de escravo, escravidão, jugo, obediência”, portanto, essa palavra não combina com uma liderança que confunde pastorado com regalias, benesses, tráfico de influência, meio de poder ou meio de enriquecimento.

2.2 Mordomia

Mordomo, do latim, maior domus, significa “administrador ou governante da casa”. Agora, o mordomo é um funcionário de confiança do seu senhor, impõe respeito aos demais empregados para o cumprimento das funções designadas e nunca esquece que ele é apenas um serviçal, mas não o dono da casa.

2.3 Fidelidade

Um desafio a todos os líderes é não cair no pecado da hipocrisia. Não adiante pregar uma coisa e viver outra. São necessários transparência e fidelidade. Fidelidade, do latim, fidelìtas,átis, significa “constância”. A liderança precisa cultivar os valores da lealdade, firmeza, perseverança, assim transmitindo confiança e sinceridade. Feliz do homem digno de confiança!

OBS: Leia a segunda parte logo acima

Referências Bibliográficas:

[1] ARRINGTON, French L. e STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal. 4 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 951.

[2]PFEIFFER, Charles F.; VOS, Howard F. e REA John. Dicionário Bíblico Wycliffe. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 1287.

[3] MORIS, Leon. I Coríntios, Introdução e Comentário. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1981. p 59.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O pastor José Wellington Bezerra da Costa é reeleito presidente da CGADB


Na 39° Assembléia Geral Ordinária, que acontece nesse momento em Vitória (ES), o pastor José Wellington Bezerra da Costa consegue sua reeleição para presidir a Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil (CGADB), derrotando o candidato da “igreja-mãe”, pastor Samuel Câmara. A diferença de votos foi apertada, porém garantiu mais quatro anos para Wellington.
José Wellington já foi vice-presidente da CGADB no biênio 1981-1983. Foi eleito presidente pela primeira vez no ano de 1988 e ficou até 1989, quando o pastor Avelino Maicá da Silveira, da Assembléia de Deus de Santa Maria –RS presidiu a convenção. José Wellington voltou para a presidência em 1990, mas presidiu até 1993, quando o pastor Sebastião Rodrigues de Souza, da Assembléia de Deus de Cuiabá-MT, assumiu o posto até o ano de 1995. De 1995 até a presente data, José Wellington preside a CGADB.

Quem é José Wellington Bezerra da Costa?


Nascido na cidade de São Luís do Curu- CE, no dia 14 de outubro de 1934, o pastor José Wellington Bezerra da Costa entrará para a história da CGADB como o presidente que mais tempo passou na direção dessa instituição assembleiana. Hoje, José Wellington ocupa vários cargos importantes, como a presidência das Igrejas Assembléia de Deus Ministério do Belém (São Paulo), presidente da Convenção Fraternal e Interestadual das Assembléias de Deus do Ministério do Belém no Estado de São Paulo (Confradesp) e atual presidente da CGADB. Formado em direito, é autor do livro Como Ter um Ministério Bem Sucedido, publicado pela Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD). José Wellington ainda é membro Comitê Mundial das Assembléias de Deus (World Assemblies of God Fellowship).


Silas Malafaia é eleito vice-presidente

O pastor Silas Malafaia, que estava concorrendo pela chapa do pastor Samuel Câmara, ganhou a vice-presidência da CGADB, e ficará nesse cargo por quatro anos. Silas Malafaia é vice-presidente da Assembléia de Deus na Penha (RJ), uns dos pregadores brasileiros por mais tempo na televisão e dono da Editora Central Gospel.


A Mesa Diretora (2009-2013) será composta pelos seguintes pastores:

Presidente:

José Wellington Bezerra da Costa

Vices

1º vice – Silas Malafaia (RJ);

2º vice – Ubiratan Job (RS);

3º vice – Sebastião Rodrigues (MT);

4º vice – Gilberto de Souza (PA);

5º vice – José Neco dos Santos (AL).

Tesoureiros

1º tesoureiro – Antônio Silva Santana (SP);

2º tesoureiro – Josias de Almeida (SP).

Secretários

1º secretário – Isaías Coimbra (RJ);

2º secretário – Arcelino Melo (SC);

3º secretário – Antonio Dionízio (MS);

4º secretário – Isamar Ramalho (RR);

5º secretário – Roberto José dos Santos (PE).

José Wellington segue na frente de Samuel Câmara

Nesse momento 94,36 % dos votos já foram apurados. O pastor José Wellington está na frente, com 54,15% e o pastor Samuel Câmara segue em segundo, com 45,85% dos votos computados. Com dissemos acima, o vencedor é José Wellignton Bezerra da Costa. Não houve mudanças significativas na diretoria da CGADB. Os vencedores terão um pleito de Abril de 2009 até Abril de 2013.

Podemos dizer que finalmente tudo isso está acabando, e a politicagem está no seu fim... Pelo menos por alguns anos!


Fonte: Pr. Antônio Mesquista, responsável pelo conselho de comunicação da CGADB.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Pregando a "Briba"



Postei esse vídeo não como zombaria e nem com o intuito de promover humor nesse blog. É necessário esse esclarecimento antes que alguns “espirituais” condenem esse post ao inferno, interpretando mal o objetivo do mesmo. Esse vídeo mostra a triste realidade da pregação evangélica presente em muitos púlpitos desse país. Esse vídeo não deveria nos levar ao riso, e sim ao choro! Infelizmente!

Quais lições aprendemos com o vídeo “Pregando a Bibra”?

01. A igreja brasileira passa por uma crise de vocação, muitos estão ocupando espaços que não deveriam e infelizmente transformaram a “Casa do Pão” em casa sem alimento. Onde estão os “vocacionados” ao ministério pastoral? Homens que são “aptos para ensinar”?  Pessoas capacitadas por Deus para alimentarem o rebanho? Ora, se requer o mínimo de instrução para um ministério que a base é o ensino. Oremos para que Deus levante mais vocacionados!

02. É preciso acabar com a “mistificação” da ignorância. A igreja brasileira está cheia de apedeutas, sendo pessoas que fazem apologia da não-instrução. Antigamente era muito difícil estudar, mas hoje não! Só não se qualifica aquele que não se esforça! Isso mesmo que você leu. O país mudou, as escolas estão são de mais fáceis acessos. Conheci pastores no interior do nordeste que ganhavam mais de dois mil reais por mês, mas não tinham uma única bíblia de estudo ou uma pequena biblioteca. Será que não tinham dinheiro para qualificação? Ou faltava vontade e prioridade? Ora, são pessoas que não sabem e nem querem aprender!

03. O ministério pastoral tem que ser levado mais a sério. Não é qualquer um que pode assumir o controle do púlpito e de uma igreja. Não foram todos chamados para pregar. Nas igrejas pentecostais existe uma “mania” equivocada de incentivar todos os homens a se tornarem pregadores. Ora, uns foram chamados a diaconia e não ao ministério da Palavra, outros foram chamados a contribuição financeira e não ao ministério da Palavra.

Portanto, o vídeo “Pregando a Bibra”, que apresenta uma pregação “sem pé e nem cabeça”, que faz parte da realidade de milhares de evangélicos em todos os seus cultos dominicais.  Isso é muito grave e levará a cada dia essa igreja mais distante de um avivamento genuíno.

terça-feira, 21 de abril de 2009

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O fascínio pelas mensagens subliminares

Os evangélicos nutrem um fascínio por decifrar e identificar mensagens subliminares. Na década de 1990, o pastor brasileiro Josué Yrion fez sucesso ao explicar cada traço “diabólico” e “oculto” nos desenhos da Disney. Alguns pregadores que sempre foram ex-bruxos, ex- feiticeiros, ex- alguma coisa costumam relatar os planos diabólicos por trás da mídia e de famosos artistas. Essas pessoas trabalham com a curiosidade aguçada dos seres-humanos e normalmente fazem sucesso com esse tipo de mensagem.

Nessas “pregações” são comuns relatos de crianças hipnotizadas por imagens de TV (sic!). Outros relatam que bonecas de personagens da televisão encarnaram demônios. Alguns afirmam que algumas emissoras apresentam salas secretas para sacrifícios de animais ao diabo. Outros dizem que os satanistas revelaram planos do diabo para destruir a igreja (ora, nada mais óbvio, o diabo sempre quis destruir a igreja). Portanto, muito tempo dos cultos são gastos com esse tipo de mensagem.

Existe mensagem subliminar?

Sim. Quando o olho humano enxerga uma imagem de vídeo, tudo não passa de uma ilusão. Na verdade, o olho está vendo uma série de fotos, colocadas de modo tão rápido, que parece uma seqüência sem interrupções. Não existe imagem de vídeo pura, mas sim uma seqüência de fotos. Se uma dessas fotos apresentarem uma mensagem que destoa de toda a seqüência, então se tem nesse caso um exemplo de “mensagem subliminar”, pois o olho humano é incapaz de enxergar essa foto, mas o cérebro capta a mensagem.

Não há nada de místico nessa tarefa. Qualquer editor de imagens é capaz de criar uma foto adulterada para produzir uma mensagem subliminar. Porém, essa prática é proibida pelas regras de propaganda. Qualquer empresa que usar desse experiente será punida.

Portanto, “mensagem subliminar” pode ser definida como um estímulo não muito intenso de códigos imagéticos, que não passam do limiar da consciência.

A mensagem subliminar é capaz de manipular alguém?

Não, ninguém é uma tábua rasa em que mensagens imagéticas ou sonoras são capazes de torná-las um zumbi ambulante. Nenhum recurso de imagem é capaz de minar o livre-arbítrio do homem, tornando um ser inconsciente e manipulável.

Exemplo claro estava nas propagandas de cigarro para a televisão. Esses comerciais eram os melhores e os mais bem produzidos. Quem não se lembra daquele comercial que usava um carro de Formula Indy fazendo manobras na neve, como os símbolos do cigarro Hollywood? Era tão bem produzido, que as pessoas paravam em frente à televisão para observá-lo. Agora, nem todos que gostavam da produção foram levadas ao vício do fumo, mas somente aqueles que já tinham uma pré-disposição básica para fumar. Ou seja, por melhor que fosse o comercial, efeito nenhum tinha sobre os que detestavam cigarros, mesmo adorando a produção com as manobras da Formula Indy.

Ninguém fuma por causa de um comercial. Agora, aqueles que já possuem uma tendência para esse vício, são claramente influenciáveis pela propaganda para tomarem uma decisão ao cigarro. Porém aquele que odeia a fumaça irritante dos fumódromos, nenhuma produção é capaz de mudar a sua opinião, mesmo com mensagens subliminares, pois o mesmo já apresenta uma resistência (pré- disposição para rejeitar) para com o cigarro. Imagine aquela comida que você detesta: talvez brócolis, ou quem sabe uma torta de limão, você mesmo tem consciência que propagandas não o levaram a um comportamento zumbi. O comercial não é capaz de controlá-lo ao ponto de que você coma o que detesta.

Manipulação literal não existe!

Quando milhares de alemães seguiam as loucas idéias de Hitler, alguém poderia pensar que isso era fruto da poderosa retórica nazista de um líder sagaz. Ora, as pessoas foram convencidas e manipuladas por Hitler, mas também tomaram uma decisão para seguir esse sanguinário.  Portanto, manipulação literal não existe perante alguém em sã consciência. Os alemães leais a Hitler eram tão perversos que aceitaram essa liderança por espontaneidade. Uns resistiram e foram mortos ou exilados. Cada grupo tomou uma decisão. Eram pessoas com liberdade de escolha.

Quando uma garota de família decente resolve namorar um bandido, isso é uma decisão livre dela.  Não foi a lábia desse rapaz que fez a cabeça dela, mas ela que decidiu tomar uma decisão louca. Quando uma pessoa compra algo que não precisa, isso não é a precisão retórica do vendedor, mas sim a disposição consumista do cliente que não resiste a uma promoção. Portanto, manipulação literal não existe perante pessoas dotadas de livre-arbítrio.

Ah, mas aqueles garotos que atiram nos amigos da escola por causa de vídeos games violentos? Esse tipo de psicopata torna-se violento não pelo game em si, mas ele busca o game para extravasar sua violência interna, que já existia bem antes dos aparelhos. Portanto, a violência não vem depois do game, mas antes dele, motivando o mesmo a adquiri os piores e mais sanguinários dos jogos. O jogo será o estímulo.

Outro exemplo citado como manipulação é a hipnose. O famoso psicanalista Sigmund Freud utilizava os métodos do hipnotismo nos primeiros anos de sua pesquisa com pacientes que apresentavam traumas.  Mas, depois Freud abandonou esse método, pois percebeu que muitos fantasiam o seu passado, que não passava de uma peça imaginária.

A expressão “lavagem cerebral” é muito equivocada. Quer dizer que alguém pode retirar toda a bagagem mental de um ser humano para manipulá-lo, colocando outra ideologia no lugar? Isso é improvável. Fato é que muitos adeptos de seitas que controlam todos os aspectos da vida de um indivíduo, vez por outra caem num momento de reflexão e saem da seita. Vários adeptos da seita de Jim James saíram antes do trágico suicídio coletivo, promovido por ele. Mas do que “mudança de ideologias”, os sectários alimentam o medo ou um falso prazer para os adeptos.

Pessoas são influenciáveis

Sim, claro que todos os seres humanos são influenciáveis. Todos também possuem pré-disposição para abraçar o pecado, portanto os estímulos nessa área ajudaram o indivíduo a pecar, mas o mesmo tomará a decisão pelo pecado. Alguém que vive num ambiente de violência pode ter despertada a sua tendência violenta, que é um tanto natural em todos os seres criados nesse mundo. Portanto, a mídia tem influenciado muito a sociedade, mas manipular plenamente é improvável.

Evitar os exageros de acreditar que tudo é “manipulação”, “lavagem cerebral”, “complô” etc., torna-se uma tarefa saudável e menos frenética. Porém, é preciso ter consciência e discernimento que muitos tentam influenciar negativamente, então necessário se faz criar resistência por aquilo que é ruim e sempre desenvolver um senso crítico.

domingo, 19 de abril de 2009

Podcast: Sonhos Assembleianos

Confira o primeiro podcast do Blog Teologia Pentecostal:

sonho assembleia de deus.mp3

O Blog Teologia Pentecostal recomenda!


Um convite especial para os irmãos paulistanos que não viajarão nesse feriadão. 
No aniversário do irmão Marcello de Oliveira, editor do blog A Supremacia das Escrituras, acontecerá uma grande comemoração na Igreja Assembléia de Deus Bereana, nesse dia 21/04/2009. Nesse culto a Palavra de Deus será ministrada pelo Rev. Hernandes Dias Lopes, da Igreja Presbiteriana do Brasil em Vitória-ES. 

Endereço:
Igreja Assembléia de Deus Bereana
Rua Joaquim Távora, 1403- Vila Mariana, São Paulo-SP
Horário:
19:30h

*foto: Marcello Oliveira e Hernandes Dias Lopes

sábado, 18 de abril de 2009

Partidarismo na Igreja (Segunda Parte)

Segunda parte do subsídio para Lições Bíblicas (CPAD), intitulada: I Coríntios - Os problemas da Igreja e suas soluções -2º trimestre/2009

Os grupos formados em Corinto não estavam divididos em doutrinas, mas sim nos cultos a personalidade. O fanatismo e a idolatria ainda são presentes nos dias atuais, onde muitos seguem líderes e os valorizam excessivamente. Alguns tomam a palavra de seus pastores como Sagradas Escrituras. O autor desse texto da ouviu de uma irmã a seguinte pérola: “O pastor não erra nunca” (sic)! Ou seja, para essa mulher evangélica o pastor detinha o equivalente papal da infalibilidade. Outros dizem besteiras do tipo: “Se você desobedecer a seu pastor, mesmo ele estando errado perante a Bíblia, você está em pecado”. Ora, então as palavras dos pastores humanos estão acima das Escrituras Sagradas? Ninguém deve desobedecer as palavras de um pastor que estão em consonância com a Bíblia! Fora disso, seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso!

O primeiro capítulo da carta de Paulo aos Coríntios mostra uma igreja dividida em partidos. Como dito no primeiro artigo, não é possível precisar quais as características de cada grupo, mas metaforicamente podem ser entendidos da seguinte forma:

1.       O partido de Paulo: “Eu sou de Paulo” (v.12).

É correto afirma que havia grupos que apoiavam Paulo e outros desaprovavam o apóstolo. Os admiradores do fundador da igreja, talvez se identificassem por também trabalharem como pioneiros na evangelização da cidade de Corinto.

Os apoiadores eram também e possivelmente o grupo da “Graça Absoluta”. Para muitos a liberdade cristã é confundida com libertinagem. Ser liberal é uma coisa, ser libertino é outra. O libertino enfatiza tanto a Graça de Deus que se esquece das responsabilidades quanto à mortificação da carne. O cristão não deve estar sob jugos e regras humanas, mas também não pode desprezar seu compromisso com uma moralidade sadia e santa. Nem oito nem oitenta.

2.       Partido de Apolo: “Eu sou de Apolo” (v.12).

Apolo era um grande pregador e esmerado erudito (At 18.24-28). O grupo que admirava ele possivelmente estava atingido pelo “Intelectualismo Preconceituoso”. Pessoas que desprezavam os demais membros da igreja por não terem alcançado o patamar de estudos que possuíam.

Nunca é tarde para destacar que a igreja não pode desprezar os estudos e a intelectualidade. Deve tomar cuidado com os exageros, mas não pode jogar fora esse aspecto tão importante para a liderança cristã. O pentecostalismo não tem idéia dos prejuízos causados pela postura antiintelectual adotada por muitos dos seus líderes.

3.       Partido de Cefas: “Eu sou de Cefas” (v.12).

Cefas era o nome aramaico de Pedro. Pedro talvez nunca tenha visitado essa cidade, mas existia ali um grupo fiel a ele. Fazendo conjecturas, o grupo que seguia a Pedro era formado por pessoas apegadas a regras e mais regras, o grupo do “Legalismo Intolerante”. Talvez os crentes judeus quisessem implantar as velhas regras religiosas do Judaísmo, causando conflitos no seio da igreja.

Ainda hoje os legalistas, apegados excessivamente em tradições, usos e costumes, costumam se colocar numa posição arrogante que apelidam como santidade, porém não passa de uma pseudo-piedade. Os legalistas condenam tudo e todos, mas muitas vezes a santidade desses não passa de uma máscara mal feita.

4.       Partido de Cristo: “Eu sou de Cristo” (v.12).

O pior dos grupos. Eram os adeptos do “Separatismo Intransigente”. De cristãos não tinham nada, mas achavam-se melhores do que outros. Como diz aquele ditado paulista: “Pensavam que eram a última bolacha do pacote”. Eram contagiados pelo orgulho espiritual, que pode ser definida como a “mundanidade da espiritualidade doentia”.

Hoje existem aqueles que são “mais santos que todo mundo”. Pessoas que falam pessoalmente com Deus todos os dias. Nesse bate-papo com o Altíssimo, cara a cara, Deus sempre revela algo novo e surpreendente, que o santíssimo homem não revela a ninguém, mas guarda pra si e assim cumpre sua missão. Esses sujeitos são tão especiais para Deus, que não precisam de Bíblia, teologia, escola dominical, mestres, pois Deus se comunica com eles direta e objetivamente.

II. A Igreja e a Diversidade de Seus Ministérios (I Co 3.1-10)

Há diversidade de ministérios. Um faz missões, outro discipula, outro ensina, outro serve com volumosas ofertas, ainda existem aqueles que estão na diaconia. O corpo de Cristo é a maravilha da diversidade, mas que precisa viver na unidade.

Conclusão

Todo o cuidado é pouco para que o cristão não siga mais líderes carismáticos do que o próprio Jesus. É necessária a unidade, que nunca significará uniformidade de idéias, mas sim respeito mútuo e zelo conjunto pela piedade cristã e pelas Sagradas Escrituras.

Leia a primeira parte logo abaixo.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Partidarismo na Igreja

Primeira parte do subsídio para Lições Bíblicas (CPAD), intitulada: I Coríntios - Os problemas da Igreja e suas soluções -2º trimestre/2009*

Partidarismo é um problema constante no decorrer da história cristã. Infelizmente na contemporaneidade muitas congregações e denominações vivem em pé de guerra, na paixão cega por seus líderes ou sistemas religiosos. O Dicionário Houaiss define muito bem essa palavra como “fanatismo partidário”. Muitos idolatram líderes e defendem seus ídolos com violência e espírito sectário.
Partidarismo não combina com cristianismo, pois enquanto um está centrado no homem, o verdadeiro cristão está centrado em Cristo. A igreja de Corinto estava divida em quatro grupos, sendo uns por Paulo, outros por Apolo, outros por Cefas (Pedro) e ainda os de Cristo. Enquanto Paulo, Pedro e Apolo sabiam viver em união, e união com Cristo, os seus “seguidores” viviam entrincheirados. Em nenhum momento esses líderes incentivaram essas ações sectárias, mas os grupos acabaram se formando no decorrer dos anos e estavam prestes a causar um cisma.

I. Uma Igreja, Quatro Partidos (1 CO 1.10-12)

Os partidos na igreja de Corinto possivelmente não eram por causas doutrinárias. Entre Paulo e Apolo não existiam diferenças teológicas, muitos menos entre esses homens e Jesus Cristo. Divisões do ambiente religioso carnal surgem normalmente como busca doentia pelo poder. O grande número saturado de igrejas pentecostais no Brasil é um absurdo. Há a criação de uma nova denominação a cada dia, porém não por diferenças doutrinárias, mas sim por disputas de poder. Um sujeito briga com seu pastor por questões triviais e logo monta uma nova igreja.
Paulo exorta solenemente e implora pela unidade dos Coríntios (v. 1). Unidade não pode ser confundida com uniformidade. Sempre existirão diferentes entre cada membro do corpo de Cristo, mas os espíritos de facções não podem existir. A Igreja de Cristo é uma comunhão e não uma irmandade. Na comunhão existe uma unidade na diversidade. Na irmandade existe uma uniformidade de comportamentos, costumes e até de personalidades (sendo um tanto de maneira forçada).
Como dito acima, Paulo, Apolo, Pedro e muito menos Cristo foram criadores de partidos, mas sim os seus admiradores caíram no fanatismo de levantarem bandeiras e barreiras que não existiam. Tentar definir o que cada grupo pensava e defendia é uma tarefa exegética difícil. Não há dados suficientes para teorizar sobre os pensamentos de cada partido. Leon Moris lembra:

Considerável engenho tem-se expedido na tentativa de dar um esboço do ensino das várias facções, mas certamente isso é inexeqüível... A escolha do partido deve ter sido feita com base nos métodos de Paulo e Apolo. Provavelmente Apolo era mais esmerado e mais retórico do que Paulo (adp.) [1]

Gottfried Brakemeier escreveu também sobre esse ponto:

Os exegetas desde sempre tentaram identificar as linhas teológicas dos grupos. Viam no grupo de Pedro a concentração da ala judaico-cristã, no grupo de Apolo os representantes de um cristianismo filosófico helênico de cunho alexandrino, por exemplo. Também isso não passa de hipótese. Faltam-nos conhecimentos detalhados. Certo é que os grupos representam “propostas” excludentes de piedade, causa de feroz debate. [2]

Metaforicamente cada um desses grupos poderia representar tendências perigosas na cristandade, como libertinos (levam a mensagem da graça radicalmente), os legalistas (inspiram-se nas leis fanaticamente), os intelectuais sem piedade e alguns exclusivistas.
Leia na segunda parte desse artigo o que cada grupo representava metaforicamente.

* Leia a segunda parte acima.

Referências Bibliográficas:

[1] MORRIS, Leon. I Coríntios. Introdução e Comentário. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1981. p 32.

[2] BRAKEMEIER, Gottfried. A Primeira Carta do Apóstolo Paulo à Comunidade de Corinto- Um comentário exegético-teológico. São Leopoldo: Sinodal/EST, 2008. p 27.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Soluções para o Pentecostalismo contemporâneo?

Muito já foi escrito nesse blog sobre modismos, heresias e equívocos que enchem, infelizmente, os pentecostalismos no Brasil. Ainda serão necessários muitos textos enquanto esse espaço existir. Agora, é preciso também apresentar soluções. Porém, soluções são tão básicas, que todos já deveriam estar cientes desses pontos essenciais.
Todos sabem que é imprescindível a volta da Palavra de Deus nos cultos e a constante de cultivar uma vida devocional verdadeira. Não bastam pregações longas nos cultos, pois é muito importante verificar a qualidade desses sermões. Não bastam longas horas de oração, pois um momento devocional que valoriza somente aspectos materiais não atinge o cerne desse ato, que é a busca da face de Deus.
Mas existe um problema em tudo isso. Essas mudanças dependem de uma série de fatores, que são de responsabilidade humana, como descritos abaixo:

01. Mudanças substanciais não ocorrem sem o envolvimento da liderança.

Olhando para aspectos denominacionais, que são engessados e burocráticos, mudanças não ocorrem sem o apoio da liderança. O pior é que boa parte dos problemas estão justamente nas lideranças infantis e desprovidas de Bíblia, que enchem várias igrejas nesse país. Não é preciso ser profeta para saber que milhares de líderes evangélicos não são vocacionados, ocupam esses espaços por outros fatores, como barganhas e jogos com o poder. Uns são ordenados pastores simplesmente porque sabem orar ou sabem expressar uma boa retórica nos púlpitos; ainda outros são escolhidos por serem simplesmente filhos da liderança-mor, mas ainda existem aqueles de tanto “servirem” são logo chamados.
Fazendo justiça e evitando generalizações, que sempre são absurdas, a liderança pentecostal em sua maioria é composta de gente séria. Agora, algumas grandes lideranças precisam ter a consciência da necessidade de renovar esse pentecostalismo contemporâneo.

02. Mudanças substanciais não ocorrem sem um entendimento e reconhecimento do problema.

Muitos estão alimentando uma auto-enganação. Pensam que o Brasil está passando por um grande avivamento, outros acham que são parte de denominações sadias e recomendáveis, quando tudo indica o contrário. Ora, boa parte da liderança tem dificuldades de reconhecer que precisam de mudanças, que a “coisa está feia”. Alguns preferem maquiar os problemas, achar que tudo está muito bem, enquanto os muros desabam.
Entender e reconhecer os problemas são o primeiro passo para as soluções fluírem.

Conclusão

Portanto, orações para que as soluções cheguem são imprescindíveis. Mas oração demanda ação. Sem ações que os homens podem resolver, não adiante esperar milagres. Partir para mudanças é uma decisão que precisa ser tomada.

Hillsong United - Trailer We're All In This Together




Uma boa iniciativa da banda australiana Hillsong United. Vale a pena assistir esse vídeo de reflexão.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Blogagem Coletiva da UBE: Max Lucado no Brasil


Comecei a ler Lucado ainda novo convertido. Fiquei impressionado com a sensibilidade e facilidade na comunicação por parte desse norte-americano, que já foi missionário no Rio de Janeiro. Agora, em 2009, Max Lucado fará um tour no Brasil com apóio da Editora Thomas Nelson Brasil.
Lucado visitará as cidades do Rio de Janeiro-RJ, São Paulo-SP, Vitória-ES, Belo Horizonte-MG, Brasília-DF e Goiânia-GO. Para o Rio de Janeiro já temos uma data definida: 25 de Julho na Praça da Apoteose.

Saiba Mais:
http://www.maxlucadonobrasil.com.br/
http://www.thomasnelson.com.br/maxlucado

terça-feira, 14 de abril de 2009

Deus é um artista

Nos últimos dias do verão podíamos contemplar no horizonte cinzento da capital paulista uma linda cena. Os tons amarelados, laranjas e vermelhos rasgavam o céu com sincronia e ritmo e até desprezavam a poluição. Os céus nos brindavam ao final da tarde, na hora da maior agitação, cenas de um cartão postal. Infelizmente, muitos cansados com o dia de trabalho e ainda com o trânsito infernal, nem sequer percebiam que as alturas estavam promovendo um espetáculo. Só posso concluir daquele pôr do Sol que Deus é um artista.
Reportando a gênese do universo, podemos imaginar o momento em que Deus cria a arte e vê que é uma boa criação. Infelizmente, com a pós-queda tudo no universo fica um tanto distorcido, inclusive os dotes artistas dos homens, que hoje são usados em sua maioria para a promoção de valores corrompidos.

Desprezo pelas artes

Nós protestastes e pentecostais, lidamos muito mal com as artes. Costumamos demonizar mediante uma antipatia iconográfica. Poucos são os evangélicos lidando com artes plásticas, cênicas ou mesmo estudando a história da arte. E os literatos cristãos? Será que se torna mais difícil surgir um novo C.S Lewis, homem de sensibilidade nos contos infantis? G. K. Chesterton dizia que os contos de fada o tinham preparado para crer no Cristianismo: “Minha primeira e última filosofia, aquela que acredito com certeza absoluta, eu aprendi na creche”[1]. Os contos infantis permitiram que Chesterton despertasse o senso de maravilha. Por isso, você nunca viu uma criança cética.
O desprezo e exagero quanto as artes é tão grande, que você pesquisando nas páginas do Google, verá uma série de textos escritos por protestantes fundamentalistas que condenam as obras de cristãos literatos da fantasia, como C. S. Lewis, G.K. Chesterton e J. R. R. Tolkien. Infelizmente tais pessoas vêem maldades e setas satânicas em tudo.

Fazendo arte

Com exceção da música, onde os cristãos protestantes têm certa tradição, as demais facetas do mundo artístico estão nas mãos de pessoas desprovidas de valores cristãos. Ora, se os cristãos não ocupam os espaços públicos, certamente alguém fará. Não adiante reclamar que a arte contemporânea é anticristã, se os cristãos não produzirem elementos tão bons quanto.
Sob a idéia de uma cosmovisão cristã, é necessário construir em lugar de somente criticar. Os cristãos precisam ser produtivos, pois senão viveremos constantemente numa sociedade pervertida. Construir não é uma tarefa fácil, mas a sua necessidade é constante.
Os “escatofatalistas” pensam que não é preciso perder tempo com tais coisas, pois o fim se aproxima. Ora, a Bíblia incentiva uma vida de vigilância, mas nunca de inércia. A inércia mata e corroí, pois não é bíblica e nem cabe na mordomia cristã. Portanto, cabe a cada um de nós repensarmos até mesmos as artes.

Referência Bibliográfica:

[1] CHESTERTON, Gibert K. Ortodoxia. 1 ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2008. p 82

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Pregadores do terror, serviçais do medo

Nada mais horroroso do que “servir” a Deus por medo. Seja o medo da Ira Divina, seja o medo do Inferno, seja o medo das supostas maldições. Sofrer com perturbações diárias sob a idéia de um perigo iminente retira a paz de qualquer mortal. Muitos cristãos não temem a Deus no sentido sadio do termo, mas sim, sofrem apreensão quanto ao transcendental.
Agora, esse medo de Deus é produzido na maioria das vezes por pregações doentias. Pregações que ordenam aquilo que Deus não ordenou; pregações que criam regras que Deus não determinou; pregações que pronunciam maldições enquanto Deus pronuncia paz; pregações que prometem aquilo que Deus jamais prometeu. Os pregadores das boas novas tornam-se pregadores das más novas.
Muitos pensam que podem converter alguém pelo medo. Por isso enchem as suas palavras com um cenário de terror. Agora, estão completamente enganados. Primeiro porque é Deus quem converter o homem e o Senhor não utiliza de métodos que jamais conseguiram trocar o coração de um homem. Aqueles que se “convertem pelo medo” não permanecem na comunidade cristã, pois não estão firmados na Rocha.
Aqueles que “servem” a Deus por medo do Inferno estão enganando a si mesmos. Aqueles que “servem” a Deus sob ameaças de maldições estão duplamente oprimidos. Então, cabe ao pregador do Evangelho (Boas Noticiais) mostrar que a realidade é cruel, mas que a esperança é maior: Jesus Cristo, o justo!

domingo, 12 de abril de 2009

Censura e Coronelismo

OBS: Caros leitores. Sinceramente não estava disposto a escrever mais uma vez sobre as Eleições da CGADB. Um assunto cansativo e improdutivo, que já me deu dor de cabeça. Agora, infelizmente as circunstâncias obrigam respostas sérias e urgentes. Leiam abaixo:

O jovem blogueiro Victor Leonardo Barbosa juntamente com os seus amigos Carlos Eduardo, Renan Diniz e Nilton Rodolfo, mantém há mais de dois anos o blog Geração que Lamba. Victor Leonardo Barbosa é estudante do jornalismo e membro da Assembléia de Deus em Belém do Pará e participa das atividades promovidas pela “Igreja-Mãe”.

Nesses últimos dois meses Barbosa escreveu alguns textos sobre as eleições da CGADB, sem manifestar nenhum partidarismo ou paixão doentia por alguns dos candidatos, como temos visto em boa parte do cenário assembleiano. O seu último post tinha como título “CGADB 2009: Problemas Norte e além...”, onde tratava do problema partidarista entre assembleianos do sul e o seu apóio ao candidato do ministério Belém e os assembleianos do norte, com o apóio ao candidato de Belém do Pará.  O texto não tinha nenhuma ofensa, mexericos ou qualquer coisa que desabone a honra do blogueiro e que atrapalhe o valor do seu trabalho. Barbosa também não estava escondido por trás do anonimato. O texto simplesmente criticava esse partidarismo, que é antibíblico e será assunto da próxima Escola Dominal.

Agora, infelizmente alguém não gostou do texto e censurou os rapazes do blog. Leia mais aqui: http://gqlgeracaoquelamba.blogspot.com/2009/04/sobre-retirada-da-ultima-postagem-no.html

 O texto foi tirado do ar sob típicas ameaças de um ambiente coronelista. Ora, o espaço de um blog é livre, não sujeito a censura de ninguém. Estamos presenciando um dos maiores absurdos acontecidos durante a campanha para as eleições da CGADB. Infelizmente os candidatos estão cercados de pequenos grupos de “cabos-eleitorais” fanáticos e quase idólatras, que tem rachado a unidade das Assembléias de Deus e envergonhado a história dessa Convenção.

Ninguém aqui está falando de um caso de rebeldia. Victor Leonardo não mentiu ou maculou ninguém, mas foi sumariamente censurado sem direito de resposta. Atitude ridícula de uma liderança fanática pelo quadro político que convêm.  Isso em NADA parece com o Reino dos Céus. A época do despotismo, da ditadura, da inquisição já passou na história, mas não na mente de alguns.

Coronelismo

Em igrejas dominadas por coronéis, nada pode contrariá-los. Quem contraria um coronel-pastor corre sérios perigos de nunca chegar ao ministério de ensino, diaconia, presbitério ou pastorado; mesmo manifestando a vocação necessária para tais funções. Então, diante desse quadro muitos se calam, pois acabam conformados com esse sistema perverso, e porque não dizer diabólico.

Muitos pastores esqueceram que a liderança cristã é serviçal e não coronelista ou caudilhista. O despotismo não cabe no ministério cristão. Então, como não lembram o que é ser um servo, normalmente ao chegarem em uma grande igreja ou ministério, pousam de caciques  e passam a se comportar como um Herodes ou Pilatos, mas nunca como Jesus Cristo.

Normalmente, os coronéis estão cercados de pessoas que o mantém e alimentam esse perverso sistema. Muitos desses “auxiliares” nem vocacionados são, mas acabam ordenados segundo a conveniência da liderança.  Todos sabem que isso existe, mas infelizmente é pouco falado. Os coronéis também são adeptos do nepotismo. Ora, o poder precisa se perpetuar para sempre e quem melhor que o filho, neto e bisneto para esse serviço?

Somente “cegos “não enxergam que estamos cercados de coronéis ministeriais déspotas, nepotistas e ainda cercados de equipes bajuladores, mas nunca vocacionadas. E além de coronéis, agora se portam como “censuradores”.

Fica registrado o meu repúdio e apóio ao amigo Victor Leonardo Barbosa. Um jovem sério e que ama a sua denominação sem amarras com a politicagem eclesiástica! 

Leia mais:

O comentário do Pr. Carlos Roberto, sobre esse caso:

http://pointrhema.blogspot.com/2009/04/ziper-na-boca-de-blogueiro.html

sábado, 11 de abril de 2009

Pentecostalismo Místico

Há duas místicas no pentecostalismo, sendo uma positiva e outra negativa. O misticismo é uma daquelas expressões que dependem do contexto, podendo soar como pejorativa ou agradável. Portanto, necessário se faz a distinção dessas duas místicas no contexto das igrejas pentecostais.

 Mística negativa

Ora, muitos pentecostais ultra-valorizam o espiritual. Costumam espiritualizar a materialidade, classificando, por exemplo, doenças e obras da carne como demônios.  Enxergam tudo sob um viés transcendente, onde acidentes, trabalho ou namoro acabam tendo explicações supostamente do Espírito. Capazes são de promoverem profecias para comprar de um carro, ou até mesmo negam-se a cirurgias esperando uma cura divina.

Muitos pentecostais comportam-se como religiosos fanáticos, tornando-se cegos e acríticos. Confundem essas atitudes como piedade, mas se enganam, pois estão seguindo o mesmo caminho dos xiitas e sunitas que promovem o divórcio da razão e a fé. Demonizam a razão e espiritualizam o ilógico. Caminho muito perigoso, que fez de alguns radicais dispostos a quebrar imagens de escultura em templos umbandistas, dizendo que estavam cumprindo uma missão divina. Será que agora a baderna faz parte da Grande Comissão?

O místico pentecostal não está conformado com a leitura devocional das Escrituras e a simples oração. Ele quer mais. Sua fome está em ouvir a voz de Deus literalmente. Então, essas pessoas correm para montes, buscam supostos arrebatamentos, sonhos, visões, profeciais e acabam ludibriadas por falsos profetas. Querem porque querem ter um contato material com Deus, como se estivem em um patamar superior de espiritualidade. Não demoram muito para cair na arrogância e na vaidade pessoal.

O pentecostal místico costuma sempre destacar um tal “sentir”. Querem sempre “sentir” alguma coisa e costumam perguntar para as congregações: “Quem está sentindo está noite?”. Ora, os mórmons costumam dizer que “sentem um ardor no peito” quando estão recebendo uma suposta “verdade”. Quer dizer então, que muitos evangélicos estão se comportando com os sectários? A resposta parece positiva! O famoso “sentir” significa o quê? Alguém poderia explicar? Qual o sentido do sentir e as bases escriturísticas de tal ênfase?

É claro que a incredulidade é condenável, mas a credulidade é igualmente detestável (I Jo 4.1). O crédulo engole tudo o que aparenta piedade, engasgando-se com heresias e irracionalidades. O crédulo acredita em verdades e também em muitas mentiras, ou nas famosas meias-verdades, que não passam de inteiros enganos.

Mística positiva

Ora, se o pentecostal acredita que pode louvar a Deus com suas emoções e sentimentos, de forma equilibrada e bíblica (I Co 14), então ele está usando do sentido positivo de mística. Se o pentecostal tem uma intensa fé e uma devoção sincera, a sua espiritualidade será sadia a partir das Escrituras. Portanto, essa conceituação do místico é aceitável.

Conclusão

Entenda que o uso das expressões “mística positiva” e “mística negativa” não se trata de um dualismo entre o bem e o mal, como se existisse dois deuses de força equivalente, mas sim uma simples diferenciação conceitual. Embora o misticismo signifique na maioria das vezes uma fé cega, pode significar em outros conceitos uma fome equilibrada pelo transcendente, que é o Senhor.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A Superioridade da Mensagem da Cruz

Subsídio para as Lições Bíblicas (CPAD): I Coríntios- Os problemas da Igreja e suas soluções

OBS: Leiam antes I Coríntios 2.1-10, pois essa lição baseia-se nesses versículos

A genuína pregação cristã é bíblica, cristocêntrica e evangélica. Bíblica, pois deve estar pautada nas Sagradas Escrituras; cristocêntrica, pois deve apresentar sempre Cristo no centro e evangélica, pois nunca pode desprezar as riquezas dos ensinos contidos nos Evangelhos.  O evangelho é uma boa notícia, porém pouco atrativa, soa como loucura e ainda por cima é tratada com escárnio. Evangelho não combina com popularidade, não combina com a manutenção do status quo, não combina com a corrupção degenerada desse mundo. Diante do desprezo, a mensagem da cruz mostra sua superioridade.

01.   A Natureza da Pregação Bíblica (2.1-5)

Paulo ensina aos coríntios que a sua pregação era pautada na simplicidade, sem uma retórica exuberante e carregada de clichês filosóficos e acadêmicos. Paulo tinha consciência que o culto não era uma cátedra universitária, e muitos menos a ágora grega (v.1). Esse primeiro versículo do capítulo segundo não pode ser tomado para interpretações antiintelectuais, pois muitos erroneamente usam esse trecho bíblico para fazer apologia de sua preguiça acadêmica e desprezam o estudo sistemático da Bíblia e da teologia.

Paulo está ensinando que o pregador não pode usar a pregação para exibicionismos. Para se exibir no púlpito não é preciso aparentar sabedoria, como em Corinto; muitos fazem seus shows particulares, com exorcismos exuberantes, oratória grave (tipicamente pentecostal) e milagres (se verdadeiros ou não, não se sabe). Trazem toda a glória para si, e não para Deus.

Pela graça de Deus, o entendimento do Evangelho não necessita de uma poderosa oratória ou de um discurso filosófico refinado. Se assim fosse, boa parte da humanidade, ainda analfabeta, estaria privada de entender as boas novas. Agora, isso não significa que a liderança cristã deva desprezar o entendimento filosófico ou que deve desprezar a homilética, pois para a preguiça não existe desculpas bíblicas.

 Paulo tinha uma pregação simples, mas não superficial. A diferença entre simplicidade e superficialidade é abismal. Não se deve confundir uma coisa com a outra. A igreja necessita de alimento sólido, pois o leite deveria estar reservado para os neófitos. Infelizmente, hoje a igreja evangélica brasileira está cheia de analfabetos bíblicos, começando de grandes lideranças.

Hoje, muitos preferem determinados tipos de pregadores. Normalmente os que gritam mais, fazem mais espetáculo, costumam lotar os templos. A Casa do Pão torna-se casa do entretenimento. Esquecem que o mais importante não é o mensageiro, e sim o conteúdo da mensagem. Normalmente, esses gritadores deixam muito a desejar quanto ao conteúdo, pois são superficiais como um pires.

Esse primeiro versículo também ensina que o convencimento do pecador não está nas estratégias humanas, por mais bem intencionadas que elas sejam. O homem não pode convencer ninguém do pecado, da justiça e juízo; pois somente o Espírito Santo é capaz desse convencimento (cf. Jo 16.8).

Uma leitura atenda da obra de Paulo, permite ver um homem de grande eloqüência e sabedoria, mas que nunca usou isso para estrelismo. Portanto, fuja de pregadores que promovem o “culto a sua personalidade”. Você, pregador, tome sua predita pela modéstia e humildade, sempre preparando a mensagem com muito cuidado e esmero. A pregação deve ser natural, não parecendo um artista de circo, um locutor de futebol ou um vendedor de feira. Infelizmente, o meio pentecostal está cheio de pregadores personalistas, orgulhosos, exibidos e sem conteúdo nas pregações.

1.1   A genuína pregação bíblica deve ser centrada unicamente em Cristo e sua morte na cruz (v.2).

Paulo fala: “porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (v.2). Ora, se assim todos os evangélicos pensassem, não haveria abundância da superficialidade de auto-ajuda, triunfalismo e o fascínio exagerado por bênçãos. A consciência que o Cristo da cruz é o centro da mensagem cristã perde-se no evangelicalismo moderno, especialmente no seio do pentecostalismo hodierno. O Rev. Hernandes Dias Lopes lembra: “A Cruz não é um apêndice, ela é o núcleo, o centro, o eixo, e a essência do cristianismo” [1] e o Pr. Claudionor de Andrade escreveu: “O nosso púlpito é o Calvário” [2]. Portanto, nenhum pregador deveria esquecer-se dessas verdades.

O que é a teologia da cruz? A palavra cruz apresenta uma significação objetiva com o sacrifício redentor de Jesus Cristo, trazendo salvação aos homens indignos pelo pecado.  A teologia da cruz é a teologia do Cristo crucificado, o Messias redentor e misericordioso. Sendo também o Senhor que justifica, regenera e santifica uma criatura depravada pela mal. Pregar o Cristo crucificado não deve ser uma atitude isolada, em um sermão dominical uma vez por ano, ou nos cultos de Ceia, mas pregar o Cristo crucificado cabe em todos os sermões, independente do texto bíblico exposto.

O Cristo crucificado é o “coração do Evangelho” [3], portanto, constituem-se em uma tragédia as pregações atuais cuja ênfase está presente nas necessidades humanas, nos prazeres da carne e na soberba da vida. Um “evangelho” mundano, onde homens e mulheres enchem igrejas atrás de bênçãos e vitórias. É parte da culpa disso, está em pregadores mercenários, que esqueceram a essência evangélica, que é o Cristo na cruz. Um “cristianismo” pagão, semelhante a qualquer religião ou grupo de espiritualismo alternativo.

1.2 O verdadeiro sentido da Cruz aplicado à vida cristã

A cruz não é um conceito vago, especulativo e meramente simbólico. O Cristo crucificado tem fortes implicações na humanidade e na vida do cristão em particular. Textos como II Coríntios 4. 7-15; Gálatas 6.14 e Filipenses 3.8-12; mostram que a vida cristã vem com sofrimentos, renúncias e um forte desejo de identificação com o Salvador. Tomar a cruz (MT 16.24) é renunciar os egoísmos, suportar as provocações e é também vencer as tentações. Portanto, Jesus não concede graça somente para a salvação, mas também para a santificação, para o viver cristão no mundo pagão. O esforço da salvação está em Deus e o esforço da santificação também está em Deus. Jesus afirmou que sem Ele, nada o homem pode fazer (Jo 15.5).

1.3 A legítima pregação bíblica é poderosa em Deus (v.4).

O que é uma mensagem poderosa? Será aquela regada de muitos gritos, histeria e supostos milagres? Será aquela acompanhada por milhares de pessoas que formam um fã-clube em torno do pregador? Não, nada disso é uma mensagem de poder divino. O poder de Deus manifesta-se na conversão ou no convencimento do homem acerca das verdades espirituais, essa persuasão é divina, é um milagre, portanto aqui o poder de Deus se manifesta. O termo “poder” está normalmente associado a milagres e maravilhas, mas deve ser visto nessa passagem como referência a obra salvadora do Cristo crucificado, principalmente após ler todo o contexto desse capítulo.

É evidente que os milagres acompanham uma pregação bíblica, mas o primeiro poder manifesto sempre será o convencimento por parte do Espírito Santo, trazendo conversões e salvação à vida os ouvintes (At 2.29-33). Existe uma constante por parte dos pregadores de transformarem seus ministérios em “rezadores”, ou seja, pessoas especializadas em milagres. Alguns pastores afirmam que foram chamados para pregarem milagres, mas esquecem que a principal chamada de um ministro cristão é prega Jesus Cristo, e esse crucificado.

No meio pentecostal muitos querem “dar uma força” na pregação, e então começam a usar métodos próprios, com o incentivo a gritaria, pulos, microfones com sons mais altos e até imitação de pregadores mais famosos. Mas como lembra o pastor luterano Gottfried Brakemeier “Quem desconfia da força da palavra de Deus e acha que deve socorrer-lhe com os recursos de sua própria genialidade, seja carismática ou retórica, prega a si próprio, e não a Cristo”[4].

1.4 A autêntica pregação bíblica gera fé (v.5)

A fé vem pelo ouvir e o ouvir a palavra de Deus, como disse Paulo aos Romanos (10.17) Portanto, não adianta inventar. Somente por meio do Evangelho exposto nos púlpitos é que uma genuína fé pode nascer no meio da igreja. Fé não vem por meio de pensamento positivo, não vem por meio de uma crença cega e mística. A fé é produto da Palavra. A fé cristã não é um “poder auto-existe”, pois essa fé não é na fé, e sim em Cristo.  É também uma fé estável, pois não está baseada em homens, mas sim na Palavra de Cristo.

02.   Contrastes entre a Falsa e a Verdadeira Sabedoria (2.6-16)

Um Deus que morre?! Um Deus imortal que é morto por homens mortais?! Ainda teve uma morte terrível da crucificação romana?! Nada mais louco, ilógico e irracional. Todavia, essa é a mensagem da cruz, o Evangelho de Jesus Cristo.

2.1 A sabedoria deste mundo (v.6).

A sabedoria do mundo, no caso, do sistema ímpio e anticristão baseia-se em especulações sem fundamentos. Fazem conjecturas acerca da vida, da existência, da morte etc. Religiões espíritas costumam usar um discurso elitista e com aparência de inteligência, mas negam verdades centrais da fé cristã em conclusões vãs. A religiosidade esotérica muitas vezes quer usar um discurso científico, enganando a muitos incautos. Sendo uma falta ciência, é até ridicularizada por cientistas mais sérios.

É necessário o cuidado de não desprezar o conhecimento científico sério e comprovado. Todos deles se utilizam, sejam cristãos ou ateus. Como diziam os Pais da Igreja, “toda verdade é verdade de Deus”. Portanto, as descobertas científicas e a construção do pensamento advêm da sabedoria divina concedida aos homens, cristãos ou não, mediante a graça comum.  Apesar de todos os benefícios do conhecimento acumulado pelo homem no decorrer dos séculos, esse mesmo conhecimento será aniquilado (13.8) no fim da presente era, enquanto a verdade do Evangelho é eterna.

Portanto, a sabedoria do mundo tem o seu valor, mas não para a salvação. O cristianismo não é gnosticismo. A salvação não é por meio de uma sabedoria secreta, mas sim revelada.

2.2 A sabedoria de Deus (vv. 7-9)

Entender a sabedoria de Deus não se dá pela metodologia científica ou pela apurada investigação jornalística. Somente entendem a sabedoria do Altíssimo aqueles que Ele se revelou, por meio do Evangelho. Ninguém será salvo pesquisando no Google sobre a palavra “salvação” se o Espírito Santo não operar nesse coração.

A sabedoria de Deus era também um mistério (v. 7) até a Encarnação de Cristo. Cristo é o mistério de Deus revelado, a Sabedoria do Senhor exposta para o mundo inteiro. Uma sabedoria que não pode ser conhecida pelo homem natural, o ímpio, mas somente pela revelação do Evangelho (vv. 7-10).

2.3 A sabedoria de Deus revelada pelo Espírito (vv. 10-16).

Como dito acima, a sabedoria de Deus não é simplesmente achada em algum livro escondido na Biblioteca Nacional. A sabedoria de Deus está exposta na cruz, relevada por meio do Espírito Santo. Ninguém se salva, pois essa graça não está nas prateleiras, e sim no coração daqueles que Deus toca por meio do seu Espírito! Então, a partir da regeneração, o Espírito Santo opera na vida do homem, ensinando, guiando, levando a maturidade, batizando no corpo de Cristo, distribuindo dons e acima de tudo santificando.

Conclusão

O Evangelho é poder para salvação. A cruz de Cristo é o tema central dessas boas novas. Portanto, somente por meio de uma exposição cristocêntrica, a igreja estará realmente cumprindo a Grande Comissão.

Referências Bibliográficas:

[1] LOPES, Hernandes Dias. I Coríntios- Como resolver conflitos na Igreja. 1 ed. São Paulo: Hagnos, 2008. p 37.

[2] ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Fundamentos Bíblicos de um Autêntico Avivamento. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004. p 74.

[3] MORRIS, Leon. I Coríntios. Introdução e Comentário. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1981. p 41.

[4] BRAKEMEIER, Gottfried. A Primeira Carta do Apóstolo Paulo à Comunidade de Corinto- Um comentário exegético-teológico. São Leopoldo: Sinodal/EST, 2008. p 37.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Três tendências na maior denominação evangélica do país

A Assembléia de Deus está próxima do seu centenário. Grande parte da evangelização no Brasil deve-se aos bravos lideres e membros assembleianos. Pessoas simples, porém determinadas no cumprimento da missão de Cristo. Uma igreja que entrará na história do Século XX.  Como toda denominação apresentou uma série de defeitos. Logo, não existem igrejas prefeitas, mas pelo menos algumas almejam a excelência. Infelizmente, a Assembléia de Deus contemporânea está bem distante da excelência. O pior é que mesmo diante de um quadro tão crítico, existem os ufanistas, que sempre enxergam somente beleza em meio a feiúra.

Agora, no século XXI, a Assembléia de Deus está divida em três grupos principais. Existe uma 01) Assembléia de Deus tradicionalista; uma 02) Assembléia de Deus neopentecostalizada; e uma 03) Assembléia de Deus clássica. Veja esse comparativo:

01.   Assembléia de Deus tradicionalista

Características

Ultraconservadora nos “usos e costumes”. Anti-intelectual, tendo aversão ao estudo teológico, sermões expositivos com esboços e claramente contra qualquer tipo de capacitação. Liderança centralizadora, episcopal papista e carismática. Sectarista em sua cosmovisão, que se aproxima muito do catolicismo romano medieval.

Representação

Está presente principalmente nas periferias das grandes cidades e nas cidades do interior. Muitos sonham com esse tipo de denominação, sendo caracterizada por uns como pureza e avivamento.

Pressupostos doutrinários

Escatologia, legalismo, cura divina e glossolalia. 

02.   Assembléia de Deus neopentecostalizada

Características

Um pouco mais aberta nas questões dos “usos e costumes”. Anti-intelectual, pois prefere o pragmatismo do púlpito, onde as mensagem não devem conter reflexão, mas sim praticidade de bênçãos e vitórias. Liderança carismática, centralizadora, papista e milagreira. Nenhum pudor em abraçar uma “mundanização” materialista e individualista. Apaixonada por modismos e novidades doutrinárias.  Cosmovisão parecida com qualquer religião do New Age (Nova Era), da auto-ajuda e do misticismo.

Representação

Esse é o tipo de Assembléia de Deus mais provável de ter no seu bairro. Está presente nas periferias, bairros de classe média e de norte ao sul do país. Representam uma maioria que cresce a cada dia, até por meio de ministérios co-denominacionais, como os eventos dos Gideões Missionário da Última Hora (GMHU) e outros congressos de “avivamento” espalhados pelo Brasil.

Pressupostos doutrinários

“Evangelho” da saúde e prosperidade, triunfalismo, batalha espiritual e “teologia” do domínio.

03. Assembléia de Deus clássica

Características

Consciente da diferença abismal entre doutrina e costumes, então ensinando princípios bíblicos que nortearam a vida do fiel, sem necessidade de criar listas e listas de tabus comunais. Preocupada com o estudo teológico e solidez doutrinária, não só na preparação de seminários e faculdades teológicas, mas também com pregações e louvores de conteúdo.  Aversão por modismos e novidades doutrinárias, com ampla visão apologética e crítica. Liderança-servidora, democrática e que luta pela volta da tradição congregacional perdida no decorrer da história assembleiana. Identificação com a Reforma Protestante e suas diversas tradições: luterana, calvinista, wesleyana, pietista etc.

Representação

A representação é mínima. Infelizmente! Esses líderes e membros encontram-se isolados em meio as duas babéis acima representadas. Felizmente o movimento é crescente e encontra substância pelo ótimo trabalho da Casa Publicadora e seus escritores.

Pressupostos doutrinários

Teologia da Reforma, continuísmo na questão dos dons espirituais, crença na segunda bênção e diálogo com as tradições protestantes mais históricas.

Conclusão

O caminho da perfeição é impossível nessa terra, mas a excelência deve ser desejada. O que não pode acontecer é o típico conformismo ufanista e cego. Que a Assembléia Deus alcance seus cem anos com maturidade e que continue no século XXI fazendo diferença nessa nação.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Quero entender! Parte 02

Quero entender esse pessoal no meio pentecostal que ouve a voz audível de Deus todo santo dia. Não sei se a santidade é tão plena ou se as Escrituras já podem ser descartadas como o meio que Deus se comunica? Quero entender, mas não consigo!

Quero entender como algumas igrejas gastam milhões em catedrais luxuosas e não possuem nenhum seminário para capacitação da liderança; e pior, não possuem nenhuma agência missionária transcultural. Não seria uma falta de prioridades? Quero entender, mas não consigo!

Quero entender como alguns pastores ditos sérios participam de conselhos cujos membros aceitam abertamente doutrinas bizarras, como a confissão positiva. Quero entender, mas não consigo!

Quero entender como um pastor que prega coisas bizarras, dizendo que galinhas tiveram a experiência da glossolalia e ainda ora para que Deus coloque dinheiro em conta bancária instantaneamente. Mediante tudo isso e mais algumas coisas, o mesmo nunca foi advertido pela sua denominação. Quero entender, mas não consigo!

Quero entender porque tantos líderes vendem a “alma ao diabo” nos tempos de eleições. Prometem votos das igrejas em troca de favores. Envolvem-se na política partidária praticando o crime de compra e venda de votos. Quero entender, mas não consigo!

Quero entender porque alguns ultra-ortodoxos não consideram os pentecostais como irmãos e porque combatem esse ramo da cristandade como se tivesse combatendo o diabo. Quero entender, mas não consigo!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A vingança pelas bênçãos!

Nesse início de 2009, há duas músicas que não agüento mais ouvir nos cultos dominicais. O primeiro cântico é o famoso Sabor de Mel, do compositor Agailton Silva e interpretada pela cantora Damares. O segundo cântico é Faz um Milagre em Mim, do compositor e intérprete Regis Danese. Hoje, o culto dito pentecostal que uma dessas duas músicas não é cantada, tornou-se uma raridade. Recheadas de triunfalismo e pitadas de auto-ajuda, principalmente a primeira, esse tipo de mensagem faz um tremendo sucesso no mundo gospel e nos púlpitos brasileiros.
Escrevo esse texto não para comentar sobre triunfalismo, pois há poucos dias já escrevi sobre esse tema. Faço agora uma observação sobre o trecho da música Sabor de Mel que é comum em muitas composições evangélicas. Leia atentamente o trecho que quero comentar:

Quem te viu passar na prova/ E não te ajudou/ Quando ver você na benção/ Vão se arrepender/ Vai estar entre a platéia/ E você no palco/ Vai olhar e ver/ Jesus brilhando em você/ Quem sabe no teu pensamento/ Você vai dize/ Meu Deus como vale a pena/ A gente ser fiel/ Na verdade a minha prova/ Tinha um gosto amargo/ Mas minha vitória hoje / Tem sabor de mel. (Grifo meu)

Se você observou, viu uma pitada de vingança nas palavras dessa composição. Ora, isso é muito comum na musicalidade pentecostal e nos ditos “hinos” de fogo e motivação. O desejo da bênção está condicionado no prazer de “passar na cara” do ímpio que Deus estendeu a vitória. Nada mais pagão e menos cristão! Como fica toda a mensagem de Cristo na lógica da vingança?
A mesma lógica antibíblica está presente em muitas pregações. Testemunhos (ou seriam tristesmunhos?) estão ensinando o prazer da vingança mediante as bênçãos de Deus. Certamente essas “bênçãos” vingativas não advêm dO Deus cristão, mas sim de algum ídolo pagão.

domingo, 5 de abril de 2009

A Assembléia de Deus possui uma identidade doutrinária?

Em qualquer organização política, administrativa, empresarial, econômica ou eclesiástica; a criação de uma identificação doutrinária (ou ideológica) é essencial.  A cristandade sempre se preocupou com um quadro doutrinário definido, criando credos, confissões de fé, catecismos e reunindo vários concílios no decorrer da história. Muitas denominações mantêm uma raiz teológica fortíssima, sendo raras as exceções de divergências em torno dos pontos centrais.  Um grupo religioso precisa de raízes fincadas para sobreviver no decorrer da história, portanto, sua doutrina sempre será preocupação entre seus membros.

Na contramão da história, muitos membros da Assembléia de Deus tentam criar uma “identidade” baseada exclusivamente nos “usos e costumes” uniformizados. Então, não sendo possível criar fundamentos em processos transitórios e relativos, a “identidade dos costumes” morre na areia movediça das culturas regionais. Enquanto isso, muito dos lideres assembleianos esquecem a principal identidade: que é doutrinário-teológica.

Identidade doutrinária?

A não uniformidade nas tradições e costumes é o obvio, mas a não uniformidade doutrinária é um perigo, pois ataca aquilo que é substancial para a organização eclesiástica subsistir. Não que a Assembléia de Deus detenha a perfeita e reta doutrina nos seus quatorzes pontos da confissão de fé; mas é tão necessária uma linha teológica definida, que a denominação sem ela vira o caos.

Respondendo a pergunta do título, hoje essa denominação não possui uma identidade doutrinária. Isso é um fato! Alguns pastores assembleianos são grandes apologistas e pessoas empenhadas na defesa da fé (uma minoria), mas outros são disseminadores de modismos como “cair no espírito”, “paletó ungido”, “confissão positiva”, “batalha espiritual”, “maldição hereditária” etc. Ou seja, enquanto uns trabalham pela doutrina, outros “colegas de ministério” trabalham pela destruição da mesma.

Grande Babel!

No seu quase centenário a Assembléia de Deus tornou-se uma grande Babel, onde cada um fala seu idioma. Uma denominação com variação de línguas (não confundir com variedades de línguas). Enquanto a Casa Publicadora da denominação publica o ótimo livro Cristianismo em Crise de Hank Hanegraaff, onde o autor condena as heresias do pregador israelense Benny Hinn, uma das igrejas da denominação convidou esse pastor para ser preletor em uma de suas festas.

Líderes assembleianos que não sabem a confissão de fé da denominação

Um ponto chave e possível de ser verificado empiricamente é o fato de que muitos pastores assembleianos não conhecem a confissão de fé da própria denominação. O autor desse texto não está blefando. Para espanto de muitos dos que estão lendo esse artigo, o fato é que muitos não sabem informar sequer um ponto da confissão de fé. Prova disso é que você ainda ouve de muitos lideres a ligação que os mesmos fazem dos costumes com a “doutrina da igreja”; sendo um sinal claríssimo de quem não conhece a própria doutrina.

Conclusão

Como pode existir identidade doutrinária se muitos querem colocar “usos e costumes” nesse pacote? Como pode existir identidade doutrinária se muitos líderes não conhecem a confissão de fé da denominação? Como pode existir identidade doutrinária, se um pastor prega uma coisa e o outro prega outra completamente divergente em assuntos considerados centrais? Como pode existir identidade doutrinária se muitos líderes têm ojeriza pela teologia e seu ensino sistemático aplicado na congregação? A conclusão do bom senso é que a maior denominação evangélica do país tem doutrina, mas não identidade. Centenária sem rosto é uma vergonha! Identidade já!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Corinto- Uma Igreja Fervorosa, mas não Espiritual

Subsídio das Lições Bíblicas “I Coríntios- Os problemas da Igreja e suas soluções” (CPAD).

Corinto era uma cidade cosmopolita, próspera, sincrética e devassa. Um lugar semelhante as metrópoles contemporâneas, como São Paulo, Londres, Nova Iorque ou Pequim. Corinto era a ponte entre o Ocidente e o Oriente, com uma rede de estradas que ligava dois importantes portos. A localização privilegiada levava aos coríntios a prosperidade mercantil, pois nenhum importador e exportador estava livre de passar por essas terras. Militarmente era essencial para a manutenção do império. Também floresceu entre os coríntios a atividade bancária, o artesanato, a arquitetura, os banhos, os jogos ístmicos e o trabalho com o bronze. Corinto era a síntese da cultura greco-romana, sendo naqueles dias a terceira cidade mais importante, perdendo para a capital Roma e Alexandria. Composta de judeus, gregos e escravos, essa cidade era a mistura de várias filosofias e religiões, que convivam sob um mesmo terreno. Nesse espaço nasce mais tarde a comunidade cristã.

1-      O Contexto da Época

Corinto do primeiro século era imoral, como outras grandes cidades do Império Romano. A fama da imoralidade era tão grande, que Aristófanes (480-385 a.C.) criou a palavra korinthiazesthai (“agir como um coríntio”, isto é, “cometer adultério”). Platão usou a expressão “garota coríntia” para referir-se a uma prostituta. O historiador e filósofo grego Estrabão (63 a.C - 24 d.C) escreveu que no templo de Afrodite havia mil prostitutas cultuais, que entregavam seus corpos aos homens de Corinto como forma de adoração. É importante destacar que o eufemismo “corintianizar” reportava a Corinto grega, que foi destruída pelos romanos em 146 a.C. Paulo escreve para uma comunidade coríntia já romana, que foi reconstruída por Júlio César em 46 a. C. Tudo indica que a Corinto do primeiro século, portanto romana, manteve práticas imorais como todas as cidades portuárias daquele tempo.

Os membros da Igreja em Corinto estavam mergulhados na cultura coríntia, vivendo em meio a imoralidade e desfrutando das benesses comercias dessa cidade urbanizada. Agora, a Igreja em Corinto era composta por muitos pobres (cf. I Co 1.26-27) e alguns poucos crentes ricos, como a maioria das igrejas urbanas atuais.

A epístola do apóstolo Paulo aos coríntios reflete bem a realidade do século XXI. Esse século é urbano na conjuntura social, relativista na moralidade e fluído nas relações familiares como religiosas, alimentando o sincretismo e o trânsito religioso, na clara demonstração de estrutura doutrinária irregular.

2-      O Fervor Religioso e a Espiritualidade

A igreja de Corinto sofria o mesmo mal do pentecostalismo contemporâneo: muito fervor, mas pouca espiritualidade; muito carisma, porém pouco caráter; abundância nos dons, todavia falta nos frutos do Espírito. É impressionante o número de eventos que conclamam sobre avivamento, mas poucos são os frutos desse suposto “mover”. O povo brasileiro é atualmente místico e emocional, quando crentes confundem o emocionalismo exacerbado com o “poder de Deus”.

Hoje, as pregações não igrejas pentecostais resumem-se a gritaria e vitória; histeria e ufanismo; bagunça e falta de reflexão. Congressos estão lotados de pessoas ávidas por novidades, como “cair no espírito”, “aviãozinho”, “cambalhotas”, “pula-pula” etc. E aí de quem contestar essas práticas bizarras, pois logo é taxado de fariseu, blasfemo e outros estereótipos.  Pouco se fala em caráter nos púlpitos pentecostais. Muita aparência de religiosidade, pois enquanto gritam “aleluais” maquiam seus males.

Não adianta gritar nos cultos como se estivesse no Maracanã, se o coração não estiver disposto a obedecer a Deus. Já dizia o falecido pr. Estevam Ângelo de Sousa, ícone do pentecostalismo brasileiro, que “uma lata vazia faz muito barulho”.

3-      A Missão Discipuladora da Igreja

Eis o grande problema da igreja pentecostal: falta de discipulado. Inclusive muitas lideranças precisariam voltar a classe dos discipulados, pois não sabem o elementar da fé cristã, portanto não aprenderam a ser discípulos. Não adianta a igreja ser muito evangelizadora, se a mesma não tem uma forte equipe de discipuladores. Igreja que evangeliza e não discipula não está cumprindo a Grande Comissão. O problema maior é que muitas deixaram o discipulado e até a evangelização.

Ensinar é moldar caráter. Falta de ensino bíblico provoca distorções doutrinárias e morais. Imaturidade e fraqueza doutrinária estão casadas. Enquanto numa comunidade muitos praticam os dons espirituais a partir da ostentação, do orgulho, da falta de amor; muita confusão acontecerá. Tudo isso fruto de um discipulado inexistente ou deficiente.

Conclusão

Uma igreja sadia é possível mesmo diante dos desafias da vida urbana. A saúde da Eclésia está totalmente relacionada ao ensino e discipulado de cada crente, por meio de uma liderança madura. A maturidade está relacionada ao caráter, portanto ostentar dons não é, senão pura vaidade.